06/12/2016

Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


Capítulo I


INTRODUÇÃO: A CRISTOLOGIA, CIÊNCIA TEOLÓGICA ACERCA DE JESUS CRISTO.

       
3. A chamada «questão histórica» sobre Jesus Cristo e a pretendida distinção entre o Jesus da história e o Cristo da fé.


a) A procura do «Jesus da história» com um método exclusivamente racional.


Nos últimos séculos colocou-se a questão do «acesso a Jesus», isto é, a investigação do que se pode conhecer com certeza acerca do «Jesus da história», empregando uma metodologia puramente histórica ou literária, sem ter presente o dogma nem a Tradição da Igreja, sem ter em conta «o Cristo da Fé».


A crítica histórica.

Desde finais do século XVIII, na era da Ilustração, surge a procura que tenta reconstruir a vida de Jesus utilizando uma metodologia histórica que só admite como verosímil o que tem uma explicação racional, e prescinde do demais como irreal. Para estes racionalistas o Senhor foi um simples homem, desprovido de toda a roupagem divina, e do qual há que desprezar como mito todo o milagroso. Portanto, para eles os Evangelhos não gozariam de nenhuma fiabilidade e não se deveriam ter em conta para estabelecer uma história que quer ser «crítica», puramente racional: esta história terá que basear-se em fontes externas.


Pouco depois, ao longo de todo o século XIX, também o protestantismo liberal tentou chegar pela crítica histórica à verdadeira figura de Jesus, que viam como o homem perfeito, mas só um homem. Pretendendo fundar a fé na história, seguiu o mesmo caminho de contar unicamente com a razão e a ciência histórica positiva, prescindido dos testemunhos do Novo testamento e da Tradição da Igreja.

Depois de um século de uma procura histórico-crítica à margem dos Evangelhos, tanto por parte dos ilustrados como pelos protestantes liberais, os resultados não foram muito satisfatórios: podiam-se conhecer muito poucas coisas do «Jesus histórico».


A crítica histórico-literária.

Na primeira metade do século XX, Rudolph Bultmann sustentará que já que a história não nos leva à fé em Cristo, há que ir directamente à fé nele, ao que os primeiros discípulos acreditavam. Ora bem, segundo este autor, a fé dos começos, baseada nalguns elementos históricos, foi crescendo e desenvolvendo-se segundo um processo de mitificação da figura de Jesus, e foi expressando-se de acordo com a cultura do seu tempo. Essas crenças reflectir-se-ão posteriormente nos Evangelhos que, por isso, não poderiam constituir uma base sólida para fazer uma reconstrução histórica de Jesus, pois – diz – existe um salto e uma descontinuidade entre o Jesus histórico e o que os primeiros cristãos pensavam d’Ele.

Só poderemos chegar a conhecer como eras o núcleo histórico original dessa tradição sobre Jesus estudando as sucessivas formas de expressão que essas crenças iam tendo até chegar à recensão dos Evangelhos: portanto, haverá que estudar a história das formas literárias dos Evangelhos, a história dos diferentes documentos que deram lugar aos Evangelhos, situando-as no seu marco vital que as explicam. E depois haverá que desandar, desmistificar, o caminho que essa fé teria supostamente percorrido. Os resultados dessa «história das formas» têm sido desoladores: tão pouco aí podemos conhecer com certeza crítica, quase nada da vida de Jesus.


Desde a metade do século XX, diversos autores corrigiram o método da «história das formas» empregando novos recursos da linguística, ainda que mantenham os seus pressupostos fundamentais. Os critérios linguísticos empregados foram vários, e os resultados têm sido em parte positivos, enquanto conseguem provar que determinados factos ou palavras que os Evangelhos nos transmitem são com certeza atribuíveis ao Jesus da história. Mas os resultados são escassos e divergentes, pois seleccionam e aceitam só determinados ditos e factos de Jesus, ao mesmo tempo que deixam outros no esquecimento.


