05/11/2018

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







04/11/2018

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 11

Conhecimento das Escrituras e espírito de profecia

12. Dois irmãos vieram um dia de regiões muito distantes ao eremitério de Greccio, ansiosos por ver o homem de Deus e receber sua bênção, que há muito tempo desejavam. Mas ao chegarem, não encontraram o santo que já se havia retirado para a cela. Os dois irmãos, desolados, retomaram o caminho de volta.
Mas eis que ao se afastarem, o santo, que não podia ter sabido da chegada nem da partida deles, saiu, contra seu costume, da cela, chamou-os afavelmente e, fazendo sobre eles o sinal-da-cruz, concedeu-lhes em nome do Senhor a bênção tão desejada.

13. Chegaram um dia dois religiosos procedentes da Terra di Lavoro. O mais velho deles havia escandalizado várias vezes o companheiro, durante o caminho. Ao chegarem, o Pai perguntou ao mais jovem como se comportara o outro pelo caminho.
Respondeu: “Certamente bastante bem”. A esta resposta, acrescentou Francisco: “Guarda-te, irmão, de mentir, mesmo sob a capa de humildade. Pois eu sei muito bem do que aconteceu. Espera um pouco e verás o resultado”.
Ficou admirado sobremaneira o irmão ao ver como ele conhecia com tanta evidência as coisas ausentes.
Pouco depois, o causador do escândalo, abandonando a Ordem, voltou ao século, sem pedir perdão ao seráfico Pai nem esperar dele a oportuna correcção.
Duas coisas ficaram demonstradas ao mesmo tempo com a ruína daquele homem: a equidade da justiça divina e a perspicácia surpreendente do espírito de profecia do nosso santo.

14. Vimos já nas páginas precedentes como ele apareceu milagrosamente a pessoas distantes.
Aqui basta recordar como ele, estando ausente, surgiu diante dos irmãos, transfigurado, num carro de fogo, e como um crucificado aos capitulares de Arles.
Devemos crer que tais factos se deram por disposição divina, no sentido de que aquele seu maravilhoso aparecimento em vários locais com sua pessoa física indicava manifestamente como seu espírito vivia em perfeita comunhão com a Luz da eterna Sabedoria, a qual “é mais ágil que todas as coisas móveis, atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza... Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e intérpretes de Deus” (Sb 7,24 e 27).
De facto, o Mestre celestial costuma descobrir os seus mais ocultos mistérios aos simples e pequeninos, como se viu em David, o mais ilustre dos profetas, depois em Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, e mais tarde no Pobrezinho de Cristo, Francisco.
Todos esses eram simples, e não tinham erudição, mas pelas luzes do Espírito Santo chegaram a tornar-se ilustres; pois o primeiro foi constituído pastor, encarregado de apascentar o povo de Israel resgatado do Egipto; a Pedro, pescador, foi-lhe confiado o
encargo de encher a rede misteriosa da Igreja com a multidão dos crentes; e a Francisco, simples comerciante, inspirou-lhe o Senhor o desejo de vender e distribuir todas as coisas por Cristo, a fim de comprar a pérola preciosa de que fala o Evangelho.

