17/02/2015

Evangelho, comt. L esp. (Vida de Maria II)

Tempo Comum VI Semana

Evangelho: Mc 8 14-21

14 Ora os discípulos esqueceram-se de levar pães; e não tinham consigo na barca mais do que um.15 Jesus advertia-os dizendo: «Evitai com cuidado o fermento dos fariseus e o fermento de Herodes». 16 E eles comentavam entre si: «É que não temos pão». 17 Conhecendo isto, Jesus disse-lhes: «Porque estais a discutir que não tendes pão? Ainda não reflectistes nem entendestes? Ainda tendes a vossa inteligência obscurecida? 18 Tendes olhos e não vedes, e tendes ouvidos e não ouvis? Já não vos lembrais? 19 Quando parti os cinco pães para cinco mil homens, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?». Eles responderam: «Doze». 20 «E quando parti sete pães para quatro mil, quantos cestos de pedaços recolhestes?». Responderam: «Sete». 21 E dizia-lhes: «Como é que ainda não entendeis?».

Comentário

É recorrente a admoestação/aviso de Jesus Cristo: ouvir, ver, entender.

Ouvir sem preconceitos nem Espírito crítico;
Ver com os olhos da alma;
Entender com lisura e clareza.

Aqui se aplica o Dom do Espírito Santo: Entendimento!

Não somos, qualquer de nós, nem melhores nem piores que os discípulos que Jesus admoesta, portanto, peçamos ao Espírito Santo esse Dom sem o qual não conseguiremos nem ouvir nem ver e, muito menos, entender.

(ama, comentário sobre Mc 8, 14-21, 2014.02.18)


Leitura espiritual


Santíssima Virgem

Vida de Maria (V)


O diálogo mais importante da história teve lugar no interior de uma casa pobre de Nazaré. Os seus protagonistas são o próprio Deus, que se serve do ministério de um Arcanjo e uma Virgem chamada Maria, da casa de David, desposada com um artesão de nome José.

Muito provavelmente Maria encontrava-se recolhida em oração, talvez meditando alguma passagem da Sagrada Escritura referente à salvação prometida pelo Senhor. É assim que a mostra a arte cristã, que se inspirou nessa cena para compor as melhores representações da Virgem. Ou talvez estivesse ocupada nos trabalhos da casa e, nesse caso, também se encontraria absorvida em oração: tudo n’Ela era ocasião e motivo para manter um diálogo constante com Deus.

— Salve, ó cheia de graça, o Senhor é contigo (Lc 1, 28).

Ao ouvir estas palavras, Maria perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta (Lc 1, 29). Fica confusa, não tanto pela aparição do anjo, mas pelas suas palavras. Sobressaltada, questiona-se sobre o motivo de tais louvores. Perturba-se porque, na sua humildade, sente-se pouca coisa. Boa conhecedora da Escritura, dá-se imediatamente conta de que o mensageiro celestial lhe está a transmitir uma mensagem inaudita. Quem é Ela para merecer esses elogios? O que é que fez na sua breve existência? Certamente deseja servir a Deus com todo o seu coração e com toda a sua alma; mas vê-se muito longe daquelas façanhas que valeram louvores a Débora, a Judite, a Ester, mulheres muito exaltadas na Bíblia. No entanto, compreende que a embaixada divina é para Ela. Ave, gratia plena!

"NÃO HÁ NA SUA RESPOSTA A MÍNIMA SOMBRA DE DÚVIDA OU DE INCREDULIDADE; SIM, DESDE A SUA MAIS TENRA INFÂNCIA, SÓ ANSIAVA POR CUMPRIR A VONTADE DIVINA!"

Neste primeiro momento, Gabriel dirige-se a Maria dando-lhe um nome — a cheia de graça — que explica a profunda perturbação de Nossa Senhora. São Lucas utiliza um verbo que, em língua grega, indica que a Virgem de Nazaré estava completamente transformada, santificada pela graça de Deus. Como posteriormente definiria a Igreja, isto tinha ocorrido no primeiro momento da sua concepção, em consideração da missão que havia de cumprir: ser Mãe de Deus na Sua natureza humana, permanecendo ao mesmo tempo Virgem.

O Arcanjo apercebe-se do sobressalto da Senhora e, para a tranquilizar, dirige-se a Ela chamando-a — agora sim — pelo seu próprio nome e explicando-lhe as razões dessa saudação excepcional.

— Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim (Lc 1, 30-33).

"NÃO SE LIMITA A UM GENÉRICO DAR LICENÇA, MAS PRONUNCIA UM SIM — FIAT! — NO QUAL ENVOLVE TODA A SUA ALMA E TODO O SEU CORAÇÃO".

Maria, que conhece bem as profecias messiânicas e as meditou muitas vezes, compreende que será a Mãe do Messias. Não há na sua resposta a mínima sombra de dúvida ou de incredulidade; sim, desde a sua mais tenra infância, só ansiava por cumprir a Vontade divina! Mas deseja saber como se realizará esse prodígio, pois, inspirada pelo Espírito Santo, tinha decidido entregar-se a Deus em virgindade de coração, de corpo e de mente.

