27/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 27

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Terça-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me: Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Mt XX, 1-45

 

1 Quando já se aproximavam de Jerusalém, chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras. Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo-lhes: «Ide à aldeia que está em frente de vós e logo encontrareis uma jumenta presa e com ela um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. 3 E, se alguém vos disser alguma coisa, respondereis: ‘O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá.’» 4 Isto sucedeu para se cumprir o que fora anunciado pelo profeta: 5 Dizei à filha de Sião: Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho de uma jumenta. 6 Os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes ordenara. 7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram as suas capas sobre eles e Jesus sentou-se em cima. 8 Uma grande multidão estendia as suas capas no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos pelo chão. 9 E todos, quer os que iam à sua frente, quer aqueles que o seguiam, diziam em altos brados: Hossana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas! 10 Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é este?» - perguntavam. 11 E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré, da Galileia.» 12 Jesus entrou no templo e expulsou dali todos os que nele vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos cambistas e as bancas dos vendedores de pombas, dizendo-lhes: 13 «Está escrito: A minha casa há-de chamar-se casa de oração, mas vós fazeis dela um covil de ladrões.» 14 Aproximaram-se dele, no templo, cegos e coxos, e Ele curou-os. 15 Perante os prodígios que realizava e as crianças que gritavam no templo: «Hossana ao Filho de David», os sumos sacerdotes e os doutores da Lei ficaram indignados 16 e disseram-lhe: «Ouves o que eles dizem?» Respondeu Jesus: «Sim. Nunca lestes: Da boca dos pequeninos e das crianças de peito fizeste sair o louvor perfeito?» 17 Depois afastou-se deles, saiu da cidade e foi para Betânia, onde pernoitou. 18 Logo de manhã cedo, ao voltar para a cidade, teve fome. 19 Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas não encontrou senão folhas. Disse então: «Nunca mais nascerá fruto de ti!» E, naquele mesmo instante, a figueira secou. 20 Vendo isto, os discípulos disseram admirados: «Como é que a figueira secou subitamente?» 21 Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que Eu fiz a esta figueira, mas, se disserdes a este monte: ‘Tira-te daí e lança-te ao mar’, assim acontecerá. 22 Tudo quanto pedirdes com fé, na oração, haveis de recebê-lo.» 23 Em seguida, entrou no templo. Quando estava a ensinar, foram ter com Ele os sumos sacerdotes e os anciãos do povo e disseram-lhe: «Com que autoridade fazes isto? E quem te deu tal poder?» 24 Jesus respondeu-lhes: «Também Eu vou fazer-vos uma pergunta. Se me responderdes, digo-vos com que autoridade faço isto. 25 De onde provinha o baptismo de João: do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a pensar entre si: «Se respondermos: ‘Do Céu’, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ 26 E, se respondermos: ‘Dos homens’, ficamos com receio da multidão, pois todos têm João por um profeta.» 27 E responderam a Jesus: «Não sabemos.» Disse-lhes Ele, por seu turno: «Também Eu vos não digo com que autoridade faço isto.» 28 «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ 29 Mas ele respondeu: ‘Não quero.’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi. 30 Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: ‘Vou sim, senhor.’ Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Responderam eles: «O primeiro.» Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus. 32 João veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele. E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes para acreditar nele.» 33 «Escutai outra parábola: Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. 34 Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam. 35 Os vinhateiros, porém, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36 Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma. 37 Finalmente, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Hão-de respeitar o meu filho.’ 38 Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua herança.’ 39 E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. 40 Ora bem, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» 41 Eles responderam-lhe: «Dará morte afrontosa aos malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida.» 42 Jesus disse-lhes: «Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular? Isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos? 43 Por isso vos digo: O Reino de Deus ser-vos-á tirado e será confiado a um povo que produzirá os seus frutos. 44 Quem cair sobre esta pedra, ficará despedaçado; aquele sobre quem ela cair, ficará esmagado.» 45 Os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados. 46 Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo, que o considerava profeta.

 

Comentário

 

Sobressai neste texto um acontecimento que parece algo inusitado: a figueira amaldiçoada.

Parece de facto que, não sendo tempo de figos como poderia ela tê-los?

Bom… trata-se de uma lição a reter com cuidado somos criaturas de Deus e temos uns predicados e valores que nos foram dados gratuitamente, de facto, não nos pertencem verdadeiramente apenas nos foram dados para que com eles produzamos fruto.

O Criador pode a qualquer momento exigir esse fruto do nosso empenho do nosso esforço, tal como os vinhateiros tinham obrigação de entregar ao dono da vinha o que lhe era devido.

Ao negar-se a fazê-lo o homem encorre em gravíssima falta porque como que se apropria de algo que não lhe pertence, ou, se desleixado e amorfo não trabalhou o suficiente para que o seu trabalho de muitas horas ou de poucas, produzisse esse fruto.

Como todos os contratos o contratador põe as suas condições que o contratado quando as aceita se obriga a cumprir.

A justiça do “pagamento” é bem clara quando o dono da vinha cumpre o que prometeu.

Dar aos trabalhadores uma paga igual ou diferenciada é da sua exclusiva e única vontade.

Para os homens o pagamento dos frutos que entrega ao Criador é a Vida Eterna e, esta só se alcança plenamente quando a Justiça Divina o decidir.

 

(AMA, 2021)

 


 

SÃO JOSÉ

 

QUAMQUAM PLURIES

 

Carta Encíclica de Sua Santidade o Papa Leão XIII

Aos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e outros Ordinários locais que estão em paz e comunhãocom a Sé Apostólica, sobre a necessidade de se recorrer ao Patrocínio de São José,  junto ao da Virgem Mãe de Deus, nas dificuldades dos tempos atuais.

 

2

Para fazer com que Deus seja mais favorável às nossas orações, e para que - entre tantos intercessores que podem ser invocados - derrame mais pronta e copiosamente auxílio à Sua Igreja, cremos muito útil que o povo cristão se habitue a rogar com devoção e confiança, juntamente com a Virgem Mãe de Deus, também o seu castíssimo esposo São José. E temos bons motivos para crer que isto será particularmente agradável à Virgem Santa.

Sobre este tema que pela primeira vez nos propomos a tratar publicamente, sabemos que a devoção popular é não só propensa por natureza, mas também já está bastante avançada. E, de facto, vimos um grande progresso no culto a São José, anteriormente promovido pelo zelo dos Sumos Pontífices, depois estendido a todo o mundo, especialmente quando Pio IX, Nosso Predecessor de feliz memória, a pedido de muitíssimos bispos, declarou o Santo Patriarca, Patrono da Igreja Universal. Todavia, por ser muito importante que o seu culto penetre profundamente nas instituições católicas e nos costumes, queremos que o povo cristão receba da Nossa própria voz e autoridade todo o incentivo possível.

As razões pelas quais São José deve ser tido como Patrono da Igreja - e a Igreja por sua vez espera muitíssimo da Sua especial protecção - residem sobretudo no facto que ele é esposo de Maria e pai putativo de Jesus Cristo. Daqui derivam toda a sua grandeza, graça, santidade e glória.

