09/11/2011

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXXII Semana



Evangelho: Jo 2, 13-22

13 Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14 Encontrou no templo vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados às suas mesas. 15 Tendo feito um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo, e com eles as ovelhas e os bois, deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou as suas mesas. 16 Aos que vendiam pombas disse: «Tirai isto daqui, não façais da casa de Meu Pai casa de comércio». 17 Então lembraram-se os Seus discípulos do que está escrito: “O zelo da Tua casa Me consome”. 18 Tomaram então a palavra os judeus e disseram-Lhe: Que sinal nos mostras para assim procederes?». 19 Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e o reedificarei em três dias». 20 Replicaram os judeus: «Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e Tu o reedificarás em três dias?». 21 Ora Ele falava do templo do Seu corpo. 22 Quando, pois, ressuscitou dos mortos os Seus discípulos lembraram-se do que Ele dissera e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus tinha dito.

Comentário:

O «templo do Seu corpo» é a frase do Evangelho de hoje que vamos reter.
São Paulo também nos adverte que, o nosso corpo, é templo do Espírito Santo e, como tal, deve ser protegido, honrado e venerado.

Sim, a veneração do próprio corpo não tem que ver com o amor-próprio ou a estima exagerada pela nossa humanidade. Trata-se de ter consciência que dentro de nós, na nossa alma em graça, habita o próprio Deus que nos criou e nos infundiu uma imagem igual à Sua. E, mais, que é semelhante ao Corpo do próprio Jesus Cristo que, como nós, o recebeu de uma mulher.

Sim, proteger o corpo das agressões exageradas e sem sentido – motivadas pela vaidade – que levam não poucas pessoas a tentarem refazer ou de alguma forma alterar o corpo que a natureza nos deu.

Sim, honrar o corpo mantendo-o afastado de tudo aquilo que possa constituir uma violação clara da integridade completa, não o sujeitando a vícios e desregramentos da sensualidade, da gula, do uso de drogas e outras substâncias que alterem ou, até, façam perigar a sua integridade.

O corpo que temos, com o qual nos identificamos e pelo qual somos identificados é exactamente o mesmo que ressuscitará no final dos tempos unindo-se à alma na eternidade.

(ama, comentário sobre Jo 2, 13-22, 2011.11.27)

Ser cristão e cientista em perfeita unidade







Quando se discute o equilíbrio entre Fé e Ciência são poucos os testemunhos de vida que o assumem tão inteiramente como Ricardo Mendes Ribeiro. Físico e actualmente director da Licenciatura em Física da Universidade de Minho, Ricardo Ribeiro é investigador em nanotecnologia, com especial relevância para o estudo do grafeno. Lecciona cadeiras de Física Contemporânea e, para melhor servir este propósito, publicou no ano passado um livro que vem colmatar um vazio na bibliografia dessa área.

Este é o perfil pelo qual muitos o conhecem. Ricardo Ribeiro é também director do Centro Universitário do Minho, um local onde se promove uma formação integral para estudantes universitários, incluindo a vertente espiritual seguindo os ensinamentos de S. Josemaria.

Neste sentido, a Ciência e a Fé são complementares, juntamente com outras formas de conhecimento que existem e não são nem ciência nem Fé.

Serão Fé e Ciência duas ruas compridas sem acessos, sem passeios comuns? Pode ser a Física uma ponte?

Não existe qualquer contraposição entre a Ciência e a Fé (refiro-me à Fé Católica). A realidade é extraordinariamente rica e para a captarmos (nunca o faremos completamente) temos de a ver de diversas perspectivas, nas suas diversas dimensões. Neste sentido, a Ciência e a Fé são complementares, juntamente com outras formas de conhecimento que existem e não são nem ciência nem Fé. Por outro lado, ambas as formas de conhecimento são profundamente racionais e buscam a Verdade. Por isso não podem contradizer-se mutuamente. Além disso, têm objectos e métodos de estudo diferentes, o que torna impossível haver uma contradição entre os dois.

Pode o grafeno falar de Deus? De que forma se pode ver Deus na investigação de materiais bi-dimensionais, no Centro de Física?

