24/03/2015

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium)

Tempo de Quaresma V Semana

Evangelho: Jo 8 21-30

21 Jesus disse-lhes mais: «Eu retiro-Me: vós Me buscareis, e morrereis no vosso pecado. Para onde Eu vou, vós não podeis ir». 22 Diziam, pois, os judeus: «Será que Ele Se mate a Si mesmo, pois diz: Para onde Eu vou, vós não podeis ir?». 23 Ele disse-lhes: «Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. 24 Por isso Eu vos disse que morreríeis nos vossos pecados; sim, se não crerdes que “Eu sou”, morrereis nos vossos pecados». 25 Disseram-Lhe então eles: «Quem és Tu?». Jesus respondeu-lhes: «É exactamente isso que Eu vos estou a dizer. 26 Muitas coisas tenho a dizer e a julgar a vosso respeito, mas O que Me enviou é verdadeiro e o que ouvi d'Ele é o que digo ao mundo». 27 Eles não compreenderam que Jesus lhes falava do Pai. 28 Jesus disse-lhes mais: «Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que “Eu sou” e que nada faço por Mim mesmo, mas que, como o Pai Me ensinou, assim falo. 29 O que Me enviou está comigo, não Me deixou só, porque Eu faço sempre aquilo que é do Seu agrado». 30 Dizendo estas coisas, muitos acreditaram n'Ele.


Comentário:

A Liturgia quaresmal prossegue com os textos do Evangelho escrito por São João que, como sabemos, se detém principalmente na figura de Jesus Cristo autêntico Deus e autêntico homem.

Já referimos que, por vezes, parecem um pouco enigmáticas as explicações que Jesus dá aos que O interrogam mas, de facto, o próprio Evangelista confirma que muitos compreendiam e acreditavam nele.

Não diz contudo algo mais que podemos adivinhar: muitos desses que acreditaram hão-de levar outros muitos a acreditar também.

(ama, comentário sobre Jo 8, 21-30, 2014.04.08)

Leitura espiritual


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ACTUAL

O diálogo entre a fé, a razão e as ciências

242. O diálogo entre ciência e fé também faz parte da acção evangelizadora que favorece a paz.[i]

O cientificismo e o positivismo recusam-se a «admitir, como válidas, formas de conhecimento distintas daquelas que são próprias das ciências positivas».[ii]

A Igreja propõe outro caminho, que exige uma síntese entre um uso responsável das metodologias próprias das ciências empíricas e os outros saberes como a filosofia, a teologia, e a própria fé que eleva o ser humano até ao mistério que transcende a natureza e a inteligência humana.
A fé não tem medo da razão; pelo contrário, procura-a e tem confiança nela, porque «a luz da razão e a luz da fé provêm ambas de Deus»,[iii] e não se podem contradizer entre si.

A evangelização está atenta aos progressos científicos para os iluminar com a luz da fé e da lei natural, tendo em vista procurar que sempre respeitem a centralidade e o valor supremo da pessoa humana em todas as fases da sua existência.
Toda a sociedade pode ser enriquecida através deste diálogo que abre novos horizontes ao pensamento e amplia as possibilidades da razão.
Também este é um caminho de harmonia e pacificação.

243. A Igreja não pretende deter o progresso admirável das ciências. Pelo contrário, alegra-se e inclusivamente desfruta reconhecendo o enorme potencial que Deus deu à mente humana.

Quando o progresso das ciências, mantendo-se com rigor académico no campo do seu objecto específico, torna evidente uma determinada conclusão que a razão não pode negar, a fé não a contradiz.

Nem os crentes podem pretender que uma opinião científica que lhes agrada – e que nem sequer foi suficientemente comprovada – adquira o peso dum dogma de fé.

Em certas ocasiões, porém, alguns cientistas vão mais além do objecto formal da sua disciplina e exageram com afirmações ou conclusões que extravasam o campo da própria ciência.
Neste caso, não é a razão que se propõe, mas uma determinada ideologia que fecha o caminho a um diálogo autêntico, pacífico e frutuoso.

O diálogo ecuménico

244. O compromisso ecuménico corresponde à oração do Senhor Jesus pedindo «que todos sejam um só»[iv].

A credibilidade do anúncio cristão seria muito maior, se os cristãos superassem as suas divisões e a Igreja realizasse «a plenitude da catolicidade que lhe é própria naqueles filhos que, embora incorporados pelo Baptismo, estão separados da sua plena comunhão».[v]
Devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos.
Para isso, devemos abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus.

