15/01/2021

Reflexão

 

Esse espaço de tempo que se ganha com a dilação (na resposta) deixa ampla margem à acção das forças obscuras do pecado, que podem pesar decisivamente na vitória da natureza sobre a graça e afogar ao nascer o fiat que ia decidir sobre a sorte futura da pessoa no sentido planeado por Deus.

 

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 65)

Devemos santificar todas as realidades

A tua tarefa de apóstolo é grande e formosa. Estás no ponto de confluência da graça com a liberdade das almas; e assistes ao momento soleníssimo da vida de alguns homens: o seu encontro com Cristo. (Sulco, 219)

Estamos no Natal. Acodem-nos à memória os diversos factos e circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus e o olhar detém-se na gruta de Belém, no lar de Nazaré. Maria, José, Jesus Menino ocupam de modo muito especial o centro do nosso coração. Que diz, que nos ensina a vida, simples e admirável ao mesmo tempo, dessa Sagrada Família? Entre as muitas considerações que poderíamos fazer, agora quero escolher sobretudo uma., Como refere a Escritura, o nascimento de Jesus significa o início da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar plenamente o seu amor aos homens, entregando-nos o seu próprio Filho. Essa vontade divina realiza-se no meio das circunstâncias mais normais e correntes: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa. A omnipotência divina, o esplendor de Deus passam através das coisas humanas, unem-se às coisas humanas. Desde esse momento, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades sãs da nossa vida. Não há situação terrena, por mais pequena e vulgar que pareça, que não possa ser a ocasião de um encontro com Cristo e uma etapa da nossa caminhada para o Reino dos Céus. Por isso, não é de estranhar que a Igreja se alegre, que rejubile, contemplando a modesta morada de Jesus, Maria e José. (Cristo que passa, 22)

São José CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 9

 

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE

DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

 

«Levanta-te, toma o menino e sua mãe» (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José.

 

O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.

 

Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão (Cf. Génesis 18, 23-32)  e Moisés, (Cf. Êxodo17, 8-13; 32, 30-35.) como faz Jesus, «único mediador» (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), «vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]» (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34).

 

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado». (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 42). A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho.

 

À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16). (Cf. I Coríntios 11, 1; Filipenses 3, 17; I Tessalonicenses 1, 6). O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente.

 

Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: «Então não poderás fazer o que estes e estas fizeram?» E, assim, chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!» (Confissões, 8,11,17; 10,27,38: PL 32, 761; 795).

 

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão.

 

Dirijamos-lhe a nossa oração:

Salve, guardião do Redentor

e esposo da Virgem Maria!

A vós, Deus confiou o seu Filho;

em vós, Maria depositou a sua confiança;

convosco, Cristo tornou-Se homem.

 

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós

e guiai-nos no caminho da vida.

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,

e defendei-nos de todo o mal. Amen.

 

Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado.

 

Francisco

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 15

 

Evangelho

 

Mt XXV 31 - 46

 

 

O Juízo Final

 

31 «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32 Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. 34 O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35 Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36 estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’ 37 Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38 Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39 E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ 40 E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ 41 Em seguida dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42 Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43 era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’ 44 Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ 45 Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’ 46 Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»

 


Desejo de melhoria e bem comum

 

  A grande “chaga” dos tempos modernos, o capitalismo não passa da aplicação de uma visão cega e deformada do bem-estar da sociedade

