07/04/2015

Tratado do verbo encarnado 144

Questão 24: Da predestinação de Cristo

Art. 2 — Se é falsa a proposição – Cristo, enquanto homem, foi predestinado para Filho de Deus.

O segundo discute-se assim — Parece falsa a proposição: Cristo, enquanto homem, foi predestinado para Filho de Deus.

1. — Pois, cada qual foi predestinado para um determinado tempo porque a predestinação de Deus não falha. Se, portanto, Cristo, enquanto homem, foi predestinado para Filho de Deus, resulta que é Filho de Deus, enquanto homem. Ora, isto é falso. Logo, também a primeira proposição.

2. Demais. — O que convém a Cristo, enquanto homem, convém a qualquer homem, pois, ele é da mesma espécie que os outros homens. Se, pois, Cristo, enquanto homem, foi predestinado Filho de Deus, resulta que isso também cabe a qualquer homem. Ora, tal é falso. Logo, também a primeira proposição.

3. Demais. — O que se fará no tempo foi predestinado abeterno. Ora, a proposição — O Filho de Deus foi feito homem — é mais verdadeira que a outra — O homem foi feito filho de Deus. Logo, a proposição — Cristo, enquanto Filho de Deus foi predestinado para ser homem — é mais verdadeira que a sua inversa — Cristo, enquanto homem, foi predestinado para Filho de Deus.

Mas, em contrário, Agostinho: Dizemos que foi predestinado o próprio Senhor da glória, por ter sido feito homem o Filho de Deus.

Na predestinação podemos considerar duas coisas. Uma, relativa à própria predestinação eterna; que, então, implica uma certa anterioridade relativa ao suposto da predestinação. Noutro sentido, pode ser considerada quanto ao seu efeito temporal, dom gratuito de Deus. Donde, devemos concluir que, de ambos estes modos a predestinação é atribuída a Cristo em razão da natureza humana. Pois, a natureza humana nem sempre esteve unida ao Verbo; e também lhe foi conferido pela graça, que se unisse à pessoa do Filho de Deus. E portanto, só em razão da natureza humana é que a predestinação convém a Cristo. Donde o dizer Agostinho: Uma elevação tão grande, tão alta e tão sublime foi predestinada à natureza humana, que não podia, assim, ser mais exaltada. Ora, dizemos que convém a alguém, enquanto homem, o que lhe convém em razão da natureza humana. Donde, pois, devemos concluir, que Cristo, enquanto homem, foi predestinado para Filho de Deus.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Na proposição — Cristo, enquanto homem, foi predestinado para Filho de Deus — a restrictiva — enquanto homem, pode referir-se ao acto significado pelo particípio, de dois modos. — Primeiro, quanto ao que está materialmente incluído na predestinação. E então é falsa. Pois, o sentido é: ter sido predestinado que Cristo, enquanto homem fosse Filho de Deus. E neste sentido a objecção colhe. De outro modo, pode referir-se à razão mesma do acto; isto é, enquanto a predestinação implica, por natureza, anterioridade e efeito GRATUITO. E, neste sentido, a predestinação convém a Cristo em razão da natureza humana, como se disse; é considerado então predestinado, enquanto homem.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Uma causa pode convir a um homem, em razão da natureza humana, de dois modos. — Primeiro, por ser dela a causa a natureza humana; assim a faculdade de rir convém a Sócrates em razão da natureza humana, de cujos princípios procede essa faculdade. E, neste sentido, ser predestinado não convém a Cristo nem a nenhum homem, em razão da natureza humana. Neste sentido, pois, procede a objecção. — De outro modo, dizemos que uma causa convém a alguém, em razão da natureza humana, quando a natureza humana é susceptível de tal causa. E então dizemos que Cristo foi predestinado em razão da natureza humana porque a predestinação se refere à exaltação da natureza humana em Cristo, como dissemos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O Verbo de Deus assumiu a natureza humana de um modo tão inefavelmente singular, que simultaneamente se chamassem Deus — o filho do homem por causa da natureza humana assumida; e o Filho de Deus, por causa do Unigénito, assumente — como diz Agostinho. E portanto, como essa assunção se inclui na predestinação, como gratuita, podemos dizer tanto que o Filho de Deus foi predestinado para ser homem, como que o foi o Filho do Homem, para ser Filho de Deus. Mas, como não foi ao Filho de Deus a graça de ser homem, mas antes, à natureza humana, para que se unisse ao Filho de Deus, podemos mais propriamente dizer, que Cristo, enquanto homem, foi predestinado para ser Filho de Deus, do que: Cristo, enquanto Filho de Deus, foi predestinado para ser homem.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Temas para meditar - 411


