15/12/2016

Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRIMEIRA PARTE


A PESSOA DE JESUS CRISTO



Capítulo V

CRISTO ENQUANTO HOMEM CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE


4. A auto-consciência de Cristo

a) A auto-consciência de Cristo segundo algumas teorias subjectivistas recentes.

A partir do século XX a cristologia mostrou um especial interesse pela consciência que Jesus tinha de si mesmo: se se sabia Filho de Deus e Messias. Sem dúvida, esta tendência está relacionada com a evolução do pensamento filosófico moderno para com a subjectividade, que reduz a realidade pessoal de Cristo á sua auto-consciência.

Esta concepção leva não só a pôr em Cristo um centro de consciência humano diferente do Verbo, como a imaginar que essa consciência se reduz aos fenómenos psíquicos humanos. Então, como poderia Jesus chegar a conhecer a sua identidade de Filho de Deus?

Alguns autores respondem negando que Jesus tivesse consciência da sua divindade. E outros sustentam que Jesus, desde uma ignorância inicial pela qual se considerava como um simples galileu, iria pouco a pouco tomando consciência de ser o Filho de Deus e o Salvador do mundo (processo que não explicam satisfatoriamente). De qualquer forma, esta consciência de Jesus nunca chegaria a ser clara, nem sequer no final da sua vida na cruz, onde o vêm cheio de dúvidas e de perplexa obscuridade sobre o sentido da sua vida e da sua morte.

Apesar de que nada proíba que se façam indagações mais profundas acerca da humanidade de Cristo com métodos psicológicos, estas teorias afastam-se da verdade pois levam a cabo uma transposição unívoca da nossa psicologia para Cristo, o que não é legítimo pois Ele não é um simples homem, mas Deus e homem, que, além do mais, na sua humanidade possuía a visão de Deus. Deste modo, contradizem o que nos diz a fé sobre a plenitude do conhecimento de Cristo, no qual não cabe a ignorância, e chocam com o ensinamento da Escritura sobre a consciência de Jesus acerca da sua divindade.

b) A auto-consciência e o «Eu» de Cristo

A auto-consciência de Cristo.

Jesus na sua consciência humana tinha um claro e verdadeiro conhecimento de si, sabia quem era: o Filho de Deus que veio a este mundo e se fez homem para nos salvar[1]. Os Evangelhos mostram-nos sempre que, essa auto-consciência, era rectilínea e clara desde as suas primeiras palavras quando tinha doze anos: «Porque me procuráveis? Não sabeis que eu devia estar em casa de meu Pai(Lc 2,49). Neste ponto também poderíamos trazer à colação os textos da escritura que já vimos nos quais Jesus expressa a consciência da sua identidade quando se designa como Filho de Deus, ou afirma a sua pré-existência ao mundo, ou diz que é igual ao Pai, etc.

A unidade psicológica
de Cristo: o único «Eu» de Cristo.

Se nos fixamos na palavra «eu» nos lábios de Jesus (palavra que expressa a sua auto-consciência, comprovaremos que nos Evangelhos nunca aparece um eu humano de Jesus e outro eu do Filho de Deus: nunca se sente e se mostra como um homem diferente do Filho de Deus. Pelo contrário, na Escrituras aparece um único Eu que expressa a sua unidade psicológica, que deriva da unidade ontológica da sua pessoa: Ele é e sabe-se um só sujeito, o Filho de Deus feito homem. P. ex.: «Agora, Pai, glorifica-me ao teu lado (na minha humanidade), com a glória que eu tinha junto de ti (como Filho eterno de Deus) antes que o mundo existisse» (Jo 17,5).


Assim é muito significativa a expressão «Eu sou» utilizada por Jesus, que recorda a resposta dada por Deus a Moisés: «Eu sou o que sou (…) assim responderás aos filhos de Israel: Eu sou vos manda» (Ex 3,14). Por exemplo: «Se não acreditardes que Eu sou, morrereis nos vossos pecados» (Jo 8,24); e também: «Quando levantardes ao alto o Filho do homem, então conhecereis que Eu sou» (Jo 8,28), onde Cristo fala da sua «elevação» mediante a cruz e a sucessiva Ressurreição: então se manifestará claramente ante todos os homens quem é, que é deus.

