25/04/2015

É preciso que sejas homem de vida interior

É preciso que sejas "homem de Deus", homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício. – O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida "para dentro". (Caminho, 961)

Vida interior. Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os dias...; santidade para santificar os outros. Numa certa ocasião, um meu conhecido – nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem – sonhava que ia a voar num avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas. Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava! Parecia que Nosso Senhor lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas – inseguras, inquietas – as almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo constante de caírem, sofrendo, incertas.

E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se extraviarem os que se lançam à acção – ao activismo – prescindindo da oração, do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da Guarda... Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível, para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.


Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os outros, no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de Deus, com uma conversa – um diálogo – que não se manifesta exteriormente. Melhor dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de notar-se pelo empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as tarefas, tanto as importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com essa constância, seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de Deus, pois teríamos desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou providencialmente ao nosso alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito, à medida da idade perfeita segundo Cristo. (Amigos de Deus, 18–19)

Temas para meditar - 428


Afecto filial



O afecto filial manifesta-se também em pedir uma vez e outra como filhos necessitados, até que nos conceda o que pedimos.


(F. F. CARVAJAL & PEDRO BETTETA LÓPEZ, Filhos de Deus, DIEL, ISBN 972-8040-08-03, nr. 77)

Pequena agenda do cristão

SÁBADO


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Tratado do verbo encarnado 149

Questão 25: Da adoração de Cristo

Art. 3 — Se a imagem de Cristo deve ser adorada com adoração de latria.

O terceiro discute-se assim. — Parece que à imagem de Cristo não deve ser adorada com adoração de latria.

1. — Pois, diz a Escritura: Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma. Ora, nenhuma adoração deve ser prestada contra o preceito de Deus. Logo, a imagem de Cristo não deve ser adorada com adoração de latria.

2. Demais. — Não devemos imitar as práticas dos gentios, como diz o Apóstolo. Ora, os gentios são precipuamente acusados porque mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança de figura de homem corruptível. Logo, a imagem de Cristo não deve ser adorada com adoração de latria.

3. Demais. — A Cristo é devida a adoração de latria em razão da divindade, e não, da humanidade. Ora, à imagem da sua divindade, impressa na alma racional, não é devida a adoração de Iatria. Logo, muito menos o é à imagem corpórea, que lhe representa a humanidade.

4. Demais. — No culto divino não se deve praticar senão o instituído por Deus. Por isso o Apóstolo, ao transmitir a doutrina do sacrifício da Igreja, diz; Eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós. Ora, a Escritura nada nos diz sobre a adoração das imagens. Logo, a imagem de Cristo não deve ser adorada com adoração de latria.

Mas, em contrário, Damasceno cita Basílio, que diz: A honra prestada à imagem é prestada ao ser a que ela pertence, isto é, ao modelo. Ora, o modelo mesmo isto é, Cristo, deve ser adorado com adoração de latria. Logo, também a sua imagem.

Como diz o Filósofo, a nossa alma se aplica com duplo movimento, a uma imagem, à em si mesma, como uma determinada coisa e enquanto imagem de alguém. E entre esses dois movimentos há a diferença seguinte: o primeiro movimento, pelo qual nos aplicamos a uma imagem, enquanto uma determinada coisa, difere daquele pelo qual nos aplicamos ao ser a que ela pertence; ao passo que o segundo movimento, cujo objecto é a imagem como tal, é idêntico ao que tem por objecto o ser ao qual ela pertence. Donde, pois, devemos concluir, que à imagem de Cristo, enquanto uma determinada coisa, por exemplo, madeira esculpida ou pintada, nenhuma reverência é prestada, por que reverência só é devida à natureza racional. E daí resulta que lhe prestamos reverência só enquanto imagem. Donde se segue que a mesma reverência é prestada à imagem de Cristo e ao próprio Cristo. Sendo, portanto, Cristo adorado com adoração de latria, consequentemente a sua imagem deve ser adorada também com adoração de latria.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O referido preceito não proíbe fazer qualquer escultura ou imagem, mas, fazê-la para adorar, e por isso acrescenta: Não as adorarás nem lhes darás culto. Mas, como se disse, o movimento para a imagem é o mesmo que o para a realidade; por isso, é proibida a adoração da imagem do mesmo modo pelo qual o é a adoração do ser a que ela pertence. E por isso se entende a proibição, do lugar aduzido, de adorar as imagens, que os gentios faziam para venerar os seus deuses, isto é, os demónios. Donde o acrescentar a Escritura: Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Pois, do verdadeiro Deus, que é incorpóreo, não se pode fazer nenhuma imagem corpórea; porque, como diz Damasceno, é suma insipiência e impiedade dar figura ao divino. Mas, como no Novo Testamento Deus se fez homem, pode ser adorado na sua imagem corpórea.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O Apóstolo proíbe tomarmos parte nas obras infrutuosas dos Gentios; mas não o proíbe que participemos das suas obras úteis, Ora, a adoração das imagens deve ser contada entre as obras infrutuosas, por duas razões. Primeiro, porque alguns gentios adoravam essas imagens como se fossem as realidades, crendo habitar nelas a divindade, por causa das respostas que os demónios por meio delas davam, e outros efeitos insólitos semelhantes. Segundo, por causa das realidades que elas manifestavam; pois, faziam essas imagens, de algumas criaturas, veneradas nelas pela veneração de latria Ao passo que nós adoramos por adoração de latria a imagem por causa da realidade que ela representa, como dissemos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — À criatura racional é devida reverência, em si mesma. Donde, se à criatura racional, que é a imagem de Deus, fosse tributada a adoração de latria, poderia haver ocasião de erro; isto é, poderia o afecto dos adoradores limitar-se ao homem, como um determinado ser, sem se levar até Deus, de que ele é a imagem. O que não pode dar-se com a imagem esculpida ou pintada na matéria sensível.