Falta de amor


Falta de amor é ceder à indiferença e ao cepticismo; falta de amor é tornar-se escravos da droga e da sensualidade desordenada; falta de amor é entregar-se a organizações que se baseiam na violência e que actuam na ilegalidade e na prepotência.



(btº joão paulo ii, Discurso aos jovens em Foggia, Itália, 1987.05.24)

Bento VXI – Pensamentos espirituais 45

Lex credendi



Acreditar, com efeito, consiste sobretudo em confiar em Deus que nos conhece e ama e em acolher a verdade que o Pai nos revelou em Cristo, numa atitude que nos leva a confiar nele, que nos revela o Pai. Apesar das nossas fraquezas e dos nossos pecados, Ele ama-nos e este seu amor dá sentido à nossa vida e à vida do mundo.


(Discurso aos bispos nomeados durante o ano transacto O9.Set.05)


(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

06/04/2015

2015.04.06








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Todos somos irmãos! - S. Josemaria – Textos

Evangelho, comentário, Leit espiritual (A imortalidade da alma) - A imortalidade da alma - Santo Agostinho, AMA - Comentários ao Evangelho Mt 28 8-15, Santo Agostinho

Temas para meditar - 410 - Card Benelli, Família, Sínodo sobre a família

Reflectindo - 69 - AMA - Reflexão - Memórias e realidades

Pequena agenda do cristão - Agenda Segunda-Feira


Todos somos irmãos!

Escreveu também o Apóstolo que "não há distinção de gentio e judeu, de circunciso e incircunciso, de bárbaro e cita, de escravo e livre, mas Cristo que é tudo em todos". Estas palavras valem hoje como ontem: para o Senhor não existem diferenças de nação, de raça, de classe, de estado... Cada um de nós renasceu em Cristo para ser uma nova criatura, um filho de Deus; todos somos irmãos, e temos de conviver fraternalmente! (Sulco, 317)

Perante a fome de paz, teremos de repetir com S. Paulo: Cristo é a nossa paz, pax nostra. Os desejos de verdade hão-de levar-nos a recordar que Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Aos que procuram a unidade, temos de colocá-los perante Cristo, que pede que estejamos consummati in unum, consumados na unidade. A fome de justiça deve conduzir-nos à fonte originária da concórdia entre os homens: ser e saber-se filhos do Pai, irmãos.


Paz, verdade, unidade, justiça. Que difícil parece por vezes o trabalho de superar as barreiras, que impedem o convívio entre os homens! E contudo nós, os cristãos somos chamados a realizar esse grande milagre da fraternidade: conseguir, com a graça de Deus, que os homens se tratem cristãmente, levando uns as cargas dos outros, vivendo o mandamento do Amor, que é o vínculo da perfeição e o resumo da lei. (Cristo que passa, 157).

Evangelho, comentário, Leit espiritual (A imortalidade da alma)


Segunda Feira da oitava da Páscoa


Evangelho: Mt 28 8-15

8 Saíram logo do sepulcro com medo e grande alegria e correram para dar a notícia aos discípulos. 9 E eis que Jesus lhes saiu ao encontro e lhes disse: «Deus vos salve». Elas aproximaram-se, abraçaram os Seus pés e prostraram-se diante d'Ele. 10 Então disse-lhes Jesus: «Não temais; ide dizer aos Meus irmãos que vão para a Galileia; lá Me verão». 11 Enquanto elas iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade e noticiaram aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha sucedido. 12 Tendo-se eles reunido com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13 dizendo-lhes: «Dizei: “Os Seus discípulos vieram de noite e, enquanto nós estávamos a dormir, roubaram-n'O”. 14 Se chegar isto aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e estareis seguros». 15 Eles, recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinha sido indicado. E esta notícia divulgou-se entre os Judeus e dura até ao dia de hoje.

