14/05/2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XIII

CAPÍTULO XXIV

…/2

Por isso, quando o Senhor soprou dizendo:

Recebei o Espírito Santo.[i]

quis assim dar a entender que o Espírito Santo não é apenas o Espírito do Pai, mas também o Espírito de seu Filho único. Realmente, o mesmo Espírito é Espírito do Pai e Espírito do Filho, formando-se com ele a Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — que não é uma criatura, mas o Criador. Este sopro corporal saído de uma boca de carne, não é de facto nem a substância nem a natureza do Espírito Santo, mas antes, como já disse, um sinal destinado a fazer compreender que o Espírito Santo é comum ao Pai e ao Filho, porque não tem um cada um, mas ambos um só Espírito. Mas este Espírito sempre foi denominado nas Sagradas Escrituras com a palavra grega πνεύμα. Foi assim que Jesus lhe chamou na passagem que o designou pelo sopro da sua boca humana, ao confessá-lo aos seus discípulos. E em nenhum a passagem das divinas palavras o vejo nomeado de outra maneira. Mas onde se lê:

Deus modelou o homem no pó tirado da terra e soprou ou «inspirou» na sua face um espírito de vida,[ii]

o grego não diz πνεύμα, como costuma chamar-se ao Espírito Santo, mas πνοήν aplicado mais vezes à criatura do que ao Criador. Daí preferirem chamar-lhe alguns latinos, para marcarem as diferenças de sentido, não Spiritus, mas flatus (sopro). E mesmo esta a palavra grega que se encontra na passagem de Isaías em que Deus diz:

Eu fiz o sopro todo. [iii]

para significar sem dúvida toda a alma. Assim, a palavra grega πνοή foi traduzida para latim ora por flatus (sopro) ou por spiritus (espírito), ora por inspiratio (inspiração) ou aspiratio (aspiração), mesmo quando se trata de Deus. Mas a palavra πνεύμα traduz-se sempre por Spiritus quer se trate do homem (do qual diz o Apóstolo

Qual dos homens sabe o que é o homem a não ser o espírito do homem que nele está?[iv]

quer se trate de animal (como está escrito no livro de
Salomão:

Quem sabe se o espírito do homem sobe alto até ao céu e se o espírito do animal desce baixo até à terra,[v]

quer se trate desse espírito corpóreo que também se chama vento (ventus) (porque é ao vento que o Salmo se aplica ao cantar:

O fogo, o granizo, a neve, o gelo, o vento da tempestade,[vi]

quer finalmente se trate, não já da criatura, mas do Criador, como aquilo de que o Senhor falou no Evangelho:

Recebei o Espírito Santo,

ao designá-lo com o o sopro da boca do seu corpo — e quando diz:

Ide, baptizai todos os povos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. [vii]

onde está assinalada, da forma mais perfeita e mais evidente, a própria Trindade — e nestas palavras:

Deus é Espírito [viii]

e em muitas outras passagens das Sagradas Escrituras. Em todos estes testemunhos das Escrituras lemos não flatus mas spiritus. Também, quando está escrito inspiravit (inspirou) ou, para falar com mais propriedade, «insuflavit (insuflou) na sua fronte um espírito de vida», — nem mesmo assim seríamos obrigados a entender por tal palavra o Espírito Criador que na Trindade se chama propriamente Espírito Santo, já que a palavra grega como disse, é manifesto que se costuma aplicar tanto à criatura como ao Criador.

Mas ao dizer «espírito», replicam, a Escritura não acrescentaria «de vida» se não quisesse designar o Espírito Santo; e ao dizer «o homem tornou-se alma», não teria acrescentado «vivente» se não quisesse significar esta vida da alma que lhe é divinamente comunicada pelo dom do Espírito Santo. Porque se a alma vive, continuam, duma vida que lhe é própria, que necessidade há de acrescentar «vivente» senão para designar a vida que lhe é dada pelo Espírito Santo? Que mais é isto senão tratar de defender com demasiada diligência conjecturas humanas e examinar com negligência as Sagradas Escrituras? Sem ir mais longe — custaria muito ler um pouco mais à frente, no mesmo livro:

Produza a terra a alma vivente [ix]

quando foram criados todos os animais terrestres? E a seguir, passados alguns capítulos — custaria muito trabalho tom ar atenção ao que está escrito nesse mesmo livro:

Tudo o que tinha espirito de vida e todo o ser que habitava na terra morreu [x]

para dizer que todos os seres que viviam sobre a terra morreram no dilúvio? Se, portanto, nós encontramos uma alma vivente e um espírito de vida mesmo nos animais, segundo a linguagem habitual da Sagrada escritura, se na dita passagem em que está escrito:

Tudo o que tinha espírito de vida,[xi]

o grego não traz πνεύμα, mas πνοήν porque não diremos nós: que necessidade havia de acrescentar vivente uma vez que a alma não pode viver se não vive? O u que necessidade há de acrescentar de vida à palavra espírito? Mas compreendem os que, pelas palavras alma vivente e espírito de vida, a Escritura falou à sua m aneira para designar os animais, isto é, os viventes corporais dotados, graças à alma de um princípio evidente de sensibilidade corporal. Mas na formação do homem esquecemo-nos de que a Escritura conserva a sua maneira habitual de falar. Ela quer-nos sugerir dessa forma que — tendo recebido uma alma racional, não produzida da terra e da água com o as carnes, mas criada pelo sopro de Deus — o homem não deixou de ser feito para viver num corpo animal graças à alma que nele vive, à maneira dos outros animais dos quais disse:

Produza a terra a alma vivente.

Deles disse também que eles possuem o espírito de vida, mas o grego exprimindo com tal nom e, evidentemente, não o Espírito Santo, mas a alma deles.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Jo XX, 22.
[ii] Gen., II, 7.
[iii] Isaias, LVII, 16.
[iv] I Corint., II, 11.
[v] Ecles., II, 21.
[vi] Salmo CXLVIII, 8.
[vii] Mt. XXVIII, 19.
[viii] Jo IV, 24.
[ix] Gen., I, 24.
[x] Gen., II, 27.
[xi] Gen., VII, 26.

Doutrina – 299


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

A queda

78. Depois do primeiro pecado, o que fez Deus?

Após o primeiro pecado, o mundo foi inundado por pecados, mas Deus não abandonou o homem ao poder da morte.
Pelo contrário, pré-anunciou de modo misterioso – no «Proto-evangelho» [i] – que o mal seria vencido e o homem levantado da queda. É o primeiro anúncio do Messias redentor.
Por isso a queda será mesmo chamada feliz culpa, porque «mereceu um tal e tão grande Redentor» [ii].




[i] Gn 3,15
[ii] Liturgia da Vigília pascal

Epístolas de São Paulo – 75

2ª Carta aos Tessalonicenses - cap 3

1Quanto ao resto, irmãos, orai por nós para que a palavra do Se-nhor avance e seja glorificada como o é entre vós, 2e para que se-jamos libertados dos homens perversos e malvados, pois nem todos têm fé. 3Mas fiel é o Senhor que vos confirmará e vos protegerá do mal. 4A respeito de vós, temos confiança no Senhor em que já fa-zeis e continuareis a fazer o que vos ordenamos. 5O Senhor dirija os vossos corações para o amor de Deus e para a constância de Cristo.

III. VIDA DESORDENADA E INACTIVA (3,6-15)

Contra a ociosidade

- 6Ordenamo-vos, irmãos, no nome do Senhor Jesus Cristo, que vos afasteis de todo o irmão que leva uma vida desordenada e oposta à tradição que de nós recebestes. 7Com efeito, vós próprios sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos desordenadamente entre vós, 8nem comemos o pão de graça à custa de alguém, mas com esforço e canseira, trabalhámos noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vós. 9Não é que não tivéssemos esse direito, mas foi para nos apresentarmos a nós mesmos como modelo, para que nos imitásseis. 10Na verdade, quando ainda estávamos convosco, era isto que vos ordenávamos: se alguém não quer trabalhar também não coma. 11Ora constou-nos que alguns vivem no meio de vós desordenadamente, não se ocupando de nada, mas vagueando preocupados. 12A estes tais ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo a que ganhem o pão que comem, com um trabalho tranquilo. 13Da vossa parte, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. 14Se alguém não obedecer à nossa palavra comunicada nesta Carta, a esse assinalai-o, não tenhais contacto com ele para que se envergonhe. 15Não o considereis, todavia, como um inimigo, mas repreendei-o como a um irmão.

Saudação final


- 16O Senhor da paz, Ele próprio, vos dê a paz, sempre e em todos os lugares. O Senhor esteja com todos vós. 17A saudação é do meu punho, de Paulo. É este o sinal em todas as Cartas. É assim que eu escrevo. 18A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós.

