07/03/2021

Leitura Espiritual Mar 07

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc V, 12-26

 


Cura de um leproso

12  E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, podes limpar-me. 13  E ele, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele. 14  E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas disse vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho. 15  A sua fama, porém, propagava-se ainda mais, e juntava-se muita gente para o ouvir e para ser curada das suas enfermidades. 16  Ele, porém, retirava-se para os desertos, e ali orava.

 

Cura de um paralítico

 

17  E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali sentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar. 18  E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico, e procuravam fazê-lo entrar e colocá-lo diante dele. 19  E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e por entre as telhas baixaram-no com a cama, até ao meio, diante de Jesus. 20  E, vendo ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. 21  E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfémias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? 22  Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoais em vossos corações? 23  Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? 24  Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. 25  E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus. 26  E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodígios.

Texto


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1995

 

"O Espírito do Senhor ... Me ungiu... para anunciar a Boa Nova aos pobres.

Enviou-Me ... a proclamar aos cegos, o recobrar da vista..." (Lc 4,18).

 

 

Queridos Irmãos e Irmãs em Cristo,

 

1. Neste tempo de Quaresma, desejo reflectir com todos vós sobre um tremendo mal, que priva a um grande numero de pobres muitas possibilidades de progresso, de vitória sobre a marginalização e de verdadeira libertação. Refiro-me ao analfabetismo. O meu venerável predecessor, o Papa Paulo VI, ressaltou que "a fome de instrução não é menos deprimente que a fome de alimentos: um analfabeto é um espírito subalimentado" (Populorum progressio, n. 35).

 

Esta terrível praga contribui para manter imensas multidões na condição de subdesenvolvimento, com tudo o que leva consigo de miséria escandalosa. Os numerosos testemunhos provindos de diversos continentes, bem como os encontros que tive ocasião de manter durante as minhas viagens apostólicas, confirmam minha convicção que, ali onde houver analfabetismo reinam, mais que alhures, a fome, as doenças, a mortalidade infantil, bem como a humilhação, a exploração e todo o tipo de sofrimento.

 

Um homem que não sabe ler nem escrever experimenta grandes dificuldades para adaptar-se aos modernos métodos de trabalho; vê-se condenado a ignorar seus direitos e deveres. É um verdadeiro pobre. Devemos tomar consciência de que centenas de milhões de adultos são analfabetos, e que dezenas de milhões de crianças não podem ir à escola porque não há nenhuma próxima delas ou porque a pobreza lhes impede o acesso. Acham-se, desta forma, lesadas no desenvolvimento da própria vida e impedidas de exercer seus direitos fundamentais. São multidões de seres que nos estendem seus braços, pedindo-nos um pouco de fraternidade.

 

2. Sabemos bem que quando as pessoas, as famílias e as comunidades têm acesso à instrução, à educação e aos diferentes níveis de formação, podem progredir melhor em todos os campos. A alfabetização permite à pessoa desenvolver suas possibilidades, fazer frutificar seus talentos e enriquecer os próprios relacionamentos. O Concilio Vaticano II afirma: "É próprio da pessoa humana necessitar da cultura, isto é, de desenvolver os bens e os valores da natureza, para chegar a uma autêntica e plena realização" (Gaudium et spes, n. 53,1). A formação intelectual é um elemento decisivo para fazer crescer esta cultura humana, que ajuda a ser mais autónomos e mais livres. Além disso, permite formar melhor a própria consciência, facilitando a percepção das próprias responsabilidades no plano moral e espiritual. Isto porque a autêntica educação é simultaneamente espiritual, intelectual e moral.