Comentário:

Santo Agostinho escreveu sobre este episódio com a acutilância e lógica que o caracterizam e, aliás, pondo como que um ponto final sobre a discussão do assunto. [1]

Penso que o comportamento dos chefes do povo está perfeitamente de acordo com o que sempre fizeram em relação a Jesus Cristo.
A mentira, a invenção, as atitudes dúbias e falsas, os argumentos falhos de qualquer lógica ou critério.

O que de facto se verifica é uma posição irredutível fechada a qualquer discussão ou, sequer, justa apreciação dos factos.

Mas, ao mesmo tempo, lembremo-nos que alguns – pelo menos os Evangelhos nomeiam dois – que tomaram conta do Corpo do Senhor, o ungiram com magnificente largueza de meios, Lhe proporcionaram um sepulcro novo!

Nunca julguemos o todo pela parte nem nos deixemos levar pela tentação de julgar ou emitir parecer.

Lembremo-nos – sempre – que o Crucificado pediu por eles ao Pai afirmando que não sabiam o que faziam!

Talvez possamos concluir que, também nós, podemos fazer o mal julgando praticar o bem.

(ama, comentário sobre Mt 28, 8-15, 2014.04.21)

Leitura espiritual



LA INMORTALIDAD DEL ALMA

SAN AGUSTIN, OBISPO DE HIPONA



LIBRO ÚNICO [1]

Contiene este libro el conjunto de razones sobre la inmortalidad del alma, así como la solución de las dificultades que se presentan.


I


Primera razón por la cual el alma es inmortal: porque es sujeto de la ciencia que es eterna.


1. Si la ciencia existe en alguna parte, y no puede existir sino en un ser que vive, y existe siempre; y si cualquier ser en el que algo siempre existe, debe existir siempre: siempre vive el ser en el que se encuentra la ciencia.
Si nosotros somos los que razonamos, es decir, nuestra alma; si ésta no puede razonar con rectitud sin la ciencia y si no puede subsistir el alma sin la ciencia, excepto el caso en que el alma esté privada de ciencia, existe la ciencia en el alma del hombre.
La ciencia existe en alguna parte, porque existe y todo lo que existe no puede no existir en parte alguna.
Además la ciencia no puede existir sino en un ser que vive.
Porque ningún ser que no vive puede aprender algo; y no puede existir la ciencia en aquel ser que no puede aprender nada.

Asimismo, la ciencia existe siempre.

En efecto, lo que existe y existe de modo inmutable es necesario que exista siempre.

Ahora bien, nadie niega la existencia de la ciencia.
En efecto, quienquiera que admita que no se puede hacer que una línea trazada por el centro de un círculo no sea la más larga de todas las que no se tracen por el dicho centro, y que esto es objeto propio de alguna ciencia, afirma que existe una ciencia inmutable.

Además nada en lo que algo existe siempre, puede no existir siempre.

Efectivamente, ningún ser que existe siempre permite que sea sustraído alguna vez el sujeto en el que existe siempre.

Desde luego cuando razonamos, esto lo hace nuestra alma.

En efecto, no razona sino el que entiende: mas ni el cuerpo entiende, ni el alma con el auxilio del cuerpo, porque cuando quiere entender se aparta del cuerpo.

Aquello que es entendido existe siempre del mismo modo; y nada propio del cuerpo existe siempre de la misma manera, luego el cuerpo no puede ayudar al alma que se esfuerza por entender, le basta con no serle obstáculo.

Asimismo nadie sin ciencia razona con rectitud.

Pues el recto raciocinio es el pensamiento que tiende de lo cierto al descubrimiento de lo incierto, y nada cierto hay en el alma que ésta lo ignore.
Mas todo lo que el alma sabe, lo posee en sí misma, y no abraza cosa alguna con su conocimiento sino en cuanto pertenece a una ciencia. En efecto, la ciencia es el conocimiento de cualesquiera cosas.

Por consiguiente, el alma humana vive siempre.


II

Segunda razón por la cual el alma es inmortal: porque es sujeto de la razón que es inmutable.


