27/03/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Jo 20, 1-9

1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada do sepulcro. 2 Correu então, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo a quem Jesus amava, e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3 Partiu, pois, Pedro com o outro discípulo e foram ao sepulcro. 4 Corriam ambos juntos, mas o outro discípulo corria mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 Tendo-se inclinado, viu os lençóis no chão, mas não entrou. 6 Chegou depois Simão Pedro, que o seguia, entrou no sepulcro e viu os lençóis postos no chão, 7 e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus, que não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. 8 Entrou também, então, o outro discípulo que tinha chegado primeiro ao sepulcro. Viu e acreditou. 9 Com efeito, ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos.

Comentário:

Cristo vive. Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou; triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais - foi com esta invocação que um anjo saudou as mulheres que iam ao sepulcro. Não temais. Procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ressuscitou; não está aqui. Haec est dies quam fecit Dominus, exultemus et laetemur in ea - este é o dia que o Senhor fez; alegremo-nos. O tempo pascal é tempo de alegria, de uma alegria que não se limita a esta época do ano litúrgico, mas mora sempre no coração dos cristãos. Porque Cristo vive. Cristo não é uma figura que passou, que existiu em certo tempo e que se foi embora, deixando-nos uma recordação e um exemplo maravilhosos. Não. Cristo vive. Jesus é Emanuel: Deus connosco. A sua Ressurreição revela-nos que Deus não abandona os seus. Pode a mulher esquecer o fruto do seu seio e não se compadecer do filho das suas entranhas? Pois ainda que ela se esquecesse, eu não me esquecerei de ti, havia-nos Ele prometido. E cumpriu a promessa. Deus continua a ter as suas delícias entre os filhos dos homens.
Cristo vive na sua Igreja. "Digo-vos a verdade: convém-vos que Eu vá; porque se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-lo-ei". Esses eram os desígnios de Deus: Jesus morrendo na Cruz, dava-nos o Espírito de Verdade e de Vida. Cristo permanece na sua Igreja: nos seus sacramentos, na sua liturgia, na sua pregação, em toda a sua actividade.
De modo especial, Cristo continua presente entre nós nessa entrega diária que é a Sagrada Eucaristia. Por isso a Missa é o centro e a raiz da vida cristã. Em todas as Missas está sempre presente o Cristo total, Cabeça e Corpo. Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso. Porque Cristo é o Caminho, o Mediador. Nele tudo encontramos; fora d'Ele a nossa vida torna-se vazia. Em Jesus Cristo, e instruídos por Ele, atrevemo-nos a dizer - audemus dicere - Pater noster, Pai-nosso. Atrevemo-nos a chamar Pai ao Senhor dos Céus e da Terra.
A presença de Jesus vivo na Sagrada Hóstia é a garantia, a raiz e a consumação da sua presença no Mundo.

(s. josemaria escrivá, Homilia pronunciada no Domingo de Páscoa, 26.03.1967)

Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO - CONFISSÕES

CAPÍTULO XXI

A verdade das escrituras
Por isso lancei-me avidamente sobre as veneráveis escrituras inspiradas pelo teu Espírito, sobretudo ao do apóstolo Paulo. E desvaneceram-se em mim aquelas dificuldades nas quais julguei descobrir contradições entre ele e o seu texto, em desacordo com os testemunhos da Lei e dos Profetas. Compreendi a unidade daqueles castos escritos, e aprendi a alegrar-me com temor.

Comecei a lê-los e compreendi que tudo o que de verdadeiro que lera nos tratados dos neoplatónicos se encontrava ali, mas com o aval da tua graça, para que aquele que vê não se glorie como se não houvesse recebido não só o que vê, mas também a faculdade de ver. Com efeito, que tem ele que não tenha recebido? E tu, que és imutável, não só o alertas para que te veja, mas também para que seja curado, para te possuir. Aquele que está muito longe de te ver, tome, contudo, o caminho para chegar a ti, para te ver e te possuir.

Porque, embora o homem se deleite com a lei de Deus, segundo o homem interior, que fará dessa outra lei que luta nos seus membros contra a lei de seu espírito, e que o prende sob a lei do pecado, impressa nos seus membros? Porque tu és justo, Senhor; nós, porém, pecamos, cometemos iniquidades; procedemos como ímpios, e a tua mão se fez pesada sobre nós, e é com justiça que fomos entregues ao pecador antigo, ao príncipe da morte, porque ele persuadiu a nossa vontade a conformar-se com sua, que não quis persistir com a tua verdade.

