08/06/2010

Textos de Reflexão para 08 de Junho

Evangelho: Mt 5, 13-16

13 «Vós sois o sal da terra. Porém, se o sal perder a sua força, com que será ele salgado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e ser calcado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode esconder-se uma cidade situada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas no candelabro, a fim de que dê luz a todos os que estão em casa. 16 Assim brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.
Meditação:

Como posso, Senhor, ser sal da terra se tão mal consigo ‘temperar’ a minha própria vida? Olho para mim, nas minhas misérias e pouca coisa, e pasmo com a Tua confiança ao entregar-me almas para guiar! Não quero Senhor, ser guia cego que conduza outros ao precipício. Quero cumprir cabalmente a minha missão, seja ela qual for e quando for. Como é a Tua Vontade, quero, desejo ardentemente cumprir esse papel de guia. Ajuda-me, Senhor, que, eu, por mim, como muito bem sabes, nada posso. Que eu nunca me envaideça com os poucos ou muitos “êxitos” que a minha actuação possa alcançar, bem pelo contrário, que me convença – sempre – que é uma demonstração de que Tu te serves dos instrumentos mais débeis e estranhos. É a Tua Vontade. Serviam!

(ama, meditação sobre Mt 5, 13-16, Porto, 2008)

Tema: Ser sal da terra

Devemos ter uma iniciativa especial para promover esses pontos vitais de uma sociedade verdadeiramente humana: a família, o ensino, o respeito pela vida, a preocupação com obras com os mais débeis e necessitados... (…) Os católicos prestam um grande serviço à sociedade quando promovem, com uma iniciativa multiforme, uma cultura de raiz cristã que informe desde as leis até ao último costume popular.

(D. álvaro del portillo, carta, 1990) (citação ama)