2. La razón ciertamente o es el alma o existe en el alma.
Mas nuestra razón es mejor que nuestro cuerpo; nuestro cuerpo es una substancia, y es mejor ser substancia que no ser nada, luego nuestra razón es algo.

Además cualquier armonía propia del cuerpo que exista, es necesario que exista de modo inseparable en el sujeto cuerpo, y no se crea que en esa armonía puede existir alguna otra cosa que de igual manera no exista con necesidad en ese sujeto cuerpo, en el que también esta misma armonía existe no menos inseparablemente.

Pero el cuerpo humano es mudable, y la razón inmutable.

En efecto, es mudable todo lo que no existe siempre del mismo modo.
Y siempre es de la misma manera que dos y cuatro sumen seis. Además siempre es del mismo modo que dos y dos sumen cuatro; mas esto no lo tiene el dos porque el dos no es cuatro.
Pero esta relación es inmutable, por consiguiente, es razón.
Ahora bien, de ningún modo no puede padecer el cambio, habiéndose mudado el sujeto, lo que existe inseparablemente en él.

Luego, no es el alma la armonía del cuerpo, y no puede sobrevenir la muerte a cosas inmutables.

En consecuencia el alma vive siempre ya sea ella misma la razón ya sea que la razón exista en ella de modo inseparable.


III


La substancia viva y el alma, que no es susceptible de cambio, aún siendo de algún modo capaz de cambiar, es inmortal.


3. Hay un poder propio de la permanencia y toda permanencia es inmutable, y todo poder puede hacer algo, ni cuando no hace nada deja de ser un poder.

Además toda acción consiste en recibir un movimiento o en causarlo. Luego, o no todo lo que recibe el movimiento, o ciertamente no todo lo que lo causa es mudable.
Pero todo lo que es movido por otro y no se mueve a sí mismo es algo mortal.

Y nada mortal es inmutable.

De ahí se puede concluir con certeza y sin alternativa alguna que no todo lo que causa movimiento se cambia.
Mas no hay movimiento posible sin una sustancia: toda sustancia vive o no vive, pero todo lo que no vive carece de alma y sin alma no existe acción alguna.
Luego, aquel ser que causa el movimiento sin perder su inmutabilidad es necesariamente una sustancia viviente.
Esta sustancia pone el cuerpo en movimiento a través de todos los grados.

En consecuencia, no todo lo que mueve el cuerpo es mudable.

Pero si el cuerpo no se mueve sino según el tiempo y en esto consiste el moverse más despacio y más rápidamente, síguese que existe, pues algo que mueve en el tiempo, y sin embargo no se cambia.

Ahora bien, todo lo que mueve el cuerpo en el tiempo, aunque tienda a un único fin, sin embargo no puede realizarlo todo a la vez, ni puede tampoco evitar de hacer muchas cosas: en efecto no puede hacer, - ya se trate de cualquier agente - que sea perfectamente uno lo que puede dividirse en partes, o de lo contrario se daría un cuerpo sin partes o un tiempo sin intervalo de pausas; ni tampoco que pueda pronunciarse la sílaba más corta de la que no se oiga entonces el fin, cuando ya no se oye el comienzo.
Luego, lo que se comporta así exige la previsión para que pueda llevarse a cabo y la memoria para que pueda ser aprehendido en la medida posible.

 La previsión es para las cosas que serán, la memoria para aquellas que pasaron.

Pero el propósito de obrar es propio del tiempo presente, a través del cual lo futuro pasa a ser pretérito; y no se puede esperar sin ninguna memoria el fin del movimiento de un cuerpo que ha sido iniciado.
En efecto, ¿cómo se podría esperar el fin de un movimiento si no se recuerda que ha comenzado, o ni siquiera que tal movimiento existe?

Además, el propósito de llevar a cabo algo, que es presente, no puede existir sin que se tenga en vista la obtención del fin que es futuro: no existe nada que todavía no existe, o que ya no existe. Puede, por consiguiente, haber en una acción algo que pertenece a aquellas cosas que aún no son y, simultáneamente, puede haber muchas cosas en el agente, aún cuando no puede llevar a término muchas a la vez.

