17/06/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 6, 19-23

19 «Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões arrombam as paredes e roubam. 20 Entesourai para vós tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem a traça os consomem, e onde os ladrões não arrombam as paredes nem roubam. 21 Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração. 22 «O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho for são, todo o teu corpo terá luz. 23 Mas, se teu olho for malicioso todo o teu corpo estará em trevas. Se, pois, a luz que há em ti é trevas, quão tenebrosas serão essas trevas!

Comentário:

No cofre do nosso coração guardamos o nosso maior Tesouro: a nossa Fé!

Guardemo-lo com autêntica  avareza mais, esforcemo-nos por aumentá-lo até não caber mais e termos reservas suficientes para toda a nossa vida.

(ama, comentário sobre Mt 6, 19-23, 2015.06.19)




16/06/2016

Pequena agenda docristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Temas para meditar - 646




O Senhor ensina-nos que devemos ser humildes e que devemos procurar conforto nos outros quando estivermos tristes, ainda que o que tenta consolar-nos seja mais ignorante do que nós.

(luís de la palmaA Paixão do Senhor 1991 pg. 81-82)

Leitura espiritual

Leitura Espiritual

INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO SEGUNDO

Desenvolvimento da Fé em Cristo nos Artigos Cristológicos do Símbolo

4. Ressurgiu dos mortos
…/2

Antes de mais, está completamente claro que Cristo ressuscitado não retornou à sua vida terrestre anterior, como se afirma, por exemplo, do jovem de Naim e de Lázaro. Cristo ressurgiu para a vida definitiva que não se subordina mais às leis químicas e biológicas, estando por isto fora da possibilidade da morte, dentro da eternidade concedida pelo amor. Por isso os encontros com Cristo são "aparições"; por isso, aquele do qual, dois dias antes, se era comensal na ceia, não é reconhecido nem sequer pelos seus amigos mais íntimos e, mesmo reconhecido, continua estranho: ele só é visto onde concede visão; só onde abre os olhos e o coração se deixa abrir é que se torna reconhecível neste mundo mortal a face do vencedor da morte e, nesta face, o outro mundo: o mundo que há-de vir. Por isso é tão difícil, raiando mesmo pelo impossível, aos Evangelhos descrever os encontros com o ressuscitado; por isso eles balbuciam apenas, ao falar do ressuscitado, dando a impressão de contradizer-se, ao descrevê-lo. Na realidade, os Evangelhos revelam uma espantosa unidade na dialética de suas informações, na simultaneidade do tocar e do não tocar, do reconhecer e do não reconhecer, da total identidade entre crucificado e ressuscitado, e na sua completa mudança. Os discípulos reconhecem o Senhor e não o reconhecem; palpam-no, mas ele é o intocável; ele é o mesmo e, contudo, é o todo outro. Como se disse, esta dialética é sempre a mesma; mudam apenas os recursos de estilo com que ela se exprime. 

Examinemos mais de perto, sob este aspecto, o episódio dos discípulos de Emaús, com que já nos deparamos de passagem. À primeira vista tem-se a impressão de estarmos diante de uma descrição totalmente terrena, maciça, como se nada restasse do mistério indescritível que encontramos nos relatos paulinos. Parece predominar totalmente a tendência de enfeitar, de lançar mão de um concreto lendário, apoiada numa apologética que busca dados palpáveis, recolocando completamente o Senhor ressuscitado dentro da história terrena. Contudo opõe-se a isto o seu misterioso aparecimento e o não menos misterioso desaparecimento. Mais ainda se opõe a circunstância de ele se conservar irreconhecível ao olhar comum. Não é possível identificá-lo como durante a sua vida terrena. Ele se descobre exclusivamente na esfera da fé; mediante a explicação da Escritura incendeia o coração dos dois viandantes, e à fracção do pão abre-lhes os olhos. Temos aí a indicação dos dois elementos fundamentais da antiga liturgia cristã a qual é integrada de liturgia da palavra (leitura e interpretação da Escritura) e liturgia da fracção do pão eucarístico. Assim o evangelista faz ver que o encontro com o Ressuscitado se situa em um plano totalmente novo; tenta descrever o indescritível, mediante o código dos acontecimentos litúrgicos. Com isto oferece, simultaneamente, uma teologia da Ressurreição e da liturgia: o Ressuscitado é encontrado na palavra e no sacramento; o serviço divino é a maneira pela qual ele se nos torna tangível e reconhecível como vivo. Vice-versa, liturgia baseia-se no mistério pascal; há de ser compreendida como a aproximação do Senhor a nós, a tornar-se companheiro nosso de viagem, incendiando o coração embotado, abrindo os olhos fechados. Cristo continua indo conosco, volta sempre a encontrar-nos desanimados e queixosos, continua dispondo da força para fazer-nos ver.