FREI ANTÓNIO DAS CHAGAS

Frei António das Chagas ao encontro da alma russa

Poemas traduzidos em russo e editados na revista literária e artística

Acabam de ser editados em São Petersburgo, no volume XXI da revista literária e artística “Sfinx” (Esfinge), 13 poemas de Frei António das Chagas, poeta português do século XVII, traduzidos em Russo.
As traduções foram realizadas por Andrei Rodosski, poeta, filólogo e tradutor, professor da Faculdade de História e da Faculdade de Filologia da Universidade Estatal de São Petersburgo. Foi académico correspondente estrangeiro da extinta Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Andrei Rodosski é especialista em poesia portuguesa do século XIX, tendo traduzido figuras tão essenciais da nossa cultura como Almeida Garrett e João de Deus. O seu interesse não se limita no entanto a essa época. Traduziu poesia de trovadores medievais galaico-portugueses, e autores do século XX e contemporâneos como Mário de Sá-Carneiro, Egito Gonçalves, Alexandre O´Neill, Fernando Guimarães, Pedro Tamen, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e Joaquim Pessoa, entre outros.
Frei António das Chagas, cujo nome secular era António da Fonseca Soares, foi uma figura extremamente contraditória, a um tempo militar, poeta e eclesiástico. Nascido na Vidigueira, no Alentejo, em 1631, no seio de uma família fidalga, não concluiu os estudos devido à morte do pai e ingressou no exército aos 18 anos, tendo combatido na Guerra da Restauração. Sabe-se que foi neste período que despertou para a poesia. Existe informação que permite descrever o soldado-poeta como homem dado a excessos de vária ordem, levando uma vida desregrada, sendo que, aos 22 anos, foi obrigado a fugir para o  Brasil para escapar à justiça, em virtude de, num duelo, ter causado a morte de um rival. Regressou a Portugal três anos depois e retomou a carreira das armas, tendo sido promovido a capitão em Setúbal, sinal de reconhecimento do seu valor. Contudo, aos 31 anos, abandonou a vida militar e tornou-se monge da Ordem de São Francisco em Évora, e dedicou o resto da sua vida à pregação da Fé e à penitência pelas faltas cometidas enquanto homem mundano. Foi um pregador ardente, apaixonado e empenhado, tendo viajado em pregação por todo o país e também à corte. Em 1680 passou a viver no Convento do Varatojo (Torres Vedras) que, por sua iniciativa, passou a Seminário Apostólico das Missões da Ordem dos Franciscanos. Em 1682, Frei António das Chagas fundou o Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, em Setúbal, vindo a falecer nesse mesmo ano, no Varatojo.
Frei António das Chagas escreveu nos mais diversos estilos: romances, sonetos, glosas, madrigais, décimas e poemas heróicos, e também, na segunda fase da sua vida, sermões, elegias, cartas e cânticos espirituais, entre outros. Existe indicação de que, nesta segunda fase, desejava destruir os sonetos, romances e outra poesia da sua juventude. Podendo ser entendida como paradigma da sua época - século XVII, época do Barroco, período de ambiguidade entre fé e razão – a vida de Frei António das Chagas reflecte-se nas várias formas de que se reveste e nos temas de que é composta a sua obra. Os poemas escolhidos por Andrei Rodosski permitem aos leitores russos apreciar esta variedade formal e temática. Encontramos assim nesta selecção, por exemplo, a temática do desencanto com as coisas do mundo (soneto “À vaidade do mundo”), a dúvida e a devoção e exaltação religiosas (sonetos “Se sois riqueza, como estais despido?...”, “A Santa Maria Madalena”), a exortação à bondade (soneto “Et petrae scissae sunt”), assuntos de circunstância tratados de forma estilisticamente requintada (soneto “Ao cavalo do Conde do Sabugal, que fazia grandes curvetas”, em que os movimentos do cavalo são descritos recorrendo a referências musicais e sonoras, exemplo precursor da sinestesia interseccionista de Pessoa e Sá-Carneiro), a incessante procura (“Ao loureiro de João de Saldanha de Sousa, que está com as raízes fora da terra, sobre uma fonte”), a exaltação sensual da beleza feminina (“Romance de uma freira indo às Caldas”) e o conflito entre o espírito e os prazeres sensuais a que o poeta renunciara (romance “Ah, Francisca, vida minha!...”).
Famoso como poeta e também como pregador, Frei António das Chagas fascinou os homens do seu tempo e é capaz de fascinar hoje também – basta (re)descobri-lo. (A. L. Simões Gamboa, em São Petersburgo) (fonte: ECCLESIA)

 "Deus pede estrita conta de meu tempo.
 E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
 Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
 Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
 Para dar minha conta feita a tempo,
 O tempo me foi dado, e não fiz conta.
 Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
 Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
 Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
 Não gasteis vosso tempo em passatempo.
 Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
 Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
 Quando o tempo chegar, de prestar conta
 Chorarão, como eu, o não ter tempo..."
 
 "Frei António das Chagas" (Pelo século XVII (?!?)

07/06/2010

MEDITAÇÕES: AS BEM-AVENTURANÇAS



Bem-aventurados… diz o Senhor no Evangelho da Missa de hoje.


Todos os que O escutam no Sermão da Montanha, sentem a esperança renascer no coração e a confiança instalar-se na alma.

Quem o diz é nem mais nem menos, que Jesus Cristo: Bem-aventurados!

Quero fazer parte dos que enumeras mas, sobretudo, dá-me Senhor, um coração puro para que possa ver-te conforme prometes. 

Contemplar o Teu Rosto é o meu desejo e a minha felicidade.

Vultum Tuum, Domine, requiram. 

(ama, Meditação sobre Mt 5, 1-12, 2009.06.08)

06/06/2010

DEFEITOS - LUTA

A dificuldade não está em não furtar os bens alheios; mas sim em não os desejar. É fácil em tribunal não levantar falso testemunho, mas difícil será em não mentir nas conversas. Com facilidade nos afastaremos da embriaguez, mas com maior dificuldade viveremos a sobriedade.

(S. Francisco de Sales, Introdução à Vida devota, IV, 8)

Textos de Reflexão para 07 de Junho

Evangelho: Mt 5, 1-12

1 Vendo Jesus aquelas multidões, subiu a um monte e, tendo-Se sentado, aproximaram-se d'Ele os discípulos. 2 E pôs-Se a falar e ensinava-os, dizendo: 3 «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 5 «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 6 «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 «Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.10 «Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.11 «Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem, vos perseguirem, e disserem falsamente toda a espécie de mal contra vós por causa de Mim.12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois também assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós.

