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06/05/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Jo 16, 20-23

20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria. 21 A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora, mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da sua aflição, pela alegria que sente de ter nascido um homem para o mundo. 22 Vós, pois, também estais agora tristes, mas hei-de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:



Uma vez mais se insiste na alegria.


Esta virtude tão desejável por todos os homens é particularmente “obrigatória” para o cristão que se sabe filho de Deus em Cristo e este conhecimento não pode senão gerar uma alegria tão intensa e profunda que nada nem ninguém – o próprio Senhor o afirma – poderá arrebatar-lhe.


(ama, comentário sobre Jo 16, 20-23, 2015.05.15)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO – CONFISSÕES

LIVRO DÉCIMO-TERCEIRO

CAPÍTULO XXXII

A criação

Graças te damos, Senhor! Vemos o céu e a terra, isto é, a parte superior e inferior do mundo material, assim como a criação espiritual e material. E, como adorno dessas partes que compõe o conjunto do Universo e o conjunto de toda a criação, vemos a luz que foi criada e separada pelas trevas. Vemos o firmamento do céu, tanto o que está situado entre as águas espirituais superiores e as águas materiais inferiores, como ainda esses espaços de ar, chamados também céu, onde volitam as aves do céu entre as águas que se evolam em vapores, e nas noites serenas se condensam em orvalho, e as que correm pesadas sobre a terra. Vemos a beleza das águas reunidas nas planícies do mar e a terra enxuta, ora nua, ora tomando forma visível e ordenada, mãe das plantas e das árvores. Vemos os luminares do céu brilhando acima de nós, o sol bastar para o dia, a lua e as estrelas consolando a noite, e todos esses astros marcando e assinalando a cadência do tempo. Vemos o elemento húmido habitado por peixes, monstros, animais alados, porque a densidade do ar que sustenta o voo dos pássaros é aumentada pela evaporação das águas. Vemos a face da terra embelezar-se de animais terrestres, e o homem, criado à tua imagem e semelhança, senhor de todos os animais irracionais, precisamente porque foi feito à tua imagem e se assemelha a ti, em virtude da razão e da inteligência. E como na alma humana há uma parte que domina pela reflexão e outra que se submete na obediência, assim a mulher foi criada fisicamente para o homem; é fora de dúvida que ela possui um espírito e uma inteligência racional, iguais aos do homem, mas o seu sexo coloca-a sob a dependência do sexo masculino; é desse modo que o desejo, princípio da acção, se submete à razão que concebe a arte do agir rectamente. Eis o que vemos, e que cada uma dessas coisas, tomadas por si, são boas, e que todas, no seu conjunto, são muito boas.

CAPÍTULO XXXIII

A matéria e a forma

Que as tuas obras te louvem para que te amemos! Que nós te amemos, para que as tuas obras te louvem! Elas têm o seu princípio e fim no tempo, o seu nascimento e morte, o seu progresso e decadência, a sua beleza e a sua imperfeição. Elas têm, portanto, sucessivamente a sua manhã e sua noite, umas ocultas; outras, manifestamente.

Foram feitas por ti do nada, não da tua substância, nem de nenhuma substância estranha ou inferior a ti, mas de matéria concriada, isto é, criada por ti ao mesmo tempo em que lhe deste forma, sem nenhum intervalo de tempo. Sem dúvida a matéria do céu e da terra é uma coisa, e a sua forma é outra; a tua matéria fizeste-a do nada, a forma, tu a tiraste da matéria informe.

Contudo, criaste uma e outra a um só tempo, de maneira que entre a matéria e a forma não houvesse nenhum intervalo de tempo.

CAPÍTULO XXXIV

Alegoria da criação

Também meditei sobre o significado simbólico da ordem pela qual se fez a tua criação e da ordem que a Escritura relata. Vimos que as tuas obras, consideradas uma a uma, são boas, e no seu conjunto, muito boas. No teu Verbo, no teu Filho único, vimos o céu e a terra, a cabeça e o corpo da Igreja, predestinadas antes de todos os tempos, quando ainda não havia nem manhã, nem tarde. Depois começaste a executar no tempo o que predestinaste antes do tempo, a fim de revelar os teus desígnios ocultos e de dar ordem às nossas desordens – porque pesavam sobre nós os nossos pecados, e nos perdíamos longe de ti em voragens de trevas. O teu Espírito misericordioso pairava sobre nós, para nos socorrer no momento oportuno. Justificaste os ímpios; tu os separaste dos pecadores e confirmaste a autoridade do teu Livro entre os superiores, que te eram dóceis, e os inferiores, para que a eles se submetessem. Reuniste num único corpo, com as mesmas aspirações, a sociedade dos infiéis, para que aparecesse o zelo dos fiéis fecundo em obras de misericórdia, e distribuindo aos pobres os bens da terra para adquirir os do céu.