Ora bem, no intento de explicar «como» se podia formar essa auto-consciência n’Ele, a opinião mais provável para os teólogos é que Jesus se sabia não só homem mas também ao mesmo tempo Filho de Deus mediante o conhecimento de visão beatífica, pela qual o seu intelecto humano gozava de um imediato conhecimento do Verbo.


Capítulo VI

OUTRAS CARACTERÍSTICAS QUE COMPLETAM A FIGURA DE JESUS CRISTO ENQUANTO HOMEM

Para completar o conhecimento de Cristo enquanto homem, veremos agora outros traços que completam o quadro da sua perfeita humanidade. Também aqui começaremos por examinar os problemas que surgiram historicamente, e assim poderemos entender melhor o sentido e o alcance da doutrina definida pela Igreja nessas ocasiões.

1. As heresias do monoergismo e do monotelismo. O concílio III de Constantinopla

O monoergismo.

O patriarca Sérgio de Constantinopla, em começos do século VII, para ganhar aos monofisistas que continuavam muito activos, ensinou que Cristo, ainda que tivesse duas naturezas, tinha uma única operação, pois sustentava que o obrar e o actuar provem da pessoa, não da natureza.




O monoergismo ou monoergetismo[2], que Sérgio defendia e que o imperador Heraclito também sustentava, foi eficazmente combatido sobretudo por Máximo o Confessor.

O monotelismo.

O imperador Heraclito, que procurava a unidade religiosa para salvaguardar a já minada solidez do Império, deixou de falar do polémico monoergismo e passou a sustentar que havia uma só vontade em Cristo. E no ano 638, com um édito, impôs o monotelismo a toda a Igreja[3]

Atribuía a Jesus uma única vontade pois, segundo ele, a sua vontade humana estaria movida por uma vontade divina sem que tivesse um querer humano próprio. Justificava a sua tese aduzindo que os Santos Padres ensinaram que em Cristo a natureza humana era instrumento da divindade; e como um instrumento não se move pela sua vontade mas pela vontade de quem o utiliza, concluía que Cristo não possuía uma vontade humana.

Máximo o Confessor conseguiu que o papa Martinho I convocasse um concílio em Latrão (ano 681) que condenou os erros do monotelismo e do monoergismo[4]

O concílio III de Constantinopla (ano 681).

Quando mudou a situação politico-religiosa do império convocou-se um concílio ecuménico. Este concílio, sexto ecuménico y III de Constantinopla, condenou o monotelismo e o monoergismo, e definiu solenemente que se «dão n’Ele (Cristo) duas vontades naturais e duas operações naturais, sem divisão, sem mudança, sem separação, sem confusão»[5]

Em Constantinopla ficou claro que não é suficiente a confissão da integridade da natureza humana de Cristo se se a considerar só como elemento passivo e inerte nas mãos do Verbo, como uma simples fachada humana do Filho de Deus.

Este concílio também ensinou que essas duas vontades e operações de Cristo não se contrapõem, mas que se dão unidas: o humano está sujeito e segue o divino.

2. A vontade humana de Cristo

a) A existência de uma vontade humana de Cristo


O Verbo assumiu uma natureza humana perfeita; e a vontade livre pertence, e de modo essencial, á integridade e perfeição da natureza. Portanto, Jesus tem uma vontade racional humana, a faculdade que inclina para o bem conhecida por inteligência.
Certamente que a pessoa é «quem» quer e actua, mas fá-lo segundo a forma e poder da sua natureza. Portanto, Jesus Cristo é quem quer segundo cada uma das suas naturezas: tem um querer divino comum com o pai e o Espírito Santo, próprio da natureza divina; e tem outro querer humano, próprio da sua assumida natureza humana, que não partilha com o Pai ou o Espírito Santo.

Os monoteletistas pensavam que a humanidade de Cristo era um instrumento do Verbo que era unicamente movido pela divindade e não se determinava por si mesmo. E enganavam-se, porque a humanidade de Jesus Cristo é um instrumento racional e livre, não inerte ou inanimado, que se move segundo o sue próprio modo de ser: move-se pela sua própria vontade humana a seguir o querer divino[6]

b) A liberdade humana de Cristo

A liberdade humana de Cristo aparece explicitamente assinalada em alguns textos do Novo Testamento. Por exemplo, quando diz: «Dou a minha vida para tomá-la de novo. Ninguém ma tira, mas sou eu que a dou livremente. Tenho poder para a dar e tenho poder para a recuperar» (Jo 10,17-18; cf. Mc 3,13). A existência de uma liberdade humana também é assinalada implicitamente quando se afirma que Jesus obedeceu a seu pai, ou que se ofereceu por nós em sacrifício (cf. Ef 5,2), ou que mereceu por nós (cf. Flp 2,5-11); e sem liberdade não é possível obedecer nem merecer.