As conclusões de todas estas tentativas críticas foram diversas reconstruções da figura de Jesus, do qual apresentaram diferentes «imagens» segundo os diferentes pontos de vista prévios: uns imaginam um Jesus judeu de grande religiosidade (no seu pensamento e cultura); outros, um Jesus taumaturgo (curandeiro, mago ou exorcista); outros, um Jesus mestre (rabi ou sábio; humanista ou mestre de moral); outros apresentam um Jesus revolucionário (promotor de uma revolução social não violenta, ou vítima romântica da conflitualidade política); outros, um Jesus profeta escatológico; etc.


b) Crítica dos pressupostos racionalistas da distinção entre o Jesus da história e o Cristo da fé.


O preconceito racionalista restringe, por princípio, o carácter real e histórico só aos acontecimentos que têm uma explicação racional, e de entrada excluem como impossíveis que Jesus Cristo seja Deus ou a realidade dos milagres. Esta atitude não só é antidogmática como se torna também incompatível com a sincera procura da verdade que deve caracterizar todo o científico.


Com o mesmo a priori racionalista tampouco se admite a inspiração divina da Escritura, nem a veracidade dos Evangelhos. Qualquer forma Estes preconceitos de não só negam a fé da Igreja sobre esses pontos, como ainda esbarram contra a índole evidentemente histórica e testemunhal que mostra os escritos do Novo Testamento. [i]


Os critérios de selecção que utilizam para aceitar a historicidade das palavras ou acontecimentos evangélicos são em grande parte subjectivos, como o demonstra a multiplicidade de «imagens de Cristo que se propõem».


Segundo esta postura, a fé e a história seriam dois caminhos diferentes e separados; o pregado pelos apóstolos e transmitido nos Evangelhos não teria correspondência com a realidade de Jesus; a nossa fé não teria um apoio firme real e histórico, mas seria fundamentalmente subjectiva: o que Cristo é para mim, não tanto o que realmente é. Por isso a distinção entre o «Jesus histórico» e o «Cristo da fé» é uma distinção de graves consequências, e com toda a razão o Magistério da Igreja a reprovou.


Concretamente, já a Igreja primitiva defendeu abertamente a unidade existente entre o que hoje chamamos o Jesus da história e o Cristo da fé: o mesmo nome de «Jesus Cristo», com que o denominaram desde os começos, confessa que «Jesus», o histórico, é o «Cristo», o da fé. E mais, principal atitude da primeira tradição cristã foi a de conservar fielmente a recordação das palavras e obras de Jesus.


4. O método teológico


a) O ponto de partida e fontes da cristologia


A teologia é a ciência acerca de Deus, enquanto o conhecemos pela fé mediante a luz da revelação. É um conhecimento que se baseia na fé e que, ao mesmo tempo, é uma ciência, um esforço racional para entender mais profundamente os mistérios revelados. É «a fé que procura entender, como dizia Santo Anselmo: é o conhecimento que surge da fé que procura uma maior compreensão dos mistérios revelados.


Por isso, o ponto de partida da cristologia é a fé e não pode ser o que nos proporciona uma investigação histórica sobre Jesus. Só a fé pode franquear o mistério da imagem humana de Cristo e dar-nos a realidade do Salvador.

As fontes da cristologia são as mesmas que têm a fé e todo o tratado teológico: a palavra escrita de Deus e a sagrada Tradição. E estas fontes estão garantidas pelo magistério da Igreja: sabemos que «o ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo. [ii]


No fundo, a Igreja viva é o lugar da fé em Cristo. Por isso a teologia há-de tomar o seu conteúdo da revelação, interpretada à luz dos ensinamentos dos Padres e Doutores da Igreja, da Liturgia, da fé e piedade popular; numa palavra, da Tradição viva da Igreja sustentada pelo Espírito Santo que nos «guia para a verdade completa» [iii]. Verdade que encontramos expressa e sintetizada especialmente nos símbolos da fé e no magistério da Igreja.


b) O recto uso dos métodos histórico-críticos ou literários.


