11/02/2021

Reflexão

 


A liberdade das pessoas significa que estas podem amar Deus. Já que, sem liberdade, o amor não é possível. O sofrimento é, portanto, a consequência de uma escolha errada de liberdade.

 

(Gisbert Greshake, Der Preis der Liebe, Bestnnung uber das Leid, Freiburg, 1978, p. 31)

Deus está junto de nós continuamente

 

É preciso convencermo-nos de que Deus está junto de nós continuamente. – Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos – ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando... e perdoando. Quantas vezes fizemos desanuviar a fronte dos nossos pais, dizendo-lhes, depois de uma travessura: não torno a fazer mais! – Talvez naquele mesmo dia tenhamos tornado a cair... – E o nosso pai, com fingida dureza na voz, de cara séria, repreende-nos..., ao mesmo tempo que se enternece o seu coração, conhecedor da nossa fraqueza, pensando: pobre rapaz, que esforços faz para se portar bem! É necessário que nos embebamos, que nos saturemos de que é Pai e muito Pai-nosso, o Senhor que está junto de nós e nos Céus. (Caminho, 267)

Leitura espiritual Fev 11

 


Novo Testamento [i]

 

Evangelho


Mc X, 17-31


 

O perigo das riquezas

17 Quando se punha a caminho, alguém correu para Ele e ajoelhou-se, perguntando: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» 18 Jesus disse: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um só: Deus. 19 Sabes os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes, honra teu pai e tua mãe.» 20 Ele respondeu: «Mestre, tenho cumprido tudo isso desde a minha juventude.» 21 Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele e disse: «Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» 22 Mas, ao ouvir tais palavras, ficou de semblante anuviado e retirou-se pesaroso, pois tinha muitos bens. 23 Olhando em volta, Jesus disse aos discípulos: «Quão difícil é entrarem no Reino de Deus os que têm riquezas!» 24 Os discípulos ficaram espantados com as suas palavras. Mas Jesus prosseguiu: «Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.» 26 Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode, então, salvar-se?» 27 Fitando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível.» 28 Pedro começou a dizer-lhe: «Aqui estamos nós que deixámos tudo e te seguimos.» 29 Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do Evangelho, 30 receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, juntamente com perseguições, e, no tempo futuro, a vida eterna. 31 Muitos dos que são primeiros serão últimos, e muitos dos que são últimos serão primeiros.»

Texto:

 


É o chamado testemunho!

  Fala-se como de uma espécie de transmissão de algo para outros que, normalmente, vêm depois.

  O testemunho é importante porque além da referência e exemplo que constitui, forma como que uma sólida meta que o outro atingiu e que entregou como legado final.

Testemunho é assim algo de importância muito relevante porque, não poucas vezes, é a única base para construir algo.

  Dar testemunho é garantir a outrem que aquilo que está em causa aconteceu de facto de determinada forma.

  Claro que só pode dar testemunho quem presenciou o facto e dele tomou conhecimento, directamente.

  Por isso o testemunho dos Mártires cristãos é suficiente para poderem ser venerados como Santos pois que maior testemunho pode haver que dar a própria vida pela Fé?

  É interessante lembrar que uma das preocupações dos nossos antepassados era legar aos vindouros um testemunho à prova de boatos ou maledicência de quem se sucedesse no futuro com interesse em denegrir ou ofuscar ou a imagem ou a actuação.

Dizia-se “testemunho à prova de fogo” querendo, com isto, significar a absoluta credibilidade do mesmo.

  Quem se preocupa, hoje em dia, com este assunto?

  Por isso a juventude tem tão pouco a que se agarrar.

  Sem princípios, objectivos, metas, sem ideais nem exemplos e, também, sem testemunhos tem forçosamente de descobrir, por si própria, o caminho que lhe convém. E isto é, há que referi-lo, muito difícil!

  Os pais têm de ter em atenção que as oportunidades raramente se repetem - por isso se chamam oportunidades - e estar prontos a intervir sem hesitação e, muito menos, receio.

  O jovem não espera que o seu pai seja um super-homem com a solução pronta para qualquer problema, mas, isso sim, tem tendência para esperar dele uma atitude interessada e disponível para tentar, em colaboração com o filho, encontrar a solução ou caminho que se afigure mais conveniente.

