21/12/2016

Leitura espiritual

Leitura espiritual




A Cidade de Deus 


Vol. 1

PREFÁCIO 

Motivo e argumento da presente obra

A gloriosíssima Cidade de Deus — que no presente decurso do tempo, vivendo da fé, faz a sua peregrinação no meio dos ímpios, que agora espera a estabilidade da eterna morada com paciência até ao dia em que será julgada com justiça, e que, graças à sua santidade, possuirá então, por uma suprema vitória, a paz perfeita — tal é, Marcelino, meu caríssimo filho, o objecto desta obra. [i]

Empreendi-a a teu pedido, para me desobrigar da promessa que te fizera de defender esta Cidade contra os que ao seu fundador preferem seus próprios deuses.

Grande e árduo trabalho!
Mas Deus será a nossa ajuda!

Sei de que forças tenho necessidade para demonstrar aos soberbos quão poderosa é a virtude da humildade, pois que, para lá de todas as grandezas passageiras e efémeras da Terra, ela atinge uma altura que não é uma usurpação do orgulho humano, mas um dom da graça divina.

De facto, o rei e fundador, desta Cidade, de que resolvemos falar, revelou nas Escrituras do seu povo o dito da lei divina Deus resiste aos soberbos e concede a sua graça aos humildes [ii].

Mas deste privilégio exclusivo de Deus, a alma intumecida de orgulho tenta apropriar-se dele e gosta de ouvir dizer em seu louvor poupar os vencidos e domar os soberbos [iii].

Também é preciso falar da Cidade da Terra, na sua ânsia de domínio, que, embora os povos se lhe submetam, se torna escrava da sua própria ambição de domínio. Dela tratarei, nada calando conforme o exige o plano desta obra e o permitir a minha capacidade.

CAPÍTULO I

Acerca dos inimigos do nome de Cristo que, por causa de Cristo, os bárbaros pouparam durante a devastação de Roma.

É desta Cidade da Terra que surgem os inimigos dos quais tem que ser defendida a cidade de Deus.
Muitos deles, afastando-se dos seus erros de impiedade, tornaram--se cidadãos bastante idóneos da Cidade de Deus.
Mas muitos outros ardem em tamanho ódio contra ela e são tão ingratos aos manifestos benefícios do Redentor, que hoje não moveriam contra Ele a sua língua senão porque encontraram nos seus lugares sagrados, ao fugirem das armas inimigas, a salvação da vida de que agora tanto se orgulham.

Não são na verdade estes romanos encarniçados contra o nome de Cristo aqueles a quem os bárbaros pouparam a vida por amor de Cristo?

Disto dão testemunho os santuários dos mártires e as basílicas dos Apóstolos que acolheram quantos aí se refugiaram, tanto cristãos como estranhos, durante a devastação da Urbe.[iv]

Ali se apaziguava o encarniçado inimigo; aí findava o seu furor de extermínio; para ali conduziam os invasores tocados de compaixão, aos que, fora daqueles lugares, tinham poupado a vida, pondo-os a salvo das mãos dos que não tinham igual compaixão.
Aqueles mesmos que, noutros sítios, como inimigos que eram, realizavam crudelíssimas chacinas, — quando se aproximavam destes lugares em que lhes estava vedado o que, por direito de guerra, se permite noutras partes, refreavam a sua sanha bélica e renunciavam ao desejo de fazer cativos.

Foi assim que escaparam muitos dos que agora desacreditam o Cristianismo e imputam a Cristo as desgraças que a cidade teve que suportar.
Não atribuem, porém ao nosso Cristo mas ao destino, o beneficio de se lhes ter poupado a vida por amor de Cristo.
Deveriam antes, se o avaliassem judiciosamente, atribuir os sofrimentos e durezas que os inimigos lhes infligiram à divina Providência que costuma, com guerras, purificar e castigar os costumes corrompidos dos homens.
É a divina Providência que põe à prova a vida justa e louvável dos mortais com tais aflições, para, uma vez provada, ou a transferir para uma vida melhor ou a reter nesta Terra para outros fins.

Mas de facto os ferozes bárbaros pouparam-lhes a vida contra os costumes normais das guerras, por amor ao nome de Cristo, quer em outros lugares quaisquer, quer nos recintos consagrados ao seu culto, e, para que a compaixão se tornasse mais extensiva, escolheram os mais amplos destinados a recolher multidões.

