19/09/2018

Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá


Cristo que passa    

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Vamos acabar a nossa meditação de Quinta-Feira Santa.
Se o Senhor nos ajudou - e está sempre disposto, desde que lhe abramos o coração - teremos pressa de corresponder àquilo que é mais importante: amar.
E saberemos difundir a caridade entre os outros homens, com uma vida de serviço.
Dei-vos o exemplo, insiste Jesus, falando aos seus discípulos na noite da Ceia, depois de lhes ter lavado os pés.
Afastemos do coração o orgulho, a ambição, os desejos de domínio e, à nossa volta e dentro de nós, reinarão a paz e a alegria, enraizadas no sacrifício pessoal.

Finalmente, um pensamento filial e amoroso para Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.
Peço desculpa de contar de novo uma recordação da minha infância, desta vez relativa a uma imagem que se difundiu muito na minha terra, quando S. Pio X impulsionou a prática da comunhão frequente. Representava Maria a adorar a Hóstia Santa.
Hoje, como então e como sempre, Nossa Senhora ensina-nos a falar e a conviver intimamente com Jesus, a reconhecê-Lo e a encontrá-Lo nas diversas circunstâncias do dia e, de um modo especial, nesse instante supremo - o tempo une-se com a eternidade - do Santo Sacrifício da Missa, em que Jesus, com gesto de sacerdote eterno, atrai a si todas as coisas, para as colocar, divino afflante Spiritu, por intermédio do sopro do Espírito Santo, na presença de Deus Pai.

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Esta semana, que o povo cristão tradicionalmente chama Santa, oferece-nos uma vez mais a possibilidade de considerar - de reviver - os momentos em que se consuma a vida de Jesus.

Tudo o que as diversas manifestações de piedade nos trazem à memória nestes dias se encaminha decerto para a Ressurreição, que é o fundamento da nossa fé, como escreve S. Paulo.
Mas não percorramos este caminho demasiado depressa; não deixemos cair no esquecimento alguma coisa muito simples, que por vezes parece escapar-nos: não poderemos participar da Ressurreição do Senhor se não nos unirmos à sua Paixão e à sua Morte.
Para acompanhar a Cristo na sua glória no final da Semana Santa, é necessário que penetremos antes no seu holocausto e que nos sintamos uma só coisa com Ele, morto no Calvário.

A entrega generosa de Cristo enfrenta-se com o pecado, essa realidade dura de aceitar, mas inegável: o mysterium iniquitatis, a inexplicável maldade da criatura que se ergue, por soberba, contra Deus.

A história é tão antiga como a Humanidade.
Recordemos a queda dos nossos primeiros pais; depois, toda essa cadeia de depravações que marcam a marcha dos homens; finalmente, as nossas rebeldias pessoais.
Não é fácil considerar a perversidade que o pecado representa e compreender tudo o que a Fé nos ensina.
Temos de ter presente que, mesmo no plano humano, a grandeza da ofensa se mede pela condição do ofendido, pelo seu valor pessoal, pela sua dignidade social, pelas suas qualidades.
E o homem ofende a Deus: a criatura renega o seu Criador.

Mas Deus é Amor.
O abismo de malícia, que o que o pecado encerra, foi vencido por uma Caridade infinita.
Deus não abandona os homens.
Os desígnios divinos previram que, para reparar as nossas faltas, para restabelecer a unidade perdida, não bastavam os sacrifícios da Antiga Lei: tornou-se necessária a entrega de um homem que fosse Deus.
Podemos imaginar - para nos aproximarmos de algum modo deste mistério insondável - que a Trindade Santíssima se reúne em conselho na sua contínua relação íntima de amor imenso e, como resultado de uma decisão eterna, o Filho Unigénito de Deus-Pai assume a nossa condição humana, carrega sobre Si as nossas misérias e as nossas dores, para acabar pregado com cravos num madeiro.

Esse fogo, esse desejo de cumprir o decreto salvador de Deus-Pai, enche toda a vida de Cristo, desde o seu nascimento em Belém.
Ao longo dos três anos que com Ele conviveram, os discípulos ouvem-No repetir incansavelmente que o seu alimento é fazer a vontade d'Aquele que O enviou, até que, no meio da tarde da primeira Sexta-Feira Santa, se concluiu a sua imolação: inclinando a cabeça entregou o espírito.
Com estas palavras descreve-nos o Apóstolo S. João a morte de Cristo: Jesus, sob o peso da Cruz com todas as culpas dos homens, morre por causa da força e da vileza dos nossos pecados.