São Gabriel comunica-lhe então o modo diviníssimo em que maternidade e virgindade se conciliarão no seu seio.

— O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril, porque a Deus nada é impossível (Lc 1, 35-37):

O anjo cala-se. Um grande silêncio se apodera do céu e da terra, enquanto Maria medita no seu coração a resposta que vai dar ao mensageiro divino. Tudo depende dos lábios desta Virgem: a Encarnação do Filho de Deus, a salvação da humanidade inteira.

Maria não demora. E, ao responder ao convite do Céu, fá-lo com toda a energia da sua vontade. Não se limita a um genérico dar licença, mas pronuncia um sim — fiat! — no qual envolve toda a sua alma e todo o seu coração, aderindo plenamente à Vontade de Deus: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38).

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14). Ao contemplar uma vez mais este mistério da humildade de Deus e a humildade da criatura, irrompemos numa exclamação de gratidão que gostaríamos que não terminasse nunca: «Ó Mãe, Mãe! com essa tua palavra — "fiat" — tornaste-nos irmãos de Deus e herdeiros da Sua glória. — Bendita sejas!» (Caminho, n. 512).

J.A. Loarte

***
A Anunciação é o momento em que Nossa Senhora conhece com clareza a vocação a que Deus a tinha destinado desde sempre. Quando o Arcanjo a tranquiliza e lhe diz «não temas, Maria», está a ajudá-la a superar esse temor inicial que, ordinariamente, se apresenta em toda a vocação divina. O facto de que isto tenha acontecido à Santíssima Virgem indica-nos que não há nisso nem sequer imperfeição: é uma reacção natural diante da grandeza do sobrenatural.
Imperfeição seria não o superar, ou não nos deixarmos aconselhar por aqueles que, como São Gabriel e Nossa Senhora podem ajudar-nos. [i]
«Salve!»: Literalmente o texto grego diz: alegra-te! É claro que se trata de uma alegria totalmente singular pela notícia que Lhe vai comunicar a seguir. «Cheia de graça»: O Arcanjo manifesta a dignidade e a honra de Maria com esta saudação desusada. Os Padres e Doutores da Igreja «ensinaram que com esta singular e solene saudação, jamais ouvida, se manifestava que a Mãe de Deus era assento de todas as graças divinas e que estava adornada de todos os carismas do Espírito Santo», pelo que «jamais esteve sujeita a maldição», isto é, esteve imune de todo o pecado. Estas palavras do arcanjo constituem um dos textos em que se revela o dogma da Imaculada Conceição de Maria (cfr Ineffabilis Deus; Credo do Povo de Deus, n. O 14), «0 Senhor está contigo»: Estas palavras não têm um mero sentido deprecatório (o Senhor esteja contigo), mas afirmativo (o Senhor está contigo), e em relação muito estreita com a Encarnação. Santo Agostinho glosa a frase «o Senhor está contigo» pondo na boca do arcanjo estas pala­vras: «Mais que comigo, Ele está no teu coração, forma-Se no teu ventre, enche a tua alma, está no teu seio»> (Sermo de Nativitate Domini, 4).
Alguns importantes manuscritos gregos e versões antigas acrescentam no fim: «Bendita tu entre as mulheres»: Deus exaltá-La-ia assim sobre todas as mulheres. Mais excelente que Sara, Ana, Débora, Raquel, Judite, etc., pelo facto de que só Ela tem a suprema dignidade de ter sido escolhida para ser Mãe de Deus. [ii]
A Anunciação a Maria e a Encarnação do Verbo é o facto mais maravilhoso, o mistério mais entranhável das relações de Deus com os homens e o acontecimento mais transcen­dente da História da humanidade. Que Deus Se faça Homem e para sempre! Até onde chegou a bondade, a misericórdia e o amor de Deus por nós, por todos nós! E, não obstante, no dia em que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assu­miu a débil natureza humana das entranhas puríssimas de Maria Santíssima, nada extraordinário acontecia, aparentemente, sobre a face da terra.
Com grande simplicidade narra São Lucas o magno acontecimento. Com quanta atenção, reverência e amor temos de ler estas palavras do Evangelho, rezar piedosa mente o Angelus cada dia, seguindo a divulgada devoção cristã, e contemplar o primeiro mistério gozoso do santo Rosário. [iii]                        
Virgo fidelis, Virgem fiel. Que significa esta fidelidade de Maria? Quais são as dimensões da fidelidade? A primeira dimensão chama-se busca. Maria foi fiel, antes de mais, quando com amor se pôs a buscar o sentido profundo do desígnio de Deus n'Ela e para o mundo. Quomodo fiet? Como acontecerá isto?,  perguntava Ela ao anjo da Anunciação (...). Não haverá fidelidade se não houver na raiz esta ardente, paciente e generosa busca (...).
«A segunda dimensão da fidelidade chama-se acolhimento, aceitação. O Quomodo fiet transforma-se, nos lábios de Maria, em um fiat. Que se faça, estou pronta, aceito: este é o momento crucial da fidelidade, momento em que o homem percebe que jamais compreenderá totalmente o como: que há no desígnio de Deus mais zonas de mistério que de evidência; que, por mais que faça, jamais conseguirá captar tudo (...).
Coerência é a terceira dimensão da fidelidade. Viver de acordo com o que se crê. Ajustar a própria vida ao objecto da própria adesão. Aceitar incompreensões, perseguições antes que permitir rupturas entre o que se vive e o que se crê: esta é a coerência (...)
Mas toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a da duração. Por isso a quarta dimensão da fidelidade é a constância. É fácil de ser coerente por um dia uns dias. Difícil e importante é ser coerente toda a vida. É fácil ser coerente na hora da exaltação, difícil sê-lo na hora da tribulação. E só pode chamar-se fidelidade a uma coerência que dura ao longo de toda a vida. O fiat de Maria na Anunciação encontra a sua plenitude no fiat silencioso que repete aos pés da cruz.[iv]
***
Salve, ó cheia de graça ! [vi]          
Foi com estas palavras que, Gabriel, o Anjo do Senhor se dirigiu a ti, Maria de Nazaré.
Tão longe estarias tu deste acontecimento.
Decerto que, desde pequenina, a oração constante, a simplicidade nos pensamentos e nos actos, sem a mais leve mancha de malícia ou impudor, deverias sentir Deus muito próximo, ao alcance da tua voz.
Certamente que sim, pois acreditavas firmemente que Ele te ouvia sempre e em cada momento.
