26/06/2010

Textos de Reflexão para 26 de Junho

Evangelho: Mt 8, 5-17

5 Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centurião, e fez-Lhe uma súplica, 6 dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». 7 Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». 8 Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será curado. 9 Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». 10 Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. 11 Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus, 12 enquanto que os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá pranto e ranger de dentes».13 Então disse Jesus ao centurião: «Vai, seja feito conforme tu creste». E naquela mesma hora ficou curado o servo. 14 Tendo chegado Jesus a casa de Pedro, viu que a sogra dele estava de cama com febre; 15 e tomou-a pela mão, e a febre deixou-a, e ela levantou-se e pôs-se a servi-los. 16 Pela tarde apresentaram-se muitos possessos do demónio, e Ele com a Sua palavra expulsou os espíritos e curou todos os enfermos; 17 cumprindo-se deste modo o que foi anunciado pelo profeta Isaías, quando diz: “Ele mesmo tomou as nossas fraquezas e carregou com as nossas enfermidades”.

Meditação:

Jesus toca com a Sua mão os que dele precisam e se aproximam com confiança. Não importa quem – a sogra de Pedro ou um pobre leproso -, Cristo compadece-se do homem que sofre, enternece-o o doente, não resiste aos pedidos de cura.
Toca-me Senhor, no meu coração doente de amor por Ti; aproxima a Tua mão da minha porque preciso que me guies neste caminho por vezes tão difícil; não me largues, não me deixes, olha para mim, Senhor, e vê como sou frágil, pusilânime; como faço promessas que não cumpro, esboço intenções que não concretizo, desejos de melhoria que adio constantemente.
Esta, Jesus, é a minha “doença” a que me impede de Te amar como devo, de Te seguir como quero, de fazer, em tudo, a Tua Vontade Santa como necessito para garantir a salvação eterna. 

(ama, meditação sobre Mt 8, 5-17, 2009.06.27)

Tema: A liberdade de João Paulo II

Contou um bispo espanhol que, no termo de uma viagem ad limina, perguntou, informalmente, a João Paulo II: Santidade, qual o seu programa de vida.
“Bem, respondeu o Papa, levanto-me bastante cedo, pelas seis e trinta celebro a Santa Missa, cerca das oito tomo o pequeno-almoço normalmente em companhia de alguém, logo trato dos assuntos do Dicastério despachando com os vários responsáveis, após o que se, seguem audiências, almoço, por volta das treze e trinta, com várias pessoas, depois trato de variados assuntos, tempos de oração etc., até que, por volta das onze e trinta me vou deitar”.
Mas, santidade, perguntou o Bispo: Não tem um momento livre?!
Respondeu o Papa com a sua costumada boa disposição: “Bem de facto, tudo quanto faço é com inteira e absoluta liberdade!” 

(Citado por P. M. Martínez, Recolecção, Agosto 2008)




Festa: S. Josemaria Escrivá


                                                                                                                                                              
Nota Histórica
Nasceu em Barbasto (Espanha) em 1902 e foi ordenado sacerdote em 1925. No dia 2 de Outubro de 1928 fundou o Opus Dei que abriu na Igreja uma nova via para que homens e mulheres de todas as condições vivessem plenamente a sua vocação cristã, santificando as suas actividades no meio do mundo. O Opus Dei foi erigido como Prelatura Pessoal em 1982. A sua pregação e escritos contribuíram para que inumeráveis fiéis se tornassem conscientes da sua peculiar missão eclesial. Faleceu em Roma no dia 26 de Junho de 1975. (SNL)


IN MEMORIAM

            


Quantas vezes te tenho dito claramente
Que não entendo as razões ou porquês
Da tua chamada para um viver diferente
Para voos mais altos e demorados talvez.

Do meu esvoaçar sem nexo daqui para ali
Quiseste dar-me um rumo mais seguro
Levando-me a fixar os meus olhos em ti
Com um olhar mais límpido e mais puro.

Voar alto, muito mais alto numa ânsia de subir
Para lá das planas terras e dos grandes montes
Avistar os cumes e os mais altos que hão-de vir
Beber apenas nas águas das mais puras fontes.