O abrir-se ao outro tem algo de artesanal, a paz é artesanal. Jesus disse-nos: «Felizes os pacificadores»[vi].

Neste esforço, mesmo entre nós, cumpre-se a antiga profecia: «Transformarão as suas espadas em relhas de arado»[vii].

245. Sob esta luz, o ecumenismo é uma contribuição para a unidade da família humana.

A presença no Sínodo do Patriarca de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu I, e do Arcebispo de Cantuária, Sua Graça Rowan Douglas Williams,[viii] foi um verdadeiro dom de Deus e um precioso testemunho cristão.

246. Dada a gravidade do contra-testemunho da divisão entre cristãos, sobretudo na Ásia e na África, torna-se urgente a busca de caminhos de unidade.
Os missionários, nesses continentes, referem repetidamente as críticas, queixas e sarcasmos que recebem por causa do escândalo dos cristãos divididos.

Se nos concentrarmos nas convicções que nos unem e recordarmos o princípio da hierarquia das verdades, poderemos caminhar decididamente para formas comuns de anúncio, de serviço e de testemunho.
A imensa multidão que não recebeu o anúncio de Jesus Cristo não pode deixar-nos indiferentes.
Por isso, o esforço por uma unidade que facilite a recepção de Jesus Cristo deixa de ser mera diplomacia ou um dever forçado para se transformar num caminho imprescindível da evangelização.

Os sinais de divisão entre cristãos, em países que já estão dilacerados pela violência, juntam outros motivos de conflito vindos da parte de quem deveria ser um activo fermento de paz.

São tantas e tão valiosas as coisas que nos unem!
E, se realmente acreditamos na acção livre e generosa do Espírito, quantas coisas podemos aprender uns dos outros!

Não se trata apenas de receber informações sobre os outros para os conhecermos melhor, mas de recolher o que o Espírito semeou neles como um dom também para nós.

Só para dar um exemplo, no diálogo com os irmãos ortodoxos, nós, os católicos, temos a possibilidade de aprender algo mais sobre o significado da colegialidade episcopal e sobre a sua experiência da sinodalidade.
Através dum intercâmbio de dons, o Espírito pode conduzir-nos cada vez mais para a verdade e o bem.

As relações com o Judaísmo

247. Um olhar muito especial é dirigido ao povo judeu, cuja Aliança com Deus nunca foi revogada, porque «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis»[ix].

A Igreja, que partilha com o Judaísmo uma parte importante das Escrituras Sagradas, considera o povo da Aliança e a sua fé como uma raiz sagrada da própria identidade cristã[x].
Como cristãos, não podemos considerar o Judaísmo como uma religião alheia, nem incluímos os judeus entre quantos são chamados a deixar os ídolos para se converter ao verdadeiro Deus[xi].
Juntamente com eles, acreditamos no único Deus que actua na história, e acolhemos, com eles, a Palavra revelada comum.

248. O diálogo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos discípulos de Jesus.
O afecto que se desenvolveu leva-nos a lamentar, sincera e amargamente, as terríveis perseguições de que foram e são objecto, particularmente aquelas que envolvem ou envolveram cristãos.

249. Deus continua a operar no povo da Primeira Aliança e faz nascer tesouros de sabedoria que brotam do seu encontro com a Palavra divina.
Por isso, a Igreja também se enriquece quando recolhe os valores do Judaísmo.
Embora algumas convicções cristãs sejam inaceitáveis para o Judaísmo e a Igreja não possa deixar de anunciar Jesus como Senhor e Messias, há uma rica complementaridade que nos permite ler juntos os textos da Bíblia hebraica e ajudar-nos mutuamente a desentranhar as riquezas da Palavra, bem como compartilhar muitas convicções éticas e a preocupação comum pela justiça e o desenvolvimento dos povos.

O diálogo inter-religioso

250. Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não-cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados.

Este diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para os cristãos e também para outras comunidades religiosas.

Este diálogo é, em primeiro lugar, uma conversa sobre a vida humana ou simplesmente – como propõem os Bispos da Índia – «estar aberto a eles, compartilhando as suas alegrias e penas».[xii]
Assim aprendemos a aceitar os outros, na sua maneira diferente de ser, de pensar e de se exprimir.
Com este método, poderemos assumir juntos o dever de servir a justiça e a paz, que deverá tornar-se um critério básico de todo o intercâmbio.

