01/09/2011

Evangelho do dia e comentário

 Stª Beatriz da Silva [i]












T. Comum– XXII Semana




Evangelho: Lc 5, 1-11

1 Um dia, comprimindo-se as multidões em volta d'Ele para ouvir a palavra de Deus, Jesus estava junto do lago de Genesaré. 2 Viu duas barcas acostadas à margem do lago; os pescadores tinham saído e lavavam as redes. 3 Entrando numa destas barcas, que era a de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois, estando sentado, ensinava o povo desde a barca. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo, e lançai as redes para pescar». 5 Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhámos nada; porém, sobre a Tua palavra, lançarei as redes». 6 Tendo feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros, que estavam na outra barca, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram tanto ambas as barcas, que quase se afundavam. 8 Simão Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-Te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador». 9 Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele, ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que tinham feito. 10 O mesmo tinha acontecido a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens». 11 Trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram-n'O.

Meditação:

É por indicação da graça celeste, por inspiração sobrenatural, que se deve lançar a rede da pregação. Senão é em vão que o pregador lança as linhas das suas palavras. A fé dos povos obtém-se, não através de discursos sabiamente compostos, mas pela graça da vocação divina. (...)
Ó frutuosa humildade! Quando aqueles que até aí não tinham pescado nada confiam na palavra de Cristo, apanham uma multidão de peixes. (...)
Cada vez que por mim próprio as lancei, quis guardar o que me pertencia. Fui eu que pesquei e não Tu, foram as minhas palavras e não as Tuas. Por isso não pesquei nada. Ou, se pesquei qualquer coisa, não foi peixe, mas rãs, prontas a espalhar lisonjas sobre mim. (...)
Lançar a linha por ordem de Jesus é atribuir-lhe tudo e não guardar nada para si mesmo: é viver em conformidade com o que se pesca. Nessa altura, apanhamos uma grande quantidade de peixes.


(Stº António de Lisboa, Sermões para o Domingo e as festas dos Santos)



[i] Fundadora da Ordem da Imaculada Conceição
 Nasceu em Campo Maior, no coração do Alentejo. Foram seus pais D. Rui Gomes da Silva e D. Isabel de Meneses, senhores de Campo Maior. Tiveram 11 filhos, educados por franciscanos, que inculcaram no seu coração um profundo sentido cristão, ético e moral e um especial amor à IMACULADA. A Princesa Isabel de Portugal, filha de D. Duarte, contrai núpcias com D. João II de Castela, e leva a sua prima Beatriz como dama. Era Beatriz muito nova e bela e de alma transparente e cristalina. Os ciúmes da Rainha chegaram ao desejo de a fazer desaparecer. Mas os desígnios de Deus são outros, e como do mal pode obter um bem, enquanto esta só e cerrada num cofre esperando a morte, aparece-lhe a Virgem Imaculada, Rainha de Portugal, a anunciar-lhe que seria mãe de muitas filhas e que fundasse uma Ordem dedicada ao serviço e louvor do mistério da sua Conceição Imaculada.   Sai da Corte e nos Palácios de Galiana, em Toledo funda a sua Ordem há mais de 500 anos.

Os milagres geram milagres

Milagres
Que os milagres não são um remédio contra a incredulidade, deixou-nos 
claramente dito nosso Senhor, na parábola de Lázaro e o rico Epulón, quando este já condenado desde o inferno e ante a impossibilidade de que ao menos, o mendigo Lázaro, refrescasse a sua língua com o seu dedo molhado em água, o rico Epulón peça a Abraão  Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos, para que os advirta disto, e não suceda virem também eles parar a este lugar de tormentos. Abraão disse-lhe: Têm Moisés e os profetas; oiçam-nos. Ele, porém, disse: Não basta isso, pai Abraão, mas, se alguém do reino dos mortos for ter com eles, farão penitência. Ele disse-lhe: Se não ouvem Moisés e os profetas, também não acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16,28-31).
A dureza do coração do homem vai aumentando quando este caminha afastando-se de Deus, e chega um momento, em que o milagre não o converte. O demónio já se encarregará de dar argumentos à sua mente para que repudie a evidência do milagre. É em o homem que caminha para Deus, onde o milagre surte maior efeito, pois aumenta a fé deste.  Nisto de ver os milagres, podemos ter em conta o que diz um provérbio chinês: “O sábio mostra o céu, mas o tonto mira o dedo”. Se bem que os sinais possam atrair as multidões interessadas, estes não desembocam automaticamente num processo pessoal de fé.