Sabemos que a dignidade da Mãe de Deus é altíssima e que não pode haver uma maior. Mas dado que entre a beatíssima Mãe de Deus e São José existe um verdadeiro vínculo matrimonial, é também certo que São José, mais que qualquer outro, se aproximou daquela altíssima dignidade que faz da Mãe de Deus a criatura mais excelsa. De facto, o matrimónio constitui por si mesmo a forma mais nobre de sociedade e de amizade, e traz consigo a comunhão dos bens. Portanto, se Deus deu José como esposo a Maria, deu-o não só como companheiro de sua vida, testemunha da sua virgindade e tutor da sua pureza, mas também como participante - por força do vínculo conjugal - da excelsa dignidade da qual ela foi adornada. Além disso, ele eleva-se entre todos em dignidade também porque, por vontade de Deus, foi guarda e, na opinião de todos, pai do Filho de Deus. Em consequência, o Verbo de Deus foi humildemente submisso a José, obedeceu-lhe e prestou-lhe a honra e o respeito que o filho deve ao seu pai.

Ora, desta dupla dignidade derivaram espontaneamente os deveres que a natureza impõe aos pais de família; assim, pois, São José foi guarda legítimo e natural da Santa Família, e ao mesmo tempo seu chefe e defensor, exercendo estes ofícios até o fim de sua vida.

Foi ele, de facto, quem guardou com sumo amor e contínua vigilância a sua esposa e o Filho divino; foi ele que proveu o seu sustento com o trabalho; ele que os afastou do perigo a que os expunha o ódio de um rei, levando-o a salvo para fora da pátria, e nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio foi de Jesus e Maria companheiro inseparável, socorro e conforto.

Pois bem: a Sagrada Família, que José governou com autoridade de pai, era o berço da Igreja nascente. A Virgem Santíssima, de facto, enquanto Mãe de Jesus, é também mãe de todos os cristãos, por Ela gerados em meio às dores do Redentor no Calvário. E Jesus é, de alguma maneira, como o primogénito dos cristãos, que por adopção e pela redenção lhe são irmãos.

Disto deriva que São José considera como confiada a Ele próprio a multidão dos cristãos que formam a Igreja, ou seja, a inumerável família dispersa pelo mundo, sobre a qual Ele, como esposo de Maria e pai putativo de Jesus, tem uma autoridade semelhante a de um pai. É, portanto, justo e digno de São José, que assim como ele guardou no seu tempo a família de Nazaré, também agora guarde e defenda com seu patrocínio a Igreja de Deus.

Tudo isto, Veneráveis Irmãos, encontra apoio - como bem o sabeis - no ensinamento de não poucos Padres da Igreja. De acordo nisto com a Sagrada Liturgia, eles entreviram no antigo José, filho do patriarca Jacob, a pessoa e a vocação do nosso [José]; e no esplendor que daquele emanava, viram simbolizada a grandeza e a glória do Guarda da Sagrada Família. De facto, além de terem ambos recebido - não sem significado - o mesmo nome, existe entre eles muitas outras e claras semelhanças, de Vós bem conhecidas.

Em primeiro lugar, o antigo José ganhou para si a benevolência de seu Senhor de um modo todo singular; e depois conseguiu, graças ao seu zelo, que chovesse do céu toda a prosperidade e bênçãos sobre o seu Patrão, de quem dirigiu a casa. E mais: por vontade do Rei governou com plenos poderes todo o reino, e quando a carestia se tornou calamidade pública, foi ele quem alimentou os egípcios e os povos vizinhos com exemplar sagacidade, a ponto de ser merecidamente chamado pelo faraó de “salvador do mundo”.

Assim, no antigo patriarca é fácil de se ver a figura do nosso [José]. Como a antigo José foi a bênção para a casa de seu Patrão e para todo o reino, assim o nosso José foi predestinado a guardar a cristandade e deve ser tido como defensor da Igreja, que efectivamente é a Casa do Senhor e o reino de Deus na terra.

Todos os cristãos, por isso, de quaisquer condições e estado, têm bons motivos para se confiarem e se abandonarem à amorosa protecção de São José.

Nele, os pais de família encontram o mais alto exemplo de paterna vigilância e providência; os cônjuges, o exemplo mais perfeito de amor, concórdia e fidelidade conjugal; os consagrados a Deus, o modelo e protector da castidade virginal.

Volvendo o olhar à imagem de José, aprendam os nobres a conservar a sua dignidade também na desventura; os ricos descubram quais são os bens que na verdade é necessário buscar e guardar zelosamente. E enfim, os pobres, os operários e todos aqueles que pouco tiveram da sorte, têm um motivo a mais - e todo especial - de recorrer a José e de tomá-lo como exemplo: Ele, embora sendo de descendência régia, desposado com a mais excelsa entre as mulheres, e ter sido considerado como o pai do Filho de Deus, passou todavia sua vida no trabalho, provendo o necessário para si e para os seus, com a fadiga e a habilidade de suas mãos.

Entretanto, é bom reflectir que não é verdade que a condição dos pobres seja degradante. O trabalho do operário, longe de ser desonroso, torna-se fonte de nobreza quando associado à virtude. José, contente com o seu trabalho e do pouco que possuía, viveu com coragem e nobreza as angústias da vida, seguindo nisto o exemplo de Jesus, que embora sendo Senhor de tudo, Se fez servo de todos e não desdenhou abraçar voluntariamente a pobreza.

Estas considerações devem elevar o ânimo de quem é pobre e ganha o pão com seu trabalho, e fazê-lo raciocinar retamente. De facto, se é verdade que a justiça consente em poder libertar-se da pobreza e alcançar uma posição melhor, também é verdade que a ninguém é permitido, nem à razão, nem à justiça, subverter a ordem estabelecida por Deus. Antes, recorrer nestes casos à violência e tentar o caminho da sublevação e dos tumultos é uma escolha desesperada, que na maioria das vezes agrava os próprios males que se queriam aliviar. Querendo, portanto, agir com prudência, os proletários não confiem tanto nas promessas dos violentos, mas antes no exemplo e no patrocínio de São José, e na caridade materna da Igreja, que a cada dia mais se preocupa pela sua situação.

Portanto, Veneráveis Irmãos, enquanto Nós esperamos muito da vossa autoridade e do vosso zelo de Pastores, e estamos certos de que as pessoas boas e piedosas farão ainda mais do que estamos solicitando, decretamos que por todo o mês de Outubro se acrescente à recitação do Rosário - por Nós já prescrita noutra ocasião - a oração a São José que recebeis junto com esta Carta Encíclica, e que isto se repita todos os anos, perpetuamente.

Àqueles que devotamente recitarem esta oração, concedemos cada vez a indulgência de sete anos e outras tantas quarentenas.

É também útil e louvável que se consagre, como já se fez em muitos lugares, o mês de Março ao Santo Patriarca, com exercícios diários de piedade em sua honra. Onde isto não for possível, faça-se ao menos antes da sua festa, no lugar principal, um tríduo preparatório de orações.

Recomendamos, além disso, aos fiéis daquelas nações nas quais o dia 19 de Março, consagrado a São José, não esteja incluído entre as festas de preceito, que não deixem por quanto possível, de santificá-lo ao menos em particular, em honra do celeste Patrono, como um dia festivo.

Entretanto, Veneráveis Irmãos, como penhor de graças do céu e na Nossa benevolência, de todo o coração dispensamos no Senhor a Bênção Apostólica a Vós, ao Clero e aos vossos fiéis.

 

Oração a São José

 

A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, tendo implorado o auxílio de vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio.

Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar favorável sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da Divina Família, o povo eleito de Jesus Cristo.

Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício.

Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas do Inimigo e de toda adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.

Amém.

 

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 15 de agosto de 1889, décimo segundo ano do Nosso Pontificado.