Comentário:

Não podemos, no breve tempo de que dispomos, deter-nos, como deviríamos, nesta passagem do Evangelho. Todos a conhecemos - mais ou menos – bem. Propositadamente, disse – mais ou menos – porque, embora quando começamos a ouvir o Evangelho, dizemos – ou pensamos – logo: já sei… é o discurso das bem-aventuranças! Mas será que, na verdade, conhecemos o seu conteúdo, ou temos apenas ‘uma ideia’ do mesmo, ideia que fomos construindo ao longo dos anos em que, uma e outra vez, ouvimos estas mesmas palavras de Jesus?
A minha proposta de hoje, é, pois, que nos dediquemos durante este tempo que vai meditar entre este encontro e o próximo, a pensar, meditar, melhor dizendo, neste trecho do Evangelho. Se o fizermos com boas disposições interiores, pedindo luzes ao Espírito Santo, para melhor entender e assimilar os ensinamentos que nele se contém, haveremos de verificar que, um mês não é tempo demasiado. Com efeito, de tal forma rica e profunda a dissertação de Jesus contida neste Evangelho, que podemos encontrar nele todo um programa de vida, a súmula de objectivos e metas que nos devemos propor para alcançar a vida eterna.
São tão consoladoras as palavras de Cristo! As afirmações que faz! As certeza que nos dá? Como, por exemplo: «Os puros de coração verão a Deus».
Por isso eu dizia: programa de vida e metas a alcançar… Pensemos nisto. 

(ama, Palestra, CC Vila do Conde, 09.06.2008)

05/06/2010

MONSTRA TE ESSE REGINA

A Deus Todo-Poderoso confio a sociedade portuguesa inteira, sobre todos invocando a abundância dos favores celestes por intercessão de Nossa Senhora da Conceição, que Portugal, há 350 anos, no santuário de Vila Viçosa e pela voz da sua máxima autoridade civil com explícita adesão dos Representantes da Nação, escolheu servir e honrar como Padroeira e Rainha. 

Deus abençoe e proteja Portugal. 

(joão Paulo II, saudação ao novo embaixador de Portugal na Santa Sé, L'Osservatore Romano, 1996.02.24, nr. 8) (citação ama)

MEDITAÇÕES: OS OUTROS

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? 

É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre minha vida.

E os outros? 
Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.

Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, crítica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.
(ama, meditação, 2002.09.02) 

04/06/2010

VIRTUDES - LABORIOSIDADE

Cumpre diligentemente as actividades necessárias para alcançar a sua própria maturidade natural e sobrenatural e ajuda os outros a fazer o mesmo, no trabalho e no cumprimento dos outros deveres.

(ama, compilação sobre definição de laboriosidade)

CORPO DE DEUS

QUINTA-FEIRA, JUNHO 03, 2010


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Fico-me assim, espantado, olhando para aquele “pedaço de Pão”, imaculado, o coração aberto, mais do que a boca escancarada.
És Tu que ali estás Senhor, mas não Te vejo com os olhos do corpo, (impedidos de Te verem), mas com o amor do coração, (que Tu lá colocaste, Senhor).
Quero ver-Te, Senhor, quero acreditar-Te, Senhor, quero adorar-Te, Senhor, mas pobre humanidade minha que me quer negar o que o espírito me diz: Tu estás ali, Senhor, vivo e presente, todo entregue, todo amor!
Deixo-me seduzir por Ti, abrem-se os meus olhos á «fracção do Pão», e o espírito vai-se fazendo, (por Tua graça), um com o corpo, e assim já é toda a minha humanidade que Te vê, que Te acredita, que Te adora.
Digo baixinho, para dentro de mim, «eu não sou digno», mas Tu respondes-me firme no amor, «és digno sim, porque sou Eu quem te dá a dignidade»!
Como posso eu, Senhor, não aceitar essa dignidade que Tu me dás para Te poder receber e seres o meu alimento de vida?
Retorno á minha frase inicial, Senhor, para perceber que para Te receber é muito mais preciso o coração aberto do que a boca escancarada!
E Tu vais guiando e dizendo ao meu pobre coração admirado: «Abre-te coração, mas para Te abrires a Mim, tens de te abrir a todos».
Que Mistério, que loucura, Aquele que é Deus, faz-se «pedaço de Pão», entrega-se como alimento e vai dizendo a cada um: «Não Me podes receber, se não receberes os outros!»
Assim tão simples, tão humilde, a colocares-Te tão igual a cada um, a fazeres-Te tão presença em cada um, porque «queres ser Um em todos, para que todos sejam um em Ti».
Queres assim, Senhor, que cada um seja sacramento para os outros, porque o Sacramento é a Tua presença viva no meio de nós.
Fico-me assim, Senhor, exaltado em adoração, perante o Teu Mistério e peço-Te humildemente: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» (Lc 24, 29).

