24/01/2016

SOBRE O PERDÃO – 12

2 – O perdão e Deus

…/6


Diz-nos mais uma vez o Catecismo da Igreja Católica no número 2844:
«A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos. Transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre. O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si.»

Não podemos deixar de nos deixarmos extasiar por esta verdade: «transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre», o que nos leva de imediato a uma outra frase tão bem conhecida e que devia ser a meta a atingir por todo e qualquer cristão: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.» Gl 2, 20

Amar como Jesus amou, ama! Perdoar como Jesus perdoou, perdoa!


(cont)

(joaquim mexia alves, Conferência sobre o perdão na Vigararia da Marinha Grande)

Antigo testamento / Salmos


Salmo 83








1 Ó Deus, não te emudeças; não fiques em silêncio nem te detenhas, ó Deus.
2 Vê como se agitam os teus inimigos, como os teus adversários te desafiam de cabeça erguida.
3 Com astúcia conspiram contra o teu povo; tramam contra aqueles que são o teu tesouro.
4 Eles dizem: "Venham, vamos destruí-los como nação, para que o nome de Israel não seja mais lembrado!"
5 Com um só propósito tramam juntos; é contra ti que fazem acordo as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos, Gebal, Amom e Amaleque, a Filístia, com os habitantes de Tiro.
6 Até a Assíria aliou-se a eles, e trouxe força aos descendentes de Ló.
7 Trata-os como trataste Midiã, como trataste Sísera e Jabim no rio Quisom, os quais morreram em En-Dor e se tornaram esterco para a terra.
8 Faz com os seus nobres o que fizeste com Orebe e Zeebe, e com todos os seus príncipes o que fizeste com Zeba e Zalmuna, que disseram: "Vamos apossar-nos das pastagens de Deus".
9 Fá-los como folhas secas levadas no redemoinho, ó meu Deus, como palha ao vento.
10 Assim como o fogo consome a floresta e as chamas incendeiam os montes, persegue-os com o teu vendaval e aterroriza-os com a tua tempestade.
11 Cobre-lhes de vergonha o rosto até que busquem o teu nome, Senhor.
12 Sejam eles humilhados e aterrorizados para sempre; pereçam em completa desgraça.

13 Saibam eles que tu, cujo nome é Senhor, somente tu, és o Altíssimo sobre toda a terra.

Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé.

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina - 34

Sacramentais


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Quais são os Sacramentais?

Certos objectos bentos de devoção, como medalhas, velas e escapulários, também são considerados Sacramentais: o Crucifixo, a Medalha de Nossa Senhora das Graças e a Medalha de São Bento estão entre os maiores exemplos, sendo fundamental entender que não são “talismãs” nem “amuletos da sorte”, e sim sinais visíveis de nossa fé. Não agem automaticamente contra as adversidades, como se tivessem “poderes mágicos”, mas são como que recursos auxiliares para nos unir ainda mais a Nosso Senhor e devem estimular-nos no progresso da fé.

(cont)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Nunca amarás bastante

Por muito que ames, nunca amarás bastante. O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras. Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, 8ª Estação, n. 5)

Vede agora o mestre reunido com os seus discípulos na intimidade do Cenáculo. Ao aproximar-se o momento da sua Paixão, o Coração de Cristo, rodeado por aqueles que ama, abre-se em inefáveis labaredas: dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros e que, do mesmo modo que eu vos amei, vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Ioh XIII, 34–35.) (...).

Senhor, porque chamas novo a este mandamento? Como acabamos de ouvir, o amor ao próximo estava prescrito no Antigo Testamento e recordareis também que Jesus, mal começa a sua vida pública, amplia essa exigência com divina generosidade: ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Senhor, deixa-nos insistir: porque continuas a chamar novo a este preceito? Naquela noite, poucas horas antes de te imolares na Cruz, durante aquela conversa íntima com os que - apesar das suas fraquezas e misérias pessoais, como as nossas - te acompanharam até Jerusalém. Tu revelaste-nos a medida insuspeitada da caridade: como eu vos amei. Como não haviam de te entender os Apóstolos, se tinham sido testemunhas do teu amor insondável!