Naturalmente isto tudo diz apenas a metade. O testemunho do Novo Testamento estaria falseado, se quiséssemos ficar apenas nisto. A experiência do Ressuscitado é algo diverso do encontro com um homem da nossa história; muito menos ainda pode ela ser reduzida a conversas à mesa e a recordações que se tivessem afinal condensado na ideia de que ele vive e de que a sua obra prossegue. Uma explicação assim aplaina o evento na direcção oposta, nivelando-o à esfera humana, privando-o do que lhe é peculiar. Os relatos da ressurreição são algo diferente e algo mais que meras cenas litúrgicas camufladas: eles permitem ver o acontecimento fundamental sobre o qual se ergue toda a liturgia cristã. Testemunham um acontecimento que não brotou dos corações dos discípulos, mas que lhes sobreveio de fora, dominando-os, de encontro à sua dúvida, e infundindo-lhes a certeza de que "o Senhor ressuscitou verdadeiramente". O que jazera no sepulcro não está mais lá, mas vive – é realmente ele mesmo quem vive. O que fora arrebatado para o outro mundo de Deus, mostrou-se entretanto ser tão poderoso que tornava palpável ser ele mesmo quem estava diante deles; mostrou ter-se comprovado nele mais forte o poder do amor do que o poder da morte.

Somente tomando isto tudo tão a sério como o que fora dito anteriormente é que se conservará a fidelidade ao testemunho do Novo Testamento; só assim se salvará a sua seriedade cosmo-histórica. A tentativa mais que cómoda de, por um lado, dispensar a fé no mistério da potente actuação de Deus neste mundo, e no entanto simultaneamente querer ter a satisfação de conservar-se no terreno da mensagem bíblica esta tentativa conduz ao vácuo: não satisfaz nem à honestidade da razão nem às razões da fé. Não é possível conservar juntas a fé cristã e a "religião nos limites da razão pura"; a opção é inevitável. Naturalmente, o crente verá com clareza crescente quão repleta de razão está a adesão àquele amor que venceu a morte.


joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)






Doutrina – 176

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS

80. Como se difunde esta Boa Nova?


Desde o início os primeiros discípulos tiveram um ardente desejo de anunciar Jesus Cristo, com o fim de conduzir à fé n’Ele. Também hoje, do amoroso conhecimento de Cristo nasce o desejo de evangelizar e catequizar, isto é, de revelar na sua pessoa o pleno desígnio de Deus e de colocar a humanidade em comunhão com Ele.

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 6, 7-15

6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, ora a teu Pai; e teu Pai, que vê o que se passa em segredo, te dará a recompensa.7 Nas vossas orações não useis muitas palavras como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8 Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais. 9 «Vós, pois, orai assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.10 «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.11 O pão nosso supersubstancial nos dá hoje.12 Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.14 «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará.15 Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas.

Comentário:

Hoje, optei por não comentar este trecho de São Mateus por rezá-lo detidamente tentando interiorizar bem todo o significado das palavras que contêm o pensamento de Jesus Cristo acerca da oração que nos convém fazer.

