04/06/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum IX Semana


Evangelho: Mc 12 28-34

28 Então aproximou-se um dos escribas, que os tinha ouvido discutir. Vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». 29 Jesus respondeu-lhe: «O primeiro de todos os mandamentos é este: “Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30 Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”. 31 O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não há outro mandamento maior do que estes». 32 Então o escriba disse-Lhe: «Mestre, disseste bem e com verdade que Deus é um só, e que não há outro fora d'Ele; 33 e que amá-l'O com todo o coração, com todo o entendimento, com toda a alma, e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios». 34 Vendo Jesus que tinha respondido sabiamente, disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». Desde então ninguém mais ousava interrogá-l'O.

Comentário:

Jesus Cristo faz como que uma síntese dos Mandamentos da Lei de Deus.
Os Dez podem reduzir-se a estes dois?
Não é bem assim!
Cada Mandamento é específico e a sua observância é obrigatória.
O que acontece é que observando aqueles dois primeiros é possível – com verdade e são critério - praticar melhor outros.
Porquê? Porque os outros são mandamentos da Lei Natural a observar por qualquer pessoa humana; por exemplo ninguém deve roubar ou prejudicar intencionalmente o seu semelhante, um ateu pode muito bem observá-los.
Mas a um baptizado acresce a responsabilidade e agrava a sua não observância.

(ama, comentário sobre Mc 12, 28-34, 2015.03.13)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS




iv o processo da conversão

…/2

        Ascética é uma palavra de origem grega que significa «preparação para algo».
Comporta, logicamente, privações, exercícios, etc., com vista a obter um fim.

        Na ascese põe-se o ênfase nos esforço que o homem realiza para lutar contra o que pode opor-se ao seu processo de conversão de viver mais plenamente como filho de Deus em Cristo Jesus e viver em Cristo no seu sacerdócio, como mais adiante veremos.
Ou seja, a conversão leva o cristão a identificar-se com Cristo, com o seu Viver e com a sua Missão.

        Para encontrar melhor este caminho e tendo em conta que a conversão tem como finalidade que Cristo viva no crente e o crente viva em Cristo, fazemos um precisão – antes de entrar com mais detalhe na matéria da conversão – para sublinhar a importância de uma prática de ajuda nessa «luta ascética» que teve grande relevância a longo do séculos e que se mantém vigente nos momentos actuais: a direcção espiritual.

        O que é e em que consiste esta prática?
No seu encontro com os discípulos de Emaús, Nosso Senhor Jesus Cristo explica-o claramente.

        Os discípulos eram homens crentes que ainda que tendo ouvido rumores acerca da Ressurreição se retiram do grupo dos Apóstolos talvez sem esperança que Cristo cumpra verdadeiramente as suas promessas.

        O Senhor sai ao seu encontro.
Não interrompe bruscamente o seu processo de abandono. Nem sequer os recrimina.
Simplesmente põe-se a seu lado e caminha com eles.
Interessa-se pela sua situação, a sua tristeza e ante o protesto dos dois homens e a sua estranheza que não estivesse informado do que recentemente acontecera em Jerusalém, começa a explicar-lhes as Escrituras recriminando-os ao mesmo tempo pela sua dureza de coração para as entender.

        Depois de algum tempo e aproximando-se já o anoitecer, faz menção de prosseguir viajem enquanto eles se preparam para descansar um pouco.
Aceita o convite de ficar com eles e na conversa durante a ceia, abre-lhes definitivamente os olhos para compreender a realidade da Ressurreição e desaparece da sua vista.

        Esta forma de actuar de Cristo é o exemplo mais claro de uma verdadeira direcção espiritual, ou ajuda espiritual, como queira chamar-se.
Não lhes impõe nada nem os deslumbra com a manifestação da Verdade.
Respeita as suas dívidas, as suas tribulações e não os liberta do seu pesar, da sua pena sem mais nem menos.
Unicamente se põe a seu lado, fala-lhes e esforça-se para que eles, pessoalmente e a partir do seu interior, consigam desvelar o sentido das Escrituras que manifestam a realidade de Cristo.
Procura com as suas palavras provocar que o espírito dos discípulos e inflame no amor a Deus que um dia os moveu a seguir pessoalmente Nosso Senhor Jesus Cristo.
Esse amor tornará possível o seu arrependimento.

        Cristo sabe que, salvo em casos muito excepcionais, de nada vale uma conversação fruto de um deslumbramento fulgurante e irresistível e que o importante e decisivo é que q luz chegue – e penetre – suavemente no espírito e se inculque com raízes profundas na inteligência e no coração dos homens.