Luego, puede haber también en el que mueve, cosas que no se pueden encontrar en el que es movido.
Pero las cosas que no pueden existir simultáneamente en el tiempo y que sin embargo pasan del futuro al pasado, están necesariamente sometidas al cambio.


4. De aquí concluimos en seguida que puede haber algún ser que, causando el movimiento en las cosas mudables, no se cambia.

En efecto, ¿quién podría dudar de la legitimidad de la conclusión toda vez que no varía el propósito del agente de llevar al término que se propone el cuerpo que pone en movimiento, cuando este cuerpo del que algo se hace, cambia a cada instante por este mismo movimiento, y puesto que aquel propósito de obrar, que permanece inmutable como es evidente, no sólo mueve los brazos del obrero, sino también la madera o la piedra que están sujetos al artífice?
Pero no del hecho que el alma cause el movimiento y produzca los cambios en el cuerpo y que ella se proponga estos cambios se está en derecho de pensar que también el alma cambia y que por esto está sujeta a la muerte.
Ella, pues, puede unir en este su propósito el recuerdo del pasado y la previsión del futuro, cosas que no pueden darse sin la vida.
Aunque la muerte no puede acaecer sin el cambio y ningún cambio sin el movimiento, sin embargo no todo cambio produce la muerte ni todo movimiento realiza un cambio.
En efecto, es lícito decir que nuestro propio cuerpo en cada una de sus acciones recibe un gran número de movimientos y que evidentemente cambia por la edad: con todo no se puede decir que ya ha muerto, esto es, que está sin vida.
Luego también permítasenos concluir que el alma tampoco es privada de la vida, aunque tal vez por el movimiento le acaezca algún cambio.

(cont)




[1] Astúcia miserável! Apresentas testemunhas adormecidas? Verdadeiramente estás a dormir tu mesmo ao imaginar semelhante explicação! (Enarrationes in Psalmos, 63, 15)

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Temas para meditar - 410

A finalidade do Sínodo é dar testemunho ao mundo de que a Igreja se apresenta como defensora da vida, que é a mensagem profética da “Humanae Vitae” e como defensora da família. A Igreja tem de dar testemunho unânime, sem deixar lugar a dúvidas ou confusões.

A mensagem da Igreja é profética e não há que temer que ela vá contra o que pensa no mundo quem caminha no desprezo da vida.
Com humildade e firmeza, a Igreja deve declarar a sua fé no homem, ainda que seja como um desafio aos que sustentam e praticam o contrário. Esta atitude da Igreja acarretar-lhe-á sofrimentos, como os que sofreu Paulo VI quando lançou ao mundo a sua “Humanae Vitae”, porque o mundo hoje, está contra a vida. 

card. benelli, Arcebispo de Florença, VI Sínodo dos Bispos

Reflectindo - 69

Memórias e realidades


Sou um homem extremamente feliz, esta é uma realidade.

Tenho memórias da vida já um pouco longa tão agradáveis que não deixam espaço á tristeza. Claro, há saudades enormes, avassaladoras que criam mim, na entrada do coração como que embolias prolongadas, não poucas vezes em soluços e rios de lágrimas.
Mas que longe de me "abaterem" ou atirarem para os braços da tristeza ou da consideração do inevitável, me elevam e conduzem a um estado de espírito de indizível esperança no futuro.

Sim... o futuro breve ou não - pouco me importa - que são os meus nove netos que enchem a minha vida diária.

Hoje, dia 19 de Dezembro, a minhas netas Beatriz e Matilde têm estado comigo, atentas, cheias de "mimos" e pequenas atenções, dedicaram-se a montar a árvore de Natal, a decorar a casa. A servir-me um simpático e agradável lanche... enfim, tratando-me com um carinho e ternura tão naturais e espontâneas que me "derretem" o coração e me lavam a alma.

E o que é isto senão poderoso motivo de felicidade?

As realidades da minha vida são estes pequenos "rebuçados" que me adoçam as agruras dessas tais recordações e essas saudades que inevitavelmente querem condicionar o meu viver.

Por isso posso afirmar que sou feliz e sinto uma tranquila certeza de que tudo, absolutamente, é para bem e que o Senhor se permite um mal aparente dá logo incomparavelmente bens muito maiores.