Que fará esse homem infeliz? Quem o livrará deste corpo de morte, senão a tua graça, por Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem tu geraste co-eterno e criaste no princípio dos teus caminhos, ele, em quem o príncipe deste mundo não achou nada que merecesse a morte, e a quem, contudo, matou? Com o que foi anulada a sentença que havia contra nós?

Nada disso dizem os livros platónicos. Nem têm naquelas páginas esse sentimento de piedade, as lágrimas da confissão, esse teu sacrifício, a alma abatida, esse coração contrito e humilhado, nem a salvação do teu povo, nem a cidade prometida, nem o penhor do Espírito Santo, nem o cálice de nossa redenção.

Nos livros platónicos ninguém canta: “A minha alma não estará sujeita a Deus? Porque dele procede a minha salvação, pois é meu Deus e meu amparo, do qual não mais me apartarei.

Ninguém ali ouviu o convite: Vinde a mim os que sofreis. Desdenham os teus ensinamentos, porque és manso e humilde de coração. Porque escondeste estas coisas dos sábios e doutos, e as revelaste aos pequeninos.

Uma coisa é ver de um monte agreste a pátria da paz, e não encontrar o caminho que conduz a ela, e fatigar-se debalde por lugares inacessíveis, entre ataques e emboscadas dos desertores fugitivos, com o seu chefe, o leão e o dragão, e outra coisa é conhecer o caminho que conduz até lá, defendido pelos cuidados do imperador celeste, e onde não roubam os desertores da milícia do céu, pois eles o evitam como um suplício.

Esses pensamentos penetravam-me as entranhas de modo maravilhoso, quando eu lia o menor de teus apóstolos. Considerava as tuas obras e enchia-me de assombro.

LIVRO OITAVO

CAPÍTULO I

Hesitações

Faz, meu Deus, que eu recorde de ti em acção de graças, e proclame as tuas misericórdias para comigo. Que os meus ossos se penetrem do teu amor, e digam: Senhor quem semelhante a ti?

Rompeste com grilhões, e te oferecerei um sacrifício de louvor. Contarei como os rompeste, e todos os que te adoram exclamarão quando me ouvirem: “Bendito seja o Senhor no céu e na terra! Grande e admirável é seu nome!

As Tuas palavras, Senhor, tinham-se gravado profundamente no meu coração, e via-me cercado apenas por ti de todos os lados. Tinha a certeza da tua vida eterna, embora apenas a visse em enigma e como em espelho. Já fora dissolvida toda a dúvida quanto à tua substância incorruptível, ao saber que toda substância procedia dela. E o que desejava não era tanto estar mais certo de ti, mas mais firme em ti.

Quanto à minha vida temporal, estava ainda vacilante, e era necessário que o meu coração se purificasse do velho fermento. O caminho certo, que é o próprio Salvador, encantava-me, mas titubeava ainda em caminhar pelos seus estreitos desfiladeiros.

Então inspiraste-me a ideia – que me pareceu excelente – de me dirigir a Simpliciano, que eu tinha como um dos teus bons servidores, em quem brilhava a tua graça. Sobre ele ouvira também que desde a sua juventude te consagrava devotamente a sua vida, e como já encanecia, achei que em tão longa vida, dedicada ao estudo dos teus caminhos, teria acumulado grande experiência e instrução; e de facto assim era. Por isso queria confiar-lhe as minhas inquietações, para que me apontasse o modo de vida mais idóneo de alguém, com as minhas disposições interiores, seguir teu caminho.

Vi a tua Igreja cheia de fiéis que, por um caminho ou por outro, progrediam.

Quanto a mim, aborrecia-me a vida que levava no mundo, e era para mim um fardo pesadíssimo, agora que os apetites mundanos, como a esperança de honras e riquezas, já não me animavam para suportar tão pesada servidão. Essas paixões haviam perdido para mim o encanto, diante da tua doçura e da beleza da tua casa, que já amava. Mas sentia-me ainda fortemente amarrado à mulher. Sem dúvida o Apóstolo não me proibia de casar, embora em seu ardente desejo de ver todos os homens semelhantes a ele, exortasse a um estado mais elevado.

