27/09/2016

Tratado da vida de Cristo 126

Questão 50: A morte de Cristo

Em seguida devemos tratar da morte de Cristo. E nesta questão discutem-se seis artigos:

Art. 1 — Se foi conveniente que Cristo morresse.
Art. 2 — Se na morte de Cristo a divindade se separou da carne.
Art. 3 — Se na morte de Cristo houve separação entre a divindade e a alma.
Art. 4 — Se Cristo, no tríduo da morte, cessou de ser homem.
Art. 5 — Se o corpo de Cristo foi identicamente o mesmo quando vivo e quando morto.
Art. 6 — Se a morte de Cristo produziu algum efeito para a nossa salvação.

Art. 1 — Se foi conveniente que Cristo morresse.

 O primeiro discute-se assim. — Parece que não foi conveniente que Cristo morresse.

1. — Pois, o primeiro princípio, num género, não pode ser subordinado ao que é contrário a esse género; assim o fogo, princípio do calor, nunca pode ser frio. Ora, o Filho de Deus é a fonte e o princípio de toda a vida, segundo a Escritura: Em ti está a fonte da vida. Logo, parece que não foi conveniente que Cristo morresse.

2. Demais. — Maior miséria é a morte que a doença, por que por esta se chega àquela. Ora, não era conveniente que Cristo sofresse nenhuma doença, como diz Crisóstomo. Logo, também não o era que morresse.

3. O Senhor diz: Eu vim para terem vida e para a terem em maior abundância. Ora, um contrário não conduz a outro. Logo, parece que não era conveniente que Cristo morresse.

Mas, em contrário, o Evangelho: Convém-vos que morra um homem pelo povo e que não pereça toda a nação.

Foi conveniente que Cristo morresse. — Primeiro, para satisfazer pelo género humano, que tinha sido condenado à morte por causa do pecado, segundo a Escritura: Em qualquer dia que comeres dele, morrerás de morte. Ora, o modo conveniente de satisfazermos por outrem é nos sujeitarmos à pena que ele merecia. Por isso Cristo quis morrer a fim de morrendo, satisfazer por nós, segundo a Escritura: Cristo uma vez morreu pelos nossos pecados. — Segundo, para mostrar que assumiu verdadeiramente a natureza humana. Pois, como diz Eusébio, se Cristo, depois de ter vivido no meio dos homens, houvesse, para evitar a morte, desaparecido inopinadamente, ocultando-se-lhes aos olhos, todos os teriam julgado um fantasma. — Terceiro, a fim de morrendo, livrar-nos do temor da morte. Donde o dizer o Apóstolo: Ele participou igualmente da carne e do sangue, para destruir pela sua morte ao que tinha o império da morte, isto é, ao diabo; e para livrar aqueles que pelo temor da morte estavam em escravidão toda a vida. — Quarto, a fim de que, morrendo corporalmente, à semelhança do pecado, isto é, da pena, nos desse exemplo de morrer espiritualmente para o pecado. Donde o dizer o Apóstolo: Porque, enquanto a ele morrer pelo pecado, morreu uma só vez; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como estando mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Nosso Senhor Jesus Cristo. — Quinto, a fim de, ressurgindo dos mortos, mostrasse ao mesmo tempo o seu poder, pelo qual venceu a morte, e nos desse a esperança de ressurgir dos mortos. Donde o dizer o Apóstolo: Se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós outros que não há ressurreição de mortos?

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Cristo é a fonte da vida, como Deus, mas não como homem. Ora, morreu como homem e não como Deus. Donde o dizer Agostinho: Longe de nós pensar que Cristo, sendo ele próprio a vida, morreu perdendo-a; pois, se tal tivesse acontecido, a fonte da vida teria secado. Mas, padeceu a morte enquanto participante da fraqueza humana, que assumira espontaneamente, sem contudo perder o poder da sua natureza, pelo qual tudo vivifica.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Cristo não sofreu a morte originada por nenhuma doença, para que não se pensasse que morreu por enfermidade imposta pela natureza. Mas sim, a morte que lhe foi infligida exteriormente, a que espontaneamente se submeteu para mostrar que era morte voluntária.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Um contrário não conduz a outro, essencialmente falando; mas tal pode dar-se por acidente, como quando, por exemplo, o frio aquece acidentalmente. E deste modo Cristo, pela sua morte, nos conduziu à vida, destruindo a nossa morte como a sua, assim como quem sofre uma pena por outrem, torna-o livre dela.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.