Acendeste então os luzeiros no firmamento: os teus santos, que possuem a palavra de vida e brilham pela sublime autoridade dos seus dons espirituais. Depois, para difundir a fé entre as nações idólatras, fizeste com a matéria visível dos sacramentos os milagres bem perceptíveis, e determinaste as vozes das palavras sagradas, conformes ao firmamento do teu Livro, pelas quais seriam abençoados os teus fiéis. Formaste depois a alma viva dos fiéis, pela disciplina das paixões bem ordenadas e pelo vigor da continência. Por fim renovaste a alma, que não estava sujeita senão a ti, e que não tinha mais necessidade de nenhuma autoridade humana para imitar, a tua imagem e semelhança; submeteste, como a mulher ao homem, a actividade racional ao poder da inteligência. Quiseste que aos teus ministros que são necessários ao progresso dos fiéis nesta vida, que esses mesmos fiéis propiciassem o necessário para as suas necessidades temporais; obras valiosas de caridade, cujos frutos colherão no futuro. Vemos todas essas coisas, e todas são muito boas, porque tu as contemplas em nós, tu que nos deste o Espírito, para que por ele pudéssemos vê-las e amar-te nelas.

CAPÍTULO XXXV

Prece

Senhor Deus, tu que nos deste tudo, concede-nos a paz do repouso, a paz do Sábado, a paz do ocaso. De facto, esta formosíssima ordem de coisas muito boas, passará quando atingir o termo do seu destino, e terá a sua tarde como teve o seu amanhecer.

CAPÍTULO XXXVI

O repouso de Deus

O sétimo dia, porém, não tem crepúsculo; não entardece porque o santificaste para que se prolongue eternamente. E o repouso do teu sétimo dia, depois de ter criado tantas e tão boas obras, embora sem te causar fadiga, a palavra da tua Escritura anuncia-nos que também nós, depois de nossos trabalhos, que são bons porque assim no-lo concedeste, encontraremos o repouso em ti, no Sábado da vida eterna.

CAPÍTULO XXXVII

O repouso da alma

Então também repousarás em nós, como hoje opera em nós; e o repouso de que gozaremos será teu, como as obras que fazemos são tuas. Mas tu, Senhor, sempre estás activo e estás sempre em repouso. Tu não vês o tempo, não ages no tempo nem repousas no tempo; todavia, concede-nos que vejamos no tempo, fazes o próprio tempo e o repouso além do tempo.

CAPÍTULO XXXVIII

O descanso de Deus

Vemos, portanto, as tuas criaturas porque elas existem. Mas elas existem porque tu as vês. Olhando à nossa volta, vemos que elas existem; no nosso íntimo, vemos que são boas. Mas tu já as viste feitas quando e onde viste que deviam ser feitas. Agora somos inclinados a praticar o bem, depois que o nosso coração concebeu essa ideia no teu Espírito. Outrora estávamos inclinados ao mal, desertando de ti. Tu, porém, ó Deus, único bem, nunca cessaste de nos fazer o bem. Pela tua graça, algumas das nossas obras são boas, mas não são eternas. Esperamos, depois de realizá-las, repousar na tua grande santificação. Mas tu, que não precisas de nenhum outro bem, estás sempre em repouso, porque és teu próprio repouso.

Que homem poderá dar ao homem a compreensão desta verdade? Que anjo a outro anjo?

Que anjo ao homem? É a ti que devemos pedir, e em ti é que a devemos buscar, é à tua porta que devemos bater. E somente assim receberemos, somente assim encontraremos, somente assim se nos abrirá a tua porta.
FIM
Nota:

Stº Agostinho

Nunca deixou de me espantar o raciocínio lógico e conclusivo que torna simples e entendíveis as verdades da fé, a magnitude do "pensamento" divino, a impecável sabedoria do arquitecto da criação.

Nunca esquecendo o seu passado de vida algo desregrada e, até libertina, faz parecer que tenha sido necessário para encontrar o verdadeiro caminho.
As suas 'CONFISSÕES'' são de uma autenticidade chocante porque revelam o que verdadeiramente deve ser um coração humilhado e contrito.

