17/10/2010

Tema para breve reflexão - 2010.10.17

Virtudes – Humildade

Quando me fazem um cumprimento, tenho necessidade de me comparar com o jumento que levava a Cristo no dia de ramos. E digo-me: "Como se teriam rido do burro se, ao escutar os aplausos da multidão, se tivesse ensoberbecido e tivesse começado - asno como era - a agradecer à direita e à esquerda!... Não vás tu fazer uma figura ridícula semelhante.

(A. Lucianni, Ilustríssimos Senhores, nr. 59)

Bom Dia! Outubro 17, 2010


A vida interior é o que podemos chamar de “vida verdadeiramente vivida”.
A ausência de vida interior não permite um conhecimento sério de si mesmo o que é fundamental para detectar as necessidades de melhoria, os pontos e particularidades em que esse esforço por melhorar tem de se aplicar com mais intensidade e perseverança.
Não se deve insistir numa melhoria vaga, sem objectivos concretos e bem definidos. Isto não conduz a nada de concreto.

Se tenho por hábito, ou, pelo menos, é frequente faltar à verdade é fundamental definir quando é que isso acontece mais frequentemente, sobre que temas e em que circunstâncias e não, decidir: a partir de agora não mentirei mais.

Esta citação da mentira ou, se preferirmos, a falta de veracidade, é intencional porque parece ser um defeito muito comum que, por vezes, por ser habitual, não se dá conta. Talvez, na maioria dos casos não se trate de uma mentira séria, grave, que prejudique alguém ou o próprio.
Uma das facetas de carácter que a isto conduz, é a imaginação, talvez, demasiado fértil e incontrolada.
À força de repetir uma história, relatar uma situação ou episódio que não tem um fundamento concreto mas se baseia na lucubração íntima dessas situações ou episódios, vai-se construindo algo que, aparentemente, aconteceu, seja verdade.

Muitas destas situações levam a pessoa a atribuir-se méritos que não lhe cabem, capacidades que não tem, a relatar episódios que não viveu.
Começa-se por “inventar” pequenas coisas e, vai-se deslizando com desconcertante à-vontade para situações factos mais sérios, perde-se a noção da realidade concreta e deixa-se de preocupar, sequer, com as circunstâncias, ambientes ou as pessoas que estão a ouvir. Em situações de confronto, por exemplo alguém que contesta com factos e razões indesmentíveis que o que se disse não é verdade o “calo” adquirido não deixa reconhecer o erro mas tão só argumentar com: “não era bem isso que eu queria dizer”.

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Textos de Reflexão para 17 de Outubro

Evangelho: Lc 18, 1-8

1 Disse-lhes também uma parábola, para mostrar que importa orar sempre e não cessar de o fazer: 2 «Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3 Havia também na mesma cidade uma viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faz-me justiça contra o meu adversário. 4 Ele, durante muito tempo, não a quis atender. Mas, depois disse consigo: Ainda que eu não tema a Deus nem respeite os homens, 5 todavia, visto que esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, para que não venha continuamente importunar-me». 6 Então o Senhor acrescentou: «Ouvi o que diz este juiz iníquo. 7 E Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, e tardará em socorrê-los? 8 Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, julgais vós que encontrará fé sobre a terra?».

Comentário:

É verdade, muitas vezes não sabemos bem o que pedir! As necessidades são tantas, os problemas acumulam-se diariamente, as soluções não estão à vista!
Tentamos organizar os nossos pedidos de modo a “cobrir” todas as nossas necessidades, talvez, com algum escrúpulo que pode muito bem ocorrer: se não pedir isto, desta forma…! Bom… muitas vezes as necessidades não o são realmente e, as preocupações nascem no nosso espírito aumentadas pela imaginação que dá voltas e reviravoltas aos problemas. Tenhamos uma certeza: Deus Nosso Senhor, sabe muito bem o que precisamos e quer que Lho peçamos sem desfalecimento. Talvez que não nos conceda exactamente o que pedimos mas nem por isso devemos parar de pedir. Talvez que, em vez de pedir que nos aligeire a carga sobre os nossos ombros, pedir-lhe, antes, que nos dê uns ombros fortes para a suportar. 