Tratado da vida de Cristo 160

Questão 53: Da ressurreição de Cristo

Art. 4 — Se Cristo foi à causa da sua ressurreição.

O quarto discute-se assim. — Parece que Cristo não foi a causa da sua ressurreição.

1. — Pois, quem é ressuscitado por outro não é a causa da sua ressurreição. Ora, Cristo foi ressuscitado por outro, segundo o Evangelho: Ao qual Deus ressuscitou, soltas as dores do inferno. E o Apóstolo: Aquele que ressuscitou dos mortos a Jesus Cristo também dará vida aos vossos corpos mortais, etc. Logo, Cristo não é a causa da sua ressurreição.

2. Demais. — Quem pede uma causa a outro não dizemos que a merece nem que dela é causa. Ora, Cristo com a sua Paixão mereceu a ressurreição; assim, como diz Agostinho, as humilhações da Paixão mereceram a glória da ressurreição. E também ele pediu ao Pai que lhe concedesse a ressurreição, segundo a Escritura: Tu, pois, Senhor, tem compaixão de mim e ressuscita-me. Logo, Cristo não foi a causa da sua ressurreição.

3. Demais. — Como prova Damasceno, quem ressuscita não é a alma, mas o corpo ferido pela morte. Ora, o corpo não pode unir a si a alma, mais nobre que ele. Logo, o que em Cristo ressuscitou não podia ser a causa da sua ressurreição.

Mas, em contrário, o Senhor diz: Ninguém tira de mim a minha alma, mas eu de mim mesmo a ponho e tenho o poder de a reassumir. Ora, ressuscitar não é senão assumir de novo a alma. Logo, parece que Cristo ressuscitou por virtude própria.

Como dissemos, pela morte não ficou separada a divindade nem da alma nem do corpo de Cristo. Ora, tanto a alma de Cristo morto, como o seu corpo podem ser considerados a dupla luz: em razão da divindade e em razão da própria natureza criada. - Segundo, pois, a virtude da divindade que lhe estava unida tanto o corpo reassumiu a alma, que depusera, como a culpa reassumiu o corpo, que demitira. E tal o diz o Apóstolo, de Cristo: Ainda que foi crucificado por enfermidade, vive, todavia, pelo poder de Deus. - Se, porém, considerarmos o corpo e a alma de Cristo morto, quanto à virtude da natureza criada, então não podiam ser reunidos um à outra, mas era mister que fosse Cristo ressuscitado por Deus.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O mesmo é a virtude divina que a obra do Pai e do Filho. Donde, Cristo ressuscitou tanto pela virtude divina do Pai, como pela sua própria.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Cristo, orando, pediu e mereceu a sua ressurreição, enquanto homem, mas não como Deus.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O corpo, pela sua natureza criada, não tem maior poder que a alma de Cristo; mais poderoso é que ela, porém, por virtude divina. Mas a alma, por sua vez, pela divindade que lhe estava unida, tem maior poder que o corpo na sua natureza criada. E assim, segundo a virtude divina, o corpo e a alma se reassumiram mutuamente, mas não segundo a virtude da natureza criada. 

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

13/05/2017

Nota pessoal de António Mexia Alves sobre Fátima

As emoções de ontem e hoje foram e são tão fortes que achei por bem não escrever nada que pudesse “pecar” por excesso de emoção ou, talvez, sentimentalismo.

De facto, conheço Fátima – estou “ligado” a Fátima -, desde criança.

O meu querido Pai – que esteve presente na Cova da Iria em 13 de Outubro de 1917 – Milagre do Sol - comprou uma casa a escassos 100 metros da “Capelinha”, e, eu e os meus nove irmãos, ali passávamos todos os meses de Setembro.

Como se calculará o que tenho a dizer sobre Fátima é “muito”, algo íntimo, sem dúvida, mas que gostaria de partilhar em NUNC COEPI.

Desde o “convívio” com os Pais dos Santos Francisco e Jacinta, e da Beata Lúcia e muitos – muitíssimos – episódios que gostaria de partilhar.

Fica prometido!