O Magistério da Igreja também ensinou expressamente a voluntariedade e a liberdade com que Cristo se entregou por nós[7].

Ora bem, que Cristo fosse livre não significa que pudesse pecar, pois a liberdade não consiste em poder eleger o bem ou o mal. Assim como o erro não aperfeiçoa a inteligência nem é conforme a ela, eleger o mal ou pecar não aperfeiçoa a vontade nem é conforme a ela, ainda que mostre que o homem é livre. A liberdade consiste no modo que a vontade tem de querer o bem: em querer o bem por si mesma e não arrastada por nenhum outro factor interno ou externo. Como diz São Tomás: «Livre é o que é causa de si mesmo»[8].

c) A sua livre obediência à vontade do Pai. Em Jesus Cristo não houve oposição entre a vontade humana e a divina


O III concílio de Constantinopla confessa que a vontade humana de Cristo sempre «segue a sua vontade divina sem lhe fazer resistência ou oposição, mas sim, pelo contrário, está sempre subordinada a esta vontade omnipotente»[9].

Efectivamente, a Sagrada Escritura assinala que a vontade humana de Jesus não é outra que cumprir o querer divino: «Baixei do céu não para fazer a minha vontade mas sim a vontade d’Aquele que me enviou» (Jo 6,38). Já desde o momento de entrar neste mundo diz: «Eis-me aqui que venho (…) para fazer, oh Deus!, a tua vontade» (Heb 10,7). Viveu sempre da vontade do Pai (cf. Jo 4,34; 5,30), e foi obediente até à morte, e morte de cruz (cf. Flp 2,8). Precisamente por esta obediência livre de Jesus todos somos justificados (cf. Rom 5,19).

Ainda que o III concílio de Constantinopla afirme que em Jesus Cristo não houve oposição entre a vontade humana e a divina, à primeira vista parece que houve, pelo menos no episódio da oração no horto de Getsemani, quando Jesus diz: «Não se cumpra a minha vontade, mas a tua» (Mt 26,39).

Para entender esta passagem, é necessário explicar que a sua inclinação natural ou que a sua sensibilidade (a que às vezes também chamamos «vontade»[10]) podiam apetecer algum bem diferente do querer divino, mas estavam inteiramente submetidas a ele pelo acto livre da vontade racional (que é a faculdade que chamamos propriamente «vontade humana»). Isto é manifesto quando se diz que não se faça «a minha vontade» (a vontade como inclinação natural e sensível), «mas faça-se» este é o acto da vontade como eleição livre e racional). «a tua» (a vontade divina) (cf. Mt 26,39).

Assim pois, «Cristo possui duas vontades (…) não opostas, mas cooperantes, de forma que o Verbo feito carne, na sua obediência ao Pai, tenha querido humanamente tudo o decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para nossa salvação»[11].


(cont)

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)






[1] COMISIÓN TEOLÓGICA INTERNACIONAL, La conciencia que Jesus tenia de si mismo y de su misión, em Documentos 1969-1996, BAC 587, p. 382-384.
[2] Em grego «energeia» significa poder, actividade. Os termos monoergetismo ou monoergismo provêm de uma «operação ou acção».
[3] Em grego «thélema» significa vontade. O termo monotelismo  provem de «uma vontade».
[4] Cf. DS 500-515.
[5] CONC. III DE CONSTANTINOPLA, DS 556.
[6] Cf. S. Th. III, 18,1, ad 2; III, 20,1.
[7] Cf. DS, 423, 502.
[8] SÃO TOMÁS DE AQUINO, De Veritate, q. 24, a. 1; cf. S. Th. III,18,4.
[9] CONC. III DE CONSTANTINOPLA, DS, 556.
[10] V. g.: Dizemos de alguém que «fez a sua vontade», referimo-nos a que fez o que lhe apetecia naturalmente ou guiando-se simplesmente pela sua inclinação sensível.
[11] CCE, 475; cf. CONC. III DE CONSTANTINOPLA, DS, 556-559.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

I. A IGREJA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 2

O Dom do Espírito Santo

1Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam.
3Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.

5Ora, residiam em Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua.