A Física leva a Deus de uma forma muito especial, porque estudamos a Criação que Ele fez, onde depositou um carinho enorme, que encheu de belezas extraordinárias a todos os níveis... É de facto um modo de conhecer a Deus; Ele manifesta-se na Criação, da mesma maneira que o pensamento e a habilidade do escultor se manifestam na obra de arte. Um Físico conhece essas leis que são um lampejo da Inteligência divina, vê belezas que os outros não conseguem captar, e maravilha-se! Ele fez estas coisas para nós explorarmos, deliciar-nos, maravilhar-nos. É uma beleza puramente intelectual, racional.
Que influência teve Josemaria Escrivá – Fundador do Opus Dei - na vida do físico e como continua hoje a influir no quotidiano do Director do Departamento de Física?

Há muitos aspectos em que os ensinamentos de S. Josemaria me influenciam. Talvez salientasse um: o amor à Liberdade. Amor que implica um respeito profundo pelos pensamentos e modos de ser dos outros. Uma verdadeira tolerância com as pessoas, acompanhada por um amor à verdade que não me permite dizer que está certo aquilo que está errado. Nisto há um grande paralelismo com o modo de funcionar dos Físicos. Buscamos a verdade, e fazemo-la passar pelo crivo da crítica construtiva, até ao extremo. Admitimos sempre alguém que pense de maneira diferente, mas tem de o fazer de uma forma congruente, sempre na busca do que é a verdade e não do ter ou não ter razão. Podia dar tantos exemplos!

Que proposta apresenta o Opus Dei para contrariar a evanescência espiritual das comunidades académicas - os pequenos centros de investigação, os grandes laboratórios? Pode um investigador ser santo?

Eu não falo em nome do Opus Dei, não tenho autoridade para isso. Mas o Opus Dei não apresenta mais soluções para os problemas da humanidade que a própria Igreja. Para responder a essa pergunta, é melhor ver o que o Papa disse na Alemanha há uns dias atrás:

    "Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por «santos» os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais. Aqui torna-se evidente que cada baptizado – ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares acções – é santificado por Deus. No Baptismo, o Senhor acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante. Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efectivamente santo. Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objecto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria. Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza acções ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar mas nunca imitar na própria vida. Como é errada e desalentadora esta visão! Não há nenhum santo, à excepção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez. Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, como sobretudo de quantas vezes vos erguestes. Não exige acções extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós. Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos. Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz. Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos porque a Sua graça actua em vós." Isto aplica-se a qualquer cristão, e aos cientistas também.

Voltando às duas ruas - Fé e Ciência - tenham elas os nomes Opus Dei e Física do Estado Sólido, como determina cada uma o sentido da vida do Ricardo?

Eu não tenho uma vida esquizofrénica. Eu sou uma só pessoa que é cristã e cientista (e muitas coisas mais), em unidade de vida. Não deixo de ser Físico quando rezo nem deixo de ser cristão quando estou a investigar. Não há duas ruas. Há o meu caminho, a minha vocação, querida e amada por Deus, que inclui ser cristão e ser cientista, em perfeita unidade. Procuro que o meu trabalho seja oração, diálogo íntimo com Deus, imagem do que será no Céu, onde continuarei a ser Físico (e a maravilhar-me com as belezas da criação, nessa altura muito melhor compreendidas) e cristão (ou seja, apaixonado por Cristo).




Entrevista a Ricardo Ribeiro, físico e director da licenciatura em física da Universidade do Minho.






















M. Martinez, INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.11.08

08/11/2011

Novíssimos: A morte 4

O dia da Morte
William-Adolphe Bourgerau
No apego à vida, na luta para a conservar, para a melhorar, para, de alguma forma, a tornar mais agradável, empenhamos todos os esforços, não nos poupamos a sacrifícios e, no entanto, sabemos, que nalgum tempo, que não temos presente, ela cessará inevitavelmente e que, esse momento, não dependerá nunca da nossa vontade.

