04/11/2018

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 98



A pessoa de Jesus tem uma característica iniludível: É única!
Não entendo bem, ou melhor, não alcanço completamente o que isto quer dizer, só reconheço o pouco - nada - que sou para me atrever em tal análise ou consideração.
Se me detenho a pensar chego inevitavelmente à conclusão que talvez não obtenha resposta satisfatória e, daí que seja tentado a desistir.
Mas não é isso que quero e anseio.

Quero compreender e não haverá melhor forma de o conseguir - penso - que intimar com Ele numa união tão íntima e completa que possa dizer como São Paulo: Não sou eu quem vive mas Cristo que vive em mim!

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

03/11/2018

A Morte

Ela aí está, presente, indiscutível, definitiva!

A morte é, assim, o acabar a vida, o terminar de sonhos e esperanças, projectos e planeamentos o não se "vai passar mais nada"!

A Morte!

Choca, faz estremecer, sobretudo os vivos, os que ficam e que subitamente se dão conta que ela chegou e levou consigo quem tanto queríamos, de quem tanto gostávamos.
Um travo amargo de perda irreparável, de algo sem remédio nem solução e ficamos como que tontos pensando: como é - como foi - possível?

Mas foi! E é! A morte está presente desde o dia em que nascemos e que, pela primeira vez fomos uma pessoa.

Sim, quando perguntamos por alguém cuja situação é grave e respondemos: está entre a vida e a morte esquecemos que esta resposta deve ser a de sempre, desde que vimos pela primeira vez a luz do dia.

A Morte faz parte da condição humana, esta é a verdade e, mais, súbita ou expectável, sucede sempre.

O que podemos fazer, nós que amámos tanto a pessoa que morreu?
Nada, absolutamente nada!

Guardamos como tesouro genuíno as lembranças todas. De repente, como por milagre, só nos lembramos das coisas boas.

Quem morreu deixou, de repente, de ter defeitos, fraquezas, coisas que nos desiludiram ou magoaram.

A Morte tem esse efeito regenerador, converte a pessoa em excelente criatura que fez muito bem e, sobretudo, nos faz muita falta.

O que fazer?


Para um cristão esta é, deve ser, uma consolação, um lenitivo para a dor da ausência física para passar a ser uma certeza de que a memória permanece talvez mais viva e actuante que nunca.

(AMA, na morte do meu querido sobrinho Pedro, 03.11.2015)

Leitura espiritual

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Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 11

Conhecimento das Escrituras e espírito de profecia

7. Em Sena, havia predito a um amigo seu algumas coisas que deveriam acontecer-lhe nos seus últimos dias. Então aquele douto religioso que, como recordamos acima, de tempos em tempos vinha discutir com ele sobre textos da Escritura, lhe perguntou se ele dissera realmente aquelas coisas que lhe haviam relatado.
Francisco não se contentou com reconhecer que as dissera, mas insistiu e predisse a morte daquele que vinha se preocupar com a dos outros; enfim, para ter mais certeza de sensibilizar sua alma, revelou-lhe, por um outro milagre, uma inquietação que lhe roía a consciência, e ele não tivera coragem de confessá-la a ninguém.
Deu-lhe a solução para o caso e conseguiu mediante os seus conselhos lhe tirar aquele sofrimento da alma.
Todas essas predições se realizaram, pois o religioso terminou seus dias exactamente como o servo de Cristo lhe havia anunciado.

8. Ao tempo que voltou do ultramar, tendo por companheiro a Frei Leonardo de Assis, aconteceu que Francisco, extenuado de cansaço, montou alguns instantes sobre um humilde jumentinho.
Seguia-o o companheiro, também exausto, e como era fraco de virtude, começou a dizer em seu íntimo: “Os pais dele e os meus não eram de igual condição, e no entanto ele anda agora a cavalo e eu, soldado, a pé, conduzo seu jumento”.
Estando nessas reflexões, apeou-se o santo do animal imediatamente e disse-lhe:
“Tens razão, irmão, não fica bem que eu vá comodamente montado e tu andes a pé, pois no século foste muito mais nobre e poderoso do que eu”.
O companheiro ficou atónito, e corrido de vergonha ao ver descobertos seus mais secretos pensamentos, prostrou-se banhado em lágrimas aos pés do seráfico Pai, a quem confessou sua culpa, pedindo humildemente o perdão.

