23/05/2015

Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Jo 21 20-25

20 Pedro, tendo-Se voltado, viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava, aquele mesmo que na ceia estivera reclinado sobre o Seu peito e Lhe perguntara: «Senhor, quem é que Te vai entregar?». 21 Pedro, vendo-o, disse a Jesus: «Senhor, e deste, que será?» 22 Jesus disse-lhe: «Se quero que ele fique até que Eu venha, que tens com isso? Tu, segue-Me». 23 Correu então entre os irmãos que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse a Pedro: «Não morrerá», mas: «Se quero que ele fique até que Eu venha, que tens com isso?». 24 Este é aquele discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu, e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25 Muitas outras coisas fez Jesus. Se se escrevessem uma por uma, creio que nem todo o mundo poderia conter os livros que seria preciso escrever.

Comentário:

Efectivamente como seria possível registrar por escrito tudo quanto ao longo de mais de mil dias O Senhor deve ter feito e dito!

E, mesmo assim, não fora o Espírito Santo e o que fica constante tampouco seria possível de assimilar de forma coerente.

São João declara sem dúvida alguma que assim é e ainda bem que o faz porque nos deixa na expectativa de saber mais e conhecer melhor a vida terrena do Redentor.

(ama, comentário sobre Jo 21, 20-25 2014.06.07)



Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

I A VIDA CRISTÃ PESSOAL



o ser «nova criatura»

…/2

        A vida pessoal cristã leva consigo:

1. «Despojar-se do homem velho» adquire o seu verdadeiro sentido em preparar o espírito a «revestir-se do homem novo».
Além disso, «despojar-se» não é o primeiro passo nem «revestir-se» é o segundo: são duas palavras que exprimem duas acções diferentes que aplicadas ao processo de conversão cristã se convertem numa única acção com dois aspectos diferentes.
Ou seja, «despojar-se» e «revestir-se» são na realidade duas faces da mesma acção: despojar-se sem revestir-se não é nada e revestir-se sem despojar-se tampouco.
Ninguém «deita vinho novo em odres velhos».

        São Paulo expressa-o assim aos Colossenses: «Despojai-vos do homem velho com todas as suas obras e revesti-vos do homem novo que se vai renovando até alcançar um conhecimento perfeito segundo a imagem do seu Criador donde não há grego e judeu, circuncisão ou incircuncisão, bárbaro ou escita, escravo ou livre porque Cristo é tudo em todos» [1].

2. O ser «nova criatura» implica a necessidade de nos contermos e que toda a vida do cristão seja um conversão constante, principalmente no moral, mas entitativa: a redenção do pecado que a Graça opera na pessoa humana torna possível que toda a natureza humana se reajuste e esteja em condições de desenvolver todas as suas potencialidades pelos canais adequados.

São Paulo diz: «É Cristo quem vive em mim».
Pode Cristo chegar a viver plenamente em cada um de nós?
Vivendo enxertados em Cristo pelos sacramentos – como já vimos na Primeira Parte – o fruto da acção da Graça em nós é uma conversão que nunca se conclui.
A Graça jamais deixa de actuar no nosso espírito até, se não lhe colocamos obstáculo, toda a massa esteja fermentada.
Ou seja a acção da Graça acabará sendo também moral porque no cristão é entitativa, ontológica: o ser humano também chega à plenitude como homem em Cristo Jesus.

        Convém-nos, portanto, não esquecer que o homem é cristão pelo que é e não pelo que faz.
O que faz terá que manifestar o que é.
Por esta razão a acção da Graça no núcleo do ser pessoal começa o processo das conversões.

        Como uma luz descobre as sombras a conversão descobre a insuficiência e a inconsistência do presente, abre horizontes para um mundo novo e leva consigo o compromisso gozoso de todo o ser.

        3. Podemos resumir brevemente este processo da seguinte forma ao mesmo tempo que nos remetemos ao cap. X da Primeira Parte no qual já falámos do significado vital da Fé, da Esperança, da Caridade.

        Para que a conversão à Fé, à Esperança e à Caridade deite raízes no homem e se possa dizer de qualquer cristão que «vive da Fé» e para que no final do processo Cristo chegue a viver verdadeiramente no crente, requerem-se o que poderíamos chamar «conversões prévias», também frutos da acção da Graça e da cooperação livre do homem.