Meditemos no Senhor, chagado dos pés à cabeça por amor de nós. Com frase que se aproxima da realidade, embora não consiga exprimi-la completamente, podemos repetir com um escritor de há séculos: O corpo de Jesus é um retábulo de dores.
A vista de Cristo feito um farrapo, transformado num corpo inerte descido da Cruz e confiado a sua Mãe, à vista desse Jesus destroçado, poder-se-ia concluir que esta cena é a exteriorização mais clara de uma derrota.
Onde estão as massas que O seguiram e o Reino cuja vinda anunciava? Contudo, não temos diante dos olhos uma derrota, mas sim uma vitória: está agora mais perto do que nunca o momento da Ressurreição, da manifestação da glória que Cristo conquistou com a sua obediência.

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A morte de Cristo chama-nos a uma vida cristã plena

Acabamos de reviver o drama do Calvário, aquilo que me atreveria a chamar a primeira Missa, a primordial, celebrada por Jesus.
Deus-Pai entrega o seu Filho à morte. Jesus, o Filho Unigénito, abraça-se ao madeiro, no qual O haviam de justiçar, e o seu sacrifício é aceite pelo Pai. Como fruto da Cruz, derrama-se sobre a Humanidade o Espírito Santo.

Na tragédia da Paixão consuma-se a nossa própria vida e toda a história humana.
A Semana Santa não pode reduzir-se a uma mera recordação, pois que nela se considera o mistério de Jesus Cristo, que se prolonga nas nossas almas: o cristão está obrigado a ser alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo.
Pelo Baptismo, fomos todos constituídos sacerdotes da nossa própria existência, para oferecer vítimas espirituais que sejam agradáveis a Deus por Jesus Cristo, para realizar cada uma das nossas acções em espírito de obediência à vontade de Deus, perpetuando assim a missão do Deus-Homem.

Por contraste, esta realidade leva-nos a repararmos nas nossas desditas, nos nossos erros pessoais.
Tal consideração não nos deve desanimar, nem colocar na atitude céptica de quem renunciou aos grandes ideais.
Porque o Senhor reclama-nos tal como somos, para que participemos da sua vida, para que lutemos por ser santos.

Santidade!
Quantas vezes pronunciamos esta palavra como se fosse um som vazio!
Para muitos, ela representa mesmo um ideal inacessível, um tema da ascética, mas não um fim concreto, uma realidade viva.
Não pensavam deste modo os primeiros cristãos, que usavam o nome de santos para se chamarem entre si com toda a naturalidade e com grande frequência: saúdam-vos todos os santos, saudai todos os santos em Cristo Jesus.

Situados agora no Calvário, quando Jesus já morreu e não se manifestou ainda a glória do seu triunfo, temos uma boa ocasião para examinar os nossos desejos de vida cristã, de santidade para reagir com um acto de fé perante as nossas debilidades e, confiando no poder de Deus, fazer o propósito de pôr amor nas coisas do nosso dia-a-dia.
A experiência do pecado tem de nos conduzir à dor, a uma decisão mais madura e mais profunda de sermos fiéis, de nos identificarmos deveras com Cristo, de perseverarmos, custe o que custar, nessa missão sacerdotal que Ele encomendou a todos os seus discípulos sem excepção, que nos impele a sermos sal e luz do mundo.

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A consideração da morte de Cristo traduz-se num convite a situarmo-nos, com absoluta sinceridade, perante o nosso trabalho ordinário, a tomarmos a sério a Fé que professamos.
A Semana Santa, portanto, não pode ser um parêntesis sagrado no contexto de um viver movido só por interesses humanos: tem de ser uma ocasião para penetrarmos na profundidade do Amor de Deus, para podermos assim, com a palavra e com as obras, mostrá-lo aos outros homens.