Mas eu, ainda muito fraco, escolhia a condição mais fácil; por isso, vivia hesitando em tudo o mais, e desgastava-me com preocupações enervantes, pois a vida conjugal, a que me julgava destinado e obrigado, ter-me-ia obrigado a novas incumbências, que eu não queria suportar.

Ouvira da boca da própria Verdade que há eunucos que mutilavam a si próprios por amor ao reino dos céus, embora acrescentando que o compreenda quem o puder compreender. São vãos, por certo, todos os homens nos quais não reside a ciência de Deus, e que nas coisas visíveis não puderam achar aquele que é. Mas eu já me livrara dessa vaidade, já a havia ultrapassado, e pelo testemunho da tua criação, te encontrara a ti, nosso Criador, e o teu Verbo, Deus em ti, e contigo um só Deus, por quem criaste todas as coisas.

Há ainda outra espécie de ímpios; os que, conhecendo a Deus, não o glorificam como Deus, nem lhe rendem graças. Eu também tinha caído nesse pecado; mas a tua destra me amparou e libertou, colocando-me em lugar onde me pudesse curar; e disseste ao homem: Eis que a piedade é a sabedoria. E ainda: Não queiras parecer sábio, porque os que se dizem sábios tornaram-se insensatos.

Já havia encontrado, finalmente, a pérola preciosa, que devia comprar vendendo tudo o que possuía. Mas ainda hesitava.

(Revisão de versão portuguesa por ama)



Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé.

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Antigo testamento / Salmos

Salmo 146






1 Aleluia! Louve, ó minha alma, o Senhor.
2 Louvarei o Senhor por toda a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu viver.
3 Não confiem em príncipes, em meros mortais, incapazes de salvar.
4 Quando o espírito deles se vai, eles voltam ao pó; naquele mesmo dia acabam-se os seus planos.
5 Como é feliz aquele cujo auxílio é o Deus de Jacob, cuja esperança está no Senhor, no seu Deus, que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e que mantém a sua fidelidade para sempre!
6 Ele defende a causa dos oprimidos e dá alimento aos famintos. O Senhor liberta os presos, o Senhor dá vista aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos.
7 O Senhor protege o estrangeiro e sustém o órfão e a viúva, mas frustra o propósito dos ímpios.

8 O Senhor reina para sempre! O teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!

Doutrina - 97

CATECISMO
DA
IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
PRIMEIRA SECÇÃO: «EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

CAPÍTULO SEGUNDO: DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

14. Que relação existe entre a Tradição e a Sagrada Escritura?


A Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, ambas tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo e provêm da mesma fonte divina: constituem um só sagrado depósito da fé, do qual a Igreja recebe a certeza acerca de todas as coisas reveladas.

Eu confio em Ti, sei que és meu Pai

Jesus ora no horto: Pater mi (Mt XXVI, 39), Abba, Pater (Mc XIV, 36)! Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre, para cumprir a Vontade do Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o sofrimento? Constituirá um sinal certo da minha filiação, porque me trata como ao Seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei gemer e chorar sozinho no meu Getsemani; mas, prostrado por terra, reconhecendo O meu nada, subirá ao Senhor um grito saído do íntimo da minha alma: Pater mi, Abba, Pater, ... fiat! (Via Sacra, 1ª Estação, n. 1)

Por motivos que não vem a propósito referir – mas que são bem conhecidos de Jesus, que aqui temos a presidir no Sacrário – a vida tem-me levado a sentir-me de um modo muito especial filho de Deus. Tenho saboreado a alegria de me meter no coração de meu Pai, para rectificar, para me purificar, para o servir, para compreender e desculpar a todos, tendo como base o seu amor e a minha humilhação.

Por isso, desejo agora insistir na necessidade de nos renovarmos, vós e eu, de despertarmos do sono da tibieza que tão facilmente nos amodorra e de voltarmos a entender, de maneira mais profunda e ao mesmo tempo mais imediata, a nossa condição de filhos de Deus.