António Mexia Alves


Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Jesus Cristo e a Igreja – 158

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO

…/115

Fundamento histórico doutrinal

…/11

A segunda passagem da Escritura é encontrada em 1 Coríntios 9, 5, onde São Paulo diz que também ele tem o direito de levar consigo uma mulher, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas. Muitos interpretaram a expressão “mulher” como a “esposa” dos Apóstolos, que no caso de Pedro poderia ser verdade. Mas é preciso ter-se claramente presente o facto do texto original grego não falar simplesmente de “Ginaika”, que podia perfeitamente significar também esposa.
Certamente não sem intenção, São Paulo acrescenta a palavra “adelfén”, ou seja, mulher “irmã”, o que exclui qualquer confuso mal-entendido com esposa.

(cont)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Epístolas de São Paulo – 74

2ª Carta aos Tessalonicenses - cap 2

II. A VINDA DO SENHOR (2,1-3,5)

Vinda do Senhor e seus sinais (Mt 24; Mc 13; Lc 21)

- 1Acerca da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e da nossa reunião junto dele, pedimos-vos, irmãos, 2que não percais tão depressa a presença de espírito, nem vos aterrorizeis com uma revelação profética, uma palavra ou uma carta atribuída a nós, como se o Dia do Senhor estivesse iminente. 3Ninguém, de modo algum, vos engane. Com efeito, antes deve vir a apostasia e manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, 4o adversário, aquele que se ergue contra tudo o que se chama Deus ou é objecto de culto, até a ponto de ele próprio se sentar no templo de Deus e de se ostentar a si mesmo como Deus. 5Não vos lembrais de que, quando ainda estava convosco, vos dizia estas coisas? 6E agora sabeis o que o detém para que se manifeste no momento que lhe toca. 7Com efeito, o mistério da iniquidade já está em acção; basta que seja afastado aquele que agora o detém. 8Então é que se manifestará o iníquo que o Senhor destruirá com o sopro da sua boca e aniquilará com o fulgor da sua vinda. 9A vinda do iníquo dá-se por obra de Satanás, com toda a espécie de milagres, sinais e prodígios enganadores, 10com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 11Por isso, Deus manda-lhes uma força que leva ao erro para que acreditem na mentira, 12e sejam condenados todos os que não acreditaram na verdade, mas sentiram prazer na injustiça. 13Nós, porém, devemos dar continuamente graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, pois Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação na santificação do Espírito e na fé da verdade. 14A isto Ele vos chamou por meio do nosso Evangelho: à posse da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Encorajamento


- 15Portanto, irmãos, estai firmes e conservai as tradições nas quais fostes instruídos por nós, por palavra ou por carta. 16O próprio Senhor Nosso Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, uma consolação eterna e uma boa esperança, 17consolem os vossos corações e os confirmem em toda a obra e palavra boa.

Doutrina – 298 13 Maio


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

A queda

77. Que outras consequências provoca o pecado original?


Em consequência do pecado original, a natureza humana, sem ser totalmente corrompida, fica ferida nas suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado. Tal inclinação é chamada concupiscência.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XIII
CAPÍTULO XXIV

Com o se deve entender quer o sopro de Deus pelo qual o primeiro homem foi feito em alma vivente, quer aquele que o Senhor emitiu ao dizer aos seus discípulos: Recebei o Espírito Santo.

Têm também procedido sem consideração os que, na passagem em que se lê:

Deus soprou sobre a sua face um espírito de vida e foi feito o homem numa alma vivente,[i]

são de parecer que não foi dada então ao primeiro homem a alma, mas que foi vivificada pelo Espírito Santo a que ele já tinha. Impressiona-os o facto de o Senhor Jesus, depois de ter ressuscitado dos mortos, ter soprado sobre os seus discípulos, dizendo:

Recebei o Espírito Santo.[ii]

Julgam ter acontecido agora algo semelhante ao que aconteceu então, com o se o evangelista tivesse acrescentado: «E foram feitos em almas viventes». Se ele tivesse dito isto, tal significaria, na nossa opinião, que o Espírito de Deus é, de certa maneira, a vida das almas e que, sem Ele, as almas racionais devem ser tidas por mortas, mesmo quando a sua presença parece vivificar os corpos. Mas não foi o que aconteceu quando o homem foi criado. Atestam-no suficientemente as palavras do livro deste teor:

E formou Deus o homem do pó da terra3,[iii]

— o que alguns, para maior clareza, traduzem assim: «Deus formou o homem do barro da terra», porque, mais acima, fora dito:

Uma fonte jorrava da terra e regava-lhe toda a superfície,[iv]

— o que podia designar o barro feito duma mistura de terra e de água. De facto, depois de ter sido dito isto, segue-se logo:

E formou Deus o homem do pó da terra,[v]

como vem nos códices gregos dos quais foi a Escritura traduzida para a língua latina. Não interessa para o caso que se traduza a palavra grega por criou (formavit) ou por modelou (finxit), embora «modelou» seja o termo mais apropriado. Mas para evitar equívocos, houve quem preferisse «criou» (formavit) porque prevaleceu na língua latina o costume de utilizar fingere (modelar, fingir) na composição de ficções mentirosas. É, portanto, este homem, formado do pó da terra ou de barro (isto é, de pó molhado), este homem, digo eu, «pó tirado da terra», como expressamente relata a Escritura, é que foi feito corpo animal, como o ensinou o Apóstolo, quando recebeu uma alma:

E foi feito este homem numa alma vivente,[vi]

isto é, este pó assim modelado foi dotado de alma vivente.

Ele já tinha uma alma, dirão, sem o que não se chamaria homem — porque homem não é corpo só nem alma só, mas o com posto de corpo e alma. Realmente, a verdade é que a alma não é o homem todo, mas a sua parte melhor; nem o corpo é o homem todo, mas a sua parte inferior. É ao conjunto de ambos que se dá o nome de homem; mas as partes não perdem este nome mesmo quando se fala só de cada uma. Quem é que, realmente, se coíbe de dizer, conforme certa regra da conversação de todos os dias: «Aquele homem morreu e agora está em repouso ou no sofrimento» — embora isto só da alma se possa dizer? Ou então: «Este homem foi sepultado em tal ou tal lugar» — embora isto só do corpo se possa entender? Quererão eles dizer que não é assim que a Sagrada Escritura costuma falar? Bem ao contrário — também ela nisto está de acordo connosco pois, mesmo quando as duas partes estão unidas e o homem vive ainda, dá ela a cada uma das partes o nome de homem: chama à alma «homem interior» e ao corpo «homem exterior», como se fossem dois, embora o homem seja um a e outra parte ao mesmo tempo. Mas convém compreender em que sentido se diz que o homem é a «imagem de Deus», e que é «terra e à terra voltará». A primeira expressão refere-se à alma racional dada ao homem, isto é, ao corpo do homem pelo sopro de Deus ou, se se prefere expressão mais adequada, pela inspiração de Deus; a segunda refere-se ao corpo tal qual foi formado por Deus a partir do pó, ao qual se deu a alma para dele fazer um corpo animado, isto é, um homem dotado de alma vivente.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Gen., II, 7.
[ii] Jo XX, 22.
[iii] Gen., II, 7.
[iv] Gen., II, 7-6.
V I Corint., XV, 45.
[vi] I Corint., XV, 45.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa

Nossa Senhora de Fátima

Evangelho: Lc 11, 27-28

27Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» 28Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»

Comentário:

Ser da família de Cristo – Sua Mãe, Seu irmão – não traz por si a felicidade.

Esta, verdadeiramente, consiste em pôr em prática apalavra de Deus.

Parece lógico:

A Vontade de Deus é que sejamos felizes, logo, fazer a Sua Armabilíssima Vontade só nos pode tornar felizes.

(AMA, comentário sobre Lc 11, 27-28, 08.01.2017)







Bendita és tu, entre todas as mulheres!

Olha para a Virgem Santíssima, e observa como vive a virtude da lealdade: quando Isabel precisa d'Ela, diz o Evangelho que vai "cum festinatione", com pressa, com alegria. Aprende! (Sulco, 371)

Agora, menino amigo, espero que já saibas desembaraçar-te. Acompanha, alegremente, José e Santa Maria... e ficarás a par das tradições da Casa de David.

Ouvirás falar de Isabel e de Zacarias, enternecer-te-ás com o amor puríssimo de José e baterá com mais força o teu coração, cada vez que pronunciarem o nome do Menino que há-de nascer em Belém...

Caminhamos, apressadamente, em direcção às montanhas, até uma aldeia da tribo de Judá (Lc I, 39).

Chegamos. – É a casa onde vai nascer João Baptista. – Isabel aclama, agradecida, a Mãe do Redentor: Bendita és tu, entre todas as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! – A que devo eu tamanho bem, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (Lc I, 42 e 43).


O Baptista, ainda por nascer, estremece... (Lc I, 41)... A humildade de Maria verte-se no Magnificat... E tu e eu, que somos – que éramos – uns soberbos, prometemos ser humildes. (Santo Rosário, 2º mistério gozoso)

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Christina England Hale



Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.

Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.









Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?