Deviam atribuir isto ao Cristianismo.
Era a ocasião propícia para que dessem graças a Deus e recorressem ao seu nome com sinceridade, evitando assim as penas do fogo eterno, aqueles que em grande número escaparam às presentes calamidades usando hipocritamente desse mesmo nome.
Porque muitos dos que vês agora insultar com petulância e sem vergonha os servos de Cristo, não teriam escapado àquela carnificina e àquele flagelo se não tivessem fingido que eram servidores de Cristo.

E agora — ingrata soberba e ímpia loucura! — de coração perverso resistem ao seu nome; ao qual se recolheram um dia para gozarem da vida temporal, tornando-se réus das trevas eternas,

CAPÍTULO II

Nunca, numa guerra, os vencedores pouparam os vencidos por amor aos seus deuses.

São muitos os feitos guerreiros consignados por escrito, uns anteriores à fundação de Roma, outros ocorridos desde que esta nasceu até ao apogeu do Império.
Leiam-nos e digam-nos se, no assédio de alguma cidade por estrangeiros, os vencedores pouparam assim os que se refugiavam nos templos dos seus próprios deuses; ou se um chefe bárbaro deu quiçá ordem alguma para que, após o assalto da cidade, não se ferisse quem quer que fosse encontrado neste ou naquele templo.

Não foi Eneias quem viu Príamo entre os altares
profanando com o seu sangue os fogos que ele próprio tinha consagrado? [v]

E Diomedes e Ulisses que depois de degolarem os guardas da cidadela, roubaram a sagrada imagem, e ousaram pôr as mãos sangrentas sobre as virginais faixas da deusa? [vi]

E, todavia, o que segue não é exacto:

Desde aquele momento, a esperança dos Gregos começou a afrouxar e a desvanecer-se.[vii]

Na verdade, foi depois disto que ficaram vitoriosos; foi depois disto que destruíram Troia a ferro e fogo; foi depois disto que degolaram Príamo, refugiado junto dos altares.

Troia não caiu, portanto, por ter perdido Minerva.

E a própria Minerva, que é que ela tinha perdido para perecer?

Teriam sido por acaso os seus guardiões?

Sim, isto é verdade: de facto, só pôde ser roubada depois de estes terem sido degolados.

O certo é que o ídolo era defendido pelos guardiões, em vez de serem eles defendidos pelo ídolo.

 Como é possível que se preste culto, — para que guardasse a pátria e os cidadãos —  àquela que não fora capaz de guardar os seus guardas?

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Acerca de Marcelino.