RESPOSTA À QUARTA. — Os Apóstolos, por uma inspiração familiar do Espírito Santo, ensinaram algumas práticas a serem observadas pelas Igrejas, que não deixaram por escrito, mas na observância da Igreja, através das gerações dos fiéis, Por isso o próprio Apóstolo diz: Estai firmes e conservai as tradições que aprendestes, ou de palavra, isto é, proferida oralmente, ou de carta nossa, isto é, por um escrito transmitido. E entre essas tradições está a da adoração das imagens de Cristo. Por isso São Lucas pintou a imagem de Cristo, que, segundo se conta, está em Roma.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


24/04/2015

2015.04.24








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Mortificação, Penitência - S. Josemaria – Textos

Evangelho, comentário L. Espiritual (A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 6 52-59, Ernesto Juliá Diaz

Temas para meditar - 427 - Omnia in Bonum, Santo Agostinho

Jesus Cristo e a Igreja – 64 - Jesus Cristo e a Igreja


Pequena agenda do cristão - Agenda Sexta-Feira

Evangelho, comentário L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana III da Páscoa

Evangelho: Jo 6 52-59

52 Disputavam, então, entre si os judeus: «Como pode Este dar-nos a comer a Sua carne?». 53 Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue não tereis a vida em vós. 54 Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a Minha carne é verdadeiramente comida e o Meu sangue verdadeiramente bebida. 56 Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele. 57 Assim como Me enviou o Pai que vive e Eu vivo pelo Pai, assim quem Me comer a Mim, esse mesmo também viverá por Mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram os vossos pais, e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente». 59 Jesus disse estas coisas ensinando em Cafarnaum, na sinagoga.

Comentário:

Fica bem claro que todos entenderam muito bem o discurso de Jesus sobre o Seu Corpo e o Seu Sangue que não se tratava de uma “imagem” mas de uma realidade. Claro que, não entendiam como tal seria possível e, aqui, incluem-se também os próximos de Jesus.

Só mais tarde, depois da instituição da Eucaristia na Última Ceia e, sobretudo, com as luzes do Espírito Santo, se tornará claro o que então parecia duvidoso.
A Comunhão Eucarística é um acto solene e de extraordinário valor. Que o tenham presente quantos se aproximam a comungar!

È muito claro: Participar indevidamente num acto salvador pode ser causa de morte!

(ama, comentário sobre Jo 6, 52-59 2013.04.19)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

I.            Relações que Deus estabelece com o homem.

…/

        Um esclarecimento prévio. Já assinalámos que Deus estabeleceu com o homem o primeiro vínculo-relação com Ele: a criação.