  ‘A experiência mostra-nos, como regra geral, que um método deixa de ser qualquer coisa de puramente objectivo e inofensivo, e que necessariamente acaba por impor um carácter, uma determinada mentalidade a quem o utiliza: leva o homem a pensar como age. O exemplo mais claro a tal respeito é o do capitalismo. O capitalismo – se bem que inspirado na ideologia liberal – nunca se definiu como uma filosofia ou como um humanismo doutrinal, mas apenas como um método para produzir mais e melhor, um método cheio de boas intenções e promessas – porque, tornará ricos e felizes os homens – e que todos possam usar, independentemente da sua religião ou das suas ideologias. Todavia a história demonstrou, dolorosamente, até que ponto o uso deste simples meio de produção conseguiu impor a milhões de pessoas – digam-se elas teoricamente cristãs ou não – uma mesma mentalidade capitalista, ateia, anti-humana e manipuladora do homem e da sociedade, ao serviço do capital. Exactamente na mesma situação se encontram, em nosso parecer, aqueles que utilizam o método marxista de interpretação e acção histórica; isto é, encontram-se em sério perigo de chegar na prática – independentemente do que sugere a sua filosofia e o seu humanismo teórico – a uma visão igualmente economicista do homem e à consequente atitude manipuladora de quanto desta visão – queira-se ou não – deriva. [1]

  Na vida profissional de cada um, tem de existir o desejo de melhoria sob pena de que, o que se faz, não satisfaça nem o próprio nem os outros que têm direito a que faça o melhor que sabe.

  E, como fará o melhor que sabe se, o que sabe, é pouco e desactualizado?

  E se não estuda, não se interessa por conhecer o que há de novo na sua profissão, como pode aspirar a um melhor desempenho da mesma?

  O conhecimento não seria possível se não houvesse esta atitude de procura constante do ser humano, orientado para a descoberta de novos métodos, meios e soluções para os variados problemas e situações da vida corrente.

  Nada surge por acaso, alguém teve de o descobrir, trabalhando, dedicando a suas capacidades à descoberta do novo.

  O primeiro computador era um monstro que ocupava vários andares de um prédio, de uma complexidade tal que só os seus criadores e muito poucas outras pessoas sabiam manejá-lo.

Hoje em dia, as crianças dedilham, com frenesim eficaz, pequenos aparelhos com muito mais potência e incontáveis capacidades que aquele primeiro, que consumiu décadas a ser imaginado e construído.

Mas, é evidente, se não tivesse sido descoberto o princípio “base” do computador seria impossível ter, hoje em dia, essas crianças – e adultos – usufruindo de máquinas que de tão vulgarizadas que estão já quase não passamos em elas.

  Que tem isto a ver com o carácter?

  Tem tudo a ver porque, uma vez mais, tem de se ter a noção de que tudo quanto hoje fazemos, terá um efeito no futuro, próximo ou longínquo, e que muitas pessoas – nunca saberemos quantas – serão beneficiadas com essa nossa preocupação em evoluir.

Também, é verdade, temos de ter a certeza que, se não fizermos o que nos compete, ninguém o fará por nós, prejudicando assim a sociedade inteira talvez hipotecando o futuro próximo por causa de um alheamento actual.

  Esta noção de que cada ser humano é individual e irrepetível tem de levar-nos a uma constante preocupação por ocupar o nosso lugar da forma correcta, cumprindo o nosso papel, desenvolvendo a nossa actividade com as capacidades e potências que temos e vamos desenvolvendo ao longo da vida, desde que nascemos até ao último momento.

 Como “ninguém nasce ensinado”, a formação do carácter assume uma importância fundamental no normal desenvolvimento da pessoa humana.

  Os Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores têm aqui um papel crucial a levar a cabo junto dos jovens que começam a dar os primeiros passos na vida consciente.

Tal como na história dos computadores, a criança que não recebeu desde o início as noções, por primárias e incipientes que sejam, de como caminhar na vida, dificilmente se adaptará à mesma vida.

Descobrirá, inevitavelmente, muitas coisas por si mesma, mas não saberá formatá-las como necessita porque lhe falta o “disco” original que não recebeu em tempo.

 

 



[1] episcopado chilenoEvangelho, Política e Socialismo, nr. 47, in Maestre della fede, nr. 43, Torino-Leuman, LDC, 1973

 

Perguntas e respostas

HOMOSSEXUALIDADE

C. PREGUNTAS FREQUENTES

1. São comparáveis a homossexualidade e o alcoolismo?

 

Em Espanha há uma pessoa que propõe esta comparação que só é válida em alguns aspectos: Tanto alcoólicos como homossexuais são seres humanos e merecem o respeito correspondente. Isto não significa que as bebedeiras e as relações homossexuais sejam corretas. Deve haver compreensão para com as pessoas, mas nem todas as ações humanas são boas.