O exemplo de Jesus, toda a vida de Cristo por aquelas terras do Oriente ajuda-nos a deixarmo-nos penetrar por essa verdade. Se admitimos o testemunho dos homens – lemos na Epístola – de maior autoridade é o testemunho de Deus. E em que consiste o testemunho de Deus? De novo fala S. João: Considerai o amor que nos mostrou o Pai em querer que nos chamemos filhos de Deus, e que o sejamos... Caríssimos, agora já somos filhos de Deus.


Ao longo dos anos, tenho procurado apoiar-me sem desfalecimento nesta feliz realidade. Em todas as circunstâncias, a minha oração tem sido a mesma com tonalidades diferentes. Tenho-lhe dito: Senhor, Tu colocaste-me aqui; Tu confiaste-me isto ou aquilo, e eu confio em Ti. Sei que és meu Pai e tenho visto sempre que as crianças confiam absolutamente nos pais. A minha experiência sacerdotal tem-me confirmado que este abandono nas mãos de Deus leva as almas a adquirir uma piedade forte, profunda e serena, que impele a trabalhar constantemente com rectidão de intenção. (Amigos de Deus, 143)

Temas para meditar - 605

Bioética

De especial actualidade é ainda a regulamentação das diversas formas de “directivas antecipadas de vontade”.
Trata-se de instrumentos, como, por exemplo o chamado “testamento vital”, pelos quais a pessoa pode antecipadamente dispor acerca das opções e dos valores que deseja ver respeitados quando se encontrar em situação de doença grave ou terminal.
Não havendo objecções éticas fundamentais a este tipo de procedimentos, convém ter presente que neste campo não há a certeza de que os desejos previamente expressos sejam actuais no momento em que é necessário decidir.
Não obstante toda a utilidade que estas determinações possam ter, para tomar decisões que respeitem a pessoa como sujeito, convém ter presente que elas não têm um peso absoluto, nem podem ser pretexto para justificar opções que atentem contra a vida humana. Devem ser consideradas mais um elemento a ter em conta nas tomadas de decisão.


(Nota pastoral da CEP, Cuidar da vida até à morte: Contributo para a reflexão ética sobre o morrer, 4, 5)

26/03/2016

Madrugada de Sábado Santo

Acabei de ver o filme da Paixão de Cristo [1]; absolutamente nada me impede dizer que chorei lágrimas verdadeiras que brotaram expontâneamente de um coração apertado e contrito.

Um coração esmagado pela crueza das imagens que não obstante contarem acontecimentos que muito bem conhecemos, todos os cristãos, devem ficar muito aquém da realidade.´

Alguém poderá aduzir que será talvez uma atitude desnecessária, a violência e horror das cenas são por demais “chocantes”.

Contraporei dizendo que, bem ao contrário, todos os cristãos deveríamos tê-las gravadas no nosso espírito – gravadas a fogo para que não se apaguem – e, muito possivelmente a sua lembrança nos impeça de ceder a tentações e misérias.

Os homens têm uma capacidade de sofrimento extraordinária que muitos não conhecem ou rejeitam. É lógico: ninguém gosta de sofrer.

Jesus Cristo também não sofreu por gostar do sofrimento mas sim porque era necessário que sofresse para poder salvar-nos definitivamente.

Sim o Seu sofrimento, a Sua Paixão dolorosíssima e a Sua Morte ignominiosa deve-se a todos os homens de todos os tempos, dos que já passaram, do presente, e dos que estão para vir.

O pecado é uma ofensa de tal magnitude que só o perdão da Cruz o pode resgatar.

E, as minhas lágrimas, que são, sem dúvida de dor e pena, são também de alegria e acções de graças porque Jesus Cristo me salvou, me perdoou e me deu um Caminho, me mostrou a Verdade e concedeu a Vida.

Sim, Ele é O Caminho que convém andar, a Verdade que importa conhecer e a Vida que interessa viver.

ama, 26.03.2016






[1] de Mel Gibson

Publicações Mar 26

Publicações Mar 26

São Josemaria – Textos

AMA - Comentários ao Evangelho Lc 24 1-12, Confissões - Santo Agostinho

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Do género de vida que Cristo levou - Quest 44 Art. 1, São Tomás de Aquino – Suma Teológica

