04/01/2021

A nossa tendência para o egoísmo não morre

 

Não ponhas o teu "eu" na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão maçadora! Parece que te esqueceste que "tu" não tens nada, é tudo d'Ele. Quando ao longo do dia te sentires, talvez sem razão, humilhado; quando pensares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que a cada instante borbota o teu "eu", o teu, o teu, o teu..., convence-te de que estás a matar o tempo e que estás a precisar que "matem" o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Convém deixar o Senhor meter-se nas nossas vidas e entrar confiadamente sem encontrar obstáculos nem recantos obscuros. Nós, os homens, tendemos a defender-nos, a apegar-nos ao nosso egoísmo. Sempre tentamos ser reis, ainda que seja do reino da nossa miséria. Entendei através desta consideração por que motivo temos necessidade de recorrer a Jesus: para que Ele nos torne verdadeiramente livres e, dessa forma, possamos servir a Deus e a todos os homens. Só assim perceberemos a verdade daquelas palavras de São Paulo: Agora, porém, livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, ao passo que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo. Estejamos precavidos, portanto, visto que a nossa tendência para o egoísmo não morre e a tentação pode insinuar-se de muitas maneiras. Deus exige que, ao obedecer, ponhamos em exercício a fé, porque a sua vontade não se manifesta com aparato ruidoso; às vezes o Senhor sugere o seu querer como que em voz baixa, lá no fundo da consciência; e é necessário escutar atentamente para distinguir essa voz e ser-Lhe fiel. (Cristo que passa, 17)

São José

 


CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 04 Jan

DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

 

5. Pai com coragem criativa

 

Se a primeira etapa de toda a verdadeira cura interior é acolher a própria história, ou seja, dar espaço no nosso íntimo até mesmo àquilo que não escolhemos na nossa vida, convém acrescentar outra caraterística importante: a coragem criativa. Esta vem ao de cima sobretudo quando se encontram dificuldades. Com efeito, perante uma dificuldade, pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar vencê-la de algum modo. Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter.

 

Frequentemente, ao ler os «Evangelhos da Infância», apetece-nos perguntar por que motivo Deus não interveio de forma direta e clara. Porque Deus intervém por meio de acontecimentos e pessoas: José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o verdadeiro «milagre», pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento onde Maria possa dar à luz, arranja um estábulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo (cf. Lc 2, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos José é alertado para O defender e, no coração da noite, organiza a fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-14).

 

Numa leitura superficial destas narrações, a impressão que se tem é a de que o mundo está à mercê dos fortes e poderosos, mas a «boa notícia» do Evangelho consiste precisamente em mostrar como, não obstante a arrogância e a violência dos dominadores terrenos, Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salvação. Às vezes também a nossa vida parece à mercê dos poderes fortes, mas o Evangelho diz-nos que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência.

 

Se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar.

 

Trata-se da mesma coragem criativa demonstrada pelos amigos do paralítico que, desejando levá-lo à presença de Jesus, fizeram-no descer pelo teto (cf. Lc 5, 17-26). A dificuldade não deteve a audácia e obstinação daqueles amigos. Estavam convencidos de que Jesus podia curar o doente e, «não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao teto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. Vendo a fé daqueles homens, disse: “Homem, os teus pecados estão perdoados”» (5, 19-20). Jesus reconhece a fé criativa com que aqueles homens procuram trazer-Lhe o seu amigo doente.

 

Francisco

 

Notas:

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 4

 

Evangelho

 

Mt XXI 1 - 17

 

Entrada triunfal em Jerusalém

 

1 Quando já se aproximavam de Jerusalém, chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras. Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo-lhes: «Ide à aldeia que está em frente de vós e logo encontrareis uma jumenta presa e com ela um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. 3 E, se alguém vos disser alguma coisa, respondereis: ‘O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá.’» 4 Isto sucedeu para se cumprir o que fora anunciado pelo profeta: 5 Dizei à filha de Sião: Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho de uma jumenta. 6 Os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes ordenara. 7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram as suas capas sobre eles e Jesus sentou-se em cima. 8 Uma grande multidão estendia as suas capas no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos pelo chão. 9 E todos, quer os que iam à sua frente, quer aqueles que o seguiam, diziam em altos brados: Hossana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas! 10 Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é este?» - perguntavam. 11 E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré, da Galileia.»