Que são coisas pequenas quase irrelevantes... talvez mas, e eu? Não sou pequeno e sem relevo algum?

Assim a minha felicidade é feita de pequenas coisinhas que se vão sucedendo nos dias, umas vezes desgarradas outras em ritmo apressado, mas sempre deixando marca, rasto, sulco.
Admiro-me com esta minha vida que nunca imaginei. De facto, jamais pensei nem por um breve momento que a Fernandinha estaria ausente - digo fisicamente - no meu dia-a-dia como desde Agosto tem estado. Compreendo que o Senhor me poupou a essa visão, talvez não tivesse aguentado...

A vida e a morte entrelaçam-se no meu caminho tal como o sofrimento e a dor com o bem-estar e a alegria.
Sou feliz, repito, porque me sinto e me sei muito mais rico e sábio, e incomparavelmente mais humano.


(ama, reflexões, Dez 19 2014

05/04/2015

Evangelho, comentário, Leitura Espiritual


Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor


Evangelho: Jo 20 1-9

1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada do sepulcro. 2 Correu então, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo a quem Jesus amava, e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3 Partiu, pois, Pedro com o outro discípulo e foram ao sepulcro. 4 Corriam ambos juntos, mas o outro discípulo corria mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 Tendo-se inclinado, viu os lençóis no chão, mas não entrou. 6 Chegou depois Simão Pedro, que o seguia, entrou no sepulcro e viu os lençóis postos no chão, 7 e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus, que não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. 8 Entrou também, então, o outro discípulo que tinha chegado primeiro ao sepulcro. Viu e acreditou. 9 Com efeito, ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos.

Comentário:

Pedro e João, juntamente com Madalena, são as primeiras testemunhas do túmulo vazio, naquela manhã de Páscoa. Não foi, porém, muito facilmente que eles chegaram à conclusão de que Jesus estava vivo. A sua fé será progressiva, caminhará entre incredulidade e dúvidas. Só perante as ligaduras e o lençol, cuidadosamente dobrados, o que excluía a hipótese de roubo, se lhes começam a abrir os olhos para a realidade.

No seu amor intuitivo, João é o primeiro a compreender os sinais da Ressurreição. Mas bem depressa Pedro, que, não por acaso mas intencionalmente, ocupa o primeiro lugar e nos aparece já nesta manhã como Chefe do Colégio Apostólico, descobre a verdade, anunciada tão claramente pela Escritura e pelo mesmo Jesus. Depois, em contacto pessoal com o Ressuscitado, a sua fé tornar-se-á firme como «rocha» inabalável.

Leitura espiritual



DOMINGO DE PÁSCOA

Homilia:

- E o Sol de Justiça rebrilha nos céus!

1ª) Deus Pai ressuscitou Jesus e permitiu que se manifestasse a algumas testemunhas. A vida do Ressuscitado não é como a que levara antes da sua morte. É Ele sim e exactamente Ele, mas na plena glória de Deus, tão universal como inabarcável pela nossa restrita capacidade de ver. Nas palavras dum exegeta clássico, “devemos concluir que, segundo a tradição evangélica […], Jesus ressuscitado é, de por si, invisível aos olhos dos mortais; se ‘aparece’ não é senão em virtude duma intervenção do poder de Deus que


[1] torna perceptível aos homens”
Pois bem, essas testemunhas somos também nós, que quando ouvimos a sua Palavra, a reconhecemos como “Palavra da salvação”. Somos também nós, que, quando nos apresentam o Corpo de Cristo, dizemos “Amen!”. Somos ainda nós, que O reconhecemos nos irmãos, todos membros do seu único corpo. Em todos estes sinais, o Espírito de Deus nos ilumina os olhos e abre o coração, para entrevermos realmente o Ressuscitado.

2ª) Testemunhas da ressurreição foram aqueles que “comeram e beberam com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos”. Foram certamente, como ouviremos nos dias seguintes, sobre as “refeições” do Ressuscitado. Mas somos ainda nós, que com Ele continuamos a comunhão que essas refeições significam. Somos nós, que na refeição eucarística somos assimilados pelo alimento, em vez de o assimilarmos a ele.