Mas a tua modéstia, a tua simplicidade, a tua total e humilde submissão a teu Senhor, ao teu Deus, não permitiriam nunca que essa possibilidade te ocorresse sequer.
O Senhor Todo Poderoso, o Criador do Céu e da Terra e de tudo quanto existe, enviar a Nazaré, à tua casa humilde e simples, um Anjo Seu, para te saudar! Que coisa mais extraordinária.
Sabias que Deus não era um ser longínquo e distante, inacessível aos homens. Constantemente tinha intervindo junto do povo eleito para comunicar a Sua Vontade, os Seus desígnios.
Mas, os Seus interlocutores tinham sido sempre grandes personagens da História Humana: Abraão, Moisés, David, os Profetas.
E tu, pobre e humilde menina recebias do Senhor uma graça semelhante!?
Logo no início o salve do Mensageiro te perturba. Salve, isto é, alegra-te.
Mas, mais: Oh! cheia de graça!
Que saudação estranha e desusada que manifesta uma dignidade e honra que julgas não merecer.
Alegra-te Filha... de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti.[vii]
Estes altíssimos louvores ferem o teu espírito humilde e, por isso a estas palavras, ela perturbou-se e ficou a pensar que saudação seria aquela. [viii]
Mas, Gabriel, é um Anjo do Senhor, e apercebe-se a tua confusão, talvez, o teu natural temor. E sossega-te:
Não tenhas receio, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo; dar-Lhe-á o Senhor Deus o trono de Seu pai David, reinará eternamente na casa de Jacob e o seu reinado não terá fim. [ix]
Conhecias bem pelas Escrituras que lias e meditavas, o que significava esta saudação e portanto, quando Gabriel evoca estas prerrogativas, entendeste claramente que te era anunciado que irias ser a Mãe do Messias Salvador.
Mas há ainda no teu espirito esclarecido, não obstante a tua juventude, uma dúvida séria: Como poderias tu, virgem humilde, teres sido escolhida para Mãe de Jesus Salvador pelo próprio Deus a quem tinhas dedicado a tua virgindade?!
E, não obstante a tua humildade de jovem simples não deixas de interrogar:
Como será isso, se eu não conheço homem?! [x]
Ah!... mas o Anjo tranquiliza-te: Virá sobre ti o Espírito Santo, e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. [xi]
Esta resposta corresponde também ao que nas Escrituras se revelava sobre o aparecimento do Messias.
Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho a quem será dado o nome de Emanuel, que quer dizer Deus connosco. [xii]
Não tinhas mais dúvidas por isso nada mais perguntaste. Não quiseste saber como, quando, porquê.
Nada, nada absolutamente te interessava averiguar porque:
Heis aqui a escrava do Senhor: seja-me feito segundo a tua palavra! [xiii]
Assim, tal qual, tu, Senhora, a quem acabava de anunciado seres eleita por Deus a maior, a mais sublime de entre as mulheres da Terra, assim, com esta simplicidade que fere pela sua inteira singeleza, assim, tu defines um coração puro, uma alma de Deus, uma total entrega ao Senhor.[xiv]
Oh! Mãe, Mãe! com essa tua palavra - «fiat» - tornaste-nos irmãos de Deus e herdeiros da Sua glória. - Bendita sejas! [xv]
Em Maria, nada existe da atitude das virgens néscias, que obedecem, sim, mas como insensatas. Nossa Senhora ouve com atenção o que Deus quer, pondera aquilo que não entende, pergunta o que não sabe. Imediatamente a seguir, entrega-se sem reservas ao cumprimento da Vontade divina: heis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra. Vedes esta maravilha? [xvi]
Uma vez conhecido o desígnio divino, Nossa Senhora entrega-se à Vontade de Deus com obediência pronta e sem reservas.
Dá-se conta da desproporção entre o que vai ser - Mãe de Deus - e o que é - uma mulher -. Não obstante, Deus o quer e nada é impossível para Ele, e por isto ninguém é capaz de por dificuldades ao desígnio divino. Daí que, juntando-se em Maria a humildade e a obediência, pronunciará o sim ao chamamento de Deus com essa resposta perfeita: «Heis a escrava do Senhor, seja-me feito segundo a Tua palavra». [xvii]
Por isso Deus te escolheu.
A Mãe do Salvador, do Deus feito homem, perfeito homem, que haveria de morrer na Cruz para salvar todos os homens, num sacrifício cruento, completo, total, não poderia senão expressar a aceitação pronta e total da Vontade Divina.
Faça-se a Tua Vontade de uma forma total e completa.
Não para meu bem, não para minha glória, não para beneficio de quem quer que seja, não... só e unicamente porque é a Tua Vontade Senhor; o resto não me interessa...
E, no entanto esta jovem era já a Mãe do Salvador, escolhida desde o principio dos tempos.
Poderei eu, algum dia, alguma vez, do fundo do coração, manifestar tal sentimento?
Decerto que não.
Quantas vezes que me proponho a aceitar a Vontade de Deus, mas reservando no meu no meu íntimo, que ela esteja de acordo com a minha vontade. Que se satisfaçam os meus desejos, que obtenha o que quero que o Senhor, actue assim, como uma espécie de Deus privado, ao meu serviço.
Heis aqui  a escrava do Senhor: seja-me feito segundo a tua palavra! [xviii]
Ah! Senhora minha, que maravilha a tua resposta, que espantosa a tua entrega.
Ajuda-me, querida Mãe, a dizer a cada momento sim ao Senhor.
Instila no meu coração de filho, porque és minha Mãe, esses sentimentos puros e humildes, esse desprendimento das coisas, essa disponibilidade permanente para ouvir e, ouvindo, dizer que sim aos desejos do Senhor.
Desejo tanto ser honesto comigo mesmo para poder ser honesto para com os outros e para com Deus. Não me mentir, não me enganar, não me esconder atrás de falsas coisas, defeitos ou virtudes, para me esquivar constantemente ao que me é pedido.
E a Tua Vontade, o Teu mandato, claríssimo é que eu seja santo [xix]
Não um dia, não qualquer dia, agora - nunc coepi - pois pode ser que o amanhã me falte. [xx]
"Ave Cheia de Graça, o Senhor está contigo". [xxi]
Assim te falou o Anjo do Senhor.
Ave minha Mãe Santíssima.
Ave, minha querida Mãe que estás no Céu, digo-te eu,  com a esperança, que é certeza, que me ouves e atenderás as minhas suplicas.
Como tu, também eu quero dizer “fiat”, faça-se, cumpra-se a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. [xxii]
Monstra te esse mater [xxiii], mostra que és mãe , ajuda-me e guia-me todos os dias da minha vida para que eu seja um bom filho.