Ideología de género: una nueva dictadura

La ideología de género es un instrumento de destrucción. No aporta nada positivo al ser humano. Su propuesta de crear una agenda de discriminación positiva sobre las personas LGTB se vuelve en contra de ellas.

Llevan muchos años tratando de imponernos la denominada ideología de género y lo van consiguiendo. Se trata de una agenda de carácter internacional muy bien llevada, gestionada y manipulada para que aparezca como cabal. ¿Cuál es la fuerza de este movimiento al que sucumben gobiernos nacionales, instituciones y organismos internacionales, parlamentos, cámaras de representación internacional? Se diría que pueden con todo y con todos. Ideología de género que afecta al modo de entender la vida, la familia, el matrimonio, la muerte… Todo bañado con el edulcorado recurso a los derechos humanos y la culpable negligencia, cuando no acción descarada,  de gobiernos e instituciones internacionales que deberían velar por el bien común de sus ciudadanos en lugar de promover políticas que no tienen el aval científico y que están empezando a crear problemas de convivencia y de reducción de libertades.
La ideología de género es un instrumento de destrucción. No aporta nada positivo al ser humano. Su propuesta de crear una agenda de discriminación positiva sobre las personas LGTB se vuelve en contra de ellas. Confunde, conscientemente, la biología con la antropología, los derechos del hombre y la naturaleza de la persona en su sentido racional y animal. Pretenden obligarnos a aceptar que la diferencia de sexos es una construcción social, que la elección y cambio de sexo no corresponde a la naturaleza de la persona sino a su voluntad. ¿Qué pretende esta ideología? Lo primero, destruir a la familia. Posteriormente, una vez destruida la familia como institución social –esperemos que no lo consigan–, tener individuos aislados que ante su soledad queden a merced del Estado, creando una dependencia absoluta del mismo y perdiendo con ello su libertad individual.

Desde la American College of Pediatricians (Colegio de Pediatras de EE.UU.) subrayan que “nadie nace con un género: todos nacen con un sexo biológico”. El género, la percepción de sentirse como hembra o varón, es un concepto psicológico y sociológico, no un concepto biológico objetivo.Los profesores Lawrence y Mayer acaban de un Informe sobre las consecuencias que está teniendo estas políticas, que nos aportan interesantes y, a la vez, preocupantes datos. 

Mientras tanto, en nuestro país vamos aprobando leyes, en el ámbito de las Comunidades Autónomas, que persiguen toda manifestación contraria a los postulados de la ideología de género. Ya se ha dado algún caso denuncia (el de Elena Lorenzo, coach profesional, por ejemplo). Parece que hay que hilar muy fino para no herir la sensibilidad de algunos. Seremos testigos de más casos. Aquel grito que inundó nuestras calles al comienzo de la democracia: "Libertad, libertad" va camino de volver al exilio. Son los demócratas de nuevo cuño.

Una nueva dictadura, en toda regla. Hablamos continuamente de libertad, de derechos y se intenta, a través de los defensores de esta ideología, crear mordazas utilizando las leyes  de reciente cuño. Posiblemente estemos ante uno de los mayores atentados a la libertad del hombre que se haya producido en la historia. Hay que detenerse a considerar, tal como reflejamos al inicio de este artículo, quiénes son sus más feroces defensores (la ONU, el gobierno americano, el Parlamento Europeo…). Las presiones son máximas y, o se tiene la suficiente fortaleza y las  ideas claras, o lo fácil es sucumbir. Ese es el caso de nuestros gobiernos, que prefieren estar al lado del malo pero fuerte, en vez de liderar posiciones claras, nítidas y ajustadas a la dignidad del hombre, aunque sea a riesgo de no recibir tantos parabienes. Luego nos lamentamos de que exista una desafección con la política, gobiernos e instituciones internacionales. El ejemplo más próximo y claro lo tenemos en el Brexit. ¿Cuántas nuevas salidas veremos los próximos años? Hay países que desean permanecer en la Unión Europea, pero reclaman recuperar soberanía. Tengamos los ojos abiertos y veamos lo que ocurre.