Se professamos essa mesma fé, se ambicionamos verdadeiramente seguir as pegadas, tão nítidas, que os passos de Cristo deixaram na terra, não podemos conformar-nos com evitar aos outros os males que não desejamos para nós mesmos. Isto é muito, mas é muito pouco, quando compreendemos que a medida do nosso amor é definida pelo comportamento de Jesus. Além disso, Ele não nos propõe essa norma de conduta como uma meta longínqua, como o coroamento de toda uma vida de luta. É – e insisto que deve sê-lo para que o traduzas em propósitos concretos – o ponto de partida, porque Nosso Senhor o indica como sinal prévio: nisto conhecerão que sois meus discípulos. (Amigos de Deus, nn. 222-223)

Temas para meditar - 569

Justiça


Vede que resposta tão cheia de justiça, de mansidão e de verdade. Oh verdadeira resposta da Sabedoria!
Ouviste-O:
Cumpra-se a Lei, que seja apedrejada a adúltera.
Mas, como podem cumprir a Lei e castigar aquela mulher, uns pecadores?
Veja-se cada um a si mesmo, entre no seu interior e ponha-se em presença do tribunal do seu coração e da sua consciência, e ver-se-à obrigado a confessar-se pecador.
Sofra castigo aquela pecadora, porém não por mão de pecadores; execute-se a Lei, mas não pelos seus transgressores.


(santo. agostinho, In Ioannis Evangelium expositio, 28, 12)

23/01/2016

NUNC COEPI – Índice de publicações em Jan 23


nunc coepi – Índice de publicações em Jan 23

São Josemaria – Textos

Disc (São João Paulo II), Fortaleza, Juventude, São João Paulo II,UNIV

AMA - Comentários ao Evangelho Mc 3 20-21, J López Diaz, Leit Espiritual (Vida cristã)

Doutrina (Sacramentais)

São Tomás de Aquino – Suma Teológica, Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Do baptizado de Cristo - Quest 39 Art. 7

São Tomás de Aquino – Suma Teológica, Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Do baptizado de Cristo - Quest 39 Art. 7

AT - Salmos – 82

JMA (Sobre o Perdão)


Agenda Sábado

Evangelho, comentário, L. espiritual


 Tempo Comum
Semana II

Evangelho: Mc 3, 20-21

20 Depois, foi para casa e de novo acorreu tanta gente, que nem sequer podiam tomar alimento. 21 Quando os Seus parentes ouviram isto, foram para tomar conta d'Ele; porque diziam: «Está louco».

Comentário:

Tinham razão os parentes de Jesus ao dizerem que estava louco.
Esta loucura do Senhor é uma loucura de amor que, primeiro O trouxe até ao meio de nós, assumindo identidade humana em tudo igual a nós excepto no pecado.

Sujeita-se a ser tratado como louco, facínora, beberrão, insultado na Sua honra, cuspido, violentado da forma mais cruel e desumana e, finalmente, pregado numa cruz!

Por amor?

Sim pela loucura do amor divino pelos homens – todos os homens – que veio para redimir e salvar.
Não nos é possível a nós, pobres humanos, retribuir este amor com a mesma dimensão, a mesma “loucura”, mas podemos – e devemos – dar-lhe o amor que Ele nos pede e, Ele, só nos pede o que somos capazes de dar.

(ama, comentário sobre Mc 3, 20-21, 2011.12.20)


Leitura espiritual



Vida cristã

A força do fermento

A sociedade é como um tecido de relações entre os homens.
O trabalho, a família e as outras circunstâncias da vida criam uma rede de vínculos, em que a nossa existência se encontra como que tecida [i], de modo que quando procuramos santificar a profissão concreta, a situação familiar particular ou o resto dos deveres correntes, não estamos a santificar uma fibra isolada, mas todo o tecido social.