Tanto o alcoolismo como a homossexualidade são tendências que devem ser dominadas.

Em ambos os casos, se alguém se deixar levar pela sua inclinação, é mais difícil controlar-se noutras ocasiões.

Pequena agenda do cristão

                          Sexta-Feira


Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

14/01/2021

Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós

Devoção de Natal. – Não sorrio quando te vejo fazer as montanhas de musgo do Presépio e dispor as ingénuas figuras de barro em volta da gruta. – Nunca me pareceste mais homem do que agora, que pareces uma criança. (Caminho, 557)

Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria.

Não conseguiremos jamais o verdadeiro bom humor se não imitarmos deveras Jesus, se não formos humildes como Ele. Insistirei de novo: vedes onde se oculta a grandeza de Deus? Num presépio, nuns paninhos, numa gruta. A eficácia redentora das nossas vidas só se pode dar com humildade, deixando de pensar em nós mesmos e sentindo a responsabilidade de ajudar os outros. É corrente, às vezes até entre almas boas, criar conflitos íntimos, que chegam a produzir sérias preocupações, mas que carecem de qualquer base objectiva. A sua origem está na falta de conhecimento próprio, que conduz à soberba: o desejo de se tornarem o centro da atenção e da estima de todos, a preocupação de não ficarem mal, de não se resignarem a fazer o bem e desaparecerem, a ânsia da segurança pessoal... E assim, muitas almas que poderiam gozar de uma paz extraordinária, que poderiam saborear um imenso júbilo, por orgulho e presunção tornam-se desgraçadas e infecundas! Cristo foi humilde de coração. Ao longo da sua vida, não quis para Si nenhuma coisa especial, nenhum privilégio. (Cristo que passa, 18)

 

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 14

 

Evangelho

 

Mt XXV 14 - 30

 

Parábola dos talentos

 

14 «Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu. 16 Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. 17 Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. 18 Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. 20 Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’ 21 O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ 22 Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: ‘Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ 23 O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ 24 Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: ‘Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25 Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ 26 O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. 27 Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.’ 28 ‘Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. 29 Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’»

 


Melhoria pessoal (cont)

  O que é natural, é que o carácter evolua acompanhando o progresso da vida, que se desenvolva e actue cada vez mais de forma consciente e constante de forma a acompanhá-la de maneira capaz e consequente.

  Esta conduta é absolutamente normal e não tem que ver com ambição que é uma coisa diferente.

  Ambicionar é normalmente um desejo exagerado de obter algo que se tem como ideal para a felicidade própria e que só se satisfaz quando se obtém.

  Desde este ponto de vista, a ambição é naturalmente má porque deforma os objectivos concretos nascidos de um desejo de melhoria em algo nascido da imaginação ou de simples impulsos pouco elaborados.

Querer possuir um automóvel melhor e mais confortável parece absolutamente legítimo e normal; querer que esse automóvel seja de uma determinada marca, cor, potência e outras especificidades não parece ser um objectivo sério porque, neste caso, talvez se jogue a “felicidade”, ou aquilo que se possa considerar como tal, nesse bem concreto.

  Posso considerar-me feliz por ter um bem que satisfaz as minhas necessidades e corresponda ao meu gosto, mas não é bom que só possa ser feliz, se esse mesmo bem for aquele que imaginei já que o mesmo não acrescentará nada à minha satisfação mas, talvez unicamente, ao meu ego.

  Igualmente desejar ter meios económicos bastantes para levar uma vida confortável e proporcionar aos outros, à família, condições estáveis de vida e possível futuro, não é o mesmo que querer ter muito mais meios de fortuna que permitam qualquer devaneio, a compra seja do que for, mesmo que não seja necessário.