Ángel Pintado, 26 septiembre 2016

Publicado en Valores y Sociedad.

Ángel Pintado fue senador del PP por Huesca (2011-2015).

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





26/09/2016

Tens de pensar na tua vida e pedir perdão

Com serenidade, sem escrúpulos, tens de pensar na tua vida e pedir perdão e fazer o propósito firme, concreto e bem determinado, de melhorar neste aspecto e naquele outro: nesse pormenor que te custa e naquele que habitualmente não cumpres como deves, e bem o sabes. (Forja, 115)

Enche-te de bons desejos, que são uma coisa santa e que Deus louva. Mas não fiques apenas nisso! Tens que ser uma alma – homem, mulher – de realidades. Para levar a cabo esses bons desejos, precisas de formular propósitos claros, precisos.

– E, depois, meu filho, luta para pô-los em prática, com a ajuda de Deus! (Forja, 116)

Repara na tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam.

– Lembra-te, filho, que não são menos importantes os micróbios do que as feras. E tu cultivas esses erros, esses enganos – como se cultivam os micróbios no laboratório –, com a tua falta de humildade, com a tua falta de oração, com a tua falta de cumprimento do dever, com a tua falta de conhecimento próprio... E, depois, esses focos infectam o ambiente.


Precisas de um bom exame diário de consciência, que te conduza a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados. (Forja, 481)

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
16 - [1]

Alguns amigos meus dizem-me que tenho de ser mais “flexível”.
Não sei bem o que querem dizer com isto.
Que te parece?

Respondo:

Pode dizer-se que a Flexibilidade é a capacidade de mudar de atitude ou forma de pensar adaptando-se a determinadas circunstâncias, sem necessariamente, e de uma forma geral, implicar uma mudança de opinião ou convicções mais profundas.
Claro que é necessário ter uma atenção especial para não se cair na contradição da constância, por exemplo, mas, ao contrário, apoiar-se mais noutras virtudes como, por exemplo: a Humildade, a Confiança, a Obediência, a Simplicidade, a Mansidão, a Amizade e a Fraternidade.

A irredutibilidade de opinião, conceito ou critério é, quase sempre sinal de falta de humildade e, bastantes vezes de orgulho e autoconvencimento.
Fechar-se num hermetismo impassível ao que se passa à sua volta, completamente alheio das opiniões ou conceitos dos outros, sejam quem forem, conduz a um anquilosamento da personalidade que torna a pessoa antipática e pouco ou nada participativa na vida social.
Numa espécie de ilha – como já falámos – sente-se dono e senhor de umas razões e certezas que não está disponível para avaliar e, muito menos, discutir.
Não evolui, não cresce, não melhora.

A atitude contrária manifesta-se na abertura às opiniões dos outros, contrastando-as com as próprias e elegendo as que, em consciência, parecem mais adequadas à circunstância.
Não se trata de ceder; mas de aceitar, de submissão mas de cooperação.
É a virtude da flexibilidade que nos permite ir pela vida colhendo a beneficiando das experiências e conhecimentos dos outros, adaptando-nos, usando a Humildade, a Confiança, a Amizade e a Fraternidade para, com Simplicidade e Mansidão, progredir nas demais virtudes que devem estar sempre presentes.
Sem elas, seria muito difícil, ou mesmo impossível, ao homem progredir no caminho do bem, da melhoria pessoal e alheia, dando à sociedade o contributo que tem obrigação de dar. [i]


[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.