E eu fui e tenho ido como num sonho irreal
Sem me deter a pensar no que possa valer
A minha entrega feita de abandono total
Sabendo que se há mérito só teu pode ser.

Ah! Josemaria meu querido Padre Santo
Todos os dias me interrogo constantemente
Como me foste buscar ao meu fundo canto
Onde escondido me gastava inutilmente.

Foste tu e não eu quem se aproximou
Naquele encontro breve mas muito intenso
Em que nas palavras do teu filho Ramon
Me deixaste entrever um mundo imenso.

Este mundo onde me esforço como posso e sei
Por viver como tu queres: disponível e profundo
Tentando pôr acima de tudo Jesus como Rei
Que foi para ser Rei que Ele veio ao Mundo.

Disponível para os outros antes de mim mesmo
Profundo no sentir as coisas de Deus que são todas
Deixando de lado a vida sem destino e a esmo
Preparando-me como amigo do Esposo para as bodas.

Estar sempre pronto:
Não ficar à porta por falta de azeite
Ter um plano de vida:
Não me desviar do caminho traçado
Ser exigente e determinado:
Não me deixar levar pelo falso deleite
Ter os olhos na Cruz:
Do mais fácil ou do menos ousado.

ama, Porto, 09 de Janeiro de 2002


25/06/2010

Textos de Reflexão para 25 de Junho

Evangelho: Mt 8, 1-4

1 Tendo Jesus descido do monte, seguiu-O uma grande multidão.2 E eis que, aproximando-se um leproso, se prostrou, dizendo: «Senhor, se Tu quiseres, podes curar-me». 3 Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo-lhe: «Quero, sê curado». E logo ficou curado da sua lepra .4 E Jesus disse-lhe: «Vê, não o digas a ninguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e faz a oferta que Moisés preceituou em testemunho da tua cura».

Meditação:

Eu sei perfeitamente que, se quiseres, podes curar-me de todos os meus males, limpar toda a sujidade da minha alma, converter-me num homem novo. Eu sei, tenho a certeza!
E, Tu, Senhor, queres?
Eu, acho que sim, que verdadeiramente, queres, mas esperas sempre que eu to peça porque, antes de mais, respeitas a liberdade que me deste.
Ah! Senhor, se eu pudesse pedir-te que me tirasses essa liberdade e que fizesses o que bem entendesses sem esse obstáculo? 

(ama, meditação sobre Mt 8, 1-4, 2009.06.26)

Tema: Liberdade e entrega

Cristo, e só Ele é o Salvador, que Se entrega em completa liberdade por nós; mas os homens só podem beneficiar plenamente da salvação que Cristo nos consegue, se, livremente, nos unimos a Ele com a nossa entrega pessoal, que se manifesta na oração vigilante. 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 1149)

SENTENÇA

NUNCA É CORRECTO FAZER O MAL. ESTA SENTENÇA POR SI SÓ É O

FUNDAMENTO DA NOSSA CIVILIZAÇÃO, AQUELA QUE DEVERIA, DE FACTO,

DISTINGUIR TODAS AS CIVILIZAÇÕES.

James Schall, SJ (in INFOVITAE) (Trad. AMA)

24/06/2010

Evangelho: Lc 1, 57-66. 80

57 Completou-se para Isabel o tempo de dar à luz e deu à luz um filho. 58 Os seus vizinhos e parentes ouviram falar da graça que o Senhor lhe tinha feito e congratulavam-se com ela. 59 Aconteceu que, ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e chamavam-lhe Zacarias, do nome do pai. 60 Interveio, porém, sua mãe e disse: «Não; mas será chamado João». 61 Disseram-lhe: «Ninguém há na tua família que tenha este nome». 62 E perguntavam por acenos ao pai como queria que se chamasse. 63 Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu assim: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados.64 E logo se abriu a sua boca, soltou-se a língua e falava bendizendo a Deus. 65 O temor se apoderou de todos os seus vizinhos, e divulgaram-se todas estas maravilhas por todas as montanhas da Judeia. 66 Todos os que as ouviram as ponderavam no seu coração, dizendo: «Quem virá a ser este menino?». Porque a mão do Senhor estava com ele.
80 Ora o menino crescia e se fortificava no espírito. E habitou nos desertos até ao dia da sua manifestação a Israel.
Meditação:

Qualquer espécie de prisão é contra a natureza do homem. Seja qual for o motivo ou o tipo de prisão a que esteja submetido, quando se vê livre de tal sujeição, o homem não pode mais que dar graças a Deus que nos criou para sermos livres, termos uma vontade própria e opções de escolha. E, de facto, só com Deus se encontra a verdadeira liberdade porque, Ele, é a Verdade e, como Ele próprio disse: «verdade vos fará livres» (J 6, 32)

(ama, meditação sobre Lc 1, 57-66, 80, 2010.05.04)

Tema: Liberdade do coração

A oração só pode expandir-se num clima de liberdade. E, na qualidade de discípulo de Cristo és chamado à oração contemplativa. Todavia, para que a tua prece possa algum dia tornar-se contemplação – um amoroso olhar lançado a Jesus Cristo, teu Bem-amado – é indispensável a liberdade do coração. É por essa razão que Cristo tanto luta pela libertação do teu coração. E Ele fá-lo por meio de vários acontecimentos, através de dificuldades e tempestades, permitindo que passes por situações difíceis por meio das quais te dá oportunidade de colaborares intensamente com a graça. 

(Tadeus Dajczer, Meditações sobre a Fé, Paulus, 4ª Ed., pg. 32)

Memória: S. João Baptista

João Batista, testemunha da verdade sem temores

Hoje, 24 de Junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do nascimento de São João Batista, cuja vida está totalmente orientada a Cristo, como a de sua mãe, Maria. João Batista foi o precursor, a «voz» enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por esse motivo, comemorar seu nascimento significa na verdade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, entre os quais o Batista foi o maior, chamado para «preparar o caminho» do Messias (cf. Mateus 11, 9-10).
Todos os Evangelhos começam a narração da vida pública de Jesus com o episódio do seu baptismo no rio Jordão, feito por João. São Lucas introduz a aparição do Batista em um contexto histórico solene. Também o meu livro «Jesus de Nazaré» começa com o Baptismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve uma enorme ressonância naqueles tempos.
Desde Jerusalém e desde toda a Judeia, as pessoas iam para escutar João Batista e para serem baptizadas no rio, confessando os próprios pecados (cf. Marcos 1, 5). A fama do profeta que baptizava cresceu, até o ponto de que muitos se perguntavam se não era ele o Messias. Mas ele, sublinha o evangelista, negou decididamente: «Eu não sou o Cristo» (João 1, 20).
De qualquer forma, ele continua sendo a primeira «testemunha» de Jesus, pois recebeu do Céu este sinal: «Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem baptiza no Espírito Santo» (João 1, 33). Isso foi o que aconteceu precisamente quando Jesus, depois de receber o baptismo, saiu da água: João viu como o Espírito repousava sobre ele como uma pomba. Então ele «conheceu» a realidade plena de Jesus de Nazaré e começou a «manifestá-lo a Israel» (João 1, 31), apresentando-o como Filho de Deus e redentor do homem: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo» (João 1, 29).
Como um autêntico profeta, João deu testemunho da verdade sem temores. Denunciou as transgressões aos mandamentos de Deus, inclusive quando os protagonistas das mesmas eram potentes. Dessa forma, pagou com a vida a acusação de adultério a Herodes e Herodíades, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em pessoa.
Invoquemos a sua intercessão, junto com a de Maria Santíssima, para que também em nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com valentia a sua verdade e seu amor a todos.

(bento XVI, Angelus, 2007.06.24

23/06/2010

Textos de Reflexão para 23 de Junho

Evangelho: Mt 7, 15-20

15 «Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes.16 Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura se colhem uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos? 17 Assim toda a árvore boa dá bons frutos, e toda a árvore má dá maus frutos.18 Não pode uma árvore boa dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos.19 Toda a árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada ao fogo.20 Vós os conhecereis, pois, pelos seus frutos.
Meditação:

Que seja conhecido pelos frutos, não para minha glória ou benefício mas para Te levar aqueles que esperam ver em mim caminho para Ti. Frutos de obras, Senhor, das obras que queres que eu leve a cabo e para as quais me falta tudo: vontade, disponibilidade, entrega e, sobretudo, humildade. Que tudo quanto faça seja por Ti e para a Tua glória. Docere me facere voluntatem Tuam quia Deus meus es Tu! 