  Além de um direito, que efectivamente tem, de esperar tal atitude do seu Pai, o jovem não encarará jamais a conclusão como algo imposto ou fortemente recomendado pelo poder paternal uma vez que, ele próprio, foi colaborador consciente da resposta ou caminho encontrados.

  Uma das razões aduzidas pelos governantes para proporem a tal “educação sexual”, será a de que não existe, geralmente, habilitação paternal para o efeito e que, para suprir tal falta, o jovem obtém o conhecimento dos companheiros de classe ou convívio, com todos os erros e deficiências que tal supõe.

  Em parte, isso corresponde à realidade, não só porque os pais ou estão ausentes ou desatentos mas também, e este será um motivo de considerável peso, porque são filhos únicos - sendo na melhor parte o clássico “casalinho” e, obviamente, o irmão não tem este tipo de conversas com a irmã e vice-versa - não tendo um irmão mais velho a quem observar e questionar, ou um mais novo que o questione forçando-o a procurar as respostas correctas.

  É bem visível o à-vontade e a atitude de partilha de uma família com vários filhos, em contraste com a reserva e egoísmo revelado pela família de padrão moderno: um pai e uma mãe separados, dividindo entre si a gestão do casalinho a que deram a vida e o nome.

 Do desprendimento das coisas.

 Muito nos fala a Igreja da necessidade de desprendimento e é muito natural que o faça porque Jesus Cristo, na Sua pregação, insistiu vezes sem conta nesta necessidade.

 Em primeiro lugar temos a considerar que Deus aceita e quer aos homens de forma igual, sejam ricos, muito ricos ou pobres, muito pobres, muito inteligentes ou pouco ou, mesmo nada, cultos ou iletrados.

 Porque Deus ama o ser humano por aquilo que é e não pelo que tem ou possui.

 Vemos como no Evangelho, [1] Jesus não tem pejo nenhum em considerar a entrega de dez minas a um homem.

Ao termos em conta que a uma mina corresponderiam, mais ou menos, uns cinquenta quilos de prata, apreciamos que se trata de uma quantia enorme e que, portanto, a Cristo não Lhe repugna que alguém detenha tão considerável fortuna.

Mais, deseja que a faça render e crescer em valor para poder recolher, quando for o tempo, uma mais-valia apreciável, como diríamos hoje.

 Este personagem fez o que estava implícito na atitude do seu Senhor: pôs o pecúlio a render de forma a corresponder ao que lhe foi solicitado e, por tê-lo feito, merece um grande elogio e uma compensação que talvez não esperasse.

 Conclui-se que, quando Deus entrega dez espera receber, pelo menos, vinte e que esse trabalho, por assim dizer, compete ao homem levá-lo a cabo.

Recebeu os meios e fê-los render.

Era a sua obrigação.

 O terceiro personagem tem uma atitude completamente diferente.

Recebendo apenas um talento – mesmo assim uma quantia não despicienda – não se preocupa a não ser em conservar intacto o que recebera.

Não arrisca nada, não procura a melhor forma de cumprir a ordem «Negociai com elas até eu voltar», é cobarde e desleixado.

De facto, devolve o que recebera o que, em si, não é mau, já que, pelo menos, não esbanjou em proveito próprio aquilo que não lhe pertencia, mas esqueceu-se do encargo que vinha junto.

Por isso, não só o Senhor o reprova como lhe retira o que lhe tinha entregue.

  Pode dizer-se que enquanto este ficou agarrado ao que recebera, preocupando-se em mantê-lo seguro – enterrando-o – sem nenhuma preocupação de utilizar esse bem da forma possível e honesta de forma a desenvolvê-lo e, eventualmente, aumentá-lo que era o que lhe tinha sido ordenado.

Além de não cumprir demonstrou incapacidade para lhe serem confiados quaisquer bens, já que se presume que teria agido de igual forma caso o bem que lhe fora confiado fosse de valor diferente.

  O que cumpriu as instruções e levou a cabo com coragem e destemor a tarefa que lhe fora cometida, sem o medo da responsabilidade por ter de cuidar de tão avultados bens, mostrou um desprendimento notável porque, de facto, deu mais valor ao que lhe foi mandado fazer do que àquilo que lhe foi entregue.