CIC – Compêndio

Bento XVI - Pensamentos espirituais

AT - Salmos – 145


Agenda Sábado

Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma

Semana Santa

Sábado SantoVigília Pascal

Evangelho: Lc 24, 1-12

1 No primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, levando os perfumes que tinham preparado.2 Encontraram removida a pedra do sepulcro. 3 Entrando, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4 Aconteceu que, estando perplexas com isso, eis que apareceram junto delas dois homens com vestidos resplandecentes. 5 Estando elas medrosas e com os olhos no chão, disseram-lhes: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? 6 Ele não está aqui, ressuscitou. Lembrai-vos do que Ele vos disse quando estava na Galileia: 7 Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia». 8 Então lembraram-se das Suas palavras. 9 Tendo voltado do sepulcro, contaram todas estas coisas aos onze e a todos os outros. 10 As que diziam aos Apóstolos estas coisas eram Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas. 11 Mas estas palavras pareciam-lhes como que um delírio e não lhes deram crédito. 12 Todavia, Pedro levantou-se, correu ao sepulcro e, inclinando-se, viu só os lençóis e retirou-se para casa, admirado com o que sucedera.

Comentário:

S. Lucas não se detém muito em pormenores sobre a Ressurreição, já outro Evangelista, Mateus o tinha feito.

Parece que o que deseja frisar é o cumprimento de quanto fora dito a propósito pelos Profetas ou pelo Próprio Jesus Cristo para que fique claro que absolutamente nada acontece se integrar plena e cabalmente nos “planos” de Deus, sejam eles pequenas coisas aparentemente sem grande relevo ou as extraordinárias como é a Ressurreição do Seu Filho.

Detém-se, contudo, nos nomes das mulheres que relatam os acontecimentos para que conste quem foram as testemunhas no tempo e na circunstância, como procederam, o que disseram.

Sendo o Evangelho a Palavra de Deus nada do que nele consta pode ser outra coisa que não a estrita verdade e, esta, dispensa rodeios ou “floreados”.

(ama, comentário sobre Lc 24, 1-12, 2013.03.30)



Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO - CONFISSÕES

CAPÍTULO XVII

Caminho para Deus

Admirava-me de já te amar, e não a um fantasma em teu lugar, mas não era estável no gozo do meu Deus. Era arrebatado a ti pela tua beleza, e logo afastado de ti pelo meu peso, que me precipitava sobre a terra a gemer. O meu peso eram os hábitos carnais. Mas a tua lembrança acompanhava-me.

Nem absolutamente duvidava da existência de um ser a quem eu devia unir-me, embora não estivesse apto para esta união, porque o corpo, que se corrompe, sobrecarrega a alma, e a morada terrena oprime o espírito carregado de cuidados. Estava certíssimo de que as tuas belezas invisíveis se descobrem à inteligência desde a criação do universo, por meio das tuas obras; bem como o teu poder eterno e a tua divindade.

Buscava saber de onde me vinha minha faculdade de apreciar a beleza dos corpos – quer celestes, quer terrenos – e o que me permitia julgar rápida e cabalmente das coisas mutáveis quando dizia: “Isto deve ser assim, aquilo não deve ser assim”. Procurando a origem da minha faculdade de julgar quando assim julgava, achei a eternidade imutável e verdadeira, acima do meu espírito mutável.

E, gradualmente, fui subindo dos corpos para a alma, que sente por meio do corpo; e dela à sua força interior, à qual os sentidos comunicam as coisas exteriores, que é o limite alcançado pelos animais. Daqui passei para o poder do raciocínio, ao qual cabe julgar as percepções dos sentidos corporais; por sua vez, julgando-se sujeito a mudanças, levantou-se até a sua própria inteligência, e afastou o pensamento das suas cogitações habituais. Livrou-se da multidão de fantasmas contraditórios, para descobrir que luz a inundava quando, sem nenhuma dúvida, afirmava que o imutável deve ser preferido ao mutável; e também de onde lhe vinha o conhecimento do próprio imutável, porque, se não tivesse dele alguma noção, nunca o preferiria ao mutável com tanta certeza. E, finalmente, chegou àquele que é um único lampejo.

Foi então que as tuas perfeições invisíveis se manifestaram à minha inteligência por meio das tuas obras. Mas não pude fixar nelas o meu olhar; a minha fraqueza recobrou, e voltei a meus hábitos, não levando comigo senão uma lembrança amorosa e, por assim dizer, o desejo do perfume do alimento saboroso que eu ainda não podia comer.