Este trabalho santificador converte os cristãos em poderoso fermento de ordenação do mundo, de modo que este reflete melhor o amor com que foi criado.
Quando a caridade está presente em qualquer atividade humana, reduzem-se os espaços de egoísmo, principal fator de desordem no homem, nas suas relações com os outros e com as coisas.
Assim, portadores do Amor do Pai no meio da sociedade, os fiéis leigos «estão aí chamados por Deus a cumprir a seu próprio encargo, guiando-se pelo espírito evangélico, de modo que, como a levedura, contribuam, a partir de dentro, para santificação do mundo» [ii]

A eficácia transformadora dessa levedura cristã no trabalho depende, em grande medida, de que cada um procure alcançar uma preparação adequada.
Esta não deve limitar-se à instrução específica – técnica ou intelectual – que cada profissão requer.
Há outros aspetos que, por serem imprescindíveis para alcançar uma verdadeira "competência" humana e cristã, influem directíssimamente nas relações laborais e sociais que se originam à volta do trabalho e que são fundamentais para ordenar a Deus o tecido social.

Ser do mundo sem ser mundanos

O cristão que está chamado a santificar-se na sua profissão deve ser do mundo, mas não ser mundano.
Procura o bem-estar temporal, mas não o considera como o bem supremo.
Reconhece com realismo a presença do mal, mas não desanima quando o encontra, procura antes reparar e lutar com mais empenho para o purificar do pecado.
Nunca deve faltar o entusiasmo, nem no vosso trabalho nem no vosso empenho por construir a cidade temporal.
Ainda que, ao mesmo tempo, como discípulos de Cristo que crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências [iii], procureis manter vivo o sentido do pecado e da reparação generosa, frente aos falsos otimismos dos que, inimigos da cruz de Cristo [iv], baseiam tudo no progresso e nas energias humanas [v].

"Ser do mundo", em sentido positivo, leva a ter espírito contemplativo no meio de todas as atividades humanas (...), tornando realidade este programa: quanto mais dentro do mundo estejamos, tanto mais temos que ser de Deus [vi].
Esta aspiração, longe de produzir retraimento diante das dificuldades do ambiente, impulsiona para uma maior audácia, fruto de uma presença de Deus mais intensa e constante.
Porque somos do mundo e somos de Deus, não nos podemos fechar: «não é lícito aos cristãos abandonar a sua missão no mundo, como a alma não pode separar-se voluntariamente do corpo» [vii].
S. Josemaria concretiza essa tarefa de cidadãos cristãos em contribuir para que o amor e a liberdade de Cristo presidam a todas as manifestações da vida moderna, a cultura e a economia, o trabalho e o descanso, a vida de família e a convivência social [viii].

Manifestação capital do espírito cristão – e mesmo simplesmente humano – é reconhecer que a plena felicidade humana se encontra na união com Deus, não na posse de bens terrenos.
É justamente o contrário de ser mundano.
O mundano põe todo o coração nos bens deste mundo, sem se lembrar de que estão feitos para o conduzir ao Criador.
Pode suceder alguma vez, que diante da experiência de pessoas que, afastadas de Deus, parecem encontrar felicidade ao dispor dos bens que desejam, surja o pensamento de que a união com Deus não é a única fonte de alegria plena. Mas não nos devemos enganar.
Trata-se de uma felicidade inconsistente, superficial e não isenta de inquietações.
Essas mesmas pessoas seriam incomparavelmente mais felizes, já nesta terra e depois plenamente no Céu, se tratassem a Deus e ordenassem para a Sua glória o uso desses bens.
A sua felicidade deixaria de ser uma felicidade frágil, exposta a muitas eventualidades e não temeriam – com esse temor que lhes tira a paz – que viessem a faltar-lhes uns ou outros bens, nem os assustaria a realidade da dor e da morte.