7Atónitos e maravilhados, diziam: «Mas esses que estão a falar não são todos galileus? 8Que se passa, então, para que cada um de nós os oiça falar na nossa língua materna? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus!»

12Estavam todos assombrados e, sem saber o que pensar, diziam uns aos outros: «Que significa isto?» 13Outros, por sua vez, diziam, troçando: «Estão cheios de vinho doce.»


[i] (1,12-6,7)

Graus da perfeição - 6

17 Graus da perfeição


6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.


(são joão da cruz, em Pequenos Tratados Espirituais)


(tradução por ama)

Pequena agenda do cristão



Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






14/12/2016

Adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé

Quando o receberes, diz-lhe: – Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)

Assistindo à Santa Missa, aprenderemos a falar, a privar com cada uma das Pessoas divinas: com o Pai, que gera o Filho, que é gerado pelo Pai; e com o Espírito Santo, que procede dos dois. Habituando-nos a privar intimamente com qualquer uma das três Pessoas, privaremos com um único Deus. E se falarmos com as três, com a Trindade, privaremos também com um só Deus, único e verdadeiro. Amai a Santa Missa, meus filhos, amai a Santa Missa! E que cada um de vós comungue com ardor, mesmo que se sinta gelado, mesmo que não haja correspondência por parte da emotividade. Comungai com fé, com esperança e com caridade inflamada.

Não ama Cristo quem não ama a Santa Missa e quem não se esforça no sentido de a viver com serenidade e sossego, com devoção e com carinho. 0 amor transforma aqueles que estão apaixonados em pessoas de sensibilidade fina e delicada. Leva-os a descobrir, para que se não esqueçam de os pôr em prática, pormenores que são por vezes mínimos, mas que trazem a marca de um coração apaixonado. É assim que devemos assistir à Santa Missa. Por este motivo, sempre pensei que aqueles que querem ouvir uma missa rápida e atabalhoada demonstram com essa atitude, já de si pouco elegante, que não conseguiram aperceber-se do significado do Sacrifício do altar.


O amor a Cristo, que se oferece por nós, anima-nos a saber encontrar, uma vez terminada a Santa Missa, alguns minutos de acção de graças pessoal e íntima, que prolonguem no silêncio do coração essa outra acção de graças que é a Eucaristia. (Cristo que passa, nn. 91–92)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

São João da Cruz – Doutor da Igreja

Evangelho: Lc 7, 19-23

Naquele tempo, João Baptista chamou dois dos seus discípulos e enviou-os ao Senhor com esta mensagem: «És Tu Aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?» Ao chegarem junto de Jesus, os homens disseram-Lhe: «João Baptista mandou-nos perguntar-Te: ‘És Tu Aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?’» Nessa altura Jesus curou muitas pessoas, de doenças, padecimentos e espíritos malignos, e deu a vista a muitos cegos. Então respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho; e feliz daquele que não encontrar em Mim ocasião de queda».

Comentário:

O último versículo deste trecho do Evangelho de São Lucas dá-nos que pensar!

Como pode Jesus Cristo ser ocasião de queda para alguém?

Infelizmente é bem verdade e tantos a confirmam e continuam numa intransigente luta contra a Verdade.

Não se trata só de rejeitar o Salvador ou, sequer, acreditar nele, mas com sanha e ódio impossíveis de negar, perseguir os que acreditam e O seguem.

Estranha condição humana que leva a negar a evidência, a rejeitar a salvação, a opor-se ao Bem!

(ama, comentário sobre, Lc 7, 19-23, 2015.12.16)






Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRIMEIRA PARTE


A PESSOA DE JESUS CRISTO



Capítulo V

CRISTO ENQUANTO HOMEM CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE


2. A graça e a santidade de Cristo

e) As virtudes sobrenaturais, os dons e carismas de Cristo

Juntamente com a graça, Cristo tem todas as virtudes, dons e carismas do Espírito Santo na forma conveniente à sua perfeição de Filho de Deus e à sua missão de Redentor.

As virtudes sobrenaturais. Como a Sagrada Escritura testemunha, Cristo teve muitas virtudes, e em grau admirável: a humildade, a obediência, a misericórdia, a pureza, a paciência, etc. Especialmente brilha n’Ele um amor sem mácula a seu pai e a nós, os homens, até ao ponto de oferecer a sua vida por cada um.