Um diálogo, no qual se procurem a paz e a justiça social, é em si mesmo, para além do aspecto meramente pragmático, um compromisso ético que cria novas condições sociais.
Os esforços à volta dum tema específico podem transformar-se num processo em que, através da escuta do outro, ambas as partes encontram purificação e enriquecimento.
Portanto, estes esforços também podem ter o significado de amor à verdade.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Cf. Propositio 54. 
[ii] João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 88: AAS 91 (1999), 74.
[iii] São Tomás de Aquino, Summa contra gentiles, I, 7; cf. João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 43: AAS 91 (1999), 39.
[iv] Jo 17, 21
[v] Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o ecumenismo Unitatis redintegratio, 4.
[vi] Mt 5, 9
[vii] Is 2, 4
[viii] Cf. Propositio 52.
[ix] Rm 11, 29
[x] cf. Rm 11, 16-18
[xi] cf. 1 Ts 1, 9
[xii] Conferência dos Bispos da Índia, Decl. final da XXX Assembleia Geral: The Church’s Role for a Better India (8 de Março de 2012), 8.9.

Temas para meditar 402

Jugo 




«o meu jugo é suave e a minha carga ligeira» Esta carga não é um peso para quem a leva, mas sim asas para quem vai voar.



(Stº AgostinhoSermão, 7)

Tratado do verbo encarnado 141

Questão 23: Se a adopção convém a Cristo

Art. 3 — Se ser adoptado é próprio da criatura racional.

O terceiro discute-se assim. — Parece que ser adoptado não é próprio da criatura racional.

1. — Pois, Deus não é chamado Pai da criatura racional senão por adopção. Pois, é também chamado Pai da criatura irracional, como quando a Escritura diz: Quem é o Pai da chuva? Ou quem produziu as gotas de orvalho? Logo, ser adoptado não é próprio da criatura racional.

2. Demais. — Alguns chamam-se filhos de Deus por adopção. Ora, o serem filhos de Deus a Escritura propriamente o atribui aos anjos, como naquele passo: Mas um certo dia como os filhos de Deus se tivessem apresentado na frente do Senhor. Logo, não é próprio da criatura racional o ser adoptado.

3. Demais. — O próprio a uma natureza convém a todos os seres que a têm; assim, a faculdade de rir convém a todos os homens. Ora, ser adoptado não convém a toda natureza racional. Logo, ser adoptado não é próprio à natureza racional.

Mas, em contrário, os filhos adoptados são herdeiros de Deus, como diz o Apóstolo. Ora, tal herança convém à criatura racional. Logo, é próprio da criatura racional ser adoptada.

Como dissemos, a filiação da adopção é uma certa semelhança da filiação natural. Pois, o Filho de Deus naturalmente procede do Pai, como Verbo mental, tendo unidade de existência com ele. Ora, um ser pode se assemelhar a esse Verbo, de três modos. De um modo, em razão da forma, mas não pela mente; assim, a forma exterior de uma casa construída se assemelha ao Verbo mental do artífice, pela espécie formal; mas não pela mente, porque a forma da casa, na matéria; não é inteligível, quando o era na mente do artífice. E deste modo, qualquer criatura se assimila ao Verbo eterno, por ter sido feita pelo Verbo. - De um segundo modo, uma criatura se assimila ao Verbo, não só em razão da forma, mas ainda quanto a sua mente, assim, a ciência, que nasce na mente do discípulo, se assimila ao Verbo existente na mente do Mestre. E deste modo, a criatura racional, mesmo pela sua natureza, se assemelha ao Verbo de Deus, pela unidade que tem com o Pai; resultante da graça e da caridade. Por isso o Senhor orava: Para que eles sejam um, como também nós somos um. E tal assimilação completa a ideia de adopção, pois, a seres assim assimilados é lhes devida a herança eterna. — Donde é manifesto, que ser adoptado convém só à criatura racional, mas não a todas, senão só as que têm a caridade, que está derramada nos nossos corações pelo Espírito Santo, no dizer do Apóstolo. E por isso, ainda na frase do Apóstolo, o Espírito Santo se chama espírito de adopção de filhos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Deus é chamado Pai da criatura irracional, não propriamente pela adopção, mas pela criação, participando da semelhança, no primeiro sentido.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Os anjos chamam-se filhos de Deus pela filiação adoptiva; não que ela lhes convenha primariamente, mas por terem sido eles os primeiros que receberam a adopção de filhos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A adopção não é uma propriedade resultante da natureza, mas, da graça da qual a natureza racional é capaz. Por isso, não é necessário que convenha a toda criatura racional. Mas sim, que toda criatura racional seja capaz da filiação adoptiva.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