        A primeira e decisiva conversão é a de tomar consciência de ser criatura que leva a aceitar a criação do homem por Deus.
A primeira relação que Deus Pai estabelece com o homem.

        A segunda conversão é viver a consciência de ser pecador.
Esta conversão leva a aceitar a Encarnação, a Redenção e a estar convencidos de necessitar da Graça para vencer o pecado.
O homem, com esta conversão, responde à segunda relação que Deus Filho estabelece com o ser humano.

        A terceira conversão que logicamente pressupõe as duas anteriores, consiste em ansiar ser «nova criatura» e leva consigo aceitar a vinda do Espírito Santo à alma num Pentecostes constante.
Nesta conversão, o cristão descobre o gozo de viver como «nova criatura», de fé, de esperança, de caridade.
E aceita agradecido a terceira relação que Deus Espírito Santo estabeleceu com a criatura: a santificação.


disposições necessárias para crescer na fé


A essa tomada de consciência correspondem umas disposições no espírito do cristão que vão configurando a conversão.
Sem essas disposições vivas na alma a «nova criatura» nunca acabará de se formar.
Ao mesmo tempo essas disposições manifestam a liberdade com que o homem acolhe as luzes de Deus e quer secundar os seus planos.

        Estas disposições são fundamentalmente três:

        A primeira, a humildade, que torna possível que a Fé assente no homem, ao mesmo tempo que a humildade se origina na Fé.
Esta é a disposição do homem que se sabe «criatura de Deus» e agradece os dons recebidos: A Vida, a Graça.

        A humildade manifesta-se especialmente numa afirmação repetida de «não ser nada», de «não valer nada», mas no reconhecimento de tudo o que o ser humano tem de bom é «dom de Deus», «dom gratuito do amor de Deus».
É o canto do Magnificat da Santíssima Virgem Maria.
A Mãe de Deus expressa a humildade dando graças a Deus porque «fez coisas santas nela ao ver a humildade da sua escrava».
O humilde anseia sempre dar toda a glória a Deus.

        Em segundo lugar a docilidade sem a qual é impossível que a Caridade assente na alma e que, ao mesmo tempo, abre sempre novos horizontes à Caridade.
É a disposição do homem que se abre sem reservas à vida de Deus e pede a Deus que venha ao seu espírito e «faça nele morada».

        Também foi a Virgem Maria quem melhor expressou esta disposição da alma, ao abrir plenamente a sua pessoa à vontade de Deus.
«Faça-se em mim segundo a Tua palavra».

        A docilidade é o abandono na vontade amorosa de Deus que o homem nunca chega a conhecer totalmente, o cristão vive a docilidade porque sabe que de Deus, seu Pai amoroso, só pode vir o bem.

        É normal ver essa docilidade expressa com a frase bíblica: « como o barro nas mãos do oleiro» [2].
Se lemos a frase com perspectiva humana a docilidade pode ser entendida como quase escravidão e o homem converter-se-ia num brinquedo de Deus.
Se, pelo contrário, a lemos com perspectiva divina e a unimos à passagem da criação do homem quando Deus enche de espírito o barro da terra, compreenderemos que «as mãos do oleiro» dão vida ao barro, enchem-no de espírito.
Esse é o fruto da docilidade.

        A terceira disposição, o arrependimento que assenta na Esperança e que ao mesmo tempo possibilita que a Esperança renasça sempre no espírito do cristão.
É a disposição do homem que reconhece o seu pecado, não se esconde do olhar de Deus como Adão fez no Paraíso e solicita a Graça para renovar a amizade com Deus.

        O arrependimento permite ao homem nunca afastar o seu olhar da luz de Deus e assim recompor, enriquecido, o «manancial que salta até à vida eterna», a acção da Graça em nós.
E ao mesmo tempo recompor de tal forma a sua orientação vital que todo o seu existir fica de novo dirigido a Deus guiado pela luz de Deus.

        Logicamente estas disposições-conversões não têm uma ordem de sucessão temporal e não podem existir umas sem as outras.
É necessário que se deem conjuntamente num movimento complementar.
De facto, a humildade torna possível o arrependimento e é impossível sem a docilidade.
Por sua vez o arrependimento enriquece a humildade e faz crescer a docilidade.
A docilidade permite que o arrependimento cresça na alma e goze na humildade.