[i] Bíblia Sagrada anotada pela Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, comentário a Lc 1, 30
[ii] Bíblia Sagrada anotada pela Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, comentário a Lc 1, 28
[iii] Bíblia Sagrada anotada pela Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, comentário a Lc 1, 26-38
[iv] João Paulo II, Homilia na Missa na Catedral México, 26.01.1979
[v] AMA, sobre a Anunciação, 2000
[vi] Lc 1, 28
[vii] So 3, 14. 17a
[viii] Lc 1, 29
[ix] Lc 1, 30,33
[x]  Lc 1, 34
[xi] Lc 1, 35
[xii] Is 7, 14.
[xiii] Lc 1, 38
[xiv] Na antiguidade, quando está plenamente vigente a escravatura, é onde se deve avaliar a força e o sentido desta expressão de Maria. O escravo não tinha outra vontade nem outro querer que o do seu amo. Vive para o seu dono e está de modo permanente ao seu serviço, sem horas fixas de dedicação e sem condições. Assim a Virgem, assim cada cristão que queira seguir Cristo. (Francisco Fernandez Carvajal, Vida de Jesus, Barbosa & Xavier, Lda - Artes Gráficas, pg. 45)
[xv] S. Josemaría Escrivá, Caminho, nr 512
[xvi] S. Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, nr 173
[xvii] Bíblia Sagrada, anotada pela Fac. de Teologia da Univ. de Navarra, Comentário Lc 1,38
[xviii]  Lc 1, 38
[xix] Pois n'Ele elegeu-nos antes da criação do mundo para que fôssemos santos Ef 1, 4-6
[xx] cfr. Beato Josemaría, Caminho, nrs 251 a 254
[xxi] Lc 1, 28
[xxii] cfr. S. Josemaría Escrivá, Forja 769
[xxiii] cfr. Paulo VI, Discurso em Fátima, 13.05.19 

Temas para meditar - 368

Soberba 




Como é possível que tenha delicadeza interior com Deus quem é soberbo no convívio com os seus semelhantes?