(Confesso… tive muito… muitíssimo mais “trabalho”…)

(ama comentário sobre Mt 6, 7-15, 2016.02.16)




Sem Ele nada podemos

Quando sentires o orgulho que ferve dentro de ti – a soberba! –, que faz com que te consideres um super-homem, chegou o momento de exclamar: – Não! E, assim, saborearás a alegria do bom filho de Deus, que passa pela terra com erros, mas fazendo o bem. (Forja, 1054)

Vedes como é necessário conhecer Jesus, observar amorosamente a sua vida? Muitas vezes fui à procura da definição da biografia de Jesus na Sagrada Escritura. Encontrei-a lendo aquela que o Espírito Santo faz em duas palavras: pertransiit benefaciendo. Todos os dias de Jesus Cristo na terra, desde o seu nascimento até à morte, pertransiit benefaciendo, foram preenchidos fazendo o bem. Como, noutro lugar, a Escritura também diz: bene omnia fecit, fez tudo bem, terminou bem todas as coisas, não fez senão o bem.


E tu? E eu? Lancemos um olhar para ver se temos alguma coisa que emendar. Eu, sim, encontro em mim muito que fazer. Como me vejo incapaz, só por mim, de fazer o bem e, como o próprio Jesus nos disse que sem Ele nada podemos, vamos tu e eu implorar ao Senhor a sua assistência, por meio de sua Mãe, neste colóquio íntimo, próprio das almas que amam a Deus. Não acrescento mais nada, porque é cada um de vós que tem de falar, segundo a sua particular necessidade. Por dentro, e sem ruído de palavras, neste mesmo momento em que vos dou estes conselhos, aplico esta doutrina à minha própria miséria. (Cristo que passa, 16)

Reflectindo - 190 - Como falar a quem não entende?

Como se pode falar a quem não entende o que dizemos?

Pode parecer estranha a questão mas, no entanto, acontece com mais frequência que o que se pensa.

Por qualquer motivo mas principalmente por ignorância pura e simples, alguns constroem dentro de si como que barreiras atrás das quais se refugiam para não serem "obrigados" a preocuparem-se.

Estas barreiras são constituídas por argumentos e silogismos velhos como o mundo.

'Se não vir... não acreditarei', é o mais comum.

Não são capazes de responder a uma simples pergunta como:

'Podes garantir que se vires aceitarás'?

O facto é que a honestidade pessoal irá obriga-lo a responder que não sabe.

Compreende-se porque, de facto, não saiba se o que vê corresponde ao que esperaria ver.

‘Não acredito em Deus porque não o vejo, não sinto, não o ouço’.

Mas, se o próprio Deus Se pusesse à sua frente e lhe dissesse: 'aqui me tens, eu sou, Deus!', porque haveria de acreditar?

Afinal tratar-se-ia de uma declaração feita por um desconhecido sem nada que confirme que diz a verdade.

Deus não tem um "bilhete de identidade" que confirme que é Deus como, por exemplo, o meu confirma que sou fulano, filho de, nascido em, na data tal!

Este meu bilhete de identidade é emitido pelo poder público e, por isso, merece toda a credibilidade.

Mas, Deus, não tem filiação, não nasceu e não tem nenhum poder acima que Lhe seja superior.

Logo, não tem forma de provar Quem É a não ser por si mesmo.

Bom… isto é uma evidência ou não?



ama, 2016.03.08

15/06/2016

Conselhos para enfrentar a morte de forma cristã - 5

Conselhos para enfrentar a morte de forma cristã

5. Acompanhar, aconselhar e ajudar os familiares dos que partiram

Quando perdemos alguém, é comum refugiarmo-nos na solidão, nas lágrimas, no silêncio, na depressão. A nossa tarefa cristã é acompanhar as pessoas que passam por isso, recordando tudo o que a pessoa falecida fez de bom ao longo de sua vida, e que sua morte não é um fim, mas uma continuidade no amor de Deus.

Fonte: pildorasdefe


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Doutrina – 175

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS


79. Qual é a Boa Nova para o homem?


É o anúncio de Jesus Cristo, «o Filho do Deus vivo» (Mt 16,16), morto e ressuscitado. No tempo do rei Herodes e do imperador César Augusto, Deus cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência enviando «o Seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei, e nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4-5).