(AMA, meditação sobre Mt 7, 15-20, Junho 2008)

Tema: Frutos da Redenção

Deus não só nos criou, deu-nos o ser, mas também nos outorgou a capacidade de actuar, de dominar o mundo, de o aperfeiçoar com o trabalho, desenvolvendo harmonicamente as potencialidades presentes na natureza. Além do mais, ama-nos até ao ponto de «querer necessitar» da nossa colaboração inclusive para o mais divino: a obra salvadora e redentora. O Pai enviou o Filho ao mundo para que nos redimisse com a Sua morte na Cruz, e envia-nos também o Espírito para que nos incorpore a Cristo e, formando uma só coisa com Cristo, cooperemos com Ele na tarefa de estender a todos os nossos irmãos, os homens, os frutos da Redenção. 

(D. Javier Echevarría, Itinerários de Vida Cristiana, Planeta, 2001, pg. 213)

22/06/2010



Recordare, Virgo mater, in conspectu Dei, ut loquaris pro nobis bona, et ut avertat indignationem suam a nobis.

Textos de Reflexão para 22 de Junho

Evangelho: Mt 7, 6. 12-14

6 «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda que eles as calquem com os seus pés, e que, voltando-se contra vós, vos despedacem.
12 «Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; esta é a Lei e os Profetas.13 «Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele.14 Que estreita é a porta, e que apertado o caminho que leva à Vida, e quão poucos são os que dão com ele!

Comentário:

Este trecho do Evangelho realça como Jesus Cristo recomenda prudência no que diz respeito às coisas de Deus, nomeadamente quando o ambiente, aqueles que nos ouvem, não são os mais adequados ou têm algum objectivo pré determinado. Por exemplo, prudência em aceitar a comparência em algum fórum, programa de televisão, etc., ou responder a inquéritos cuja origem ou objectivos não são suficientemente claros e sérios. Esta prudência é a mesma que devemos usar no nosso caminhar diário para Deus. Sem dúvida que parece mais fácil e atraente o caminho aberto tão usado por tantos, já que, o outro, aparenta dificuldades, pede renúncias, sacrifícios, determinação.
Assim, a prudência com que devemos examinar por onde vamos é fundamental para não nos enganarmos no caminho

(ama, Comentário sobre Mt 7, 6; 12-14, 2009.03.11)

21/06/2010

Textos de Reflexão para 21 de Junho

Evangelho: Mt 7, 1-5

«Não julgueis, para que não sejais julgados; 2 pois, segundo o juízo com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós. 3 Porque olhas tu para a palha que está no olho de teu irmão, e não notas a trave no teu olho? 4 Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar-te do olho uma palha, tendo tu uma trave no teu? 5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás para tirar a palha do olho de teu irmão.

Meditação:

Ajuda-me Senhor, a conter-me no meu tão frequente julgamento dos outros. Intimamente e de viva voz. Põe na minha frente o espelho dos meus próprios defeitos e faltas de carácter, tudo aquilo que julgo ver nos outros. Não valho nada, não sei nada, não tenho nada, não sou nada.

(AMA, meditação sobre Mt 7, 1-5, Junho 2005)

Tema: Hipocrisia

Hipocrisia é pretensão ou fingimento de ser o que não é. Hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando representar ou fingir (WKP). Os actores gregos usavam máscaras de acordo com o papel que representavam numa peça teatral. É daí que o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência. Uma dos termos mais “fortes” empregues – pelo menos 19 vezes ([1]) - por Jesus foi exactamente “hipócritas” quando se refere à duplicidade de vida dos Fariseus e Escribas e as situações e referências que faz, não deixam de provocar em nós, um sentimento de repulsa por tais condutas. 

(ama, sobre a hipocrisia, a)


[1] Lc 12,1; 12, 56; 13, 15 – Mt 6, 2; 6, 5; 6, 16; 15, 7; 22, 18; 23, 13; 23, 14; 23, 15; 23, 23; 23, 25; 23, 27; 23, 28; 23, 29; 24, 51 – Mc 7, 6; 12, 15.