juan del carmelo, trad ama 

31/08/2011

Green leaves

Navegando na minha Cidade

Hoje, por causa e através de uma música, mergulhei na minha juventude. Nessa estranha e misteriosa selva de um tempo passado, em que só muitos anos depois percebi como dei como natural e certo o que afinal era privilégio. 

Algumas músicas preencheram em mim ausências de afectos com uma materialidade absoluta. Como os ossos que me sustentam e formam. Como as vergas de aço por dentro das traves e colunas de cimento de um edifício.

Quão frágil é a juventude que todo um futuro condiciona! E se tudo tivesse sido de outra maneira?

E depois há um sofá verde de veludo cotellê em frente a um fogão alimentado a carvão polaco; um pick up da Blaupunkt; um tapete de Arraiolos; uma gravura entre duas apliques representando o grande incêndio da Ópera de Paris; a série do Bonanza com os magníficos Cartwright e os livros do romeno Virgil Gheorghiou lidos como quem bebe jusqu’à l’ivresse: A chibata; Os imortais de Agapia; A casa de Petrodava; Perahim; Os sacrificados do Danúbio; O homem que viajou sozinho e todos os outros até à Vigésima quinta hora.

Aquele homem que sofreu todas as fúrias, violências e injustiças da segunda guerra mundial era para mim o símbolo vivo e incarnado da vítima inocente. Aprendi mais sobre o bem e o mal com este padre ortodoxo (Virgil Gheorghiou) do que com todos os padres jesuítas do colégio das Caldinhas[1] onde estive internado cinco anos.

A time to be reping
A time to be sowing
The green leaves of summer
A time just for living
A place for to die
A música do conjunto (agora diz-se banda) The Brothers Four ressoando nos headphones fez-me regressar à Praça Pedro Nunes.

Ali, quase como se fosse numa outra vida vivida numa terra estranha, ali no nº 68, ficava a casa dos meus pais, a minha casa. Agora é o Instituto de Genética Médica que tem crescido na proporção inversa do índice da natalidade.

A time to be courting
Courting a girl of your own
Now the green leaves of summer
Are calling me home

Em frente à minha antiga casa, no outro lado do jardim e da rua ficava o Liceu D. Manuel II. Agora chama-se Rodrigues de Freitas. O curioso é que indiferente ao passar dos tempos, das evoluções e das revoluções, uma placa de mármore continua a afirmar que aquele edifício foi acabado durante a Ditadura Nacional; a de Sidónio Pais, o Presidente Rei que também foi assassinado.

De facto aquela música …. era verdade, fazia com que a memória fosse o que devia ser: uma existência forte e consciente, não uma existência morta e antiga[2].

Os troncos das tulipiferas (Liriodendron tulipifera) já com cerca de oitenta anos estão enormes; com quase quatro metros de perímetro à altura do peito de um homem. As que sobreviveram desse tempo. As que não sobreviveram foram substituídas por outras novas e inexperientes, como os soldados mortos em combate o são.

Nessa praça muitas vezes vi como os ciganos sofrem quando algum dos seus filhos está doente. E isto porque atrás da minha casa ficava o Hospital de Crianças Maria Pia.

Então, quando uma das suas crianças lá estava não abandonavam aquela praça, juntos num nó de dor e pranto. Estavam ali de dia e de noite a olhar para o hospital juntinhos como duas mãos apertadas numa prece indizível.

Sofriam, sofrem como vivem, em bando. Todos juntos.

E a mim parece-me que assim se deverá sofrer menos, muito menos do que sofrer sozinho.

Como agora e cada vez mais se sofre.