A ajuizar pelo que dele diz Ceciliano numa carta dirigida a Agostinho, em que relata comovidamente a morte de Marcelino, este era dotado de qualidades que dele faziam uma personalidade encantadora:
«Que rectidão de comportamento! Que fidelidade na amizade»!
«Que zelo pela cultura, que sinceridade nos sentimentos religiosos!
Que medida nos seus juízos, que paciência para com os inimigos, que afabilidade para com os amigos, que humildade para com os santos, que caridade para com todos! Que estima pelo bem! Que arrependimento nas faltas!» (P.L. 33-649, — Epist. 151,6).
Pois este Marcelino, que era de uma família aristocrática, desde muito jovem entrou na política, em que exerceu altos cargos na chancelaria imperial, como o indicam os seus títulos de Tribunus, notarius, cognitor. Nesta última qualidade de cognitor (Juiz) foi em 411 enviado a Cartago para assistir à conferência dos bispos católicos e donatistas com o fim de pôr termo ao cisma destes.
Conheceu então e tomou-se amigo do bispo de Hipona.
Mercê das referidas funções e altos cargos e da amizade que o ligava a Agostinho, em breve se tornou como que o elo de ligação entre este e os intelectuais de Cartago, nomeadamente com o nobre Valusiano, cônsul, que lhe forneceu material abundante, constituído por objecções dos pagãos, que o Bispo de Hipona contestaria em algumas das suas obras, nomeadamente nesta da Cidade de Deus.
Quando da revolta de Heraclio, alguns inimigos políticos e donatistas comprometeram-no injustificadamente nessa revolta. Foi por isso preso e veio a ser assassinado na prisão a 12 de Setembro de 413, apesar dos esforços de Santo Agostinho e outros bispos para o salvarem.
Sobre este assunto, v., além de P. L. 33-649, Moreau — Le dossier de Marcelin (in Recherches Augustiniennes IX, Paris 1973); Morceau — Histoire Litt. de l’Afrique Chrétienne, IV p. 82 e sgs.; M. A. Me. Namara — L ’Amitié de Saint Augustin — Paris, 1962.
[ii] Deus superbis resistit, humilibus autem dat gratiam. Tiago, IV, 6; I Pedro, V, 5.
[iii] Parcere subjectis, et debellare superbos. Vergílio, Eneida, VI, 853.
[iv] Orósio (Paulo), presbítero de Braga (Historiarum adversus paganos libri septem, C. VII, 39) refere que foi o próprio Alarico quem ordenou aos seus soldados que poupassem os templos cristãos, nomeadamente as basílicas dos apóstolos Pedro e Paulo, respeitassem quem neles procurasse refúgio e não deitassem mão dos objectos de culto. Mais refere que Alarico assim procedeu, por, embora ariano, considerar Roma como sede da Cristandade. Porque nos toca de perto este presbítero de Braga, não será talvez inútil acrescentar que P. Orósio, amigo e discípulo de Santo Agostinho, com este colaborou na luta contra o paganismo. Santo Agostinho retrata-o como «homem de engenho vivo, de palavra fecunda, com grande entusiasmo por conhecer a verdade e vivo desejo de ser instrumento útil na casa do Senhor, para refutar as falsas e perniciosas doutrinas que nas almas dos Hispânicos têm feito mais estragos do que a espada dos bárbaros nos seus corpos». (Aug. Epist. 156,2; P. L. 33, 720-721).
Orósio foi a Hipona consultar Agostinho acerca de certos pontos de doutrina suscitados na Península Ibérica pelos priscilianistas, que nela abundavam com prejuízo para a ortodoxia.
O bispo de Hipona incumbiu-o de ir ao Oriente dar a conhecer os erros de Pelágio e, quando ele regressou, de reduzir a escrito todas as catástrofes que antes de Cristo caíram sobre o mundo. Assim nasceram
Historiarum adversus paganos libri septem (sete livros de História contra os pagãos), obra também conhecida durante a Idade Média por Maesta Mundi (Tristezas do Mundo). Tal como o mestre, também Orósio reconhece estar na providência divina o sentido da história, reconhecendo como providenciais todos os acontecimentos históricos, mesmo os mais lamentáveis.
A História contra os Pagãos gozou, ao lado da Cidade de Deus, de muita estima e estudo na Idade Média, que «fez da obra do presbítero hispânico o seu manual de história», (G. Finle — Errera San Agustin y Orósio. Esquema para un estúdio de las fuentes dei «De Civitate Dei», in «La Ciudad de Dios», 167 (1954) II, 549).
No prefácio da sua obra, Orósio reconhece:
«Minha humilde pessoa deve tudo o que fez à tua direcção fraterna.
Toda a minha obra a ti pertence e para ti se volta. A minha única contribuição consiste em tê-la escrito com alegria, (ob. c., Viena, 1882).
Além dos Historiarum adversus paganos libri septem, e antes desta obra, Orósio escreveu: a) Consultatio sive commonitorium de errore priscillianistorum et Origenistarum, que entregou a Santo Agostinho o qual, em resposta, escreveu Liber ad Orosium contra Priscillianistas et Origenistas', b) Liber Apologeticus Contra Pelagium de arbitrii libertate.
Sobre Orósio, além das o. cit., v. P. L. 31, 635-1216.
— Bibliografia geral Portuguesa II, Lx.-1944 p. 80-165;
— G. Fink., Recherches Bibliographiques sur Paul Orose, in Arch. Bibl. Y Museos, 56, Mad. 1952, p. 271-322.
— A melhor edição da «História» é a do Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum
latinorum (C.S.E.L.) corrigida por S. Svennung. Tom, V, Upsala
1922.
— E. Florez, Espana Sagrada, XV, 314-351;
— C. Tonez Rodrigues, Los Siete Libros de la Historia contra los paganos, in
Quademos de Est. Gallegos, Compostela, 1948, p. 23-48;
— C. Tonez Rodrigues, La obra de Orose, in Bibl. de Uniu. de Compost.
n.os 61-62,1953-1954;
— M. Martins, Correntes de Fil. Rei. em Braga, in Brotéria 1950, 162-
-213;
— M. Castro, El Hispanismo en le obra de P. Orósio, in Quademos cit. 28,
154;
— E. Cuevar e Dominguez Del Vai, Patrologia Espanola (ap. à Patrol,
de B. Altaner) 81-84;
— B. Lacroix, Orose et ses idées — Montrene-Paris, 1965;
— B. Lacroix, Im importancia de Orósio — in Augustinus, 2 (1957);
— Bracara Augusta 21, (B. 1967), p. 346-363;
— «Orósio» in Die. de Hist, de Portugal;
— Elias de Tejada, Orósio y Dracôncio, in ar. de Hist, del Derecho Esp., 29
(1963) p. 191-201.
[v] Sanguine foedantem quos ipse sacraverat ignes. Vergílio, Eneida, II, 502.
[vi] ... caesis summae custodibus areis,
Corripuere sacram effigiem manibusque cruentis
Virgíneas ausi divae contingere vittas,...
Virgílio, Eneida, II, 166-168.
[vii] Ex illo fluere ac retro sublapsa referri Spes Danaum,...
Vergílio, Eneida, II, 169-170.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