        Temos de lembrar que estamos falando de «vida cristã pessoal»
De uma vida que surge da acção conjunta da Graça divina e da vontade humana.
Entende-se que a Graça e a vontade não actuam como duas forças que confluem na acção, mas que a acção o viver a «vida cristã», o homem que actua surge da inserção da Graça na vontade, da vontade na Graça.

        Repetimos que este caminho de conversão nunca acaba pelo simples facto de nunca chegar a ser plenamente cristãos que a nossa pessoa seja e se torne totalmente «una com Cristo».
Nunca podemos chegar, por exemplo, a ser tão dóceis» ao Espírito Santo que alcancemos amar como Cristo ama.




(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] Col 3, 9-11
[2] Cfr. Is 29, 16; Jr 18, 6

Meditações de Maio 23

Neste Sábado desejo fazer algo especial pela minha Mãe do Céu.

O que poderia fazer que lhe fosse agradável e reflectisse o meu amor, carinho e veneração pela Excelsa Mãe de Deus e minha Mãe?

Ocorre-me, então, que, seguramente, o que lhe dará maior alegria, é participar na Santa Missa com todo o meu empenho, as minhas forças e potências para, assim, dar maior glória a Deus e receber as abundantes graças que me tem reservadas.

Santa Maria, ajuda-me neste propósito.

(Lapa, 2011.02.19)


(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


SÁBADO


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Tratado da vida de Cristo 3

Questão 27: Da santificação da Virgem Maria

Art. 3 — Se a Santa Virgem foi purificada do contágio do gérmen da concupiscência.

O terceiro discute-se assim. — Parece que a Santa Virgem não foi purificada do contágio do gérmen da concupiscência.

1. Pois, assim como a pena do pecado original é a concupiscência, consistente na rebelião das potências inferiores contra a razão, assim também a pena do pecado original é a morte e as demais penalidades corpóreas. Ora, a Santa Virgem foi sujeita a essas penalidades. Logo, também não foi totalmente isenta da concupiscência.

2. Demais. — O Apóstolo diz: A virtude aperfeiçoa-se na enfermidade, referindo-se à enfermidade da concupiscência, por causa da qual sofria o estímulo da carne. Ora, a Santa Virgem não foi privada de nada do que exige a perfeição da virtude. Logo, não foi de todo isenta da concupiscência.

3. Demais. — Damasceno diz, que o Espírito Santo sobrevém à Santa Virgem, purificando-a antes da concepção do Filho de Deus. O que não pode entender-se senão da purificação da concupiscência, pois, nenhum pecado cometeu, como diz Agostinho. Logo, pela santificação no ventre materno não foi de todo isenta da concupiscência.

Mas, em contrário, a Escritura: Toda tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula. Ora, a concupiscência é mácula, pelo menos da carne. Logo, na Santa Virgem não houve concupiscência.

Nesta matéria divergem as opiniões. — Assim, uns disseram que a Santa Virgem, pela sua própria santificação, operada no ventre materno, ficou totalmente isenta da concupiscência. — Mas outros dizem que lhe permaneceu a concupiscência, enquanto causa de dificuldade na prática do bem; ficou porém dela isenta, enquanto inclinação para o mal. — Outros, ainda, disseram que ficou isenta da concupiscência, no atinente à corrupção da pessoa, enquanto impede para o mal e dificulta o bem; mas não o ficou, quanto à corrupção da natureza, isto é, enquanto a concupiscência é a causa da transmissão do pecado original aos filhos. — Outros, enfim, dizem que, a primeira santificação não eliminou a concupiscência, mas a deixou travada nos seus efeitos; sendo porém totalmente eliminada na própria concepção do Filho de Deus.

Mas, para bem compreendermos, neste assunto, devemos notar que contágio do pecado nada mais é que uma concupiscência desordenada do apetite sensível; mas, habitual, porque a concupiscência actual é o movimento do pecado. Diremos porém que a concupiscência da sensualidade é desordenada, porque repugna à razão; o que se dá, por inclinar para o mal ou opor dificuldades ao bem. Donde, é da própria natureza da concupiscência inclinar para o mal, ou dificultar a prática do bem. Por isso, dizer que a concupiscência existiu na Santa Virgem, sem a inclinar para o mal, é querer que coexistam duas coisas opostas. - Semelhantemente, também implica oposição o permanecer da concupiscência enquanto corrupção da natureza e não enquanto corrupção da pessoa. Pois, segundo Agostinho, é a concupiscência que transmite para a prole o pecado original. Ora, essa é uma concupiscência desordenada e não totalmente sujeita à razão. Se, pois, a concupiscência tivesse sido totalmente eliminada, enquanto corrupção da pessoa, não poderia permanecer enquanto corrupção da natureza.