[i] (Cfr, ama, in Migalhas para o Caminho I, pg. 54)

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Lc 9, 46-50

46 Começaram a discutir entre si sobre qual deles era o maior. 47 Jesus, vendo os pensamentos do seu coração, tomou pela mão uma criança, pô-la junto de Si, 48 e disse-lhes: «Aquele que receber esta criança em Meu nome, a Mim recebe; e quem Me receber, recebe Aquele que Me enviou. Porque quem de entre vós é o menor, esse é o maior». 49 João, tomando a palavra, disse: «Mestre, nós vimos um que expulsava os demónios em Teu nome e lho proibimos, porque não anda connosco». 50 Jesus respondeu-lhe: «Não lho proibais, porque quem não é contra vós é por vós».

Comentário:

A mim parece-me que o desejo de ser "o maior no Reino de Deus" é algo legítimo e bom.

Diria mais: que é um anseio, um objectivo absolutamente meritório.

Só que para ser assim depende exclusivamente do critério e da legitimidade do nosso querer. Ou seja, fazer o que esteja ao nosso alcance para conquistar essa honra e ter bem presente que o que fizemos de bom nunca será por mérito próprio mas por bondade e misericórdia de Deus.

(ama, comentário sobre Lc 9, 46-50, Cascais, 2015.09.28)








Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Leitura espiritual

Leitura Espiritual


Amigos de Deus



São Josemaria Escrivá

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Talvez - examina-te a fundo - também nós não mereçamos o elogio que esse cura de aldeia fazia à burra.
Trabalhámos muito, ocupámos tantos cargos de responsabilidade, triunfaste nesta e naquela tarefa humana... mas, na presença de Deus, não encontras nada de que devas lamentar-te?
Procuraste de verdade servir a Deus e aos homens teus irmãos, ou fomentaste o teu egoísmo, a tua glória pessoal, as tuas ambições, o teu êxito exclusivamente terreno e penosamente caduco?

Se falo um pouco cruamente, é porque quero fazer uma vez mais um acto de contrição muito sincero e porque queria que cada um de vocês também pedisse perdão.
Perante as nossas infidelidades, à vista de tantos enganos, de fraquezas, de cobardias - cada um com as suas -, repitamos do fundo do coração a Nosso Senhor aquelas exclamações contritas de S. Pedro: Domine, tu omnia nosti, tu scis quia amo te!; Senhor! Tu sabes tudo, Tu sabes que te amo, apesar das minhas misérias!
E atrevo-me a acrescentar: Tu sabes que te amo, precisamente por causa dessas minhas misérias, pois elas levam-me a apoiar-me em Ti, que és a fortaleza: quia Tu es, Deus, fortitudo mea.
E a partir daqui, recomecemos.

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Procurar a presença de Deus

Vida interior.
Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os dias...; santidade para santificar os outros.
Numa certa ocasião, um meu conhecido - nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem - sonhava que ia a voar num avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas.
Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava!
Parecia que Nosso Senhor lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas - inseguras, inquietas - as almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo constante de caírem, sofrendo, incertas.

E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se extraviarem os que se lançam à acção - ao activismo - prescindindo da oração, do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da Guarda...
Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível, para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.

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Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os outros, no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de Deus, com uma conversa - um diálogo - que não se manifesta exteriormente.
Melhor dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de notar-se pelo empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as tarefas, tanto as importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com essa constância, seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de Deus, pois teríamos desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou providencialmente ao nosso alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito, à medida da idade perfeita segundo Cristo.

Durante a última guerra de Espanha, fazia viagens com frequência para atender sacerdotalmente muitos rapazes que se encontravam na frente da batalha.
Numa trincheira, ouvi um diálogo que me ficou muito gravado.
Perto de Teruel, um soldado bastante novo comentava acerca de outro, pelos vistos um pouco indeciso, pusilânime: não é um homem às direitas!
Teria um grande desgosto se se pudesse afirmar de qualquer de nós, com fundamento, que somos incoerentes; homens que afirmam que querem ser autenticamente cristãos, santos, mas que desprezam os meios, já que não manifestam continuamente a Deus o seu carinho e o seu amor filial no cumprimento das suas obrigações. Se a nossa actuação se revelasse assim, tu e eu também não seríamos cristãos íntegros.

