08/10/2014

Tratado da Graça 20

Questão 112: Da causa da graça

Em seguida devemos tratar da causa da graça.


E Nesta questão discutem-se cinco artigos:
Art. 1 – Se só Deus é a causa da graça.
Art. 2 – Se, da parte do homem, é necessária alguma preparação ou disposição para a graça.
Art. 3 – Se é necessariamente dada a graça a quem para ela se prepara, ou faz tudo quanto pode.
Art. 4 – Se a graça é maior em um que em outro.
Art. 5 – Se o homem pode saber que tem a graça.

Art. 1 – Se só Deus é a causa da graça.

(III, q. 62, a. 1, q. 64, a. 1, I Sent., dist. XIV, part, q. 3, dist. XL, q.4, 2, ad 3, II, dist. V, q. 1, a.3, qª 1, DeVerit., q. 27, a. 3, Ad Rom., cap. V, lect. I).

O primeiro discute-se assim. – Parece que não é só Deus a causa da graça.

1. – Pois, diz a Escritura: a graça e a verdade foi trazida por Jesus Cristo. Ora, o nome de Jesus Cristo designa não só a natureza divina unida à humana, mas também essa natureza humana criada e assumida por Deus. Logo, alguma criatura pode ser causa da graça.

2. Demais. – Os sacramentos da lei nova e os da antiga diferem em aqueles causarem a graça, e estes somente a significarem. Ora, os sacramentos da lei nova são elementos visíveis. Logo, nem só Deus é a causa da graça.

3. Demais. – Segundo Dionísio, os anjos purificam, iluminam e aperfeiçoam, tanto os anjos inferiores, como os homens. Ora, a criatura racional é purificada, iluminada e aperfeiçoada pela graça. Logo, não é só Deus a causa da graça. 

Mas, em contrário, diz a Escritura: O Senhor dará a graça e a glória.

Nenhum ser pode agir fora dos limites da sua espécie, pois a causa há-de ser sempre superior ao efeito. Ora, o dom da graça excede as faculdades de toda natureza criada, pois a graça não é senão uma participação da natureza divina, que sobrepuja qualquer outra natureza. Por onde, é impossível qualquer criatura causar a graça. E portanto e necessariamente, só Deus pode deificar, comunicando o consórcio da sua natureza, por uma participação de semelhança, assim como só o fogo pode dar a um corpo o estado de combustão.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. – A humanidade de Cristo é um como instrumento da sua divindade, na expressão de Damasceno. Ora, um instrumento não realiza a ação do agente principal, por virtude própria, mas em virtude daquele. Donde, a humanidade de Cristo não causa a graça por virtude própria, mas em virtude da divindade adjunta, que torna salutares as obras dessa humanidade.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Assim como na pessoa mesma de Cristo a humanidade causa a nossa salvação pela graça, mas sob a acção principal da virtude divina, assim também os sacramentos da lei nova, derivados de Cristo, causam a graça instrumental, mas é a virtude do Espírito Santo, operando neles, que a causa principalmente, conforme a Escritura: Quem não renascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino de Deus.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O anjo purifica, ilumina e aperfeiçoa outro anjo ou o homem, instruindo-o, de certo modo, não porém justificando, pela graça. Por isso, Dionísio diz, que essa purificação, iluminação e perfeição não passam de uma recepção da ciência divina.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evangelho diário e coment. Leit. Espiritual (Enc Principes pastorum (S. João XXIII)

Tempo comum XXII Semana

Evangelho: Lc 11, 1-4

1 Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos Seus discípulos disse-Lhe: «Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos». 2 Ele respondeu-lhes: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino. 3 O pão nosso de cada dia dá-nos hoje 4 perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação».
Comentário:

Tudo quanto o Pai-Nosso encerra é importante mas, atrevemo-nos a considerar como “chave” que abre o coração – o nosso e o de Deus – o último versículo: «perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem».
Para ser perdoado é, pois fundamental, perdoar, não depois… mas antes…
(ama, comentário sobre Lc 11, 1-4, 2013.10.09)


Leitura espiritual



Documentos do Magistério
CARTA ENCÍCLICA
PRINCEPS PASTORUM
DO SUMO PONTÍFICE PAPA JOÃO XXIII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E AOS OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE AS MISSÕES CATÓLICAS