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 6, 1-6 16-18

1 «Guardai-vos de fazer as boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. De contrário não tereis direito à recompensa do vosso Pai que está nos céus.2 «Quando, pois, dás esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.3 Mas, quando dás esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita,4 para que a tua esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê o que fazes em segredo, te pagará.5 «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.6
16 «Quando jejuais, não vos mostreis tristes como os hipócritas que desfiguram o rosto para mostrar aos homens que jejuam. Na verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.17 Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto,18 a fim de que não pareça aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está presente no oculto, e teu Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa.

Comentário:

Neste trecho de São MATEUS Jesus Cristo faz a apologia da recta intenção.

É fundamental ter o espírito bem formado no sentido de que o que se faz a Deus ao aos outros ter origem na pureza de intenções e verdade nos actos.

Não fazer “por fazer” e, muito menos, fazer para que os outros vejam ou, até para auto-satisfação pessoal.

Não podemos ser como actores que representam ou personificam algo ou alguém que na verdade não somos.

Não pode ser!

Não deve ser!

Se rezo tenho a intenção de prestar culto a Deus de Lhe pedir algo, dar-lhe graças, satisfazer uma obrigação de um bom filho que é, em primeiro lugar, estar atento ao seu Pai, dar-lhe o que pede, prestar-lhe a homenagem a que tem direito.

E quanto aos outros igualmente porque se não somos absolutamente verdadeiros nas nossas relações não podemos esperar “retorno” que valha a pena.

Ser verdadeiro! Ser correcto! Ser honesto – até intelectualmente – nas intenções como nos actos.

(ama, comentário sobre Mt 6, 1-6 16-18, 2016.04.14)



Não me soltes, não me deixes

Recordaremos a Jesus que somos crianças. E as crianças, as crianças pequenitas e simples, muito sofrem para subir um degrau! Aparentemente, estão ali a perder tempo. Por fim, sobem. Agora, outro degrau. Com as mãos e os pés, e com o impulso do corpo todo, conseguem um novo triunfo: outro degrau. E voltam a começar. Que esforços! Já faltam poucos..., mas, então, uma escorregadela... e ei-lo!... por aí abaixo. Toda dorida, num mar de lágrimas, a pobre criança começa, recomeça a subida. – Assim acontece connosco, Jesus, quando estamos sozinhos. Pega-nos Tu nos teus braços amáveis, como um Amigo grande e bom da criança simples; não nos deixes enquanto não chegarmos lá acima; e então – oh então! –, saberemos corresponder ao teu Amor misericordioso com audácias infantis, dizendo-te, doce Senhor, que, fora de Maria e de José, não houve nem haverá mortal – e houve-os muito loucos – que te queira como te quero eu. (Forja, 346)

Eu vou continuando a minha oração em voz alta e vós, cada um de vós, por dentro, está confessando ao Senhor: Senhor, que pouco valho! Que cobarde tenho sido tantas vezes! Quantos erros! Nesta ocasião e naquela... nisto e naquilo... E podemos exclamar também: ainda bem, Senhor, que me tens sustentado com a tua mão, porque eu sinto-me capaz de todas as infâmias... Não me largues, não me deixes; trata-me sempre como um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me, como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo!

Não é presunção afirmar possumus! Jesus Cristo ensina-nos este caminho divino e pede-nos que o apreendamos porque Ele o tornou humano e acessível à nossa fraqueza. Por isso se rebaixou tanto: Este foi o motivo porque se abateu, tomando a forma de servo aquele Senhor que, como Deus, era igual ao Pai; mas abateu-se na majestade e na potência; não na bondade e na misericórdia.


