03/01/2021

Devemos amar a Santa Missa

Luta por conseguir que o Santo Sacrifício do Altar seja o centro e a raiz da tua vida interior, de maneira que toda a jornada se converta num acto de culto – prolongamento da Missa que ouviste e preparação para a seguinte –, que vai transbordando em jaculatórias, em visitas ao Santíssimo, no oferecimento do teu trabalho profissional e da tua vida familiar... (Forja, 69)

Não compreendo como se possa viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham vindo a concretizar essa piedade eucarística. Umas vezes com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração. Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos depois de continuar o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa sua outra delicadeza: não quis limitar a sua presença ao momento do Sacrifício do Altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário. (Cristo que passa, 154)

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 3

Evangelho

 

Mt XX 17 - 34

 

Terceira profecia da Paixão

 

17 Ao subir a Jerusalém, pelo caminho, chamou à parte os Doze e disse-lhes: 18 «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, que o vão condenar à morte. 19 Hão-de entregá-lo aos pagãos, que o vão escarnecer, açoitar e crucificar. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia.»

 

Pedido dos filhos de Zebedeu

 

20  Aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido. 21 «Que queres?» - perguntou-lhe Ele. Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.» 22 Jesus retorquiu: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Eles responderam: «Podemos.» 23 Jesus replicou-lhes: «Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo: é para quem meu Pai o tem reservado.» 24 Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos. 25 Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. 26 Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e 27 quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.»

 

Os dois cegos de Gericó

 

29 Quando iam a sair de Jericó, uma grande multidão seguiu Jesus. 30 Nisto, dois cegos que estavam sentados à beira da estrada, ao ouvirem dizer que Jesus ia a passar, começaram a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 31 A multidão repreendia-os para os fazer calar, mas eles gritavam cada vez mais: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» 32 Jesus parou, chamou-os e perguntou-lhes: «Que quereis que vos faça?» 33 Responderam-lhe: «Senhor, que os nossos olhos se abram!» 34 Dominado pela compaixão, Jesus tocou-lhes nos olhos. Imediatamente recuperaram a vista e seguiram-no.

 


Fidelidade

 

  Fidelidade [1] é o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel [2] para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva as suas características originais, ou quem ou o que se mantém fiel à referência.

  Fidelidade implica confiança e vice-versa, e essa relação de implicação mútua aplica-se quer entre dois indivíduos, quer entre determinado sujeito e o objecto sob sua consideração, que, por sua vez, também pode ser abstracto ou concreto.

Essa co-significação originária mostra-se plena quando se trata de dois sujeitos, ambos com capacidade activa, pois, nesse caso. pode invocar-se a correlação confiança. [3]

  Poder-se-á dizer também que fidelidade significa lealdade, constância, firmeza, nas afeições, nos sentimentos; perseverança, observância rigorosa da verdade; exactidão.

Temos assim, que há alguma complexidade nesta virtude, porque de virtude se trata, que não pode ser ignorada.

  Aparecem várias vezes nos discursos de Jesus Cristo referências à fidelidade como algo imprescindível para que possa existir uma relação estável de confiança entre os homens e entre os homens e Deus.

 

O inverso não se coloca porque Deus, por definição, é fiel.

 

  «In pauca fidelis» (Mt 25, 21) refere-se Cristo no Evangelho, fiel no pouco, nas pequenas coisas, mesmo naquilo que, aparentemente, tem pouco relevo ou importância.

  Não há, portanto “níveis” de fidelidade, ou se é fiel em tudo e em qualquer circunstância e de forma constante, diria, sem intervalos conforme as situações, ou não existe fidelidade.

  “A fidelidade é um acto bom, uma actividade voluntária e permanente, uma força que inclina a cumprir com sinceridade e valentia os compromissos adquiridos, as promessas feitas e a palavra dada.” [4]

Por isso mesmo, a Fidelidade, é uma virtude já que só é possível ser fiel a quem tiver estabilidade de vida e comportamento.

Seja porque tem ideais elevados que levam a pessoa a manter-se numa linha de conduta que é comum chamar-se unidade de vida, ou porque tem aspirações pessoais que transcendem as possíveis conveniências de momento.