9. Um irmão, muito devoto e admirador do servo de Deus, vivia remoendo em seu íntimo este pensamento: será digno da graça do céu aquele a quem o santo concede sua familiaridade e afecto; e ao contrário, aquele que o santo trata como um estranho se há de considerá-lo excluído do número dos eleitos.
Atormentado com essa ideia perturbadora, suspirava para que o servo de Deus lhe concedesse a sua familiaridade, mas a ninguém revelava o segredo do seu coração.
O Pai piedoso, porém, chamou-o amavelmente e disse-lhe:
“Que não te perturbe nenhum pensamento, filho, pois te considero como o mais caro entre todos aqueles que me são particularmente caros e de boa mente te ofereço minha familiaridade e minha estima”.
O irmão ficou maravilhado e mais devoto ainda se tornou desde então. Não só cresceu no amor ao santo, mas, por obra e graça do Espírito Santo, enriqueceu-se de dons sempre maiores.
Ao tempo em que no monte Alverne ficou recluso na sua cela, um dos seus companheiros sentia um grande desejo: de ter algumas palavras ao menos da Sagrada Escritura escritas pelo próprio punho do santo. Alimentava a convicção de que com esse recurso poderia eliminar ou ao menos suportar com menor sofrimento a grave tentação que o atormentava: tentação não dos sentidos, mas do espírito. Perseguido por esse pensamento, sentia-se oprimido na sua alma, pois, dominado pela vergonha, não ousava manifestar este seu desejo ao santo. Mas este, embora não lho tivesse revelado homem algum, soube do que se passava por revelação divina. Por essa razão mandou ao referido companheiro que lhe trouxesse papel e tinta e, conforme os seus desejos, escreveu pela sua própria mão no papel alguns louvores ao Senhor e ao final acrescentou sua bênção:
“Toma para ti este escrito e guarda-o com cuidado até ao dia da tua morte”.
Logo que recebeu aquele presente, a tentação desapareceu inteiramente.
Ainda se conserva o documento, e os milagres que ele realizou testemunham em favor das virtudes de Francisco.

10. Havia num convento um irmão que - a julgar pelas aparências - era de uma santidade extraordinária.
Levava uma vida exemplar, mas totalmente singular. Estava continuamente ocupado a rezar. Guardava um silêncio tão rigoroso, que chegava mesmo a confessar-se não por palavras mas por sinais. Aconteceu que o santo Pai certo dia veio ao lugar onde se encontrava esse religioso para vê-lo e falar a respeito dele com os outros irmãos.
Todos ponderavam e louvavam a grande virtude desse irmão.
O santo, porém, respondeu-lhes: “Não queirais, irmãos, elogiar nesse homem aquilo que não passa de ardis de Satanás! Sabei que na realidade tudo são tentação e embustes do demónio!”
Os irmãos não queriam se convencer desse facto, pois lhes parecia impossível que a fraude pudesse disfarçar-se tão bem com as aparências, de santidade. Mas o referido irmão abandonou a Ordem pouco depois e todos viram a penetração do olhar profundo que assim havia descoberto o que se passava no fundo daquele coração.
Houve igualmente muitos irmãos assim ditos de notável santidade cuja queda ele predisse e mais ainda de pecadores cuja conversão ele previu, demonstrando-se desse modo que havia chegado a contemplar já aqui o espelho da eterna Luz cuio brilho permitia aos olhos da sua alma enxergar como se estivessem presentes acontecimentos distantes no espaço e no tempo.

11. Em outra ocasião aconteceu que seu vigário celebrava o capítulo no momento em que ele se encontrava orando em sua cela, fazendo o ofício de intercessor e medianeiro entre Deus e seus irmãos.
Havia um entre eles, que, coberto com a capa de injustas pretensões, queria subtrair-se ao rigor da disciplina regular.
O santo chamou um de seus companheiros e disse-lhe:
“Irmão, vi o demónio montado sobre os ombros desse irmão desobediente e apertando-lhe fortemente o pescoço; cavalgado por um cavaleiro desses, ele sacode o freio da obediência e não obedece senão às rédeas de seus instintos. Mas eu roguei a Deus por ele e o demónio fugiu envergonhado.
Vai, pois, dizer-lhe que submeta de novo o pescoço ao jugo da santa obediência”.
 Às palavras do mensageiro, o irmão arrependeu-se imediatamente e atirou-se aos pés do vigário com toda humildade.

(cont)

São Boaventura
Revisão de versão portuguesa por AMA

el Reto del Amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 14, 1 7-11

1 Tendo entrado, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam.
7 Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, disse-lhes esta parábola: 8 «Quando fores convidado para um banquete, não ocupes o primeiro lugar; não suceda que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, 9 venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede o teu lugar a este.’ Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o último lugar. 10 Mas, quando fores convidado, senta-te no último lugar; e assim, quando vier o que te convidou, há-de dizer-te: ‘Amigo, vem mais para cima.’ Então, isto será uma honra para ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo à mesa. 11 Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.»