 

 Leão XIII

 


REFLEXÃO

 

O horizonte do orgulho é terrivelmente limitado: esgota-se em si mesmo. O orgulhoso não consegue ver para alem da sua pessoa, das suas qualidades, das suas virtudes, do seu talento. O seu horizonte é um horizonte sem Deus. E, neste panorama tão mesquinho, nem sequer contam os outros: não há lugar para eles.

 

(Salvatore Canals, Ascética Meditada, Éfeso, 4ª Ed., nr. 87)

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

A nossa tendência para o egoísmo não morre

Não ponhas o teu "eu" na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão maçadora! Parece que te esqueceste que "tu" não tens nada, é tudo d'Ele. Quando ao longo do dia te sentires, talvez sem razão, humilhado; quando pensares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que a cada instante borbota o teu "eu", o teu, o teu, o teu..., convence-te de que estás a matar o tempo e que estás a precisar que "matem" o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Convém deixar o Senhor meter-se nas nossas vidas e entrar confiadamente sem encontrar obstáculos nem recantos obscuros. Nós, os homens, tendemos a defender-nos, a apegar-nos ao nosso egoísmo. Sempre tentamos ser reis, ainda que seja do reino da nossa miséria. Entendei através desta consideração por que motivo temos necessidade de recorrer a Jesus: para que Ele nos torne verdadeiramente livres e, dessa forma, possamos servir a Deus e a todos os homens. Só assim perceberemos a verdade daquelas palavras de São Paulo: Agora, porém, livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, ao passo que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo. Estejamos precavidos, portanto, visto que a nossa tendência para o egoísmo não morre e a tentação pode insinuar-se de muitas maneiras. Deus exige que, ao obedecer, ponhamos em exercício a fé, porque a sua vontade não se manifesta com aparato ruidoso; às vezes o Senhor sugere o seu querer como que em voz baixa, lá no fundo da consciência; e é necessário escutar atentamente para distinguir essa voz e ser-Lhe fiel. (Cristo que passa, 17)

 

 

 

 

26/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 26

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Segunda-Feira

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Mt XX, 1-34

 

1 «Com efeito, o Reino do Céu é semelhante a um proprietário que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para a sua vinha. 3 Saiu depois pelas nove horas, viu outros na praça, que estavam sem trabalho, 4 e disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha e tereis o salário que for justo.’ 5 E eles foram. Saiu de novo por volta do meio-dia e das três da tarde, e fez o mesmo. 6 Saindo pelas cinco da tarde, encontrou ainda outros que ali estavam e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ 7 Responderam-lhe: ‘É que ninguém nos contratou.’ Ele disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha.’ 8 Ao entardecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros.’ 9 Vieram os das cinco da tarde e receberam um denário cada um. 10 Vieram, por seu turno, os primeiros e julgaram que iam receber mais, mas receberam, também eles, um denário cada um. 11 Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: 12 ‘Estes últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o cansaço do dia e o seu calor.’ 13 O proprietário respondeu a um deles: ‘Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? 14 Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. 15 Ou não me será permitido dispor dos meus bens como eu entender? Será que tens inveja por eu ser bom?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.» 17 Ao subir a Jerusalém, pelo caminho, chamou à parte os Doze e disse-lhes: 18 «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, que o vão condenar à morte. 19 Hão-de entregá-lo aos pagãos, que o vão escarnecer, açoitar e crucificar. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia.» 20  Aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido. 21 «Que queres?» - perguntou-lhe Ele. Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.» 22 Jesus retorquiu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Eles responderam: «Podemos.» 23 Jesus replicou-lhes: «Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado.» 24 Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos. 25 Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. 26 Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e 27 quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.» 29 Quando iam a sair de Jericó, uma grande multidão seguiu Jesus. 30 Nisto, dois cegos que estavam sentados à beira da estrada, ao ouvirem dizer que Jesus ia a passar, começaram a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 31 A multidão repreendia-os para os fazer calar, mas eles gritavam cada vez mais: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 32 Jesus parou, chamou-os e perguntou-lhes: «Que quereis que vos faça?» 33 Responderam-lhe: «Senhor, que os nossos olhos se abram!» 34 Dominado pela compaixão, Jesus tocou-lhes nos olhos. Imediatamente recuperaram a vista e seguiram-no.

 

Comentário

 

Eis os Doze! Eis as colunas sobre as quais, Cristo construirá a Sua Igreja! Homens comuns sem grandes predicados ou instrução e, no entanto, levaram a cabo o que poderíamos apelidar “missão impossível” e, mais, completando-a gloriosamente quase todos “pagando” com a própria vida a sua ousadia. Devemos, todos os homens em geral e os cristãos em particular, uma autêntica e profunda gratidão pelo que nos deram: A Santa Igreja!

As instruções de Jesus são claras: «Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel» Parece muito lógico porque o Senhor procura: quer recuperar o que está perdido, desorientado, sem caminho seguro. Depois, sim, depois virão todos os outros de todos os lugares da terra porque por todos o Senhor deu a Sua Vida e Ressuscitou. A partir da Sua Ressurreição todos os homens serão convertidos em filhos de Deus e, então sim, têm “direito” a conhecer o Reino, a Doutrina para terem pleno acesso à Fé que salva.

Eis o Colégio Apostólico. Nome muito apropriado a estes doze homens escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo. Apropriado porque, Ele é o Mestre que ensina e guia. Os doze são os alunos que o seguem, aprendem e põem em prática o que lhes manda.

Quando um chefe, um rei, um proprietário encomenda a alguém uma tarefa dá instruções precisas aos enviados para fazerem o que deseja e como o devem fazer. A iniciativa pessoal será sempre necessária, mas, o deveras importante, é cumprir quanto e como lhe é encomendado por quem tem o múnus ou o poder para tal. Seguramente que não será aceite um trabalho mal feito, apressadamente levado a cabo, sem empenho nem dedicação que garantam a satisfação de quem deu as ordens e instruções.
Os cristãos têm de ter bem presente que as instruções do Senhor são para cumprir sem o que correm o risco de se apresentarem julgamento final e decisivo de mãos vazias, e, aí, já será tarde demais para corrigir.

Como um excelente “director espiritual” Jesus Cristo não só dá instruções precisas de como actuar como, além disso, recomenda a postura correcta que o apóstolo deve ter. A nossa iniciativa pessoal fica assim enformada por estas instruções e não teremos que “inventar” nada para cumprirmos o que nos propomos. Vamos – todos os homens devem ir – apresentar algo que não é nosso mas do Senhor, é natural, portanto, que usemos as Suas instruções com o rigor possível e adequado a cada circunstância. Se assim procedermos, estamos certos que o nosso trabalho apostólico dará frutos.

Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, insiste na paz interior de quem tem por missão difundir a Sua Palavra. Ninguém pode conseguir o que for se não estiver em paz consigo próprio e, esta, só se alcança quando se está absolutamente seguro de que o que se faz é bem feito, com o empenho total e a disponibilidade absoluta que Cristo pede aos Seus pastores. Homens santos, autênticos, de altar, que ponham no seu trabalho de pastores de almas estritamente o que a Igreja manda, sem acrescentar da sua lavra o que for. A Santa Igreja é de Cristo, sua Cabeça, a Doutrina é a Doutrina de Cristo e, o modo de a aplicar é seguindo com obediência e fidelidade estritas o que manda o Magistério.