Bom, se assim é, e é bom que assim seja, repito, não é lógico que nos empenhemos com maior vigor e dedicação a conservar, a melhorar, ou de alguma forma, tornar mais agradável aos olhos de Deus, a vida da nossa alma que nunca morrerá?

Neste tempo de Novembro, e o tempo que virá já a seguir, o Advento, a Igreja vai levar-nos, passo a passo, a essas considerações, conduzindo-nos com firmeza carinhosa para a necessidade de estarmos sempre prontos, para podermos dizer, no íntimo do nosso coração, ao nosso Senhor presente no Sacrário:

"Senhor: gosto tanto de viver, mas estou pronto, quando Tu quiseres."

Contradição dos bons.

Reflectindo

“A contradição dos bons” – a expressão cunhou-a o Fundador do Opus Dei, que a experimentou dolorosamente na sua vida – é prova que Deus permite algumas vezes e que se torna particularmente penosa para o que cristão a quem lhe cabe em sorte. Os seus motivos costumam ser paixões demasiado humanas que podem torcer o bom juízo e intenção limpa de homens que professam a mesma fé e formam o mesmo Povo de Deus. Há por vezes ciúmes em vez de zelo pelas almas. Emulação indiscreta que olha com inveja e considera como um mal o bem feito aos outros. Pode também ser dogmatismo estreito que recusa reconhecer aos outros o direito de pensar de maneiras diferentes em matérias deixadas por Deus ao livre juízo dos homens (…). A contradição dos “bons” (…) costuma manifestar-se em desamor para com os irmãos na fé, oposição larvar aos seus trabalhos e crítica destrutiva.

(j. orlandis, 8 Bienaventuranzas, p.150, trad ama).

Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação

Textos de São Josemaria Escrivá


Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se. Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)

Chegarás a ser santo, se tiveres caridade, se souberes fazer as coisas que agradem aos outros e que não sejam ofensa a Deus, mesmo que a ti te custem. (Forja, 556)

Todos os que aqui estamos fazemos parte da família de Cristo, porque Ele mesmo nos escolheu antes da criação do mundo, por amor, para sermos santos e imaculados diante dele, o qual nos predestinou para sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo para sua glória, por sua livre vontade. Esta escolha gratuita de que Nosso Senhor nos fez objecto, marca-nos um fim bem determinado: a santidade pessoal, como S. Paulo nos repete insistentemente: haec est voluntas Dei: sanctificatio vestra , esta é a vontade de Deus: a vossa santificação. Portanto, não nos esqueçamos: estamos no redil do Mestre, para alcançar esse fim. (...).

A meta que proponho – ou melhor, a que Deus indica a todos – não é uma miragem ou um ideal inatingível: podia contar-vos tantos exemplos concretos de mulheres e de homens correntes, como vocês e como eu, que encontraram Jesus que passa quasi in occulto pelas encruzilhadas aparentemente mais vulgares e decidiram segui-lo, abraçando com amor a cruz de cada dia. Nesta época de desmoronamento geral, de concessões e de desânimos, ou de libertinagem e de anarquia, parece-me ainda mais actual aquela convicção simples e profunda que, no princípio da minha actividade sacerdotal e sempre, me consumiu em desejos de comunicar à humanidade inteira: estas crises mundiais são crises de santos. (Amigos de Deus, 2–4)


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXXII Semana



Evangelho: Lc 17, 7-10

5 Os apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta-nos a fé!». 6 O Senhor disse-lhes: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te para o mar, e ela vos obedecerá. 7 «Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem depressa, põe-te à mesa? 8 Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois comerás tu e beberás? 9 Porventura, fica o senhor obrigado àquele servo, por ter feito o que lhe tinha mandado? 10 Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer».

Comentário:

Fazer o que mandas!

E como sei o que queres que faça, Senhor a não ser estar sempre disponível e pronto?

É assim que desejo a minha vida: disponibilidade absoluta para fazer o que mandares, mas, como sou fraco débil tens de dar-me o que ordenas. [i]

(ama, comentário sobre Lc 17, 7-10, 2010.10.03)



[i] Da quod iubes et iube quod vis, Stº Agostinho