A bondade de Deus quer tornar-nos fácil o caminho. Não rejeitemos o convite de Jesus; não Lhe digamos que não; não nos façamos surdos ao seu chamamento; pois não existem desculpas, não temos nenhum motivo para continuar a pensar que não podemos. Ele ensinou-nos com o seu exemplo. Portanto, peço-vos encarecidamente, meus irmãos, que não permitais que se vos tenha mostrado em vão exemplo tão precioso, mas que vos conformeis com Ele e vos renoveis no espírito da vossa alma. (Cristo que passa, 15)

14/06/2016

Leitura espiritual

Leitura Espiritual


INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO SEGUNDO

Desenvolvimento da Fé em Cristo nos Artigos Cristológicos do Símbolo

4. Ressurgiu dos mortos

A ressurreição de Jesus Cristo representa para o cristão garantia da certeza da veracidade da palavra que antes pareceria um belo sonho: "Forte como a morte é o amor" (Ct 8,6). No Antigo Testamento este verso está emoldurado em uma exaltação da força do eros. Isto não quer dizer que podemos deixá-lo de lado como exagero poético. Na ilimitada pretensão do eros, em seus aparentes excessos e exageros, de facto revela-se um problema básico, aliás o problema por excelência da existência humana, porquanto a essência e o paradoxo interno do amor se traem pelo seguinte: o amor exige o infinito, o indestrutível, amor é como que um grito pelo ilimitado. Com isto, porém, coexiste o facto de ser irrealizável um tal clamor; de o amor querer o infinito, mas sem poder conferi-lo; de o amor fazer questão do ilimitado; estando, porém, de facto, preso ao mundo da morte, à sua solidão e ao seu poder destrutivo. Nesta perspectiva pode-se compreender o que vem a ser "ressurreição". Ela é a superioridade do amor sobre a morte.

Ao mesmo tempo, o amor é a prova do que só a imortalidade é capaz de realizar: existir num outro, que continuará quando eu tiver desaparecido. O homem é um ente incapaz de viver eternamente por si, sendo necessariamente presa da morte. Continuar vivendo, ele, que em si mesmo não tem apoio nem chance, só se torna possível, para falar de modo humano, mediante a sua continuação num outro. Desta perspectiva é que se devem encarar as declarações da Escritura sobre morte e pecado. Porquanto, aqui se torna claro que a tentativa humana de "ser como Deus", o seu empenho para conquistar poder, para poder firmar-se a si mesmo e em si mesmo significa a sua morte, porque facto é que o homem não é capaz de manter-se em si. Não reconhecendo os seus limites e, apesar disto, fazendo questão de afirmar-se, tornando-se totalmente "autárquico" – em que consiste a verdadeira essência do pecado – o homem entrega-se, exactamente por isso, à morte.

Naturalmente, chegado a este ponto, o homem compreende que a sua vida não se conserva sozinha e que se lhe impõe estar nos outros, a fim de, através deles, permanecer entre os vivos. Foram dois os principais caminhos tentados para se alcançar esta meta. Primeiro, a sobrevivência na própria prole: daí o facto de os povos primitivos considerarem uma maldição o celibato e a infecundidade que denotam o naufrágio sem esperança, a morte definitiva. Ao inverso, o maior número possível de filhos dá hipóteses de sobrevivência, esperança de imortalidade e, assim, a bênção que o homem pode esperar. Um outro caminho se abre quando o homem descobre ser muito relativa e problemática a sobrevivência nos filhos, desejando que de si reste algo mais. Portanto refugia-se na ideia da glória que o fará realmente imortal, conferindo-lhe a sobrevivência na memória dos outros. Mas também a imortalidade pela permanência nos outros fracassa não menos do que a primeira tentativa: o que resta não é o "eu", mas apenas um eco, uma sombra. Portanto a imortalidade auto-criada torna-se um simples hades, um scheol: antes um não-ser do que um ser. A insuficiência dos dois caminhos provém do facto de não ser eu mesmo, mas apenas um eco de mim o que o outro é capaz de conservar de mim, após a minha morte; e ainda mais, baseia-se na circunstância de o outro, ao qual como que confiei o meu espólio, não permanecer para sempre: também ele há de ruir.