Não se trata de uma inspiração ocasional mas de um acto permanente da vontade.

  A fidelidade requer um fundamento profundo e forte de paciente indagação, o anseio de encontrar um motivo para viver.

  “Não é possível falar de fidelidade a quem carece de ideais ou a quem não sabe de valores que transcendem a própria vida”. [5]

  Quem anda pela vida como um espectador, por mais atenção que possa ter ao que se passa à sua volta, se não tiver uma vida interior sólida, com uma hierarquia de valores bem definida, não pode ser fiel a nada, porque, como já se viu, não há “fidelidades momentâneas”, mas constantes.

  A introspecção necessária a cada pessoa que se preocupe com o seu papel neste mundo – para que nasceu -, que faz não unicamente o que lhe convém, mas e com o que deve fazer como pessoa única e irrepetível, é fundamental para chegar a um conhecimento próprio sério e concreto.

 

 

 



[1] Do latim fidelitas pelo latim vulgar fidelitate

[2] Do latim fidelis

[3] Do latim cum, e fides

[4] javier abad gómez, Fidelidade, Quadrante, 1991 nr. 10

           [5] javier abad gómez, Fidelidade, Quadrante, 1991 nr. 34

Reflexão

 

Estás ali (na acção de graças da Comunhão) com as mesmas disposições que a Virgem Santíssima no Calvário, tratando-se da presença de um mesmo Deus e da consumação de igual sacrifício?

 

São João Maria Vianey, (Santo Cura d’Ars), Sermão sobre o pecado.

SACRAMENTOS

O Matrimónio

 

3. Propriedades essenciais do matrimónio

 

As propriedades essenciais do matrimónio são a unidade e a indissolubilidade, que no casamento cristão adquirem particular importância devido ao sacramento» (CDC, 1506). «O homem e a mulher, que, pela aliança conjugal «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6) (…) Esta união íntima, já que é o dom recíproco de duas pessoas, exige, do mesmo modo que o bem dos filhos, a inteira fidelidade dos cônjuges e a indissolubilidade da sua união [9].

Festas

 



Santíssimo Nome de Jesus

Pequena agenda do cristão



DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)































02/01/2021

Depois da morte vos receberá o Amor

Agora compreendes quanto fizeste sofrer Jesus, e enches-te de dor: como lhe pedes perdão, deveras e choras pelas tuas traições passadas! Não te cabem no peito as ânsias de reparar! Bem. Mas não esqueças que o espírito de penitência está principalmente em cumprir, custe o que custar, o dever de cada instante. (Via Sacra, 9ª Estação, n. 5)

Como será maravilhoso quando o nosso Pai nos disser: servo bom e fiel, porque foste fiel nas coisas pequenas, eu te confiarei as grandes: entra no gozo do teu Senhor!. Esperançados! Esse é o prodígio da alma contemplativa. Vivemos de Fé, de Esperança e de Amor; e a Esperança torna-nos poderosos. Recordais-vos de São João? Eu vos escrevo, jovens, porque sois valentes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno. Deus urge-nos, para a juventude eterna da Igreja e de toda a humanidade. Podeis transformar em divino todo o humano, como o rei Midas convertia em ouro tudo o que tocava! Nunca esqueçais que depois da morte vos receberá o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra. O Senhor dispôs que passemos esta breve jornada da nossa existência, trabalhando e, como o seu Unigénito, fazendo o bem. Entretanto, temos de estar alerta, à escuta daquelas chamadas que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao aproximar-se a hora do martírio: vem para junto do Pai, vem para o teu Pai que te espera ansioso (Amigos de Deus, 221)

 


LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 2

 Evangelho

 

Mt XX 1 - 16

 

Parábola dos operários da vinha

 