CAPITULO 12

Eficácia da sua pregação e poder de curar

1. Fiel e verdadeiro servo de Cristo, querendo Francisco cumprir tudo com fidelidade e perfeição, esforçava-se por praticar sobretudo aquelas virtudes que conhecia serem mais gratas a Deus, como lhe ditara o Espírito Santo. E foi tal fidelidade que um dia o fez sofrer longamente por causa de uma dúvida angustiante.
Ao voltar da oração, ele a expôs aos irmãos mais chegados, rogando-lhes que o auxiliassem a encontrar a solução:
“Meus irmãos, que me aconselhais, qual a vossa opinião: devo dedicar-me à oração ou caminhar de cidade em cidade para pregar? Pois sou um pobre homenzinho simples, sem eloquência, mais dotado para a oração do que para a pregação.
Na oração obtemos e acumulamos graças, ao passo que a pregação é, por assim dizer, uma distribuição dos bens recebidos do céu.
Na oração purificamos todos os impulsos da alma e os centramos com maior firmeza n’Aquele que é o único e soberano Bem, enquanto: na pregação o nosso espírito cobre-se de poeira, como os pés, as distracções nos assaltam de toda parte e a disciplina se relaxa.
Na oração falamos com Deus e o ouvimos, levando assim uma vida que se aproxima da dos anjos, ao passo que a pregação nos força a colocar-nos continuamente ao nível dos homens e a viver com eles, pensar, ver, falar e escutar com eles...
Mas, contra todas essas vantagens da oração, existe um argumento que, se nos colocarmos do ponto de vista de Deus, parecerá decisivo: o Filho único de Deus, Sabedoria suprema, deixou o seio do Pai pela salvação das almas, a fim de se dar ao mundo como exemplo, dirigir aos homens a Palavra que salva, dar-lhes seu sangue como resgate e libertação, como banho de purificação e como bebida que fortifica; nada reteve para si, mas nos deu tudo a fim de nos salvar. E como devemos imitar suas acções, tal como Moisés que confeccionou o candelabro de ouro segundo o modelo que Deus lhe mostrara sobre o monte, parece-me que o que mais agrada a Deus é que eu abandone a tranquilidade do meu retiro para ir trabalhar e pregar”.
Durante vários dias continuou ele com seus irmãos a discussão sem chegar a formar uma convicção certa sobre a escolha que seria a mais agradável a Cristo.
Ele mesmo, que recebia revelações maravilhosas em virtude de seu espírito de profecia, não conseguia esclarecer-se e resolver a questão: Deus permitia isso para evidenciar por um milagre o mérito de seu servo no momento de partir para a pregação e salvaguardar sua humildade.

2. Não se envergonhava de pedir conselhos aos seus inferiores nas coisas pequenas, ele que se julgava o menor de todos, embora houvesse aprendido do Mestre supremo grandiosas revelações.
Por isso costumava ter sumo cuidado em indagar de que modo e de que forma poderia servir mais perfeitamente ao Senhor segundo seu beneplácito.
Foi esta a sua filosofia particular, foi esse o seu mais ardente desejo enquanto viveu: consultar os sábios e os simples, os perfeitos e os imperfeitos, os grandes e os pequenos, de que maneira poderia chegar mais facilmente ao cume: da perfeição.
E então chamou dois dos seus irmãos e enviou-os ao irmão Silvestre, aquele mesmo que em outro tempo vira sair da boca de Francisco uma cruz esplêndida, e então se encontrava entregue aos fervores da oração num monte próximo à cidade de Assis, encarregando-o de consultar a Deus a fim de resolver aquela dúvida e pedindo-lhe que lhe comunicasse qual: a resposta do Senhor.
Também pediu a Clara, virgem santa, encarregando-a de conferenciar sobre o assunto com alguma das mais puras e simples virgens que com ela estavam e acrescentando as suas próprias orações às demais, para que procurasse verificar qual a vontade do Senhor no assunto objecto da consulta.
Houve uma unanimidade extraordinária: o sacerdote e a virgem, sob a inspiração do Espírito Santo, assim interpretaram a vontade de Deus: o arauto de Cristo deve ir pregar pelo mundo.
Voltaram os irmãos, indicando qual a vontade de Deus, conforme tinham podido saber. Ele imediatamente se levantou, cingiu as vestes e, sem se deter um momento, se pôs a caminho.
Ia com tanto fervor executar a vontade divina, corria tão velozmente, como se a mão do Senhor, descendo sobre ele, o houvesse cumulado de novas energias.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

el Reto del amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Mc 12, 28-34

28 Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29 Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; 30 amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31 O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» 32 O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; 33 e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» 34 Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo.

Comentário:

A atitude deste escriba é rara nos relatos evangélicos.
Quase sempre esta classe, como os fariseus e doutores da Lei, actua sempre em confronto – aberto ou camuflado – quando se encontra com Jesus.

Mas, como já se disse, não se pode nem deve tomar o todo pela parte e, como acabamos de ler, há gente pertencente a estas classes que é honesta intelectualmente, não actua por sectarismo ou “ideias feitas”, deseja conhecer a verdade tal qual é.

Assim, connosco no apostolado. Todas as pessoas sejam quem forem nos devem merecer cuidado e atenção quando não actuaremos como aqueles cuja conduta reprovamos.