Comentário:

As palavras lapidares com que termina este trecho do Evangelho (Lc 14, 11), são suficientemente fortes para dispensar qualquer comentário.
Muitos glosaram este tema (como Camões, por exemplo) porque ele está presente nas nossas vidas.
O desejo de proeminência e importância pessoal levam, quase sempre, a atitudes senão ridículas, pelo menos reprováveis.

Haverá sempre um momento em virão a nu as nossas obras e, essas, sim, serão motivo de admiração ou descrédito.

(AMA, comentário sobre Lc 14, 1 7-11, 20.09.2018)

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade


Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.

Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)
Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.
Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 97


Serão hoje muito diferentes os comportamentos de muitas pessoas?

Basta olhar para as multidões que procuram ansiosamente outras paragens onde possam encontrar uma vida pacífica e digna e para os muitos que declaradamente os ignoram e não lhes prestam assistência.

Jesus Cristo é o mesmo de sempre, não mudou nem mudará nunca e certamente que o Seu Coração Amantíssimo não deixará de acudir aos que a Ele recorram.

Mas como podem recorrer a Ele se não O conhecem?
No mistério da Misericórdia Divina, há sempre lugar para todos e, não esqueçamos, que Ele afirmou que muitos dos últimos serão os primeiros!

A verdade, quando penso em Jesus Cristo, é que fico sempre como que esmagado pela consideração da Sua Pessoa humana e divina indissociáveis como numa dupla identidade. Deus e Homem autênticos e indissociáveis.
Sem dúvida, trata-se de um mistério mas, nem por o ser me impede de me sentir como que mergulhado na sua profundidade abissal.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





02/11/2018

el Reto del Amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum


Fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» 28 «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

Comentário:

Somos, a maioria dos cristãos, pessoas normais e correntes, isto é, sem nenhuns atributos especiais que nos distingam.

Somos, portanto, desses “pequeninos” que o Senhor elege com especial carinho.

Que afortunados somos!

(AMA, comentário sobre Mt 11, 25-30, Monte Real, Convento, 23.06.2017)




Queres deveras ser santo?


Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: "Sede perfeitos, como meu Pai Celestial é perfeito".. (Caminho, 291)

Rectificar. – Todos os dias um pouco. – Eis o teu trabalho constante, se deveras queres tornar-te santo. (Caminho, 290)

Ser fiel a Deus exige luta. E luta corpo a corpo, homem a homem – homem velho e homem de Deus – palmo a palmo, sem claudicar. (Sulco, 126)

Hoje não bastam mulheres ou homens bons. Além disso, não é suficientemente bom quem se contenta em ser quase... bom; é preciso ser "revolucionário". Ante o hedonismo, ante a carga pagã e materialista que nos oferecem, Cristo quer inconformistas! Rebeldes de Amor! (Sulco, 128)

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se.
Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR  

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

Capítulo 10

Zelo na oração e poder de sua prece

4. E o homem de Deus, estando só e em paz, fazia ecoar os bosques com os seus gemidos, regava o chão com as suas lágrimas, batia no peito e como se sentisse oculto, bem abrigado na câmara mais secreta do palácio, falava a seu Senhor, respondia ao seu Juiz, suplicava ao Pai, entretinha-se com o Amigo.
Aí também muitas vezes seus irmãos que o observavam piamente ouviram-no interceder com repetidas súplicas diante da divina clemência em favor dos pecadores e chorar em altas vozes como se estivesse presenciando a dolorosa paixão do Senhor.
Uma noite também o viram na solidão orar com os braços estendidos em forma de cruz, estando o seu corpo elevado da terra e envolto numa nuvem resplandecente, como se essa luz viesse a ser testemunha da admirável claridade de que gozava então Francisco na sua mente.
Aí também, como atestam provas seguras, lhe eram revelados os mistérios ocultos da sabedoria divina que ele não divulgava externamente a não ser na medida em que era impelido a isso por amor a Cristo ou pelo bem que poderiam proporcionar aos outros.
Dizia a respeito:
“As vezes perde-se um tesouro inestimável por uma vantagem medíocre, e é culpa nossa se Aquele que no-lo deu já não se mostra tão generoso”.
Ao voltar de suas orações, que o transformavam quase num outro homem, punha toda atenção em comportar-se em conformidade com os demais, para não acontecer que o vento do aplauso lhe roubasse de sua alma os favores divinos que ele deixasse transparecer externamente.
Ao ser surpreendido publicamente por uma visita do Senhor, ocultava-se de qualquer forma aos olhares das pessoas presentes a fim de nada desvendar dos favores do Esposo.
Ao orar em companhia dos irmãos, evitava com sumo cuidado as exclamações, os gemidos, os suspiros e movimentos externos, já porque em tudo isso amava o segredo, já também porque, voltando a entrar prontamente em si mesmo, ficava absorto novamente em Deus.
Costumava dizer aos da sua intimidade:
“Quando um servo de Deus; entregue à oração, é visitado pelo Senhor, deve dizer-lhe: ‘Esta consolação, Senhor, a enviastes do céu a um pecador e indigno; eu a confio a vossos amorosos cuidados, pois do contrário me consideraria um ladrão de vossos divinos tesouros’. E ao terminar a oração, de tal modo se deve julgar pobre e pecador, como se nenhuma nova graça houvesse recebido”.