As ciências humanas – a história, a arqueologia, a filosofia, etc. – são proveitosas para aproximar-nos da realidade histórica de Jesus e da composição dos Evangelhos; para conhecer melhor as condições históricas da cultura do seu ambiente, os «géneros literários» que se empregavam ao escrever, as formas de falar naquela época, etc.


Estas ciências aplicadas à pessoa e obra de Jesus são legítimas e têm o seu valor, sempre que se apliquem de modo científico e com rectidão, e não estejam viciadas por determinadas ideias filosóficas. Para que estas investigações sejam rectas, ainda que diferentes da fé, não se devem separar nunca dela; como a humanidade de Jesus Cristo é diferente da sua divindade mas inseparável dela. Com efeito, esse Jesus que a história investiga não é um simples homem, mas sim o filho de Deus.


5. Estrutura deste manual


Este manual sobre o mistério de Cristo estrutura-se em duas partes: o estudo da pessoa de Jesus Cristo e da sua obra salvífica; já que «não possível separar em Cristo o seu ser de Deus-Homem e a sua função de Redentor. O Verbo fez-se carne e veio à terra ut omnes homines salvi fiant [iv], para salvar a todos os homens». [v]


Na primeira parte estudaremos a pessoa do redentor. Para tal, começaremos vendo a vinda do Filho de Deus ao mundo dentro da economia divina da salvação. Consideraremos depois a realidade da Encarnação: o Verbo, sendo Deus, faz-se verdadeiramente homem. Em seguida tentaremos explicar, no possível, o mistério da unidade de Cristo. E, por último, estudaremos diferentes aspectos da autêntica humanidade que assumiu.


Na segunda parte trataremos da obra do redentor. Para tal, começaremos por declarar o que é a redenção. Consideraremos depois porquê a obra de Cristo pode alcançar-nos a nós: porque Ele é o novo Adão, a Cabeça da linhagem humana e Mediador entre Deus e os homens. Seguidamente estudaremos os mistérios – os actos – da vida de Cristo com os quais nos salva: primeiro, os mistérios da sua vida terrena, particularmente a sua Paixão e Morte, e depois os mistérios da sua vida gloriosa. E terminaremos vendo os frutos da obra redentora de Cristo nos homens.

(cont)

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)







[i] Cf. 2 Pd 1, 16; 1 Jo 1,1-3. Ainda que os hagiógrafos tenham um papel importante na redacção desses livros (escolhendo algumas das coisas que já se transmitiam por palavra ou por escrito, resumindo outras, ordenando-as segundo diferentes critérios, ou explicando o seu sentido), se preocuparam sobretudo em transmitir fielmente o que eles próprios (Mateus e João) tinham visto e ouvido, ou o que ensinaram outras testemunhas oculares (cf. Lc 1,1-4). De modo que os Evangelhos nos «comunicam fielmente o que Jesus, Filho de Deus, vivendo entre os homens, fez e ensinou realmente para a salvação deles, até ao dia em que foi levantado ao céu (…) Comunicam-nos a verdade sincera acerca de Jesus». DV, 19.
[ii] DV, 10.
[iii] (Jo 16,13)
[iv] (cf. 1 Tim 2,4)
[v] S. JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Cristo que Passa, 106.

Lições de São João Paulo II - 12

Lições de São João Paulo II


12 – O século XX ficará considerado uma época de ataques maciços contra a vida, uma série infindável de guerras e um massacre permanente de vidas humanas inocentes.

Os falsos profetas e os falsos mestres conheceram o maior sucesso possível.


(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Jesus Cristo e a Igreja – 136

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS

A fragmentação do sistema disciplinar no Oriente

…/15

A Legislação do II Concílio Trullano.

…/9

Cân.: 48: Manda que a mulher do bispo que, após consentimento mútuo, se separou, deve ingressar num mosteiro depois da Ordenação do marido e deve ser mantida por ele. Pode também ser promovida a diaconisa.