 

Entre as questões que suscitam inquietações nos dias actuais, põe-se frequentemente em evidência a evolução demográfica no mundo. Neste âmbito, trata-se de facilitar a responsabilidade das mesmas famílias. Por isso, os Cardeais, reunidos em Consistório no mês de Junho de 1994, declararam unanimemente que "a educação e o desenvolvimento são respostas às tendências demográficas, muito mais eficazes de quanto não o sejam a constrição e as formas artificiais de controle demográfico"(Apelo dos Cardeais em defesa da instituição familiar, 14 de Junho de 1994). A mesma instituição familiar consolida-se quando seus membros podem fazer uso da palavra escrita; eles, com efeito, não devem submeter-se passivamente a certos programas que lhes seriam impostos, a prejuízo da liberdade e do controle responsável da própria fecundidade; eles são os agentes do seu próprio desenvolvimento.

 

3. Diante da gravidade das condições de vida de irmãos e irmãs mantidos afastados da cultura contemporânea, é nosso dever manifestar-lhes toda a solidariedade. Todas as iniciativas destinadas a favorecer o acesso à leitura e à escritura, são condição primária para contribuir ao amadurecimento da inteligência do pobre, e para que possa viver com maior autonomia. A alfabetização e a escolarização são um dever e uma inversão essenciais para o futuro da humanidade, para "o desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens" como afirmou o Papa Paulo VI (Populorum progressio, n. 42).

 

Em cada povo, quanto maior for o número de pessoas que se beneficiam de uma educação básica, tanto mais poderá a inteira comunidade tomar as rédeas do seu próprio destino. Neste sentido, a alfabetização facilita a colaboração entre as nações e a paz no mundo. A igual dignidade das pessoas e dos povos exige que a comunidade internacional se mobilize para superar as desigualdades prejudiciais, que mantêm ainda na ignorância milhões de seres humanos.

 

4. A este propósito, desejo fazer constar aqui minha gratidão a todas as pessoas e organizações que estão comprometidas nesta obra de solidariedade que é a alfabetização. Dirijo-me particularmente às forças sociais e religiosas, aos professores, aos alunos e estudantes, como também a todas as pessoas de boa vontade, convidando-os a partilhar ainda mais, seus bens materiais e culturais: que se conduzam assim no próprio ambiente, e apoiem a acção das organizações especificamente comprometidas na promoção da alfabetização nas diversas partes do mundo.

 

5. A penetração da evangelização poderá ser favorecida pelo progresso da alfabetização, na medida em que ajudarmos cada irmão e irmã a acolher de modo mais pessoal a mensagem cristã, e a prolongar a escuta da Palavra de Deus mediante a leitura. Tornar acessível ao maior número de pessoas a Sagrada Escritura, na medida em que for possível fazê-lo na própria língua, não poderá mais do que enriquecer a reflexão e a meditação dos que buscam o sentido e a orientação da própria vida.

 

Exorto vivamente os pastores da Igreja a tomar a peito e encorajar este grande serviço prestado à humanidade. Trata-se de uma tarefa, que une o anúncio da Boa Nova à transmissão de um conhecimento que permita aos nossos irmãos e irmãs assimilar pessoalmente a importância desta mensagem, experimentar toda sua riqueza e integrar-se pessoalmente na sua cultura. Como não recordar que, na nossa época, trabalhar pela alfabetização significa contribuir para a edificação da comunhão baseada numa autêntica e activa caridade fraterna?

 

6. Pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, peço a Deus de escutar a nossa voz e de inspirar os corações, para que esta Quaresma de 1995 marque uma nova etapa na conversão que Nosso Senhor pregou, desde o início da sua missão messiânica, com o olhar dirigido a todas todas as nações (cf. Mt 4, 12-17) Com estes auspícios, vos concedo de coração a Bênção Apostólica.

 

Vaticano, 7 de Setembro de 1994

IOANNES PAULUS PP. II

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

Reflexão na Quaresma

 


Pedir opinião

 

Ocorreu-me agora que algumas vezes peço uma opinião.

 

Opinião ou conselho?

 

Bom… a minha maneira de ser, o meu “estatuto”, não se “compadece” com conselhos, portanto, pedir uma opinião será como que uma cobarde forma de disfarçar uma necessidade de conselho.

 

E porquê este falso problema?