As bem-aventuranças do Sermão da montanha –– bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos..., os que têm fome e sede de justiça..., os que sofrem perseguição por causa da justiça... [ix] mostram que a plena felicidade a bem-aventurança não se encontra nos bens deste mundo.
S. Josemaria ficava magoado porque, às vezes, se enganam as almas.
Fala-se-lhes de uma libertação que não é a de Cristo.
Os ensinamentos de Jesus, o Seu Sermão da Montanha, essas bem-aventuranças que são um poema do amor divino, ignoram-se. Só se procura uma felicidade terrena, que não é possível alcançar neste mundo [x].



As palavras do Senhor não justificam, no entanto, uma visão negativa dos bens terrenos, como se fossem maus ou impedimento para alcançar o Céu.
Não são obstáculo, mas matéria de santificação e o Senhor não convida a recusá-los.
Ensina, antes, que o único necessário [xi] para a santidade e a felicidade é amar a Deus.
Quem não dispõe desses bens ou quem sofre, deve saber não só que a alegria plena pertence ao Céu, mas que já nesta terra é "bem-aventurado" – pode ter uma antecipação da felicidade do Céu – porque a dor e, em geral, a carência de um bem, tem valor redentor se se acolhe por amor à Vontade do nosso Pai Deus, que tudo ordena para o nosso bem [xii].

Procurar o bem-estar material para os que nos rodeiam é muito agradável a Deus, é uma forma maravilhosa de embeber de caridade as realidades temporais e é perfeitamente compatível com a atitude pessoal de desprendimento que o Senhor nos ensinou.

Mentalidade laical, com alma sacerdotal

Um filho de Deus há-de ter alma sacerdotal, porque foi feito participante do sacerdócio de Cristo para co-redimir com Ele.
Nos fiéis do Opus Dei, por estarem chamados a santificar-se no meio do mundo, esta caraterística encontra-se intrinsecamente unida à mentalidade laical, que leva a realizar o trabalho e os diversos afazeres com competência, de acordo com as suas leis próprias, queridas por Deus [xiii].

No âmbito básico das normas de moral profissional, que interessa cuidar delicadamente como pressuposto necessário para santificar o trabalho, há muitos modos de levar a cabo as tarefas humanas de acordo com o querer de Deus.
Dentro das leis próprias de cada atividade, e na ampla perspectiva que abre a moral cristã, há muitas opções, todas elas santificáveis, entre as quais cada um pode escolher com responsabilidade e liberdade pessoais, respeitando a liberdade dos outros.
Essa liberdade intransferível faz com que a participação de cada um na vida social – no lar, no trabalho, na convivência – seja única, original e irrepetível, como é irrepetível a resposta ao amor a Deus de cada alma.
Não devemos privar a família humana do bom exercício da nossa liberdade, fonte de iniciativas de serviço aos outros para a glória de Deus.

O Fundador do Opus Dei ensinou que assumir profundamente este facto é caraterística essencial do espírito da Obra.

Liberdade, meus filhos, liberdade, que é a chave dessa mentalidade laical que todos temos no Opus Dei [xiv].

A alma sacerdotal e a mentalidade laical são dois aspetos inseparáveis no caminho de santidade que S. Josemaria ensina.
Em tudo e sempre temos que ter – tanto os sacerdotes como os leigos – alma verdadeiramente sacerdotal e mentalidade plenamente laical, para que possamos entender e exercitar na nossa vida pessoal aquela liberdade de que gozamos na esfera da Igreja e nas coisas temporais, considerando-nos ao mesmo tempo cidadãos da cidade de Deus [xv] e da cidade dos homens [xvi].

Para ser fermento de espírito cristão na sociedade é preciso que na nossa vida se cumpra esta união, de modo que todos os nossos afazeres profissionais, realizados com mentalidade laical, estejam empapados de alma sacerdotal.