Educação adaptada ao ambiente

14. Além disto, a Igreja, como bem sabeis, veneráveis irmãos, sempre exigiu que os seus sacerdotes sejam tornados aptos para seu ministério mediante uma educação intelectual sólida e completa.
Que de tanto sejam capazes os jovens de todas as raças e provenientes de todas as partes do mundo, isto nem sequer vale mais a pena lembrá-lo, tanto os factos e a experiência o demonstraram com evidência.
Obviamente, a formação do clero local deve ter na devida conta os factores ambientais próprios das várias regiões.
Para todos os candidatos ao sacerdócio vigora a sapientíssima norma segundo a qual eles não devem ser formados "num ambiente por demais arredio do mundo" [13], visto que desse modo, "quando forem para o meio da sociedade, encontrarão sérias dificuldades nas relações com o povo e com a classe culta, e daí sucederá, com frequência ou assumirem uma atitude errada e falsa para com os fiéis, ou considerarem desfavoravelmente a formação recebida". [14]
Eles deverão ser sacerdotes espiritualmente perfeitos, mas também, "gradual e prudentemente inseridos naquela parte do mundo" [15] que lhes coube por sorte, para que a iluminem com a verdade, a santifiquem com a graça de Cristo.
Para tal fim, também no que respeita ao regime de vida do seminário, convém insistir sobre o modo de viver local, não porém sem pôr a fruto todas aquelas facilidades de ordem técnica ou material que já agora são bem e património de todas as civilizações, enquanto representam um real progresso para um teor de vida mais elevado e para uma mais adequada salvaguarda das forças físicas.

Educação no senso de responsabilidade e no espírito de iniciativa

15. A formação do clero autóctone, dizia o nosso predecessor Bento XV, deve visar a torná-lo capaz de tomar em mãos, apenas isso for possível, o governo das novas Igrejas, e de guiar, com o ensino e com o ministério, os próprios compatrícios na trilha da salvação. [16]
Para tal fim, afigura-se-nos sumamente oportuno que todos aqueles que, ou alienígenas ou nativos, cuidam dessa formação, se empenhem conscienciosamente em desenvolver nos seus alunos o senso de responsabilidade e o espírito de iniciativa, [17] de modo que estes estejam em condições de assumir bem depressa e progressivamente todas as tarefas, mesmo as mais importantes, inerentes ao seu ministério, em perfeita concórdia com o clero alienígena, mas também em igual medida.
Esta será, com efeito, a prova da real eficácia da educação a eles ministrada, e constituirá o coroamento e o prémio melhor dos que para ela contribuíram.

Utilização dos valores locais.

16. Em vista justamente de uma formação intelectual que leve em conta as necessidades reais e da mentalidade de cada povo, esta Sé Apostólica sempre recomendou os estudos especiais de missiologia não só para o clero alienígena, como também para o clero nativo. Assim o nosso predecessor Bento XV, decretava a instituição do ensino de matérias missionárias no Pontifício ateneu Urbaniano "de Propaganda Fide", [18] e Pio XII salientava com satisfação a erecção do Instituto missionário científico no mesmo ateneu Urbaniano, "e a instituição, quer em Roma, quer noutros lugares, de faculdades e cátedras de missiologia". [19]
Por isto os programas dos seminários locais em terra de missão não deixarão de assegurar cursos de estudo nos vários ramos da missiologia e o ensino dos diversos conhecimentos e técnicas especialmente úteis para o ministério futuro do clero daquelas regiões.
Para tal fim prover-se-á a um ensino que, no espírito da mais pura e sólida tradição eclesiástica, saiba formar acuradamente o juízo dos sacerdotes sobre os valores culturais locais especialmente filosóficos e religiosos, na sua relação com o ensino e a religião cristã.
 "A Igreja Católica – disse o nosso imortal predecessor Pio XII – não despreza ou rejeita completamente o pensamento pagão, mas, antes, depois de o haver purificado de toda escória de erro, completa-o e aperfeiçoa-o com sabedoria cristã.
Assim igualmente ela acolheu o progresso no campo das ciências e das artes... e consagrou de alguma maneira os costumes particulares e as tradições antigas dos povos, as próprias festas pagãs, transformadas, serviram para celebrar as memórias dos mártires e os divinos mistérios". [20]
Nós mesmo já manifestamos o nosso pensamento sobre este assunto: "Em toda parte... onde autênticos valores de arte e de pensamento são suscetíveis de enriquecer a família humana, a Igreja está pronta a favorecer tais trabalhos do espírito.
Ela mesma, como sabeis, não se identifica com nenhuma cultura, nem mesmo com a cultura ocidental, à qual a sua história está estreitamente ligada.
Porque a sua missão pertence a uma outra ordem, à ordem da salvação religiosa do homem.
Porém a Igreja, tão rica de juventude que incessantemente se renova ao sopro do Espírito, está sempre disposta a reconhecer, antes a acolher, e mesmo animar, tudo aquilo que é de honra para a inteligência e para o coração humano nas outras partes do mundo, diverso desta bacia mediterrânea, que foi berço providencial do cristianismo". [21]