Na sua liberdade, o homem interrompeu a obra de Deus; e, em seguida, Deus oferecerá os seus planos ao homem, para que, em liberdade e amor, o aceite ou o rejeite.
Este é, também, o caso da Redenção que Cristo nos ganhou e que nos oferece na esperança de que a acolhamos com liberdade.
Vejamos já os motivos da vinda do Senhor, que o Catecismo colhe nos nn. 456-460, ainda que sigamos outra ordem que a que ali se expõe.
        Em resumo, e para o propósito que nos move, podemos enunciar os quatro motivos da Encarnação de Cristo desta forma:

1)                  O Verbo encarnou-se para nos salvar reconciliando-nos com Deus: «Deus amou-nos e enviou-nos o seu Filho como propiciação dos nossos pecados”.[i] «O Pai enviou o seu Filho para ser salvador do mundo”.[ii] «Ele manifestou-se para tirar os pecados”“.[iii]

A vinda de Jesus Cristo relaciona-se directamente com o primeiro plano da criação instaurado por Deus e obstaculizado pelo pecado do homem.
O Filho de Deus fazendo-se homem introduz-se na própria criação para a devolver ao Criador e, ao mesmo tempo, recriar a criatura e indicar-lhe de novo o caminho para o Pai, caminho que tinha perdido ao pecar e deixar o Paraíso.

Para que o homem possa descobrir-se de novo como uma criatura de Deus, necessita de se libertar desse véu que o impede de ver os seus dias, as suas circunstâncias, as suas relações com a perspectiva com contemple Deus; necessita, numa palavra, deixar o pecado e arrepender-se.

O único caminho para o abandono do pecado é a conversão do coração humano e o seu voltar de novo para Deus. «Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”.[iv]

Arrependendo-se, o homem está em condições de descobrir o coração misericordioso de Deus, que se goza em perdoar, porque torna possível que a sua Fé, a sua Esperança, a sua Caridade enraízem profundamente em Deus”.

O acto de arrependimento ajuda o homem a recompor-se no núcleo mais central de si próprio; não se trata, simplesmente, de uma ligeira reconstrução psicológica, de carácter ou algo do mesmo estilo.
Não.
O arrependimento permite ao ser humano a capacidade de ver as coisas com a clareza divina; e é o fundamento de toda a esperança: ao mesmo tempo que uma renovação íntegra da caridade, da vontade.

Cristo vem trazer o perdão de Deus sobre toda a humanidade. Um perdão que estabelece as premissas para que o homem supere o «medo” a Deus, que só o diabo pode instalar com tanta firmeza no coração humano, e seja, portanto, «capaz” de se arrepender.

Na sua vida, Jesus Cristo leva plenamente à prática esta missão de perdoar, adiantando as consequências do perdão que nos vai conseguir na Cruz.
Perdoa a adúltera e a samaritana, perdoa o centurião e Zaqueu; perdoa aos gerasenos e os que o crucificam; perdoa a falta de fé dos Apóstolos e as dúvidas de Tomé; perdoa as negações de Pedro e os pecados da Madalena; perdoa ao paralítico, ao endemoninhado e inclusivamente oferece o seu perdão a Judas.
E tudo, sem se preocupar com o escândalo suscitado entre os fariseus nem as consequências que vão cair sobre a sua pessoa, pela destruição da ordem estabelecida que o seu actuar supõe.

E mais, esse escândalo é uma confirmação indirecta, se se quiser, de que os que ouviam Cristo estavam conscientes que o perdão tinha chegado e que o perdão abria as portas da eternidade, fechadas até então, do amor de Deus aos homens.

Este amor de Deus leva-o a reparar não só com juros, mas de forma superabundante, e mais para além das faltas recebidas.
Deus quer que desapareça para sempre o abismo que separa as suas criaturas dele, tornando-se uma delas.

Perdoado o pecado e acolhendo o coração arrependido do homem, Cristo afasta o obstáculo que separa o homem de Deus, lhe devolve a confiança em Deus e tornam possível que esteja em condições de receber a «segunda criação” que Deus quer levar a cabo nele.

Daí a importância que tem consigo ver a realidade existencial de Cristo como verdadeiro Filho de Deus feito homem.

Com efeito, como poderia ter-nos reconciliado com Deus Pai, se a sua realidade de ser Filho de Deus não passará a ser a de um homem que consegue de forma inefável «tomar de alguma forma consciência da profundidade do amor de Deus que o queira como um filho”? Esse «tomar consciência”, que os que pretendem «reduzir existencialmente a vida de Cristo” afirmam, não chega a constituir uma pessoa que possa dizer com plena verdade que «O Pai e eu somos uma mesma coisa”.[v]

Daí, o segundo motivo da Encarnação de Cristo:

2)                  O Verbo encarnou-se para tornar-nos partícipes da natureza divina: «fez-nos mercê dos preciosos” e maiores bens prometidos, para que – por estes - cheguemos a ser partícipes da natureza divina”.[vi] “Porque tal é a razão pela qual o Verbo se fez homem e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, ao entrar em comunhão com o Verbo e ao receber assim a filiação divina, se convertesse em filho de Deus” [vii]. «Porque o Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus” [viii].