Doutor da Igreja porque, verdadeiramente, ensina e faz doutrina.
Ensina com clareza, sem deixar a mais ínfima margem para a dúvida; doutrina com total segurança e certeza dizendo sempre o que é, como é, como deve ser.
Santo Agostinho tem uma dimensão gigantesca que, apesar do muito que se tem dito e escrito está ainda muito longe de esgotar-se.

Apetece-me dizer-te, Senhor, como ele: O meu coração está feito por Ti e para Ti e só se saciará quando estiver cheio de Ti. [1]

Santo Agostinho é um mestre da introspecção, do exame pessoal profundo e implacável. Estabelece como que um diálogo íntimo onde se coloca perguntas a si próprio e procura as respostas na visão de Deus.

De facto, o exame é um diálogo expressivo e vivo com o Criador.

As soluções que encontra, as respostas que obtém, estão sempre numa certeza insofismável de que lhe vêm de Deus. E espanta-se como a sua pessoa merece tal cuidado e interesse do Omnipotente, aniquilando-se e reduzindo-se a uma criatura pecadora, admite contudo que Deus lhe faça ver as verdades da fé, não porque o mereça mas porque Deus é infinitamente misericordioso.

No seu raciocínio procura respostas para tudo, tudo questiona, tudo analisa. Põe a nu uma mentalidade complexa fruto de toda uma vida de choques constantes entre a forma como a vivia e desejo de viver uma vida nova.

Sem dúvida que oração constante de sua Mãe, Santa Mónica, estará na "base" da sua conversão.

O grande problema que enfrentava era querer compreender para poder aceitar.
Como que resiste até ao último momento porque quer ter certezas, conclusões indiscutíveis e definitivas.

Finalmente percebe que o que pretende não está ao alcance do ser humano porque se trata de mistérios da Fé. Não se "entrega" sem luta mas compreende, finalmente, que se enfrenta com um dilema: tornar-se cristão recebendo o Baptismo assumindo assim a sua total dependência do Criador ou continuar na luta interior que tem vindo a travar.

E também entende que não tem - a sua mentalidade e espírito analítico não lhe permitem pensar de outro modo - não tem alternativa para o que procura - e portanto, adere à religião cristã, incorpora-se na Igreja.

A seriedade com que o faz é paradigma do seu pensamento, da dita maneira de enfrentar a vida.

Santo Agostinho é, sobretudo, um homem sério e de uma honestidade pessoal a toda a prova.

Expõe as suas dúvidas e ele próprio procura as respostas não dando tréguas a um "sistema escalpelizante", que se caracteriza por avanços progressivos de questão em questão.

Não dá um passo no seu processo de análise pessoal sem estar seguro do passo anterior estar bem assente,  resolvido.


Num processo longo mas contínuo vai como que despindo a roupagem da sua sabedoria e reduzindo a sua pessoa a um simples ser vivo absolutamente dependente do Criador.

Pede constantemente ao Senhor que o ilumine para que possa seguir em frente deixando "resolvidas" as questões que se lhe colocam.

Este homem de inteligência poderosa não tem qualquer pejo em considerar-se ignorante face à absoluta Sabedoria de Deus.


Acabará por chegar a um estado de intimidade com Deus tão profundo e completo que não tenho qualquer dúvida em considerar como estado de santidade.


Para mim, aparte tudo o mais, Santo Agostinho é o exemplo de seriedade intelectual e honestidade de pensamento. Não se impondo limites nas questões interroga sobre tudo em que não está absolutamente seguro, das coisas mais simples às mais elevadas, das evidências dos mistérios porque considera e com razão, que o Senhor tem todas as respostas e que não deixará de lhas dar, não por seu mérito mas pela Sua Misericórdia.


É talvez o maior exemplo do acatamento das palavras de Jesus: batei à porta e abrir-se-vos-á, procurai e encontrareis.


Aconselho vivamente a leitura dos seus livros, nomeadamente “Confissões” e “Cidade de Deus”, uma leitura detida e pautada por um sincero desejo de aprender as verdades da nossa Fé.

ama, 2016






[1] Enxomil, 2010.02.24

15/05/2015

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana VI da Páscoa

Evangelho: Jo 16 20-23

20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria. 21 A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora, mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da sua aflição, pela alegria que sente de ter nascido um homem para o mundo. 22 Vós, pois, também estais agora tristes, mas hei-de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:

Comento este trecho do Evangelho de São João sob o olhar maternal da Virgem de Fátima cuja imagem contemplo na “Capelinha”.

E… parece-me muito a propósito o texto neste local onde veem de todas as partes do mundo milhares de pessoas que vêm agradecer e pedir.