 

Pedir uma opinião é considerar outro como capaz de nos revelar algo que não o estamos a ver no imediato?

Pedir um conselho equivale e dizer quem necessitamos de orientação?

 

Julgo que se trata, fundamentalmente de uma questão directamente ligada à humildade pessoal.

Somos o que somos, sabemos o que julgamos saber, porque não aferir com outro de confiança e critério reconhecidos aquilo sobre o que se verifica a dúvida ou inquirição?

 

Só não fazemos por dois motivos e referências principais:

 

Orgulho pessoal;

Auto convencimento.

 

Ambas são péssimas razões.

 

(AMA, reflexões, 2018)

Sacramentos

 


O Matrimónio

 

4. A paternidade responsável

Mediante o recurso à contracepção exclui-se o significado procriativo do acto conjugal; o uso do matrimónio nos períodos infecundos da mulher respeita a inseparável conexão dos significados unitivos e procriativos da sexualidade humana. No primeiro caso, comete-se um acto positivo para impedir a procriação, eliminando do acto conjugal a sua potencialidade própria em ordem à procriação; no segundo, só se omite o uso do matrimónio nos períodos fecundos da mulher, o que por si não lesa nenhum outro acto conjugal da sua capacidade procriadora no momento da sua realização ( Cf. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris Consortio , 32; Catecismo , 2370. A supressão do significado procriativo implica a exclusão do significado unitivo do acto conjugal: «deriva daqui, não somente a recusa positiva de abertura à vida, mas também uma falsificação da verdade interior do amor conjugal, chamado a doar-se na totalidade pessoal» (Ex. ap. Familiaris Consortio , 32).

Assim, a paternidade responsável, tal como a proclama a Igreja, não admite nenhum modo a mentalidade contraceptiva; antes pelo contrário, responde a determinada situação provocada por circunstâncias pontuais, que em si não se desejam, mas suportam-se, e que podem contribuir, com a ajuda da oração, por unir mais os cônjuges e toda a família.

Pequena agenda do cristão - Domingo

  


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)





























06/03/2021

Leitura Espiritual Mar 06

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc IV, 33-44; V, 1-11

 

Jesus liberta um possesso do demónio

33 Encontrava-se na sinagoga um homem que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz: 34 «Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!» 35 Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe fazer mal algum. 36 Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!» 37 A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.

 

Jesus cura a sogra de Pedro e outros doentes

38 Deixando a sinagoga, Jesus entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com muita febre, e intercederam junto dele em seu favor. 39 Inclinando-se sobre ela, ordenou à febre e esta deixou-a; ela erguendo-se, começou imediatamente a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos quantos tinham doentes, com diversas enfermidades, levavam-lhos; e Ele, impondo as mãos a cada um deles, curava-os. 41 Também de muitos saíam demónios, que gritavam e diziam: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Ele repreendia-os e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Messias.

 

Jesus prega em várias cidades

42 Ao romper do dia, saiu e retirou-se para um lugar solitário. As multidões procuravam-no e, ao chegarem junto dele, tentavam retê-lo, para que não se afastasse delas. 43 Mas Ele disse-lhes: «Tenho de anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.» 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.

 

Pesca milagrosa

V 1  E aconteceu que, apertando-o a multidäo, para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2  E viu dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. 3  E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco a multidão. 4  E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faz-te ao mar alto, e lançai a rede para pescar. 5  E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob a tua palavra, lançarei a rede. 6  E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede. 7  E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique. 8  E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem pecador. 9  Pois que o espanto se apoderara dele, e de todos os que com ele estavam, por causa da pesca que haviam feito. 10  E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens. 11  E, levando os barcos para terra, deixaram tudo, e seguiram-nO.

 

Textos



Como o “ter” modifica a pessoa.

Muitas vezes somos levados a pensar que se estivéssemos no lugar de alguém que tem determinada posição social, a nossa atitude seria bem diferente.

Não tenho, na verdade, tanta certeza que assim seja.