Resta, pois, admitirmos ou que a primeira santificação a isentou totalmente da concupiscência ou que, se esta subsistiu, ficou travada nos seus efeitos. Pois, poder-se-ia entender que a concupiscência ficou totalmente eliminada, na Santa Virgem, por lhe ter sido concedida, pela abundância da graça que lhe foi conferida, uma tal disposição das potências da alma, que as inferiores nunca se movessem sem o assentimento da razão. Tal o que dissemos ter passado com Cristo, de quem sabemos que não teve inclinação para o pecado, e com Adão, antes do pecado, pela justiça original. De modo que, assim, nesta matéria, a graça da santificação teve para a Virgem a virtude da justiça original. Mas, embora esta opinião venha salvar a dignidade da Virgem Mãe, contraria de algum modo à dignidade de Cristo, sem cuja virtude ninguém pode livrar-se da condenação primitiva. E embora pela fé de Cristo, e, antes da sua Encarnação, alguns fossem espiritualmente livres dessa condenação, contudo ninguém poderia livrar-se dela, quanto à carne, senão depois da Encarnação, pela qual devia primariamente manifestar-se a imunidade dessa condenação. Donde, assim como antes da imortalidade da carne de Cristo ressuscitado, ninguém alcançou a imortalidade da carne, assim é inconveniente admitirmos que, antes da carne de Cristo, que não teve nenhum pecado, a carne da Virgem sua Mãe, ou de quem quer que seja, fosse isenta da concupiscência, chamada lei da carne ou dos membros.

Por isso parece melhor pensarmos que, a santificação no ventre materno não isentou a Santa Virgem da concupiscência, na sua essência, mas os seus efeitos ficaram paralisados. Não por acto da sua razão, como se deu com os varões santos; pois, não teve o uso do livre arbítrio logo que começou a existir no ventre materno – privilégio especial de Cristo; mas, a abundância da graça, recebida na santificação, e ainda mais perfeitamente por acção da divina providência, paralisou-lhe todo movimento desordenado dos sentidos. Mas, depois, na própria concepção da carne de Cristo, quando primeiramente devia refulgir a imunidade do pecado, devemos crer que do filho redundou ela para a mãe, ficando então totalmente eliminada a inclinação para o pecado. E já isso estava figurado na Escritura, quando diz: Eis que entrava a glória do Deus de Israel pela banda do oriente, isto é, por meio da Santa Virgem; e a terra estava resplandecente pela presença da sua majestade, isto é de Cristo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A morte e outras penalidades semelhantes por si mesmas não inclinam ao pecado. E por isso Cristo, embora as assumisse, não se sujeitou à concupiscência. E por isso também na Santa Virgem, para conformar-se ao Filho, de cuja plenitude recebeu a graça - primeiro, a concupiscência ficou impedida nos seus efeitos e, depois, foi eliminada; mas não ficou livre da morte e de outras penalidades semelhantes.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A fraqueza da carne constituída pela sua inclinação ao pecado, é certo, para os varões santos uma ocasião de virtude perfeita; mas não a causa sem a qual não possa a perfeição ser alcançada. Basta, pois, atribuir à Santa Virgem a virtude perfeita pela abundância da graça; nem lhe é preciso atribuir toda ocasião possível de perfeição.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O Espírito Santo operou na Santa Virgem uma dupla purificação. - Uma, quase preparatória à concepção de Cristo, que veio, não purificá-la de qualquer impureza da culpa ou da concupiscência, mas imprimir mais profundamente na sua alma o carácter de unidade e elevá-la acima da multidão. Assim, também dizemos que são purificados os anjos, nos quais não há nenhuma impureza, como diz Dionísio. - A outra purificação o Espírito Santo operou na Santa Virgem, mediante a concepção de Cristo, obra do mesmo Espírito. E, por ela, podemos dizer que a purificou totalmente da concupiscência.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



22/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 22 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 21 15-19, Ernesto Juliá Diaz

A novidade em Cristo, P O'Callaghan


Agenda Sexta-Feira

Anda, voa!