5. Estava o homem de Deus certa vez na Porciúncula rezando, quando o bispo de Assis chegou para lhe fazer a visita habitual.
Logo que entrou no convento, dirigiu-se à cela em que o seráfico Pai estava orando; chamou à porta e, ansioso por entrar imediatamente, abusando um tanto de sua confiança, introduziu a cabeça para contemplar o santo em oração; mas de repente sentiu-se dominado de estranho temor, tremendo-lhe os membros, perdeu a fala e subitamente, por disposição divina, uma força estranha o tirou dali e o arrojou a uma grande distância.
Amedrontado, correu o bispo depressa para junto dos irmãos, e logo que Deus lhe restituiu a fala, confessou ingenuamente a sua falta.
O abade do mosteiro de São Justino, na diocese de Perusa, encontrou certo dia o servo de Deus e assim que o viu apeou do cavalo para saudar o homem de Deus que ele venerava e conversar com ele acerca da salvação de sua alma. Após esse diálogo que lhe pareceu muito confortante, o abade despediu-se pedindo-lhe humildemente que rezasse por ele. “De bom grado!”, disse Francisco. Não se encontrava ainda o abade muito longe, quando Francisco, o fiel, disse a seu companheiro:
“Espera-me aqui um momento, irmão, pois quero cumprir o quanto antes a promessa que agora mesmo acabo de fazer”.
Pôs-se a orar e no mesmo instante sentiu o abade na sua alma um ardor e uma suavidade desconhecidas até então, e caindo em êxtase ficou absorto totalmente em Deus. Assim ficou por breve espaço de tempo, e voltando a si, conheceu claramente quão eficaz era na presença de Deus a oração de Francisco. Com isso cresceu mais e mais no amor à Ordem e a muitos referiu esse facto, considerando-o um verdadeiro milagre.

6. Tinha o santo o hábito de oferecer a Deus o tributo das horas canónicas com temor e devoção. Embora sofresse dos olhos, do estômago, do baço e do fígado, não se permitia apoiar-se ao muro ou à parede ao recitar os Salmos, mas rezava as horas canónicas em posição erecta, sem capuz na cabeça, sem vagar com os olhos nem engolir as sílabas.
Em viagem, à hora prevista, ele parava, e não havia temporal por mais torrencial que impedisse esse costume respeitoso.
“Se damos repouso ao corpo, dizia ele, para que possa tomar um alimento que será pasto dos vermes juntamente com ele, com que paz e tranquilidade não deve a alma tomar o seu alimento de vida?”
Julgava pecar gravemente se durante a oração, se deixasse levar por vãs imaginações, e quando lhe acontecia isso, não se contentava com acusar-se dessa falta no confessionário: queria também expiá-la o mais cedo possível. Esta resolução se transformara nele num reflexo habitual, de modo que esse tipo de moscas não vinha incomodá-lo, a não ser muito raramente. Ansioso por aproveitar os menores momentos de seu tempo, durante uma Quaresma confeccionou um pequeno vaso de madeira. E como um dia, ao rezar a Terça, o distraiu a ideia do vaso, cheio de fervor de espírito, queimou o vaso, dizendo: “sacrificá-lo-ei ao Senhor, já que impediu o sacrifício dos divinos louvores”. Com tão fervorosa atenção rezava os Salmos, que parecia ter a Deus presente; e quando neles ocorria o nome do Senhor, enchia-se de tanta doçura que parecia lamber os lábios.
Querendo além disso que se honrasse com particular reverência o nome do Senhor, não apenas quando ocorria à mente, mas também quando se ouvia pronunciar ou se encontrava escrito, rogou encarecidamente aos irmãos que recolhessem com, o máximo cuidado e colocassem em lugar decente todos os papéis que encontrassem com o nome escrito do Senhor, para evitar que fosse profanado.
Ao pronunciar ou ouvir alguém pronunciar o doce nome de Jesus, enchia-se internamente de um santo júbilo e externamente parecia completamente transformado, como se seu gosto experimentasse um sabor delicioso ou ressoasse em seus ouvidos um concerto celestial.