Sabemos que a graça diviniza a alma na sua essência, mas a sua acção civilizadora estende-se também às potências da alma mediante as virtudes sobrenaturais para que o homem possa realizar obras sobrenaturais. E a humanidade de Cristo estava plenamente enriquecida e divinizada pelo Espírito Santo, portanto não podiam faltar-lhe as virtudes infusas, e estas em grau máximo e perfeito.

Todavia, Jesus não teve aquelas virtudes que supõem em si mesmas alguma carência ou imperfeição: p. ex. não teve a fé (pois já possuía a visão de Deus), nem propriamente teve a esperança (pois já tinha a união com Deus), nem a penitência (pois não teve pecado).

Os dons do Espírito Santo.

A revelação diz-nos que Jesus, «cheio do Espírito Santo (…) era conduzido pelo espírito» (Lc 4,1); e também possuía os dons do Espírito Santo em grau excelentíssimo e eminente (cf. Is 11,2).
Sabemos que os dons do Espírito Santo levam à sua perfeição última as virtudes para que o homem actue totalmente segundo o querer de Deus. Daí que Cristo possuísse esses dons para que a perfeição de todas as virtudes fosse plena.

Os carismas.

Juntamente com a plenitude de graça, Cristo possui em plenitude os carismas do Espírito Santo, isto é, os dons divinos convenientes para desempenhar uma missão salvífica.
Jesus tem de modo perfeito todos os carismas que os homens tiveram para levar a cabo alguma missão para a edificação dos outros (os dons próprios dos apóstolos, profetas, pregadores, doutores, pastores, etc.), pois d’Ele provêm (cf. Jo 1,16), e a Ele correspondem como salvador de todos e supremo Mestre da nossa fé.

f) A santidade de vida e a ausência de pecado em Jesus Cristo

Jesus é santo também no sentido operativo e moral, enquanto viveu livremente em todo o momento a união sobrenatural com seu Pai pelo amor. A perfeição de graça e de caridade que possuía, levavam-no a identificar completamente a sua vontade humana com a vontade santa de Deus, no grande e no pequeno. Ele próprio confessa: «Eu faço sempre o que agrada a meu pai» (Jo 8,29; cf. 4,34).

E está livre de todo o pecado: «vem o príncipe deste mundo (Satanás), mas não tem nada em mim» (Jo 14,30; cf. Pd 2,22). Por isso o Magistério da Igreja, unindo-se à Sagrada Escritura, ensinou em muitas ocasiões esta realidade: Cristo é «semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Heb 4,15; cf. 7,26-27)[1].

O Magistério da Igreja também assinalou que Jesus esteve livre do pecado original e que não sofreu a desordem da concupiscência, consequência desse pecado; de modo que n’Ele a sensibilidade estava sempre perfeitamente subordinada à razão[2].

Mas há mais: os teólogos sustentam que Cristo não só não teve nenhum pecado de facto, mas que, além disso, era impecável. A razão é óbvia: as acções são da pessoa; e se Cristo pudesse pecar, seria Deus quem pecaria, e teria que negar-se a si mesmo. Além do mais, Jesus Cristo enquanto homem, como veremos, gozava da visão intuitiva de Deus, que supõe também a impossibilidade de rejeitar o Bem infinito.

3. O conhecimento humano de Jesus Cristo

Como Cristo tem duas naturezas perfeitas tem dois modos de conhecer, um infinito e divino – comum a toda a Trindade -, e outro humano. Agora vamos estudar só este último.

a) A existência de um conhecimento humano em Cristo

A afirmação de um conhecimento humano em Cristo é patente em todo o Novo Testamento. E a Igreja, seguindo a revelação divina, defendeu sempre a integridade da natureza humana de Cristo, que tem uma alma racional e uma inteligência humana. Esta inteligência humana não pode estar privada da actividade que lhe é própria: o conhecer por si mesma; sendo o contrário seria vã e imperfeita. Por exemplo, o Concílio Vaticano II diz que o Filho de Deus «trabalhou com mãos de homem, pensou com inteligência de homem, obrou com vontade de homem, amou com coração de homem»[3].