CAPITALISMO

A experiência mostra-nos, como regra geral, que um método deixa de ser qualquer coisa de puramente objectivo e inofensivo, e que necessariamente acaba por impor um carácter, uma determinada mentalidade a quem o utiliza: leva o homem a pensar como age. O exemplo mais claro a tal respeito é o do capitalismo. O capitalismo – se bem que inspirado na ideologia liberal – nunca se definiu como uma filosofia ou como um humanismo doutrinal, mas apenas como um método para produzir mais e melhor, um método cheio de boas intenções e promessas – porque fará ricos e felizes os homens – e que todos possam usar, independentemente da sua religião ou das suas ideologias. Todavia a história demonstrou, dolorosamente, até que ponto o uso deste simples meio de produção conseguiu impor a milhões de pessoas – digam-se elas teoricamente cristãs ou não – uma mesma mentalidade capitalista, ateia, anti-humana e manipuladora do homem e da sociedade, ao serviço do capital. Exactamente na mesma situação se encontram, em nosso parecer, aqueles que utilizam o método marxista de interpretação e acção histórica; isto é, encontram-se em sério perigo de chegar na prática – independentemente do que sugere a sua filosofia e o seu humanismo teórico – a uma visão igualmente economicista do homem e à consequente atitude manipuladora de quanto desta visão – queira-se ou não – deriva.

(Episcopado Chileno, Evangelho, Política e Socialismo, nr. 47, in Maestre della fede, nr. 43, Torino-Leuman, LDC, 1973) (coligido AMA)

19/06/2010

Textos de Reflexão para 20 de Junho

EvangelhoLc 9, 18-24

18 Aconteceu que, estando a orar só, se encontravam com Ele os Seus discípulos. Jesus interrogou-os: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». 19 Responderam e disseram: «Uns dizem que és João Baptista, outros que Elias, outros que ressuscitou um dos antigos profetas». 20 Ele disse-lhes: «E vós quem dizeis que sou Eu?». Pedro, respondendo, disse: «O Cristo de Deus». 21 Mas Ele, em tom severo, mandou que não o dissessem a ninguém, 22 acrescentando: «É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que seja morto e ressuscite ao terceiro dia. 23 Depois, dirigindo-Se a todos disse: «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias, e siga-Me. 24 Porque quem quiser salvar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por causa de Mim, salvá-la-á.

Meditação:

Quantas vezes, Senhor, ao arrastar sobre os meus ombros do pobre homem que sou, uma carga quase insuportável, - esta carga que é formada pelo peso das minhas faltas de carácter, das minhas ambições pessoais, dos meus desleixos e ‘desamores’, do meu apego às coisas desta vida, - e não me lembro que, se não fosses Tu a carregares com a parte mais pesada, eu não conseguiria mover-me um passo sequer!
Prefiro, prefiro mil vezes a Tua Cruz, o Teu jugo, a Tua carga. Esses, leva-los Tu, eu, não farei mais que tentar ajudar-te. 

(ama, meditação sobre Lc 9, 18-24, 2008.07.05)

TemaA cruz de todos os dias

O que é a cruz de todos os dias de que constantemente nos fala Jesus? Tem algo que a diferencie das outras cruzes? É pessoal, particular? Que cruz é esta, afinal?
Bem, S. Filipe de Néri afirmava que o homem é, a maior parte das vezes, o carpinteiro da sua própria cruz. Sim, essa cruz pessoal que cada um carrega nos ombros, tem um peso a condizer com os erros, os enganos, os devaneios, os desvios que cada um vai cometendo.
       Claro, tem, também, algo de impessoal, de sofrimento, doença, privação,  dificuldades.
Levá-la depende muito de saber-mos exactamente o que, dos dois pesos, carrega mais. 

