25/01/2018

Leitura espiritual

CAPÍTULO IV

«ELE É O VERDADEIRO DEUS E A VIDA ETERNA»            

Divindade de Cristo e anúncio da eternidade

3. Passar do dogma para a vida

5. Nostalgia da eternidade!

Dizia eu que a eternidade não é para os crentes somente uma nostalgia do ”Totalmente Outro”. E, no entanto, ela é isso também.
Não é que eu acredite na preexistência das almas e que caímos depois do tempo, após termos vivido antes da eternidade como pensavam Platão e Orígenes.
Falo aqui de nostalgia no sentido em que nós fomos criados para a eternidade e trazemos no coração o natural anseio pela eternidade e é por isso que o nosso coração se inquieta e fica insatisfeito enquanto não repousa nela.
Aquilo que Stº Agostinho dizia da felicidade, podemos nós dizê-lo também da eternidade:
«Onde terei conhecido eu a eternidade se tanto a recordo e desejo?» [i].

A que estado fica reduzido o homem, se se lhe retira a eternidade do coração e da mente?
Altera-se-lhe a natureza, no sentido forte do termo, se é verdade como diz a própria filosofia, que o homem “é um ser finito, capaz de infinito”.
Se se negar o eterno no homem, então deve-se exclamar, como Nacbeth depois de ter morto o rei:
“Não há nada de sério na vida mortal, é tudo um artifício; a glória e a honra morreram; o vinha da vida foi derramado” [ii].

Mas creio que se pode falar de nostalgia de eternidade também num sentido mais simples e concreto.
Quem é que, ao recordar os anos da sua juventude, se não lembra de um momento ou de uma circunstância da vida em que teve como como que um certo vislumbre da eternidade, mesmo que porventura não consiga agora reconstituir esse momento?
Lembro-me de um momento desses da minha vida.
Era eu ainda bastante jovem. Era Verão e cheio de calor tinha-me deitado de costas na relva.
O meu olhar fora atraído pelo céu azul, o qual era atravessado somente por uma ou outra nuvem muito branca E eu dava largas à minha imaginação:
‘O que é que existe para lá daquela abóboda azul? E mais acima? E aina mais acima?’
E, assim, em ondas sucessivas, a minha mente elevava-se para  o infinito e perdia-se, como quem fixando o sol, fica deslumbrado e não enxerga mais nada. O infinito do espaço fazia reviver o infinito do tempo.
‘Que significa – dizia para mim mesmo – a eternidade? Sempre, nunca, sempre, nunca! Mil anos passados são somente o começo; milhões e biliões de anos são ainda só o começo’.
De novo, a minha mente se perdia,  mas era uma sensação agradável que me fazia crescer.
Compreendia aquilo que o poeta Giacomo Leopardi escreve no seu livro “O Infinito”:
“É suave para mim naufragar neste mar”.
Eu percebia aquilo que o poeta queria dizer quando fala dos “intermináveis espaços e silêncios sobre-humanos” que chegam à mente. Posso agora dizer aos jovens:
‘Parai, estendei-vos vós também, se necessário, sobre a relva e lançai o vosso olhar, com calma, para o céu. Não queirais procurar o calafrio do infinito noutro lugar, como a droga, onde só há engano e morte.
Existe uma outra maneira, bem diferente para sair dos “limites” e se experimentar a emoção genuína da eternidade.
Procurai o infinito nas alturas e não cá em baixo.
Procurai-o acima e não abaixo de vós’.

Eu sei o que é que muitas vezes nos impede de falar assim, e qual é a dúvida que tira aos crentes essa “franqueza”.
O peso da eternidade poderá ser desmedido e maior que o peso das amarguras; mas nós carregamos a nossa cruz no tempo e não na eternidade; caminhamos na fé, não na visão, como diz o Apóstolo [iii].
Na verdade, não temos nada para opor aos atractivos das coisas visíveis a não ser a esperança das coisas invisíveis; nada temos para opor ao prazer senão a promessa da vida eterna.
“Queremos ser felizes nesta carne e é tão doce esta vida” – diziam já os contemporâneos de Stº Agostinho.