(ama, comentário sobre Lc 18, 18, 2010.08.16)

Tema: Virtudes - Pureza 1

A pureza como virtude, quer dizer, capacidade de 'manter o próprio corpo em santidade e respeito' (cfr. 1 Tes 4,4), aliada ao Dom de Piedade, como fruto da habitação do Espírito Santo no 'templo' do corpo, realiza nele uma plenitude tão grande de dignidade nas relações interpessoais, que o 'próprio Deus é glorificado nele'. A pureza é glória do corpo humano diante de Deus. É a glória de Deus no corpo humano. (joão Paulo II, Audiência geral, 1981.03.18)

Doutrina: : CCIC – 432:  Quais são os preceitos da Igreja?
                   CIC 2042 – 2043

São: 1) participar na missa do Domingo e Dias Santos de Guarda e abster-se de trabalhos e actividades que impeçam a santificação desses dias; 2) confessar os pecados recebendo o sacramento da Reconciliação ao menos uma vez cada ano; 3) comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição; 4) guardar a abstinência e jejuar nos dias marcados pela Igreja; 5) contribuir para as necessidades materiais da Igreja, cada um segundo as próprias possibilidades.

16/10/2010

Bom Dia! Outubro 16, 2010



Argumenta-se, com escassas razões e falsos motivos, que a Confissão frequente acaba por criar um hábito que retira à mesma a sua importância ou eficácia.

“Vamos andando que depois logo me confessarei”…

Estão absolutamente errados os que assim argumentam porque se esquecem de duas coisas muito importantes: a primeira é que a Confissão – frequente ou não – pressupõe sempre o arrependimento sincero do mal praticado e, depois, o desejo ou propósito de não voltar a pratica-lo e, a argumentação de que, assim, não há qualquer problema em pecar, já que o perdão, está ali, à disposição, ou que, se sabe que se voltará a cair na mesma falta, talvez, vezes sem conto, e, portanto, a confissão frequente não passará de uma mera hipocrisia mais ou menos disfarçada, também não colhe porque, o contrário, ou seja, o não se confessar, não só imediatamente quando necessário, mas a sua prática regular, levam a um adiamento sine die de uma satisfação que se deve a Deus, da eventual perda de uma oportunidade que nada nem ninguém pode garantir venha a repetir-se.

O Sacerdote que nos ouve em confissão está investido do poder de Cristo e, é sempre, em nome da Santíssima Trindade, que nos dá absolvição. Que pode ser um pecador, talvez até um notório e conhecido grande pecador, não invalida, desde que tenha os poderes legitimamente concedidos pela hierarquia, o valor real e intrínseco da absolvição.

O médico que sofre de uma doença grave não está inibido de receitar a outrem os medicamentos que considere adequados ao quadro clínico que lhe é exposto e nem pelo facto de estar doente podemos concluir que o que nos aconselha não tem valor ou não é aplicável.

Interessa, no entanto, convir que, quem se dispõe a ter uma prática de Confissão regular deve escolher como confessor um sacerdote que, ao longo do tempo, o vá conhecendo intimamente para melhor poder orientar a sua alma e ajudar nos seus desejos de melhoria pessoal. Além do mais, deve compreender-se que, ao sacerdote, não lhe interessam, humanamente, os nossos pecados por mais graves ou aberrantes que possam ser – normalmente já terá ouvido a confissão de pecados que nem imaginamos serem possíveis de cometer – mas, isso sim, está interessadíssimo em aconselhar os meios e práticas que nos levem a corrigi-los, sobretudo, os pecados habituais.

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Textos de Reflexão para 16 de Outubro

Evangelho: Lc 12, 8-12

8 Digo-vos: Todo aquele que Me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem o confessará diante dos anjos de Deus. 9 Mas quem Me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. 10 «Todo aquele que falar contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado. 11 Quando vos levarem às sinagogas e perante os magistrados e autoridades, não estejais com cuidado de que modo respondereis, ou que direis, 12 porque o Espírito Santo vos ensinará, naquele mesmo momento, o que deveis dizer».

Comentário:

Porque é que Jesus afirma que, Deus Omnipotente e Misericordioso, está disposto a perdoar todas as faltas dos homens, mesmo as mais graves e abjectas mas que, as blasfémias contra o Espírito Santo ficarão, irremediavelmente sem perdão?
Na verdade, o que me parece é que não se trata da Vontade soberana de Deus, mas sim do livre arbítrio do homem.
Os pecados contra o Espírito Santo, opõem o homem à salvação porque são a própria declaração deste de não querer salvar-se.
Como se dissesse: o assunto não me interessa, não quero ser salvo.
Neste caso, Deus que respeita a liberdade humana, mesmo quando aberrante, nada pode fazer e, consequentemente, não faz a Sua vontade que seria salvar o homem, mas sim a vontade deste que é perder-se.