Este segundo motivo da Encarnação é o que mais profundamente expressa os planos de Deus com os homens, esses mistérios insondáveis do coração de Deus que São Paulo anseia descobrir.

À Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito, não lhe pareceu suficiente perdoar a ofensa do homem e apagá-la da sua presença. Cristo, Filho de Deus feito homem, consubstancial ao Pai, que diz de si próprio: «O Pai e eu somos uma só coisa” [ix] e (Tudo quanto tem o Pai é meu”,[x] faz-nos partícipes da natureza divina – enxerta-nos em Deus – e leva-o a cabo através dos Sacramentos que Ele mesmo institui.

Fazendo-nos partícipes da sua natureza e vivendo connosco pessoalmente na Eucaristia, podemos dizer com João Paulo II: «Em Cristo e por Cristo, Deus revelou-se plenamente a ela; e, ao mesmo tempo, em Cristo e por Cristo, Deus revelou-se plenamente à humanidade e aproximou-se definitivamente dela; e, ao mesmo tempo, em Cristo e por Cristo, o homem conseguiu plena consciência da sua dignidade, da sua elevação, do valor transcendental da própria humanidade, do sentido da sua existência”.[xi]

São Josemaria Escrivá expressa assim o mistério da nova criatura em Cristo: «Deus Pai, chegada a plenitude dos tempos, enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que restabelecesse a paz; para que, redimindo o homem do pecado, adoptionem filiorum reciperemus,[xii] fossemos constituídos filhos de Deus, libertados do jugo do pecado, tornados capazes de participar na intimidade divina da Trindade. E assim se tornou possível a este homem novo, a este novo enxerto dos filhos de Deus,[xiii] libertar a criação inteira da desordem, restaurando todas as coisas em Cristo,[xiv] que os reconciliou com Deus”[xv].[xvi]

Na Encarnação da Segunda Pessoa da Trindade, Deus deixa reduzida a nada a tentação de Satanás ao homem. «Sereis como deuses” é o oferecimento do diabo a Adão e a Eva.
Deus vai mais além e, o Filho de Deus ao fazer-se homem, convida-nos a participar da sua própria vida divina, a entrar nele, na Trindade.

Como poderia ter-nos feito partícipes da natureza divina, se não fosse verdade, sem reduções de nenhum tipo, as suas afirmações que: «O Pai e eu somos uma só coisa” [xvii] e de que «(Tudo quanto tem o Pai é meu”?[xviii]

Fazendo-nos partícipes, em Cristo e por Cristo, da sua própria «natureza divina”, Deus enxerta no nosso ser um princípio de vida divina no nosso actuar, no nosso ser e no nosso actuar que só pode ser «conhecido pela fé” e, ao mesmo tempo, «nos incita a uma fé cada vez maior”.[xix]

Como pode o homem viver e desenvolver essa «participação na natureza divina”?

Essas duas questões encontram uma resposta adequada nos outros dois motivos da Encarnação do Filho de Deus:

3)                  O Verbo encarnou para ser nosso modelo de santidade: (Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.[xx] «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”.[xxi] E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: «Escutai-o”.[xxii] Ele é, com efeito, o modelo das bem-aventuranças e a norma da nova lei: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.[xxiii]
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[i] 1 Jo 4, 101
[ii] 1 Jo 4, 14
[iii] 1 Jo 3, 5
[iv] Mt 4, 17
[v] Jo 10, 30
[vi] 2 P 1, 4
[vii] san ireneo, Adversus haereses, 3, 19.
[viii] san atanasio, De incarnatione, 54, 3.
[ix] Jo 10, 30
[x] Jo 16, 14
[xi] juan pablo ii, Redemptor hominis, n. 11.
[xii] Ga 4, 5
[xiii] cfr. Rm 6, 4-5
[xiv] cfr. Ef 1, 5-10
[xv] cfr. Col 1, 20
[xvi] são josemaria escrivá, Es Cristo que passa, n. 63.
[xvii] Jo 10, 30
[xviii] Jo 16, 414
[xix] cfr. Catecismo, n. 2005
[xx] Jo 14, 6
[xxi] Mt 11, 29
[xxii] Mc 9, 7
[xxiii] Jo 15, 12