Vejo-me como um pobre passarinho que, acostumado a voar apenas de árvore em árvore ou, quando muito, até à varanda de um terceiro andar..., um dia, na sua vida, meteu-se em brios para chegar até ao telhado de certa casa modesta, que não era propriamente um arranha-céus... Mas eis que o nosso pássaro é arrebatado por uma águia – que o julgou erradamente uma cria da sua raça – e, entre as suas garras poderosas, o passarinho sobe, sobe muito alto, por cima das montanhas da terra e dos cumes nevado...
..., por cima das nuvens brancas e azuis e cor-de-rosa, mais acima ainda, até olhar o sol de frente... E então a águia, soltando o passarinho, diz-lhe: anda, voa!... – Senhor, que eu não volte a voar pegado à terra, que esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol – Cristo – na Eucaristia, que o meu voo não se interrompa até encontrar o descanso do teu Coração! (Forja, 39)

O coração sente então a necessidade de distinguir e adorar cada uma das pessoas divinas. De certo modo, é uma descoberta que a alma faz na vida sobrenatural, como as de uma criancinha que vai abrindo os olhos à existência. E entretém-se amorosamente com o Pai e com o Filho e com o Espírito Santo; e submete-se facilmente à actividade do Paráclito vivificador, que se nos entrega sem o merecermos: os dons e as virtudes sobrenaturais!

Corremos como o veado que anseia pelas fontes da água; com sede, a boca gretada pela secura. Queremos beber nesse manancial de água viva. Sem atitudes extravagantes, mergulhamos ao longo do dia nesse caudal abundante e claro de águas frescas que saltam até à vida eterna. As palavras tornam-se supérfluas, porque a língua não consegue expressar-se; o entendimento aquieta-se. Não se discorre, olha-se! E a alma rompe outra vez a cantar um cântico novo, porque se sente e se sabe também olhada amorosamente por Deus a toda a hora.

Não me refiro a situações extraordinárias. São, podem muito bem ser, fenómenos ordinários da nossa alma: uma loucura de amor que, sem espectáculo, sem extravagâncias, nos ensina a sofrer e a viver, porque Deus nos concede a Sabedoria. Que serenidade, que paz então, metidos no caminho estreito que conduz à vida! (Amigos de Deus, nn. 306–307)


Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Jo 21 15-19

15 Depois de comerem, disse Jesus a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus disse-lhe: «Apascenta os Meus cordeiros». 16 Voltou a perguntar pela segunda vez: «Simão, filho de João, amas-Me?». Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus disse-lhe: «Apascenta as Minhas ovelhas». 17 Pela terceira vez disse-lhe: «Simão, filho de João, amas-Me?». Pedro ficou triste porque, pela terceira vez, lhe disse: «Amas-Me?», e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». Jesus disse-lhe: «Apascenta as Minhas ovelhas». 18 «Em verdade, em verdade te digo: Quando tu eras mais novo, cingias-te e ias onde desejavas; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres». 19 Disse isto, indicando com que género de morte havia Pedro de dar glória a Deus. Depois de assim ter falado, disse: «Segue-Me».

Comentário:

Tu que sabes tudo porque me perguntas três vezes se Te amo?

O que pretendes com tal insistência?

Percebo, finalmente quando me perguntas se Te amo mais que os outros.

Desejaria responder-te com absoluta segurança: amo-te mais que qualquer um!

(ama, comentário sobre Jo 21, 15-19 2014.06.06)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

I A VIDA CRISTÃ PESSOAL

        Até agora consideramos as relações que Deus quis estabelecer com os homens: a Criação, doação de Deus Pai; a Encarnação, doação de Deus Filho; Pentecostes a doação de Deus Espírito Santo.
Cada uma destas relações, destas doações contem um compromisso que Deus que Deus assume com respeito ao homens.

        Deus Pai pela Criação compromete-se a ser nosso Pai e convida o homem a ser e a viver como filho; Deus Filho pela encarnação assume o encargo de ser nosso Redentor e convida o homem a leibertar-se do pecado e a refazer a sua liberdade na «liberdade dos filhos de Deus»; pela Sua vinda no Pentecostes, Deus Espírito Santo toma sobre si a tarefa de ser nosso Santificador e convida o homem a ser santo «como e porque Deus é santo».