I. A IGREJA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 4

Pedro e João perante o Sinédrio

1Estando eles a falar ao povo, surgiram os sacerdotes, o comandante do templo e os saduceus, 2irritados por vê-los a ensinar o povo e a anunciar, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos. 3Deitaram-lhes as mãos e prenderam-nos até ao dia seguinte, pois já era tarde. 4No entanto, muitos dos que tinham ouvido a Palavra abraçaram a fé, e o número dos crentes elevou-se a cerca de cinco mil.

5No dia seguinte, os chefes dos judeus, os anciãos e os escribas reuniram-se em Jerusalém 6com o Sumo Sacerdote Anás, e ainda Caifás, João, Alexandre e todos os membros das famílias dos sumos sacerdotes. 7Mandaram comparecer os Apóstolos diante deles e perguntaram-lhes: «Com que poder ou em nome de quem fizestes isso?» 8Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes:

«Chefes do povo e anciãos, 9já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e sobre o modo como ele foi curado, 10ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se apresenta curado diante de vós. 11Ele é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que se transformou em pedra angular. 12E não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do céu qualquer outro nome, dado aos homens, que nos possa salvar.»

13Ao verem o desassombro de Pedro e de João e percebendo que eram homens iletrados e plebeus, ficaram espantados. Reconheciam-nos por terem andado com Jesus, 14mas, ao mesmo tempo, vendo de pé, junto deles, o homem que fora curado, nada encontraram para replicar.

15Mandaram-nos, então, sair do Sinédrio e começaram sozinhos a deliberar: 16«Que havemos de fazer a estes homens? Que um milagre notável foi realizado por eles é demasiado claro para todos os habitantes de Jerusalém e não podemos negá-lo. 17No entanto, para evitar que a notícia deste caso se espalhe ainda mais por entre o povo, proibamo-los, com ameaças, de falar, doravante, a quem quer que seja, nesse nome.»

18Chamaram-nos, então, e impuseram-lhes a proibição formal de falar ou ensinar em nome de Jesus. 19Mas Pedro e João retorquiram: «Julgai vós mesmos se é justo, diante de Deus, obedecer a vós primeiro do que a Deus. 20Quanto a nós, não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos.»

21Eles, então, com novas ameaças, mandaram-nos em liberdade, não encontrando maneira de os castigar, por causa do povo; pois todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido. 22O homem curado miraculosamente tinha mais de quarenta anos.



[i] (1,12-6,7)

Graus da perfeição - 12

17 Graus da perfeição


12. Não ocupar-se das coisas alheias, sejam elas boas ou más, porque, além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.


(são joão da cruz, em Pequenos Tratados Espirituais)


(tradução por ama)

Pequena agenda do cristão



Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






20/12/2016

Temas para meditar - 677

Visitação

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.... Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). 

Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é a Mãe de Deus e a nossa Mãe; podemos confiar-Lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela pede para nós como pediu para si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). 

Uma consequência directa da fé é a oração, mas, ao mesmo tempo, a oração dá maior 'firmeza' à mesma fé. 



(Stº agostinho, Cidade de Deus 1 8)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Lc 1, 26-38

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, da descendência de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Comentário:

E se tivesse dito que não, que o que lhe era pedido era demais, muito alto, muito grande e que, ela, Maria, não estava à altura de planos tão grandiosos!