(federico suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 100)

Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Bento VXI – Pensamentos espirituais 38


Disponibilidade


Quando pensamos e vivemos em comunhão com Cristo, então os nossos olhos abrem-se. Nunca mais seremos capazes de andar por aí preocupados apenas connosco próprios, mas procuraremos ver onde e como somos necessários. Vivendo e agindo assim, rapidamente chegaremos à conclusão de que é muito melhor ser útil e estar à disposição dos outros do que pensar apenas na nossa comodidade.

Homilia da Missa final da XX Jornada Mundial da Juventude (21.Ago.05) 


(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

16/02/2015

Que vos saibais perdoar

Com quanta insistência o Apóstolo S. João pregava o "mandatum novum"! "Amai-vos uns aos outros!". Pôr-me-ia de joelhos, sem fazer teatro – grita-mo o coração –, para vos pedir, por amor de Deus, que vos estimeis, que vos ajudeis, que vos deis a mão, que vos saibais perdoar. Portanto, vamos banir a soberba, ser compassivos, ter caridade; prestar-nos mutuamente o auxílio da oração e da amizade sincera. (Forja, 454)


Jesus Cristo, Nosso Senhor, encarnou e tomou a nossa natureza, para se mostrar à humanidade como modelo de todas as virtudes. Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, convida-nos Ele.

Mais tarde, quando explica aos Apóstolos o sinal pelo qual os reconhecerão como cristãos, não diz: porque sois humildes. Ele é a pureza mais sublime, o Cordeiro imaculado. Nada podia manchar a sua santidade perfeita, sem mácula. Mas também não diz: saberão que se encontram diante de discípulos meus, porque sois castos e limpos.

Passou por este mundo com o mais completo desprendimento dos bens da terra. Sendo Criador e Senhor de todo o universo, faltava-lhe até um sítio onde pudesse reclinar a cabeça. No entanto, não comenta: saberão que sois dos meus porque não vos apegastes às riquezas. Permanece quarenta dias e quarenta noites no deserto em jejum rigoroso, antes de se dedicar à pregação do Evangelho. E também não afirma aos seus: compreenderão que servis a Deus, porque não sois comilões nem bebedores.


A característica que distinguirá os apóstolos, os cristãos autênticos de todos os tempos, já a ouvimos: nisto – precisamente nisto – conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Amigos de Deus, 224)

A importância da figura paterna


Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses sobre a família. Hoje deixamo-nos guiar pela palavra «pai». Uma palavra que a nós cristãos é muito querida, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a dirigir-nos a Deus: pai. O sentido deste nome recebeu uma nova profundidade precisamente a partir do momento em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua relação especial com Ele. O mistério bendito da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã.

«Pai» é uma palavra que todos conhecem, é uma palavra universal. Ela indica uma relação fundamental cuja realidade é antiga como a história do homem. Contudo, hoje chegou-se a afirmar que a nossa seria «uma sociedade sem pais». Noutros termos, sobretudo na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, esvaecida, removida. Num primeiro momento, isto foi sentido como uma libertação: libertação do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e impedimento à emancipação e à autonomia dos jovens. Por vezes havia casas em que no passado reinava o autoritarismo, em certos casos até a prepotência: pais que tratavam os filhos como servos, sem respeitar as exigências pessoais do seu crescimento; pais que não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade — mas não é fácil educar um filho em liberdade —; pais que não os ajudavam a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e o da sociedade.

Certamente, esta não é uma boa atitude; mas, como acontece muitas vezes, passa-se de um extremo ao outro. O problema nos nossos dias não parece ser tanto a presença invadente dos pais, mas ao contrário a sua ausência, o seu afastamento. Por vezes os pais estão tão concentrados em si mesmos e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações pessoais, que se esquecem até da família. E deixam as crianças e os jovens sozinhos. Quando eu era bispo de Buenos Aires apercebia-me do sentido de orfandade que vivem os jovens de hoje; e muitas vezes perguntava aos pais se brincavam com os seus filhos, se tinham a coragem e o amor de perder tempo com os filhos. E a resposta era feia, na maioria dos casos: «Mas, não posso, porque tenho tanto trabalho...». E o pai estava ausente daquele filho que crescia, não brincava com ele, não, não perdia tempo com ele.

Mas, neste caminho comum de reflexão sobre a família, gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos estar mais atentos: a ausência da figura paterna da vida das crianças e dos jovens causa lacunas e feridas que podem até ser muito graves. Com efeito os desvios das crianças e dos adolescentes em grande parte podem estar relacionados com esta falta, com a carência de exemplos e de guias respeitáveis na sua vida de todos os dias, com a falta de proximidade, com a carência de amor por parte dos pais. É mais profundo de quanto pensamos o sentido de orfandade que vivem tantos jovens.