(ama, diário, 2010.05.04) 

18/06/2010

Evangelho: Mt 6, 24-34

24 «Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou há-de afeiçoar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.25 «Portanto vos digo: Não vos preocupeis, nem com a vossa vida, acerca do que haveis de comer, nem com o vosso corpo, acerca do que haveis de vestir. Porventura não vale mais a vida que o alimento, e o corpo mais que o vestido? 26 Olhai para as aves do céu que não semeiam, nem ceifam, nem fazem provisões nos celeiros, e, contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura não valeis vós muito mais do que elas? 27 Qual de vós, por mais que se afadigue, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? 28 «E porque vos inquietais com o vestido? Considerai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. 29 Digo-vos, todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 30 Se, pois, Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 31 Não vos aflijais, pois, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32 Os gentios é que procuram com excessivo cuidado todas estas coisas. Vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. 33 Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34 Não vos preocupeis, pois, pelo dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia bastam os seus trabalhos.

Comentário:

Parecem tão simples, estas recomendações do Senhor! Simples e definitivas, como se bastasse ter confiança em Deus e tudo se encontra resolvido nas nossas vidas, não se requerendo nada mais da nossa parte, nem trabalho, nem tentar resolver os problemas, enfrentar as dificuldades…
Não é, evidentemente, isto que o Senhor quer dizer. Noutra passagem do Evangelho, Jesus Cristo condena o homem que teve grande colheita e se considera, por isso, “a salvo” de quaisquer problemas ou preocupações.[i] E, em muitas outras ocasiões que os Evangelhos também relatam, explica o que se entende por riqueza e pobreza, a verdadeira “escala” de valores que devem presidir à vida humana.
Confiar em Deus, evidentemente, porque nada somos ou podemos em Ele e, também, porque sendo filhos, confiamos que o nosso Pai proverá às nossas necessidades. O problema está em saber compaginar as nossas necessidades e obrigações, os nossos desejos legítimos para a nossa própria vida e a dos que de nós dependem de alguma forma e essa confiança filial.
O Senhor não aceita atitudes resignadas ou derrotistas, não se compadece daquele que nada faz do que lhe compete fazer, do que não põe todo o seu empenho e saber em encontrar soluções para a vida corrente. Mais, o perigo, reside de facto, como Jesus afirma, na falta de critério nestes aspectos: Confiar em Deus sem nada fazer, ou tudo fazer sem ter em conta o nosso Pai do Céu.
No fim e ao cabo que temos de ter bem presente é um são critério de unidade de vida. Temos de trabalhar e, trabalhar o melhor que saibamos e possamos, mas com os olhos postos em Deus que, então, não deixará de abençoar os nossos esforços e compensará, com a Sua Misericórdia e Justiça infinitas, a nossa actuação. Ele tudo pode, nós, sem Ele, não podemos nada. 

(AMA, comentário – palestra sobre MT 6,24-34, Porto, Maio 2008)

Tema: Preocupações e virtudes

Ainda que a graça possa transformar por si mesma as pessoas, o normal é que requeira as virtudes humanas, pois, como poderia enraizar-se, por exemplo, a virtude cardeal da fortaleza num cristão que não se vencesse em pequenos hábitos de comodidade ou de preguiça, que estivesse excessivamente preocupado com o calor ou com o frio, que se deixasse levar habitualmente pelos estados de ânimo, que estivesse dependente de si mesmo e da sua comodidade? 

(Álvaro del Portillo, Escritos sobre el sacerdocio, Madrid, Epalsa, 4ª ed., nr. 28)


[i] Cf. Lc 12,13-21

Textos de Reflexão para 18 de Junho

Evangelho: Mt 6, 19-23

19 «Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões arrombam as paredes e roubam. 20 Entesourai para vós tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem a traça os consomem, e onde os ladrões não arrombam as paredes nem roubam. 21 Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração. 22 «O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho for são, todo o teu corpo terá luz. 23 Mas, se teu olho for malicioso todo o teu corpo estará em trevas. Se, pois, a luz que há em ti é trevas, quão tenebrosas serão essas trevas!