Também não cedeu à possível tentação de se apropriar de uma autêntica fortuna, fazendo-a sua, dando-lhe o destino e aproveitamento que melhor lhe aprouvesse.

O resultado foi receber como seu, definitivamente, o que lhe fora confiado, acrescido do resultado da sua acção e, ainda, muitíssimo mais benefícios e bens.

  O que sucedeu nesta parábola acontece, de facto, com qualquer ser humano.

  Todos recebemos uns bens, uns predicados, umas oportunidades, de forma diferenciada, naturalmente, mas de acordo com as capacidades de cada um.

E o que acontece é que temos, um dia que talvez não venha muito distante, de prestar contas detalhadas do que fizemos com tudo isso.

Tomamos esses bens como pertença própria e exclusiva para fazer deles o que bem entender-mos ou, pelo contrário, consideramo-nos apenas fiéis depositários do pouco ou muito que nos foi confiado?

  Temos em atenção que somos como que simples banqueiros a quem as pessoas entregam os seus bens confiando que os iremos gerir de forma adequada, competente e séria e estarmos disponíveis para os devolver ao seu legítimo proprietário com as mais-valias conseguidas tal como legitimamente se espera?

  Consideramos apenas que o que nos interessa é devolver o que foi previamente combinado e que tudo o mais, que eventualmente conseguirmos, é pertença nossa?

No primeiro caso é evidente que conquistaremos a confiança dos outros e ser-nos-ão entregues muitos mais bens para que os administremos.

  No segundo não fazemos mais que aproveitarmo-nos da confiança em nós depositada para alcançar uns frutos que não temos que ter.

Sim, porque, se cobramos pela administração dos bens alheios um valor combinado, ou todo o resto que sobrar não nos pertence.

  Mas, na vida corrente da sociedade em que vivemos é, de facto isto que acontece?

  Tenho de responder – com mágoa – não!

 Os Bancos deveriam tratar por igual todos os seus depositantes e não fazer distinções entre os que depositam muito – ou muitíssimo – e os que lhe entregam pouco, ou muito pouco.

Trata-se de um negócio entre pessoas que têm de confiar umas nas outras e proceder com lisura em todos os trâmites.

O que acontece realmente é bem diferente.

A alguém que tem uma dívida astronómica os banqueiros tratam-no “com o chapéu na mão”, na esperança de reaver pelo menos, uma parte do seu crédito.

A um outro qualquer que, por qualquer razão séria ou furtuita, revele uma pequena dívida, não deixam de exercer todo o tipo de pressão até que pague, ainda que, para tal, seja necessário confiscar-lhe os últimos bens que lhe restem mesmo que, estes, não cubram nem uma pequena parte do devido e seja necessário, por vezes, gastar mais no processo de recuperação do crédito que o valor deste.



[1] Cfr. Lc 19, 11-28

 

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Oração pelos sacerdotes

                                           

                                           



Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

(AMA, 2009)


Com autorização eclesiástica

Festas

 


NOSSA SENHORA DE LURDES

Pequena agenda do cristão - Quinta - Feira

  


Quinta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

10/02/2021

Tu e eu procedemos como filhos de Deus?

 

Um filho de Deus não tem medo da vida nem medo da morte, porque o fundamento da sua vida espiritual é o sentido da filiação divina: Deus é meu Pai, pensa, e é o Autor de todo o bem, é toda a Bondade. – Mas tu e eu procedemos, de verdade, como filhos de Deus? (Forja, 987)

A nossa condição de filhos de Deus levar-nos-á – insisto – a ter espírito contemplativo no meio de todas as actividades humanas – luz, sal e levedura, pela oração, pela mortificação, pela cultura religiosa e profissional –, fazendo realidade este programa: quanto mais dentro do mundo estivermos, tanto mais temos de ser de Deus. (Forja, 740)

Leitura espiritual Fev 10

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc X, 1-16

 

Na Pereia

1 Saindo dali, foi para a região da Judeia, para além do Jordão. As multidões agruparam-se outra vez à volta dele, e outra vez as ensinava, como era seu costume.