São órfãos na família, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado pelas palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida das quais precisam como do pão. A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado pelo trabalho a estar distante de casa. Por vezes parece que os pais não sabem bem que lugar ocupar na família e como educar os filhos. E então, na dúvida, abstêm-se, retiram-se e descuidam as suas responsabilidades, talvez refugiando-se numa relação improvável «ao nível» dos filhos. É verdade que deves ser «companheiro» do teu filho, mas sem esquecer que és o pai! Se te comportas só como um companheiro igual ao teu filho, isto não será bom para o jovem. E vemos este problema também na comunidade civil. A comunidade civil com as suas instituições, tem uma certa responsabilidade — podemos dizer paterna — em relação aos jovens, uma responsabilidade que por vezes descuida e exerce mal. Também ela muitas vezes os deixa órfãos e não lhes propõe uma verdadeira perspectiva. Assim, os jovens permanecem órfãos de caminhos seguros para percorrer, órfãos de mestres nos quais confiar, órfãos de ideais que aqueçam o coração, órfãos de valores e de esperanças que os amparem diariamente. Talvez sejam ídolos em abundância mas é-lhes roubado o coração; são estimulados a sonhar divertimentos e prazeres, mas não lhes é dado trabalho; são iludidos com o deus dinheiro, mas são-lhes negadas as verdadeiras riquezas.

E então fará bem a todos, aos pais e aos filhos, ouvir de novo a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: «Não vos deixarei órfãos» (Jo 14, 18). De facto, Ele é o Caminho a percorrer, o Mestre a ouvir, a Esperança de que o mundo pode mudar, de que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos. Algum de vós poderia dizer-me: «Mas Padre, hoje foi demasiado negativo. Só falou da ausência dos pais, do que acontece quando os pais não acompanham o crescimento dos filhos... É verdade, quis frisar isto, porque na próxima quarta-feira continuarei esta catequese pondo em evidência a beleza da paternidade. Por isso escolhi começar pela escuridão para chegar à luz. Que o Senhor nos ajude a compreender bem estas coisas. Obrigado.


28 de Janeiro de 2015

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Tratado do verbo encarnado 123

Questão 18: Da unidade de Cristo quanto a vontade

Art. 6 — Se havia em Cristo vontades contrárias.

O sexto discute-se assim. — Parece que havia em Cristo vontades contrárias.

1 — Pois, vontades contrárias supõem a contrariedade dos seus objectos, assim como também a contrariedade dos movimentos supõe a contrariedade dos seus termos, como está claro no Filósofo. Ora, Cristo, pelas suas diferentes vontades, queria coisas contrárias, assim, pela vontade divina queria a morte, que repugnava à sua vontade humana. Donde o dizer Atanásio: Quando o Cristo exclama — Pai, se é possível, passe de mim este cálix, todavia não se faça nisto a minha vontade, mas sim: a tua, e ainda — o espírito está pronto mas a carne é fraca, revela ter duas vontades, - a humana que, pela fraqueza da carne, fugia o sofrimento, e a divina, pronta para a paixão. Logo, havia em Cristo vontades contrárias.

2. Demais. — O Apóstolo diz: Porque a carne deseja contra o espírito e o espírito contra a carne. Há, pois, vontades contrárias, quando o espírito deseja uma coisa e a carne, outra. Ora, tal se dava com Cristo, pois, pela vontade de caridade, que o Espírito Santo lhe causava na alma, queria o sofrimento, segundo a Escritura. — Foi oferecido porque ele mesmo quis, ao contrário, pela carne, fugia o sofrimento. Logo, nele havia contrariedade de vontades.

3. Demais. — O Evangelho diz que posto em agonia Jesus orava com maior instância. Ora, a agonia implica uma luta da alma, que tende para uma direcção oposta. Logo, parece que em Cristo havia vontades contrárias.

Mas, em contrário, determina o Sexto Sínodo: Afirmamos duas vontades naturais não contrárias, ao invés do que os impios ensinam hereticamente, e que a vontade humana de Cristo obedece, sem resistência nem relutância, antes com sujeição, à sua vontade divina e omnipotente.

Não pode haver contrariedade, sem haver oposição fundada num mesmo sujeito e no mesmo ponto de vista. Pois, a diversidade fundada em coisas diferentes e a luzes diversas não basta para constituir uma contrariedade, nem ainda uma contradição, assim, se um homem for belo ou são de mãos e não de pés.

Donde, para haver vontades contrárias é necessário, primeiro, que essa contrariedade tenha o mesmo sujeito. Assim, se a vontade de um quiser fazer uma coisa fundada numa razão universal, e a de outro não quiser fazer a mesma coisa por uma razão particular, não há absolutamente contrariedade de vontades. Por exemplo, se o rei quiser que um ladrão seja enforcado, para o bem da república, e um dos parentes deste não o quiser, pelo amor particular que lhe tem, não haverá contrariedade de vontades. Salvo talvez se a vontade do particular chegar a ponto de querer impedir o bem público, para conservar o seu bem particular, pois, então, a repugnância das vontades funda-se no mesmo objecto.

Em segundo lugar para haver vontades contrárias é necessário que a contrariedade se funde na mesma vontade. Assim, se quisermos uma coisa pelo apetite racional e outra, pelo sensitivo, não há aí nenhuma contrariedade, salvo se o apetite sensitivo prevalecer a ponto de alterar ou retardar o apetite racional, pois, então, já o movimento contrário do apetite sensitivo teria, de certo modo, atingido a vontade racional em si mesma.