Penetração entre as classes cultas

17. Bem preparados e adestrados neste campo tão difícil e importante, no qual estão em condições de oferecer contributos bastante preciosos, os sacerdotes nativos poderão, sob a direcção dos seus Bispos, dar vida a movimentos de penetração mesmo entre as classes cultas, especialmente nas nações de antiga e alta cultura, a exemplo de famosos missionários, dos quais basta citar por todos o Pe. Matteo Ricci.
Com efeito, também ao clero nativo cabe a tarefa de "reduzir todo o intelecto ao obséquio de Cristo" (cf. 2 Cor 10,5), como dizia aquele incomparável missionário que foi S. Paulo, e assim "atrair a si, na pátria, a estima mesmo das personalidades e dos doutos". [22]
A seu juízo, os Bispos providenciem oportunamente no sentido de constituir, para as necessidades de uma ou mais regiões, centros de cultura, nos quais missionários alienígenas e sacerdotes nativos tenham meios de fazer frutificar o seu preparo intelectual e a sua experiência em beneficio da sociedade em que vivem por escolha ou por nascimento.
Neste campo é necessário também lembrar aquilo que o nosso imediato predecessor Pio XII sugeriu, isto é, que é dever dos féis "multiplicar e difundir a imprensa católica em todas as suas formas" [23], e preocupar-se outrossim com as "técnicas modernas de difusão e de cultura, sabida como é a importância de uma opinião pública formada e iluminada". [24]
Nem tudo se poderá fazer em toda parte, mas não se deve perder nenhuma boa ocasião para prover a estas reais e urgentes necessidades, mesmo se às vezes "quem semeia não é o mesmo que colhe" (Jo 4,37).

Cautelas nos empreendimentos de carácter social e assistencial

18. A difusão da verdade e da caridade de Cristo é a verdadeira missão da Igreja, que tem o dever de oferecer aos povos, "na medida máxima possível, as substanciais riquezas da sua doutrina e da sua vida, animadora de uma nova ordem social cristã". [25]
Por isto, nos territórios de missão, ela provê com toda a largueza possível também a iniciativas de carácter social e assistencial que são de sumo proveito para as comunidades cristãs e para os povos entre os quais elas vivem.
Tenha-se, todavia, o cuidado de não atravancar o apostolado missionário com um complexo de instituições de ordem puramente profana. Fique-se nos limites daqueles serviços indispensáveis de fácil manutenção e de uso fácil, cujo funcionamento possa o mais depressa possível ser posto nas mãos do pessoal local, e disponham-se as coisas de modo que ao pessoal propriamente missionário seja oferecida a possibilidade de dedicar as melhores energias ao ministério de ensino, de santificação e de salvação.

Formação no espírito de caridade universal

19. Se é verdade que, para um apostolado o mais amplamente frutífero, é de primária importância que o sacerdote nativo conheça e saiba com toda inteligência e prudência estimar os valores locais, com ainda maior razão ficará sendo verdade que para ele vale aquilo que o nosso imediato predecessor dizia de todos os fiéis: "As perspectivas universais da Igreja serão as perspectivas normais da sua vida cristã". [26]
Para tal fim, deverá o clero local ser não somente informado dos interesses e das vicissitudes da Igreja universal, mas também deverá ser educado numa íntima, universal respiração de caridade. S. João Crisóstomo dizia das celebrações litúrgicas cristãs: "Quando estamos no altar, oramos antes de tudo pelo mundo inteiro e pelos interesses coletivos [27], e Santo Agostinho lindamente afirmava: "Se queres amar Cristo, derrama a caridade por toda a terra, porque os membros de Cristo estão no mundo inteiro" .[28].

20. No desejo, justamente, de salvaguardar em toda a sua pureza este espírito católico que deve animar a obra dos missionários, o nosso predecessor Bento XV não hesitou em denunciar com expressões severas um perigo que podia fazer perder de vista as altíssimas finalidades do apostolado missionário e, assim, comprometer-lhe a eficácia: "Seria coisa bem triste se algum missionário se revelasse tão descuidado de sua dignidade que pensasse mais na pátria terrena do que na celeste, e se preocupasse excessivamente com dilatar o poder dela e lhe estender a glória. Este modo de agir constituiria um dano funestíssimo para o apostolado, e, no missionário, extinguiria todo impulso de caridade para com as almas e lhe diminuiria o prestígio na opinião do povo". [29]

21. O mesmo perigo poderia hoje repetir-se sob outras formas, pelo facto de em muitos territórios de missão se ir tornando geral a aspiração dos povos ao autogoverno e à independência, e a conquista das liberdades civis poder infelizmente acompanhar-se de excessos que absolutamente não estão em harmonia com os autênticos e profundos interesses espirituais da humanidade.

22. Estamos plenamente confiante de que o clero nativo, movido por sentimentos e por propósitos superiores em conformidade com as exigências universalistas da religião cristã, contribuirá outrossim para o bem real da própria nação.

23. "A Igreja de Deus é católica, e não é estrangeira, para nenhum povo ou nação", [30] dizia o mesmo nosso predecessor, e nenhuma Igreja local poderá exprimir a sua união vital com a Igreja universal se o seu clero e o seu povo se deixarem sugestionar pelo espírito particularista, por sentimentos de malevolência para com os outros povos, por um mal compreendido nacionalismo que destruiria a realidade dessa caridade universal que edifica a Igreja de Deus, a única verdadeiramente "católica".