Mas é este, precisamente, o erro que nós, crentes, temos de banir.
De facto, não é verdade que a eternidade cá em baixo seja somente uma promessa e uma esperança.
É também uma presença e uma experiência!
Lembremos aqui o que aprendemos sobre o dogma cristológico.
Em Cristo, «a vida eterna que estava com o Pai fez-se visível». Nós – diz João – ouvimo-la, vimo-la com os nossos olhos, contemplámo-la, tocámo-la com as nossas mãos [iv].
Com Cristo, Verbo Encarnado, a eternidade irrompeu no tempo, e nós experimentamo-la todas as vezes que cremos, porque aquele que crê «possui já a vida eterna» [v]; todas as vezes que na Eucaristia, recebemos o Corpo de Cristo; todas as vezes que ouvimos, de Jesus, «as palavras de vida eterna» [vi].

É uma experiência provisória e imperfeita, mas verdadeira e suficiente para nos dar a certeza de que a eternidade existe verdadeiramente, de que o tempo não é tudo.



(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Cfr. Stº Agostinho, Confissões, X, 21
[ii] W. Shakespeare, Macbeth, II act. Cena 3
[iii] 2Cor 5,7
[iv] Cfr. IJo 5,13
[v] Cfr.IJo5,13
[vi] Cfr JO 6,68.

Devoción a la Virgen


Por qué urge expandir la devoción al Inmaculado Corazón de María, según sor Lucía, vidente de Fátima

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






24/01/2018

Nunca amarás bastante

Por muito que ames, nunca amarás bastante. O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras. Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, 8ª Estação, n. 5)


Vede agora o mestre reunido com os seus discípulos na intimidade do Cenáculo. Ao aproximar-se o momento da sua Paixão, o Coração de Cristo, rodeado por aqueles que ama, abre-se em inefáveis labaredas: dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros e que, do mesmo modo que eu vos amei, vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Ioh XIII, 34–35.) (...).

Senhor, porque chamas novo a este mandamento? Como acabamos de ouvir, o amor ao próximo estava prescrito no Antigo Testamento e recordareis também que Jesus, mal começa a sua vida pública, amplia essa exigência com divina generosidade: ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Senhor, deixa-nos insistir: porque continuas a chamar novo a este preceito? Naquela noite, poucas horas antes de te imolares na Cruz, durante aquela conversa íntima com os que - apesar das suas fraquezas e misérias pessoais, como as nossas - te acompanharam até Jerusalém. Tu revelaste-nos a medida insuspeitada da caridade: como eu vos amei. Como não haviam de te entender os Apóstolos, se tinham sido testemunhas do teu amor insondável!


Se professamos essa mesma fé, se ambicionamos verdadeiramente seguir as pegadas, tão nítidas, que os passos de Cristo deixaram na terra, não podemos conformar-nos com evitar aos outros os males que não desejamos para nós mesmos. Isto é muito, mas é muito pouco, quando compreendemos que a medida do nosso amor é definida pelo comportamento de Jesus. Além disso, Ele não nos propõe essa norma de conduta como uma meta longínqua, como o coroamento de toda uma vida de luta. É – e insisto que deve sê-lo para que o traduzas em propósitos concretos – o ponto de partida, porque Nosso Senhor o indica como sinal prévio: nisto conhecerão que sois meus discípulos. (Amigos de Deus, nn. 222-223)

Temas para reflectir e meditar

A força do Silêncio, 290



Longe do barulho e das distracções fáceis, na solidão e no silêncio, preocupados unicamente com a transmissão da vontade divina, ser-nos-á dado ver com os olhos de Deus, e nomear a realidade tal como Ele a vê e a pronuncia.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo Comum