Senhor, eu julgo precisar dessas coisas todas: o oiro, a prata, o vestido, o alforge o calçado…  Agarrado a tudo isto e, a tudo o mais que a minha pobre humanidade me ata, mal me sobra “cabeça” para me entregar ao que de mim esperas. E, porque esperas de mim tais coisas como se, eu, fosse alguém em que merecesse a pena confiar? Tu não me conheces, Senhor! Não sabes das minhas fraquezas, do pouco que sou! Ah!... Mas, Tu, sabes mais, esta é a verdade, e se me escolhes é porque eu terei capacidade de para corresponder. Ajuda-me, Senhor, a não defraudar a Tua confiança em mim. Serviam! Despido de coisas supérfluas, nu de roupagens excessivas e atavios desnecessários, lanço-me à tarefa que me ordenas, meto ombros aos encargos que me entregas sem me deter a considerar as minhas misérias, o pouco que sou, o nada que valho. Se o fizesse, ficaria parado, aturdido pela grandeza da tarefa para os meus fraquíssimos recursos. Não! Se me escolhes é porque me encontras préstimo; se me chamas é porque desejas que corresponda. Por isso e sem mais Te digo: Ecce ego quia vocasti me!

Não obstante ser um costume daqueles tempos - desejar a paz - e, ainda hoje ser comum sobretudo no Oriente, perdeu-se o sentido profundo do seu verdadeiro significado. Desejar a paz é a melhor coisa que podemos querer para alguém, querer a paz deveria ser o desejo de qualquer ser humano. Não esqueçamos, porém, que a paz pessoal, a paz de espírito é o bem mais precioso que podemos ambicionar porque não é possível propagar a paz à nossa volta - como é dever de todo o cristão - se nós próprios não a tivermos em nós.

Fala-se constantemente de paz, justamente por ela não estar, como deveria, instalada no mundo. A paz verdadeira, a única que nos deve interessar, é a paz de Cristo. A paz que os homens almejam não é a conseguida com a imposição, à força quer seja à mesa de negociações quer alcançada no campo de batalha. Para ter paz é preciso, antes de mais, estar pronto, disponível para não ceder sem hesitação naquilo que, em nós, não passa de capricho ou teimosia. Enquanto o não fizermos é inútil perseguir a paz porque, não a tendo em nós mesmos, jamais a alcançaremos.

Não vamos fazer apostolado carregados - por assim dizer – com inúmeras virtudes, bens, poderes. Vamos como simples cristãos confiados que o Senhor porá o que nos faltar, que, talvez seja muito, para nós, mas, para Ele, nada representa. Não esqueçamos nunca que o apostolado é um trabalho pessoal que devemos fazer, sempre em nome de Jesus Cristo e nunca nos preocupemos com a possibilidade de “não estarmos à altura da tarefa”. Ele, conhece-nos intimamente – melhor que nós próprios nos conhecemos – e, se nos incita a ser apóstolos é porque, na Sua Infinita Sabedoria, quer que o façamos. Mal fora se o apostolado estivesse reservado só aos sábios e dotados de inúmeras virtudes, não teríamos, a maior parte de nós, lugar nessa tarefa. Não esqueçamos que tudo começou com uns simples doze homens, de escassa cultura e com inúmeros defeitos e debilidades e, no entanto, o que fizeram ficou para sempre, ficará para sempre!

Tudo quanto Jesus Cristo anuncia não é um vaticínio, uma previsão, mas sim uma profecia e, como todas as profecias, há-de verificar-se palavra por palavra, tal qual sem qualquer alteração. Os profetas do A T, falavam de forma figurada, por imagens mais ou menos claras, muitas vezes algo enigmáticas. Jesus Cristo não! Revela com clareza - e até detalhe - o que acontecerá. Eles profetizavam em nome d’Ele, Ele, afirma o que sabe irá acontecer.

Parece que Jesus Cristo convida os Seus seguidores a uma vida impossível, nada atraente. De facto, ao longo dos tempos e até aos dias de hoje, tudo quanto diz se tem verificado e, às vezes, com violência e “ferocidade” tais que raiam o inumano. Não obstante, nunca faltaram seguidores – nem faltarão – alguns de forma tão completa e total que entregam as suas vidas única e exclusivamente ao Seu serviço. Será que, esta atracção que Cristo exerce sobre os que O ouvem é assim tão forte e irrecusável? Será que o prémio prometido excederá em muito o imaginável? Ambas são razões fundamentais e bastantes para justificar esse cortejo santo de homens e mulheres que seguem Cristo e vão pela vida espalhando a Sua Palavra, arrastando outros com o seu exemplo.

Porque será que, seguir Cristo, é tarefa tão difícil e, ao mesmo tempo, atraente? É possível que – como alguns defendem – o homem seja intrinsecamente mau e, portanto, seguir Jesus que É intrinsecamente Bom vai contra a sua natureza? Não! Em primeiro lugar porque o homem não é intrinsecamente mau nem nunca o poderia ser porque Deus não pode criar nada que não seja muito bom. E, depois, porque o Demónio se esforça continuamente por o afastar do caminho recto apresentando-lhe visões de felicidade pessoal que o atraem e, não poucas vezes, o arrastam. Só que o demónio não pode prometer nada porque, embora tenha um enorme poder, não pode “comandar” o futuro e, muito menos, que o que promete seja bom porque, ele, sim, é intrinsecamente mau. Por isso mesmo Cristo nos ensinou a pedir no “Pai-Nosso”: «não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal»

Não parece muito atraente a decisão de seguir Jesus se considerar-mos todas as vicissitudes que se apresentarão aos Seus fiéis seguidores. Há, no entanto, uma promessa solene que o Senhor faz: a assistência do Espírito Santo em todos os momentos, particularmente naqueles em que o perigo ou a complexidade da situação seja difícil ou mesmo impossível de “controlar”. E, como para Deus não há impossíveis e Ele nunca falta ao que promete, podemos estar descansados e em paz.

De todas a virtudes humanas a perseverança será, talvez, a mais difícil de conseguir em plenitude. Porque tem de ser diária, constante, sem pausa. Não se persevera em algo de “tempos a tempos” mas com tenaz constância como algo que nos torna iguais a nós mesmos, ao que queremos ser, ao que devemos ser. A perseverança traz consigo um cortejo de virtudes que dificilmente sobreviveriam se a não tivéssemos.

Não é próprio do cristão ter medo das consequências que possam advir por seguir Cristo. Isso, que é fácil de dizer, ganha especial relevância nos dias de hoje em que em diversas partes do mundo se manifesta, por vezes de forma brutal, o ódio a Cristo, à Sua Igreja, aos cristãos. Por aqui, na Europa, parece estarmos a salvo dessas perseguições, mas, de facto, continua e cada vez mais, a necessidade de afirmar as verdades da Fé e agir sem receio e decididamente contra essas outras formas de ataque à Santa Igreja, à Fé e princípios cristãos que se manifestam sob a forma de leis iníquas e atentatórias da dignidade do ser humano em geral e do cristão em particular.

Jesus Cristo ”sossega” os espíritos dos que O ouvem e se sentem atraídos pela Sua doutrina mas, ante as dificuldades e obstáculos que advinham hesitam em dar o “passo decisivo”. Assegura os “cuidados” e atenção de Deus Pai por cada um dos Seus Filhos e o que, secretamente alguns tentarão dizer para os afastar ou atemorizar, se virá a saber publicamente como sendo obra do demónio, o pai da mentira. Diremos: Eu sou de Cristo! E ouviremos a Sua iniludível confirmação: E, Eu, sou Teu irmão!