CAPÍTULO XVIII

A senda da humildade

Buscava um meio que me desse força necessária para gozar de ti, e não a encontrei enquanto não me abracei ao Mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, que está sobre todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos, que chama e diz: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ele une o alimento à carne (alimento que eu não tinha forças para tomar), porque o Verbo se fez carne, para que a tua Sabedoria, pela qual criaste todas as coisas, fosse o leite da nossa infância.

Não tendo humildade, eu não possuía Jesus, o Deus da humildade, e não atinava o que nos poderia ensinar a sua fraqueza. Porque o teu Verbo, verdade eterna, dominando as criaturas mais sublimes da tua criação, levanta a si as que se lhe sujeitam e, nas partes inferiores, construiu para si, com o nosso lodo, uma humilde morada. Assim faz para humilhar e arrancar de si mesmo aqueles que deseja sujeitar e atrair, curando-lhes a soberba e alimentando-lhes o amor, para que, confiando em si, não se afastem para mais longe. Pelo contrário, que se humilhem, vendo a seus pés a humildade de um Deus que também se vestiu da nossa túnica de carne, e cansados, se prostrem diante dela para que, ao levantar-se, os exalte.

CAPÍTULO XIX

A doutrina do verbo

Mas eu então julgava de outro modo. Considerava o meu Senhor Jesus Cristo apenas um homem de extraordinária sabedoria, a quem ninguém poderia igualar. Sobretudo o seu miraculoso nascimento de uma virgem, que nos ensina a desprezar os bens temporais para adquirir a imortalidade. Parecia-me ter merecido, por decreto da Providência divina, uma soberana autoridade para ensinar os homens.

Mas nem suspeitava o mistério que se encerra nestas palavras: o Verbo se fez carne.

Somente conhecia, pelas coisas que dele nos deixaram escritas, que comeu, bebeu, dormiu, passeou, que se alegrou, se entristeceu e pregou, e que essa carne não se juntou ao teu Verbo senão com alma e inteligência humanas. Tudo isso sabe quem conhece a imutabilidade do teu Verbo, que eu já conhecia quanto me era possível, sem que disso nada duvidasse. Com efeito, mover os membros do corpo à vontade, ou não movê-los, estar dominado por algum afecto ou não o estar, traduzir por palavras sábios pensamentos e depois calar, são caracteres próprios da mutabilidade da alma e da inteligência. Se esses testemunhos das Escrituras fossem falsos, tudo o mais correria o risco de ser mentira, e o gênero humano não teria mais nesses livros a fé, condição de salvação. Mas como são verdadeiras as coisas nela escritas, eu reconhecia em Cristo um homem completo, não somente o corpo de um homem, ou um corpo sem uma alma inteligente, mas um homem real, que eu julgava superior a todos os outros não por ser a personificação da verdade, mas em razão da singular excelência da sua natureza humana, e de uma mais perfeita participação na sabedoria.

Alípio porém pensava que os católicos, crendo num Deus revestido de carne, entendiam que em Cristo, além de Deus e da carne, não havia alma humana; e não julgava que lhe atribuíssem inteligência humana. E como estava bem persuadido de que os actos atribuídos tradicionalmente a Cristo não podiam ser senão obras de uma criatura cheia de vida e de inteligência, Alípio aproximava-se com certa relutância da fé cristã. Mas depois, ao saber que este erro era próprio dos hereges apolinaristas, aderiu alegremente à fé católica.

De minha parte, confesso que só aprendi mais tarde a diferença da interpretação das palavras “o Verbo se fez carne”, entre a verdade católica e o erro do Fotino (bispo de Sírmio, afirmava que o Verbo não havia sido Filho de Deus até se encarnar nas entranhas da Virgem Maria, negando toda a união substancial entre a natureza humana e o Verbo divino). A reprovação dos hereges põe às claras o pensamento da tua Igreja e o que esta considera como doutrina sã.

Convém pois que haja heresias, para que os fortes se distingam entre os fracos.

CAPÍTULO XX

Do platonismo às Escrituras

Depois de ter lido aqueles livros dos platónicos, induzido por eles a buscar a verdade incorpórea, começaram a tornar-se patentes, por meio das tuas obras, as tuas perfeições visíveis.