Joaquim Mexia Alves, Marinha Grande, 3 de Junho de 2010

02/06/2010

Textos de Reflexão para 06 de Junho

Evangelho: Lc 7, 11-17

11 No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo .12 Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. 13 Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores».14 Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». 15 E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. 16 Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». 17 Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Meditação:

Surpreendentemente, Jesus faz um portentoso milagre sem que tivesse havido alguma solicitação para o fazer. Fá-lo, de facto, movido apenas pelo Seu coração sensível ao sofrimento de uma pobre mulher desamparada.
Não há dúvida, Ele, sabe sempre o que se passa connosco, o que precisamos, o que nos faz falta e está pronto a concedê-lo mesmo sem mérito da nossa parte.
Esta misteriosa solicitude divina, não a podemos entender e ainda bem porque, assim, mais me convenço que estou inteiramente nas Suas mãos e certo que em nenhum outro lugar poderia estar melhor.

(ama, meditação sobre Lc 7, 11-17, Convento de Cristo Rei, Monte Real, 2009.09.15)

Textos de Reflexão para 05 de Junho

Evangelho: Mc 12, 38-44

38 Dizia-lhes ainda nos Seus ensinamentos: «Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com roupas largas, de serem saudados nas praças39 e de ocuparem as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes, 40 que devoram as casas das viúvas, sob o pretexto de longas orações. Serão julgados com maior rigor». 41 Estando Jesus sentado defronte do cofre das esmolas, observava como o povo deitava ali dinheiro. Muitos ricos deitavam em abundância.42 Tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que valem um quarto de um asse.43 Chamando os Seus discípulos, disse-lhes: «Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais que todos os outros que deitaram no cofre, 44 porque todos os outros deitaram do que lhes sobrava, ela porém deitou do seu necessário tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver».
Meditação:

Aquelas duas moedas que a pobre viúva deitou no gazofilácio...!
Quantas vezes tenho hesitado em dar as minhas duas moedas a quem precisa mais delas que eu; fico "agarrado" a elas como se delas dependesse a minha vida!
E, as duas moedas que não tenho e que...tanto gostaria de ter!
Não estou já, também, "agarrado" a elas?
Desprendimento, desprendimento! Tão longe, cada vez mais longe!
Preso às coisas, às pessoas, às ideias, ao passado, ao futuro, ao que fui, ao que gostaria de ter sido, ao que, eventualmente ainda posso vir a a ser!
Preso a mim mesmo, às "minhas coisas", aos meus projectos, às quiméricas façanhas que hei-de, um dia, praticar...sim...no fim de tudo...eu...eu...eu!
Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. Todos são Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

(AMA, meditação sobre, Mc 12, 38-44, 2006)

Textos de Reflexão para 04 de Junho

Evangelho: Mc 12, 35-37

35 Continuando a ensinar no templo, Jesus tomou a palavra e disse: «Como dizem os escribas que o Cristo é filho de David? 36 O mesmo David inspirado pelo Espírito Santo diz: “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Senta-Te à Minha direita, até que Eu ponha os Teus inimigos debaixo dos Teus pés”.37 O própio David, portanto, chama-Lhe Senhor; como é Ele, pois, seu filho?». A numerosa multidão ouvia-O com gosto.