Mas o Senhor impõe condições.
Há uma declaração sua, que S. Lucas nos conserva, da qual não se pode prescindir: Se alguém quer vir a Mim e não aborrece o pai e a mãe, a mulher e os filhos, os irmãos e as irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. São palavras duras.
Decerto nem o odiar nem o aborrecer exprimem bem o pensamento original de Jesus.
De qualquer maneira, as palavras do Senhor foram fortes, pois não se reduzem a um amor menor, como por vezes se interpreta temperadamente, para suavizar a frase.
É tremenda essa expressão tão taxativa, não porque implique uma atitude negativa ou impiedosa, pois o Jesus que fala agora é o mesmo que manda amar os outros como a própria alma e entrega a sua vida pelos homens: aquela locução indica simplesmente que perante Deus não cabem meias-tintas.
Poderiam traduzir-se as palavras de Cristo por amar mais, amar melhor, ou então por não amar com um amor egoísta, nem tão-pouco com um amor de vistas curtas: devemos amar com o Amor de Deus. Disto é que se trata!

Reparemos na última das exigências de Jesus: et animam suam, a vida, a própria alma é o que o Senhor pede.

Se somos fátuos, se nos preocupamos apenas com a nossa comodidade pessoal, se centramos a existência dos outros e até o próprio mundo em nós mesmos, não temos o direito de nos chamarmos cristãos, de nos considerarmos discípulos de Cristo.
A entrega tem de se fazer com obras e com verdade, não apenas com a boca.
O amor a Deus convida-nos a levarmos a cruz a pulso, a sentir também sobre nós o peso da Humanidade inteira e a cumprirmos, nas circunstâncias próprias do estado e do trabalho de cada um, os desígnios, claros e amorosos ao mesmo tempo, da vontade do Pai. Na passagem que comentamos, Jesus prossegue: Aquele que não carrega com a sua cruz para Me seguir também não pode ser meu discípulo.

Aceitemos sem medo a vontade de Deus, formulemos sem vacilações o propósito de edificar toda a nossa vida de acordo com aquilo que nos ensina e nos exige a nossa fé.
Estejamos seguros de que encontraremos luta, sofrimento e dor; mas, se possuirmos de verdade a Fé, nunca nos sentiremos infelizes: também com sofrimentos, e até mesmo com calúnias, seremos felizes, com uma felicidade que nos impelirá a amar os outros para os fazer participar da nossa alegria sobrenatural.

(cont)


18/09/2018

Publicações em 18 Set


El reto del amor
  • Pequena agenda do cristão
  • Temas para reflectir e meditar
  • Evangelho e comentário
  • Se formos humildes, Deus não nos abandonará nunca
  • Leitura espiritual
  • El reto del amor







    El Reto Del Amor

    Pequena agenda do cristão


    TeRÇa-Feira


    (Coisas muito simples, curtas, objectivas)




    Propósito:

    Aplicação no trabalho.

    Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

    Lembrar-me:
    Os que estão sem trabalho.

    Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

    Pequeno exame:

    Cumpri o propósito que me propus ontem?





    Temas para reflectir e meditar


    Formação humana e cristã – 54 

    Mas, advoga-se, por exemplo, que devemos amar os nossos inimigos e, assim, como esperar retribuição?

    Ponhamos as coisas claras:

    Devemos amar não para ter retribuição, mas porque é o nosso dever de cristãos, até porque, se queremos imitar Cristo, temos de considerar o que aconteceria à humanidade, se Ele deixasse de amar os que não O amam!

    Ao amar um inimigo estou, de certa forma, a encomendá-lo a Deus e esse amor será aplicado pela Sabedoria e Justiça divinas.

    Ou seja, dito com palavras humanas, “saímos sempre a ganhar”!

    Talvez pareça que tudo isso não passam de palavras mais ou menos bonitas e consoladoras  que, na prática são uma aspiração inatingível.

    (AMA, reflexões)

    Evangelho e comentário


    Tempo comum


    Evangelho: Lc 7, 11-17

    11 Em seguida, dirigiu-se a uma cidade chama da Naim, indo com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando estavam perto da porta da cidade, viram que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva; e, a acompanhá-la, vinha muita gente da cidade. 13 Vendo-a, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: «Não chores.» 14 Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o transportavam pararam. Disse então: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!» 15 O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe. 16 O temor apoderou-se de todos, e davam glória a Deus, dizendo: «Surgiu entre nós um grande profeta e Deus visitou o seu povo!» 17 E a fama deste milagre espalhou-se pela Judeia e por toda a região.