 (Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Bento VXI – Pensamentos espirituais 43

O templo




No próprio centro da vida social deve existir uma presença que evoque o mistério transcendente de Deus. Deus e o Homem caminham juntos na História, e os templos têm a função de assinalar esta comunhão de modo visível.



Catequese da audiência geral, (14.Set.05)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)


23/03/2015

2015.03.23








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Renova a alegria de lutar - São Josemaria – Textos

Evangelho, Com. Leitura esp. (Evangelli Gaudium) - AMA - Comentários ao Evangelho Jo 8 1-11, Leit. Espiritual - Exort. Apost. Evangelii gaudium (Papa Francisco)

Temas para meditar 401 - Disciplina moral, Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana (Georges Chevrot), Renúncia


Pequena agenda do cristão - Agenda Segunda-Feira

Renova a alegria de lutar

Em certos momentos angustia-te um princípio de desânimo, que mata todo o teu entusiasmo, e que mal consegues vencer à força de actos de esperança. Não importa; é a melhor hora de pedir mais graça a Deus, e avante! Renova a alegria de lutar, ainda que percas uma escaramuça. (Sulco, 77)

Com monótona cadência sai da boca de muitos o ritornello já tão vulgar, de que a esperança é a última coisa que se perde; como se a esperança fosse um apoio para continuarmos a deambular sem complicações, sem inquietações de consciência; ou como se fosse um expediente que permite adiar sine die a oportuna rectificação do procedimento, a luta para alcançar metas nobres e, sobretudo, o fim supremo de nos unirmos com Deus.

Eu diria que esse é o caminho para confundir a esperança com a comodidade. No fundo, não há ânsias de conseguir um verdadeiro bem, nem espiritual, nem material legítimo; a mais alta pretensão de alguns reduz-se a evitar o que poderia alterar a tranquilidade – aparente – de uma existência medíocre. Com uma alma tímida, acanhada, preguiçosa, a criatura enche-se de egoísmos subtis e conforma-se com o facto de os dias, os anos decorrerem sine spe nec metu, sem aspirações que exijam esforço, sem os perigos da peleja: o que importa é evitar o risco do desaire e das lágrimas. Que longe se está de obter uma coisa, se se malogrou o desejo de a possuir, por temor das exigências que a sua conquista comporta! (Amigos de Deus, n. 207)

Evangelho, Com. Leitura esp. (Evangelli Gaudium)

Tempo de Quaresma V Semana

Evangelho: Jo 8 1-11

1 Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2 Ao romper da manhã, voltou para o templo e todo o povo foi ter com Ele, e Ele, sentado, os ensinava. 3 Então os escribas e os fariseus trouxeram-Lhe uma mulher apanhada em adultério; puseram-na no meio, 4 e disseram-Lhe: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante delito de adultério. 5 Ora Moisés, na Lei, mandou-nos apedrejar tais mulheres. E Tu que dizes?». 6 Diziam isto para Lhe armarem uma cilada, a fim de O poderem acusar. Porém, Jesus, inclinando-Se, pôs-Se a escrever com o dedo na terra. 7 Continuando, porém, eles a interrogá-l'O, levantou-Se e disse-lhes: «Aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra». 8 Depois, tornando a inclinar-Se, escrevia na terra. 9 Mas eles, ouvindo isto, foram-se retirando, um após outro, começando pelos mais velhos; e ficou só Jesus com a mulher diante d'Ele. 10 Então, levantando-Se, disse-lhe: «Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?». 11 Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Então Jesus disse: «Nem Eu te condeno; vai e doravante não peques mais».


Comentário:

Jesus nunca condena o pecador, condena o pecado.
Quanto ao pecador, espera que, arrependido, peça perdão.
Quanto ao pecado, porque é Santo, não pode mais que abominá-lo.