Quantos vergados ao peso das dificuldades, da dor, do desânimo e ansiedade encontram neste lugar santo a superação do que os aflige, a calma e paz que lhes têm faltado, recuperando a esperança e a confiança.

É verdade… vêm-se muitos olhos marejados de lágrimas e posturas como que esmagadas pela dor mas, basta olhar com “olhos de ver”, não se vêm sinais de tristeza!
Bem ao contrário há como que uma alegria latente nos semblantes e, sobretudo uma paz serena e confiada.

A Senhora a tudo preside, tudo recebe nas suas mãos amorosas para as levar ao Seu Filho Jesus!

Como não confiar?!

(ama, Fátima, comentário sobre Jo 16, 20-23, 2014.05.30)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



xiv o espírito das bem-aventuranças

        É doutrina comum considerar que as Bem-Aventuranças recolhem e expressam toda a novidade que o espírito que Cristo revelou, do espírito da «nova criatura» que há-de ser a do cristão.
Portanto podemos dizer que as Bem-Aventuranças são a manifestação mais plena da verdadeira vida cristã, a consumação dos mandamentos.

        «O Decálogo, o Sermão da Montanha e a catequese apostólica descrevem-nos os caminhos que conduzem ao Reino dos Céus.
Avançamos por eles passo a passo mediante os actos de cada dia sustentados pela graça dos Espírito Santo.
Fecundados pela Palavra de Deus damos lentamente frutos na Igreja para a glória de Deus» ([1]).

        A Graça, uma vez mais recordamos, acrescenta no homem a condição de Filhos de Deus em Cristo Jesus à condição de criatura e da origem a um novo modo de viver que converte o humano em cristão, em divino sem deixar de ser completamente humano; mais, sendo ao mesmo tempo completamente humano.

        Este novo modo do viver cristão manifesta a sua «novidade» relativamente ao viver como criatura do homem religioso que quer dar glória a Deus.
A «novidade» é viver os Mandamentos com o novo espírito que Cristo nos manifestou no mandamento novo», com os espírito das Bem-Aventuranças.

        Existe algum contraste entre os Mandamentos e as Bem-Aventuranças?
As Bem-Aventuranças formam uma nova lei que substitui os Mandamentos ou, pelo menos, os relega para um segundo plano?
Se Cristo diz que quem O ama é aquele que cumpre os Mandamentos porquê ao enunciar as Bem-Aventuranças sublinha especialmente a felicidade que alcançam os que a vivem e não faz menção ao amor que lhe manifestam?

        A «novidade» que assinalámos realmente não supõe nenhum contrate entre Mandamento e Bem-Aventurança antes «plenitude»: os Mandamentos têm a sua realização plena nas Bem-Aventuranças.

        Não é difícil descobrir que os modos de viver anunciados e abençoados com a promessa das Bem-Aventuranças não podem nunca ser o fruto nem da vontade do homem nem da clarividência da inteligência.
O homem é incapaz de vislumbrar a felicidade num comportamento que por vezes se apresenta com facetas que ainda que não contradigam as suas tendências naturais lhe abrem uns horizontes novos totalmente inesperados que por vezes tornam difícil descobrir a felicidade escondida nessas exigências.

        Já os filósofos gregos descobriram a felicidade  no comportamento virtuoso, e o Livro da Sabedoria no Antigo Testamento também reflecte essa perspectiva do actuar humano.
«Mais vale não ter luxos e possuir a virtude porque a memória desta é imortal Deu e os homens estimam-na igualmente» ([2]).
Mas quem poderá ter chegado a pensar na felicidade dos «mansos», dos «misericordiosos»?

        Com efeito, o enunciado das Bem-Aventuranças manifesta-nos o «novo modo de viver cristão» somente possível de se desenvolver com as mesmas disposições que Cristo nos ensinou:
«Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração» ([3]); e «Dou-vos um Mandamento Novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» ([4]).
Sem estas disposições fundamentais é impossível que a Graça conclua o seu trabalho de conversão, que o espírito da Bem-Aventuranças deite raízes no espírito do homem.

        Como enraizar na alma essas disposições?
Ainda que este processo de conversão vá ser objecto da Segunda Parte adiantamos agora uma brevíssima reflexão.

        O primeiro passo da conversão para ser nova criatura é uma conversão de fé.
Como Abraão acreditou em Deus e lhe foi imputada a justiça ([5]), assim também o cristão acredita na palavra de Cristo e espera contra toda a esperança a realização da promessa contida em cada uma das Bem-Aventuranças: «o reino dos céus», «serão consolados», «alcançará misericórdia», «serão chamados filhos de Deus».