    Comentário:

    Na sequência do trecho de ontem, a Liturgia apresenta-nos hoje outro portentoso milagre de Jesus.

    Há algumas diferenças entre o milagre relatado ontem e o de hoje.

    Sendo ambos actos extraordinários – por isso lhes chamamos milagres – de restituição da vida perdida existe, de facto, algo digno de nota:

    Hoje assistimos à comoção pessoal, profundamente humana do Senhor.

    De tal forma que não necessita que alguém Lhe peça que actue, Ele próprio, movido pelo Seu Coração Amantíssimo não pode deixar de consolar a pobre mãe pedindo-lhe que não chore e exercer o Seu poder divino ressuscitando o jovem.

    Que Senhor!
    Que Misericórdia!
    Que carinho com que trata os Seus irmãos os homens!

    (AMA, comentário sobre Lc 17, 11-17, 19.05.2018)





    Se formos humildes, Deus não nos abandonará nunca


    Essas depressões por veres ou por outros descobrirem os teus defeitos, não têm fundamento... Pede a verdadeira humildade. (Sulco, 262)

    Quanto maior és, mais te deves humilhar em todas as coisas, e acharás graça diante de Deus. Se formos humildes, Deus não nos abandonará nunca. Ele humilha a altivez do soberbo, mas salva os humildes. Ele liberta o inocente, que pela pureza das suas mãos será resgatado. A infinita misericórdia do Senhor não tarda em vir socorrer quem o chama com humildade. E então actua como quem é: como Deus omnipotente. Ainda que haja muitos perigos, ainda que a alma pareça acossada, ainda que se encontre cercada por todos os lados pelos inimigos da sua salvação, não perecerá. E isto não é apenas tradição doutros tempos, pois continua a acontecer agora.
    (…) Nós, sem manifestações espectaculares, com a normalidade da vida cristã corrente, com uma sementeira de paz e de alegria, temos também de destruir muitos ídolos: o da incompreensão, o da injustiça, o da ignorância, o da pretensa suficiência humana que volta com arrogância as costas a Deus.
    Não vos assusteis nem temais nada, mesmo que as circunstâncias em que trabalheis sejam tremendas, piores que as de Daniel no fosso com aqueles animais vorazes. As mãos de Deus continuam a ser igualmente poderosas e, se fosse necessário, fariam maravilhas. (Amigos de Deus, 104)

    Leitura espiritual


    São Josemaria Escrivá


    Cristo que passa  
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    Assim se entra no Canon, com a confiança filial que nos leva a chamar clementíssimo ao nosso Pai Deus.
    Pedimos-Lhe pela Igreja e por todos os que estão na Igreja, pelo Papa, pela nossa família, pelos nossos amigos e companheiros. E o católico, como tem coração universal, pede por todo o mundo, porque o seu zelo entusiasta nada pode excluir.
    E para que a petição seja acolhida, recordamos a nossa comunhão com a Santíssima Virgem e com um punhado de homens que foram os primeiros a seguir Cristo e por Ele morreram.

    Quam oblationem...
    Aproxima-se o momento da consagração.
    Agora, na Santa Missa, é outra vez Cristo que actua, através do sacerdote: Isto é o meu Corpo.
    Este é o cálice do meu Sangue.
    Jesus está connosco!
    Com a transubstanciação, renova-se a infinita loucura divina, ditada pelo Amor.
    Quando hoje se repete esse momento, que saiba cada um de nós dizer ao Senhor, mesmo sem pronunciar quaisquer palavras, que nada nos poderá afastar d'Ele e que a sua disponibilidade de se deixar ficar - totalmente indefeso - nas aparências, tão frágeis, do pão e do vinho, nos converteu voluntariamente em escravos: praesta meae menti de te vivere et te illi semper dulce sapere, faz com que eu viva de Ti e saboreie sempre a doçura do teu amor.

    Mais petições.
    Nós, homens, estamos quase sempre inclinados a pedir.
    Desta vez, é pelos nossos irmãos defuntos e por nós mesmos.
    Por isso, aqui aparecem todas as nossas infidelidades e misérias. O peso da sua carga é muito grande, mas Ele quer levá-lo por nós e connosco.
    O Canon vai terminar com outra invocação à Santíssima Trindade: per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso.... por Cristo, com Cristo e em Cristo, nosso Amor, a Ti, Deus Pai Todo Poderoso, na unidade do Espírito Santo, Te seja dada toda a honra e glória pelos séculos dos séculos.