(AMA, comentário sobre Mc 12, 28-34, 07.06.2018)

Conversei com Ele?


É possível que te assuste esta palavra: meditação. Faz-te lembrar livros de capas negras e velhas, ruído de suspiros ou rezas como cantilenas rotineiras... Mas isso não é meditação. Meditar é contemplar, considerar que Deus é teu Pai, e tu seu filho, necessitado de ajuda; e depois dar-lhe graças pelo que já te concedeu e por tudo o que te há-de dar. (Sulco, 661)

Para o teu exame diário: – Deixei passar alguma hora sem falar com o meu Pai, Deus? – Conversei com Ele com amor de filho? Acredita que és capaz! (Sulco, 657)

O único meio de conhecer Jesus: privar com Ele! N'Ele encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as actividades honestas da tua vida quotidiana...

E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor. (Sulco, 662)

"Fica connosco, porque anoitece!...". Foi eficaz a oração de Cléofas e do companheiro.
Que pena, se tu e eu não soubéssemos "deter" Jesus que passa! Que dor, se não Lhe pedirmos que fique connosco! (Sulco, 671)

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 98



A pessoa de Jesus tem uma característica iniludível: É única!
Não entendo bem, ou melhor, não alcanço completamente o que isto quer dizer, só reconheço o pouco - nada - que sou para me atrever em tal análise ou consideração.
Se me detenho a pensar chego inevitavelmente à conclusão que talvez não obtenha resposta satisfatória e, daí que seja tentado a desistir.
Mas não é isso que quero e anseio.

Quero compreender e não haverá melhor forma de o conseguir - penso - que intimar com Ele numa união tão íntima e completa que possa dizer como São Paulo: Não sou eu quem vive mas Cristo que vive em mim!

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

03/11/2018

A Morte

Ela aí está, presente, indiscutível, definitiva!

A morte é, assim, o acabar a vida, o terminar de sonhos e esperanças, projectos e planeamentos o não se "vai passar mais nada"!

A Morte!

Choca, faz estremecer, sobretudo os vivos, os que ficam e que subitamente se dão conta que ela chegou e levou consigo quem tanto queríamos, de quem tanto gostávamos.
Um travo amargo de perda irreparável, de algo sem remédio nem solução e ficamos como que tontos pensando: como é - como foi - possível?

Mas foi! E é! A morte está presente desde o dia em que nascemos e que, pela primeira vez fomos uma pessoa.

Sim, quando perguntamos por alguém cuja situação é grave e respondemos: está entre a vida e a morte esquecemos que esta resposta deve ser a de sempre, desde que vimos pela primeira vez a luz do dia.

A Morte faz parte da condição humana, esta é a verdade e, mais, súbita ou expectável, sucede sempre.

O que podemos fazer, nós que amámos tanto a pessoa que morreu?
Nada, absolutamente nada!

Guardamos como tesouro genuíno as lembranças todas. De repente, como por milagre, só nos lembramos das coisas boas.

Quem morreu deixou, de repente, de ter defeitos, fraquezas, coisas que nos desiludiram ou magoaram.

A Morte tem esse efeito regenerador, converte a pessoa em excelente criatura que fez muito bem e, sobretudo, nos faz muita falta.

O que fazer?


Para um cristão esta é, deve ser, uma consolação, um lenitivo para a dor da ausência física para passar a ser uma certeza de que a memória permanece talvez mais viva e actuante que nunca.

(AMA, na morte do meu querido sobrinho Pedro, 03.11.2015)

Leitura espiritual

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Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 11

Conhecimento das Escrituras e espírito de profecia

7. Em Sena, havia predito a um amigo seu algumas coisas que deveriam acontecer-lhe nos seus últimos dias. Então aquele douto religioso que, como recordamos acima, de tempos em tempos vinha discutir com ele sobre textos da Escritura, lhe perguntou se ele dissera realmente aquelas coisas que lhe haviam relatado.
Francisco não se contentou com reconhecer que as dissera, mas insistiu e predisse a morte daquele que vinha se preocupar com a dos outros; enfim, para ter mais certeza de sensibilizar sua alma, revelou-lhe, por um outro milagre, uma inquietação que lhe roía a consciência, e ele não tivera coragem de confessá-la a ninguém.
Deu-lhe a solução para o caso e conseguiu mediante os seus conselhos lhe tirar aquele sofrimento da alma.
Todas essas predições se realizaram, pois o religioso terminou seus dias exactamente como o servo de Cristo lhe havia anunciado.