Temer o demónio? Parece que é esta a recomendação de Jesus, tal como Evangelista escreve, mas o que na verdade quer dizer é que devemos ter cuidado com as tentações que, quando menos esperamos, ele insinua no nosso espírito. Já o dissemos e repetimos com absoluta segurança: o demónio não tem qualquer poder sobre nós a menos que nós próprios lho outorguemos. Nem devemos ter medo das tentações porque o Senhor prometeu que jamais consentiria que fossemos tentados além das nossas forças. Uma coisa é ter medo outra, completamente diferente, é ter cuidado e cautela redobrados, sobretudo naquelas situações ou circunstâncias em que podemos estar mais frágeis ou pouco vigilantes. No Pai-Nosso, Jesus Cristo ensinou-nos que não devemos pedir não ser tentados, mas sim força, ânimo e ajuda para não cairmos na tentação. Ah! E sabemos muito bem que quanto mais progredimos na nossa união com Cristo mais o demónio se encarniçará contra nós, por isso, tenhamos especial cuidado na vigilância e unidade de vida e, assim, estaremos a salvo.

Sem dúvida que a forma mais eficaz de não cair em tentação é evitar decididamente e sem delongas as ocasiões e circunstâncias que, bem sabemos, são propícias para que ocorram. Mais vale prevenir…

Audácia e confiança! É o que o Senhor nos pede a todos os cristãos. A história da humanidade está repleta de exemplos – que continuam um pouco por toda a parte ainda nos dias de hoje – desses muitos milhares e pessoas que escolheram não ter medo, nem receio, nem respeitos humanos, antes foram por toda a parte anunciando o Evangelho cumprindo o mandato recebido de Cristo. A Sua Igreja, continuamente regada pelo sangue destes mártires, é Santa e imperecível. A todos, nós cristãos de hoje, devemos muito, muitíssimo, a estes autênticos heróis da cristandade.

Em síntese o que o Senhor nos recomenda é critério na ordem do nosso amor, das nossas prioridades. Sempre e em qualquer circunstância, o que interessa é termos Deus em primeiro lugar e observar as condições para O seguir. Senhor: Que eu saiba ordenar bem o meu amor. Em primeiro lugar… Tu, Senhor do Céu e da Terra, Criador de todas as coisas. Todos os outros amores, por limpos, honestos, verdadeiros que sejam, ou possam parecer, devem ordenar-se a este. De Ti me vem tudo, a própria vida. Tudo, absolutamente, quanto tenho, Te pertence. Para Ti caminho, de Ti recebo a força, a inspiração, o alento para a caminhada e ainda o perdão das minhas numerosas faltas. Não guardando agravos, demonstras, a cada instante, a Tua Omnipotente Misericórdia. Peço-te, Senhor, que recebas o meu amor como se fosse o único amor que tens na terra. Assim não notarás como é pequeno, miserável... Serei feliz porque mesmo sabendo o pouco que é, como to dou todo... fico disponível para me “encher” do Teu...»

Jesus Cristo não poupa os avisos sobre as dificuldades que, os que O seguirem, hão-de encontrar. Dificuldades e obstáculos de toda a ordem muitas vezes parecendo impossíveis de superar. E, de facto, são-no para nós que nada podemos, mas, Ele não nos faltará nunca para que possamos. Este Senhor, Todo-Poderoso, promete uma recompensa por um simples copo de água dado em Seu Nome! Vale a pena, pois, perseverar e lutar sem descanso com confiança absoluta naquele que tudo pode.

A Liturgia repete, no mesmo ano, o mesmo trecho de São Mateus. Porquê? Julgo que o tema é por demais importante para que os cristãos tenham bem claro o que Ele pede aos que O seguem ou, desejam segui-lo. Não esconde nem “emoldura” a verdade, bem ao contrário, mostra as dificuldades e obstáculos que, os que optarem por esse caminho, hão-de encontrar. Mas, a verdade, é que nunca faltaram – nem faltarão jamais- homens e mulheres de todas as raças e condições sociais, que optarão por esse caminho e – atenção – não necessariamente retirados do mundo, nos claustros de um convento. Na vida corrente, podemos encontrar a cada passo pessoas que vivem no mundo, mas “não são do mundo” porque tudo quanto fazem é para honrar e dar glória Deus. São estes “alicerces” em que se apoia a santidade da Igreja de Jesus Cristo, em que nos apoiamos todos os cristãos, que nos servem e exemplo a seguir, nos animam e são, de certo modo, a garantia de que é possível viver como Deus quer que vivamos.

A vida de um cristão é uma vida de luta. Em primeiro lugar consigo próprio no esforço contínuo de fazer a Vontade de Deus. Para alguns está luta reveste-se de particular dificuldade e, até, violência, sobretudo para os que vivem em ambientes adversos onde a prática da fé requer heroicidade denodada. Temos todos a obrigação de ajudar estes muitos irmãos nossos rezando por eles e com a oferta de algum sacrifício ou privação.

O grande tema deste trecho de São Mateus é o amor. Porquê? Porque, na verdade, se trata de ordenar convenientemente o nosso amor. Se bem que todos os amores sadios, honestos, sinceros sejam de cultivar e ter em conta é fundamental ter muito claro as prioridades. Em primeiro lugar amar a Deus sem limites ou condições e, em consequência, amar o próximo. Estes dois “amores” encerram em si mesmos toda a Lei e garantem a felicidade eterna. É fácil amar a Deus? Não é, o próprio Jesus Cristo o infere nas palavras deste texto, mas, por isso mesmo, a recompensa – que na verdade não tinha porque nos dar – é de tal forma grandiosa e extraordinária que vale bem o esforço da vontade em consegui-lo.

Parece haver alguma contradição nas palavras de Jesus e o Seu “título” de PRÍNCIPE DA PAZ. Na verdade, não há porque, como nós próprios constatamos cada dia que passa é que a paz só é possível com o amor. Ora, se este amor não está devidamente ordenado, os conflitos são inevitáveis. Amar a Deus sobre todas as coisas e pessoas, com amor total e sem condições e, depois, amar os outros – todos os outros – como a nós mesmos. Só cumprindo estas “condições” da Lei de Deus, pode haver felicidade e paz.

 

(AMA, 2018)

 

São JOAQUIM e Santa ANA, pais de Nossa Senhora


 


 

REFLEXÃO

 

O princípio do amor é duplo, pois pode amar-se tanto com o sentimento como pelo que nos diz a razão. Com o sentimento, quando o homem não sabe viver sem aquilo que ama. Pela força da razão, quando ama o que o entendimento lhe diz. E nós devemos amar a Deus de ambos os modos: também com o nosso coração humano, com o afecto que queremos ás criaturas da terra.

 

(São Tomás de aquino, Comentário ao Evangelho de São Mateus, 22, 4)

 


FILOSOFIA E RELIGIÃO, VIDA HUMANA

 

Chestertoninas: Filosofia e “filosofias”

Ora, vale a pena notar que esta  (Suma Theologica) é a única filosofia construtiva. De quase todas as outras filosofias se pode dizer, com toda a verdade, que os seus adeptos procedem contrariamente ao que pensam, ou não fazem nada. Nenhum cético procede como tal, assim como não procede fatalmente nenhum fatalista. Todos, sem excepção, procedem segundo o princípio de que é possível supor o que não é possível crer. Nenhum materialista, persuadido de que as suas resoluções são obras do barro, sangue e hereditariedade, hesita em tomar as suas resoluções por si mesmo. Nenhum céptico, que crê que a verdade é subjectiva, tem nenhuma hesitação em considera-la objectiva.

