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12/03/2015

Reflectindo - 62

Sobre a felicidade 9

O que pode inibir a felicidade:

3 – Frustração

Em qualquer momento da sua vida, todos encontram uma situação em que alguma coisa “falhou”.
Um projecto por concretizar, algo que não apresentou os resultados esperados, a rejeição por outros de uma opinião ou postura pessoal… enfim, algo que a deixa com um sentimento a que se convencionou chamar frustração e que, na realidade, pode não passar de amor-próprio ferido.
Nestes casos verificam-se uma de duas situações, a pessoa tenta, insiste várias vezes até conseguir o que pretende ou, então desiste e põe o assunto de lado.
Se a primeira é boa, porque revela espírito sólido e convicção pessoal, já a segunda parece ter algo a ver com conformismo.
Só que, nem sempre, nenhuma das duas tem mérito, a primeira pode ser apenas teimosia, encarniçamento ou dificuldade de encarar a realidade, a segunda pode revelar um espírito realista e com capacidade de análise desapaixonada tentando encontrar a verdade ou, pelo menos, uma alternativa. E, seguramente, esta última parece ser mais conveniente.
Em qualquer dos casos, a felicidade pessoal anda arredada e não se verifica, pelo menos, enquanto o assunto não está resolvido de uma ou outra das maneiras mencionadas.
Além do mais, a frustração traz consigo, em maior ou menor escala, algum sofrimento que sempre condiciona o indivíduo e o impede de ser feliz.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


05/03/2015

Reflectindo - 61

Sobre a felicidade 8

O que pode inibir a felicidade:

2 – A solidão:

É contrário, intrinsecamente, ao ser humano ser solitário.
Os homens são seres eminentemente gregários, vivem em sociedade, da sociedade e para a sociedade. Alheando-se desta realidade fica a faltar-lhe algo absolutamente necessário para que possa completar-se como pessoa, rever-se no que faz, ter um sentido de vida.
É, já o dissemos, um dos problemas mais graves e, talvez também, recorrentes, dos dias de hoje.
A solidão imposta pelas circunstâncias da vida particular de cada um, contraria de forma gravíssima uma necessidade e tendência do ser humano: comunicar.
É significativo que haja por costume chamar à informação escrita ou falada, órgãos de comunicação social. E, a designação está de acordo com o que defendemos: a necessidade de intercâmbio entre as pessoas de ideias, factos, acontecimentos, formas de pensar ou se simples imaginação, seja quimérica ou inventiva, como no caso dos contos, histórias, novelas, romances, etc.
Que um homem só se completa quando tem um filho – assegura a propagação da sua espécie -, planta uma árvore – interfere activamente na criação – e escreve um livro – comunica aos outros algo que transporta dentro de si e quer tornar os outros participantes ou, pelo menos, conhecedores.
Inibida de qualquer uma destas coisas, a pessoa solitária não pode, definitivamente, ser feliz.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


26/02/2015

Reflectindo - 60

Sobre a felicidade 7

O que pode inibir a felicidade:

1 - O vício, adição ou dependência:

Qualquer vício ou adição trava de forma mais ou menos grave e duradoura a felicidade pessoal pelo simples facto de a própria liberdade pessoal estar gravemente afectada.
As opções de vida, ou melhor, da forma como se vive, estando condicionadas por uma dependência qualquer, impedem que se atinja a felicidade pessoal. Dizendo de outra forma, só se pode ser feliz se existir liberdade pessoal autêntica, total, sem reservas na própria idiossincrasia.
Logo, parece lógico, que a primeira coisa a fazer, é eliminar eficazmente essa dependência que pode até nem ser grave ou mesmo séria, mas que representa, sempre, uma fraqueza da vontade, quando não do carácter.
A pessoa reconhecendo o seu problema, quer resolvê-lo e, enquanto o não consegue, não pode ser feliz.
Quem diz que é feliz mesmo reconhecendo uma fraqueza pessoal não sabe, de facto, como o seria se não a tivesse.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


19/02/2015

Reflectindo - 59

Sobre a felicidade 6

Como fazer os outros felizes?

B – Fazê-los compreender como se pode ser feliz?

Parece-me a melhor opção, porque há muitas pessoas que não sabem ou estão enganadas a respeito do que é necessário para ser feliz.

Contudo, também aqui, existem duas premissas:

Primeira: Que eu saiba, com meridiana segurança o que pode tornar uma pessoa, qualquer pessoa, feliz.