(ama, comentário sobre Lc 12, 8-12, Maio 2009)

Tema: Virtudes – Paciência 7

Assim como somos salvos na esperança, assim também na esperança somos bem-aventurados; e, tal como a bem-aventurança, assim também a salvação não a possuímos como presente, mas aguardamo-la como futura, e isto graças à paciência; porque estamos no meio de males que devemos suportar com paciência até alcançar-mos aqueles bens onde tudo haverá para nos deleitarmos de uma forma inefável e onde já nada haverá que sejamos obrigados ainda a suportar. 

(Stº Agostinho, A Cidade de Deus, Fundação C. Gulbenkian, Vol. III, Livro XIX, Cap. IV, nr. 1889)

Doutrina: CCIC – 431: Qual a finalidade dos preceitos da Igreja?
                  CIC – 2041 - 2048

Os cinco preceitos da Igreja têm por fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável do espírito de oração, da vida sacramental, do empenho moral e do crescimento do amor de Deus e do próximo.

Tema para breve reflexão - 2010.10.16

Virtudes – Fortaleza 2

A fortaleza mede-se em primeiro lugar pela consistência das ideias.

(Rafael Llano Cifuentes, Fortaleza, Quadrante, S. Paulo, 1991, pg. 12) 

15/10/2010

Mineiros no Chile

Fé e oração são a base do êxito do engenheiro católico que fez perfuração de resgate dos mineiros chilenos

Tema para breve reflexão - 2010.10.15

Virtudes – Fortaleza 1

A fortaleza nasce na cabeça e vive a partir de um centro medular de ideias e convicções inabaláveis, que criam poderosas motivações capazes de superar todos os obstáculos.

(Rafael Llano Cifuentes, Fortaleza, Quadrante, S. Paulo, 1991, pg. 11) 

Bom Dia! Outubro 15, 2010


Em tempos passados, estava muito incutido no povo cristão a chamada “desobriga”, que era a Confissão por alturas da Quaresma.
Viam-se famílias inteiras – Pais e filhos – nas filas dos confessionários aguardando a sua vez de cumprirem essa obrigação. Pode admitir-se que, algumas, talvez muitas, dessas confissões o fossem com o objectivo de cumprir um preceito, um hábito arreigado no povo de Deus e não, como seria desejável, uma Confissão desejada intimamente como uma necessidade concreta de reconciliação com Deus e pacificação do espírito e da alma.
Numa consideração diametralmente oposta, podemos constatar que muitos dos Templos modernos nem sequer têm espaços – confessionários – destinados à audição das pessoas que querem confessar-se com a privacidade e decoro que o Direito Canónico prevê e regulamenta.
É uma pena e, algo grave e sério a ter em conta mas que, não pode servir de desculpa a ninguém que queira, de facto confessar-se.

Por exagero, poder-se-ia opor que, seria necessário que o Sacerdote viesse ter comigo, a um local escolhido por mim – a minha casa, por exemplo – para que eu aceitasse confessar-me. Pensar desta forma é considerar que se faz um favor a Deus, como se o cumprimento da Sua Vontade expressa de tantos modos não fosse uma obrigação grave mas tão só uma decisão tomada adrede quando nos convém.

Talvez pareça que este tema da Confissão tenha uma extensão que não se coaduna com o tema geral do escrito, mas, de facto, é intencional. Porque se nos propomos discorrer sobre a “Melhoria Pessoal e a Vida Interior” não podemos deixar de nos deter com mais detalhe sobre algo tão fundamental para o tema como de facto é a Confissão Sacramental.

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Textos de Reflexão para 15 de Outubro

Evangelho: Lc 12, 1-7

1 Tendo-se juntado à volta de Jesus milhares e milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou Ele a dizer aos Seus discípulos: «Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.2 Nada há oculto que não venha a descobrir-se e nada há escondido que não venha a saber-se. 3 Por isso as coisas que dissestes nas trevas serão ouvidas às claras, e o que falastes ao ouvido no quarto será apregoado sobre os telhados. 4 «A vós, pois, Meus amigos, digo-vos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. 5 Eu vou mostrar-vos a quem haveis de temer; temei Aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, Eu vos digo, temei Este. 6 Não se vendem cinco passarinhos por dois asses?; contudo nem um só deles está em esquecimento diante de Deus .7 Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; vós valeis mais que muitos passarinhos.