 III. O LAICATO DAS MISSÕES

Os leigos na vida da Igreja

24. Insistindo sobre a necessidade de preparar com o maior zelo o advento do clero autóctone e de formá-lo adequadamente para sua finalidade, o nosso venerado predecessor Bento XV certamente não pretendeu excluir a importância, também fundamental, de um laicato nativo à altura da sua vocação cristã e empenhado no apostolado. Isso fê-lo expressamente e com todo o relevo o nosso imediato predecessor Pio XII, [31] que muitas vezes voltou sobre este assunto vital que, hoje mais do que nunca, se impõe à consideração e requer ser resolvido, em toda parte, na medida máxima possível.

25. O mesmo Pio XII – e isto redunda em seu singular mérito e louvor – com copiosa doutrina e renovados incitamentos advertiu e incentivou os leigos a assumirem solicitamente o seu lugar activo no campo do apostolado em colaboração com a hierarquia eclesiástica, com efeito, desde os primórdios da história cristã e em todas as épocas sucessivas, esta colaboração dos fiéis fez com que os Bispos e o clero pudessem eficazmente desenvolver a sua obra entre os povos, quer no campo propriamente religioso, quer no campo social.
Pode e deve isto verificar-se também nos nossos tempos, que, antes, revelam maiores necessidades, proporcionais a uma humanidade numericamente mais vasta e com exigências espirituais multiplicadas e complexas.
Aliás, onde quer que a Igreja é fundada, deve estar sempre presente e ativa com toda a sua estrutura orgânica, e portanto não somente com a hierarquia nas suas várias ordens, mas também com o laicato: e, portanto, é por meio do clero e dos leigos que ela deve necessariamente desenvolver a sua obra de salvação. [32]

(cont)

(revisão da versão portuguesa por ama)

_________________________________________
Notas:
[13] Pio XII, Exort. Apost. Menti Nostrae, AAS 42 (1950), p. 686.
[14] Ibid.
[15] Ibid. p. 687.
[16] Carta Apost. Maximum illud: AAS 11(1919), p. 445.
[17] Cf. Pio XII, Exort. Apost. Menti Nostrae: AAS 42(1950), p. 686.
[18] Carta Apost. Maximum illud: AAS 11(1919), p. 448.
[19] Carta enc. Evangelii praecones, AAS 43(1951), p. 500.
[20] Ibid. p. 522.
[21] Cf. Discurso aos participantes no II Congresso mundial dos escritores e artistas negros: L'Osservatore Romano,de 3 de abril de 1959, AAS 51(1959), p. 260.
[22] Pio XI, Carta enc. Rerum Ecclesiae: AAS 18(1926), p. 77.
[23]Carta enc. Fidei donum, AAS 49(1957), p. 233.
[24] Ibid.
[25] Ibid., p. 231.
[26] Ibid., p. 238.
[27] Hom. II in II Cor., PG, 61, 398.
[28]In Ep. Ioan. ad Parthos, tr 10, c. 5, PL, 35, 2060.
[29]Carta Apost. Maximum illud, AAS 11(1919), p. 446.
[30] Ibid. p. 445.
[31] Carta enc. Evangelii praecones, AAS 43(1951), p. 510ss.
[32] Cf. Pio XII, Carta enc. Mystici Corporis: AAS 35(1943), p. 200-201, Pio XI, Carta enc. Rerum Ecclesiae: AAS 18(1926), p. 78.





07/10/2014

Santificar o nosso trabalho não é uma quimera

Santificar o nosso trabalho não é uma quimera; é missão de todos os cristãos... – tua e minha. Foi o que descobriu aquele torneiro, que comentava: – "Põe-me louco de contente essa certeza de que eu, manejando o torno e cantando, cantando muito – por dentro e por fora –, posso fazer-me santo... Que bondade a do nosso Deus!". (Sulco, 517)

Nesta hora de Deus, a da tua passagem por este mundo, decide-te a sério a realizar alguma coisa que valha a pena. O tempo urge, e é tão nobre, tão heróica, tão gloriosa a missão do homem e da mulher sobre a Terra quando abrasa no fogo de Cristo os corações murchos e apodrecidos!

Vale a pena levar aos outros a paz e a felicidade de uma corajosa e alegre cruzada! (Sulco, 613)

Umas vezes deixas explodir o teu mau génio, que em mais de uma ocasião aflora com uma dureza disparatada. Outras, não preparas o teu coração e a tua cabeça para servirem de aposento confortável à Santíssima Trindade... E acabas sempre por ficar um tanto afastado de Jesus, que conheces pouco.