Dessas disposições conciliares resulta o seguinte: o Oriente conhece bem a disciplina celibatária do Ocidente. Apela, como no Ocidente, como apoio à prática diferente, a uma tradição que remontaria até os Apóstolos. De facto, a Igreja Bizantina concorda na legislação trullana com a Igreja Latina nos seguintes pontos, que como no Ocidente, se fundamenta nos textos sagrados do Novo Testamento: o casamento antes da sagrada Ordenação deve ter ser apenas um, e não com uma viúva ou com outras mulheres que a lei exclui. Não é legítimo um primeiro ou sucessivo casamento após a Ordenação. Os bispos não podem mais ter convivência matrimonial com a esposa, mas devem viver em plena continência, e por isso as mulheres não podem viver com eles, mas devem ser mantidas pela Igreja. O Oriente exige ainda o ingresso das esposas num mosteiro ou a ordenação dessas como diaconisas.

A diferença substancial da prática da Igreja Oriental se refere só aos graus da Ordem sagrada inferiores ao episcopado. Para estes, a abstenção do uso do matrimónio exige-se somente durante o tempo do serviço efectivo no altar, que então estava limitado ao Domingo ou a outro dia da semana.


Encontramos aqui, portanto, uma volta à pratica vigente no Antigo Testamento que a Igreja havia rejeitado sempre explicitamente com razões claras. Pelo contrário, a convivência e o uso do matrimónio durante o tempo livre do serviço directo não somente é defendido aqui com grande resolução, mas que qualquer atitude contrária é castigada com gravíssimas sanções. A compreensível excepção para os sacerdotes que residem na Igreja latina é declarada como uma dispensa que se concede só por causa da evidente debilidade humana de tais sacerdotes e pelas dificuldades que provêm do ambiente, entre as quais está certamente o facto da geral prática de continência do clero ocidental.

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





05/12/2016

Deus não Se cansa das nossas infidelidades

Ser pequeno. As grandes audácias são sempre das crianças. – Quem pede... a Lua? – Quem não repara nos perigos, ao tratar de conseguir o seu desejo? "Ponde" numa criança "destas" muita graça de Deus, o desejo de fazer a sua Vontade (de Deus), muito amor a Jesus, toda a ciência humana que a sua capacidade lhe permita adquirir..., e tereis retratado o carácter dos apóstolos de hoje, tal como indubitavelmente Deus os quer. (Caminho, 857)

A filiação divina é o fundamento do espírito do Opus Dei. Todos os homens são filhos de Deus, mas um filho pode reagir de muitos modos diante do seu pai. Temos de esforçar-nos por ser filhos que procuram lembrar-se de que o Senhor, querendo-nos como filhos, fez com que vivamos em sua casa no meio deste mundo; que sejamos da sua família; que o que é seu seja nosso e o nosso seu; que tenhamos com Ele a mesma familiaridade e confiança com que um menino é capaz de pedir a própria Lua!

Um filho de Deus trata o Senhor como Pai. Não servilmente, nem com uma reverência formal, de mera cortesia, mas cheio de sinceridade e de confiança. Deus não se escandaliza com os homens. Deus não Se cansa das nossas infidelidades. O nosso Pai do Céu perdoa qualquer ofensa quando o filho volta de novo até Ele, quando se arrepende e pede perdão. Nosso Senhor é tão verdadeiramente pai, que prevê os nossos desejos de sermos perdoados e se adianta com a sua graça, abrindo-nos amorosamente os braços.

Reparai que não estou a inventar nada. Recordai a parábola que o Filho de Deus nos contou para que entendêssemos o amor do Pai que está nos Céus: a parábola do filho pródigo.


Ainda estava longe – diz a Escritura – quando o pai o viu e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Estas são as palavras do livro sagrado: cobrindo-o de beijos! Pode-se falar mais humanamente? Pode-se descrever com mais viveza o amor paternal de Deus para com os homens? (Cristo que passa, 64)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Lc 5, 17-26

Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas. Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus. Como não encontraram modo de o introduzir, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados». Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Mas Jesus, que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’? Pois bem, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa». Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus. Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus; e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas».