Além disso, os teólogos colocaram-se a pergunta se Jesus, durante o seu caminhar terreno, teve os diversos modos de conhecer a que a inteligência humana está aberta e são possíveis para ela (a ciência adquirida, a visão beatífica e a ciência infusa). Como é lógico os Evangelhos não distinguem teologicamente os diversos modos de conhecimento, ainda que sugiram algumas coisas. E o Magistério da Igreja, ainda que tenha defendido a existência de um conhecimento humano em Cristo, não determinou a natureza e o alcance de todos os diversos modos de conhecer. Vejamos, pois, o que ensina a teologia mais segura.

b) O conhecimento experimental ou ciência adquirida de Jesus Cristo

Por ciência adquirida designam-se aqueles conhecimentos que o homem alcança com as suas próprias forças partindo dos sentidos e da experiência. O intelecto humano, apoiando-se nos dados da experiência sensível, tem a capacidade de conhecer o que são as coisas, não só as suas aparências, e conhecer as suas causas, as suas relações com outras, etc.

Sem dúvida que este é o modo de conhecimento de que fala São Lucas mostrando um Jesus criança que «crescia em sabedoria, idade e graça» (Lc 5,52). Jesus adquiria aqueles conhecimentos de forma semelhante aos outros homens: com as suas experiências e com a aplicação da mente, contando também com o conhecimento dos outros (cf. Mc 6,38; Jo 11,34), começando pelos ensinamentos que receberia de Maria e de José.

«Tal ciência é proporcional (…) e co-natural á natureza humana»[4]. Aceitar a existência deste conhecimento adquirido em Cristo – e, portanto, progressivo -, é consequência do realismo com que se aceita a Encarnação do Verbo.

Parece claro que este conhecimento adquirido teria um alcance limitado, pois a sua inteligência humana desenvolvia-se nas condições históricas concretas da sua existência, que eram limitadas no espesso e no tempo. Ainda que a clareza e a força da sua inteligência o fizessem entender a realidade das coisas que ia experimentando com muito mais profundidade e sabedoria que no caso dos outros homens.

c) A visão beatífica da alma de Cristo

Chama-se ciência de visão ou visão beatífica ao conhecimento íntimo e imediato de Deus que é próprio dos bem-aventurados do céu, e que os faz semelhantes a Ele porque o vêem «tal qual é» (1 Jo 3,2), «face a face» (1 Cor 13,12).
A afirmação da existência da ciência de visão em Cristo durante a sua vida terrena fundamenta-se naqueles textos do Novo Testamento nos quais se diz que Ele vê a Deus a quem ninguém pode ver: «Ninguém viu o Pai, senão aquele que procede de Deus, esse viu o Pai» (Jo 6,46). Por isso, Jesus se apresenta como testemunha do que vê em Deus; por exemplo quando diz: «Aquele que me enviou é veraz e eu ensino ao mundo o que lhe ouvi (…) Eu digo o que vejo no Pai; (Jo 8,26.38).

Ainda que historicamente houvesse algumas dúvidas acerca de se esses textos se referiam à sua ciência humana de visão ou antes à ciência divina, a Tradição da Igreja, desde Santo Agostinho, tem sido concorde em afirmar a ciência beata em Cristo. E o Magistério da Igreja em algumas ocasiões referiu-se à existência deste conhecimento em Cristo, ainda que não tenha definido esta doutrina como de fé[5].

A existência desta ciência em Cristo funda-se na união da natureza humana ao Verbo: como consequência dessa união, o intelecto humano de Cristo gozava de um pleno e imediato conhecimento do Verbo.

Segundo o comum parecer dos teólogos, Cristo com a ciência de visão via não só a divindade mas também todas as coisas, já que todas têm relação com a sua missão na terra, pois Ele foi constituído Redentor de todos. E alguma vez o Magistério da Igreja disse que é certa «a sentença que estabelece (…) que desde o princípio conheceu tudo no Verbo, o passado, o presente e o futuro»[6]

d) A ciência infusa ou profética em Cristo

Ciência infusa é aquele conhecimento que não se adquire pelo trabalho da razão, mas que provem directamente de Deus pela comunicação de algumas ideias à mente humana.
Não há que a confundir com a ciência de visão, pela qual se vê imediatamente a Deus em si mesmo. Um exemplo de ciência infusa é o conhecimento profético.
Os textos do Novo Testamento não são inconversíveis no sentido de afirmar a existência de uma ciência infusa em Cristo. Todavia, é-nos sugerido este tipo de conhecimento sobrenatural de Cristo ao mencionar que conhecia os pensamentos secretos do coração dos homens[7], ou os acontecimentos futuros que prediz, como são as negações de Pedro, os acontecimentos da sua Morte e da sua Ressurreição, etc.