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Procuremos fomentar no fundo do coração um desejo ardente, um empenho grande por alcançar a santidade, apesar de nos vermos cheios de misérias.
Não se assustem; à medida que se avança na vida interior, conhecem-se com mais clareza os defeitos pessoais.
O que acontece é que a ajuda da graça se transforma como que numa lente de aumentar e o mais pequeno cotão, o grãozinho de areia quase imperceptível aparecem com dimensões gigantescas, porque a alma adquire a finura divina e até a sombra mais pequena incomoda a consciência, que só gosta da limpeza de Deus.
Diz-lhe agora, do fundo do coração: Senhor, a sério que quero ser santo, a sério que quero ser um teu discípulo digno e seguir-te sem condições.
E depois, hás-de propor a ti próprio a intenção de renovar diariamente os grandes ideais que te animam nestes momentos.

Jesus, se nós, que nos reunimos no teu Amor, fôssemos perseverantes!
Se conseguíssemos traduzir em obras esses anseios de santidade que Tu próprio despertas nas nossas almas!

Perguntemo-nos a nós próprios com frequência: para que estou eu na terra?

E assim hão-de procurar acabar perfeitamente - com muita caridade - as tarefas que empreenderem em cada dia e cuidar das coisas pequenas.
Debrucemo-nos sobre o exemplo dos santos: pessoas como nós, de carne e osso, com fraquezas e debilidades, que souberam vencer e vencer-se por amor de Deus; consideremos a sua conduta e - como as abelhas que destilam de cada flor o néctar mais precioso - aproveitemo-nos das suas lutas.
Assim também havemos de aprender a descobrir muitas virtudes nos que nos rodeiam - dão-nos lições de trabalho, de abnegação, de alegria... - sem nos determos demasiado nos seus defeitos; só quando for imprescindível, para os ajudar com a correcção fraterna.

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Na barca de Cristo

Como a Nosso Senhor, também a mim me agrada muito falar de barcas e de redes, para todos tirarmos propósitos firmes e concretos dessas cenas evangélicas.

S. Lucas conta-nos que uns pescadores lavavam e remendavam as redes à beira do lago de Genesaré. Jesus aproxima-se de uma daquelas naves atracadas na margem e sobe a uma delas, a de Simão.
Com que naturalidade se mete o Mestre na vida de cada um de nós para nos complicar a vida, como se repete por aí em tom de queixa. Nosso Senhor cruzou-se convosco e comigo no nosso caminho, para nos complicar a existência, delicadamente, amorosamente.

Depois de pregar da barca de Pedro, dirige-se aos pescadores: duc in altum, et laxate retia vestra in capturam, remai para o mar alto e lançai as redes!

Fiados na palavra de Cristo, obedecem e obtêm aquela pesca prodigiosa.
Olhando para Pedro que, como Tiago e João, estava pasmado, Nosso Senhor explica-lhe: não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens.
E, trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram-no.

A tua barca - os teus talentos, as tuas aspirações, os teus êxitos - não vale para nada, a não ser que a ponhas à disposição de Jesus Cristo, que permitas que Ele possa entrar nela com liberdade, que não a convertas num ídolo.
Sozinho, com a tua barca, se prescindires do Mestre, sobrenaturalmente falando, encaminhas-te directamente para o naufrágio.
Só se admitires, se procurares a presença e o governo de Nosso Senhor, estarás a salvo das tempestades e dos reveses da vida.
Põe tudo nas mãos de Deus: que os teus pensamentos, as aventuras boas da tua imaginação, as tuas ambições humanas nobres, os teus amores limpos, passem pelo coração de Cristo.
De outra forma, mais tarde ou mais cedo, irão a pique com o teu egoísmo.

(cont)