        Essa conversão de fé, e a esperança que a fé origina e sustém, só é possível de alcançar na contemplação amorosa de Deus, no seu rosto, que é Cristo: «O que me viu a Mim viu o Pai» ([6]).

        «Olharão para O que trespassaram».
Zacarias tinha anunciado esta contemplação de Cristo, João situa-a num primeiro momento, ao pé da cruz ([7]) e numa segunda reflexão passados dois anos e ante Cristo que nos lavou os nossos pecados com o seu sangue afirma que «todo o olho O verá até os que O trespassaram e por Ele farão luto todas as nações» ([8]).

        Contemplar Cristo crucificado, morto e ressuscitado é a caridade que nos leva à conversão na «dor» dos nossos pecados, que nos consolida na esperança porque «nos lavou dos nossos pecados».
E a Caridade faz-nos compreender que Jesus Cristo é o modelo vivo do Bem-aventurado, do homem renascido em Deus para sempre, da «nova criatura» que o Espírito Santo anseia engendrar em cada cristão.

        Quando mencionamos os motivos da Encarnação do Senhor recordamos entre eles o que há-de «ser para nós um modelo e exemplo de vida».
«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim» ([9]).
Ele é com efeito o modelo das Bem-Aventuranças e a norma da nova lei: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei ([10]). Este amor tem como consequência a efectiva de si mesmo» ([11]).

        Toda a vida verdadeiramente cristã começa com um encontro com Cristo que é o Caminho, enraíza na alma quando o olhar de Cristo que é o Caminho, que é a Verdade. Descobre os mistérios insondáveis de Deus Pai, Filho, Espírito Santo e essa vida cristã cresce e desenvolve-se com o amor de Cristo e a Cristo que é Vida, quando conseguimos atingir que Ele deu a Sua vida por nós na esperança de que assim nos convençamos do seu Amor e de que nos transmitiu a Sua vida nos Sacramentos.

        Podemos dizer que só contemplando o viver de Cristo e só na perspectiva do amor de Cristo, e com as mesmas disposições de humildade e de mansidão que Ele viveu como acabamos de recordar, é possível compreender os espírito das Bem-Aventuranças e considerar a vida oculta nas Bem-Aventuranças com a plenitude vital e existencial do homem humano-cristão e assim abrir o espírito para o nascimento definitivo de Cristo em nós.

        Para nos facilitar a compreensão do sentido do enunciado de cada bem-aventurança recordemos s apresentação das promessas de Cristo na versão e na ordem recolhida por S. Mateus ([12]).
Sem esquecer que esse capítulo do Evangelho conclui com a frase que indica a vigência para todos os cristãos, para todos os homens, da verdade e da vida de cada uma e de todas as Bem-Aventuranças: «Vós, pois, sede perfeitos, como o vosso Pai celestial é perfeito» ([13]).

        «Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus.
        Bem-aventurados os que choram porque serão consolados
        Bem-aventurados os manso porque possuirão a terra
        Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados
        Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia
        Bem-aventurados os limpos de coração porque verão a Deus
        Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus
        Bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça porque deles é o reino dos céus».

        São Mateus conclui a enumeração com uma nova Bem-Aventurança que de certo modo podemos considerar como o resumo ou pelo menos com umas palavras que se podem aplicar a todas as Bem-Aventuranças:

        «Bem-aventurados sereis quando vos injuriem, vos perseguirem e mentido digam toda a classe de mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande nos céus a vossa recompensa: da mesma forma perseguiram os profetas que os precederam».

        O Senhor anuncia esta nova vida a pessoas que já têm algum conhecimento dele e da sua doutrina ainda que pareça lógico pensar que a familiaridade dos discípulos com as palavras de Cristo era muito ténue e, nalguns casos, quase inexistente.
Todavia, de entre a multidão dos ouvintes alguns já são verdeiros discípulos escutaram-no em diferentes ocasiões e entre eles estarão aqueles que pouco tempo depois elegerá como Apóstolos.

        Sem fazer qualquer distinção entre uns e outros comunica a todos o seu desejo de que sejam os primeiros aquelas palavras em prática

        Como o faz e porquê?


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Catecismo, n. 1724
[2] Sab 4, 1
[3] Mt 11, 19
[4] Jo 13, 34
[5] Cfr. Rom 4
[6] Jo 14, 9
[7] Jo 19, 17
[8] Ap 1, 7
[9] Jo 14, 6
[10] Jo 15, 12
[11] Catecismo, n. 459
[12] Mt 5, 3-12
[13] Mt 5, 48

30/05/2014

Evangelho diário, comentário, Leitura espiritual (Enc Mater et Magistra 199- 224)

Tempo de Páscoa
VI Semana
Evangelho: Jo 16,20-23.