 

Jesus expulsa os vendilhões do templo

 

12 Jesus entrou no templo e expulsou dali todos os que nele vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos cambistas e as bancas dos vendedores de pombas, dizendo-lhes: 13 «Está escrito: A minha casa há-de chamar-se casa de oração, mas vós fazeis dela um covil de ladrões.» 14 Aproximaram-se dele, no templo, cegos e coxos, e Ele curou-os. 15 Perante os prodígios que realizava e as crianças que gritavam no templo: «Hossana ao Filho de David», os sumos sacerdotes e os doutores da Lei ficaram indignados 16 e disseram-lhe: «Ouves o que eles dizem?» Respondeu Jesus: «Sim. Nunca lestes: Da boca dos pequeninos e das crianças de peito fizeste sair o louvor perfeito?» 17 Depois afastou-se deles, saiu da cidade e foi para Betânia, onde pernoitou.

 


Fidelidade

 

Deve haver uma finalidade superior em todos os actos que se praticam, mesmo os mais banais.

  A finalidade superior de, por exemplo, comer é alimentar-se e não degustar algo que dá prazer ou contentamento.

Se esse prazer e contentamento existem tanto melhor, mas ninguém, de bom senso, deixará de comer porque o único alimento disponível não lhe agrada.

Nisto se diferencia o ser humano do animal.

Aquele come para se alimentar, este come para se saciar.

Daí que devamos comer o que de facto necessitamos, e não mais o que implica um acto da nossa vontade, um controlo sobre o apetite ou o desejo.

De tal forma assim é – deve ser – que quando verificamos que o nosso corpo mostra as consequências de uma alimentação desregrada ou exagerada, começamos uma dieta que, mais não é, que uma contenção forçada pela vontade.

  A luta interior que o ser humano trava durante toda a sua vida consciente é a consequência necessária de uma atracção para a perfeição.

Conduzir a vida como se esta fosse constituída por uma série de actos inevitáveis, aguardando sem expectativa o que se sucede no tempo, não é próprio de um ser inteligente.

Alguns chamam-lhe ''destino'' e fazem-no deixando transparecer uma inevitabilidade.

Estão absolutamente errados.

De facto, no próprio momento da concepção, Deus cria e atribui a esse novo ser uma alma.

  Sendo espiritual e directamente criada por Deus, a alma tem essa marca divina que a torna imortal.

  O humano tem características próprias - o ADN - que lhe vêm dos seus pais biológicos. Estas têm a ver apenas e somente com questões de ordem física e, evidentemente, podem ser cultivadas, rejeitadas, até manipuladas.

  A alma, que é a chama da vida que só se manterá enquanto habitar no corpo, tem o “ADN” divino, que não sofre mutação em nenhum caso ou circunstâncias.

  A luta interior é exactamente o confronto entre estas duas “estruturas” do ser humano.

A primeira evolui à medida que a vida vai avançando no tempo, trazendo à tona as suas características dominantes, criando, quase sempre, à segunda, uma necessidade de domínio, de controlo.

As potências espirituais da alma, tendem, naturalmente, a controlar as potências físicas.

  Entre as potências espirituais da alma contam-se a inteligência que permite a aquisição de conhecimento, as qualidades, as tendências boas, as emoções, a capacidade de distinção do bom do mau.

  Diria que há, contudo, uma necessidade comum às duas “estruturas” e que é a sua “alimentação”.

  Na primeira parece óbvia a necessidade de crescimento, a manutenção em boas condições da sua existência o que o homem faz, normalmente, á medida do tempo que vai decorrendo.