        Com estas três relações Deus Pai, Filho e Espírito Santo criam o homem e oferecem-lhe – convidam – participar na sua própria vida divina que Deus apresenta ao homem para que a torne sua-

        Isto é o que considerámos na Primeira Parte tratando de descobrir o que é ser cristão.

        Resumindo podemos dizer que «ser cristão» é ser «filho de Deus em Cristo Jesus» por obra da Graça, «certa participação na natureza divina», que o cristão recebe nos sacramentos.

        O cristão está «enxertado» em Cristo e de «filho de Deus» manifesta a sua vida por meio da Fé, acredita que Cristo é Filho de Deus feito homem».
Por meio da Esperança sabe-se em caminho para a vida eterna.
A Graça enxerta o tempo do homem na eternidade de Deus.
Por meio da Caridade o homem descobre-se vivendo movido pelo Espírito Santo e sendo semeador de paz e de alegria nas suas actividades quotidianas: sociais, profissionais, familiares.

        Para conseguir «viver sendo cristão» o crente necessita de cooperar com as acções de Deus, responder, por assim dizer, aos seus convites em plena liberdade.
Não pode coperar na acção de Deus Pai no momento da criação porque a vida humana é a única imposição de Deus ao homem.
Ainda que sendo uma dádiva, um dom é ao mesmo tempo um dom imposto.

        Ao mesmo tempo Deus espera a manifestação livre, clara e afirmativa da aceitação pelo homem da oferta para que se «enxerte» em Cristo e seja assim «filho de Deus em Cristo Jesus» e comece a sua vida cristã.
E de forma semelhante também espera do homem uma aceitação manifesta de adesão à Redenção e à Santificação: deixar que o Espírito Santo actue nele.

        Deus respeita a liberdade humana não impõe ao homem a realização dos sonhos divinos sobre a «única criatura terrestre que Deus amou por si mesma» [1].

        Já conhecendo o que Deus deseja e sabendo também que o homem foi redimido do pecado dispomo-nos nesta Segunda Parte a apresentar os canais pelos quais o homem vai dando respostas afirmativas aos anseios e às dádivas de Deus tornado vida própria a vida que Cristo lhe oferece e chegando assim a configurar-se como verdadeiro «filhos de Deus».
Ratzinger comenta: «A filiação converte-se num conceito dinâmico todavia não somos plenamente filhos de Deus mas temos de chegar a sê-lo mais e mais mediante a nossa comunhão com Cristo cada vez mais profunda» [2].

        A acção da graça divina na plenitude do seu ser pessoal permite ao homem descobrir a dignidade, a grandeza, a beleza em que foi criado e redimido e a dignidade e a grandeza a que é chamado-
Podemos dizer que toda a vida cristã é o desenvolvimento dessa «filiação divina» que Deus enxerta no ser do homem.

        Nesta Segunda Parte, portanto, temos de procurar dar resposta à pergunta de Como ser cristão?
Em suma assinalar o canal que transporta o ser Cristão.

        O Catecismo expressa estas palavras de São Leão Magno que expressam a nova realidade do homem e a missão a que foi chamado depois da Redenção de Cristo e da recepção do Espírito Santo.

        A «nova realidade» é esta: «Cristão, reconhece a tua dignidade.
Uma vez que agora participas da natureza divina não degeneres voltando à baixeza da tua vida passada.
Recorda a que Cabeça pertences e de que Corpo és membro.
Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas para seres trasladado à luz do Reino de Deus» [3].