Meditação:

Lembro-me dos olhos de minha Mãe, negros como azeviche, com um brilho muito peculiar que pareciam ler os meus. Lembro-me deles húmidos de lágrimas rebeldes quando passava a Custódia com o Santíssimo abençoando os doentes em Fátima nos quais, eu, jovem de seis ou sete anos, me incluía. Lembro-me dos olhos de minha Mãe e tenho muitas saudades deles.
Mas, Senhor, o que eu de facto queria era ter uns olhos como os de minha Mãe, puros, límpidos sem nenhum vestígio de maldade ou malícia.
Como que eu gostaria, Senhor, de ter os olhos de minha Mãe, que agora contemplam a Tua divina Face. (ama, meditação sobre Mt 6, 19-23, 2010.04.29)

Tema: Humildade: O verdadeiro tesouro

Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (...). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (...). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (...). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (...). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos
(Óscar Wilde, in "De Profundis")

17/06/2010

Textos de Reflexão para 17 de Junho

Evangelho: Mt 6, 7-15

7 Nas vossas orações não useis muitas palavras como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8 Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais. 9 «Vós, pois, orai assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. 10 «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.11 O pão nosso supersubstancial nos dá hoje. 12 Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. 15 Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas.

Meditação:

Julgo que o que, para mim, é o cerne do Pai-Nosso é a justiça. Quer parecer-me que Jesus faz depender tudo o que nos possa vir de Deus da nossa atitude para com os outros, não só no que respeita ao perdão das ofensas – muitas vezes presumidas e empoladas – de que somos alvo, mas também de todas as outras faltas à justiça que, muitas vezes, nem nos lembramos de classificar. (Um estudante que não estuda, falta à justiça para com os pais, os professores, a sociedade e contra si próprio). Quando julgo, apressadamente, às vezes quase de forma automática, as atitudes ou comportamento dos outros, não estarei a ver-me ao espelho, isto é, os defeitos que julgo que têm não são os que eu próprio possuo? (ama, meditação sobre Mt 6, 7-15, 2010.04.28)

Tema: Pai-Nosso

Sem Jesus, não sabemos verdadeiramente o que é um “Pai”. Foi na sua oração que isso se tornou claro e esta oração pertence-lhe intrinsecamente. Um Jesus que não estivesse perpetuamente mergulhado no Pai, ou que não estivesse em permanente comunicação com Ele, seria um ser totalmente diferente do Jesus da Bíblia e do verdadeiro Jesus da História. A sua vida parte do núcleo da oração; foi a partir dela que Ele compreendeu Deus, o mundo e os homens. […]
Surge então uma nova questão: será esta comunicação […] também essencial ao Pai que Ele invoca, de tal modo que também Ele fosse diferente se não fosse invocado sob este nome? Ou trata-se de algo que apenas O aflora sem nele penetrar? A resposta é a seguinte: pertence ao Pai dizer “Filho” como pertence a Jesus dizer “Pai”. Sem esta invocação, Ele próprio também não seria Ele. Jesus não tem apenas um contacto exterior a Ele; é parte integrante do ser divino de Deus, enquanto Filho. Antes mesmo de o mundo ser criado, Deus já é o Amor do Pai e do Filho. E, se pode tornar-se nosso Pai e a medida de toda a paternidade, é porque Ele próprio é Pai desde toda a eternidade. Na oração de Jesus, é pois a própria interioridade de Deus que se torna visível; vemos como é Deus; a fé no Deus trinitário não é senão a explicação daquilo que se passa na oração de Jesus. Nesta oração, a Trindade aparece em toda a sua clareza. […]
Ser cristão significa, pois: participar na oração de Jesus, entrar no seu modelo de vida, ou seja, no seu modelo de oração. Ser cristão significa: dizer “Pai” com Ele e tornar-se assim criança, filho de Deus, na unidade do Espírito que nos faz ser nós próprios, agregando-nos à unidade de Deus. Ser cristão significa: olhar o mundo a partir deste núcleo, tornando-se assim livre, cheio de esperança, decidido e confiante. 

(Card. Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI], Der Gott Jesu Christi)

ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade nunca pode ser entendida como um conjunto de práticas piedosas e ascéticas justapostas de qualquer maneira ao conjunto de direitos e deveres determinados pela própria vocação; pelo contrário, as circunstâncias próprias, enquanto respondem ao querer de Deus, hão-de ser assumidas e vitalizadas sobrenaturalmente por um determinado modo de desenvolver a vida espiritual, desenvolvimento que tem de se alcançar precisamente em e através daquelas circunstâncias.

(Álvaro del Portillo, O Sacerdote do Vaticano II, Aster, Lisboa 1972, nr. 117)