São Francisco de Sales – Doutor da Igreja

Evangelho: Mc 4, 1-20

1 De novo começou a ensinar à beira-mar. Uma enorme multidão vem agrupar-se junto dele e, por isso, sobe para um barco e senta-se nele, no mar, ficando a multidão em terra, junto ao mar. 2 Ensinava-lhes muitas coisas em parábolas e dizia nos seus ensinamentos: 3 «Escutai: o semeador saiu a semear. 4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram-na. 5 Outra caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra e logo brotou, por não ter profundidade de terra; 6 mas, quando o sol se ergueu, foi queimada e, por não ter raiz, secou. 7 Outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, sufocaram-na, e não deu fruto. 8 Outra caiu em terra boa e, crescendo e vicejando, deu fruto e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.» 9 E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» 10 Ao ficar só, os que o rodeavam, juntamente com os Doze, perguntaram-lhe o sentido da parábola. 11 Respondeu: «A vós é dado conhecer o mistério do Reino de Deus; mas, aos que estão de fora, tudo se lhes propõe em parábolas, 12 para que ao olhar, olhem e não vejam, ao ouvir, oiçam e não compreendam, não vão eles converter-se e ser perdoados.» 13 E acrescentou: «Não compreendeis esta parábola? Como compreendereis então todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a palavra. 15 Os que estão ao longo do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; e, mal a ouvem, chega Satanás e tira a palavra semeada neles. 16 Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria, 17 mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes e, quando surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo desfalecem. 18 Outros há que recebem a semente entre espinhos; esses ouvem a palavra, 19 mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e as restantes ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica infrutífera. 20 Aqueles que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, a recebem, dão fruto e produzem a trinta, a sessenta e a cem por um.»

Comentário:

Como comentar este trecho do Evangelho?
Com as minhas pobres palavras humanas?
Não!

Deixo o comentário mais completo, esclarecedor e definitivo que é aquele que o próprio Senhor faz, na explicação da parábola.

(AMA, comentário sobre Mc 4, 1-20, 02.10.2017)







Leitura espiritual

CAPÍTULO IV

«ELE É O VERDADEIRO DEUS
                          E A VIDA ETERNA»            

Divindade de Cristo e anúncio da eternidade

3. Passar do dogma para a vida

4. Eternidade, eternidade!

…/3

S. Francisco Assis, no célebre “Capítulo das esteiras”, fez um memorável sermão aos seus frades sobre este tema:
«Meu filhos nós prometemos a Deus grandes coisas, mas as coisas que Deus nos prometeu a nós são muito maiores.
Cumpramos as que Lhe prometemos e esperemos com confiança asque Ele nos prometeu.
Os prazeres do mundo são passageiros, porém as penas que deles resultam são eternas.
É Pequeno o sofrimento desta vida, ao passo que a glória da outra vida é infinita» [i].
O nosso amigo filósofo Kierkegaard exprimia, com uma linguagem mais esmerada, este mesmo conceito de S. Francisco de Assis:
«Sofre-se uma só vez, porém o triunfo é eterno. Que quer isto dizer?
Que se triunfa também uma só vez?
Certamente.
Todavia, há uma diferença infinita: o período do sofrimento é o instante, ao passo que o período do triunfo é a eternidade; a fase do sofrimento, uma vez passada, não se repete; igualmente, mas noutro sentido, a fase do triunfo também não se repete porque nunca passa; o período do sofrimento é uma passagem ou uma transição; o período do triunfo dura eternamente» [ii].

Vamos imaginar um numeroso grupo de pessoas heterogéneas e atarefadas.: a quem trabalhe, quem ria, quem chore, quem ande de um lado para o outro e quem esteja, à parte, amargurado.
Eis que chega, então, ofegante, um ancião vindo de longe e vai segredar uma palavra aos ouvidos da primeira pessoa que encontra.
Sempre correndo, o ancião repete essa palavra a uma outra pessoa.
Que ouviu essa palavra corre a repeti-la também a outra, e assim sucessivamente.
Assiste-se então a uma mudança inesperada: aquele que estava apartado e amargurado levanta-se e corre para sua casa a fim de repetir aquela palavra aos seus familiares; aqueles que andavam atarefados, param e voltam para trás; alguns que litigavam e estavam prestes a agredir-se acabam por se abraçar chorando.
Que palavra foi essa que provocou uma tal mudança?
Foi a palavra “eternidade”.

A humanidade inteira é essa multidão.
E a palavra que deve correr no meio dela, como um archote ardente, como o sinal luminoso que as sentinelas antigamente transmitiam entre si de uma guarita para outra, é precisamente a palavra: “Eternidade, eternidade!”

A Igreja deve ser aquele velho mensageiro.
Ela deve fazer ressoar aos ouvidos das pessoas e proclamar por toda a parte essa palavra.