        A «nova missão» expressa-se assim: O cristão consciente de ter sido criado «para conhecer, amar e servir a Deus nesta vida e gozá-lo para sempre na eterna» e reconhecendo na fé a sua nova dignidade sente-se chamado a levar por diante uma «vida digna do Evangelho de Cristo» [4].[5]

        E é a realidade desta «vida digna do Evangelho de Cristo» que trataremos de expressar e manifestar.


razões de um título

        O título do primeiro capítulo desta Segunda Parte, talvez possa chamar a atenção.
Ao fazer referência ao viver «com Cristo, em Cristo, por Cristo» no Espírito Santo, tradicionalmente é costume falar-se de «vida espiritual», de «vida interior», de «vida sobrenatural».
Optei por dizer Vida pessoal cristã, por várias razões; entre elas:

        - Para alcançar uma visão cabal do ser humano como «pessoa», vale a pena superar a contraposição entendida no sentido mais literal entre o «espírito» e a «carne», que por vezes se estabelece na literatura espiritual entendendo, talvez, de uma forma mais redutora, - como já assinalámos – as palavras de São Paulo no capítulo V da Carta aos Gálatas.
«Espírito» e «carne» antes expressam o contraste entre a redenção e o pecado, entre as obras do homem já baptizado e redimido e as do que todavia permanece em pecado.
Já Santo Agostinho assim o considerou: «Diz-se que alguém vive segundo a carne quando vive para si próprio. Neste caso por «carne» entende-se todo o homem já que tudo quanto provém do amor desordenado a si próprio se chama obra da carne» [6].

        Além do mais, na fé cristã e tendo em conta que é a «pessoa» o «eu» o centro de unidade do ser humano, vivemos s perspectiva da «ressurreição da carne» já realizada na Virgem Santíssima.

        - O viver cristão afecta a pessoa na sua integridade: corpo, alma, espírito.
Se já sublinhámos que também o homem no «corpo» - não só no corpo na sua simples corporeidade –também participa da imagem e semelhança de Deus, falar de «vida espiritual» poderia prestar-se a dar uma visão reduzida da realidade da vida cristã.

        - Diga-se a mesma coisa da «vida interior» porque a vida «com Cristo, em Cristo e por Cristo» vive-a o homem na plenitude do seu ser e do seu actuar, da sua pessoa, não só na interioridade das suas faculdades.

        - Podemos desenvolver um raciocínio semelhante em torno das palavras «vida sobrenatural».
O ser humano vive a vida cristã na plenitude da sua natureza humana, a vida da Graça não situa o homem fora do contexto do seu viver natural e estrictamente humano e, por outro lado, nenhuma acção humana deixa de ser «acção pessoal», também contida na sua realidade biológico-natural.

        Por acção da Graça, o cristão acaba vivendo de uma forma que – podíamos dizer – é «toda divina sem deixar de ser humana e toda humana sem deixar de ser divina», ou melhor, «toda divina sendo profundamente humana, toda humana sendo profundamente divina».

        Por outro lado, falar apenas de «vida sobrenatural» poderia centrar a atenção no que de extraordinário, de extranatural há em ser filhos de Deus em Cristo e poderia originar uma visão desfocada, desencarnada, da vida de Cristo no homem, da vida do homem em Cristo.


o ser «nova criatura»


        Esclarecido o título parece-me que também é necessário um breve resumo para nos situarmos perante alguns detalhes desta vida cristã pessoal que nos convém ter presente ao longo destas áginas.

        A vida pessoal cristã leva consigo:

1.   A necessidade de ser «nova criatura».
Já referimos que a graça e os Dons do Espírito Santo tornam possível este viver do cristão como «nova criatura».
São Paulo abre os horizontes desta transformação do homem em «nova criatura» consciente que é uma tarefa que jamais se conclui na terra porque não se tata de conseguir umas metas determinadas na maturidade humana nem no conhecimento dos mistérios da terra e do céu.
O convite que o Apóstolo faz aos de Éfeso é claro: «Deixando a vossa antiga conduta, despojados do homem velho que se corrompe seguindo a sedução das concupiscências, renovai o espírito da vossa mente e vesti-vos do homem novo criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade»[7] .

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Gaudium et spes, n. 24
[2] Joseph Ratzinger, Bento XVI, Jesus de Nazaret, La Esfera de los livros, Madrid 2007, p. 172
[3] São Leão Magno, Ser. 21, 2-3, n. 1691.
[4] Flp 1, 27
[5] Catecismo n. 1692
[6] Santo Agostinho, La ciudad de Dios, 14, 2
[7] Ef 4, 22-24

Meditações de Maio 22



O Escapulário que uso há-de proteger-me na hora da minha morte.

Certo que me assistirás nessa derradeira hora, fico tranquilo.

Que melhor companhia poderia desejar para me conduzir ao Pai?



(ama, meditações de Maio, 2015)