Era possível esta resposta?

Sim, era e, até de certo modo, compreensível.

Mas, a Virgem, em vez de se reconhecer como não merecedora de tão extraordinária escolha, o que poderia parecer um acto de humildade, prefere declarar-se escrava.

Ora a atitude da escrava dispensa a declaração de humildade, mas exige a da obediência total e sem reservas à vontade do seu Senhor.

(ama, comentário sobre Lc 1, 26-38, 25.03.2011)




Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


SEGUNDA PARTE

A OBRA REDENTORA DE JESUS CRISTO


Agora passaremos a estudar os actos concretos pelos quais Jesus Cristo nos redime, tendo presente que actua sempre como nosso Me­diador e Cabeça, por isso as suas obras servem para a nossa salvação.

Capítulo IX

OS MISTÉRIOS DA VIDA TERRENA DE CRISTO E O SEU VALOR REDENTOR

Na primeira parte vimos o mistério da Encarnação do Filho de Deus, e agora, neste capítulo e nos seguintes, consideraremos outros mistérios da vida de Jesus, ainda que, pela reduzida extensão deste livro, só examinaremos brevemente uns poucos.

1. Toda a vida de Cristo forma parte do mistério redentor

a) Mistérios da vida de Cristo aos quais se deve a redenção do homem

O Credo menciona os mistérios da vida de Cristo – desde a Encarnação até à sua Ascensão aos céus e a sua segunda vinda – sob o enunciado: «por nós homens e por nossa salvação». Com isto significa-se que a redenção do homem se deve a cada um desses mistérios e, ao mesmo tempo, que toda a vida de Cristo constitui no seu conjunto uma unidade redentora a que se deve a nossa redenção como a uma única causa.
Mas podemos distinguir mais e assinalar que Cristo – segundo o desígnio de Deus Pai - «realizou a obra da redenção humana (…) principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão. Por este mistério, com a sua Morte destruiu a nossa morte e com a sua Ressurreição restaurou a nossa vida»[1]. Com efeito, o mistério pascal é o que dá sentido redentor e unidade a toda a vida de Jesus: todos os actos do seu caminhar terreno, desde a sua Encarnação (cf. Heb 10,5-7), ordenam-se à sua Morte e Ressurreição, donde se consuma a redenção dos homens.

E concretizando ainda mais podemos dizer que Cristo nos redime «especialmente» com a sua sagrada Paixão e Morte. Com efeito, a escritura resume muitas vezes toda a obra redentora no Mistério da Morte de Cristo, ou no seu sangue derramado na cruz: por ele somos redimidos, lavados dos pecados, justificados, santificados e restabelecidos em comunhão com Deus[2]. Também a liturgia nos move a orar assim: «Te adoramos, Cristo, e te bendizemos porque com a tua Cruz redimiste o mundo». E o Catecismo da Igreja Católica diz que «a redenção nos vem antes de tudo pelo sangue da cruz»[3].

Mas não devemos entender que a salvação seja fruto da Paixão de Cristo separada da sua Ressurreição, mas sim em união indissolúvel com ela e com todos os mistérios da sua vida.

b) Traços comuns acerca do valor salvífico de todos os mistérios de Cristo

Toda a vida de Cristo é mistério de redenção.

Jesus viveu em todo o momento a sua condição de Sacerdote, e ofereceu a seu Pai em sacrifício por nós todas as circunstâncias da sua vida; de modo que em todo o momento exerceu a sua função mediadora para nos livrar do pecado e levar-nos à união com Deus. Todos os actos de Cristo, ainda os que parecem menos importantes e pequenos, são redentores e possuem um valor transcendente de salvação (v g.: as carências materiais que experimentou, o seu trabalho, o seu cansaço, as dificuldades da vida, etc.)[4]: todos eles são meritórios e foram oferecidos como sacrifício ao Pai por nós com uma entrega completa de si e com um amor imenso.


Todos os actos de Cristo nos revelam Deus e o seu desígnio salvífico.