Assim nunca terás vida interior. (Sulco, 651)


Remédio para tudo: santidade pessoal! Por isso, os Santos estavam cheios de paz, de fortaleza, de alegria, de segurança. (Sulco, 653)

Demónio




Este adversário nosso inimigo procura fazer mal de qualquer forma; se pois ele não anda descuidado, não o andemos nós também.




(santa teresa de jesus, Caminho de perfeição, 19, 13)

Tratado da Graça 19

Questão 111: Da divisão da graça.

Art. 5 — Se a graça gratuita é mais digna que a santificante.

O quinto discute-se assim. — Parece que a graça gratuita é mais digna que a santificante.

1. — Pois, o bem da nação é superior ao do indivíduo, como diz o Filósofo. Ora, a graça santificante ordena só para o bem do indivíduo, ao passo que a gratuita, para o de toda a comunidade da Igreja, como já se disse. Logo, a graça gratuita é mais digna que a santificante.

2. Demais. — É maior virtude poder agir sobre outrem, que poder aperfeiçoar-se só a si mesmo, assim como a claridade corpórea capaz de iluminar também os outros corpos é maior que aquela que luz sem poder iluminá-los. Por isso, o Filósofo diz, que a justiça é a mais preclara das virtudes, pela qual o homem age retamente, mesmo para com os outros. Ora, pela graça santificante o homem se aperfeiçoa a si mesmo, ao passo que, pela gratuita, opera a perfeição dos outros. Logo, esta é mais perfeita que aquela.

3. Demais. — O que é próprio dos melhores é mais digno que o comum a todos, assim, raciocinar, próprio do homem, mais digno que sentir, comum a todos os animais. Ora, a graça santificante é comum a todos os membros da Igreja, ao passo que a gratuita é dom próprio dos membros mais dignos dela. Logo, a graça gratuita é mais digna que a santificante.

Mas, em contrário, o Apóstolo, depois de ter enumerado as graças gratuitas, acrescenta (1 Cor 12, 31): Mas eu ainda vou a mostrar-vos outro caminho mais excelente. Ora, como a sequência do texto o demonstra, ele refere-se à caridade, que pertence à graça santificante. Logo, esta é mais excelente que a gratuita.

Toda a virtude é tanto mais excelente quanto mais elevado é o bem a que se ordena. Pois, o fim é sempre mais excelente que os meios. Ora, a graça santificante ordena imediatamente o homem à união com o fim último. Enquanto a graça gratuita o ordena a certos meios preparatórios do fim último. Assim, pela profecia, pelos milagres e por meios semelhantes, os homens são levados à união com o fim último. Logo, a graça santificante é muito mais excelente que a gratuita.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Como diz o Filósofo, o bem de uma multidão, como, p. ex., um exército, é duplo. Um está na própria multidão, p. ex., a ordem do exército. Outro — o bem do chefe, é distinto dela. E, este último é o superior, pois a ele se ordena o primeiro. Ora, a graça gratuita ordena-se ao bem comum da Igreja, que é a ordem eclesiástica. Ao passo que a graça santificante se ordena a um bem comum separado, que é o próprio Deus. Logo, a graça santificante é mais nobre.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Se a graça gratuita pudesse fazer o homem conseguir o que consegue pela graça santificante, resultaria que ela é mais nobre que esta, assim como é mais excelente a claridade do sol, que ilumina, do que a do corpo iluminado. Ora, pela graça gratuita não podemos causar em outrem a união com Deus, que ele alcança pela graça santificante, mas podemos apenas provocar certas disposições para essa união. Donde não é necessário que seja a graça gratuita mais excelente, do mesmo modo que o calor, manifesto da natureza específica do fogo, e pelo qual aquece as coisas, é mais nobre que a forma substancial do mesmo.

RESPOSTA À TERCERIA. — Sentir ordena-se a raciocinar, como ao fim, logo, raciocinar é mais nobre. Ora, no caso vertente, dá-se o contrário, porque o próprio se ordena ao comum, como ao fim. Logo, não há semelhança.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evangelho diário e coment. Leit. Espiritual (Enc Principes pastorum (S. João XXIII)

Tempo comum XXVII Semana

Nossa Senhora do Rosário

Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». 34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossível». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

A alegria que Maria espalha à sua volta é irreprimível. Até as crianças por nascer a sentem e não podem mais que manifestar essa mesma alegria.
Quando nos encontramos com a nossa mãe  bastando ouvir a sua voz, acontece-nos o mesmo. 