 

O matrimónio é indissolúvel

2 Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher. 3 Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?» 4 Disseram: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.» 5 Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito. 6 Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. 7 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, 8 e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. 9 Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.» 10 De regresso a casa, de novo os discípulos o interrogaram acerca disto. 11 Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. 12 E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.»

 

Jesus e as crianças

13 Apresentaram-lhe uns pequeninos para que Ele os tocasse; mas os discípulos repreenderam os que os haviam trazido. 14 Vendo isto, Jesus indignou-se e disse-lhes: «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles. 15 Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» 16 Depois, tomou-os nos braços e abençoou-os, impondo-lhes as mãos.


Texto:



E o que é o ideal?

Hoje mesmo, talvez próximo de nós, um ou uma jovem parte numa aventura missionária para um lugar qualquer que nem tem que ser muito longe.

  Pelas noites escuras e agrestes, avançam destemidos e entusiasmados esses exércitos de jovens procurando desgraçados com fome e com frio, carentes do mais básico necessário à vida, de destroços humanos consumidos pelos excessos de álcool e de drogas, abandonados por uma sociedade que não tem respostas para lhes dar nem apoios que cheguem para as suas carências.

  E estes actuais Francisco Xavier ou Teresa de Calcutá e muitos, muitos outros aprendizes de missionários, mantêm bem vivo o ardente ideal de Francisco de Assis e o entusiasmo sonhador de Inácio de Loyola.

  Talvez hoje existam como que duas sociedades que vivem nos mesmos locais e têm as mesmas leis a que obedecer e os mesmos princípios oficiais porque reger-se mas que na verdade são completamente diferentes.

  Uma rege-se por um hedonismo exacerbado e um egoísmo pessoal e até colectivo que se fecha como que numa grande bolha impenetrável à sua volta donde ninguém entra nem ninguém sai.

Paralelamente existe essa outra sociedade constituída por pessoas normais e correntes, com avultados meios de fortuna ou escassez de bens, mas que têm uma atitude comum: o sentimento do Samaritano.

  Não passam indiferentes pelas ruas da cidade, as mais movimentadas e as de pouquíssimo tráfego, que vão às praças públicas bem iluminadas de noite e também se aventuram nas alfurjas escondidas em vielas escuras.

  Levam com eles poucas palavras ou conselhos porque aqueles que procuram precisam de pão, roupa, assistência de toda a ordem e as palavras por belas que sejam ou os conselhos mesmo preciosos não lhes tiram a fome, tapam a nudez ou resolvem os problemas.

  Quem já assistiu - repete-se -, assistiu a coisas destas não pode deixar de ficar fascinado com a beleza carinhosa e ao mesmo tempo rude e normal como estas pessoas actuam. E o extraordinário, é que pouca gente sabe quem são, normalmente, só o sabem os do mesmo grupo.

  O que ganham? Meu Deus! O que ganham!

  «Tudo o que fizeste por um destes Meus irmãos, foi a Mim que o fizeste»! [1] 

  Que prémio! Que fantástico “empate de capital”!

  Mas, estranhamente, pode observar-se que não é a recompensa – embora fabulosa de servir o próprio Deus – que move estas pessoas.

Dir-se-ia que existe como que uma espécie de fúria perante a passividade e impassibilidade de uma grande parte da sociedade que passa e vive como que à margem destas gritantes realidades e essa fúria traduz-se numa urgência incontida de socorrer, de assistir, de apoiar toda essa enorme – e crescente – multidão de carenciados de toda a espécie.

  Estas pessoas sentem um apelo irresistível para colmatar as falhas graves quer da sociedade quer dos que governam as sociedades, e num voluntariado exemplar e anónimo, entregam-se com uma alegria contagiante a trabalhos esgotantes e muito esforçados.

  É a solidariedade de que já se falou, elevada a um grau de insuspeitada doação de si mesmo e das suas capacidades de acorrer com o que se pode, sem esperar nenhum retorno ou benefício.

  Perante o sacerdote e o levita que passam apressados, estes samaritanos não são capazes de continuar o caminho sem se deterem junto dos que jazem na vera do caminho e, debruçando-se sobre eles, inteirarem-se do que precisam e do que está na sua mão poderem fazer por eles.