Isto conduz-nos ao próximo passo. Até agora vimos que o homem não tem nenhum ponto de apoio para si mesmo, consequentemente podendo subsistir somente no outro; no outro, porém, ele só se revê como sombra e não definitivamente porque também o outro se esvai. Sendo assim, só existe um capaz de conferir a conservação, a permanência , aquele que "é", que não devém nem se esvai, mas que se conserva na torrente do devir e da passagem: o Deus dos vivos, que não conserva apenas a sombra e o eco do meu ser, o Deus, cujos pensamentos não são meras imitações da realidade. Eu mesmo sou o seu pensamento, o qual, por assim dizer, me ergue antes mesmo de eu ser; o seu pensamento não é a sombra posterior, mas a força original da minha existência. Nele não só me é facultado existir como sombra, mas nele posso existir em verdade, mais perto de mim do que tentando existir só por mim.

Antes de retornar à ressurreição, tentemos encarar este mesmo tema ainda sob um ângulo diferente. Podemos voltar à ideia de amor e ao tema morte e dizer: só onde o valor do amor ultrapassa o da morte, isto é, onde alguém está disposto a colocar a vida atrás do amor e por causa do amor, somente ali o amor será capaz de ser mais forte do que a morte. Para ser mais forte do que a morte, o amor há-de ser primeiramente mais do que a vida. Se conseguisse isto não só pela vontade, mas de facto, significaria que a força do amor se teria elevado acima da capacidade biológica, colocando-a a seu serviço. Falando-se em termos de Teilhard de Chardin: onde tal coisa se desse, teria lugar a decisiva "complexidade" e "complexão"; ali também o bios (a vida) estaria envolvido e incluído no poder do amor. Ali o amor ultrapassaria a sua fronteira – a morte – gerando união onde a morte cria separação. Se a força do amor ao outro fosse forte a ponto de estar capacitada a conservar viva não só a sua memória, a sombra do seu "eu", mas o próprio outro, teria sido alcançado um novo degrau de vida, que deixaria para trás a esfera das mutações e evoluções biológicas, conotando o salto a uma esfera totalmente nova, na qual o amor não estaria mais sujeito ao bios, mas dele se haveria de servir. Um tal derradeiro grau de "mutação" e de "evolução" não seria mais um grau biológico, mas denotaria a fuga ao monodomínio do bios, que é, ao mesmo tempo, domínio da morte; abriria aquele espaço, chamado zoe na Bíblia grega, isto é, vida definitiva que deixou para trás o regime da morte. O último degrau da evolução, de que o mundo está necessitado para alcançar a sua meta, não teria sido realizado dentro do biológico, mas pelo espírito, pela liberdade, pelo amor. Não seria mais evolução, mas opção e dádiva em um.

Mas, que é que tudo isto tem de comum com a ressurreição de Jesus? Ora, até aqui consideramos o problema da imortalidade do homem de dois lados que, aliás, se revelam agora como facetas de um único e idêntico estado de coisas. Dado que o homem por si mesmo não dispõe de meios para subsistir, afirmamos que a sua sobrevivência somente poderá originar-se através da sua continuação em vida, num outro. E dissemos a respeito deste "outro" que somente o amor que admite o amado no seu íntimo estaria em condições de possibilitar essa existência num outro. Ao meu ver, os dois aspectos complementares espelham-se nas duas formas de apresentar a ressurreição do Senhor no Novo Testamento: "Jesus ressurgiu" e "Deus (Pai) ressuscitou a Jesus". As duas fórmulas coincidem no facto de o amor total de Jesus aos homens, amor que o levou à cruz, se completar na sua total transferência para o Pai, tornando-se assim mais forte do que a morte, por ser, ao mesmo tempo, totalmente sustentado por ele.

Daqui se segue um outro passo. Podemos afirmar que o amor serve sempre de fundamento para alguma espécie de imortalidade; inclusive nas suas gradações sub-humanas o amor aponta para esta direcção, em forma de conservação das espécies. Aliás, servir de base para a imortalidade não é algo de acidental ao amor, algo que o amor eventualmente fizesse ao lado de outras coisas, mas constitui a sua verdadeira natureza. Esta afirmação pode ser invertida, significando então que a imortalidade sempre nasce do amor, jamais da autarquia de quem julga bastar-se a si próprio. Podemos até atrever-nos a afirmar que esta constatação, bem compreendida, vale mesmo em relação a Deus, tal como o vê a fé cristã. Também Deus é puro estar e subsistir, face a todo o contingente, por ser relação das três Pessoas entre si, por ser abismar-se na reciprocidade do amor, por ser amor vivo exclusivamente da mútua correlação. Não é divina aquela autarquia que a ninguém conhece senão a si, afirmamos anteriormente. A revolução na imagem cristã do mundo e de Deus, em relação ao mundo antigo, encontramo-la no facto de ela ensinar a compreender o "absoluto" como absoluta "relatividade", como relatio subsistens.

