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27/02/2015

Temas para meditar - 378


Silêncio


O silêncio é o clima que torna possível o pensamento profundo. Quem fala demasiado dissipa o coração e leva-o a perder tudo o que há de valioso no seu interior; é então como um frasco de perfume que, por estar destapado, perde o perfume, ficando apenas água e um ligeiro aroma a recordar vagamente o precioso conteúdo de outrora.


(federico suarezA Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 185)

23/05/2012

Chiu!

“Silêncio!” O Papa apela ao silêncio. Apanha-nos em pleno mergulho eufórico no mar das novas tecnologias, que estão “Inter mirifica”, entre as maravilhosas invenções da técnica (Vaticano II).

Um mar, de maré a encher. Ou vamos ter com ela, ou ela vem ter connosco. Cada dia a net gera 60 mil sites, 2 milhões de vídeos, 5 milhões de imagens. Hoje o facebook tem mais 460 mil perfis do que ontem.

O mar é um oceano de coisas boas, sobretudo se não lhe der para brincar aos tsunamis. Por isso, às vezes temos alerta, amarelo pelo menos.

Sabíamos que o português médio vê 25 horas de TV por semana. Isto é, em sete dias, um dia e uma noite de olhos na TV. Se esse português viver 70 anos, 10 (dez!) anos, dia e noite, vê TV. A TV mostra-lhe tudo: primaveras árabes, champôs, golos de trivela, tratados de paz, querida júlia e popotas. A imaginação corre o mundo; o corpo fica sentado.

As estatísticas dizem agora que está também uma hora por dia online. Enfim, o português médio quase é super-homem ou supermulher para aguentar tanto.

Os inventores prometem para breve surpreendentes simulações digitais de cheiros e de outras sensações. O melhor é habituar-se, porque a técnica gosta de cumprir promessas. Estaremos envolvidos na “realidade” virtual com a mesma envolvência da “realidade real”.

O Ricardo Araújo Pereira fez o retrato numa rábula antiga. O pai apanha o filho – uma joia de moço – a espetar-se com uma seringa num braço e diz: “come antes uma peça de fruta que te faz melhor, rapaz...”. E ele: “’tá bem, mas agora não, que estou a conversar com este gafanhoto gigante chamado José António”...

Boa observação. Se me sinto bem entre gafanhotos gigantes virtuais, porquê preferir a pera-rocha real? Porque é melhor a “realidade” que o “imaginário”?

O mundo “imaginário” são os infinitos pequenos mundos subjetivos. É um mundo criado pelo homem, espelho das suas limitações. O mundo real são as coisas comuns dadas a todos. É uma prenda do criador. Como as outras prendas, fala sobre quem dá e quem recebe. É um mundo criado por Deus, espelho do seu amor louco pelos homens.

O desafio é harmonizá-los para que a experiência virtual sirva e melhore a experiência real. Nisso, o silêncio conta muito. Compreende-se que Bento XVI olhe “com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem atual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus.”

Sítios desses, há alguns, como o “Evangelho Quotidiano” e o “Passo a rezar”. Contudo, o grande teste é procurar o silêncio “off line”.

Treinados no “pensamento produtivo”, o silêncio assusta-nos. Quando calamos algum tempo agitamo-nos, sentimo-nos inúteis, e desesperamos por, ao menos, um pouco de Antena 2. Temos os músculos do “pensamento contemplativo” atrofiados e esgotamo-nos em qualquer esforço.

Em 1998 um professor de jornalismo perguntou ao então cardeal como podem os jornalistas resistir às várias pressões, e Ratzinger respondeu: “parece-me importante que possam ter com certa regularidade um descanso em que possam respirar fundo. Umas temporadas em que possam recuperar o substrato intelectual, o substrato moral, que lhes permita ordenar de novo as suas ideias.”

O silêncio regenera. O silêncio é um ingrediente das espiritualidades orientais. Para o cristianismo, o silêncio é, porém, mais do que desligar emoções e amarras para imergir no nirvana da impassibilidade.

O silêncio sonha com um inesquecível encontro com Deus. “Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus.”

E desejar isso não é desejar demais? Podemos ambicionar tanto? Bento XVI falou aos céticos em Fátima: “Deus tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível”. Mas há uma condição: “para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma”. Torna-se crítico abrir uns minutos diários de solidão para robustecer a relação com Deus. Como? O “português médio” só em TV e net, tem muito por onde escolher.

O silêncio ajuda a abreviar a palavra e dizer o essencial. Disse Pascal: “o texto só me saiu longo, porque não tive vagar para o fazer mais curto”. Subscrevo sem relutância.

Pedro Gil, diretor Gabinete de Imprensa do Opus Dei

20/03/2012

Cultivar o silêncio

De vez em quando há que recordá-lo, necessitamos do silêncio, que permite entrar na interioridade, e que não é um vazio, mas uma Presença a que se atende por completo.

O silêncio... "dispõe ao recolhimento, à meditação e à oração, para favorecer o progresso espiritual mediante o escutar da voz divina no profundo da alma" (bento xvi, Audiência geral, 10-Agosto-2011).

No silêncio ouve-se Deus.

No silêncio percebe-se a beleza do criado.

No silêncio conhecemo-nos a nós próprios, vendo os pensamentos e imaginações, tocando o desejo mais íntimo.

No silêncio, vê-se a nossa própria verdade que salta para o primeiro plano da consciência.

No silêncio cresce-se.