Comentário:
                                                                                       
Nos últimos anos o mundo tem ouvido muitas vezes este grito: Não tenhais medo!
De facto, as preocupações da vida corrente, cada vez mais competitiva e “selvagem”, a sanha dos inimigos de Deus procurando destruir a Sua Igreja, minando a sociedade humana no seu mais profundo alicerce que é a família, os crimes horrendos que se cometem contra a dignidade do ser humano desde a concepção, tudo isto que é grave, sério, aterrador, causa-nos medo.
Mas, Jesus, e nisto é secundado pelos Seus vigários na terra, particularmente João Paulo II, vem dizer que não devemos ter medo de nada a não ser do Demónio e das consequências de deixar-mos que nos subjugue. Seguir Cristo afasta qualquer medo, confiar em Cristo é ter a tranquilidade de que Deus, que é Pai, nos protege e cuida de nós. 

(ama, comentário sobre Lc 12, 1-7, 2010.08.11)

Tema: Virtudes – Paciência 6

Esperemos com paciência que iremos melhorar e, em lugar de nos inquietarmos por ter feito pouca coisa no passado, procuremos com diligência fazer mais no futuro. 

(J. Tissot, El arte de aprovechar nuestras faltas, Palabra, 11 ed. Madrid 1986, pg. 14, trad ama)

Doutrina: CCIC – 430:  Porque é que o Magistério da Igreja intervém no campo moral?
                  CIC – 2032-2040; 2049-2051

Porque é missão do Magistério da Igreja pregar a fé que deve ser acreditada e aplicada na vida prática. Essa missão estende-se também aos preceitos específicos da lei natural, porque a sua observância é necessária para a salvação.

Festa: Santa Teresa de Jesus

                                                                                                                               
Nota Histórica
Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da sua Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582. (snl)

14/10/2010

Bom Dia! Outubro 14, 2010





A Confissão Sacramental é o que a Igreja Católica aconselha aos seus filhos como condição, única, para que a situação fique, definitivamente resolvida. O bem alcançado é superior ao mal praticado e, até no foro íntimo pessoal, a satisfação sentida ultrapassa o sentimento de culpa que possa ter-se.

 “Eu confesso-me a Deus”, ouve-se dizer, querendo com isto significar que o Sacramento tal como instituído por Cristo, não é necessário para alcançar o perdão. Mas o que quer dizer-se, realmente, é: não encontro vantagem ou necessidade na Confissão Sacramental, basta-me o reconhecimento pessoal do erro e a pena de o ter cometido ou consentido nele.
É um engano e um engano que pode acarretar graves consequências.
Em primeiro lugar porque se pretende que a Confissão Sacramental não é um acto formal exigido por Jesus Cristo que, ao dar o poder de perdoar os pecados aos Seus Apóstolos – e, consequentemente, aos Seus sucessores através do tempos – ([i]) especifica de forma clara como se obtêm o perdão de Deus para as faltas confessadas.
Não se encontra no Evangelho nenhuma passagem que atribua esta faculdade a mais ninguém e, nem sequer, ao arrependido.
Porquê?
Será que Deus – tal como acredito – que me vê e ouve – não conhece o meu arrependimento e está disposto a perdoar-me?
È evidente que sim. Se voltamos atrás, Cristo não deseja condenar ninguém mas sim salvar e redimir. Escolhe, de forma clara, a forma de obter o perdão divino e não cabe ao homem discutir se esta escolha está ou não correcta.

Quem usa a Confissão Sacramental com regularidade encontrará sempre um benefício íntimo e, até, satisfação, que levarão à sua alma uma alegria e bem-estar insuspeitados. É a confirmação do que anotámos acima ([ii]).
Quem tem por costume a Confissão frequente e regular encontra uma forma eficaz de combater os defeitos e sinais concretos para progredir na melhoria pessoal, já que, o Sacramento não tem apenas o efeito de perdoar as faltas praticadas mas, também de dar forças e meios para evitar as futuras.

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[i] Mt 18, 18
[ii] Lc 15, 7

Tema para breve reflexão - 2010.10.14

Virtudes – Fé 5

A fé projecta uma luz nova sobre a vida do homem, explica-lhe o seu sentido, anima-o a caminhar e condu-lo ao Céu.

