19/09/2011

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXV Semana




Evangelho: Lc 8, 16-18

16 «Ninguém, pois, acendendo uma lâmpada a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama, mas põe-na sobre um candeeiro, para que os que entram vejam a luz. 17 Porque nada há oculto que não acabe por ser manifestado, nem escondido que não deva saber-se e tornar-se público. 18 Vede, pois, como ouvis. Porque àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado».

Comentário:

Este trecho do Evangelho tem sido comentado ao longo dos séculos pelos mais insignes pensadores místicos e não parece haver nenhuma dúvida que a aparente contradição nas palavras de Cristo está bem justificada. De facto quem não cultiva a sua fé por meio da convivência com Cristo, frequência dos Sacramentos e a prática da piedade, irá inevitavelmente perdendo a fé que tem até nada lhe restar. Que fique claro: o Senhor não tira nada a ninguém é o homem que não “cultiva” o que tem.
Porque, o importante, contém-se na recomendação do Mestre: «Vede, pois, como ouvis» porque, de facto, daqui depende tudo o resto. Se se ouve com clareza, abertura de espírito e vontade de saber, então está-se no bom caminho para compreender o que se ouve se, ao invés, houver um espírito preconceituoso, uma tendência para se ouvir só o que agrada e se presume bom para nós… então não se guardou nada do que se ouviu e perde-se essa oportunidade de ficar a saber algo importante.

(ama, comentário sobre Lc 8, 16-18, 2011.08.23)

Esta doutrina é sabedoria?

Escola de Atenas
Rafael

Suma Teológica: Art. 6

(I Sent., prol., a. 3, qI, 3; II Cont. Gent., cap. IV)

O sexto discute-se assim — Parece que esta doutrina não é sabedoria.

1. Pois nenhuma doutrina que receba de outra os seus princípios, merece o nome de sabedoria,  cabendo ao sábio ordenar e não ser ordenado, como diz Aristóteles [i]. Ora, esta doutrina recebe de outra os seus princípios, como do sobredito aparece (a. 2). Logo, não é sabedoria.

2. Demais — À sabedoria compete provar os princípios das outras ciências, por onde é chamada cabeça das demais, como se vê no Filósofo [ii]. Ora, não justifica esta doutrina os princípios das outras ciências, nem é, portanto, sabedoria.

3. Demais — Adquire-se esta doutrina pelo estudo, mas recebemos a sabedoria por infusão, e, por isso, se conta entre os sete dons do Espírito Santo, como se vê na Escritura (Is 2,2). Logo, esta doutrina não é sabedoria.

Mas,  em contrário, a Escritura (Dt 4, 6):  Porque nisto mostrarei a vossa sabedoria e inteligência aos povos.

SOLUÇÃO. — De toda a sabedoria humana, é esta doutrina a mais alta, não relativa, mas absolutamente. Pois sendo próprio do sábio ordenar e julgar, e, pela causa mais alta, considerar as inferiores, sábio se chama, em qualquer género, quem lhe atende à altíssima causa. Assim, no tocante à construção, o artífice que traça a planta da casa é chamado sábio e arquitecto, em relação aos operários inferiores, que aplainam a madeira e preparam as pedras; donde o dito da Escritura (1 Cor 3,10):  Lancei o fundamento como sábio arquitecto. Também, no que respeita à vida humana em conjunto, é o prudente chamado sábio, enquanto ordena os atos humanos ao fim obrigatório; donde outro dito da Escritura (Pr 10, 23): A sabedoria é, para o homem, prudência. Quem, portanto, considera a causa absoluta mais alta do universo, que é Deus, deve ser chamado sábio por excelência. Pelo que também se define a sabedoria conhecimento das coisas divinas, como se vê em Agostinho [iii]. Ora, o próprio da sagrada doutrina é considerar a Deus, causa altíssima, não só enquanto cognoscível por meio das criaturas — o que souberam os filósofos, como diz a Escritura (Rm 1, 19):  O que se pode conhecer de Deus lhes é manifesto — senão também naquilo que só ele de si mesmo conhece e foi aos outros revelados e comunicado. Por isso, tal doutrina em sumo grau merece o nome de sabedoria.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Não recebe a sagrada doutrina os seus princípios de nenhum saber humano, senão da ciência divina, a qual regula todo o nosso conhecimento, a título de suprema sabedoria.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Os princípios das demais ciências ou são por si evidentes, e não podem ser provados; ou se demonstram noutra ciência por algum motivo natural. Porém, o conhecimento próprio desta ciência assenta na revelação, e não em premissas naturais. Donde, não lhe cabe provar os princípios das outras ciências, mas só julgá-las; porque tudo o que nelas repugnar à verdade desta, condena-se, de vez, como falso, segundo o Apóstolo (2 Cor 10, 4-5):  Derribando os conselhos e toda a altura que se levanta contra a ciência de Deus.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Por ser o juízo próprio do sábio, e por haver dois modos de julgar, deve a sabedoria ter dois sentidos. O primeiro modo de julgar é por inclinação: por exemplo, quem tiver bons costumes, por atracção da virtude, pode com acerto julgar dos actos que se devem praticar moralmente. Por isto está em Aristóteles:  o virtuoso é medida e regra dos actos humanos [iv]. — O segundo modo é pelo conhecimento: como o instruído na ciência moral poderia julgar dos actos de virtude, mesmo se a não tivesse. Ora, o primeiro modo de julgar as coisas divinas pertence à sabedoria enquanto dom do Espírito Santo, segundo a Escritura (1 Cor 2,15):  O espiritual julga todas as coisas; e Dionísio:  Hieroteu é douto, não só por aprender mas, antes, por sentir as coisas divinas [v]. O segundo modo de julgar é próprio desta doutrina, enquanto se adquire por estudo, embora sejam os princípios recebidos pela revelação.




[i] I Metaphys., c. 2
[ii] VI Ethic., c. 7
[iii] XII de Trinitate
[iv] X Ethic, c. 5
[v] 2 cap. De Divinis Nominibus

Textos de São Josemaria Escrivá

“Recorre prontamente à Confissão”

Se alguma vez caíres, filho, recorre prontamente à Confissão e à direcção espiritual: mostra a ferida!, para que te curem a fundo, para que te tirem todas as possibilidades de infecção, mesmo que te doa como numa operação cirúrgica. (Forja, 192)


A sinceridade é indispensável para progredir na união com Deus.

– Se dentro de ti, meu filho, há algo que não queres que se saiba, desembucha! Diz primeiro, como sempre te aconselho, o que gostarias de ocultar. Depois de ter desabafado na Confissão, como nos sentimos bem! (Forja, 193)

– Bendito seja Deus! – dizias depois de acabar a tua Confissão sacramental. E pensavas: é como se voltasse a nascer.
Depois, prosseguiste com serenidade: "Domine, quid me vis facere?". – Senhor, que queres que faça?
E deste a resposta tu próprio: – Com a tua Graça, por cima de tudo e de todos, cumprirei a tua Santíssima Vontade: "serviam!", servir-te-ei sem condições! (Forja, 238)

A humildade leva cada alma a não desanimar ante os próprios erros. A verdadeira humildade leva... a pedir perdão!  (Forja, 189)

Se eu fosse leproso, a minha mãe abraçar-me-ia. Sem medo nem hesitações, beijar-me-ia as chagas.
E, então, a Virgem Santíssima? Ao sentir que temos lepra, que estamos chagados, temos de gritar: – Mãe! E a protecção da nossa Mãe é como um beijo nas feridas, que nos consegue a cura. (Forja, 190) 

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