Adiantando, estabeleço, desde já, que a posse - seja de um bem material, espiritual ou outro, o cargo ou posição social que se desempenha ou ocupa - condiciona e, de certa forma, “formata” o comportamento das pessoas.

Parece indiscutível que são deploráveis os resultados das acções irresponsáveis praticadas por quem tem responsabilidades.

Há muitíssimos anos, ouvi sem querer uma conversa ao telefone em que alguém contestava uma proposta que outro lhe fazia para ocupar um determinado lugar público: 'Mas, dizia, eu não tenho categoria para desempenhar esse lugar'!

Na altura - teria os meus dezoito anos - não entendi porque a pessoa em questão acabou por aceitar o tal lugar onde acabaria por permanecer doze anos mas, depois, fiquei a saber que o argumento que o convencera fora: 'Basta que o meu amigo seja igual a si mesmo'!

Igual a si mesmo!

Esta frase que ouvi desde que me conheço traduz uma profundidade que, confesso, levei muito tempo a alcançar.

Entendi a amplitude do seu significado, quando a contrapus com as palavras de Cristo: «seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que passa disto procede do maligno» [1]

A grande dificuldade - enorme para muitos - é a tentação de agradar a todos e não desagradar a ninguém.

Por norma, evitam a resposta directa e clara, escondendo-se em evasivas que não comprometam.

Evidentemente que, muitas vezes, o fazem por ignorância mas, como não são capazes de a admitir, como seria correcto, evoluem em desconcertantes 'ouvi dizer', 'constou-me que', como se a responsabilidade do que dizem fosse de outros e não deles próprios.

Como se, por exemplo, um professor pudesse dar uma explicação séria e credível, deixando transparecer que não acredita no que explica.

Ou, ainda, aqueles - e serão bastantes - que no confessionário - expõem os seus pecados como se fossem cometidos por outros.

 

A dificuldade em assumir a responsabilidade dos próprios actos é a consequência de uma consciência deformada.

Pode dizer-se que 'sim, sim, não, não’, é radical e uma falta de urbanidade; mas, de facto, iludir a questão, com um ‘talvez’… ou, ‘vamos a ver’, não passa de uma deformação de carácter e, o pior, é que com o tempo e a sua prática continuada se vai tornando numa faceta sempre presente que se apresenta automaticamente.

É a chamada compulsão que significa exactamente fazer algo movido por um impulso a que (já) não se resiste, porque nem se dá por ele.

Muito facilmente esta pessoa cai na mentira, invenção ou manipulação de factos e realidades, acabando por criar uma personalidade artificial onde o verdadeiro se confunde com a fantasia.

Note-se que, curiosamente, esta forma de proceder tem origem numa ‘falsa preguiça’ que é, no fim e ao cabo, partir do princípio que é mais fácil proceder assim que criar obra própria e, dizemos ‘falsa preguiça’ porque, de facto, fazer uma cópia ou um decalque exige quase o mesmo esforço.

A continuação desta forma de proceder acaba, fatalmente, em formas mais graves de apropriação de obras de outros.

É o que se passa, por exemplo, com o plágio na escrita em que se começa por copiar pequenos trechos, modificando-os um pouco, até acabar na cópia pura e simples de trechos completos de obras alheias.

Alguma impunidade de que pode, durante algum tempo, gozar, leva-o a ‘avançar’ mais descaradamente ainda na apropriação do que não é obra sua.

Esta é uma forma de actuar quase compulsiva, um hábito, que, curiosamente, não tem nenhuma explicação lógica porque, ele próprio é capaz de produzir obra de semelhante valor.

Também, com enorme à vontade, se atribuem qualidades, experiências e, até, graus académicos que não têm.

Algumas chegam a contar histórias, acontecimentos, peripécias que foram vividas por outros, que, naturalmente, não estão presentes para colocar a verdade onde ela deve residir.

A grande - enorme - dificuldade para muitos é a tentação de agradar a todos e não desagradar a ninguém.