Eu, pecador, me confesso...são as palavras que o Senhor sempre espera ouvir de nós para, depois de nos perdoar, nos mandar em paz.

(ama, Comentário sobre Jo 8, 1-11, 2010.04.11)

Leitura espiritual

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ACTUAL

O todo é superior à parte

234. Entre a globalização e a localização também se gera uma tensão.
É preciso prestar atenção à dimensão global para não cair numa mesquinha quotidianidade.
Ao mesmo tempo convém não perder de vista o que é local, que nos faz caminhar com os pés por terra.
As duas coisas unidas impedem de cair em algum destes dois extremos: o primeiro, que os cidadãos vivam num universalismo abstracto e globalizante, miméticos passageiros do carro de apoio, admirando os fogos-de-artifício do mundo, que é de outros, com a boca aberta e aplausos programados; o outro extremo é que se transformem num museu folclórico de eremitas localistas, condenados a repetir sempre as mesmas coisas, incapazes de se deixar interpelar pelo que é diferente e de apreciar a beleza que Deus espalha fora das suas fronteiras.

 235. O todo é mais do que a parte, sendo também mais do que a simples soma delas.

Portanto, não se deve viver demasiado obcecado por questões limitadas e particulares.
É preciso alargar sempre o olhar para reconhecer um bem maior que trará benefícios a todos nós.
Mas há que o fazer sem se evadir nem se desenraizar.
É necessário mergulhar as raízes na terra fértil e na história do próprio lugar, que é um dom de Deus.
Trabalha-se no pequeno, no que está próximo, mas com uma perspectiva mais ampla.
Da mesma forma, uma pessoa que conserva a sua peculiaridade pessoal e não esconde a sua identidade, quando se integra cordialmente numa comunidade não se aniquila, mas recebe sempre novos estímulos para o seu próprio desenvolvimento.
Não é a esfera global que aniquila, nem a parte isolada que esteriliza.

236. Aqui o modelo não é a esfera, pois não é superior às partes e, nela, cada ponto é equidistante do centro, não havendo diferenças entre um ponto e o outro.

O modelo é o poliedro, que reflecte a confluência de todas as partes que nele mantêm a sua originalidade.
Tanto a acção pastoral como a acção política procuram reunir nesse poliedro o melhor de cada um.
Ali entram os pobres com a sua cultura, os seus projectos e as suas próprias potencialidades. Até mesmo as pessoas que possam ser criticadas pelos seus erros, têm algo a oferecer que não se deve perder. É a união dos povos, que, na ordem universal, conservam a sua própria peculiaridade; é a totalidade das pessoas numa sociedade que procura um bem comum que verdadeiramente incorpore a todos.

237. A nós, cristãos, este princípio fala-nos também da totalidade ou integridade do Evangelho que a Igreja nos transmite e envia a pregar.
A sua riqueza plena incorpora académicos e operários, empresários e artistas, incorpora todos.

A «mística popular» acolhe, a seu modo, o Evangelho inteiro e encarna-o em expressões de oração, de fraternidade, de justiça, de luta e de festa.

A Boa Nova é a alegria dum Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos.
Assim nasce a alegria no Bom Pastor que encontra a ovelha perdida e a reintegra no seu rebanho.

O Evangelho é fermento que leveda toda a massa e cidade que brilha no cimo do monte, iluminando todos os povos.

O Evangelho possui um critério de totalidade que lhe é intrínseco: não cessa de ser Boa Nova enquanto não for anunciado a todos, enquanto não fecundar e curar todas as dimensões do homem, enquanto não unir todos os homens à volta da mesa do Reino.
O todo é superior à parte.

IV. O diálogo social como contribuição para a paz

238. A evangelização implica também um caminho de diálogo.
Neste momento, existem sobretudo três campos de diálogo onde a Igreja deve estar presente, cumprindo um serviço a favor do pleno desenvolvimento do ser humano e procurando o bem comum: o diálogo com os Estados, com a sociedade – que inclui o diálogo com as culturas e as ciências – e com os outros crentes que não fazem parte da Igreja Católica.

Em todos os casos, «a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá»,[i] oferece a sua experiência de dois mil anos e conserva sempre na memória as vidas e sofrimentos dos seres humanos.
Isto ultrapassa a razão humana, mas também tem um significado que pode enriquecer a quantos não creem e convida a razão a alargar as suas perspectivas.