        O Senhor depois espera o convite para ficar para que seja a liberdade dos discípulos que clame uma nova luz.
Uma vez consciente que a preparação do espírito dos dois homens alcançou o grau adequado para gozar da luz e considerada a colaboração no seu actuar que eles manifestam ao convidá-lo a partilhar a ceia, revela-lhes o mistério da sua Ressurreição: nesse momento os seus olhos são capazes de ver Cristo.
A oração de petição «fica connosco» preparou o seu espírito para receber a luz da Redenção.

Essa é a função da ajuda espiritual – a direcção espiritual – que qualquer cristão pode receber de outro cristão qualquer, seja ou não sacerdote, como se vive em não poucas instituições da Igreja e como João Paulo II sublinhou com estas palavras:
«a ‘direcção espiritual’, ou ‘diálogo espiritual’, como por vezes se lhe chama, também se pode levar a cabo fora do sacramento da Penitência e também pelos que não estão ordenados» [1].

        Esta ajuda consiste essencialmente em mover a sua livre vontade a manter-se firme na procura do Senhor e a não permitir que nenhum obstáculo impeça a sua mente de iluminar-se com a luz recebida de Deus.

        Convém acrescentar um esclarecimento: essa ajuda produz-se no seio da família de Deus que é e Igreja, quer dizer, no âmbito da comunhão dos santos que se dá entre todos os que acreditam em Cristo.

        Este é um aspecto que talvez não sublinhamos bastante e caímos na tentação de considerar toda a ajuda espiritual como um assunto entre quem a dá e quem a recebe.
Essa não é a verdadeira perspectiva.
Todo o director espiritual, por chamar-lhe assim, deve saber-se transmissor da verdade de Cristo na Igreja.
De contrário o seu trabalho será inútil ou nefasto.
Santo Agostinho recorda-o com palavras muito claras:

        «Quem quiser viver, tem onde viver, tem do que viver.
Que se aproxime, que acredite, que se deixe incorporar para ser vivificado.
Não rejeite a companhia dos membros» [2].
Os discípulos de Emaús compreenderam muito bem e, apenas terem reconhecido Cristo Ressuscitado, foram diligentes a comunicar a notícia a Pedro e aos Apóstolos: à Igreja.

        Concluído este breve preâmbulo, entramos no exame da conversão que todo o cristão está chamado a realizar em si mesmo, com perseverança, ao longo de toda a sua vida.


v o que é verdadeiramente uma conversão?


        Lembrámos que o Senhor fala sempre de dois momentos no caminho do espírito: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

        Agora temos de acrescentar a queixa de Deus ante os que «o honram com as palavras e o seu coração está longe dele» [3].

        Nestas breves citações esconde-se todo o significado de uma conversão: converte-se quem, arrependido dos seus pecados, crê no Evangelho e, pela fé, dirige o seu coração em busca do Senhor, como o cervo procura a fonte das águas.

        Lembremos que a conversão de que agora nos ocupa se realiza nos que já receberam a primeira e definitiva conversão pelo Baptismo.
«O Baptismo é o lugar principal da primeira e fundamental conversão.
Pela fé na Boa Nova e pelo Baptismo renuncia-se ao mal e alcança-se a salvação, quer dizer a remissão de todos os pecados e o dom da vida nova» [4].

        Esse «dom da vida nova», a nova condição de filhos de Deus em Cristo Jesus que o cristão recebe no Baptismo, origina no seu espírito uma tendência espiritual para que essa «vida nova» se desenvolva e cresça: essa é a perene conversão cristã.

        O Catecismo também nos recorda com palavras muito explícitas:
«A chamada de Cristo à conversão continua a ressoar na vida dos cristãos.
Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja que ‘recebe os pecadores no seu próprio seio’ e que sendo santa e  ao mesmo tempo necessitada de constante purificação, procura sem cessar a penitência a e a renovação’.
Este esforço de conversão não é só obra humana.
É o movimento do ‘coração contrito’ atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus que nos amou primeiro» [5].

        Em seguida parece oportuno assinalar «o que a conversa não é», para que não caíamos em engano.
A conversa não é «alcançar um ideal», não é tampouco chegar a viver as virtudes em certo grau de intensidade, e muito menos é libertar-nos completamente do pecado.

        A conversa de que estamos tratando é o germinar da Graça de ser «filhos de Deus em Cristo», nas nossas almas.
Um germinar fruto da acção do Espírito Santo na alma que permite ao homem abrir-se à acção da Graça, convencer-se do pecado e reconstruir no seu coração a verdade e o amor [6].