Mal seria se também a Igreja perdesse “a medida”; seria como se o sal perdesse o sabor
Quem preservará então a vida da corrupção e da vaidade?

Quem terá a coragem de repetir aos homens de hoje aquele verso tão cheio de sabedoria cristã:
“Tudo, a não ser o que é eterno, no mundo é vão”?

Tudo é vão a não ser o que é eterno e aquilo que, de algum modo, conduz a ele.

Filósofos, poetas, todos podem falar de eternidade e de infinito, mas só a Igreja como guardiã do mistério do homem Deus pode fazer desta palavra mais do que um vago sentimento de “nostalgia do Totalmente Outro”.

Existe, de facto, também este perigo: que “que se arraste a eternidade no tempo como um espectáculo para a fantasia”.

“Representada assim ela exerce um efeito fascinante; não se sabe se é o sonho ou a realidade; a eternidade olha para o tempo com olhos melancólicos, meditabundos, sonhadores”.

O Evangelho impede que se esvazie assim a eternidade, indicando-nos de imediato o discurso daquilo que se deve fazer:

«Que devo fazer para obter a vida eterna» [iii].

A eternidade torna-se o grande “objectivo” da vida no qual nos devemos empenhar noite e dia.


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Fioretti, cap. XVII
[ii] S. Kierkegaard, Discursos cristãos, II, I.
[iii] Lc 18,18

Perguntas e respostas

A CLONAGEM


A. O QUE É A CLONAGEM?


1. O que é a clonagem?



Pode dizer-se que clonagem é a produção de um individuo basicamente igual a outro mediante técnicas genéticas não sexuais.

Devoción a la Virgen



Las 6 montañas para Nuestra Señora del ahora venerable Padre Peyton: movían masas

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







23/01/2018

Dois mil anos de espera do Senhor

Jesus ficou na Hóstia Santa por nós! Para permanecer ao nosso lado, para nos sustentar, para nos guiar. – E amor só se paga com amor. Como poderemos deixar de ir ao Sacrário, todos os dias, ainda que por uns minutos apenas, para Lhe levar a nossa saudação e o nosso amor de filhos e de irmãos? (Sulco, 686)


O nosso Deus decidiu ficar no Sacrário para nos alimentar, para nos fortalecer, para nos divinizar, para dar eficácia ao nosso trabalho e ao nosso esforço. Jesus é simultaneamente o semeador, a semente e o fruto da sementeira: o Pão da vida eterna.

(...) Assim espera o nosso amor, desde há quase dois mil anos. É muito tempo e não é muito tempo; porque, quando há amor, os dias voam.


Vem-me à memória uma encantadora poesia galega, uma das cantigas de Afonso X, o Sábio. É a lenda de um monge que, na sua simplicidade, suplicou a Santa Maria que o deixasse contemplar o céu, ainda que fosse só por um instante. A Virgem acolheu o seu desejo, e o bom monge foi levado ao Paraíso. Quando regressou, não reconhecia nenhum dos moradores do mosteiro: a sua oração, que lhe tinha parecido brevíssima, tinha durado três séculos. Três séculos não são nada, para um coração que ama. Assim compreendo eu esses dois mil anos de espera do Senhor na Eucaristia. É a espera de Deus, que ama os homens, que nos procura, que nos quer tal como somos – limitados, egoístas, inconstantes – mas com capacidade para descobrirmos o seu carinho infinito e para nos entregarmos inteiramente a Ele. (Cristo que passa, 151)

Temas para reflectir e meditar

Soberba


O homem dominado pela soberba é um ladrão pior que os outros, porque rouba não bens terrenos, mas a glória de Deus (...).

Com efeito, segundo o Apóstolo, "por nós mesmos não podemos fazer obra boa, nem sequer ter um bom pensamento" (cf. 2 Cor 3, 5) (...). E já que isto é assim, quando fizermos algum bem, digamos ao Senhor:

Devolvemos-te, Senhor, o que da Tua mão recebemos (1 Cron. 29, 14).