20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria. 21 A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora, mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da sua aflição, pela alegria que sente de ter nascido um homem para o mundo. 22 Vós, pois, também estais agora tristes, mas hei-de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:

Manter a alegria é, por vezes, difícil. Não são só as dificuldades da vida, as vicissitudes, os problemas. Não!

A nossa condição humana, fraca e débil, arrasta-nos para o pecado e, quando cedemos à tentação – e são muitas – instala-se uma tristeza interior fruto do fracasso.
Porém, devemos ter em conta que é isso exactamente o que o tentador pretende: retirar-nos a alegria de filhos de Deus.

Cair, fracassar… pode ser grave ou, até, muito grave, mas a tristeza daí proveniente não deve demorar, não podemos consentir que se instale.

Temos o remédio – infalível – para tal: pedir perdão, confessar o erro, retomar a VIDA.

Esta ‘farmácia’ chama-se confessionário. É lá que encontraremos o que precisamos, o remédio infalível!

(ama, comentário sobre Jo 16, 20-23, 2013.05.10)

Leitura espiritual
Doc. do Conc. Vatic. II

CARTA ENCÍCLICA
MATER ET MAGISTRA
DE SUA SANTIDADE JOÃO XXIII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR, EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA, BEM COMO A TODO O CLERO E FIÉIS DO ORBE CATÓLICO

SOBRE A RECENTE EVOLUÇÃO DA QUESTÃO SOCIAL À LUZ DA DOUTRINA CRISTÃ

TERCEIRA PARTE

NOVOS ASPECTOS DA QUESTÃO SOCIAL

EXIGÊNCIAS DE JUSTIÇA NAS RELAÇÕES ENTRE PAÍSES DE DIFERENTE PROGRESSO ECONÓMICO

O problema da época moderna

INCREMENTOS DEMOGRÁFICOS E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

COLABORAÇÃO EM PLANO MUNDIAL

Dimensões mundiais dos problemas humanos importantes

199. Os progressos científicos e técnicos multiplicam e reforçam, em todos os sectores da convivência, as relações entre os países, tornando a sua interdependência cada vez mais profunda e vital.

200. Por conseguinte, pode dizer-se que os problemas humanos de alguma importância – qualquer que seja o seu conteúdo, científico, técnico, económico, social, político ou cultural, apresentam hoje dimensões supranacionais e muitas vezes mundiais.

201. Assim, as comunidades políticas, separadamente e com as próprias forças, não têm já possibilidade de resolver adequadamente os seus maiores problemas dentro de si mesmas, ainda que se trate de nações que sobressaem pelo elevado grau e difusão da cultura, pelo número e actividade dos cidadãos, pela eficácia dos sistemas económicos, e pela extensão e riqueza dos territórios. Todas se condicionam mutuamente e pode, mesmo, afirmar-se que cada uma atinge o próprio desenvolvimento, contribuindo para o desenvolvimento das outras. Por isso é que se impõem o entendimento e a colaboração mútuos.

Desconfiança recíproca

202. Assim se pode entender como, entre os indivíduos e os povos, vai ganhando cada vez mais terreno a persuasão da necessidade urgente daquele entendimento e colaboração. Ao mesmo tempo, porém, parece que os homens, particularmente os que têm maiores responsabilidades, se mostram incapazes de realizar tanto um como a outra. A raiz dessa incapacidade não se busque em razões científicas, técnicas ou económicas, mas na falta de confiança mútua. Os homens, e por consequência os Estados, temem-se uns aos outros. Cada um teme que o vizinho alimente intenções de domínio e espreite o momento de levar a efeito tais propósitos. Por isso, organiza a própria defesa, quer dizer, arma-se, enquanto vai declarando que o faz, mais para dissuadir o agressor hipotético de algum ataque efectivo, do que para agredir.

203. E deste modo, empregam-se imensas energias humanas e meios gigantescos para fins não-construtivos, ao mesmo tempo que se insinua e robustece, entre indivíduos e povos, um sentimento de mal-estar e de opressão, que debilita o espírito de iniciativa, impedindo empreendimentos de maior envergadura.

Desconhecimento da ordem moral

204. A falta de confiança mútua explica-se com o facto de os homens, sobretudo os mais responsáveis, se inspirarem, no desenvolvimento da sua actividade, em concepções da vida diferentes ou radicalmente contrárias entre si. Algumas, infelizmente, não reconhecem a existência da ordem moral: ordem transcendente, universal e absoluta, de igual valor para todos. Deste modo impossibilitam-se o contacto e o entendimento pleno e confiado, à luz de uma mesma lei de justiça, admitida e observada por todos.