Por isso a obra de Tomás de Aquino possui uma qualidade construtiva que não existe em quase nenhum dos sistemas cósmicos posteriores. Porque ele já está construindo uma casa, enquanto os especuladores mais recentes se encontram ainda na fase de experimentar os degraus de uma escada de mão, a mostrar a irremediável fragilidade dos tijolos mal cozidos, a analisar quimicamente o nível de bolha de ar, e comumente questionando até a possibilidade de fabricar as ferramentas com que se há-de construir a casa. Tomás de Aquino está muito à frente deles, muito além do que se costuma imaginar quando se diz que um homem está à frente do seu século; está séculos adiante do nosso. Lançou uma ponte sobre o abismo da primeira dúvida e encontrou a realidade para além – e sobre ela começou a edificar. A maior parte das filosofias modernas não são filosofia, mas dúvida filosófica, isto é, dúvida sobre a possibilidade de haver filosofia.”

 

(G. K. Chesterton, Santo Tomás de Aquino)

 



SÃO JOSEMARIA - textos

 

Devemos amar a Santa Missa

Luta por conseguir que o Santo Sacrifício do Altar seja o centro e a raiz da tua vida interior, de maneira que toda a jornada se converta num acto de culto – prolongamento da Missa que ouviste e preparação para a seguinte –, que vai transbordando em jaculatórias, em visitas ao Santíssimo, no oferecimento do teu trabalho profissional e da tua vida familiar... (Forja, 69)

Não compreendo como se possa viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham vindo a concretizar essa piedade eucarística. Umas vezes com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração. Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos depois de continuar o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa sua outra delicadeza: não quis limitar a sua presença ao momento do Sacrifício do Altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário. (Cristo que passa, n. 154)

 

 

 

 

25/07/2021

PUBLICAÇÕES NUNC COEPI em Julho 25

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO

 

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

Evangelho

 

Mt XIX, 1-30

 

1 Quando acabou de dizer estas palavras, Jesus partiu da Galileia e veio para a região da Judeia, na outra margem do Jordão. 2 Era seguido por grandes multidões e curou ali os seus doentes. 3 Alguns fariseus, para o experimentarem, aproximaram-se dele e disseram-lhe: «É permitido a um homem divorciar-se da sua mulher por qualquer motivo?» 4 Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, fê-los homem e mulher, 5 e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois um só? 6 Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 7 Eles, porém, objectaram: «Então, porque é que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio, ao repudiá-la?» 8 Respondeu Jesus: «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim. 9 Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.» 10 Os discípulos disseram-lhe: «Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!» 11 Respondeu-lhes Jesus: «Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. 12 Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda.» 13 Apresentaram-lhe, então, umas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas, mas os discípulos repreenderam-nos. 14 Jesus disse-lhes: «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu.» 15 E, depois de lhes ter imposto as mãos, prosseguiu o seu caminho. 16 Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» 17 Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.» 18 «Quais?» - perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?» 21 Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» 22 Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado, porque possuía muitos bens. 23 Jesus disse, então, aos discípulos: «Em verdade vos digo que dificilmente um rico entrará no Reino do Céu. 24 Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.» 25 Ao ouvir isto, os discípulos ficaram estupefactos e disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 26 Fixando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.» 27 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 28 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna. 30 Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.»

 

Comentário

Eis os Doze! Eis as colunas sobre as quais, Cristo construirá a Sua Igreja! Homens comuns sem grandes predicados ou instrução e, no entanto, levaram a cabo o que poderíamos apelidar “missão impossível” e, mais, completando-a gloriosamente quase todos “pagando” com a própria vida a sua ousadia. Devemos, todos os homens em geral e os cristãos em particular, uma autêntica e profunda gratidão pelo que nos deram: A Santa Igreja!

As instruções de Jesus são claras: «Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel» Parece muito lógico porque o Senhor procura: quer recuperar o que está perdido, desorientado, sem caminho seguro. Depois, sim, depois virão todos os outros de todos os lugares da terra porque por todos o Senhor deu a Sua Vida e Ressuscitou. A partir da Sua Ressurreição todos os homens serão convertidos em filhos de Deus e, então sim, têm “direito” a conhecer o Reino, a Doutrina para terem pleno acesso à Fé que salva.

Eis o Colégio Apostólico. Nome muito apropriado a estes doze homens escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo. Apropriado porque, Ele é o Mestre que ensina e guia. Os doze são os alunos que o seguem, aprendem e põem em prática o que lhes manda.

Quando um chefe, um rei, um proprietário encomenda a alguém uma tarefa dá instruções precisas aos enviados para fazerem o que deseja e como o devem fazer. A iniciativa pessoal será sempre necessária, mas, o deveras importante, é cumprir quanto e como lhe é encomendado por quem tem o múnus ou o poder para tal. Seguramente que não será aceite um trabalho mal feito, apressadamente levado a cabo, sem empenho nem dedicação que garantam a satisfação de quem deu as ordens e instruções.
Os cristãos têm de ter bem presente que as instruções do Senhor são para cumprir sem o que correm o risco de se apresentarem julgamento final e decisivo de mãos vazias, e, aí, já será tarde demais para corrigir.

Como um excelente “director espiritual” Jesus Cristo não só dá instruções precisas de como actuar como, além disso, recomenda a postura correcta que o apóstolo deve ter. A nossa iniciativa pessoal fica assim enformada por estas instruções e não teremos que “inventar” nada para cumprirmos o que nos propomos. Vamos – todos os homens devem ir – apresentar algo que não é nosso mas do Senhor, é natural, portanto, que usemos as Suas instruções com o rigor possível e adequado a cada circunstância. Se assim procedermos, estamos certos que o nosso trabalho apostólico dará frutos.

Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, insiste na paz interior de quem tem por missão difundir a Sua Palavra. Ninguém pode conseguir o que for se não estiver em paz consigo próprio e, esta, só se alcança quando se está absolutamente seguro de que o que se faz é bem feito, com o empenho total e a disponibilidade absoluta que Cristo pede aos Seus pastores. Homens santos, autênticos, de altar, que ponham no seu trabalho de pastores de almas estritamente o que a Igreja manda, sem acrescentar da sua lavra o que for. A Santa Igreja é de Cristo, sua Cabeça, a Doutrina é a Doutrina de Cristo e, o modo de a aplicar é seguindo com obediência e fidelidade estritas o que manda o Magistério.

Senhor, eu julgo precisar dessas coisas todas: o oiro, a prata, o vestido, o alforge o calçado…  Agarrado a tudo isto e, a tudo o mais que a minha pobre humanidade me ata, mal me sobra “cabeça” para me entregar ao que de mim esperas. E, porque esperas de mim tais coisas como se, eu, fosse alguém em que merecesse a pena confiar? Tu não me conheces, Senhor! Não sabes das minhas fraquezas, do pouco que sou! Ah!... Mas, Tu, sabes mais, esta é a verdade, e se me escolhes é porque eu terei capacidade de para corresponder. Ajuda-me, Senhor, a não defraudar a Tua confiança em mim. Serviam! Despido de coisas supérfluas, nu de roupagens excessivas e atavios desnecessários, lanço-me à tarefa que me ordenas, meto ombros aos encargos que me entregas sem me deter a considerar as minhas misérias, o pouco que sou, o nada que valho. Se o fizesse, ficaria parado, aturdido pela grandeza da tarefa para os meus fraquíssimos recursos. Não! Se me escolhes é porque me encontras préstimo; se me chamas é porque desejas que corresponda. Por isso e sem mais Te digo: Ecce ego quia vocasti me!