1 «Com efeito, o Reino do Céu é semelhante a um proprietário que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para a sua vinha. 3 Saiu depois pelas nove horas, viu outros na praça, que estavam sem trabalho, 4 e disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha e tereis o salário que for justo.’ 5 E eles foram. Saiu de novo por volta do meio-dia e das três da tarde, e fez o mesmo. 6 Saindo pelas cinco da tarde, encontrou ainda outros que ali estavam e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ 7 Responderam-lhe: ‘É que ninguém nos contratou.’ Ele disse-lhes: ‘Ide também para a minha vinha.’ 8 Ao entardecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até aos primeiros.’ 9 Vieram os das cinco da tarde e receberam um denário cada um. 10 Vieram, por seu turno, os primeiros e julgaram que iam receber mais, mas receberam, também eles, um denário cada um. 11 Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: 12 ‘Estes últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o cansaço do dia e o seu calor.’ 13 O proprietário respondeu a um deles: ‘Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? 14 Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. 15 Ou não me será permitido dispor dos meus bens como eu entender? Será que tens inveja por eu ser bom?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.»

 

 


Fidelidade

 

  A virtude da Fidelidade é, uma das mais belas.

  Bem entendido, todas as virtudes têm beleza e um fulgor característico que as distingue, mas, a Fidelidade tem um brilho tão intenso e envolvente que acaba por transmitir, ao que a possui, como que uma aura pessoal que o torna nalguém notável.

  Ser fiel é também uma disposição interior porque não depende nem das circunstâncias nem das pessoas mas sim de uma estabilidade própria nos sentimentos e emoções.

  Não pode ser fiel quem não tenha vida interior, segura, esclarecida, exactamente porque, a Fidelidade, nasce no mais profundo de nós.

Não é, de modo nenhum, algo externo, influenciável, mutável.

  A pessoa fiel torna-se, automaticamente alguém digno de confiança em quem se pode depositar e entregar tudo o que se queira com a certeza que é guardado e mantido tal como o entregamos.

  Há uns anos surgiu um filme que causou um grande impacto a nível mundial e, se não me engano obteve vários prémios. ([1])

O nome do filme é: ‘FILADÉLFIA’.

O tema principal da película parecia ser a doença chamada SIDA [2]

Disse ‘parecia ser’ porque, pelo menos para mim, o tema de fundo era a fidelidade.

  O protagonista contraiu a terrível doença de que viria a falecer por causa de um acto de infidelidade.

  Bom… de facto era um homem homossexual que vivia com um companheiro masculino mas que traiu, embora uma única vez, num encontro fortuito.

  A fidelidade não tem, portanto, a ver com a situação, a forma, o critério, o ambiente em que se vive.

Quer dizer, não há situações em que a fidelidade seja mais ou menos importante que outras.

  Ser fiel significa honrar um vínculo livremente assumido.

 

 



[1] Pelo menos 1 Óscar para a melhor música de Bruce Springsteen

[2] AIDS, em inglês

Reflexão

Causa admiração a tenaz e amável sugestão de Cristo a que se O siga livremente. Jamais se cansa de insistir com os Seus com o «segue-Me…», e quando se caminha com Ele, entende-se a grande verdade de que o caminho do cristão – gozar do amor de Deus – é um viver sempre novo. Comunicou-nos, além disso, que nos escuta se O invocamos verdadeiramente, porque dialoga sem interrupção com os que O amam, inclusive quando parece ocultar-Se.

 

       Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Cap. I, 4


Festas



 


São BASÍLIO MAGNO 


Bispo e doutor  da Igreja



São

 GREGÓRIO NAZIANZENO, 

Bispo e doutor  da Igreja

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 

Emoções

 

Uma das fases mais significativas da pessoa no tempo é a fase emocional. A emoção é um sentimento em força ou mesmo em violência. As emoções não devem determinar resoluções. As mudanças de orientação resolvidas emocionalmente estão sujeitas a fracassar. O mesmo se diga das ordens, avisos ou repreensões. Porque a emoção cria um clima de irrealidade. A emoção despista reacções de agressividade, autodefesa, desalento que podem apossar-se dos comandos da vida, absolutizando certos aspectos impressionantes das pessoas e dos factos. A emoção é como um farol de máximos na noite: encandeia. Tudo o mais desaparece no negro.