205. Verdade é que os termos "justiça" e "exigências da justiça" continuam a andar na boca de todos. Mas têm significados diversos ou opostos para uns e para outros. E é por isso que os apelos, repetidos e apaixonados, à justiça e às exigências da justiça, longe de oferecerem possibilidades de contacto ou de entendimento, aumentam a confusão, agravam as diferenças, e tornam mais acesas as contendas. Daí, espalhar-se a persuasão de que não há outro meio para fazer valer os direitos próprios e conseguir os próprios interesses, que não seja o recurso à violência, fonte de males gravíssimos.

Deus, verdadeiro fundamento da ordem moral

206. A confiança recíproca entre os homens e os Estados só pode nascer e consolidar-se através do reconhecimento e do respeito pela ordem moral.

207. A ordem moral não pode existir sem Deus: separada dele, desintegra-se. O homem, pois, não é formado só de matéria, mas é também um ser espiritual, dotado de inteligência e liberdade. Exige, portanto, uma ordem moral e religiosa, que, mais do que todos e quaisquer valores materiais, influi na direcção e nas soluções que deve dar aos problemas da vida individual e comunitária, dentro das comunidades nacionais e nas relações entre estas.

208. Foi dito que, na era dos triunfos da ciência e da técnica, os homens podem construir a sua civilização, prescindindo de Deus. A verdade é que mesmo os progressos científicos e técnicos apresentam problemas humanos de dimensões mundiais, apenas solúveis à luz de uma sincera e activa fé em Deus, princípio e fim do homem e do mundo.

209. Veremos estas verdades confirmadas se repararmos que, até os ilimitados horizontes abertos pela investigação científica contribuem para que se revigore nos espíritos a persuasão de que as ciências e a matemática, se podem descobrir os fenómenos, estão longe de abranger, e, menos ainda, de penetrar completamente os aspectos mais profundos da realidade. E a trágica experiência de gigantescas forças, que, postas ao serviço da técnica, tanto podem utilizar-se para construir como para destruir, põe em evidência a importância suprema dos valores do espírito e mostra que o progresso científico e técnico há-de conservar o seu carácter essencial de meio para a civilização.

210. O sentimento de progressiva insatisfação, que se difunde nos países de alto nível de vida, desfaz a ilusão do sonhado paraíso terrestre. E, ao mesmo tempo, vão os homens tomando consciência cada vez mais clara dos direitos invioláveis e universais da pessoa, e vai-se tornando mais viva a aspiração a estreitar relações mais justas e mais humanas. Todos estes motivos contribuem para que a humanidade se dê mais plena conta das suas limitações e se volte para os valores do espírito. O que não pode deixar de ser feliz presságio de sinceros acordos e fecundas colaborações.

 QUARTA PARTE

A RENOVAÇÃO DAS RELAÇÕES DE CONVIVÊNCIA NA VERDADE,
NA JUSTIÇA E NO AMOR

Ideologias defeituosas e erróneas

211. Depois de tantos progressos científicos e técnicos, e mesmo em virtude deles, subsiste ainda o problema de se renovarem relações de convivência em equilíbrio mais humano, tanto no interior de cada país, como no plano internacional.

212. Com este fim, elaboraram-se e difundiram-se diversas ideologias na época moderna. Algumas já se dissiparam, como névoa ao contato do sol; outras sofreram e sofrem revisões substanciais; outras ainda, enfraqueceram bastante, e vão perdendo cada vez mais o seu poder de fascinação no espírito dos homens. A razão de tal declínio está em que estas ideologias consideram apenas alguns aspectos do homem, e, frequentemente, os menos profundos, pois não tomam em conta as imperfeições humanas inevitáveis, como a doença e o sofrimento, que não podem ser eliminados nem sequer pelos sistemas económicos e sociais mais avançados. Além disso, há a profunda e inextinguível exigência religiosa, que se nota sempre e em toda a parte, mesmo quando é conculcada pela violência ou habilmente sufocada.