(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Selva de matérias predicables, 2 6, trad AMA)



Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 3, 31-35

31 Nisto chegam sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, o mandam chamar. 32 A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: «Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.» 33 Ele respondeu: «Quem são minha mãe e meus irmãos?» 34 E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: «Aí estão minha mãe e meus irmãos. 35 Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»

Comentário:

Talvez que nem sempre nos demos conta da extraordinária importância – poderia dizer nobreza – da nossa condição humana:
Termos Jesus Cristo como amigo íntimo porque assim nos quer em máximo grau: deu a vida por todos e cada um de nós; mas, mais que isso, que já é muito, sermos da Sua Família como Sua Santíssima Mãe.
Ela gerou-O no seu seio virginal e, a nós, no seu incomensurável amor.

(ama, comentário sobre Mc 3, 31-35, Malta, 28.01.2015)








Leitura espiritual

CAPÍTULO IV

«ELE É O VERDADEIRO DEUS
                          E A VIDA ETERNA»            

Divindade de Cristo e anúncio da eternidade

3. Passar do dogma para a vida

4. Eternidade, eternidade!

…/2

Secularismo significa esquecer, ou pôr entre parêntesis, o desejo eterno do homem, agarrando-se exclusivamente ao ”saeculum”, isto é, ao tempo presente e a este mundo.
É considerado a heresia mais difundida e insidiosa da era moderna e, infelizmente, de um modo ou de outro, todos somos ameaçados por ele.
Também nós que, em teoria, lutamos contra o secularismo somos frequentemente seus cúmplices ou vítimas.
Somos “mundanizados”; perdemos o sentido, o gosto e a familiaridade daquilo que é eterno.
Sobre a palavra “eternidade”, ou “o além” (que é o seu equivalente em termos espaciais”, desabou primeiramente a conjectura marxista, segundo a qual desvia do compromisso histórico para transformara o mundo e melhorar as condições da vida presente e é, por isso, uma espécie de alibi e de evasão.
Pouco a pouco, com a desconfiança, caiu sobre ela o esquecimento e o silêncio.
O materialismo e o consumismo fizeram o resto na sociedade opulenta, fazendo até parecer estranho ou quase inconveniente que se fale ainda de eternidade entre pessoas cultas e que acompanham a evolução dos tempos.
Que é que hoje ousa ainda falar dos “Novíssimos”, isto é, das últimas coisas – Morte, Juízo, Inferno, Paraízo – que são, respectivamente, o começo e as formas da eternidade?
Quando foi que nós ouvimos a última pregação sobre avida eterna?
E, no entanto, pode dizer-se que Jesus, no Evangelho, não fala de outra coisa.

Qual é a consequência prática deste eclipse a ideia de eternidade?
S. Paulo refere a intenção daqueles que não creem na ressurreição da morte:
«Comamos, bebamos, que amanhã morreremos» [i].
O desejo natural de viver “sempre”, deformado, torna-se desejo, ou frenesim, de viver “bem”, isto é, agradavelmente.
A qualidade resolve-se na quantidade.
Acaba por faltar uma das motivações mais eficazes da vida moral.

Este enfraquecimento da ideia de eternidade não se processa, por ventura, do mesmo modo, em todos os crentes e não leva a uma conclusão tão grosseira como a que é referida pelo Apóstolo; mas opera também neles, diminuindo-lhes sobretudo a capacidade para enfrentar o sofrimento com coragem.
Imaginemos um homem com uma balança na mão: uma daquelas balanças que se seguram com uma só mão e têm num lado um prato em que se colocam os objectos e, no outro, uma barra a qual regista o peso ou a medida,
Se cair por terra ou se se perder a medida, tudo aquilo que se coloca no prato faz levantar a barra e fazer pender a balança.
A mais ínfima coisa adquire supremacia, até mesmo um punhado de penas [ii].

Pois bem, assim somos nós, pois que a isso estamos limitados.
Perdemos o peso, a medida de tudo o que é a eternidade e, assim, as coisas e os sofrimentos deste mundo deitam facilmente por terra a nossa alma.
Tuod nos parece demasiado pequeno e excessivo.
Jesus dizia:
«Se a tua mão te escandaliza, corta-a; se o teu olho te escandaliza, arranca-o, é melhor para ti entrar na vida com uma só mão ou um só olho, do que, tendo as duas mãos ou os dois olhos, seres lançado no fogo eterno [iii]»
Vê-se aqui como actua a medida da eternidade quando ela está presente e operante, e o que ela é capaz de estimular.
Nós, porém, tendo perdido de vista a eternidade, achamos até excessivo que nos seja pedido para fecharmos os olhos perante um espectáculo inconveniente.