Afonso Cabral


[1] INA – Instituto Nun’Álvares
[2] Erich Maria Remarque – O Céu não tem favoritos – PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA – 1972 – pág. 175

Gospel - Fabuloso!!!

Fabio Lago - Armagedon

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“A pureza nasce do amor”

Vê quantos motivos para venerar S. José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; sustentou a sua família – Jesus e Maria – com o seu trabalho esforçado...; guardou a pureza da Virgem, que era sua Esposa...; e respeitou – amou! – a liberdade de Deus que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria. (Forja, 552)


Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando viveu junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade. (Cristo que passa, 40) 


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Tema para breve reflexão

Reflectindo
Mandamento do amor



Aquele que deseja deveras aproximar-se e contentar Deus, entenda que uma das coisas principais para tal necessárias é o cumprimento deste mandamento de amor, de forma que este amor não seja despido e seco, mas acompanhado de todos os afectos e obras que ao verdadeiro amor costumam seguir-se, porque de outra forma não mereceria o nome de amor... (...) debaixo deste nome de amor, entre muitas outras coisas, encerram-se assinaladamente estas seis que convém saber: amar, aconselhar, socorrer, sofrer, perdoar e edificar.

(Fr. luís de granada, Guia de Pecadores, I, 2, 16, trad ama)

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXII Semana




Evangelho: Lc 4, 38-44

31 Foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ali ensinava aos sábados. 32 Admiravam-se da Sua doutrina, porque falava com autoridade. 33 Estava na sinagoga um homem possesso de um demónio imundo, o qual exclamou em alta voz: 34 «Deixa-nos. Que tens Tu que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: o Santo de Deus». 35 Jesus o repreendeu, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». E o demónio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer nenhum mal. 36 Todos se atemorizaram e falavam uns com os outros, dizendo: «Que é isto, Ele manda com autoridade e poder aos espíritos imundos, e estes saem?» 37 E a Sua fama ia-se espalhando por todos os lugares da região.

Comentário:

Na verdade devia ser impressionante assistir a estas acções de Jesus.

O demónio era, então, o dono do mundo que mantinha sujeito com duríssimas consequências para as pessoas.

Jesus vem libertar o mundo dessa escravidão e, estas expulsões de demónios são um sinal e como que uma antecipação do que levará a cabo com a Sua Morte na Cruz e a Sua Ressurreição.

Mas os que rodeiam Jesus não sabem nada disto e por isso precisam destes sinais que, entre outros, confirmam que, Ele, é o Messias.

(ama, comentário sobre Lc 4, 31-37, 2010.08.31)

30/08/2011

Música e repouso

  Tchaikovski - Casse-noisette (Nutcracker) 




selecção ALS

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“Precisas de um bom exame diário de consciência”

Repara na tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam. – Lembra-te, filho, que não são menos importantes os micróbios do que as feras. E tu cultivas esses erros, esses enganos – como se cultivam os micróbios no laboratório –, com a tua falta de humildade, com a tua falta de oração, com a tua falta de cumprimento do dever, com a tua falta de conhecimento próprio... E, depois, esses focos infectam o ambiente. Precisas de um bom exame diário de consciência, que te conduza a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados. (Sulco, 481) 

A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar – nas novas situações da nossa vida – a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo. (Cristo que passa, 58)


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet


Tema para breve reflexão

Reflectindo
África



Apesar do panorama predominantemente negativo que hoje apresentam numerosas regiões de África e das tristes experiências que não poucos países atravessam, a Igreja tem o dever de afirmar com força que é possível superar estas dificuldades. Deve fortalecer-se em todos os africanos a esperança numa verdadeira libertação. A sua confiança fundamenta-se, em última instância, na consciência da promessa divina, que nos assegura que a nossa história não está fechada em si mesma, antes está aberta ao Reino de Deus. Por isso nem o desespero nem o pessimismo podem justificar-se quando se pensa no futuro tanto de África como das outras partes do mundo.

(joão paulo II, Exortação Apostólica Ecclesia in Africa, 14.09.1995, nr. 14 trad do cast ama)