Comentário:

São estes mesmos Doutores da Lei e Escribas que repetidamente hão-se instar o Senhor para que dê sinais da Sua divindade, da autoridade que Lhe assiste para pregar e dar doutrina.

É bem de ver que não são os sinais por mais evidentes que sejam – como este que São Lucas nos relata – que os hão-de convencer porque, de facto, só reconhece o que vê quem usa um são critério e tem o coração livre e despido de preconceitos.

Mas – o Senhor de um mal aparente tira sempre um bem verdadeiro – a sua renitência e “sem-razão” mais os desacredita perante o povo simples que sabe reconhecer com meridiana clareza quem age com verdade e actua em conformidade com o que ensina.

(ama, comentário sobre Lc 5, 17-26, 10.10.2016)



Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRÓLOGO



«Que procures Cristo: Que encontres Cristo: Que ames Cristo».[i] Este santo e experiente conselho marca todo um itinerário de vida espiritual que nos conduz até à união e identificação com Jesus Cristo.


A primeira etapa desse itinerário corresponde à aspiração de fé viva que o salmista expressa: «Senhor, procuro o Teu rosto» [ii]. Para tal faz falta em primeiro lugar a leitura assídua da sagrada Escritura, assim como contemplar na intimidade do nosso coração todos os actos e palavras do Senhor, tal como fazia Maria Santíssima. E é indubitável também que a leitura de outras obras adequadas pode servir-nos de grande ajuda.


Pois bem, este livro de iniciação à Cristologia integra-se nessa tarefa e tem a finalidade de facilitar a um amplo círculo de pessoas um maior conhecimento da maravilhosa riqueza e profundidade insondável do mistério de Cristo [iii].


Por ser teologia, este manual quer ser um pouco mais profundo e explicativo que uma simples catequese. Tem o método e a estrutura de um tratado teológico sistemático, assim como a terminologia própria, que temos procurado explicar com simplicidade. Por este motivo também se incluíram citações e referências da Sagrada Escritura, assim como muitas outras do Magistério da Igreja e algumas de São Tomás de Aquino, a quem o Concílio Vaticano II recomenda como guia nestes estudos [iv]. E, naturalmente, cita-se com frequência o catecismo da Igreja Católica que sintetiza com precisão e autoridade os diferentes temas.


E por ser só uma iniciação, este livro é necessariamente breve. E por este motivo se omitiram alguns temas que parecem mais secundários, assim como se evitou o mais possível incluir nomes, opiniões e citações de outros diversos autores.



Desta forma, como se trata de um texto teológico conciso e resumido, e não de uma obra histórica ou ascética, requer do leitor um certo esforço de estudo detido e atento.


Que a Virgem Santíssima faça com que este livro sirva para «crescer no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo», como nos propõe São Pedro [v], e que nos estimule a percorrer as etapas seguintes da vida cristã de modo que cheguemos a um encontro pessoal com o nosso salvador, participemos da Sua obra salvífica e O sirvamos na extensão do Seu Reino na terra, tornando partícipes da redenção salvadora, todos os homens. Assim contribuiremos para transformar o mundo e a história de acordo com a amável vontade de Deus.


Capítulo I


INTRODUÇÃO: A CRISTOLOGIA, CIÊNCIA TEOLÓGICA ACERCA DE JESUS CRISTO.

       
1.          O tratado teológico sobre Jesus Cristo


a) O objecto da cristologia


A cristologia é uma parte da teologia que trata sobre Cristo. Estuda Jesus Cristo em Si mesmo – o mistério da Sua pessoa, como Deus e homem verdadeiro que viveu numas determinadas condições históricas -, e Jesus na economia da salvação – como Messias, Redentor e nosso Salvador -, tal como nos propõe da fé da Igreja.