Ao contrário, quando estiveres prostrado, ao ponto de te sentires esmagado pelas tribulações, lança com a fé, para o outro lado da balança, o peso desmesurado que é o pensamento da eternidade; verás, então, que o peso das agruras se tornará mais leve e suportável.
Digamos a nós mesmos:
“Que é isto comparado com a eternidade? Mil anos são como um só dia” [iv].
São “como o dia de ontem que passou, como um turno da vigília da noite” [v].
Mas porque digo eu “um só dia”?
São um instante, ainda menos que um sopro.

A propósito de pesos e de medidas, recordemos o que diz S. Paulo a quem coube a sorte de ter de sofrer uma medida invulgarmente abundante.
“Porque o que presentemente é para nós tribulação momentânea e ligeira, produz em nós um peso eterno de uma extraordinária e incomparável glória, não atendendo nós às coisas que se vêm, mas sim às que se não vêm; porque as coisas que se vêm são passageiras e as que se não vêm são eternas” [vi].
O peso da tribulação é “ligeiro” precisamente porque é momentâneo, e o peso da glória é “extraordinário” porque é “eterno”.
Por isso o próprio Apóstolo pôde dizer:
«Eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória vindoura, que se manifestará em nós»[vii].


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] 1Cor 15,32
[ii] Cfr. S. Kierkegaard, O Evangelho do sofrimento,  6
[iii] Cfr. Mt 18,8-9
[iv] 2 Pd 3,8
[v] Sl, 90,4
[vi] 2Cor 4,17-18
[vii] Rm 8,18

Doutrina – 395

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja é una, santa, católica e apostólica

173. Como é que a Igreja é missionária?



Guiada pelo Espírito Santo, a Igreja continua no curso da história a missão do próprio Cristo. Os cristãos, portanto, devem anunciar a todos a Boa Nova trazida por Cristo, seguindo o seu caminho, dispostos também ao sacrifício de si mesmos até ao martírio.

Hoy el reto del amor es que tú también seas luz.

LA LUZ PASCUAL  

Una de las ocupaciones de las sacristanas al acabar cada celebración es "arreglar las velas". Es muy importante: aparte de prolongar su duración, también mantienen su calidad y dignidad.

Cuando las velas del altar terminan su función, por todo el tiempo que han estado prendidas, la mecha de cada vela se hace grande, consumiendo cada vez más cera, y produciendo humo, que afecta a las gargantas.

El remedio lleva unos minutos, pero es muy sencillo. Las sacristanas soplamos con cuidado la vela y, acto seguido, se recorta un poquito la mecha, se añade algo de cera... ¡y listo!

Sin embargo, ahora que estamos en Pascua, nuestra misión se amplía de forma especial: arreglar el Cirio Pascual.

Se trata de un "ritual" constante que deseo aprovechar: cojo el Cirio y lo saco de la capilla a la sacristía, para poder trabajar mejor.

Cuando, después de Laudes, llevo el Cirio a la sacristía, apenas llegan los primeros rayos del nuevo amanecer. El Cirio va iluminando el pasillo con su luz cálida, vibrante, alegre.

Cada paseo con él en las manos siento que es acercamiento a Cristo Resucitado. Al llevarlo con reverencia y cariño, voy reviviendo la obra que hace el Señor con nosotros.

Él, la columna de fuego sólida y firme, está ofreciéndonos la Vida, iluminando y calentando nuestro corazón, cantando en cada Aleluya que nos ama. Podemos ver que todo es oscuridad a nuestro alrededor, pero Cristo es el Fuego vivo que nunca se apaga. Por muy densas que sean las tinieblas, Él siempre nos ilumina el siguiente paso. Yendo de su mano, ¡siempre estamos rodeados de luz!

Por eso, hoy el reto del amor es que tú también seas luz. Te invito a que pares unos minutos con Cristo antes de empezar tu Jornada. Pídele poder sentir su Presencia a tu lado todo el día... ¡y trasmite su luz! De la mano del Señor, hoy sonríe a tres personas. ¡Puede ser el rayo de luz que ilumine su día!


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?