Lembrou-o muito sugestivamente o Papa Bento XVI: “De facto, comungando o corpo e o sangue de Jesus Cristo, vamo-nos tornando participantes da vida divina de modo sempre mais adulto e consciente. Vale aqui o mesmo que Santo Agostinho afirma a propósito do verbo (Logos) eterno, alimento da alma, quando, pondo em evidência o carácter paradoxal deste alimento, o santo doutor imagina ouvi-Lo dizer: ‘Sou o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás. Não Me transformarás em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-ás em Mim’ [2]. Com efeito, não é o alimento eucarístico que se transforma em nós, mas somos nós que acabamos misteriosamente mudados por ele” [3].

- Pois não é verdade que, precisamente na celebração eucarística – Comunidade, Palavra e Pão -, experimentamos e dizemos que “Ele está no meio de nós”?! - Pois não é verdade que, a partir da Eucaristia e de quanto mais correcta e responsavelmente participarmos nela, somos enviados a alargar no mundo a comunhão com o Ressuscitado: “- Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”?!

Oiçamos esta voz que nos chega das primeiras gerações cristãs, cheia de vigor pascal, tão intenso como expansivo: “O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida, […] isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa”[4].

Tudo importante neste trecho, da alegria de receber à alegria de comunicar a vida ressuscitada e ressuscitadora de Cristo. Decerto a nossa alegria também, encargo sumamente pascal.

3ª) Jesus mandou-os anunciar que fora constituído por Deus Pai juiz dos vivos e dos mortos, assim atestando a sua condição divina, pois só a Deus tal pertence.

A eles e agora a nós se dirige o mesmo mandato, caríssimos irmãos e irmãs. E não vos pareça estranha a injunção, pois é também disso que se trata, a saber, que o critério definitivo do que seja viver ou morrer é n’Ele mesmo que se estabelece e encontra. Em Cristo, a justiça e a misericórdia coincidem perfeitamente, pois não se limita a julgar-nos, antes nos faz justos para nos salvarmos pela sua graça. Na sua Igreja agora, semelhante tem de ser a atitude, propondo sempre a verdade na caridade. E também na humildade com que comunicamos aos outros aquilo mesmo que a graça de Cristo nos oferece a nós, que tão sofrivelmente a recebemos, por vezes.

Tem isto muita importância hoje, caríssimos irmãos e irmãs, no modo de nos apresentarmos, cristãos e pascais, diante dos outros. Em Jesus tudo era conforme, pois a verdade que propunha, Ele próprio a era e demonstrava. Não chegou isto para convencer a todos, mas chegou para sobreviver à própria morte, indesmentível.

A mentalidade e especialmente a sensibilidade actuais são muito ciosas da chamada liberdade individual e reagem quase instintivamente a qualquer afirmação que pareça limitá-la. Se, além disso, há alguma má consciência ou remorso, a rejeição é maior e mais violenta, e tenta destruir a fonte da interpelação.

Se o próprio Cristo, coerência absoluta que era, se viu acusado e condenado injustamente por quem não recebia a luz que irradiava, quanto mais não seremos rejeitados hoje, se, mesmo falando d’Ele, O encobrirmos com as nossas sombras?!

Daqui irmãos a urgência de nos abrirmos inteiramente à luz do Ressuscitado, para que nos ressuscite também. Cinquenta dias pascais, para que a alegria que celebramos hoje permaneça e irradie em muita acção de graças a Deus e em muita presença pascal na sociedade, alargando as fronteiras da justiça, da solidariedade e da paz.

O Inverno longo e rigoroso que passámos dará lugar agora à Primavera mais luminosa. - Com a condição imprescindível e constante de nos convertermos de vez ao “Sol de Justiça que rebrilha nos céus”!

+ manuel clemente, Sé do Porto, 4 de Abril de 2010



[1] (cf. BOISMARD, M.-É. - Il realismo dei racconti evangelici, In BERTEN, I. [et al.] – La Rissurrezione. Brescia: Paideia Editrice, 1983, p. 42).
[2] [Confissões 7, 10, 16]
[3] (Sacramentum Caritatis, nº 70)
[4] (1 Jo 1, 1-4)