(Javier Abad Goméz, Fidelidade, Quadrante, 1989, pg 55)

Textos de Reflexão para 14 de Outubro

Evangelho: Lc 11, 47-54

47 Ai de vós, que edificais sepulcros aos profetas, e foram vossos pais que lhes deram a morte! 48 Assim dais a conhecer que aprovais as obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros. 49 Por isso disse a sabedoria de Deus: Mandar-lhes-ei profetas e apóstolos, e eles darão a morte a uns e perseguirão outros, 50 para que a esta geração se peça conta do sangue de todos os profetas, derramado desde o princípio do mundo, 51 desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo. Sim, Eu vos digo que será pedida conta disto a esta geração. 52 Ai de vós, doutores da lei, que usurpastes a chave da ciência, e nem entrastes vós, nem deixastes entrar os que queriam entrar!». 53 Dizendo-lhes estas coisas, os fariseus e doutores da lei começaram a insistir fortemente e a importuná-Lo com muitas perguntas, 54 armando-Lhe ciladas, e buscando ocasião de Lhe apanharem alguma palavra da boca para O acusarem.

Comentário:

Continuamos ainda no 11º capítulo do Evangelho de S. Lucas. Começa com um ensinamento precioso – o Pai-nosso – com a recomendação insistente da necessidade de orar com perseverança continuando, depois, até estes sete versículos finais num discurso directamente dirigido aos fariseus e doutores da lei.
De facto esta gente procura perder Jesus, desautorizá-lo pô-lo a ridículo, mas, isso, a Jesus pouco lhe importa pessoalmente o que o preocupa, por assim dizer, é o mal que estas atitudes podem fazer aos que O seguem e ouvem com o coração limpo e bem-disposto.
Por isso, de certa forma, os desmascara e põe a nu a falsidade e falta de seriedade dos seus argumentos e do seu comportamento.
A Cristo, não Lhe interessa uma disputa estéril e sem sentido, quer esclarecer as pessoas humildes – as ovelhas sem pastor – que confundidas e sobrecarregadas vêm ter consigo para ouvir as Suas palavras de vida eterna. 

(ama, comentário sobre Lc 1, 47-54, 2010.08.10)

Tema: Virtudes – Paciência 5

Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições. 

(S. Francisco de Sales, Introducción a la vida devota, III, 3, trad ama)

Doutrina: CCIC – 429: Como é que a Igreja alimenta a vida moral do cristão?
                   CIC – 2030-2031;  2047

A Igreja é a comunidade onde o cristão acolhe a Palavra de Deus que contém os ensinamentos da «Lei de Cristo» (Gal 6,2); recebe a graça dos sacramentos; une-se à oferta eucarística de Cristo de modo que a sua vida moral seja um culto espiritual; e aprende o exemplo da santidade da Virgem Maria e dos Santos.

13/10/2010

Bom Dia! Outubro 13, 2010


Talvez que a leitura atenta deste trecho do Evangelho de São João tenha levado alguém a considerar:

Que escreves, Tu Senhor, no chão? Os meus pecados, faltas e fraquezas? Mas, eu, Senhor, não quero acusar ninguém de nada e, muito menos, atirar alguma pedra! Eu! Como poderia? Então eu não sei o que sou? E não sei, muito bem, que se ninguém me acusa é apenas por caridade ou por desconhecimento das maldades que pratiquei e pratico.
Tudo foi perdoado, sem dúvida, e, não falo ou penso nisso, mas a Tua misericórdia que me mandou em paz depois de aceite o meu arrependimento, não cessa de me surpreender com o perdão e o esquecimento das faltas confessadas.
Que escreves no chão, Senhor?
Será: Não julgues para não seres julgado, não condenes para não seres condenado, não te consideres impecável porque não o és"

Este importantíssimo tema é, talvez hoje mais que nunca, alvo de grande controvérsia e discussão:
o que é a Confissão Sacramental e a sua utilidade prática.

É evidente que, se reconhecer a culpa parte da disposição interior e da finura de alma de cada um, a decisão de a confessar de modo aberto, completo e leal envolve uma disposição interior que tem a ver, em primeiro lugar com a humildade pessoal e, depois com a necessidade – sentida – de justificação e perdão.
Justificação, entenda-se, não no sentido de tentar vestir a falta de uma roupagem de inevitável efeito – como se dissesse nestas circunstâncias e neste caso não poderia ter agido de outro modo – mas no sentido profundo do termo em que justificação se entende como o reconhecimento da fragilidade da condição humana.
Esta situação só pode ocorrer quando se verifica no espírito, uma insatisfação concreta que, depois, se transforma em pena, e logo em arrependimento, por algo que se fez ou consentiu que conclui que, tal, foi uma cedência a uma fraqueza, um consentimento não justificado ou, até um alheamento de algo que, concretamente se sabe e reconhece como mal mas que, seja porque motivo for, se desconsiderou ou permitiu.