        Como este «germinar» nunca se conclui o converter-se do cristão comporta a cadeia ininterrupta de conversões ao longo da vida.
Em suma, o pôr em prática essa segunda conversão de que nos fala o Catecismo.
Segunda conversão que estará sempre viva na mediada em que «procuremos Cristo».

        «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho» [7].




(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] João Paulo II, Audiência, 12-IV-1984
[2] San Agustin, Tratado sobre el Evangelio de San Juan, 26, 13
[3] Cfr. Is 29, 13
[4] Catecismo, n. 1427
[5] Catecismo, n. 1428
[6] Cfr. Juan Pablo II, Dominum et vivificantem, n. 45
[7] Mc 1, 15

Reflectindo - 81

Vocação


O que é a vocação, a minha vocação?

Como responder a tal pergunta que parece ter resposta simples?

Penso que antes de mais é correspondência a um apelo do Espírito Santo feito directamente à minha pessoa. 
Apelo claro sem tergiversações  nem passível de dúvida ou avaliação.

Porquê o Senhor me escolheu a mim? 

Não sei nem me cabe perguntar.

Ele chama quem quer e quando quer e convém ter claro que esta chamada é algo de tão  transcendente  superior que só por si revela uma iniludível preferência do Senhor como se quisesse de um modo que só Ele sabe como e para quê levar-nos a um estatuto especial diferenciado do comum dos homens
Chama todos à santidade, à perfeição e unidade de vida mas a alguns pede mais exige mais, não por serem especialmente aptos ou com virtudes extraordinárias mas porque na Sua sabedoria infinita presume encontrar aquela terra boa que dará os frutos necessários ao bem de todos.
A vocação surge assim como uma espécie de "aposta" do Senhor nessa pessoa concreta para que leve a cabo uma missão específica e muito concreta: colaborar com Ele na salvação da humanidade, tornar real o Reino de Deus em todos os homens.

Já se vê a grandiosidade da tarefa a que a vocação corresponde e se bem que por nós não tenhamos capacidade para dar uma resposta capaz e totalmente satisfatória não podemos deixar de tentar. É isto mesmo que o Senhor espera de nós: que tentemos, verdadeiramente e com fortaleza e perseverança levar por diante o que nos pede.


(ama, reflexões, 2014)

Sereno no meio das preocupações

Se, por teres o olhar fixo em Deus, souberes manter-te sereno no meio das preocupações; se aprenderes a esquecer as ninharias, os rancores e as invejas; pouparás muitas energias, que te fazem falta para trabalhar com eficácia, em serviço dos homens. (Sulco, 856)

Luta contra as asperezas do teu carácter, contra os teus egoísmos, contra o teu comodismo, contra as tuas antipatias... Além de que temos de ser corredentores, o prémio que receberás (pensa bem nisso!) estará em relação directíssima com a sementeira que tiveres feito. (Sulco, 863)

Tarefa do cristão: afogar o mal em abundância de bem. Nada de fazer campanhas negativas, nem de ser anti-nada. Pelo contrário: viver de afirmação, cheios de optimismo, com juventude, alegria e paz; olhar para todos com compreensão: os que seguem Cristo e os que O abandonam ou não O conhecem.

Compreensão, porém, não significa abstencionismo, nem indiferença, mas actividade. (Sulco, 864)


Paradoxo: desde que me decidi a seguir o conselho do salmo – "Lança sobre o Senhor as tuas preocupações, e Ele te sustentará", cada dia tenho menos preocupações na cabeça... E ao mesmo tempo, com o devido trabalho, resolve-se tudo com mais clareza! (Sulco, 873)

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

03/06/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 03 de Junho

São Josemaria – Textos

A Veloso, BROTÉRIA (A. Veloso), Liberdade

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 12 18-27, Ernesto Juliá Diaz


Agenda Quarta-Feira

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum IX Semana


Evangelho: Mc 12 18-27

18 Foram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-n'O, dizendo: 19 «Mestre, Moisés deixou-nos escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar a mulher sem filhos, seu irmão tome a mulher dele e dê descendência a seu irmão. 20 Ora havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu sem deixar filhos. 21 O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar filhos. Do mesmo modo o terceiro. 22 Nenhum dos sete deixou filhos. Depois deles todos, morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, pois, quando tornarem a viver, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher». 24 Jesus respondeu-lhes: «Não andareis vós em erro, porque não compreendeis as Escrituras, nem o poder de Deus? 25 Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem os homens tomarão mulheres, nem as mulheres maridos, mas todos serão como anjos do céu. 26 Relativamente à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés, como Deus lhe falou sobre a sarça, dizendo: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob”? 27 Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Logo vós estais num grande erro».