8. Ao tempo que voltou do ultramar, tendo por companheiro a Frei Leonardo de Assis, aconteceu que Francisco, extenuado de cansaço, montou alguns instantes sobre um humilde jumentinho.
Seguia-o o companheiro, também exausto, e como era fraco de virtude, começou a dizer em seu íntimo: “Os pais dele e os meus não eram de igual condição, e no entanto ele anda agora a cavalo e eu, soldado, a pé, conduzo seu jumento”.
Estando nessas reflexões, apeou-se o santo do animal imediatamente e disse-lhe:
“Tens razão, irmão, não fica bem que eu vá comodamente montado e tu andes a pé, pois no século foste muito mais nobre e poderoso do que eu”.
O companheiro ficou atónito, e corrido de vergonha ao ver descobertos seus mais secretos pensamentos, prostrou-se banhado em lágrimas aos pés do seráfico Pai, a quem confessou sua culpa, pedindo humildemente o perdão.

9. Um irmão, muito devoto e admirador do servo de Deus, vivia remoendo em seu íntimo este pensamento: será digno da graça do céu aquele a quem o santo concede sua familiaridade e afecto; e ao contrário, aquele que o santo trata como um estranho se há de considerá-lo excluído do número dos eleitos.
Atormentado com essa ideia perturbadora, suspirava para que o servo de Deus lhe concedesse a sua familiaridade, mas a ninguém revelava o segredo do seu coração.
O Pai piedoso, porém, chamou-o amavelmente e disse-lhe:
“Que não te perturbe nenhum pensamento, filho, pois te considero como o mais caro entre todos aqueles que me são particularmente caros e de boa mente te ofereço minha familiaridade e minha estima”.
O irmão ficou maravilhado e mais devoto ainda se tornou desde então. Não só cresceu no amor ao santo, mas, por obra e graça do Espírito Santo, enriqueceu-se de dons sempre maiores.
Ao tempo em que no monte Alverne ficou recluso na sua cela, um dos seus companheiros sentia um grande desejo: de ter algumas palavras ao menos da Sagrada Escritura escritas pelo próprio punho do santo. Alimentava a convicção de que com esse recurso poderia eliminar ou ao menos suportar com menor sofrimento a grave tentação que o atormentava: tentação não dos sentidos, mas do espírito. Perseguido por esse pensamento, sentia-se oprimido na sua alma, pois, dominado pela vergonha, não ousava manifestar este seu desejo ao santo. Mas este, embora não lho tivesse revelado homem algum, soube do que se passava por revelação divina. Por essa razão mandou ao referido companheiro que lhe trouxesse papel e tinta e, conforme os seus desejos, escreveu pela sua própria mão no papel alguns louvores ao Senhor e ao final acrescentou sua bênção:
“Toma para ti este escrito e guarda-o com cuidado até ao dia da tua morte”.
Logo que recebeu aquele presente, a tentação desapareceu inteiramente.
Ainda se conserva o documento, e os milagres que ele realizou testemunham em favor das virtudes de Francisco.

10. Havia num convento um irmão que - a julgar pelas aparências - era de uma santidade extraordinária.
Levava uma vida exemplar, mas totalmente singular. Estava continuamente ocupado a rezar. Guardava um silêncio tão rigoroso, que chegava mesmo a confessar-se não por palavras mas por sinais. Aconteceu que o santo Pai certo dia veio ao lugar onde se encontrava esse religioso para vê-lo e falar a respeito dele com os outros irmãos.
Todos ponderavam e louvavam a grande virtude desse irmão.
O santo, porém, respondeu-lhes: “Não queirais, irmãos, elogiar nesse homem aquilo que não passa de ardis de Satanás! Sabei que na realidade tudo são tentação e embustes do demónio!”
Os irmãos não queriam se convencer desse facto, pois lhes parecia impossível que a fraude pudesse disfarçar-se tão bem com as aparências, de santidade. Mas o referido irmão abandonou a Ordem pouco depois e todos viram a penetração do olhar profundo que assim havia descoberto o que se passava no fundo daquele coração.
Houve igualmente muitos irmãos assim ditos de notável santidade cuja queda ele predisse e mais ainda de pecadores cuja conversão ele previu, demonstrando-se desse modo que havia chegado a contemplar já aqui o espelho da eterna Luz cuio brilho permitia aos olhos da sua alma enxergar como se estivessem presentes acontecimentos distantes no espaço e no tempo.