Meditação:

Senhor, como Te dou graças pela instrução e doutrina que tenho recebido. E também a Fé! As primeiras têm-me ajudado a compreender os mistérios da salvação redentora e a forma como a levaste a cabo. A segunda supre o que falta às outras: acredito mesmo sem entender, porque sei que Tu és a própria essência da Verdade. Nem umas nem outras podem estar isoladas, têm de coexistir. Saber doutrina para poder partilhar, ensinar, distribuir de graça o que de graça recebi. Fé, sólida, para informar tudo quanto sei e compreendo, e o que sei e não entendo, porque não me é dado entender os mistérios. Tu sabes mais, dar-me-ás sempre o que necessitar para mim e para os outros.

(AMA, Meditação Mc 12, 35-37, Porto, Junho, 2008)

Textos de Reflexão para 03 de Junho

Evangelho: Lc 9, 11b-17

11 Sabendo isto, as multidões foram-n'O seguindo. E as recebeu, falou-lhes do reino de Deus e curou os que necessitavam de cura. 12 Ora o dia começava a declinar. Aproximando-se d'Ele os doze, disseram-Lhe: «Despede as multidões, para que, indo pelas aldeias e herdades circunvizinhas, se alberguem e encontrem que comer, porque aqui estamos num lugar deserto». 13 Ele respondeu-lhes: «Dai-lhes vós de comer». Eles disseram: «Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a não ser que vamos comprar mantimento para toda esta multidão». 14 Pois eram quase cinco mil homens. Então disse aos discípulos: «Mandai-os sentar divididos em grupos de cinquenta». 15 Eles assim fizeram, e mandaram-nos sentar a todos.16 Tendo tomado os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, pronunciou sobre eles a bênção, partiu-os e distribuiu-os aos Seus discípulos, para que os servissem à multidão.17 Comeram todos e ficaram saciados. E recolheram do que sobrou doze cestos de fragmentos.

Meditação:

O Evangelista narra com tanta simplicidade um facto portentoso e extraordinário como se fosse um acontecimento comum e trivial. Naturalmente, São Lucas, conhecendo a vida de Jesus, os milagres espantosos das curas de doentes de todo o tipo, ressurreições de mortos a caminho do sepulcro ou com dias de sepultados, conta os factos com simplicidade, sem empolamentos nem entusiasmos. Compreendo o Evangelista mas sinto como que uma necessidade de “fazer contas”. Mas é tempo perdido e sem nenhuma conclusão. A minha admiração mais se confirma e o meu assombro só aumenta: “cinco pães e os dois peixes… uma multidãogrupos de cinquentacinco mil homens… doze cestos de fragmentos que sobraram…” Se, não, vejamos:
A “cinco mil homens”, corresponderão, pelo menos, 10.000 mulheres e, talvez, umas 5.000 crianças, ou seja, 20.000 bocas que ficaram saciadas. Mas não é tudo porque “recolheram do que sobrou doze cestos de fragmentos”. De que tamanho são os cestos, e os fragmentos dos pães e dos peixes?
Percebo perfeitamente que é “impossível fazer contas” com Jesus Cristo. Não se pode contabilizar a Misericórdia e a Bondade divinas que ultrapassam, sempre, tudo quanto podemos esperar.

(ama, meditação sobre Lc 9, 11b-17, 2010.06.22)

Textos de Reflexão 02 de Junho

Evangelho: Mc 12, 18-27

18 Foram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-n'O, dizendo: 19 «Mestre, Moisés deixou-nos escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar a mulher sem filhos, seu irmão tome a mulher dele e dê descendência a seu irmão.20 Ora havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu sem deixar filhos.21 O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar filhos. Do mesmo modo o terceiro.22 Nenhum dos sete deixou filhos. Depois deles todos, morreu também a mulher.23 Na ressurreição, pois, quando tornarem a viver, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher». 24 Jesus respondeu-lhes: «Não andareis vós em erro, porque não compreendeis as Escrituras, nem o poder de Deus? 25 Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem os homens tomarão mulheres, nem as mulheres maridos, mas todos serão como anjos do céu.26 Relativamente à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés, como Deus lhe falou sobre a sarça, dizendo: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob”? 27 Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Logo vós estais num grande erro».