O objecto da nossa fé sobre Cristo, que é, por sua vez, o objecto da cristologia, não é uma fórmula vazia, nem uma ideologia determinada, mas uma realidade concreta que podemos declarar assim: «Nós acreditamos e confessamos que Jesus de Nazaré, nascido de uma judia de Israel, em Belém no tempo do rei Herodes o Grande e do imperador César Augusto; carpinteiro de ofício, morto crucificado em Jerusalém, sob o procurador Pôncio Pilatos, durante o reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem, que ‘saiu de Deus[vi], ‘baixou do céu[vii], ‘veio em carne[viii], porque ‘a Palavra se fez carne (…) e vimos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade (…) Pois da sua plenitude recebemos todos, e graça por graça[ix]. [x]


b) O mistério de Cristo


Sabemos que «o mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, pois, a fonte de todos os outros mistérios da fé; á a luz que nos ilumina» [xi] A fé da Igreja resume-se no mistério da Santíssima Trindade em si mesma e no mistério do «desígnio benevolente da sua vontade» [xii] acerca da salvação de todos os homens.


E todo esse desígnio divino da nossa salvação centra-se em Cristo: O Pai realiza o «mistério da sua vontade» [xiii] enviando o seu Filho amado para a salvação de todo o mundo, e por meio d’Ele comunicando-nos o seu espírito. Este admirável desígnio divino é o «mistério que estava escondido em Deus desde séculos» [xiv], e que se revelou e se realiza na história por meio de Jesus Cristo.


A dispensa ou realização desse plano da benevolência divina da salvação dos homens é designada no Novo testamento como «o mistério de Cristo», pois Ele é o seu centro [xv]. Assim, pois, pode dizer-se que o mistério de Cristo que se refere à sua pessoa e à sua obra de salvação, reúne e resume todos os artigos da fé: os que se referem à Trindade, pois Ele é Deus, o Filho do Pai, e nos revela a Trindade; e os que se referem aos desígnios e obras de Deus, pois Ele realizou o plano da sua vontade salvífica.


2. A fé e a razão humana ante o mistério de Cristo


a) Necessidade da fé para conhecer Cristo


Ao falar do mistério de Cristo, estamos afirmando que n’Ele há uma realidade oculta e divina que nos transcende, e que nele também há uma realidade visível, sinal dessa realidade oculta, e que ao mesmo tempo a encobre, e que é a sua presença física entre os homens e a sua actuação na história.


Mediante os métodos próprios da história podemos chegar a conhecer cada vez melhor a realidade visível da vida de Jesus. Mas unicamente mediante a revelação divina e a fé podemos transcender o externo e chegar a conhecer quem é Ele verdadeiramente, já que «ninguém conhece o Filho senão o Pai» [xvi], e, como Ele mesmo dizia: «Ninguém pode vir a mim se não o atrair o Pai que me enviou» [xvii].


Vejamo-lo no episódio que nos narra São Mateus, testemunha desse acontecimento: «Vindo Jesus à região de Cesareia de Filipe, perguntou aos discípulos: Quem dizem os homens que é o Filho homem? Eles responderam: uns, que João Baptista; outros, que Elias; outros, que Jeremias ou outro dos Profetas» [xviii]. São diversas opiniões ante a figura de Cristo e as suas admiráveis obras: «É um homem de Deus». Esta é uma resposta humana, uma conclusão a que chega a razão dos homens.
Mas Jesus continua perguntando: «E vós, quem dizeis que eu sou?». E Pedro responde: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». E Jesus acrescenta: «bem-aventurado és, Simão, filho de João, porque não tal não te foi revelado nem a carne nem o sangue, mas sim meu Pai que está nos céus» [xix]. Essa confissão não era fruto de uma dedução de Pedro a partir das suas luzes naturais mas um dom e revelação de Deus; não é uma resposta humana, mas uma resposta de Deus Pai que declara a verdade e a realidade de Jesus muito acima da opinião dos homens.