  São pessoas que trabalham, são casadas e têm família, muitas vezes filhos pequenos para cuidar, outras que tendo poucas obrigações a cumprir, ocupam o seu tempo desta forma e outras, muitas, que o fazem pelo prazer íntimo de poder ajudar quem precisa.

  Estes samaritanos também são pessoas jovens, recém-licenciados ou simples estudantes que encontram, no pouco tempo de que dispõem, umas horas para se dedicarem com entusiasmo a estas actividades.

  Há a firme convicção que a sociedade actual só não se afunda de vez porque existem estas pessoas que funcionam como flutuadores neste mar revolto de indiferentismo e indiferença e, assim, mantêm à tona um barco que mete água por todos os lados ameaçando naufrágio a cada ondulação mais forte.

  Estas pessoas, jovens e de maior idade, não precisaram dos ensinamentos preciosos e imprescindíveis – segundo agora se quer fazer crer – que o Estado pretende ministrar desde a tenra idade sobre a sexualidade, as relações entre pessoas do mesmo sexo, unilaterais ou em grupo, para serem pessoas com sentido de vida verdadeiro e firme, de ideias concretas e correctas, de princípios estáveis e bem assentes, de vontade bem dirigida, de ideal bem definido, com capacidade de agir sem demora em favor dos outros que podem precisar da sua assistência ou apoio seja ele qual for.

  Não… não precisaram de receber essa estúpida e soês “educação” que o Estado tão magnanimamente quer ministrar.

Bastaram-lhe uns Pais, uma família que lhes instilaram os princípios básicos da vida, que os ensinaram com o exemplo concreto a enfrentarem os desafios e que, sobretudo, lhes deram a noção correcta da diferença entre um homem e uma mulher, do seu papel na sociedade e das regras de convivência observando o respeito pela própria pessoa e pela pessoa dos outros.

  Na vida corrente, a normal do comum das pessoas, vai-se tomando nota daquilo que os outros fazem ou fizeram que, de alguma forma, sobressai e se nota. 

 



[1] Cfr. Mt 25, 40

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

 

Tudo o que é duro torna-se leve com o amor (…). Que não faz o amor?

Vede como trabalham os que ama: não sentem o que padecem, aumentam os seus esforços segundo aumentam as dificuldades.

 

(Santo Agostinho, Sermão 96, 1)

Virtudes

 

A alegria cristã 9

Os paradoxos do Cristianismo

Agradecer

 

Caminho, [1] alimentado por raiz cristã, não poderia estar longe desta rica textura da alegria. No ponto 268 pode ler-se: “Dá-Lhe graças por tudo, porque tudo é bom” (Caminho, 268). Considero que o texto fundamental sobre a alegria é este. Deste dar graças por tudo nasce uma alegria grande, como o Evangelho gosta de dizer: os anjos anunciam, no Nascimento de Cristo, «uma grande alegria» (Lc 2, 10); «os discípulos, confortados pela bênção de Cristo, que voltou para o Pai, experimentam uma grande alegria» (Lc 24, 50-52).



[1] São Josemaria Escrivá

Pequena agenda do cistão

   

Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

09/02/2021

Encherás o mundo de caridade

 

Não podes destruir, com a tua negligência ou com o teu mau exemplo, as almas dos teus irmãos os homens. – Tens – apesar das tuas paixões! – a responsabilidade da vida cristã dos que te são próximos, da eficácia espiritual de todos, da sua santidade! (Forja, 955)

Longe fisicamente e, contudo, muito perto de todos: muito perto de todos!... – repetias feliz. Estavas contente, graças a essa comunhão de caridade, de que te falei, que tens de avivar sem cansaço. (Forja, 956)

Perguntas-me o que é que poderias fazer por aquele teu amigo, para que não se encontre sozinho. Dir-te-ei o que sempre digo, porque temos à nossa disposição uma arma maravilhosa, que resolve tudo: rezar. Primeiro, rezar. E, depois, fazer por ele o que gostarias que fizessem por ti, em circunstâncias semelhantes. Sem o humilhar, é preciso ajudá-lo de tal maneira que se lhe torne fácil o que lhe é difícil. (Forja, 957)

Leitura espiritual Fev 09

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc IX, 30-50

 

Nova profecia da Paixão

30 Partindo dali, atravessaram a Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, 31 porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.» 32 Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar.