Há emoções positivas e negativas. As primeiras têm por objecto uma qualidade, uma obra, um facto, de conteúdo estimulante e agradável para a pessoa, As emoções negativas têm por objecto defeitos, fracassos, as pirações não satisfeitas. A paixão é a fixação permanente da emoção em certo objecto.

 

(E. de Vasconcelos, Pessoa e Circunstância, Brotéria, Julho 1969, pg. 31)

Pequena agenda do cristão

 


SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

01/01/2021

A oculta maravilha da vida interior


Até agora não tinhas compreendido a mensagem que nós, os cristãos, trazemos aos outros homens: a oculta maravilha da vida interior. Que mundo novo lhes estás pondo diante dos olhos!
(Sulco, 654)

Quantas coisas novas descobriste! No entanto, às vezes és um ingénuo, e pensas que já viste tudo, que já sabes tudo... Depois, tocas com as tuas mãos a riqueza única e insondável dos tesouros do Senhor, que sempre te mostrará "coisas novas" se tu responderes com amor e delicadeza; e então compreendes que estás no princípio do caminho, porque a santidade consiste na identificação com Deus, com este nosso Deus, que é infinito, inesgotável! (Sulco, 655) 

Deixemos de enganar-nos: Deus não é uma sombra, um ser longínquo, que nos cria e depois nos abandona; não é um amo que vai e depois não volta. Ainda que não o percebamos com os nossos sentidos, a sua existência é muito mais verdadeira que a de todas as realidades que tocamos e vemos. Deus está aqui connosco, presente, vivo! Vê-nos, ouve-nos, dirige-nos, e contempla as nossas menores acções, as nossas intenções mais ocultas.

Acreditamos nisto... mas vivemos como se Deus não existisse! Porque não temos para Ele um pensamento sequer, nem uma palavra; porque não Lhe obedecemos, nem procuramos dominar as nossas paixões; porque não Lhe manifestamos amor, nem O desagravamos...

Havemos de continuar a viver com uma fé morta? (Sulco, 658)

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 1

 Evangelho

 

Mt XIX 16 - 30

 

O perigo das riquezas

16 Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» 17 Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.» 18 «Quais?» - perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?» 21 Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» 22 Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado, porque possuía muitos bens. 23 Jesus disse, então, aos discípulos: «Em verdade vos digo que dificilmente um rico entrará no Reino do Céu. 24 Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.» 25 Ao ouvir isto, os discípulos ficaram estupefactos e disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 26 Fixando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.»

 

Recompensa dos que seguem Jesus

 

27 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 28 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna. 30 Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros.»

 


Paciência

 

  A paciência é a virtude pela qual suportamos com ânimo os males.

Não seja que por perder a serenidade da alma abandonemos bens que nos hão-de levar a outros maiores. [1]

 

  O que é a paciência?

Quem pode responder melhor a esta pergunta que o impaciente?

Sim, há várias coisas que sabe.

 

Por exemplo:

  A sua falta traz-lhe sofrimento porque, habitualmente faz sofrer outros;

  Quer, agora, o que só estará disponível mais tarde;

  Esgota num ápice o que deveria durar algum tempo;

  Responde mesmo antes da pergunta estar completamente elaborada;

  Adianta-se quando deveria esperar;

  Começa sem ter acabado o que antes começou;

  Agita o que estava tranquilo;

  Desconfia do evidente;

  Pretende o que não lhe compete;

  Julga sem analisar;

  Precipita a conclusão;

         Não espera pelo resultado.

 

E, sofre ainda mais porque se dá conta que:

 

  É desagradável no trato;

  Cai com frequência no destempero de atitudes e linguagem;

  Dá-se conta do afastamento dos outros.

 

Continua a sofrer porque:

 

Perde oportunidades;

  Não presta a atenção que os outros merecem;

  Não tem uma trajectória recta;

  Ziguezagueia de emoções em emoções;

  Troca coisas importantes por ninharias;

  Muda de verdades essenciais para hipóteses efémeras.

  Na verdade, o impaciente, sofre muitíssimo porque não dando felicidade aos outros não a consegue para si próprio.

  Assim temos, exactamente, o que a paciência não é.

 

 

 



[1] Santo Agostinho, sobre a paciência, 2