Jesus viveu em todo o momento a sua condição de Mestre que nos revela Deus. Por Ele conhecemos Deus visivelmente[5], pois o Verbo eterno manifestava-se aos homens em todos os seus actos humanos, em cada uma das suas palavras, gestos e atitudes. E igualmente todos os seus actos revelam o Pai que o enviou e com ele é uma só coisa: «Toda a vida de Cristo é revelação do Pai (…) Jesus pode dizer: ‘Quem me vê a mim, vê o Pai’ (Jo 14,9) (…) Nosso Senhor, ao ter-se feito homem para cumprir a vontade do Pai, manifestou-nos o amor que Deus nos tem’ (1 Jo 4,9)»[6]

E assim, Jesus, em todas as suas obras «manifesta plenamente o ho­mem ao próprio homem»[7]: revela-nos a dignidade e a vocação do homem, criado à sua imagem, chamado a ser filho de Deus e a participar de uma comunhão de vida com a Trindade.

Todos os actos de Jesus são um exemplo e ensinamento de vida para nós.

Não podíamos imitar e seguir Deus a quem não víamos, mas quando o Filho de Deus se faz homem constitui-se para nós no modelo que podemos contemplar, seguir e imitar. Jesus, em todo o momento deu-nos exemplo para que vivamos como filhos de Deus.

2. Mistério da infância de Jesus

a) O mistério da Natividade

São Lucas narra-nos com emoção o nascimento do Filho de Deus em Belém num estábulo pois não houve outro alojamento para a Sagrada Família (cf. 2,1-20). E os anjos explicam este grande mistério que constitui uma grande alegria para todos: «nasceu-vos na cidade de David o salvador, que é o Cristo Senhor» (Lc 2, 10-11).

Com efeito, Deus apareceu neste mundo. Manifestou-se a luz verdadeira que ilumina todo o homem, a luz que brilha nas trevas (cf. Jo 1,4-5.9). Manifestou-se a bondade de Deus e o seu amor misericordioso aos homens (cf. Tit 3,4). Começou a redenção, o «admirável intercâmbio» pelo qual o Criador do género humano, fazendo-se homem e nascendo duma virgem, nos faz partícipes da sua divindade.

E, além do mais, desde a cátedra de Belém, Jesus Menino distribui tantos ensinamentos que nunca acabaremos de os considerar. Talvez o principal é que o Filho de Deus vem libertar-nos do mal e vencer o inimigo, não com as armas do poder e força humanas, mas sim com as do amor e a humildade, com o seu kénosis (cf. Flp 2,5-7): aqui está a verdadeira sabedoria e força de Deus, que são mais fortes que os ho­mens (cf. 1 Cor 1,24-25).

E, fazendo-se um Menino, ensina-nos que «fazer-se criança em relação a Deus é a condição para entrar no reino (cf. Mt 18,3-4); para isso é necessário abaixar-se (cf. Mt. 23,12), fazer-se pequeno (…) para ‘fazer-se filhos de Deus’ (Jo 1,12)»[8].

b) A Epifania

«Epifania» significa «manifestação». A epifania de Jesus é a sua manifestação como Messias de Israel e Salvador do mundo. Se na Natividade Jesus foi manifestado pelos anjos aos pastores, gente de Israel, neste mistério – na adoração dos magos – manifesta-se aos gentios por meios duma estrela (cf. Mt 2,1-12).

O Evangelho vê nos «magos» ou sábios os representantes de povos vizinhos do Oriente, as primícias das nações que acolhem o Salvador e a Boa Nova da salvação. São Mateus quer mostra-nos desde o princípio que a salvação é universal: todos os homens estão chamados a ser «co-herdeiros, membros do mesmo corpo e partícipes da promessa de Jesus Cristo» (Ef 3,6).

Deus chama todos a ir a Cristo, e todos devemos responder como os magos. Que viram a estrela no oriente, deixaram-se guiar por ela, procuraram o Senhor, e chegaram cheios de alegria até ao Menino com Maria, sua mãe.

c) Outros mistérios da infância de Jesus

«A apresentação de Jesus no templo (cf. Lc 2,22-39) mostra-o como o Pri­mogénito que pertence ao Senhor (cf. Ex 13,2.12-13). Com Simeão e Ana é toda a expectativa da Israel que vem ao ‘encontro do seu salvador’ (a tradição bizantina chama assim a este acontecimento). Jesus é reconhecido como o Messias tão esperado, ‘luz das nações) e ‘glória de Israel, mas também ‘sinal de contradição’. A espada de dor predita a Maria anuncia outra oblação, perfeita e única, a da Cruz que dará a salvação que Deus preparou ‘ante todos os povos’[9].