Não obstante ser um costume daqueles tempos - desejar a paz - e, ainda hoje ser comum sobretudo no Oriente, perdeu-se o sentido profundo do seu verdadeiro significado. Desejar a paz é a melhor coisa que podemos querer para alguém, querer a paz deveria ser o desejo de qualquer ser humano. Não esqueçamos, porém, que a paz pessoal, a paz de espírito é o bem mais precioso que podemos ambicionar porque não é possível propagar a paz à nossa volta - como é dever de todo o cristão - se nós próprios não a tivermos em nós.

Fala-se constantemente de paz, justamente por ela não estar, como deveria, instalada no mundo. A paz verdadeira, a única que nos deve interessar, é a paz de Cristo. A paz que os homens almejam não é a conseguida com a imposição, à força quer seja à mesa de negociações quer alcançada no campo de batalha. Para ter paz é preciso, antes de mais, estar pronto, disponível para não ceder sem hesitação naquilo que, em nós, não passa de capricho ou teimosia. Enquanto o não fizermos é inútil perseguir a paz porque, não a tendo em nós mesmos, jamais a alcançaremos.

Não vamos fazer apostolado carregados - por assim dizer – com inúmeras virtudes, bens, poderes. Vamos como simples cristãos confiados que o Senhor porá o que nos faltar, que, talvez seja muito, para nós, mas, para Ele, nada representa. Não esqueçamos nunca que o apostolado é um trabalho pessoal que devemos fazer, sempre em nome de Jesus Cristo e nunca nos preocupemos com a possibilidade de “não estarmos à altura da tarefa”. Ele, conhece-nos intimamente – melhor que nós próprios nos conhecemos – e, se nos incita a ser apóstolos é porque, na Sua Infinita Sabedoria, quer que o façamos. Mal fora se o apostolado estivesse reservado só aos sábios e dotados de inúmeras virtudes, não teríamos, a maior parte de nós, lugar nessa tarefa. Não esqueçamos que tudo começou com uns simples doze homens, de escassa cultura e com inúmeros defeitos e debilidades e, no entanto, o que fizeram ficou para sempre, ficará para sempre!

Tudo quanto Jesus Cristo anuncia não é um vaticínio, uma previsão, mas sim uma profecia e, como todas as profecias, há-de verificar-se palavra por palavra, tal qual sem qualquer alteração. Os profetas do A T, falavam de forma figurada, por imagens mais ou menos claras, muitas vezes algo enigmáticas. Jesus Cristo não! Revela com clareza - e até detalhe - o que acontecerá. Eles profetizavam em nome d’Ele, Ele, afirma o que sabe irá acontecer.

Parece que Jesus Cristo convida os Seus seguidores a uma vida impossível, nada atraente. De facto, ao longo dos tempos e até aos dias de hoje, tudo quanto diz se tem verificado e, às vezes, com violência e “ferocidade” tais que raiam o inumano. Não obstante, nunca faltaram seguidores – nem faltarão – alguns de forma tão completa e total que entregam as suas vidas única e exclusivamente ao Seu serviço. Será que, esta atracção que Cristo exerce sobre os que O ouvem é assim tão forte e irrecusável? Será que o prémio prometido excederá em muito o imaginável? Ambas são razões fundamentais e bastantes para justificar esse cortejo santo de homens e mulheres que seguem Cristo e vão pela vida espalhando a Sua Palavra, arrastando outros com o seu exemplo.

Porque será que, seguir Cristo, é tarefa tão difícil e, ao mesmo tempo, atraente? É possível que – como alguns defendem – o homem seja intrinsecamente mau e, portanto, seguir Jesus que É intrinsecamente Bom vai contra a sua natureza? Não! Em primeiro lugar porque o homem não é intrinsecamente mau nem nunca o poderia ser porque Deus não pode criar nada que não seja muito bom. E, depois, porque o Demónio se esforça continuamente por o afastar do caminho recto apresentando-lhe visões de felicidade pessoal que o atraem e, não poucas vezes, o arrastam. Só que o demónio não pode prometer nada porque, embora tenha um enorme poder, não pode “comandar” o futuro e, muito menos, que o que promete seja bom porque, ele, sim, é intrinsecamente mau. Por isso mesmo Cristo nos ensinou a pedir no “Pai-Nosso”: «não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal»

Não parece muito atraente a decisão de seguir Jesus se considerar-mos todas as vicissitudes que se apresentarão aos Seus fiéis seguidores. Há, no entanto, uma promessa solene que o Senhor faz: a assistência do Espírito Santo em todos os momentos, particularmente naqueles em que o perigo ou a complexidade da situação seja difícil ou mesmo impossível de “controlar”. E, como para Deus não há impossíveis e Ele nunca falta ao que promete, podemos estar descansados e em paz.

De todas a virtudes humanas a perseverança será, talvez, a mais difícil de conseguir em plenitude. Porque tem de ser diária, constante, sem pausa. Não se persevera em algo de “tempos a tempos” mas com tenaz constância como algo que nos torna iguais a nós mesmos, ao que queremos ser, ao que devemos ser. A perseverança traz consigo um cortejo de virtudes que dificilmente sobreviveriam se a não tivéssemos.

Não é próprio do cristão ter medo das consequências que possam advir por seguir Cristo. Isso, que é fácil de dizer, ganha especial relevância nos dias de hoje em que em diversas partes do mundo se manifesta, por vezes de forma brutal, o ódio a Cristo, à Sua Igreja, aos cristãos. Por aqui, na Europa, parece estarmos a salvo dessas perseguições, mas, de facto, continua e cada vez mais, a necessidade de afirmar as verdades da Fé e agir sem receio e decididamente contra essas outras formas de ataque à Santa Igreja, à Fé e princípios cristãos que se manifestam sob a forma de leis iníquas e atentatórias da dignidade do ser humano em geral e do cristão em particular.

Jesus Cristo ”sossega” os espíritos dos que O ouvem e se sentem atraídos pela Sua doutrina mas, ante as dificuldades e obstáculos que advinham hesitam em dar o “passo decisivo”. Assegura os “cuidados” e atenção de Deus Pai por cada um dos Seus Filhos e o que, secretamente alguns tentarão dizer para os afastar ou atemorizar, se virá a saber publicamente como sendo obra do demónio, o pai da mentira. Diremos: Eu sou de Cristo! E ouviremos a Sua iniludível confirmação: E, Eu, sou Teu irmão!

Temer o demónio? Parece que é esta a recomendação de Jesus, tal como Evangelista escreve, mas o que na verdade quer dizer é que devemos ter cuidado com as tentações que, quando menos esperamos, ele insinua no nosso espírito. Já o dissemos e repetimos com absoluta segurança: o demónio não tem qualquer poder sobre nós a menos que nós próprios lho outorguemos. Nem devemos ter medo das tentações porque o Senhor prometeu que jamais consentiria que fossemos tentados além das nossas forças. Uma coisa é ter medo outra, completamente diferente, é ter cuidado e cautela redobrados, sobretudo naquelas situações ou circunstâncias em que podemos estar mais frágeis ou pouco vigilantes. No Pai-Nosso, Jesus Cristo ensinou-nos que não devemos pedir não ser tentados, mas sim força, ânimo e ajuda para não cairmos na tentação. Ah! E sabemos muito bem que quanto mais progredimos na nossa união com Cristo mais o demónio se encarniçará contra nós, por isso, tenhamos especial cuidado na vigilância e unidade de vida e, assim, estaremos a salvo.