"E o próprio facto de provar o silêncio, de deixar-se, por assim dizer, "encher" pelo silêncio, predispõe-nos à oração. O grande profeta Elias, no monte Horeb – quer dizer, o Sinai - sentiu a um vento de furacão, depois um terramoto, e por último viu chamas de fogo, mas não reconhecia neles a voz de Deus; reconheceu-a, contudo, numa brisa ligeira (cf. 1Re 19,11-13). Deus fala no silêncio, mas há que saber escutá-lo" (ibíd.).

Comecemos uma particular pedagogia do silêncio; menos ruído, calar-se mais, ir a uma igreja silenciosa e intimar ali com o Senhor e com a própria alma. Então, mediante o silêncio, seremos pacificados interiormente e robustecidos na experiencia da fé.

javier sánchez martínez, trad ama
                                                 

13/10/2011

BENTO XVI FAZ ELOGIO DO SILÊNCIO

Papa diz que a humanidade corre o risco de viver a «virtualidade» em vez da realidade.

Bento XVI deixou hoje um elogio aos mosteiros de clausura e ao “silêncio”, alertando para o risco de a “virtualidade” se sobrepor à “realidade” nas sociedades contemporâneas.

O progresso técnico, nomeadamente no campo dos transportes e das comunicações, tornou a vida do homem mais confortável, mas também mais frenética, por vezes convulsa”, nas cidades de hoje “raramente há silêncio”, mesmo durante a noite, e o desenvolvimento dos meios de comunicação “difundiu e ampliou um fenómeno que já se sentia nos anos 60: a virtualidade que se arrisca a dominar a realidade. (…)

Cada vez mais e sem perceber, as pessoas estão imersas numa dimensão virtual, por causa das mensagens audiovisuais que acompanham as suas vidas noite e dia 
Trata-se de uma tendência que sempre existiu, especialmente entre os jovens e nos contextos urbanos mais desenvolvidos, mas hoje alcançou um nível tal que se pode falar de mutação antropológica. Algumas pessoas já não são capazes de permanecer em silêncio e sozinhas. (…) 

O carisma da Ordem dos Cartuxos, cujos religiosos vivem em silêncio e na clausura, declarando que cada mosteiro, feminino ou masculino, é um “oásis”, mostrando à sociedade de hoje que “o silêncio e a solidão são necessários”. (…)

Estão no coração da Igreja, fazem correr nas suas veias o sangue puro da contemplação e do amor de Deus. (…) [i]

O Papa chegou à cidade de Serra São Bruno, na Calábria, sul de Itália, após uma viagem de helicóptero, naquela que foi a sua 25ª visita a localidades transalpinas.
Esta é uma localidade que se desenvolveu em volta da Cartuxa de Santo Estêvão, devendo o seu nome a São Bruno, fundador da Ordem dos Cartuxos, em 1084, na cidade francesa de Grenoble.

O religioso viria a morrer na Cartuxa da Serra São Bruno em Outubro de 1101, seis anos após a sua edificação.

Antes de visitar este local, o Papa encontrou-se com a população local na Praça de Santo Estêvão, elogiando o papel dos mosteiros católicos como “modelo de uma sociedade que põe no centro Deus e a relação fraterna”.

São Bruno
Referindo-se à Cartuxa como uma “cidadela do Espírito”, Bento XVI observou que a existência neste local, desde há mais de mil anos, de uma comunidade monástica que remonta a São Bruno “constitui uma constante lembrança de Deus, uma abertura para o Céu e um convite a recordar que somos irmãos em Cristo”.

O Papa referiu-se a um clima social em que “não é só Deus que é marginalizado, mas também o próximo, e as pessoas já não se empenham a favor do bem comum”.

“De facto, por vezes, o clima que se respira nas nossas sociedades não é sadio, está poluído por uma mentalidade que não é cristã, nem sequer humana, porque dominado por interesses económicos, preocupado apenas com as coisas terrenas e carecido de uma dimensão espiritual”, observou.

O momento final da viagem papal foi um encontro privado com a comunidade dos Cartuxos, no refeitório, com visita a uma cela e à enfermaria da casa religiosa.

INFORMAÇÕES MUITO BREVES  [De vez em quando] 2011.10.11


[i] Bento XVI, homilia da celebração de vésperas a que presidiu na Cartuxa local, erigida no século XI por São Bruno, fundador da Ordem Cartusiana.

07/02/2011

O silêncio de Cristo


Tema para breve reflexão
O silêncio de Cristo durante a Sua vida terrena não é de modo algum vazio interior, mas sim fortaleza e plenitude. Os que se queixam continuamente das contrariedades que padecem ou da sua má sorte, os que apregoam aos quatro ventos os seus problemas, os que não sabem sofrer calando uma injúria, os que se sentem urgidos a dar continuamente explicações do que fazem ou que deixam de fazer, os que necessitam de expor as razões e motivos das suas acções, esperando com ansiedade o louvor ou aprovação alheias..., deveriam olhar Cristo que cala. Imitamo-Lo quando aprendemos a levar as cargas e incertezas que toda a vida transporta consigo sem queixas estéreis, sem tornar participante delas todo o mundo, quando fazemos frente aos problemas pessoais sem os descarregar em ombros alheios, quando respondemos pelos próprios actos sem desculpas nem justificações de nenhum tipo, quando realizamos o trabalho pessoal olhando a perfeição da obra e da glória de Deus, sem procurar louvores...


(federico suarez, Las dos caras del silencio, revista Nuestro Tiempo., nr. 297-298, trad ama)

30/01/2011

Silêncio de Nazaré

Tema para breve reflexão
Oh silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, as disponibilidades para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor da preparação do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração secreta que só Deus vê. 




(paulo VIAlocução em Nazaré, 1964.01.05)