«A fuga para o Egipto e a matança dos inocentes (cf. Mt 2,13-18) manifestam a oposição das trevas à luz: ‘Veio a sua casa, e os seus não o receberam’ (Jo1,11). Toda a vida de Cristo estará sob o sinal da perseguição. Os seus partilham-na com Ele (cf. Jo 15,20). O seu regresso do Egipto (cf. Mt 2,15) recorda o Êxodo (cf. Os 11,1) e apresenta Jesus como o libertador definitivo»[10].

3. Mistérios da vida oculta de Jesus em Nazaré

a) A normalidade da vida de Jesus. A sua vida de família e de trabalho, em particular

Jesus partilhou, durante a maior parte da sua vida a condição comum e normal da imensa maioria dos homens. Por isso, os seus concidadãos o considerarão igual a eles em tudo, como um deles, e estranharão a sabedoria e os milagres que demonstra depois na vida pública (cf. Mc 6,2-3).

Talvez esses anos da vida de Jesus em Nazaré pareçam sem brilho humano, anos de sombra («vida oculta»), ou uma simples preparação para o seu ministério público; mas não é assim: Jesus estava realizando a nossa redenção mediante o seu amor e obediência presentes em cada uma das suas obras que oferecia por nós ao Pai. O Verbo eterno redimiu e santificou assim todas as realidades nobres com que está entretecida a vida comum dos homens: a família, as amizades e relações sociais, o trabalho e o descanso, etc.

E todos esses actos de Cristo em Nazaré são também um ensinamento para nós: «Jesus, nosso Senhor e modelo, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana – a tua -, as ocupações correntes e ordinárias, têm um sentido divino, de eternidade»[11].

A vida de família.

Parte principal da vida de Jesus em Nazaré era a vida de família, que o Evangelho resume em poucas palavras porque era norma, ao mesmo tempo que divina: «o Menino ia crescendo e fortalecendo-se cheio de sabedoria e a graça de Deus estava n’Ele» (Lc 2,40); e mais adiante acres­centa-se que «veio com eles (com os seus pais) para Nazaré e estava-lhes submetido» (Lc 2,51).
Tal como Jesus santifica a vida familiar e nos redime, a sagrada Família constitui o espelho e modelo de toda a família: mostra-nos a sua entranhável comunicação de amor, a sua simples e austera beleza, o seu carácter sagrado e inviolável, o insubstituível da sua função no plano das pessoas individuais e da vida social.

A vida de trabalho.

Jesus dedicou a maior parte da sua vida ao seu trabalho junto de José, até depois de ter cumprido trinta anos. De facto, os seus concidadãos conhecem-no por «o artesão» (Mc 6,3).

Esforçava-se por fazer bem esse trabalho, cuidando os detalhes, vivendo-o com espírito de serviço e tratando com amabilidade os vizinhos: «tudo fez bem» (Mc 7,37). Nas mãos de Jesus o trabalho converte-se em tarefa divina, em «realidade redimida e redentora: não só é o âmbito em que o homem vive, mas também meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora»[12].

Por isso, a vida de Jesus em Nazaré foi chamada «o Evangelho do trabalho» já que constitui uma lição da dignidade e do valor do trabalho; um ensinamento para nos unirmos a Deus com essa actividade e, por meio dela, colaborar na salvação do mundo.

b) O episódio do Menino Jesus perdido e achado no Templo


Este acontecimento é o único que «rompe o silêncio dos Evangelhos sobre os anos ocultos de Jesus. Jesus deixa entrever nele o mistério da sua consagração total a uma missão derivada da sua filiação divina: ‘Não sabíeis que me devo aos assuntos de meu pai’ (Lc 2,49). Maria e José ‘não compreenderam’ esta palavra, mas acolheram-na na fé, e Maria ‘conservava cuidadosamente todas as coisas no seu coração’, ao longo de todos os anos em que Jesus permaneceu oculto no silêncio de uma vida normal»[13].
Jesus dá-nos o exemplo da decisão que temos de ter para cumprir a vontade divina ainda que custe sacrifício e ainda que outros não a compreendam.