Pois, de modo similar, a estrutura espiritual, a alma e as suas potências, também carecem de alimento de manutenção.

Mas, neste caso, o homem não pode consegui-lo sem a participação activa de Deus.

  Deus não tem porque o fazer e, o que é certo é que, só o fará a instâncias do homem.

 

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 

A alma

 

O homem não se engana quando se reconhece superior às coisas materiais e se considera algo mais do que simples parcela da natureza ou anónimo elemento da cidade dos homens; Pela sua interioridade, transcende o universo das coisa; Tal é o conhecimento profundo que alcança quando reentra no seu interior, onde Deus, que perscruta os corações, o espera e onde ele, sob o olhar do Senhor, decide a sua própria sorte.

Ao reconhecer, pois, em si uma alma espiritual e imortal, não se ilude com uma enganosa criação imaginária, mero resultado de condições físicas e sociais; atinge, pelo contrário, a verdade profunda das coisas.

 

(Enc. Gaudium et Spes, 14)

Pequena agenda do cristão

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


03/01/2021

Devemos amar a Santa Missa

Luta por conseguir que o Santo Sacrifício do Altar seja o centro e a raiz da tua vida interior, de maneira que toda a jornada se converta num acto de culto – prolongamento da Missa que ouviste e preparação para a seguinte –, que vai transbordando em jaculatórias, em visitas ao Santíssimo, no oferecimento do teu trabalho profissional e da tua vida familiar... (Forja, 69)

Não compreendo como se possa viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham vindo a concretizar essa piedade eucarística. Umas vezes com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração. Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos depois de continuar o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa sua outra delicadeza: não quis limitar a sua presença ao momento do Sacrifício do Altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário. (Cristo que passa, 154)

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 3

Evangelho

 

Mt XX 17 - 34

 

Terceira profecia da Paixão

 

17 Ao subir a Jerusalém, pelo caminho, chamou à parte os Doze e disse-lhes: 18 «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, que o vão condenar à morte. 19 Hão-de entregá-lo aos pagãos, que o vão escarnecer, açoitar e crucificar. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia.»

 

Pedido dos filhos de Zebedeu

 

20  Aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido. 21 «Que queres?» - perguntou-lhe Ele. Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.» 22 Jesus retorquiu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Eles responderam: «Podemos.» 23 Jesus replicou-lhes: «Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado.» 24 Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos. 25 Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. 26 Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e 27 quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.»

 

Os dois cegos de Gericó

 

29 Quando iam a sair de Jericó, uma grande multidão seguiu Jesus. 30 Nisto, dois cegos que estavam sentados à beira da estrada, ao ouvirem dizer que Jesus ia a passar, começaram a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 31 A multidão repreendia-os para os fazer calar, mas eles gritavam cada vez mais: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 32 Jesus parou, chamou-os e perguntou-lhes: «Que quereis que vos faça?» 33 Responderam-lhe: «Senhor, que os nossos olhos se abram!» 34 Dominado pela compaixão, Jesus tocou-lhes nos olhos. Imediatamente recuperaram a vista e seguiram-no.

 


Fidelidade

 

  Fidelidade [1] é o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel [2] para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva as suas características originais, ou quem ou o que se mantém fiel à referência.

  Fidelidade implica confiança e vice-versa, e essa relação de implicação mútua aplica-se quer entre dois indivíduos, quer entre determinado sujeito e o objecto sob sua consideração, que, por sua vez, também pode ser abstracto ou concreto.

Essa co-significação originária mostra-se plena quando se trata de dois sujeitos, ambos com capacidade activa, pois, nesse caso. pode invocar-se a correlação confiança. [3]

  Poder-se-á dizer também que fidelidade significa lealdade, constância, firmeza, nas afeições, nos sentimentos; perseverança, observância rigorosa da verdade; exactidão.

Temos assim, que há alguma complexidade nesta virtude, porque de virtude se trata, que não pode ser ignorada.