É muito bom ter esta capacidade de julgar a bondade dos próprios actos e, sem dúvida, é meio caminho andado para a prevenção de futuras quedas semelhantes, mas falta algo para que essa atitude fique, de certo modo, completa e produza efeitos reais e palpáveis: a reparação efectiva da falta cometida e, esta, se não for de facto, concretizada, deixará vazia de sentido aquela.

Ou seja, não se trata só de considerar o arrependimento íntimo mas, também, de o manifestar.
A controvérsia parece estar neste ponto: como fazer?

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Tema para breve reflexão - 2010.10.13

Virtudes – Fé 4

A fé em Cristo há-de levar-nos a organizar a vida quotidiana sobre a terra sabendo olhar o Céu, isto é, Deus, fim supremo e último das nossas tensões dos nossos desejos.

(joão Paulo II, Angelus, 08.11.1979)

Textos de Reflexão para 13 de Outubro

Evangelho: Lc 11, 42-46

42 Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a casta de ervas, e desprezais a justiça e o amor de Deus! Era necessário praticar estas coisas, mas não omitir aquelas. 43 Ai de vós, fariseus, que gostais de ter as primeiras cadeiras nas sinagogas e as saudações nas praças! 44 Ai de vós, porque sois como os sepulcros que não se vêem e sobre os quais se anda sem saber!». 45 Então um dos doutores da lei, tomando a palavra, disse-Lhe: «Mestre, falando assim, também nos ofendes a nós». 46 Jesus respondeu-lhe: «Ai de vós também, doutores da lei, porque carregais os homens com pesos que não podem suportar, e vós nem com um dedo lhe tocais a carga!

Comentário:

Na continuação do relatado no Evangelho anterior (Lc 11, 37-41), Jesus prossegue o Seu discurso. Percebe-se que os convivas devem pertencer, talvez na sua totalidade, à classe dos fariseus e doutores da lei. É uma ocasião soberana para o Mestre tentar, mais uma vez, fazer-lhes ver quanto de errado têm as suas atitudes e comportamento na sociedade judaica de então. Pondo a nu a falta de coerência e interioridade da sua observância da lei e dos costumes, preocupados, principalmente, com o aspecto exterior das coisas e dos actos, o Senhor procura chamá-los à razão. São pessoas evoluídas, com bases de cultura importantes, não têm nenhuma dificuldade em compreender o que Jesus Cristo quer dizer com as Suas palavras. Por isso mesmo, por se tratar de uma audiência com um elevado nível cultural, as Suas palavras são duras e sem tergiversações, chamando as coisas pelo seu nome, confrontando-os com a realidade.
Quantos se terão sentido tocados pelas palavras de Jesus, não sabemos nem isso nos interessa; o que, sim, sabemos, é que a palavra de Deus não deixa ninguém indiferente. 

(ama, comentário sobre Lc 11, 42-46, 2010.08.10)

Tema: Virtudes – Paciência 4

Porque contou o Senhor com tantos pescadores entre os Seus Apóstolos? (...). Que qualidade viu neles Nosso Senhor? Creio que havia uma coisa que apreciou particularmente nos que haviam de ser os Seus Apóstolos: uma paciência inquebrantável (...) Tinham trabalhado toda a noite e não tinham pescado nada; muitas horas de espera, em que a luz cinzenta da aurora lhes traria o seu prémio, e não o houve...
Quanto esperou a Igreja de Cristo através dos séculos (...) estendendo pacientemente o seu convite e deixando que a graça fizesse a sua obra! (...)
Que importa se num local ou noutro trabalhou duramente e recolheu muito pouco para o seu Mestre? Sob a Sua palavra, apesar de tudo, voltará a deitar a rede, até que a Sua graça, cujos limites não têm comparação com o esforço humano, Lhe traga de novo uma nova pesca. 

(R. A Knox, Sermón en la fiesta de S. Pedro e S. Pablo, 1947.06.29, trad ama)

Doutrina: CCIC – 428: Somos todos chamados à santidade cristã?
                   CIC – 2012–2016; 2028–2029

Todos os fiéis são chamados à santidade. Esta é a plenitude da vida cristã e a perfeição da caridade, que se obtém mediante a íntima união com Cristo e, n’Ele, com a Santíssima Trindade. O caminho de santificação do cristão, depois de ter passado pela cruz, terá o seu acabamento na ressurreição final dos justos, na qual Deus será tudo em todas as coisas.