(ama, comentário sobre Lc 1. 29-35 Carvide, 2013.12.21)


Leitura espiritual



Documentos do Magistério
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E AOS OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE AS MISSÕES CATÓLICAS

INTRODUÇÃO

Algumas recordações pessoais

Desde quando, respondendo com consciente humildade ao convite do "Príncipe dos Pastores" (1 Pd 5, 4), mas confiante no seu poderosíssimo auxílio, assumimos o governo e a guarda dos "cordeiros" e das "ovelhas" do rebanho de Deus (cf. Jo 21,15-17) espalhado por toda a terra, sempre esteve presente na nossa alma "o problema missionário em toda a sua vastidão, beleza e importância". [1]
Por isto, nunca cessamos de volver para ele as nossas mais vivas solicitudes. E, na homília do primeiro aniversário da nossa coroação, quisemos inscrever entre os dias mais felizes do nosso Pontificado o dia onze de Outubro passado, quando mais de quatrocentos missionários vieram à sacrossanta Basílica Vaticana para receberem das nossas mãos o crucifixo, antes de se espalharem pelo mundo todo, a serviço do Evangelho.

2. Neste campo, a Divina Providência, nos seus adoráveis e amorosos desígnios, bem cedo quis orientar o nosso ministério sacerdotal.
Com efeito, terminada a primeira guerra mundial, o nosso predecessor Bento XV, de feliz memória, quis chamar-nos da nossa diocese nativa a Roma para nos dedicarmos à "Obra da propagação da fé", à qual atendemos durante quatro felicíssimos anos da nossa vida sacerdotal.
E ainda está viva na nossa mente a lembrança daquele memorável Pentecostes do ano de 1922, quando, com profunda alegria, nos foi dado participar, aqui em Roma, da celebração do terceiro centenário da fundação da S. Congregação "de Propaganda Fide", à qual justamente está confiada a tarefa de fazer refulgir a verdade e a graça do Evangelho até aos extremos confins da terra.

3. Naqueles anos, também o nosso predecessor, de feliz memória, Pio XI, nos confortou com a sua palavra e com o seu exemplo, no apostolado missionário, e dos seus lábios aprendemos, na iminência do conclave em que o Espírito Santo o designaria para sucessor de Pedro, que "nada mais grandioso podia esperar-se de um vigário de Cristo, qualquer que fosse o eleito, do que o que está contido neste duplo ideal: irradiação extraordinária da doutrina evangélica no mundo, e espírito de pacificação". [2]

Paternais solicitudes de Sumos Pontífices pelas missões

4. Com a mente cheia destas e de outras suaves recordações, e cônscio dos graves deveres que incumbem ao pastor supremo do rebanho de Deus, desejamos, veneráveis irmãos, aproveitar o 40° aniversário da memorável Carta Apostólica Maximum illud, [3] com a qual o nosso venerado predecessor Bento XV dava novo e decisivo impulso à acção missionária na Igreja para vos falar sobre as necessidades e as esperanças da dilatação do Reino de Deus naquela considerável parte do mundo onde se desenvolve o precioso e fatigante trabalho dos missionários, a fim de que surjam novas comunidades cristãs e produzam frutos salutares.

5. Sobre este assunto, também os nossos predecessores Pio XI e XII, de feliz memória, emitiram oportunas normas e exortações por meio de encíclicas, [4] que nós mesmos quisemos "confirmar com a nossa autoridade e com igual caridade" na nossa primeira encíclica. [5]
Certamente, porém, nunca se fará o bastante para levar a cabo o desejo do divino Redentor, de que todas as ovelhas façam parte de um só rebanho sob a guia de um único pastor (cf. Jo 10, 16).

A nova encíclica

6. Ao volvermos a nossa particular atenção para os interesses sobrenaturais da Igreja nas terras de missão, aos nossos olhos se oferecem regiões fecundas de messes, regiões em que o trabalho dos operários da vinha de Deus é particularmente árduo, e regiões, ainda, onde a violência da perseguição e regimes hostis ao nome de Deus e de Cristo tentam sufocar a semente da palavra do Senhor (cf. Mt 13, 19).
Mas em toda parte é grande a necessidade das almas, e de toda parte nos chega a invocação: "Ajuda-nos" (At 16, 9).
Em todas essas zonas portanto, que foram fecundadas pelo sangue e pelo suor apostólico de heróicos arautos do Evangelho provenientes "de todas as nações que estão sob o céu" (At 2, 5), e onde agora germinam, como floração e frutificação de graça, apóstolos nativos, desejamos fazer chegar a nossa palavra afetuosa de louvor e de incentivo, e, ao mesmo tempo também de ensinamento, alimentada por uma grande esperança que não teme ser confundida, por fundar-se na infalível promessa do divino Mestre: "Eis que eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos" (Mt 28,20), "Tende confiança: eu venci o mundo" (Jo 16,33).

I. A HIERARQUIA E O CLERO LOCAL

Apelo da epístola "Maximum illud" em favor do clero indígena

7. Passado o primeiro conflito mundial, que proporcionara lutos, devastações e desconfortos a grande parte da humanidade, a Carta Apostólica Maximum illud de Bento XV [6] ressoou como um grito de levante espiritual em favor das novas e pacíficas conquistas do Reino de Deus: o único que pode assegurar a todos os homens filhos do Pai celeste uma paz duradoura e uma prosperidade verdadeira. Desde então, num ativíssimo e fecundíssimo quarenténio de actividade missionária, um facto da maior importância veio enriquecer os já felizes progressos das missões: o desenvolvimento da hierarquia e do clero local.