Comentário:

Para tentar justificar uma opinião há quem recorra aos argumentos mais bizarros e sem nexo. A reacção comum é, talvez na grande maioria dos casos, um gesto de enfado ou um sorriso de troça.
Jesus Cristo tem, de facto, uma paciência infinita, já o sabemos, mas, além dessa lição que nos dá, junta uma outra de grande importância: nunca devemos desprezar uma ocasião para dar doutrina, esclarecer dúvidas ou aclarar questões, mesmo que, não seja exactamente isso que procura quem nos interpela.
Mesmo a tentativa de ridicularizar algo tão extraordinário como é a Ressurreição dos mortos – artigo da Fé Cristã – é aproveitada para, de forma lapidar, Cristo explicar sem rodeios nem imprecisões, antes com meridiana clareza, que Deus é Eterno e nós homens, filhos adoptivos de Deus em Jesus Cristo, estamos destinados a participar com Ele na bem-aventurança eterna.

(ama, comentário sobre Mc 12, 18-27, 2013.06.05)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS


III a eucaristia


…/3

       

os quatro fins da celebração eucarística


       
        Propiciatório.

N instituição da Eucaristia Cristo já anuncia a Sua Ressurreição «para remissão dos pecados».
O triunfo definitivo sobre o pecado e a morte.
A vontade de Deus é a salvação do homem.

        A Cruz pertence ao mistério divino da salvação.
É expressão do amor de Deus até ao extremo [1].
O seguimento de Cristo vivendo a Missa é participação na sua Cruz, é união com o seu Amor.
Na Missa a nossa vida transforma-se.
Na Missa nasce o homem novo criado segundo Deus.
Quem omite a Cruz, quem abandona a Missa, esquece a essência do cristianismo.
São Paulo recorda-o claramente: «Que nunca me gabei a vós de saber coisa alguma mas só a Jesus Cristo e este crucificado» [2].

        Vivendo a Missa todo o viver do homem, gozos e tristezas, prazeres e dores, êxitos e fracassos, saúde e doença adquirem sentido de redenção: participam na Cruz e na Ressurreição de Cristo.

        Impetratório:

«O sacrifício da Missa oferece-se a Deus (…) para alcançar todas as graças que nos são necessárias e por isto se chama impetratório» [3].

        Se detemos a nossa atenção no sentido último das petições que dirigimos a Deus descobriremos que toda a súplica do cristão leva consigo o anseio da vida eterna, da vida que dá sentido a todos os anseios que, na terra, enchem o nosso espírito e para o que rogamos humildemente a ajuda divina.

        Na celebração da Eucaristia tem lugar a apresentação a Deus Pai do triunfo definitivo de Jesus Cristo, Deus Filho, sobre o pecado e sobre a morte.
Abrem-se, portanto, todas as riquezas do Céu e Cristo põe-nas à disposição dos homens ao separar de nós o obstáculo que nos impedia de as receber.

        A petição que o cristão pode dirigir a Deus Pai no sacrifício da Santa Missa alcança todas as necessidades do vivos e dos defuntos que ainda não tenham chegado ao Céu e não estejam no Inferno.

        Por vezes podemos sentir-nos algo egoístas ao mostrar ao Senhor as nossas necessidades e indigências pedindo-lhe que lhe dê remédio, e fazer esta petição precisamente no momento no qual estamos em união mais íntima e profunda com Ele.
Todavia, tendo em conta que as nossas petições a Deus adquirem sentido, se vão unidas às de Cristo na sua morte e ressurreição, na celebração da Eucaristia adquirem vigência especial as palavras do próprio Senhor:
«O que pedirdes em meu nome, isso fá-lo-ei para que o Pai seja glorificado no Filho» [4].

        Na realidade, na Eucaristia as nossas súplicas unem-se à vontade salvadora de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
As nossas petições abrem e preparam os nossos corações para receber o que Deus quer dar-nos e possibilita que nos alegremos em receber e Deus se alegre em dar.

        Eucarístico

«A Eucaristia é um sacrifício de acção de graças ao Pai, uma bênção pela qual a Igreja expressa o seu reconhecimento a Deus por todos os seus benefícios, por tudo o que realizou mediante a criação, a redenção e a santificação.
«Eucaristia» significa, antes de tudo, acção de graças.

        Nos escritos sobre a vida cristã talvez se tenha sublinhado de forma muito particular, a acção de graças reconhecendo a bondade de Deus que quer que participemos do viver do seu Filho, da sua obra de redenção e de santificação, ao celebrar com Cristo a Santa Missa desde o mais profundo de nós mesmos.