Assim, pois, não é suficiente considerar Jesus como um personagem digno de interesse histórico, teológico, espiritual ou social; nem o considerar, inclusive, como o ideal humano de uma religiosidade sincera e profunda, o do amor aos outros, ou de uma profunda sabedoria moral. É necessário ver Jesus com os olhos da fé para o conhecer verdadeiramente e confessar como Pedro: «Tu és o Messias. O Filho de Deus vivo».


b) O papel da razão ante o mistério de Cristo


A nossa fé tem uma base real e histórica: parte integrante da nossa fé são os acontecimentos históricos do nascimento de Cristo, da sua vida e da sua actividade neste mundo, da sua Morte e da sua Ressurreição, etc. Jesus Cristo, que é o objecto da fé da Igreja, não é um mito: é um homem que viveu num contexto histórico concreto, e os acontecimentos da sua existência foram reais e comprováveis.


Por isso, ainda que a razão humana não possa só com a suas forças chegar a conhecer os mistérios de Deus, nem pode chegar a compreender Cristo, todavia, desempenha uma função importante no conhecimento de muitas coisas da vida histórica do Senhor.


Precisamente o Novo testamento está escrito como uma narração do, realmente acontecido e do ensinado por Jesus [xx], certamente com o fim de suscitar a fé [xxi], mas sem que essa finalidade retire algo ao carácter real e histórico do consignado. Com efeito, os apóstolos apresentam-se como testemunhas desses acontecimentos.


Mais, os conhecimentos da vida de Cristo que a razão humana pode aportar facilitam a fé, pois as suas obras dão testemunho d’Ele [xxii], são o selo da missão divina, e fazem ver que a fé é razoável e não um movimento cego do espírito.

(cont)

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)





[i] S. JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Caminho, 382.
[ii] (Sal 27/26,8)
[iii] (cf. Flp 3,8; Ef 3,8)
[iv] Cf. CONC. VATICANO II, Optatam totius, 16.
[v] (2 Pd 3,18)
[vi] (Jo 13,3)
[vii] (Jo 3,13; 6,33)
[viii] (1 Jo 4,2)
[ix] (Jo 1,14.16)
[x] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CCE), 423.
[xi] CCE, 434.
[xii] (Ef 1,9)
[xiii] (Ef 1,9)
[xiv] (Ef 3,9)
[xv] (cf. Ef 3,1 – 12)
[xvi] (Mt 11,27)
[xvii] (Jo 6,44)
[xviii] (Mt 16,13-14)
[xix] (Mt 16,15-17)
[xx] (cf. Lc 1,1-4)
[xxi] (cf. Jo 20,21)
[xxii] (cf. Jo 10,25)

Lições de São João Paulo II - 11

Lições de São João Paulo II



11 – A fé e a razão constituem como que duas asas com as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.



(12 Lições de são joão paulo II)

(revisão da versão portuguesa por ama)

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
24 - [1]

Quero ter bem claro o seguinte:

Qual é a maior – ou mais importante Festa Litúrgica para a Igreja Católica, para os cristãos: O dia de Natal ou o Domingo de Páscoa.
Podes esclarecer-me?

Respondo:

Ambas são importantes, como sabes, mas, de facto, têm “conteúdos” diferentes.

No dia de Natal comemoramos o nascimento de Jesus Cristo o nosso Salvador.

No Domingo de Páscoa celebramos a Sua Ressurreição.

Foi com a Sua Ressurreição que Jesus Cristo nos salvou definitivamente, nos abriu as portas do Céu, e nos tornou Filhos de Deus.

São Paulo afirmou que se Cristo não tivesse ressuscitado a nossa Fé era vã.

Parece-me que a resposta está dada.

(ama, diálogos apostólicos)



[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.

Bento XVI – Pensamentos espirituais 123

O mandamento do amor


O amor pode ser «mandado», porque antes nos é dado [i].


Encíclica Deus Caritas Est, n.a 14, (Fevereiro de 2006)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)



[i] cfr. Mc 12, 31

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?