  Aparecem várias vezes nos discursos de Jesus Cristo referências à fidelidade como algo imprescindível para que possa existir uma relação estável de confiança entre os homens e entre os homens e Deus.

 

O inverso não se coloca porque Deus, por definição, é fiel.

 

  «In pauca fidelis» (Mt 25, 21) refere-se Cristo no Evangelho, fiel no pouco, nas pequenas coisas, mesmo naquilo que, aparentemente, tem pouco relevo ou importância.

  Não há, portanto “níveis” de fidelidade, ou se é fiel em tudo e em qualquer circunstância e de forma constante, diria, sem intervalos conforme as situações, ou não existe fidelidade.

  “A fidelidade é um acto bom, uma actividade voluntária e permanente, uma força que inclina a cumprir com sinceridade e valentia os compromissos adquiridos, as promessas feitas e a palavra dada.” [4]

Por isso mesmo, a Fidelidade, é uma virtude já que só é possível ser fiel a quem tiver estabilidade de vida e comportamento.

Seja porque tem ideais elevados que levam a pessoa a manter-se numa linha de conduta que é comum chamar-se unidade de vida, ou porque tem aspirações pessoais que transcendem as possíveis conveniências de momento.

Não se trata de uma inspiração ocasional mas de um acto permanente da vontade.

  A fidelidade requer um fundamento profundo e forte de paciente indagação, o anseio de encontrar um motivo para viver.

  “Não é possível falar de fidelidade a quem carece de ideais ou a quem não sabe de valores que transcendem a própria vida”. [5]

  Quem anda pela vida como um espectador, por mais atenção que possa ter ao que se passa à sua volta, se não tiver uma vida interior sólida, com uma hierarquia de valores bem definida, não pode ser fiel a nada, porque, como já se viu, não há “fidelidades momentâneas”, mas constantes.

  A introspecção necessária a cada pessoa que se preocupe com o seu papel neste mundo – para que nasceu -, que faz não unicamente o que lhe convém, mas e com o que deve fazer como pessoa única e irrepetível, é fundamental para chegar a um conhecimento próprio sério e concreto.

 

 

 



[1] Do latim fidelitas pelo latim vulgar fidelitate

[2] Do latim fidelis

[3] Do latim cum, e fides

[4] javier abad gómez, Fidelidade, Quadrante, 1991 nr. 10

           [5] javier abad gómezFidelidade, Quadrante, 1991 nr. 34

Reflexão

 

Estás ali (na acção de graças da Comunhão) com as mesmas disposições que a Virgem Santíssima no Calvário, tratando-se da presença de um mesmo Deus e da consumação de igual sacrifício?

 

São João Maria Vianey, (Santo Cura d’Ars), Sermão sobre o pecado.

SACRAMENTOS

O Matrimónio

 

3. Propriedades essenciais do matrimónio

 

As propriedades essenciais do matrimónio são a unidade e a indissolubilidade, que no casamento cristão adquirem particular importância devido ao sacramento» (CDC, 1506). «O homem e a mulher, que, pela aliança conjugal «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6) (…) Esta união íntima, já que é o dom recíproco de duas pessoas, exige, do mesmo modo que o bem dos filhos, a inteira fidelidade dos cônjuges e a indissolubilidade da sua união [9].

Festas

 



Santíssimo Nome de Jesus

Pequena agenda do cristão



DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)































02/01/2021

Depois da morte vos receberá o Amor

Agora compreendes quanto fizeste sofrer Jesus, e enches-te de dor: como lhe pedes perdão, deveras e choras pelas tuas traições passadas! Não te cabem no peito as ânsias de reparar! Bem. Mas não esqueças que o espírito de penitência está principalmente em cumprir, custe o que custar, o dever de cada instante. (Via Sacra, 9ª Estação, n. 5)