8. Conformemente ao "fim último" do trabalho missionário, "que é o de constituir de modo estável a Igreja no seio dos outros povos, e de confiá-la a uma hierarquia própria, escolhida entre os cristãos do lugar", [7] esta Sé Apostólica sempre providenciou oportuna e maduramente, e nestes últimos tempos com significativa largueza, para estabelecer ou restabelecer a hierarquia eclesiástica naquelas regiões em que as circunstâncias permitiam e aconselhavam chegar à constituição de sedes episcopais, confiando-as, quando possível, a prelados nativos do lugar.
Aliás, ninguém ignora que este tem sido constantemente o programa de ação da S. Congregação "de Propaganda Fide".
Todavia, foi a Carta apostólica Maximum illud que pôs em plena evidência, como nunca antes, toda a importância e urgência do problema, relembrando uma vez mais, com acentos lancinantes e prementes, o empenho urgente, por parte de quem presidia às missões, de cuidar das vocações e da educação daquele que então se chamava clero indígena, sem que este apelativo jamais haja revestido qualquer significado de discriminação ou de diminuição, que se deve sempre excluir da linguagem dos romanos pontífices e dos documentos eclesiásticos.

Oportunos desenvolvimentos durante os Pontificados de Pio XI e Pio XII

9. Esse apelo de Bento XV, renovado pelos seus sucessores Pio XI e Pio XII, de feliz memória, já teve os seus frutos providenciais e visíveis, e por isto vos convidamos a agradecerdes connosco ao Senhor, que suscitou nas terras de missão uma falange numerosa e escolhida de Bispos e de sacerdotes, irmãos e filhos nossos caríssimos, abrindo assim o nosso coração às mais alegres esperanças.
Um rápido olhar, com efeito, às simples estatísticas dos territórios confiados à S. Congregação "de Propaganda Fide", não incluídos aqueles actualmente sujeitos a perseguições, mostra-nos que o primeiro Bispo de raça asiática foi sagrado em 1923, e os primeiros Vigários Apostólicos de raça africana foram nomeados em 1939.
Até 1959, contam-se 68 Bispos de raça asiática e 25 de raça africana. O clero nativo passou, de 919 membros, em 1918, a 5.553 em 1957 para a Ásia, e de 90 membros a 1.811, no mesmo espaço de tempo, para a África.
Desse modo quis o Senhor das messes (cf. Mt 9, 58) premiar as fadigas e os méritos de quantos, com sua acção directa e com sua multíplice colaboração, se dedicaram ao trabalho das missões segundo os repetidos ensinamentos desta Sé Apostólica.
Com razão, portanto, o nosso predecessor Pio XII, de feliz memória, podia, com legítima satisfação, afirmar: "Outrora, a vida eclesiástica, no que é visível, se desenvolvia operosamente de preferência nos países da velha Europa, de onde se difundia, qual rio majestoso, para aquela que podia dizer-se a periferia do mundo: hoje, ao invés, aparece como que uma troca de vida e de energias entre todos os membros do corpo místico de Cristo na terra.
Não poucas regiões, em outros continentes, de há muito ultrapassaram o período da forma missionária da sua organização eclesiástica, são dirigidas por hierarquia própria, e dão a toda a Igreja bens espirituais e materiais, quando antes somente recebiam". [8]
Ao Episcopado e ao clero das novas Igrejas desejamos dirigir a nossa paternal exortação para que orem e ajam, de modo todo particular a fim de que o seu sacerdócio se torne fecundo, com o empenho de falar frequentissimamente, nas instruções catequéticas e na pregação, da dignidade, da beleza, da necessidade e do alto mérito do estado sacerdotal, de modo a inclinar todos aqueles que Deus quisesse chamar a tão excelsa honra a corresponderem, sem delongas e com ânimo grande, à vocação divina.
Façam rezar, outrossim, às almas a si comadas, enquanto a Igreja toda, segundo a exortação do divino Redentor, não cessa de elevar súplicas ao céu pelas mesmas intenções, a fim de que o Senhor "envie operários à sua messe" (Lc 10, 2), especialmente nestes tempos em que "a messe é muita e poucos são os operários" (Lc 10, 12).