    91
             
    Jesus é o Caminho, o Medianeiro.
    N'Ele, tudo!
    Fora d'Ele nada!
    Em Cristo e ensinados por Ele, atrevemo-nos a chamar Pai Nosso ao Todo-Poderoso, a Ele, que fez o Céu e a Terra e que é esse Pai tão afectuoso que espera que voltemos para Ele continuamente, cada um de nós como novo e constante filho pródigo.

    Ecce Agnus Dei... Domine, non sum dignus...
    Vamos receber o Senhor.
    Quando na Terra se recebem pessoas muito importantes, há luzes, música, trajes de gala.
    Para albergar Cristo na nossa alma, como devemos preparar-nos?
    Já teremos por acaso pensado como nos comportaríamos se só se pudesse comungar uma vez na vida?

    Quando eu era criança, não estava ainda divulgada a prática da comunhão frequente.
    Recordo-me de como se preparavam as pessoas para comungar.
    Cuidavam com esmero a boa preparação da alma e até do corpo. Punham a melhor roupa, a cabeça bem penteada, o corpo fisicamente limpo e talvez mesmo um pouco de perfume...
    Eram delicadezas próprias de quem estava apaixonado, de almas finas e rectas, que sabem pagar o Amor com amor.

    Com Cristo na alma, termina a Santa Missa.
    A bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo acompanha-nos durante toda a jornada, na nossa tarefa simples e normal de santificar todas as actividades nobres do homem.

    Assistindo à Santa Missa, aprenderemos a falar, a privar com cada uma das Pessoas divinas: com o Pai, que gera o Filho, que é gerado pelo Pai; e com o Espírito Santo, que procede dos dois.
    Habituando-nos a privar intimamente com qualquer uma das três Pessoas, privaremos com um único Deus.
    E se falarmos com as três, com a Trindade, privaremos também com um só Deus, único e verdadeiro.
    Amai a Santa Missa, meus filhos, amai a Santa Missa!
    E que cada um de vós comungue com ardor, mesmo que se sinta gelado, mesmo que não haja correspondência por parte da emotividade. Comungai com fé, com esperança e com caridade inflamada.

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    Viver na intimidade com Jesus Cristo

    Não ama Cristo quem não ama a Santa Missa e quem não se esforça no sentido de a viver com serenidade e sossego, com devoção e com carinho.
    0 amor transforma aqueles que estão apaixonados em pessoas de sensibilidade fina e delicada.
    Leva-os a descobrir, para que se não esqueçam de os pôr em prática, pormenores que são por vezes mínimos, mas que trazem a marca de um coração apaixonado.
    É assim que devemos assistir à Santa Missa. Por este motivo, sempre pensei que aqueles que querem ouvir uma missa rápida e atabalhoada demonstram com essa atitude, já de si pouco elegante, que não conseguiram aperceber-se do significado do Sacrifício do altar.

    O amor a Cristo, que se oferece por nós, anima-nos a saber encontrar, uma vez terminada a Santa Missa, alguns minutos de acção de graças pessoal e íntima, que prolonguem no silêncio do coração essa outra acção de graças que é a Eucaristia.
    Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como comportar-nos?

    A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.

    É Rei e anseia por reinar nos nossos corações de filhos de Deus.
    Mas é preciso não imaginar reinados humanos neste caso, porque Cristo não domina nem procura impor-se, dado que não veio para ser servido, mas para servir.

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    O seu reino é a paz, a alegria, a justiça. Cristo, nosso Rei, não espera de nós raciocínios vãos, mas factos, porque nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse entrará no reino dos céus.

    É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre até ao fundo da nossa alma.
    Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados.
    Com o Médico, é imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a verdade e dizer: Domine, si vis, potes me mundare, Senhor, se quiseres - e Tu queres sempre - podes curar-me. Tu conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades.
    Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de haver pus.
    Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino.