213.O erro mais radical na época moderna é considerar-se a exigência religiosa do espírito humano como expressão do sentimento ou da fantasia, ou então como produto de uma circunstância histórica, que se há de eliminar como elemento anacrônico e obstáculo ao progresso humano. Ora, é precisamente nesta exigência que os seres humanos se revelam tais como são verdadeiramente: criados por Deus e para Deus, como exclama Santo Agostinho: "Foi para ti, Senhor, que nos fizeste; e o nosso coração está insatisfeito, até que descanse em ti". [37]

214. Portanto, qualquer que seja o progresso técnico e económico, não haverá no mundo justiça nem paz, enquanto os homens não tornarem a sentir a dignidade de criaturas e de filhos de Deus, primeira e última razão de ser de toda a criação. O homem, separado de Deus, torna-se desumano consigo mesmo e com os seus semelhantes, porque as relações bem ordenadas entre homens pressupõem relações bem ordenadas da consciência pessoal com Deus, fonte de verdade, de justiça e de amor.

215. É certo que a perseguição desencadeada há decénios em muitos países, mesmo de civilização cristã antiga, contra tantos irmãos e filhos nossos, os quais, exactamente por essa razão, nos são queridos de modo especial, põe cada vez mais em evidência a nobre superioridade dos perseguidos e a refinada barbárie dos perseguidores; o que, se não produz ainda frutos visíveis de arrependimento, leva já muita gente a reflectir.

216. Fica sempre de pé a verdade de que o aspecto mais sinistramente típico da época moderna consiste na tentativa absurda de se querer construir uma ordem temporal sólida e fecunda prescindindo de Deus, fundamento único sobre o qual ela poderá subsistir; e querer proclamar a grandeza do homem, secando a fonte donde ela brota e se alimenta, e isto através da repressão, e, se fosse possível, da extinção das aspirações íntimas do homem, no sentido de Deus. Todavia, a experiência quotidiana, no meio dos desenganos mais amargos e não raras vezes através do testemunho do sangue, continua a mostrar a verdade do que arma o livro inspirado: "Se Iahweh não constrói a casa, em vão labutam os seus construtores" (Sl 126,1).

Perene actualidade da doutrina social na Igreja

217.A Igreja apresenta e proclama uma concepção sempre actual da convivência humana.

218. Como se conclui do que dissemos até agora, o princípio fundamental desta concepção consiste em, cada um dos seres humanos, ser e dever ser o fundamento, o fim e o sujeito de todas as instituições em que se expressa e realiza a vida social: cada um dos seres humanos considerado na realidade daquilo que é e que deve ser, segundo a sua natureza intrinsecamente social, e no plano divino da sua elevação à ordem sobrenatural.

219. Deste princípio básico, que defende a dignidade sagrada da pessoa, o magistério da Igreja, com a colaboração de sacerdotes e leigos competentes, formulou, especialmente neste último século, uma doutrina social. Esta indica com clareza o caminho seguro que leva ao restabelecimento das relações de convivência social segundo critérios universais correspondentes à natureza, aos diversos âmbitos de ordem temporal, e às características da sociedade contemporânea, e precisamente por isto, aceitáveis por todos.

220. Mas hoje, é mais do que nunca indispensável que esta doutrina seja conhecida, assimilada e aplicada à realidade nas formas e na medida que as situações diversas permitem ou reclamam. Tarefa árdua, mas nobilíssima, para cuja realização convidamos instantemente não só os nossos irmãos e filhos espalhados pelo mundo inteiro, mas todos os homens de boa vontade.

Instrução

221. De novo afirmamos, e acima de tudo, que a doutrina social cristã é parte integrante da concepção cristã da vida.

222. Embora saibamos, com prazer, que esta doutrina já de há muito é proposta em vários institutos, insistimos na intensificação de tal ensino, por meio de cursos ordinários e em forma sistemática, em todos os seminários e em todas as escolas católicas de qualquer grau que sejam. Inclua-se também nos programas de instrução religiosa das paróquias e das associações do apostolado dos leigos; propague-se através dos meios modernos de difusão: imprensa diária e periódica, obras de vulgarização e de carácter científico, rádio e televisão.

223. Para a sua difusão muito podem contribuir os nossos filhos do laicado, com o desejo de aprenderem a doutrina, com o zelo em a fazerem compreender aos outros e com a prática da mesma, impregnando dela as próprias actividades de ordem temporal.

224. Não esqueçam que a verdade e a eficácia da doutrina social católica se manifestam, sobretudo, na orientação segura que oferecem à solução dos problemas concretos. Desta maneira, conseguir-se-á chamar para ela a atenção dos que a desconhecem, ou mesmo a combatem por a desconhecerem; e talvez se consiga até que no espírito de alguns se faça luz.

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Notas:
[36] Carta Encíclica Summi Pontificatus: AAS, 31 (1939), pp 428-429.
[37] Confissões 1, 1.