Comentário:

‘Creio na ressurreição dos mortos’, é símbolo da minha fé que afirmo com o coração e a inteligência. Este acto de fé não deixa de precisar de alimento, que és Tu, Senhor, com a Tua Misericórdia e Bondade, vindo até mim na Santíssima Eucaristia. Que eu tenha presente, Senhor, esta realidade. Um dia, retomarei este meu corpo mortal e viverei para sempre. Que, essa vida, Senhor, seja a contemplação da Tua Face por toda a eternidade.

(AMA, meditação sobre Mc 12, 18-27, Porto, Maio 2008)

01/06/2010

MAS AS CRIANÇAS... SENHOR!!!


«Uma história, por favor!»

O Dia Mundial da Criança assinalado com um texto de Maria Teresa Maia Gonzalez escrito para este dia e para os leitores da Agência ECCLESIA.


Corbis
Um destes dias, ia sentada no autocarro atrás de uma menina e sua mãe, que tinha ido buscá-la à escola. Como a menina não fazia questão de falar baixo e o autocarro ia silencioso, não pude deixar de ouvir a conversa…
- Mãe, logo contas-me uma história antes de eu dormir?
A mãe não respondeu, mantendo-se virada para a paisagem que via pela janela. Assim, a filha voltou a pedir, desta feita com mais delicadeza:
- Mãe, logo à noite contas-me uma história, por favor?
 A jovem mãe da criança deu-lhe, então atenção:
- Ó Ana, tu sabes que eu não tenho cabeça para te contar histórias! Ando estafada, não vês?
- Mas era só uma história pequenina… - tornou a Ana, fazendo uma voz irresistível.
- Tu agora até já sabes ler! – atalhou a mãe.
- Pois, mas não é a mesma coisa – refilou a menina.
- Ora! Quando fores passar um fim de semana a casa do teu pai, pede-lhe a ele que te conte uma história, que ele deve andar mais folgado do que eu – replicou a mãe, já a impacientar-se.
A criança ficou algum tempo calada. Por fim, voltou à carga:
- É que o pai não tem tempo. Ele chega a casa quando eu já estou a dormir…
- Pedes-lhe que te conte a história de manhã – sugeriu a mãe, agora mais sensibilizada.
- Oh… De manhã o pai vai logo para o computador e, além disso tem de ser à noite!
A mãe não entendeu aquela lógica e, desviando novamente o olhar da janela, interessou-se:
- Mas, afinal, tem de ser à noite porquê?
- É que a minha professora disse que, quando ela era pequenina, o pai ou a mãe dela contavam-lhe uma história à noite e que isso a fazia sonhar!
- Ah, já estou a perceber… - disse, então, a mãe da Ana. – Tu queres é sonhar… E queres sonhar com quê, posso saber?
A menina voltou a ficar em silêncio. Depois, respondeu, como se falasse para si mesma:
 - Eu queria sonhar que o pai e tu tinham um bebé… E eu tinha um mano pequenino…
A mãe exasperou-se:
- Mas que coisa! Então tu não sabes que o teu pai escolheu a família dele, Ana?! Não falámos já tantas vezes sobre isso?!
- Sim… - respondeu a menina, em voz mais baixa, encolhendo-se no banco. – Mas o que eu queria saber é porque é que ele não me escolheu a mim…
A conversa terminou ali. Mãe e filha saíram do autocarro poucos minutos depois. Eu fiquei a olhá-las, pela janela, solidária com a perplexidade triste da menina, cuja pergunta (cheia de sentido e legitimidade) não obteve qualquer resposta.
E pensei: hoje, como ontem, ser criança deveria ser sinónimo de… ser feliz! Como seria bom se a Ana e todos os meninos e meninas do mundo não tivessem de pedir «por favor» uma história que lhes desse o direito a serem felizes, ainda que apenas no país dos sonhos!..