Sinal claro desta união é pôr em primeiro lugar o trato com Deus, a piedade, que para um filho de Deus se pode concretizar no cumprimento de um plano de vida espiritual. Necessitamos de alimentar o Amor como impulso vital da nossa vida, porque não é possível trabalhar realmente para Deus sem uma vida interior cada vez mais profunda.
Como recordava S. Josemaria:
Se não tiverdes vida interior, ao dedicar-vos ao vosso trabalho, em lugar de o divinizar, poderia suceder-vos o que sucede ao ferro, quando está vermelho e se mete em água fria: destempera-se e apaga-se. Deveis ter um fogo que venha de dentro, que não se apague, que incendeie tudo aquilo em que toque. Por isso pude dizer que não quero nenhuma obra, nenhum trabalho, se os meus filhos não melhoram nele. Meço a eficácia e o valor das obras, pelo grau de santidade que adquirem os instrumentos que as realizam.

Com o mesmo vigor com que antes vos convidava a trabalhar e a trabalhar bem, sem medo ao cansaço; com essa mesma insistência, vos convido agora a ter vida interior.
Nunca me cansarei de o repetir: as nossas Normas de piedade, a nossa oração, são o primeiro.
Sem a luta ascética, a nossa vida não valeria nada, seríamos ineficazes, ovelhas sem pastor, cegos que guiam outros cegos [xvii], [xviii].

Para que o fermento não se desvirtue, tem de ter a força de Deus. Deus é que transforma.
Só quando permanecemos unidos a Ele somos verdadeiramente fermento de santidade.
De outro modo estaremos na massa como simples massa, sem contribuir com o que se espera da levedura.
O empenho por cuidar de um plano de vida espiritual acabará por produzir o milagre da acção transformadora de Deus: primeiro em nós mesmos, por ser esse plano um caminho de união com Ele e, como consequência, nos outros, na sociedade inteira.

j. lópez díaz

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Concílio Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 31. Cfr. João Paulo II, Exhort. apost. Christifideles laici, 30-XII-1988, n. 15.
[ii] Concílio Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 31. Cfr. João Paulo II, Exhort. apost. Christifideles laici, 30-XII-1988, n. 15.
[iii] Gal 5, 24
[iv] Flp 3, 18
[v] S. Josemaria, Carta 9-I-1959, n. 19, em E. Burkhart, J. López, Vida cotidiana y santidad en la enseñanza de San Josemaría, I, Rialp, Madrid 2010, p. 439. Cfr. Cristo que passa, nn. 95-101.
[vi] S. Josemaria, Forja, n. 740.
[vii] Epistola ad Diognetum, 6.
[viii] S. Josemaria, Sulco, n. 302.
[ix] Mt5, 3 ss.
[x] S. Josemaria, Apontamentos de uma meditação, 25-XII-1972, em E. Burkhart, J. López, Vida cotidiana y santidad en la enseñanza de San Josemaría, III, Rialp, Madrid 2013, p. 125.
[xi] Lc10, 42.
[xii] Cfr. Ro 8, 28.
[xiii] Cfr. Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 36.
[xiv] S. Josemaria, Carta 29-IX-1957, citado por A. Cataneo,. Tracce per una spiritualità laicale offerte dall'omelia Amare il mondo appassionatamente, em revista "Annales Theologici" 16 (2002) 128.
[xv] cfr. Ef2,19
[xvi] S. Josemaria, Carta 2-II-1945, n. 1, em A. Vázquez de Prada, El Fundador del Opus Dei, II, Rialp, Madrid 2002, p. 670.
[xvii] cfr. Mt 9, 36; 15, 4
[xviii] S. Josemaria, Carta 15-X-1948, n. 20, em E. Burkhart, J. López, Vida cotidiana y santidad en la enseñanza de San Josemaría, III, Rialp, Madrid 2013, p. 210.