  À primeira poderíamos chamar “paz económica” à segunda “ambição financeira”.

  Parece óbvio existirem grandes diferenças entre as duas – mesmo sem considerar o aspecto da legitimidade -, a primeira revela equilíbrio e razoabilidade, a segunda mero desejo que se expressa em algo que se pretende obter; a primeira satisfaz de forma permanente, a segunda, uma vez obtida, tende a conduzir a uma satisfação incompleta porque, entretanto, surgiu uma outra coisa que se deseja ainda mais.

  A formação do carácter é fundamental neste aspecto pois leva a pessoa a considerar o que é razoável e o que o não é, aquilo que tem sentido numa vida normal e corrente e aquilo que não passa de um devaneio, mais ou menos vago, da imaginação.

  A pessoa pode querer dizer: ‘se eu tivesse esta coisa e aquela faria isto e aquilo!’

Às vezes mascara-se esta atitude acrescentando: ‘distribuiria desta e daquela maneira, faria esta ou aquela obra de beneficência, promoveria auxílio a muita gente.’

A pessoa que pensa assim, normalmente, passa em claro esses objectivos, isto é, não distribui nada do que tem, nem se preocupa em contribuir para o que lhe solicitam, porque considera que não alcançou aquela tal situação que, erradamente, considera ideal para o fazer.

Provavelmente passará toda a sua vida assim, egoistamente centrado num sonho que nunca se concretizará.

Como não o consegue, sente-se dispensado de fazer o bem porque se satisfaz com a ideia de que o faria se o conseguisse.

  Vem à memória, inevitavelmente, a cena evangélica da viúva pobre e das duas moedas que deitou no cofre do Templo.

Sabia que era pobre, tinha a noção que as duas moedas lhe fariam falta para a sua vida corrente e, no entanto, deu-as sem hesitar porque terá pensado, talvez, que Deus haveria de retribuir o óbolo, recompensar o sacrifício com largueza e magnanimidade.

De facto o bem que se faz diariamente pelo mundo fora é constituído, na sua maior parte, por muitas dádivas de “duas moedas”, de actos de generosidade de escasso valor mas que, somados formam um rio caudaloso que alimenta e torna mais felizes os muitos necessitados que vivem com terríveis carências e que dependem dessas duas moedas para viver.

  O carácter desta viúva era riquíssimo, não vivia isolada e conformada com a sua pobreza e a escassez de bens, ao contrário, via uma nesga de felicidade em poder “fazer bem sem saber a quem”, tinha uma visão de conjunto da vida, própria e alheia, sabia-se fazendo parte de uma sociedade em que, não obstante ocupar uma posição discretíssima, tinha um papel a cumprir e que, só ela, o podia fazer.

  Talvez seja interessante falar sobre moedas (dinheiro) para referir algo singular:

Uma moeda tem sempre duas faces, sendo que, numa delas, se inscreve o emissor da moeda, ou seja, o responsável pelo seu valor e que é, em suma, o seu primeiro e último proprietário.

A sociedade apenas usa as moedas como meio garantido de receber ou dar algo.

Com elas paga o trabalho e, o trabalhador que as recebe, com elas paga as suas despesas.

Não cabe que qualquer pessoa emita a sua própria moeda, embora, em tempos de crise aguda, como se viveu em Portugal poucos anos após a implantação da República, houvesse quem recorresse a este sistema – principalmente estabelecimentos comerciais - para garantir que os seus clientes pudessem adquirir os bens que vendiam.

Isto aconteceu, exactamente, porque a moeda emitida pelo Estado não tinha qualquer valor, dada a profundíssima degradação da economia.

  Aliás, hoje em dia, é ao que assistimos com os chamados cartões de desconto, que, na realidade, não concedem desconto nenhum porque utilizam a totalidade do preço pago pelo adquirente, durante algum tempo, o que acaba por gerar mais-valia suficiente para amortizar o tal desconto apregoado.