Textos de Reflexão 01 de Junho

Evangelho: Mc 12, 13-17

13 Enviaram-Lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que O apanhassem em alguma palavra.14 Chegando eles, disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és verdadeiro, que não atendes a respeitos humanos; porque não consideras o exterior dos homens, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade: É lícito pagar o tributo a César, ou não? Devemos pagar ou não?». 15 Jesus, reconhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: «Porque Me tentais? Trazei-Me um denário para Eu ver». 16 Eles o trouxeram. Então disse-lhes: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Responderam-Lhe: «De César». 17 Então Jesus disse-lhes: «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus». E admiravam-n'O.

Comentário:

A Tua imagem em mim, Senhor, que está impressa indelevelmente na minha alma, deve estar presente em todo o momento no meu espírito. Assim eu não serei capaz de Te ofender. Que eu não me esqueça, meu Senhor e meu Deus, que Te pertenço, que sou teu inteiramente e tudo faça por merecer o dom da vida.

(AMA, meditação, Mc 12, 13-17, Porto, Maio 2008)

31/05/2010

MEDITAÇÕES DE MAIO

31

MONSTRA TE ESSE MATREM

Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.
Como, apesar de tudo quanto não sou e deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.
Monstra te esse matrem!
Ajuda-me também a mostrar-me como teu filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: Recordare Virgo Mater Dei, dum steteris in conspectu Domini et loquaris pro me bona.

Ámen. 

Textos de Reflexão 31 de Maio

Evangelho: Lc 1, 39-56

39 Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá.40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.41 Aconteceu que, logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe no ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo; 42 e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre.43 Donde a mim esta dita, que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? 44 Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre.45 Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão-de cumprir as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor». 46 Então Maria disse: «A minha alma glorifica o Senhor; 47 e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, 48 porque olhou para a humildade da Sua serva. Portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão ditosa, 49 porque o Todo-poderoso fez em mim grandes coisas. O Seu nome é Santo, 50 e a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.51 Manifestou o poder do Seu braço, dispersou os homens de coração soberbo.52 Depôs do trono os poderosos, elevou os humildes.53 Encheu de bens os famintos, e aos ricos despediu de mãos vazias.54 Tomou cuidado de Israel, Seu servo, lembrado da Sua misericórdia; 55 conforme tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses; depois voltou para sua casa.

Meditação:

Aprenda eu, contigo, minha Mãe, a ser lesto na ajuda aos outros, pondo de lado as minhas ‘razões’, os incómodos, as dificuldades. Os outros, muitos, esperam por mim, para que lhes leve a palavra do teu Filho, para que lhes explique a Sua Vida, para que os ajude a ver a Luz que trouxe ao mundo.
Que não me fique agarrado á minha suposta ‘importância’, de considerar que não è ‘digna de mim’ esta ou aquela tarefa apostólica. Tu, a Mãe de Deus, deste-me o exemplo, como em tudo. Saiba eu, com a tua ajuda maternal, tudo fazer para o seguir.

(AMA, meditação, Enxomil, Maio 2008)

30/05/2010

Textos de Reflexão 30 de Maio

Evangelho: Jo 16, 12-15

12 Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis compreender agora.13 Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará no caminho da verdade total, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir.14 Ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.15 Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu vos disse que Ele receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.

Comentário:

Jesus continua a falar-lhes da Santíssima Trindade e, evidentemente, eles não podem abarcar completamente quanto lhes diz. Mas não importa, mesmo assim, o Senhor vai-lhes falando de todas essas coisas, porque, depois, quando o Espírito Santo vier, tudo se tornará claro e transparente. Então, recordados das palavras do Mestre, os Apóstolos verão com meridiana clareza tudo quanto precisam saber para fortalecer a sua fé e aumentar o seu amor e confiança em Jesus Cristo.

(ama, Comentário sobre Jo 16, 12-15, Março 2009)

MEDITAÇÕES DE MAIO

30

SALVE RAINHA

PARA QUE SEJAMOS DIGNOS DAS PROMESSAS DE CRISTO. AMÉM!

Sem a tua ajuda não conseguiremos porque não somos dignos. Com o teu auxílio seremos capazes de merecer o que o teu Filho tem reservado para nós.

(ama, 18ª meditação sobre a Salve Rainha)