Donde devemos concluir, que embora a vontade natural e a vontade sensitiva, em Cristo, quisessem coisas diferentes das queridas pela vontade divina e pela sua própria vontade racional, não havia contudo nele nenhuma contrariedade de vontades. — Primeiro, porque nem a vontade sensitiva repudiava aquela razão pela qual a vontade divina e a vontade da razão humana, em Cristo, queriam a paixão. Pois, a vontade absoluta de Cristo queria a salvação do género humano, não podiam porém querê-la como um meio. Quanto, ao movimento da sensibilidade, ele não podia elevar-se até aí. — Segundo, porque nem a vontade divina nem a racional eram impedidas ou retardadas em Cristo pela vontade natural ou pelo apetite sensível. Semelhantemente e ao contrário, nem a sua vontade divina ou a vontade racional evitavam ou retardavam o movimento da vontade natural humana e o movimento da sensibilidade. Pois, aprazia a Cristo, pela sua vontade divina e também pela vontade racional, que a sua vontade natural e a sua vontade sensível se movessem conforme a ordem das suas naturezas. — Donde é claro, que em Cristo não havia nenhuma repugnância ou contrariedade de vontades.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Mesmo a vontade humana de Cristo querer coisa diferente do que quisesse a sua vontade divina procedia da própria vontade divina, a cujo beneplácito a natureza humana de Cristo se movia com seu movimento próprio, como diz Damasceno.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A concupiscência da carne retarda ou impede em nós a concupiscência do espírito, o que não se dava em Cristo. E por isso em Cristo não havia, como há em nós, contrariedade entre a carne e o espírito.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Cristo não sofreu agonia na parte racional da alma, enquanto isso implica um choque de vontades procedente de razões diversas, por exemplo, quando queremos uma coisa que a razão nos oferece, e queremos também o contrário, que ela nos propõe. O que provém da fraqueza da razão, incapaz de discernir o que é absolutamente melhor. E tal não se dava em Cristo, que, com a sua razão julgava ser, absolutamente, melhor cumprir pela sua paixão a vontade divina, no tocante à salvação do género humano. Houve porém agonia em Cristo quanto à parte sensitiva, que implica o temor do infortúnio iminente, como diz Damasceno.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evangelho, comt. L esp. (Vida de Maria I)

Tempo Comum VI Semana

Evangelho: Mc 8 11-13

11 Apareceram os fariseus, e começaram a discutir com Ele, pedindo-Lhe, para O tentarem, um sinal do céu. 12 Porém, Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não será dado sinal algum». 13 Depois, deixando-os, entrou novamente na barca e passou à outra margem.

Comentário

Há quem nunca esteja satisfeito com os “sinais” que Nosso Senhor envia aos homens de forma tão abundante e continuamente.
Ou então – e esta será a principal razão – não se apercebem deles as suas muitas ocupações e prioridades não deixam lugar ou disponibilidade para os ver, ouvir e entender.
Há que ter o coração limpo e desprendido para se estar bem disposto para tal.

(ama, comentário sobre Mc 8 11-13, Malta, 2015.01.26)

Leitura espiritual


Santíssima Virgem

Vida de Maria (V)


O diálogo mais importante da história teve lugar no interior de uma casa pobre de Nazaré. Os seus protagonistas são o próprio Deus, que se serve do ministério de um Arcanjo e uma Virgem chamada Maria, da casa de David, desposada com um artesão de nome José.

Muito provavelmente Maria encontrava-se recolhida em oração, talvez meditando alguma passagem da Sagrada Escritura referente à salvação prometida pelo Senhor. É assim que a mostra a arte cristã, que se inspirou nessa cena para compor as melhores representações da Virgem. Ou talvez estivesse ocupada nos trabalhos da casa e, nesse caso, também se encontraria absorvida em oração: tudo n’Ela era ocasião e motivo para manter um diálogo constante com Deus.

— Salve, ó cheia de graça, o Senhor é contigo (Lc 1, 28).

Ao ouvir estas palavras, Maria perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta (Lc 1, 29). Fica confusa, não tanto pela aparição do anjo, mas pelas suas palavras. Sobressaltada, questiona-se sobre o motivo de tais louvores. Perturba-se porque, na sua humildade, sente-se pouca coisa. Boa conhecedora da Escritura, dá-se imediatamente conta de que o mensageiro celestial lhe está a transmitir uma mensagem inaudita. Quem é Ela para merecer esses elogios? O que é que fez na sua breve existência? Certamente deseja servir a Deus com todo o seu coração e com toda a sua alma; mas vê-se muito longe daquelas façanhas que valeram louvores a Débora, a Judite, a Ester, mulheres muito exaltadas na Bíblia. No entanto, compreende que a embaixada divina é para Ela. Ave, gratia plena!

"NÃO HÁ NA SUA RESPOSTA A MÍNIMA SOMBRA DE DÚVIDA OU DE INCREDULIDADE; SIM, DESDE A SUA MAIS TENRA INFÂNCIA, SÓ ANSIAVA POR CUMPRIR A VONTADE DIVINA!"