    É mestre de uma ciência que só Ele possui, a do amor a Deus sem limites e, em Deus, a todos os homens.
    Na escola de Cristo aprende-se que a nossa existência não nos pertence. Ele entregou a sua vida por todos os homens e, se O seguimos, necessitamos de compreender que não devemos apropriar-nos de maneira egoísta da nossa vida sem compartilhar as dores dos outros.
    A nossa vida é de Deus.
    Temos de gastá-la ao seu serviço, preocupando-nos generosamente com as almas e demonstrando, com a palavra e com o exemplo, a profundidade das exigências cristãs.

    Jesus espera que alimentemos o desejo de adquirir essa ciência, para nos repetir: se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
    E respondemos: ensina-nos a esquecermo-nos de nós mesmos, para pensarmos em Ti e em todas as almas.
    Deste modo, o Senhor far-nos-á progredir com a sua graça, como quando começávamos a escrever (lembrais-vos daqueles traços que fazíamos, guiados pela mão do professor?) e assim começaremos a saborear a dita de manifestar a nossa fé, que é já de si outra dádiva de Deus, também com traços inequívocos de uma conduta cristã, onde todos possam descobrir as maravilhas divinas.

    É Amigo, o Amigo: vos autem dixi amicos, diz-nos Ele.
    Chama-nos amigos e foi Ele quem deu o primeiro passo, pois amou-nos primeiro.
    Contudo, não impõe o seu carinho: oferece-o. E prova-o com o sinal mais evidente da amizade: ninguém tem maior amor que o daquele que dá a vida pelos seus amigos.
    Era amigo de Lázaro e chorou por ele quando o viu morto. E ressuscitou-o.
    Por isso, se nos vir frios, desalentados, talvez com a rigidez de uma vida interior que se está a extinguir, o seu pranto será vida para nós: Eu te ordeno, meu amigo, levanta-te e anda, deixa essa vida mesquinha, que não é vida!

    (cont)


    17/09/2018

    Publicações em 17 Set


    Solidão


    Resultado de imagem para solidãoO que vale a solidão?

    Tem um valor? De facto?

    Para quem? O próprio ou outros?

    Não sei como responder porque a solidão é um estado de espírito – não um estado de alma – que não é nem constante nem cíclico.

    Daí que seja tão difícil de prevenir e, consequentemente, evitar.

    Mas… e a pergunta? Quanto vale?

    Pode não valer nada absolutamente se se reserva como uma inevitabilidade que há que sofrer.
    Pode valer muito se levarmos em conta que sendo algo que custa e traz sofrimento (interior pelo menos) se o oferecermos como quem “devolve” ao Senhor da Vida algo que consente nos venha por à prova, Ele, o Grande Solitário do Gólgota, sabe muito bem o que fazer com isso e, normalmente, devolve a paz de espírito.

    Connosco, solidário e, portanto, solitário, está o nosso Anjo da Guarda.
    Deixe-mos nos seus ombros robustos habituados a carregar com o peso das nossas fraquezas, a solução.

    Muito melhor que nós e, seguramente, muito mais eficaz, ele resolve a situação.

    Tenho a certeza do que digo porque o constato vezes sem conta.

    AMA, Reflexões, Set 2018 (publicado em 16.09.2018)


    El reto del amor






    por El Reto Del Amor

    Pequena agenda do cristão

    SeGUNDa-Feira



    (Coisas muito simples, curtas, objectivas)



    Propósito:
    Sorrir; ser amável; prestar serviço.

    Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

    Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

    Lembrar-me:
    Papa, Bispos, Sacerdotes.

    Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

    Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

    Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

    Pequeno exame:

    Cumpri o propósito que me propus ontem?







    Temas para reflectir e meditar

    Formação humana e cristã – 53 

    Já se disse algumas vezes, mas nunca é demais repetir, que o ser humano foi criado por amor e para o amor.

    Ignorar esta realidade é colocar-se ao nível de um irracional. 

    Podemos perguntar se, no amor, é mais importante dar ou receber. 

    Creio que o mais importante é dar porque depende inteiramente de nós próprios, ao passo que recebemos amor, mesmo sem o pedir, como é, por exemplo, o amor de Deus pela criatura.

    Logo, quando eu amo, estou de certa forma a repartir o amor que Deus tem por mim.

    Por isso mesmo, o amor só faz sentido se houver correspondência, ou melhor, se for por retribuição.


    (AMA, reflexões)