(cont)

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)






[1] CONC. VATICANO II, Sacrosanctum concilium, 5.
[2] Cf. Rom 5,9; Ef 1,7; Col 1,20; Heb 9,14; 13,12; 1 Pd 1,19; 1Jo 1,7; Ap 1,5; 5,9-10; etc.
[3] CCE, 517. A razão é – como veremos depois – que a Paixão de Cristo nos liberta do pecado por mais títulos. Além de ser a causa eficiente da nossa salvação (como o é a Ressurreição), mereceu-a, e também constitui uma satisfação pelo pecado: só ele é o preço da nossa redenção. E a própria exaltação gloriosa de Cristo se deve ao mérito da sua Paixão (cf. Flp 2,8-9; Heb 2,9).
[4] Cf. CCE, 517.
[5] Cf. Prefácio I de natal
[6] CCE, 516.
[7] GS, 22.
[8] CCE, 526.
[9] CCE, 529.
[10] CCE, 530.
[11] S. JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Forja, 688.
[12] S. JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Cristo que Passa, n. 47.
[13] CCE, 534.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

I. A IGREJA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 3

Discurso de Pedro ao povo

2Ao ver isto, Pedro dirigiu a palavra ao povo:

«Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque nos olhais, como se tivéssemos feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade? 13O Deus de Abraão, de Isaac e Jacob, o Deus dos nossos pais, glorificou o seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a libertá-lo. 14Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação de um assassino. 15Destes a morte ao Príncipe da Vida, mas Deus ressuscitou-o dos mortos, e disso nós somos testemunhas. 16Pela fé no seu nome, este homem, que vedes e conheceis, recobrou as forças. Foi a fé que dele nos vem que curou completamente este homem na vossa presença. 17Agora, irmãos, sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes.

18Dessa forma, Deus cumpriu o que antecipadamente anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Messias havia de padecer. 19Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam apagados; 20e, assim, o Senhor vos conceda os tempos de conforto, quando Ele enviar aquele que vos foi destinado, o Messias Jesus, 21que deve permanecer no Céu até ao momento da restauração de todas as coisas, de que Deus falou outrora pela boca dos seus santos profetas.

22Moisés disse: ‘O Senhor Deus suscitar-vos-á um Profeta como eu, de entre os vossos irmãos. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser. 23Quem não escutar esse Profeta, será exterminado do meio do povo.’ 24E, por outro lado, todos os profetas que falaram desde Samuel anunciaram igualmente estes dias. 25Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus concluiu com os vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da Terra.’ 26Foi primeiramente para vós que Deus suscitou o seu Servo e o enviou para vos abençoar e para se afastar cada um de vós das suas más acções.»


[i] (1,12-6,7)

Graus da perfeição - 11

17 Graus da perfeição


11. Nunca se intrometer naquilo de que não se foi encarregado, nem discutir sobre alguma coisa ainda que se esteja com a razão.

E, no que tiver sido ordenado, não imaginar que se tem obrigação de fazer aquilo a que, bem examinado, nada obriga.



(são joão da cruz, em Pequenos Tratados Espirituais)


(tradução por ama)

Jesus Cristo e a Igreja – 138

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS

A fragmentação do sistema disciplinar no Oriente

…/18

A Legislação do II Concílio Trullano.

…/12

Posto que em Constantinopla tivesse consciência da falsidade do relato de Pafnucio, não restava mais possibilidade para recorrer a testemunhos da antiguidade cristã, que não procedesse da Igreja de Constantinopla, mas de uma Igreja vizinha à deles, cujos cânones disciplinares tinham sido já incluídos no próprio Código geral. Assim havia sucedido com os cânones do Código africano que tratavam expressamente da continência clerical e também faziam referência aos Apóstolos e à tradição antiga da Igreja.

Uma vez que tais cânones afirmavam a mesma disciplina, isto é, da completa continência, para bispos, sacerdotes e diáconos, devia ser modificado o texto autêntico dos cânones africanos. Não era algo perigoso, pois no Oriente realmente muito poucos podiam verificar o latim genuíno do texto original.


Deste modo as palavra do cânon 3 de Cartago: “gradus isti tres (…) episcopos, presbyteros et diaconos (…) continentes in omnibus”, foram substituídos no cânon 13 do Concílio Trullano por estas outras: “sub­diaconi (…) diaconi et presbyteri secundum easdem rationes a consorti­bus se abstineant”, sendo que as palavras “easdem rationes”, opostas às palavras do texto original de Cartago, representavam as mudanças introduzidas pelos Padres trullanos.

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?