Repelido para longe de ti, compreendi em que consistia essa verdade, que as trevas da minha alma me impediam de contemplar. Estava certo da tua existência e de que és infinito, sem contudo te estenderes por espaços finitos ou infinitos; e de que és verdadeiramente aquele que é sempre idêntico a si mesmo, sem te mudares em outro, nem sofrer alteração alguma, quer parcialmente ou com algum movimento, quer de qualquer outro modo; e de que tudo o mais vem de ti, pela única e irrefutável razão de que existe. Tinha certeza de todas estas verdades, mas achava-me ainda demasiado fraco para gozar de ti. Tagarelava muito, como se fora competente nisso, mas se não procurasse o caminho da verdade em Cristo, nosso Salvador, não seria perito, mas perituro. Já começava a querer parecer sábio, cheio do meu castigo, e não chorava, mas orgulhava-me com a ciência. Onde estava aquela caridade erigida sobre o alicerce da humildade, que é Cristo Jesus? Ou talvez aqueles livros ma ensinariam? Creio que quiseste que com eles me encontrasse antes de meditar nas tuas Escrituras, para que fixassem na minha memória os afectos que nela experimentei. Depois, quando encontrasse nos teus livros a paz do coração, sarada com as tuas mãos as feridas da minha alma, pudesse discernir e perceber a diferença entre presunção e humildade, entre os que veem para onde se deve ir, e não veem por onde se vai, nem o caminho que conduz à pátria bem-aventurada, não só para contemplá-la, mas também para habitá-la.

Porém, se me tivesse instruído nas tuas sagradas letras, e na sua intimidade tivesse experimentado na doçura, para depois conhecer os livros dos platónicos, talvez eles me arrancassem dos sólidos fundamentos da piedade; ou, se eu tivesse persistido nos sentimentos salutares nelas hauridos, talvez julgasse que só por esses livros se poderia chegar ao mesmo proveito espiritual.

(Revisão de versão portuguesa por ama)



Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Antigo testamento / Salmos

Salmo 145







1 Eu te exaltarei, meu Deus e meu rei; bendirei o teu nome para todo o sempre!
2 Todos os dias te bendirei e louvarei o teu nome para todo o sempre!
3 Grande é o Senhor e digno de ser louvado; sua grandeza não tem limites.
4 Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos; eles anunciarão os teus atos poderosos.
5 Proclamarão o glorioso esplendor da tua majestade, e meditarei nas maravilhas que fazes.
6 Anunciarão o poder dos teus feitos temíveis, e eu falarei das tuas grandes obras.
7 Comemorarão a tua imensa bondade e celebrarão a tua justiça.
8 O Senhor é misericordioso e compassivo, paciente e transbordante de amor.
9 O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas.
10 Rendam-te graças todas as tuas criaturas, Senhor, e os teus fiéis te bendigam.
11 Eles anunciarão a glória do teu reino e falarão do teu poder, para que todos saibam dos teus feitos poderosos e do glorioso esplendor do teu reino.
12 O teu reino é reino eterno, e o teu domínio permanece de geração em geração. 13 O Senhor é fiel em todas as suas promessas e é bondoso em tudo o que faz.
14 O Senhor ampara todos os que caem e levanta todos os que estão prostrados.
15 Os olhos de todos estão voltados para ti, e tu lhes dás o alimento no devido tempo.
16 Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os seres vivos.
17 O Senhor é justo em todos os seus caminhos e bondoso em tudo o que faz.
18 O Senhor está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam com sinceridade.
19 Ele realiza os desejos daqueles que o temem; ouve-os gritar por socorro e os salva.
20 O Senhor cuida de todos os que o amam, mas a todos os ímpios destruirá.

21 Com meus lábios louvarei o Senhor. Que todo ser vivo bendiga o seu santo nome para todo o sempre!

Doutrina - 96

CATECISMO
DA
IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
PRIMEIRA SECÇÃO: «EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

CAPÍTULO SEGUNDO: DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

13. Como se realiza a Tradição Apostólica?


A Tradição Apostólica realiza-se de duas maneiras: mediante a transmissão viva da Palavra de Deus (chamada também simplesmente a Tradição) e através da Sagrada Escritura que é o próprio anúncio da salvação transmitido por escrito.