Como será maravilhoso quando o nosso Pai nos disser: servo bom e fiel, porque foste fiel nas coisas pequenas, eu te confiarei as grandes: entra no gozo do teu Senhor!. Esperançados! Esse é o prodígio da alma contemplativa. Vivemos de Fé, de Esperança e de Amor; e a Esperança torna-nos poderosos. Recordais-vos de São João? Eu vos escrevo, jovens, porque sois valentes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno. Deus urge-nos, para a juventude eterna da Igreja e de toda a humanidade. Podeis transformar em divino todo o humano, como o rei Midas convertia em ouro tudo o que tocava! Nunca esqueçais que depois da morte vos receberá o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra. O Senhor dispôs que passemos esta breve jornada da nossa existência, trabalhando e, como o seu Unigénito, fazendo o bem. Entretanto, temos de estar alerta, à escuta daquelas chamadas que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao aproximar-se a hora do martírio: vem para junto do Pai, vem para o teu Pai que te espera ansioso (Amigos de Deus, 221)

 


LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 2

 Evangelho

 

Mt XX 1 - 16

 

Parábola dos operários da vinha

 

1 «Com efeito, o Reino do Céu é semelhante a um proprietário que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para a sua vinha. 3 Saiu depois pelas nove horas, viu outros na praça, que estavam sem trabalho, 4 e disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha e tereis o salário que for justo.’ 5 E eles foram. Saiu de novo por volta do meio-dia e das três da tarde, e fez o mesmo. 6 Saindo pelas cinco da tarde, encontrou ainda outros que ali estavam e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ 7 Responderam-lhe: ‘É que ninguém nos contratou.’ Ele disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha.’ 8 Ao entardecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros.’ 9 Vieram os das cinco da tarde e receberam um denário cada um. 10 Vieram, por seu turno, os primeiros e julgaram que iam receber mais, mas receberam, também eles, um denário cada um. 11 Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: 12 ‘Estes últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o cansaço do dia e o seu calor.’ 13 O proprietário respondeu a um deles: ‘Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? 14 Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. 15 Ou não me será permitido dispor dos meus bens como eu entender? Será que tens inveja por eu ser bom?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.»

 

 


Fidelidade

 

  A virtude da Fidelidade é, uma das mais belas.

  Bem entendido, todas as virtudes têm beleza e um fulgor característico que as distingue, mas, a Fidelidade tem um brilho tão intenso e envolvente que acaba por transmitir, ao que a possui, como que uma aura pessoal que o torna nalguém notável.

  Ser fiel é também uma disposição interior porque não depende nem das circunstâncias nem das pessoas mas sim de uma estabilidade própria nos sentimentos e emoções.

  Não pode ser fiel quem não tenha vida interior, segura, esclarecida, exactamente porque, a Fidelidade, nasce no mais profundo de nós.

Não é, de modo nenhum, algo externo, influenciável, mutável.

  A pessoa fiel torna-se, automaticamente alguém digno de confiança em quem se pode depositar e entregar tudo o que se queira com a certeza que é guardado e mantido tal como o entregamos.

  Há uns anos surgiu um filme que causou um grande impacto a nível mundial e, se não me engano obteve vários prémios. ([1])

O nome do filme é: ‘FILADÉLFIA’.

O tema principal da película parecia ser a doença chamada SIDA [2]

Disse ‘parecia ser’ porque, pelo menos para mim, o tema de fundo era a fidelidade.

  O protagonista contraiu a terrível doença de que viria a falecer por causa de um acto de infidelidade.

  Bom… de facto era um homem homossexual que vivia com um companheiro masculino mas que traiu, embora uma única vez, num encontro fortuito.

  A fidelidade não tem, portanto, a ver com a situação, a forma, o critério, o ambiente em que se vive.

Quer dizer, não há situações em que a fidelidade seja mais ou menos importante que outras.

  Ser fiel significa honrar um vínculo livremente assumido.

 

 



[1] Pelo menos 1 Óscar para a melhor música de Bruce Springsteen

[2] AIDS, em inglês