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12/01/2012

A difícil arte do diálogo 5

Para ser pessoa dialogante faz falta uma boa dose de sentido comum, naturalidade, humildade e amor à verdade. Por isso mesmo, surgem muitas desconfianças no povo quando o poder e os poderosos falam de diálogo, porque já se sabe como termina tudo. O auto-suficiente conversará, sustentará monólogos com maior o menor sentido mas, no final, revelará o dogmatismo do seu pensamento e a rigidez das suas actuações.

Aprendamos a difícil arte do diálogo tendo como exemplos os sucessores de Pedro antes mencionados. Transitar por esse caminho é edificar a “Igreja da nova evangelização”.

(Mons. João do Rio, trad ama)

11/01/2012

A difícil arte do diálogo 4

As características essenciais do verdadeiro diálogo são:

Clareza no que se expõe.

Afabilidade, para evitar os modos violentos ou agressivos.

Confiança, não tanto pelo valor da própria palavra como a disposição para a acolher por parte do interlocutor.

Prudência, para ter em conta as condições psicológicas, sociais e morais do que ouve, procurando adaptar-se razoavelmente, evitando ser incómodo ou incompreensível.

Quando falha alguma destas propriedades produz-se a deformação do diálogo, então temos o que se chama diálogo de surdos, diálogo estratégico, simples conversações, discussões, tertúlias, etc.

(Mons. João do Rio, trad ama)

10/01/2012

A difícil arte do diálogo 3

Agora bem, na cultura dominante,  o diálogo  é uma palavra “mágica”. Os políticos utilizam este termo constantemente; em muitas ocasiões com uma forte carga de ideologia, que é utilizada para neutralizar o adversário. Mas é evidente que as atitudes de diálogo são vitais nas relações familiares, sociais e eclesiais. Por isso é conveniente que aclaremos: O que é o diálogo? Quais são as suas propriedades e dimensões? Toda a conversação ou recepção de informação é diálogo?

O diálogo é a característica essencial da pessoa, que é “espírito encarnado” e está dotada de razão. A sua estrutura dialogal capacita-o para se abrir aos seus semelhantes e ao próprio Deus. Por isso, podemos definir o diálogo como o acontecimento relacional que tem por objecto a compreensão daquilo sobre o que se conversa, e daquele com quem se conversa. Agora bem, se tudo fosse expressão falada, o diálogo não seria nada. Para que haja colóquio é importante saber “o que se diz”, “como se diz” e “quem diz”. Quer dizer, entram no jogo as dimensões humanas do pensamento, da estética e da ética.

(Mons. João do Rio, trad ama)

09/01/2012

A difícil arte do diálogo 2

O actual pontífice bem poderia ser chamado o “Papa do diálogo”,  já que não se ficou pela a mera palavra, antes que saiu ao encontro de pensadores e divulgadores, de crentes de outros credos e daqueles que vivem  na indiferença religiosa oo no o ateísmo. O seu curto pontificado está repleto de gestos e sinais de diálogo com toda a humanidade. Algumas das suas últimas iniciativas falam-nos  dele: o “Pátio dos Gentios”, a criação do Conselho Pontifício para a “Nova Evangelização”, e a última Jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo a dois de Outubro em Assis.
Tudo isto é como consequência de que o cristianismo é a religião do diálogo, como diz a carta aos Hebreus: depois de falar Deus muitas vezes e de diversos modos antigamente (…) nestes dias últimos falou-nos por meio do seu Filho Jesus Cristo (He 1,1-2). A história da salvação narra precisamente este longo e variado diálogo, que nasce de Deus e tece com o homem um colóquio paciente e amoroso. Por isso mesmo, o diálogo pertence ao ser e à missão da Igreja e deve caracterizar o ofício ministerial, catequético, pastoral e missionário de todo o baptizado. Quando isto se dá tanto com “os que estão próximos como com os que estão longe” é um magnífico indicador da vitalidade e santificação da comunidade cristã.

(Mons. João do Rio, trad ama)

08/01/2012

A difícil arte do diálogo 1

Vai para cinquenta anos que o Papa Paulo VI na sua Carta Encíclica, Ecclesiam suam (Roma 1964) afirmava: “a Igreja deve ir para o diálogo com o mundo que lhe toca viver. A Igreja faz-se palavra: a Igreja faz-se mensagem; a Igreja faz-se colóquio” (nº 67). Não é algo que se tenha tornado antiquado, mas uma exigência da tarefa missionária de todos os tempos. Assim, o entendeu o Beato João Paulo II pondo-o de manifesto com o testemunho da sua vida e do seu magistério.

Bento XVI preocupado como o futuro do cristianismo e a inculturação da fé não os novos cenários da evangelização, põe “o dedo na ferida” numa das notas essenciais para dialogar com os homens do século XXI, a este respeito disse: “sabemos bem que para a gente de hoje a linguagem da fé amiúde está longe; só se pode próxima se nós não a transformarmos na linguagem do nosso tempo” (Disc.13/5/2005) Daí, que todos os seus ensinamentos tenham a profundidade do sábio e a simplicidade do pastor; do pai de família que sabe tirar “da arca o novo e o velho”  (Mt 13,52)  de maneira  que possa chegar ao maior número de pessoas.


(Mons. João do Rio, trad ama)