7. Três anos antes de sua morte, resolveu celebrar com a maior solenidade possível, perto de Greccio, a memória da Natividade do Menino Jesus, a fim de aumentar a devoção dos habitantes. Mas para que ninguém pudesse tachar esta festa de ridícula novidade, pediu e obteve do Sumo Pontífice licença para celebrá-la.
Francisco mandou pois preparar um presépio e trazer muito feno, juntamente com um burrinho e um boi, dispondo tudo ordenadamente; reuniram-se os irmãos chamados dos diversos lugares; acorreu o povo, ressoaram vozes de júbilo por toda parte e a multidão de luzes e archotes resplandecentes juntamente com os cânticos sonoros que brotavam dos peitos simples e piedosos transformaram aquela noite num dia claro, esplêndido e festivo. E Francisco lá estava diante do rústico presépio em êxtase, banhado de lágrimas e cheio de gozo celestial. Principiou então a missa solene, na qual Francisco, que oficiava como diácono, cantou o Evangelho.
Pregou em seguida ao povo e falou-lhe do nascimento do Rei pobre a quem ele chamava com ternura e amor de Menino de Belém.
Havia entre os assistentes um soldado muito piedoso e leal que, movido por seu amor a Cristo, renunciou à milícia secular e se uniu estreitamente ao servo de Deus.
Chamava-se João de Greccio, que afirmou ter visto no presépio, reclinado e dormindo, um menino extremamente lindo, ao qual tomou entre seus braços o bem-aventurado Francisco, como se quisesse despertá-lo suavemente do sono.
Que esta visão do piedoso soldado é totalmente certa garante-o não só a santidade de quem a teve, como também sua veracidade e a evidenciam os milagres que a seguir se realizaram; pois o exemplo de Francisco, mesmo considerado do ponto de vista humano, tem poder para excitar a fé de Cristo nos corações mais frios. E aquele feno do presépio, cuidadosamente conservado, foi remédio eficaz para curar milagrosamente os animais enfermos e como antídoto contra muitas outras classes de peste.
Deus glorificava em tudo o seu servo e provava pelos milagres evidentes o poder de suas preces e de sua santidade.

(cont)

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

Doutrina – 457


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio


PRIMEIRA SECÇÃO
A ECONOMIA SACRAMENTAL


CAPÍTULO SEGUNDO

A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL


CELEBRAR A LITURGIA DA IGREJA

Como celebrar?


Pergunta:


236. Como é celebrada a liturgia?


Resposta:

A celebração litúrgica é tecida de sinais e de símbolos, cujo significado, radicado na criação e nas culturas humanas, se esclarece nos acontecimentos da Antiga Aliança e se revela plenamente na Pessoa e na obra de Cristo.

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 96


Poderá parecer excessivo para as nossas limitações humanas ter tal "poder" mas, de facto, essa é uma consequência directa da liberdade que O Criador nos outorgou e que Cristo não faz mais que respeitar.

Ele Próprio diz que É inteiramente livre, pode, se quiser dar a Sua vida e retoma-la de novo.
Exerceu a Sua liberdade na escolha dos Apóstolos e, este facto permanece para nós um mistério: Ele que sabe tudo como escolhe Judas, um traidor?
Podemos repetir «não vim chamar os justos mas os pecadores» mas, parece-me, isto não resolve a questão a não ser que nos atrevamos a pensar que, Jesus nos chama a cada um porque, justamente, somos pecadores.

Ele é de tal forma simples e magnânimo que estende a mão e toca os leprosos provocando a admiração de quantos assistem.
Para Ele não há nenhum ser humano intocável, por mais repelente que possa ser.
Se assim não fosse, como poderíamos esperar - pecadores como somos - que Se entregasse ao contacto mais íntimo como é a Comunhão Eucarística?

Talvez que esta simplicidade e completa ausência de acepção de pessoas fossem dos predicados do Seu carácter que mais impacto teriam naquela época tão eivada de orgulhos, preconceitos, em que a posição pessoal tinha um vulto e importância desmedidas.
De tal forma que se chega ao ponto de banir da sociedade ou proibir o convívio às pessoas que por qualquer motivo são diferentes ou apresentam alguma doença ou defeito físico.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?