Fraternal colaboração entre o clero local e missionários de outros países

10. As Igrejas locais dos territórios de missão, mesmo fundadas e estabelecidas com sua própria hierarquia, seja pela vastidão de território, seja pelo número crescente dos fiéis e pela ingente multidão dos que esperam a luz do evangelho, ainda continuam a ter necessidade da obra dos missionários vindos de outros países.
Deles, por outro lado, bem se pode dizer: "Absolutamente não são estrangeiros, visto que todo sacerdote católico no desenvolvimento das suas atribuições acha-se como que na sua pátria, onde quer que o reino de Deus floresce ou está nos seus inícios". [9]
Trabalhem, pois, todos juntos, na harmonia de uma fraternal, sincera e delicada caridade, seguro reflexo do amor que eles têm ao Senhor e à sua Igreja, em perfeita, alegre e filial obediência aos bispos "que o Espírito Santo pôs para regerem a Igreja de Deus" (At 20, 28), cada um grato ao outro pela colaboração oferecida, "um só coração e uma só alma" (At 4, 32), a fim de que pelo modo como eles se amam refulja aos olhos de todos que eles são verdadeiramente discípulos daquele que aos homens deu como primeiro e maior preceito, como mandamento "novo" e seu, o do mútuo amor (cf. Jo 13, 34, 15, 12).

II. A FORMAÇÃO DO CLERO LOCAL

Primado da formação espiritual na educação do clero jovem

11. O nosso predecessor Bento XV, na carta apostólica Maximum illud, teve a peito inculcar aos dirigentes de missão que as suas solicitudes mais assíduas deviam ser dirigidas à "completa e perfeita" [10] formação do clero local, como aquele que, "tendo comuns com os seus compatriotas a origem, a índole, a mentalidade e as aspirações, é maravilhosamente apto para lhes instilar nos corações a fé, porque mais do que qualquer outro conhece as vias da persuasão". [11]

12. É apenas necessário lembrar que uma educação sacerdotal perfeita deve ser antes de tudo dirigida à aquisição das virtudes próprias do santo estado, sendo este o primeiro dever do sacerdote, isto é, "o dever de atender à própria santificação". [12]
O novo clero nativo deve entrar numa santa porfia com o clero das dioceses mais antigas, que deu ao mundo sacerdotes que, pela heroicidade das suas virtudes exemplares e pela eloquência viva do seu exemplo, mereceram ser propostos como modelo do clero de toda a Igreja.
Efectivamente, é especialmente pela santidade que o clero pode demonstrar que é luz e sal da terra (cf. Mt 5,13-14), isto é, da sua própria nação e de todo o mundo, pode convencer da beleza e poder do Evangelho, pode eficazmente ensinar aos fiéis que a perfeição da vida cristã é uma meta à qual podem e devem tender com todo esforço e com perseverança todos os filhos de Deus, seja qual for a sua origem, o seu ambiente, a sua cultura e a sua civilização.

13. No nosso ânimo paterno contemplamos o dia em que o clero local poderá em toda parte dar indivíduos capazes de educarem na santidade os próprios alunos do santuário, como seus guias espirituais.
Aos Bispos e aos dirigentes de missões lançamos, antes, o convite de não hesitarem em escolher desde já, entre o clero local, sacerdotes que pela sua virtude e pela sua prudência inspirem confiança de serem, para os seminaristas seus compatrícios, mestres seguros na formação espiritual.

(cont)

(revisão da versão portuguesa por ama)

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Notas:
[1] Cf. Homilia in die Coronationis habita, AAS 50(1958), 886.
[2] Cf. La propagazione della fede. Escritos de A.G. Roncalli, Roma,1958, p. 103ss.
[3] Cf. AAS 11(1919), p. 440ss.
[4] Cf. Pio XI, Carta enc. Rerum Ecclesiae, AAS 18(1926), p. 65ss. Pio XII, Carta enc. Evangelii praecones: AAS 43(1951), p. 497ss, Fidei donum: AAS 49(1957), p. 225ss.
[5] Carta enc. Ad Petri Cathedram, cf. AAS 51(1959), p. 497ss.
[6] 6Cf. AAS 11(1919), p. 440ss.
[7] Carta enc. Evangelii praecones, AAS 43(1951), p. 507.
[8] Cf. Pio XII, Mensagem radiofônica no dia de Natal, AAS 38(1946), p. 20.
[9] Carta de Pio XII ao Em. Card. Adeodato Piazza, AAS 47(1955), p. 542.
[10] AAS 11(1919), p. 445.
[11] Ibid.
[12] Pio XII, Exort. Apost. Menti Nostrae, AAS 42 (1950), p. 677.





06/10/2014

Maria, Filha de Deus Pai

Quanta vilania na minha conduta e quanta infidelidade à graça! – Minha Mãe, Refúgio dos pecadores, roga por mim, que nunca mais entorpeça a obra de Deus na minha alma. (Forja, 178)

Mãe nossa, nossa Esperança!, como estamos seguros, pegadinhos a Ti, ainda que tudo cambaleie. (Forja, 474)

Como gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personagens da literatura, da política, do exército, da Igreja!... – Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-Lhe:
Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só Deus! (Caminho, 496)

Diz: Minha Mãe (tua, porque és seu por muitos títulos), que o teu amor me prenda à Cruz do teu Filho; que não me falte a Fé, nem a valentia, nem a audácia, para cumprir a vontade do nosso Jesus. (Caminho, 497)