A incapacidade de dizer 'não sei' é real porque, intimamente, está convencido que sabe ou, pelo menos, conhece razoavelmente.

Uma das características desta pessoa é uma extraordinária capacidade inventiva o que, não raro, o leva a balançar-se em áreas muito específicas como seja, por exemplo, a expressão artística.

 

 



[1] Mt 5, 37

Santíssima Virgem

Maria Mestra de caridade

 

Maria cooperou com a sua caridade para que nascessem na Igreja os fiéis membros da Cabeça de que é efectivamente mãe segundo o corpo. Como Mãe, ensina; e, também como Mãe, as suas lições não são ruidosas. É preciso ter na alma uma base de finura, um toque de delicadeza, para compreender o que nos manifesta, mais do que com promessas, com obras.

 

J. A. Loarte

Filosofia e Religião, Vida Humana

 


CONCEITO CRISTÃO DE DEMOCRACIA

  Parte do princípio de que o homem é uma realidade espiritual e material,dotado de liberdade e de inteligência, com capacidade para comandar o seu próprio destino transcendente a si mesmo e ao mundo, à busca de uma realização temporal e eterna. Inserido na comunidade de todos os homens, com os quais se sente solidário, integra-se nela através de grupos naturais e electivos, que vão da família ao estado, passando pelas formas da escola, campos de trabalho, diversão e cultura, mediante associações livres, como a Igreja, sindicatos, empresas, comunidades cívicas, etc.

  Nesta concepção, o estado não tem apenas a função de “polícia” que vela pela ordem pública, como na mentalidade liberal, nem é o senhor omnipotente da ideologia marxista. Desempenha um verdadeiro papel na vida dos homens, promovendo o bem comum, o respeito pelos organismos intermédios, suprindo as suas carências, num verdadeiro princípio de subsidiariedade. O estado da verdadeira democracia estabelece orgãos de diálogo e participação entre os quais são de assinalar os meios de comunicação social, os partidos políticos, os sindicatos, através dos quais se torna possível a todos e a cada um ter parte activa e responsável nos diversos escalões davida social.

 

(A Ferraz, Cristãos e liberdades democráticas, BROTÈRIA, Vol. 99, 1974)

Reflexão na Quaresma

 


Olhar ao longe

 

Realmente, caminhar olhando para o chão pode ser uma medida preventiva de, por exemplo, não tropeçar nos obstáculos.

 

Mas, na verdade, se o olhar se dirigir em frente veremos na mesma os obstáculos mas com a vantagem de ter tempo de os evitar.

 

Convém pois, olhar em frente para se ter uma perspectiva mais completa e real do caminho que se percorre e, também, para não perder de vista o vulto de Cristo que nos guia.

 

(AMA, reflexões, 2019)

Pequena agenda do cristão - Sábado

   



SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

05/03/2021

Leitura Espiritual Mar 05

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc IV, 14-32

 

Jesus na Galileia

14 Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. 15 Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

 

Jesus prega na sinagoga de Nazaré

16 Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. 17 Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: 18 «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, 19 a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» 20 Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.» 22 Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?» 23 Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo.’ Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também aqui na tua terra.» 24 Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. 25 Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26 contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. 27 Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»

 

Os habitantes de Nazaré querem matar Jesus

28 Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. 29 E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. 30 Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.

 

Jesus vai a Cafarnaúm

31 Desceu, depois, a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado. 32 E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.

 

Textos



Felicidade

  Todo o ser humano tem esta ânsia de felicidade e, muitas vezes, procura-a onde ela não se encontra.

 São Tomás de Aquino define-a lapidarmente:

  verdade.’ ([1])

 

Vocação

  Um professor de matemática, em casa, não tem - nem deve - ensinar matemática ao filho, mas sim transmitir-lhe a fórmula que um pai usa para o educar, de um modo geral, por exemplo, levá-lo a compreender a necessidade e vantagens de conhecer razoavelmente a matemática para poder evoluir capazmente no conjunto do plano de estudos.

Não se trata de uma dicotomia do tipo:

Em casa ensino humanista, na escola ensino técnico.