        Essa união na sua obra e o compromisso de viver em fidelidade com essa união, corroborada com a recepção da Sagrada Hóstia, torna possível que o cristão vá levando a cabo a sua tarefa da sua conversão em Cristo, em «outro Cristo», no «próprio Cristo», e assim alcance r4ealizar todas as suas acções, todo o seu viver: «por Cristo, como Ele e nele», e assim converter a Missa no centro da sua vida [5].

        «A Sagrada Eucaristia introduz nos filhos de Deus a novidade divina e, devemos responder (…) com uma renovação de todo o nosso sentir e de todo o nosso actuar.
Deu-se-nos um novo princípio de energia, uma raiz poderosa, enxertada no Senhor.
Não podemos voltar à levedura antiga, nós que temos o Pai de agora e de sempre» [6].

        Desta forma o cristão está em condições de «dar a Deus Pai omnipotente, em unidade com o Espírito Santo, toda a honra e toda glória pelos séculos dos séculos» [7].

        E esta glória e esta honra ficam mais evidentes se consideramos que «A Eucaristia é verdadeiramente um resquício do Céu que se bare sobre a terra.
É um raio da glória da Jerusalém celestial que penetra nas nuvens da nossa história e projecta luz sobre o nosso caminho» [8].

        De facto a Eucaristia também se celebra no Céu; podemos ousar dizer que não é nem sequer um adianto do céu, é próprio céu no altar da terra.

        Os fiéis só podem viver a Eucaristia na união com a vida, a paixão, morte e ressurreição de Cristo sob a acção do Espírito Santo.
Seguindo assim os passos de Cristo que se encarnou, ressuscitou, foi elevado e subiu ao Céu por obra e garça do Espírito Santo» [9].

        Viver a Eucaristia com Cristo, insistimos, possibilita que toda a vida do cristão seja verdadeiramente uma missa e esteja sempre «voltado para Deus» com o seu coração, com a sua alma, convertido a Deus.



iv o processo da conversão



        Com a oração e vivendo a Eucaristia o cristão dá ensejo a que o processo da sua conversão pessoal vá tomando corpo no interior do seu espírito.
O convite de Cristo é constante:
«Cumpriu-se o tempo e está próximo o Reino de Deus, fazei penitência e acreditai no Evangelho» [10]. E com palavras semelhantes encontramos esse convite do Senhor à conversão em Mateus e em São Lucas.

        A conversão é um processo que durará toda a vida, procurando o Senhor deixando-se encontrar por Ele para viver sempre com Ele e nele.
Ao ser uma exigência necessária no viver cristão, a conversão pode apresentar-se de uma forma muito árdua e aparentemente difícil de levar acabo.
Na realidade não é assim.

        João Paulo II recorda:

«A conversão a Deus consiste sempre em descobrir a sua misericórdia, quer dizer esse amor que é ‘paciente e benigno’ a medida do Criador e Pai, o amor a que Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, é fiel até às últimas consequências na história da aliança com o homem até à cruz, até  à morte, até à Ressurreição do seu Filho.
A conversão a Deus é sempre fruto do «reencontro» com este Pai rico em misericórdia» [11].

        Detemo-nos nestas páginas a examinar com detalhe todo o processo da conversão.
Para os fins deste livro é suficiente assinalar que a conversão deve ser uma disposição estável no ânimo do cristão, de forma a viver em «statu conversiones» uma vez que se tenha dado conta que, para viver, é necessário voltar-se sem cessar para Cristo e deixar-se transformar continuamente pela acção da Graça.

        Baste-nos aqui assinalar que a conversão é fruto de «arrepender-se» e «acreditar no Evangelho».

        Desde há muitos séculos este processo de conversão foi especialmente conhecido com duas qualificações: «luta ascética» e «combate espiritual».

Ambos significam o mesmo e comportam idêntica forma de ver o processo de conversão.


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Cfr. Jo 13, 1
[2] 1 Co 2, 2
[3] Catecismo Mayor de San Pio X, n. 660
[4] Jo 14, 13
[5] Cfr. São Josemaria Escrivá, Es Cristo que pasa, n. 154
[6] Cfr. São Josemaria Escrivá, Es Cristo que pasa, n. 155
[7] Fim das orações eucarísticas
[8] Juan Pablo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 19
[9] Cfr. Catecismo, n. 648
[10] Mc 1, 15
[11] Juan Pablo II, Dives in misericordia, n. 13

Temas para meditar - 445

Liberdade 




Liberdade é poder, não de agir sem motivo, mas de determinar quais os motivos que nos devem decidir. Usar este poder é ser livre.




(a. veloso, BROTÉRIA, Vol. LVII, Fasc. 5, 1953, pag. 396)