É passível de penalidade mais ou menos séria, quem se atreva a fabricar moeda.

A moeda, propriamente dita, não é falsa, mas sim o valor que representa porque não existe.

  Mas, se estamos a falar deste assunto, não é porque nos interesse ou caiba aqui uma discussão sobre processos de venda e compra, de negócios, mas tão só para frisar que, as tais moedas, que representam um bem, não são pertença de ninguém em particular, mas apenas uma detenção, por algum tempo e, portanto, não cabe aduzir que está garantida a fortuna de quem as tem em quantidade.

 

Oração pelos Sacerdotes

                                          

                                           



Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

(AMA, 2009)


Com autorização eclesiástica

Reflexão

 

Julgar os outros é muitas vezes, quase sempre, espelhar os nossos próprios defeitos, e ver o argueiro no olho do vizinho sem reparar que o nosso está obstruído por uma trave.

Não me refiro só ao julgamento público, os comentários ou avaliações que fazemos dos outros, sobretudo quando não estão presentes, mas também aquele julgamento que muitas vezes, permitimos que exista no segredo do nosso coração.

 

(Palestra, Minho Fevereiro de 1991, Ref. Mc 5 21-43)

Pequena agenda do cristão

 


Quinta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



13/01/2021

Apoiar-vos-eis uns aos outros

Se souberes querer aos outros e difundir, entre todos, esse carinho – caridade de Cristo, fina, delicada –, apoiar-vos-eis uns aos outros, e o que for a cair sentir-se-á amparado – e urgido – com essa fortaleza fraterna, para ser fiel a Deus. (Forja, 148)


Chega a plenitude dos tempos e, para cumprir essa missão, não aparece um génio filosófico, como Sócrates ou Platão; não se instala na terra um conquistador poderoso, como Alexandre Magno. Nasce um Menino em Belém. É o Redentor do mundo; mas, antes de começar a falar, demonstra o seu amor com obras. Não é portador de nenhuma fórmula mágica, porque sabe que a salvação que nos traz há-de passar pelo coração do homem. As suas primeiras acções são risos e choros de criança, o sono inerme de um Deus humanado; para que fiquemos tomados de amor, para que saibamos acolhê-Lo nos nossos braços. Uma vez mais consciencializamos que isto é que é o Cristianismo. Se o cristão não ama com obras, fracassa como cristão, o que significa fracassar também como pessoa. Não podes pensar nos outros homens como se fossem números, ou degraus para tu subires; como se fossem massa, para ser exaltada ou humilhada, adulada ou desprezada, conforme os casos. Tens de pensar nos outros – antes de mais, nos que estão ao teu lado – vendo neles o que na verdade são: filhos de Deus, com toda a dignidade que esse título maravilhoso lhes confere. Com os filhos de Deus, temos de comportar-nos como filhos de Deus: o nosso amor há-de ser abnegado, diário, tecido de mil e um pormenores de compreensão, de sacrifício calado, de entrega silenciosa. Este é o bonus odor Christi que arrancava uma exclamação aos que conviviam com os primeiros cristãos: Vede como se amam!
(Cristo que passa, 36)

 

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 13

 

Evangelho

 

Mt XXIV 42 – 51; XXV 1 - 13

 

 

Exortação à vigilância

 

42 Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43 Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa. 44 Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.» 45 «Quem julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família para os alimentar a seu tempo? 46 Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado. 47 Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens. 48 Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor está a demorar’, 49 e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, 50 o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece; 51 vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.»

 

Parábola das dez virgens

 

1 «O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do noivo. 2 Ora, cinco delas eram insensatas e cinco prudentes. 3 As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; 4enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias. 5 Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. 6 A meio da noite, ouviu-se um brado: ‘Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!’ 7 Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias. 8 As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se.’ 9 Mas as prudentes responderam: ‘Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.’ 10 Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala das núpcias, e fechou-se a porta. 11 Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ 12 Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço.’ 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.»