  O que pode definir um bom médico pode muito bem ser, além dos conhecimentos técnico-científicos, as capacidades pessoais de interpretação e execução e também a sua estrutura moral e cívica, enfim, o seu carácter.

 

O “querer” dos filhos

  Como pessoas que são, com uma individualidade singular, os filhos têm o seu querer, a sua vontade.

Podem e devem ter direito a ser-lhe concedida oportunidade de a manifestar, de forma correcta.

Esta forma correta quer dizer com respeito e com moderação ou, por outras palavras, nunca como uma imposição.

Mas, evidentemente, os filhos têm de aprender a querer, a educar a vontade, a ter uma noção da razoabilidade do que querem.

  Aqui entra a pedagogia da liberdade que é, no fim e ao cabo, a educação necessária e a que o filho tem direito de receber.

  Com este princípio muito básico: A liberdade pode resumir-se como sendo o respeito por si próprio e pelos outros; estabelecem-se, desde logo, os parâmetros, os limites, o enquadramento da liberdade individual.

  O filho entenderá que o seu querer não é absoluto mas sempre relativo porque não está isolado mas inserido num conjunto de quereres e conveniências de outros, nomeada e principalmente, da família próxima, os pais e os irmãos.

Não se trata aqui do querer da maioria mas sim de o querer pessoal contribuir para esse querer familiar.

Por isso, as famílias com um só filho têm alguma dificuldade de pesar ou avaliar o querer deste, já que não “joga” ou confronta nenhum outro querer.

Ele absorve toda a atenção e disponibilidade dos pais que não têm com quem reparti-las.

  Seguindo o ponto anterior, vamos abordar o tema:

O controlo da vontade e dos sentimentos, no caso, querer e desejar.

  Como é que se controla a vontade pessoal?

  Esta pergunta é legítima?

  Talvez seja desde que se tenha bem presente o que é, exactamente, a vontade pessoal. Concretamente não parece haver uma definição que satisfaça inteiramente porque tem a ver com a liberdade, tema já sobejamente abordado, logo, a vontade pessoal poderia definir-se como o uso que se dá a essa mesma liberdade pessoal.

Então, no fim e ao cabo, o que se trata é de controlar a liberdade pessoal ou, aquilo que entendemos como tal.

Nos casos que estamos a analisar: sentimentos, querer e desejar, - está bem de ver que a liberdade pessoal tem um âmbito tão vasto, abrangente e universal, que para um uso correcto -, que não fira nem o próprio nem os outros, tem de obedecer a regras e princípios.

Penso que a melhor forma de resolver o assunto - controlar a vontade ou a liberdade pessoais – é ter bem presente que todos os nossos actos, por mais insignificantes que possam ser, têm sempre consequências, causam efeitos, originam ondulações que, por vezes, nem sequer suspeitamos que possam vir a existir ou o alcance que virão a ter.

 

Não se trata de ir pela vida, circunspectamente, analisando, com o maior cuidado e rigor, o que se faz ou pensa e deseja porque, seguramente, se cairá no exagero exacerbado e tíbio de nunca fazer pensar ou desejar coisa nenhuma (se é que tal é possível), ou, pelo menos, ficar-se num imobilismo cómodo, cobarde e egoísta.

 

Em primeiro lugar há que ver quem somos na vida, o papel que ocupamos na sociedade e ter claro o que tal representa de responsabilidade e deveres.

 

A cada um compete ter evidente o que dele podem esperar, em primeiro lugar, aqueles com quem convive mais proximamente, na família, no trabalho, enfim, no ambiente e nas circunstâncias que lhe são próprias.

 

Este é um exercício, diria, de toda a vida, constante e sem pausa, porque, também, a evolução natural das circunstâncias e outras, como a idade, por exemplo, vão alterando os parâmetros, as condições, os pressupostos e, sobretudo as realidades.

 



[1] São tomás de aquino, Suma Teológica, Q. 3, a. 6.