11. Em outra ocasião aconteceu que seu vigário celebrava o capítulo no momento em que ele se encontrava orando em sua cela, fazendo o ofício de intercessor e medianeiro entre Deus e seus irmãos.
Havia um entre eles, que, coberto com a capa de injustas pretensões, queria subtrair-se ao rigor da disciplina regular.
O santo chamou um de seus companheiros e disse-lhe:
“Irmão, vi o demónio montado sobre os ombros desse irmão desobediente e apertando-lhe fortemente o pescoço; cavalgado por um cavaleiro desses, ele sacode o freio da obediência e não obedece senão às rédeas de seus instintos. Mas eu roguei a Deus por ele e o demónio fugiu envergonhado.
Vai, pois, dizer-lhe que submeta de novo o pescoço ao jugo da santa obediência”.
 Às palavras do mensageiro, o irmão arrependeu-se imediatamente e atirou-se aos pés do vigário com toda humildade.

(cont)

São Boaventura
Revisão de versão portuguesa por AMA

el Reto del Amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 14, 1 7-11

1 Tendo entrado, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam.
7 Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, disse-lhes esta parábola: 8 «Quando fores convidado para um banquete, não ocupes o primeiro lugar; não suceda que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, 9 venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede o teu lugar a este.’ Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o último lugar. 10 Mas, quando fores convidado, senta-te no último lugar; e assim, quando vier o que te convidou, há-de dizer-te: ‘Amigo, vem mais para cima.’ Então, isto será uma honra para ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo à mesa. 11 Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.»

Comentário:

As palavras lapidares com que termina este trecho do Evangelho (Lc 14, 11), são suficientemente fortes para dispensar qualquer comentário.
Muitos glosaram este tema (como Camões, por exemplo) porque ele está presente nas nossas vidas.
O desejo de proeminência e importância pessoal levam, quase sempre, a atitudes senão ridículas, pelo menos reprováveis.

Haverá sempre um momento em virão a nu as nossas obras e, essas, sim, serão motivo de admiração ou descrédito.

(AMA, comentário sobre Lc 14, 1 7-11, 20.09.2018)

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade


Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.

Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)
Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.
Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 97


Serão hoje muito diferentes os comportamentos de muitas pessoas?

Basta olhar para as multidões que procuram ansiosamente outras paragens onde possam encontrar uma vida pacífica e digna e para os muitos que declaradamente os ignoram e não lhes prestam assistência.

Jesus Cristo é o mesmo de sempre, não mudou nem mudará nunca e certamente que o Seu Coração Amantíssimo não deixará de acudir aos que a Ele recorram.

Mas como podem recorrer a Ele se não O conhecem?
No mistério da Misericórdia Divina, há sempre lugar para todos e, não esqueçamos, que Ele afirmou que muitos dos últimos serão os primeiros!

A verdade, quando penso em Jesus Cristo, é que fico sempre como que esmagado pela consideração da Sua Pessoa humana e divina indissociáveis como numa dupla identidade. Deus e Homem autênticos e indissociáveis.
Sem dúvida, trata-se de um mistério mas, nem por o ser me impede de me sentir como que mergulhado na sua profundidade abissal.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





02/11/2018

el Reto del Amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum


Fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» 28 «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

Comentário:

Somos, a maioria dos cristãos, pessoas normais e correntes, isto é, sem nenhuns atributos especiais que nos distingam.

Somos, portanto, desses “pequeninos” que o Senhor elege com especial carinho.

Que afortunados somos!

(AMA, comentário sobre Mt 11, 25-30, Monte Real, Convento, 23.06.2017)