Neste primeiro momento, Gabriel dirige-se a Maria dando-lhe um nome — a cheia de graça — que explica a profunda perturbação de Nossa Senhora. São Lucas utiliza um verbo que, em língua grega, indica que a Virgem de Nazaré estava completamente transformada, santificada pela graça de Deus. Como posteriormente definiria a Igreja, isto tinha ocorrido no primeiro momento da sua concepção, em consideração da missão que havia de cumprir: ser Mãe de Deus na Sua natureza humana, permanecendo ao mesmo tempo Virgem.

O Arcanjo apercebe-se do sobressalto da Senhora e, para a tranquilizar, dirige-se a Ela chamando-a — agora sim — pelo seu próprio nome e explicando-lhe as razões dessa saudação excepcional.

— Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim (Lc 1, 30-33).

"NÃO SE LIMITA A UM GENÉRICO DAR LICENÇA, MAS PRONUNCIA UM SIM — FIAT! — NO QUAL ENVOLVE TODA A SUA ALMA E TODO O SEU CORAÇÃO".

Maria, que conhece bem as profecias messiânicas e as meditou muitas vezes, compreende que será a Mãe do Messias. Não há na sua resposta a mínima sombra de dúvida ou de incredulidade; sim, desde a sua mais tenra infância, só ansiava por cumprir a Vontade divina! Mas deseja saber como se realizará esse prodígio, pois, inspirada pelo Espírito Santo, tinha decidido entregar-se a Deus em virgindade de coração, de corpo e de mente.

São Gabriel comunica-lhe então o modo diviníssimo em que maternidade e virgindade se conciliarão no seu seio.

— O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril, porque a Deus nada é impossível (Lc 1, 35-37):

O anjo cala-se. Um grande silêncio se apodera do céu e da terra, enquanto Maria medita no seu coração a resposta que vai dar ao mensageiro divino. Tudo depende dos lábios desta Virgem: a Encarnação do Filho de Deus, a salvação da humanidade inteira.

Maria não demora. E, ao responder ao convite do Céu, fá-lo com toda a energia da sua vontade. Não se limita a um genérico dar licença, mas pronuncia um sim — fiat! — no qual envolve toda a sua alma e todo o seu coração, aderindo plenamente à Vontade de Deus: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38).

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14). Ao contemplar uma vez mais este mistério da humildade de Deus e a humildade da criatura, irrompemos numa exclamação de gratidão que gostaríamos que não terminasse nunca: «Ó Mãe, Mãe! com essa tua palavra — "fiat" — tornaste-nos irmãos de Deus e herdeiros da Sua glória. — Bendita sejas!» (Caminho, n. 512).


J.A. Loarte

Temas para meditar - 367

Temor de Deus 



Bem-aventurada a alma de quem teme a Deus, pois está forte contra as tentações do diabo: Bem-aventurado o homem que persevera no temor de Deus (Prov. 28, 14) e a quem foi dado ter sempre diante dos olhos o temor de Deus. Quem teme o Senhor afasta-se do mau caminho e dirige os seus passos pela senda da virtude; o temor de Deus torna o homem precavido e vigilante para não pecar. Onde não há temor de Deus reina a vida dissoluta.



(santo agostinho, Sermão sobre a Humildade e o Temor de Deus)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

15/02/2015

Nunca amarás bastante

Por muito que ames, nunca amarás bastante. O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras. Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, 8ª Estação, n. 5)

Vede agora o mestre reunido com os seus discípulos na intimidade do Cenáculo. Ao aproximar-se o momento da sua Paixão, o Coração de Cristo, rodeado por aqueles que ama, abre-se em inefáveis labaredas: dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros e que, do mesmo modo que eu vos amei, vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Ioh XIII, 34–35.) (...).

Senhor, porque chamas novo a este mandamento? Como acabamos de ouvir, o amor ao próximo estava prescrito no Antigo Testamento e recordareis também que Jesus, mal começa a sua vida pública, amplia essa exigência com divina generosidade: ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Senhor, deixa-nos insistir: porque continuas a chamar novo a este preceito? Naquela noite, poucas horas antes de te imolares na Cruz, durante aquela conversa íntima com os que - apesar das suas fraquezas e misérias pessoais, como as nossas - te acompanharam até Jerusalém. Tu revelaste-nos a medida insuspeitada da caridade: como eu vos amei. Como não haviam de te entender os Apóstolos, se tinham sido testemunhas do teu amor insondável!


Se professamos essa mesma fé, se ambicionamos verdadeiramente seguir as pegadas, tão nítidas, que os passos de Cristo deixaram na terra, não podemos conformar-nos com evitar aos outros os males que não desejamos para nós mesmos. Isto é muito, mas é muito pouco, quando compreendemos que a medida do nosso amor é definida pelo comportamento de Jesus. Além disso, Ele não nos propõe essa norma de conduta como uma meta longínqua, como o coroamento de toda uma vida de luta. É – e insisto que deve sê-lo para que o traduzas em propósitos concretos – o ponto de partida, porque Nosso Senhor o indica como sinal prévio: nisto conhecerão que sois meus discípulos. (Amigos de Deus, nn. 222-223)