O Magistério da Igreja só alguma vez isolada se referiu à ciência infusa de Cristo. E, ainda que alguns teólogos duvidem acerca de se esses textos da Escritura se referem a este tipo de conhecimento ou ao de visão beatífica, a maior parte deles opina que Cristo gozou também de ciência infusa.

e) Como se compaginam em Cristo esses diversos tipos de conhecimento humano?

Como poderia Cristo adquirir e progredir em conhecimentos por ciência adquirida, se já sabia tudo por ciência de visão?

Neste ponto as explicações dos teólogos hão-de partir da plena aceitação dos dados revelados, os quais indicam que Jesus aprendia, e por outro lado nos mostram que gozava da visão de Deus. Assim, pois, para esclarecer em algo este mistério, afirmaram que se trata de dois conhecimentos situados a níveis diferentes e características diversas, de modo que um conhecimento não impedia o outro.

Sobre esse esquema geral deram-se diversas explicações, com diferentes posturas e terminologia, tanto na antiguidade como no século XX. Mas há que reconhecer que estas opiniões são incapazes de elucidar este mistério, que permanece inacessível a nós, e que reflecte a profundidade inescrutável da união hipostática.

f) A plenitude ciência em Cristo e a ausência de erro e de ignorância n’Ele

Plenitude ciência em Cristo.

A Sagrada Escritura ensina que Jesus Cristo está «cheio de graça e de verdade» (Jo 1,14); n’Ele «estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col 2,3). Daí que a Tradição da Igreja tenha insistido na plenitude de conhecimento em Cristo que exclui todo o erro e ignorância.

Em Cristo não se dá o erro.

A crítica histórica, o protestantismo liberal e o modernismo, sustentaram que Jesus padeceu de erro no respeitante à data do fim do mundo e quanto à natureza do seu messianismo. Apoiam-se nalguns textos do discurso escatológico (Mt 24 e paralelos) nos quais o Senhor parece anunciar o fim do mundo como eminente, e em alguns outros textos isolados (cf. Mt 16,27-28).

São Pio X em 1907, condenou estas teorias dizendo que Cristo não teve erro algum[8]. Mas é que, além disso, a existência de um erro em Cristo implicaria que não é Deus, que não é a Verdade. E, por outro lado, o erro iria contra a sua missão de Mestre de todos os homens. Por isto, a maior parte dos teólogos afirmam que «pertence à fé» não só que Cristo não se enganou, mas também que era infalível, que era possível que errasse.

Cristo não teve ignorância.

Existem na Escritura alguns textos que parecem indicar alguma ignorância em Jesus; o texto mais importante para a nossa questão è aquele em que Jesus diz ignorar o dia e a hora do juízo (cf. Mt 24,36 e Mc 13,32).
Baseando-se nesse texto, na antiguidade houve quem sustentasse a ignorância em Cristo. Todavia, a maioria dos Padres afirmou que Cristo não ignorava quando chegaria o fim do mundo, mas que não queria nem devia revelá-lo. Neste sentido o catecismo da Igreja Católica diz: «O que neste campo reconhece ignorar (cf. Mt 13,32), declara noutro local não ter a missão de o revelar (cf. Act 1,7)»[9].

Também hoje alguns postulam uma ignorância em Cristo, que inclusive é considerada como um factor positivo e necessário da sua verdadeira humanidade. Esta opinião não considera suficientemente que Jesus não é um simples homem como nós, mas Deus feito homem.

A Igreja rejeitou em diversas ocasiões esses erros, e assinalou como certa «a sentença que estabelece não haver nada ignorado na alma de Cristo»[10].

(cont)

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)





[1] CF. S. LEÃO MAGNO, DS, 293-294; CONC. CALCEDÓNIA,DS, 301.
[2] Cf. CONC II DE CONSTANTINOPLA, DS, 434; CONC. DE FLORENÇA, DS, 1347.
[3] GS, 22.
[4] S. Th. III,9,4.
[5] Cf. DS, 3645; PIO XII, Enc. Mystici corporis (DS, 3812) e Enc. Haurietis aquas (DS, 3924).
[6] DS, 3646.
[7] Cf. Mc 2,8; Jo 1,47-49; 2,25; 4,17-18.
[8] Cf. DS, 3432-3435.
[9] CCE, 474.
[10] DS, 3646. Cf. DS, 474-476; CONC LATERANENESE (a. 649), DS, 518-519.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