 


Flexibilidade

 

  Esta virtude, que se cita em último, não é, por isso, menos importante; aliás, a ordem porque foram citadas não obedece a nenhum critério de importância ou interesse.

  Pode dizer-se que a Flexibilidade é a capacidade de mudar de atitude ou forma de pensar adaptando-se a determinadas circunstâncias, sem necessariamente, e de uma forma geral, implicar uma mudança de opinião ou convicções mais profundas.

  Claro que é necessário ter uma atenção especial para não se cair na contradição da constância, por exemplo, mas, ao contrário, apoiar-se mais noutras virtudes como, por exemplo: a Humildade, a Confiança, a Obediência, a Simplicidade, a Mansidão, a Amizade e a Fraternidade.

  A irredutibilidade de opinião, conceito ou critério é, quase sempre sinal de falta de humildade e, bastantes vezes de orgulho e autoconvencimento.

  Fechar-se num hermetismo impassível ao que se passa à sua volta, completamente alheio das opiniões ou conceitos dos outros, sejam quem forem, conduz a um anquilosamento da personalidade que torna a pessoa antipática e pouco ou nada participativa na vida social.

Numa espécie de ilha – como já falámos – sente-se dono e senhor de umas razões e certezas que não está disponível para avaliar e, muito menos, discutir.

Não evolui, não cresce, não melhora.

  A atitude contrária manifesta-se na abertura às opiniões dos outros, contrastando-as com as próprias e elegendo as que, em consciência, parecem mais adequadas à circunstância.

  Não se trata de ceder; mas de aceitar, de submissão mas de cooperação.

  É a virtude da flexibilidade que nos permite ir pela vida colhendo a beneficiando das experiências e conhecimentos dos outros, adaptando-nos, usando a Humildade, a Confiança, a Amizade e a Fraternidade para, com Simplicidade e Mansidão, progredir nas demais virtudes que devem estar sempre presentes.

  Sem elas, seria muito difícil, ou mesmo impossível, ao homem progredir no caminho do bem, da melhoria pessoal e alheia, dando à sociedade o contributo que tem obrigação de dar.

 

 

Melhoria pessoal

 

  Quando se fala de melhoria pessoal tem de se estar preparado para um tema que abarca várias vertentes da vida humana.

  Desde o progresso na vida normal e corrente, na carreira profissional numa expectativa de melhoria, quer das condições de trabalho, quer dos proventos que for lícito esperar do mesmo, numa constante adaptação às novidades que vão surgindo em ritmo mais ou menos acelerado em todos os campos da actividade humana, desenvolvendo as capacidades próprias de acordo com o que se vai aprendendo, quer estudando quer com a experiência própria e observação do comportamento dos outros, é, o que pode chamar-se, perspectivas de melhoria pessoal.

Esta é, de facto, uma característica da pessoa consciente e normalmente desenvolvida, a evolução natural ao longo da vida.

Para isto contribui fortemente a formação do carácter com objectivos bem definidos e os procedimentos a ter para os conseguir alcançar.

  A pessoa conformada com a sua situação, quer laboral quer na escala social pode classificar-se como amorfa.

 “Tanto se lhe dá”, não lhe importa crescer, não tem apetência por novidade nem lhe interessa a evolução da sociedade nas suas múltiplas facetas.

Está destinado a morrer no verdadeiro sentido da palavra, estagnando num pântano de conformismo e alheamento que não interessa para nada nem ao próprio nem à sociedade.

 

 

Reflexão

 

Há quem não seja capaz, nem sequer, de mudar de local, por Deus. Querem sentir gosto e consolos de Deus sem fazer mais esforços sem tragar o que Ele lhes deita na boca, e gozar do que lhes põe no coração sem mortificar-se eles próprios em nada; sem deixar os seus prazeres e veleidades. Mas esperam em vão. 

Porque enquanto não saiam para procurar Deus, por muito que O chamem, não o encontrarão.


(São João da Cruz, Cântico Espiritual, 3, 2)