13/06/2014

Jesus Cristo e a Igreja 18

Pode negar-se a existência histórica de Jesus?

Na actualidade, as análises históricas mais rigorosas coincidem em afirmar com toda a certeza – inclusivamente prescindindo por completo da fé e do emprego das fontes históricas cristãs para evitar qualquer possível desconfiança – que Jesus de Nazaré existiu; viveu na primeira metade do século primeiro; era judeu; habitou a maior parte da sua vida na Galileia; formou um grupo de discípulos que o seguiram; suscitou fortes adesões e esperanças pelo que dizia e pelas acções admiráveis que realizava; esteve na Judeia e em Jerusalém pelo menos uma vez, por ocasião da festa da Páscoa; foi visto com receio por parte de alguns membros do Sinédrio e com cautela por parte da autoridade romana, pelo que no fim foi condenado à pena capital pelo procurador romano da Judeia, Pôncio Pilatos; e morreu cravado numa cruz. Depois de morto, o seu corpo foi colocado num sepulcro, mas ao fim de alguns dias, o cadáver já não estava aí.
O desenvolvimento contemporâneo da investigação histórica permite considerar como provados, pelo menos esses factos, o que não é pouco para um personagem de há vinte séculos. Não há evidências racionais que garantam com maior segurança a existência de personagens como Homero, Sócrates ou Péricles – citando apenas alguns muito conhecidos – do que a que outorgam as provas da existência de Jesus. E inclusivamente o número de dados objectivos, criticamente contrastáveis, que se têm sobre estas personagens é quase sempre muito menor.

Porém, o caso de Jesus é distinto, não apenas pela profunda marca que deixou, mas porque as informações que proporcionam as fontes históricas sobre Ele, traçam uma personalidade e apontam para acções que vão para além do imaginável e além daquilo que pode estar disposto a aceitar, quem pense que não há nada para além do visível e do comprovável experimentalmente. Os dados convidam a pensar que Ele era o Messias que haveria de vir reger o seu povo como um novo David, e mais ainda, que Jesus é o Filho de Deus feito homem.

Para acolher de verdade esse convite é necessário contar com um auxílio divino gratuito, que concede uma luz à inteligência e a capacita para perceber em toda a sua profundidade a realidade em que vive. Mas trata-se de uma luz que não desfigura essa realidade, mas que permite captá-la com todas os seus matizes reais, muitos dos quais escapam à observação ordinária. Essa é a luz da fé.

© www.opusdei.org - Textos elaborados por uma equipa de professores de Teologia da Universidade de Navarra, dirigida por Francisco Varo.


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