 

Humildade

33 Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?» 34 Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. 35 Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» 36 E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: 37 «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»

 

Zelo sem ciúmes

38 Disse-lhe João: «Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue.» 39 Jesus disse-lhes: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. 40 Quem não é contra nós é por nós.

 

Caridade

41 Sim, seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.»

 

Escândalo e inferno

42 «E se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria para ele atarem-lhe ao pescoço uma dessas mós que são giradas pelos jumentos, e lançarem-no ao mar. 43 Se a tua mão é para ti ocasião de queda, corta-a; mais vale entrares mutilado na vida, do que, com as duas mãos, ires para a Geena, para o fogo que não se apaga, 44 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 45 Se o teu pé é para ti ocasião de queda, corta-o; mais vale entrares coxo na vida, do que, com os dois pés, seres lançado à Geena, 46 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 47 E se um dos teus olhos é para ti ocasião de queda, arranca-o; mais vale entrares com um só no Reino de Deus, do que, com os dois olhos, seres lançado à Geena, 48 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 49 Todos serão salgados com fogo. 50 O sal é coisa boa; mas, se o sal ficar insosso, com que haveis de o temperar? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros.»


Texto:

 


E o que é o ideal?

  Podemos afirmar que ideal é tudo aquilo que reúne toda a perfeição imaginável, mas, também, o conjunto imaginário de perfeições que não podem ter realização concreta.

  Das muitas explicações optar-se-á por aquela que estabelece o ideal como num exemplo a seguir, uma referência a ter em conta.

  Uma vez mais voltamos atrás para observar como havia uma preocupação em apresentar à juventude em particular e à sociedade em geral, inúmeras personagens que personificavam a excelência do comportamento ou da performance nos mais variados aspectos e incidências da vida corrente e dos desafios que nela se põem aos seres humanos.

Desde as brumas da Idade Média que os homens, a juventude sobretudo, alimentavam os sonhos de heroicidade e proeminência com as histórias sempre enriquecidas com novos detalhes, de figuras como Amadis de Gaula, os Cavaleiros da Távola Redonda e, em épocas mais modernas com, Cid El Campeador ou São Nuno de Santa Maria.

  Toda a vida tinha um objectivo, uma finalidade de destino grandioso, notável e causa da admiração geral.

A honra, o pundonor, a aura, eram cultivadas em extremo como pressupostos imprescindíveis à grandeza da missão pessoal a que cada um estava inevitavelmente fadado.

Era sem dúvida a era dos grandes ideais que levavam os jovens a abandonar os amigos e a casa paterna e a lançarem-se na aventurosa vida de missionários em terras distantes e desconhecidas, dispostos a correr riscos sem fim, nalguns casos, oferecendo a própria vida.

  Foram homens como Francisco Xavier ou João de Brito que levados por um aceso e ardente amor ao Evangelho arrostaram com tremendas dificuldades em países inóspitos no meio de gentes hostis, bárbaras e selvagens.

  Deixaram um rasto luminoso de estrelas candentes que iluminaram os Céus, com o entusiasmo e do Amor a Deus, de numerosos jovens contemporâneos.

De alguma forma, podemos chamá-los “Cavaleiros de Deus” porque lutaram numa guerra sem quartel cuja vitória foi alcançada com a própria vida oferecida em holocausto, por vezes, de tremenda ferocidade.

  Arrastados por estes exemplos, milhares de jovens, sobretudo na velha Europa, atiraram-se entusiasmados nas asas da grandiosa missão de levar a Palavra e o Conhecimento de Deus às mais recônditas partes do mundo.

Da maior parte nem sabemos nem os nomes que usaram nem as gestas que viveram; podemos, no entanto, encontrar traços bem marcados da sua passagem.

Hoje em dia, parece que nada disto é necessário e, portanto, o ideal, o idealismo, está moribundo e tende a desaparecer de vez.

  Engana-se quem assim pensa.

 



[i] Sequencial todos os dias do ano