Voltemos ao assunto. Amor fundamenta imortalidade e imortalidade nasce exclusivamente de amor. Esta constatação a que agora chegamos significa que aquele que amor por todos, também fundou imortalidade para todos. Este é o sentido exacto da afirmação bíblica de que a sua ressurreição é a nossa vida. O argumento de S. Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, tão estranho à nossa mentalidade, torna-se compreensível dentro desta perspectiva: se Cristo ressurgiu, também nós, pois neste caso o amor é mais forte do que a morte; se não ressurgiu, nós também não, porquanto a morte continua estando com a última palavra (cfr. 1Cor 15,16 s). Trata-se de um assunto fundamental, por isto tornamos a tecer outra série de considerações em torno do pensamento paulino: amor ou é ou não é mais forte do que a morte. Se o amor se tornou mais forte do que a morte, deve-o ao facto de ser amor pelos outros. O que, naturalmente, significa que o nosso próprio amor isolado não basta para vencer a morte, mas, considerado em si, deveria continuar como um apelo não completado. Isto quer dizer que unicamente o seu amor, coincidente com o divino poder de vida e de amor, é capaz de servir de base para a nossa imortalidade. Apesar disto, continua válido que a maneira da nossa imortalidade há de depender da maneira do nosso amor. Teremos de tornar ao assunto quando tratarmos do julgamento.

Ainda outra conclusão pode ser tirada do que foi exposto. É evidente que a vida do ressuscitado não será uma repetição do bios, da forma biológica da nossa vida mortal intra-histórica, mas será zoe, vida nova, outra, definitiva; vida que ultrapassou o espaço mortal da história da vida, ultrapassado aí por um poder maior. Os relatos do Novo Testamento sobre a ressurreição permitem reconhecer muito claramente que a vida do Ressuscitado não se situa dentro da bios-história, mas fora e acima da mesma. Naturalmente, essa nova vida comprovou-se e devia comprovar-se na história, porquanto ela existe para a história, e anúncio cristão, no fundo, nada mais é do que passar adiante o testemunho de que o amor conseguiu atravessar a morte, transformando assim fundamentalmente a situação de todos. Com tais suposições não é difícil encontrar a hermenêutica certa para a penosa tarefa de interpretar os textos bíblicos sobre a ressurreição, isto é, a de conseguir clareza sobre o sentido em que eles devem ser correctamente compreendidos. Evidentemente não podemos tentar aqui um debate sobre os diversos aspectos deste assunto, que se apresentam, hoje mais do que nunca, muito complexos, principalmente pelo facto de declarações históricas – em geral insuficientemente amadurecidas – e filosóficas irem formando um novelo mais intrincado e, não poucas vezes, a exegese criar, para seu uso, a sua própria filosofia, que ao não iniciado há-de causar a impressão de uma elevação do facto bíblico ao mais alto grau. Sempre ficará muita coisa discutível em concreto, a respeito deste assunto; contudo, não se pode deixar de reconhecer um limite básico entre interpretação que é interpretação e adaptações pessoais.


joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)






Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Doutrina – 174

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

A queda

78. Depois do primeiro pecado, o que fez Deus?


Após o primeiro pecado, o mundo foi inundado por pecados, mas Deus não abandonou o homem ao poder da morte. Pelo contrário, pré-anunciou de modo misterioso – no «Proto-evangelho» (Gn 3,15) – que o mal seria vencido e o homem levantado da queda. É o primeiro anúncio do Messias redentor. Por isso a queda será mesmo chamada feliz culpa, porque «mereceu um tal e tão grande Redentor» (Liturgia da Vigília pascal).