I. A IGREJA DE JERUSALÉM [i]

Eleição de Matias

15Por aqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos - encontravam-se reunidas cerca de cento e vinte pessoas - e disse:

16 «Irmãos, era necessário que se cumprisse o que o Espírito Santo anunciou na Escritura pela boca de David a respeito de Judas, que foi o guia dos que prenderam Jesus. 17Ele, efectivamente, era um dos nossos e tinha recebido uma parte do nosso ministério. 18Esse homem, depois de ter adquirido um terreno com o salário do seu crime, precipitou-se de cabeça para baixo, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se espalharam. 19O facto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, a tal ponto que esse terreno foi chamado na língua deles ‘Haqueldamá’, que quer dizer Campo de Sangue. 20Está realmente escrito no Livro dos Salmos:
‘Fique deserta a sua habitação e não haja quem nela resida’.
E ainda: ‘Receba outro o seu encargo.’

21Portanto, de entre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, 22a partir do baptismo de João até ao dia em que nos foi arrebatado para o Alto, é indispensável que um deles se torne, connosco, testemunha da sua ressurreição.»

23Designaram dois: José, de apelido Barsabas, chamado Justo, e Matias.

24Fizeram, então, a seguinte oração: «Senhor, Tu que conheces o coração de todos, indica-nos qual destes dois escolheste 25para ocupar, no ministério apostólico, o lugar abandonado por Judas, que foi para o lugar que merecia.» 

26Depois, tiraram à sorte, e a sorte caiu em Matias, que foi incluído entre os onze Apóstolos.



[i] (1,12-6,7)

Graus da perfeição - 5

17 Graus da perfeição


5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.



(são joão da cruz, em Pequenos Tratados Espirituais)


(tradução por ama)

Pequena agenda do cristão



Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






13/12/2016

O teu trabalho deve ser oração

Antes de começar a trabalhar, põe sobre a tua mesa, ou junto dos utensílios do teu trabalho, um crucifixo. De vez em quando, lança-Lhe um olhar... Quando a fadiga chegar, fugir-te-ão os olhos para Jesus, e encontrarás nova força para prosseguir no teu empenho. Porque esse crucifixo é mais do que o retrato de uma pessoa querida – os pais, os filhos, a mulher, a noiva... – ; Ele é tudo: o teu Pai, teu Irmão, teu Amigo, teu Deus e o Amor dos teus amores. (Via Sacra, Estação XI. n. 5)


Costumo dizer com frequência que, nestes momentos de conversa com Jesus, que nos vê e nos ouve do sacrário, não podemos cair numa oração impessoal. E observo também que, para meditar de modo a que se inicie imediatamente um diálogo com o Senhor, não é preciso pronunciar palavras. Precisamos, sim, de sair do anonimato e de nos pôr na sua presença tal como somos, sem nos escondermos na multidão que enche a igreja, nem nos diluirmos num palavreado oco, que não brota do coração mas de um costume desprovido de conteúdo.


Posto isto, acrescento agora que também o teu trabalho deve ser oração pessoal e há-de converter-se numa grande conversa com o Nosso Pai do Céu. Se procuras a santificação na tua actividade profissional e através dela, terás necessariamente de te esforçar para que ela se converta numa oração sem anonimato. E nem sequer estes teus afãs podem cair na obscuridade anódina de uma tarefa rotineira, impessoal, porque nesse mesmo instante teria morrido o aliciante divino que anima o teu trabalho quotidiano. (Amigos de Deus, n. 64)

Temas para meditar - 675

Oração diligente


Deus quer ser rogado, quer ser coagido. Quer ser vencido por uma certa inoportunidade (…). Sê, portanto, diligente na oração; sê oportuno com as súplicas; procura não deixar nunca de pedir.

(S. gregorio magno, Exposição sobre os sete salmos penitenciais 6. 2)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Mt 21, 28-32

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».

Comentário:

Fazer a Tua Vontade não é dizer que sim é… fazer de facto.

E, qual é a Tua vontade, Senhor, que queres que faça?

Docere me facere voluntatem Tuam!

Ensina-me, Senhor, a fazer a Tua vontade! Este é o meu apelo matinal, certo que estou, que se fizer a Sua vontade em tudo, mesmo nas coisas mais pequenas e insignificantes, estarei no caminho certo.

(AMA, Meditação sobre Mt 21, 28-32, Setembro 2008)