Segunda: Que tenha a certeza do que, seguramente, pode inibi-la de ser feliz.

Evidentemente que a primeira depende inteiramente da segunda, donde, começaríamos por esta.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


01/01/2015

Reflectindo - 58

Sobre a felicidade 5

Volto à questão: Como fazer os outros felizes?

A - Proporcionar-lhes o que lhes falta?

Bom, para tal são necessárias duas coisas principais:

Primeira: que o outro saiba exactamente o que lhe falta para ser feliz?

Segunda: Que esteja ao nosso alcance suprir essa falta.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


03/05/2014

Reflectindo 17

Sobre a felicidade 4

Mas, e esta pergunta parece-me fulcral, como fazer os outros felizes?

É que, bem vistas as coisas, a felicidade está longe de ser um sentimento abstracto, indefinido mas, não é, isso de certeza, igual para todos.

Parece-me tão óbvio que até dispensaria mais comentários mas sempre direi, para melhor me fazer entender, que cada um tem – ou deveria ter – a sua própria felicidade. O que torna alguém feliz pode ser perfeitamente indiferente para outro.

(cont.)

ama, 2013


26/04/2014

Reflectindo 16

Sobre a felicidade 3

A questão séria e importantíssima é conseguir chegar ao ponto em que se considere fazer a pergunta necessária: ‘O que é, para mim, a felicidade?’
Surpreendentemente, ou talvez não, as respostas serão inúmeras e, nenhuma delas satisfatórias. Poderá até acontecer chegar-se a uma resposta aparentemente definitiva: “Eu sou feliz!”. Dura pouco, pouquíssimo, esta conclusão porque quase simultaneamente aparece no horizonte algo que está por atingir, por satisfazer, por alcançar e, então, essa tal resposta aparentemente definitiva: ‘Eu sou feliz!’ verá acrescentado, inevitavelmente um porém…

Isto porquê?

Porque a felicidade não é exclusiva, própria, particular mas, sempre colectiva; eu não posso, verdadeiramente, ser feliz se houver outros seres humanos que o não são. Mas, mais… o objectivo nunca é atingido na sua totalidade, há sempre algo que ainda faltará fazer e sucede que a insatisfação, pequena ou grande, que tal sentimento gera, impede a felicidade de se completar.

Tal não quer dizer que se seja infeliz. Não considero que a infelicidade não tenha que ver directamente com a felicidade porque, como acabei de dizer, quem se considera feliz porque atingiu um patamar de satisfação pessoal que assim o leva a considerar-se, tendo, como também disse, ânsias de ‘crescer’ na felicidade, não se considera infeliz por isso, bem pelo contrário, um pouco da sua felicidade reside directamente nesse sentimento, nesse reconhecimento, melhor dizendo, que poderá, talvez, fazer mais e melhor. Assim, o contrário de felicidade não é senão o egoísmo pessoal que impede ver a felicidade por atingir por outros e o que pessoalmente podemos fazer para os ajudar nesse sentido.

(cont.)

ama, 2013


19/04/2014

Reflectindo 15

Sobre a felicidade 2

Não haverá grandes hesitações considerar que o que a maioria – se não a totalidade – das pessoas procuram é a felicidade.

Este desejo absolutamente natural tem actualidade constante, isto é, desde a idade da razão em que a mente começa a equacionar situações, a avaliar acontecimentos a, no fim e ao cabo, examinar-se a si própria.

Esta procura tem diversas fases ao longo da vida e nunca se encontra uma situação em que se possa considerar como acabada, atingida, completamente satisfeita.

Esta disposição deriva directamente do desejo de infinito que anima qualquer ser humano.

(cont.)

ama, 2013


12/04/2014

Reflectindo 14

Sobre a felicidade 1

A felicidade consiste no conhecimento da verdade. [i]

A profundidade do pensamento do Doutor Angélico esmaga e assusta ao mesmo tempo.

Esmaga porque parece que tem um efeito definitivo, completo… nada resta por dizer.

Assusta – pelo menos numa primeira abordagem – porque para se ter acesso ao que declara liminarmente, é forçoso entrar pela Suma Teológica com dedicação e interesse de tal intensidade que, tememos – pelo menos tal acontece comigo – entrar numa espécie de vertigem analítica acabando por andar em círculos cada vez maiores como quando se atira uma pedra a um tranquilo lençol de água.

(cont.)

ama, 2013





[i] (São Tomás de Aquino Suma Teológica, Q. 3, a. 6.)