Sem dúvida que a forma mais eficaz de não cair em tentação é evitar decididamente e sem delongas as ocasiões e circunstâncias que, bem sabemos, são propícias para que ocorram. Mais vale prevenir…

Audácia e confiança! É o que o Senhor nos pede a todos os cristãos. A história da humanidade está repleta de exemplos – que continuam um pouco por toda a parte ainda nos dias de hoje – desses muitos milhares e pessoas que escolheram não ter medo, nem receio, nem respeitos humanos, antes foram por toda a parte anunciando o Evangelho cumprindo o mandato recebido de Cristo. A Sua Igreja, continuamente regada pelo sangue destes mártires, é Santa e imperecível. A todos, nós cristãos de hoje, devemos muito, muitíssimo, a estes autênticos heróis da cristandade.

Em síntese o que o Senhor nos recomenda é critério na ordem do nosso amor, das nossas prioridades. Sempre e em qualquer circunstância, o que interessa é termos Deus em primeiro lugar e observar as condições para O seguir. Senhor: Que eu saiba ordenar bem o meu amor. Em primeiro lugar… Tu, Senhor do Céu e da Terra, Criador de todas as coisas. Todos os outros amores, por limpos, honestos, verdadeiros que sejam, ou possam parecer, devem ordenar-se a este. De Ti me vem tudo, a própria vida. Tudo, absolutamente, quanto tenho, Te pertence. Para Ti caminho, de Ti recebo a força, a inspiração, o alento para a caminhada e ainda o perdão das minhas numerosas faltas. Não guardando agravos, demonstras, a cada instante, a Tua Omnipotente Misericórdia. Peço-te, Senhor, que recebas o meu amor como se fosse o único amor que tens na terra. Assim não notarás como é pequeno, miserável... Serei feliz porque mesmo sabendo o pouco que é, como to dou todo... fico disponível para me “encher” do Teu...»

Jesus Cristo não poupa os avisos sobre as dificuldades que, os que O seguirem, hão-de encontrar. Dificuldades e obstáculos de toda a ordem muitas vezes parecendo impossíveis de superar. E, de facto, são-no para nós que nada podemos, mas, Ele não nos faltará nunca para que possamos. Este Senhor, Todo-Poderoso, promete uma recompensa por um simples copo de água dado em Seu Nome! Vale a pena, pois, perseverar e lutar sem descanso com confiança absoluta naquele que tudo pode.

A Liturgia repete, no mesmo ano, o mesmo trecho de São Mateus. Porquê? Julgo que o tema é por demais importante para que os cristãos tenham bem claro o que Ele pede aos que O seguem ou, desejam segui-lo. Não esconde nem “emoldura” a verdade, bem ao contrário, mostra as dificuldades e obstáculos que, os que optarem por esse caminho, hão-de encontrar. Mas, a verdade, é que nunca faltaram – nem faltarão jamais- homens e mulheres de todas as raças e condições sociais, que optarão por esse caminho e – atenção – não necessariamente retirados do mundo, nos claustros de um convento. Na vida corrente, podemos encontrar a cada passo pessoas que vivem no mundo, mas “não são do mundo” porque tudo quanto fazem é para honrar e dar glória Deus. São estes “alicerces” em que se apoia a santidade da Igreja de Jesus Cristo, em que nos apoiamos todos os cristãos, que nos servem e exemplo a seguir, nos animam e são, de certo modo, a garantia de que é possível viver como Deus quer que vivamos.

A vida de um cristão é uma vida de luta. Em primeiro lugar consigo próprio no esforço contínuo de fazer a Vontade de Deus. Para alguns está luta reveste-se de particular dificuldade e, até, violência, sobretudo para os que vivem em ambientes adversos onde a prática da fé requer heroicidade denodada. Temos todos a obrigação de ajudar estes muitos irmãos nossos rezando por eles e com a oferta de algum sacrifício ou privação.

O grande tema deste trecho de São Mateus é o amor. Porquê? Porque, na verdade, se trata de ordenar convenientemente o nosso amor. Se bem que todos os amores sadios, honestos, sinceros sejam de cultivar e ter em conta é fundamental ter muito claro as prioridades. Em primeiro lugar amar a Deus sem limites ou condições e, em consequência, amar o próximo. Estes dois “amores” encerram em si mesmos toda a Lei e garantem a felicidade eterna. É fácil amar a Deus? Não é, o próprio Jesus Cristo o infere nas palavras deste texto, mas, por isso mesmo, a recompensa – que na verdade não tinha porque nos dar – é de tal forma grandiosa e extraordinária que vale bem o esforço da vontade em consegui-lo.

Parece haver alguma contradição nas palavras de Jesus e o Seu “título” de PRÍNCIPE DA PAZ. Na verdade, não há porque, como nós próprios constatamos cada dia que passa é que a paz só é possível com o amor. Ora, se este amor não está devidamente ordenado, os conflitos são inevitáveis. Amar a Deus sobre todas as coisas e pessoas, com amor total e sem condições e, depois, amar os outros – todos os outros – como a nós mesmos. Só cumprindo estas “condições” da Lei de Deus, pode haver felicidade e paz.

 


 

REFLEXÃO

 

O previlégio que nos confere o livre arbítrio não nos torna independentes de Deus; oferece-nos o mérito duma dependência voluntária. Não nos dispensa de sermos senhores, permite-nos escolher os nossos senhores.

 

(Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg 1176-77)

 


FAMÍLIA

 

O quarto mandamento do Decálogo: honrar pai e mãe

 

2. Significado e extensão do quarto mandamento

O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos nas suas relações com os seus pais. Refere-se também às relações de parentesco com outros membros do agregado familiar. Finalmente, estende-se aos deveres dos alunos relativamente aos professores, dos subordinados em relação com os seus chefes, dos cidadãos para com a sua pátria, etc. Este mandamento implica e subentende também os deveres dos pais e de todos os que exercem autoridade sobre outros (cf. Catecismo, 2199).

 


SÃO JOSEMARIA – textos

A tentação do cansaço

Quero prevenir-te de uma dificuldade que talvez possa aparecer: a tentação do cansaço, do desalento. – Não está ainda fresca a recordação de uma vida – a tua – sem rumo, sem meta, sem graça, que a luz de Deus e a tua entrega encaminharam e encheram de alegria? Não troques disparatadamente isto por aquilo. (Forja, 286)

Se notas que não podes, seja por que motivo for, diz-lhe, abandonando-te nele: – Senhor, confio em ti, abandono-me em Ti, mas ajuda a minha debilidade!

E cheio de confiança, repete-lhe: – Olha para mim, Jesus, sou um trapo sujo; a experiência da minha vida é tão triste, não mereço ser teu filho. Di-lo...; e di-lo muitas vezes.

Não tardarás em ouvir a sua voz: "Ne timeas!". – Não temas! Ou também: "Surge et ambula!". – Levanta-te e caminha! (Forja, 287)

Comentavas-me, ainda indeciso: – Como se notam essas alturas em que Nosso Senhor me pede mais!

Só me veio à cabeça lembrar-te: – Asseguravas-me que só querias identificar-te com Ele, porque resistes então? (Forja, 288)

Oxalá saibas cumprir esse propósito que tiraste: "Cada dia morrer um pouco para mim mesmo". (Forja, 289)