239. A Igreja proclama o «evangelho da paz»[ii] e está aberta à colaboração com todas as autoridades nacionais e internacionais para cuidar deste bem universal tão grande.

Ao anunciar Jesus Cristo, que é a paz em pessoa[iii], a nova evangelização incentiva todo o baptizado a ser instrumento de pacificação e testemunha credível duma vida reconciliada.[iv]

É hora de saber como projectar, numa cultura que privilegie o diálogo como forma de encontro, a busca de consenso e de acordos mas sem a separar da preocupação por uma sociedade justa, capaz de memória e sem exclusões.
O autor principal, o sujeito histórico deste processo, é a gente e a sua cultura, não uma classe, uma fracção, um grupo, uma elite.
Não precisamos de um projecto de poucos para poucos, ou de uma minoria esclarecida ou testemunhal que se aproprie de um sentimento colectivo.
Trata-se de um acordo para viver juntos, de um pacto social e cultural.

240. O cuidado e a promoção do bem comum da sociedade competem ao Estado.[v]
Este, com base nos princípios de subsidiariedade e solidariedade e com um grande esforço de diálogo político e criação de consensos, desempenha um papel fundamental – que não pode ser delegado – na busca do desenvolvimento integral de todos.
Este papel exige, nas circunstâncias actuais, uma profunda humildade social.

241. No diálogo com o Estado e com a sociedade, a Igreja não tem soluções para todas as questões específicas.
Mas, juntamente com as vá- rias forças sociais, acompanha as propostas que melhor correspondam à dignidade da pessoa humana e ao bem comum.
Ao fazê-lo, propõe sempre com clareza os valores fundamentais da existência humana, para transmitir convicções que possam depois traduzir-se em acções políticas.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Bento XVI, Discurso à Cúria Romana (21 de Dezembro de 2012): AAS 105 (2013), 51.
[ii] Ef 6, 15
[iii] cf. Ef 2, 14
[iv] Cf. Propositio 14.181
[v] Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1910; Pont. Conselho «Justiça e Paz», Compêndio de Doutrina Social da Igreja, 168.

Temas para meditar 401

Renúncia voluntária




O acto quotidiano de renúncia voluntária faz parte de toda a disciplina moral séria.




(GEORGES CHEVROT, Jesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg, 93)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

22/03/2015

2015.03.22








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Para servir, servir - São Josemaria – Textos

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium) - AMA - Comentários ao Evangelho Jo 8 1-11., Leit. Espiritual - Exort. Apost. Evangelii gaudium (Papa Francisco)

Temas para meditar 400 - A Paixão do Senhor (Luis de la Palma), Luis de la Palma, Paixão de Cristo


Pequena agenda do cristão - Agenda Domingo

Para servir, servir

Tu também tens uma vocação profissional, que te "espicaça". Sim, esse "aguilhão" é o anzol de pescar homens. Rectifica, portanto, a intenção, e não deixes de adquirir todo o prestígio profissional possível, em serviço de Deus e das almas. O Senhor conta também com isso. (Sulco, 491)

Assim, como lema para o vosso trabalho, posso indicar-vos este: para servir, servir. Porque para fazer as coisas, é necessário, em primeiro lugar, saber concluí-las. Não acredito na rectidão da intenção de quem não se esforça por conseguir a competência necessária para cumprir bem os trabalhos de que está encarregado. Não basta querer fazer o bem; é preciso saber fazê-lo. E, se queremos realmente, esse desejo traduzir-se-á no empenho por utilizar os meios adequados para fazer as coisas bem acabadas, com perfeição humana.


Além disso, esse serviço humano, essa capacidade a que poderíamos chamar técnica, saber realizar o nosso ofício, deve ter uma característica que foi fundamental no trabalho de S. José e que devia ser fundamental em todo o cristão: o espírito de serviço, o desejo de trabalhar para contribuir para o bem dos outros homens. O trabalho de S. José não foi um trabalho que visasse a auto-afirmação, embora a dedicação de uma vida laboriosa tenha forjado nele uma personalidade madura, bem delineada. O Santo Patriarca trabalhava com a consciência de cumprir a vontade de Deus, pensando no bem dos seus, Jesus e Maria, e tendo presente o bem de todos os habitantes da pequena Nazaré. (Cristo que passa, 50–51)