08/06/2020

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LEITURA ESPIRITUAL


São João

Cap. XVIII



1 Tendo dito estas coisas, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cédron, onde havia um horto, e ali entrou com os seus discípulos. 2 Judas, aquele que o ia entregar, conhecia bem o sítio, porque Jesus se reunia ali frequentemente com os discípulos. 3 Judas, então, guiando o destacamento romano e os guardas ao serviço dos sumos sacerdotes e dos fariseus, munidos de lanternas, archotes e armas, entrou lá. 4 Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, adiantou-se e disse-lhes: «Quem buscais?» 5 Responderam-lhe: «Jesus, o Nazareno.» Disse-lhes Ele: «Sou Eu!» E Judas, aquele que o ia entregar, também estava junto deles. 6 Logo que Jesus lhes disse: ‘Sou Eu!’, recuaram e caíram por terra. 7 E perguntou-lhes segunda vez: «Quem buscais?» Disseram-lhe: «Jesus, o Nazareno!» 8 Jesus replicou-lhes: «Já vos disse que sou Eu. Se é a mim que buscais, então deixai estes ir embora.» 9 Assim se cumpria o que dissera antes: ‘Dos que me deste, não perdi nenhum.’ 10 Nessa altura, Simão Pedro, que trazia uma espada, desembainhou-a e arremeteu contra um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. 11 Mas Jesus disse a Pedro: «Mete a espada na bainha. Não hei-de beber o cálice de amargura que o Pai me ofereceu?» 12 Então, o destacamento, o comandante e os guardas das autoridades judaicas prenderam Jesus e manietaram-no. 13 E levaram-no primeiro a Anás, porque era sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano. 14 Caifás era quem tinha dado aos judeus este conselho: ‘Convém que morra um só homem pelo povo’. 15 Entretanto, Simão Pedro e outro discípulo foram seguindo Jesus. Esse outro discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e pôde entrar no seu palácio ao mesmo tempo que Jesus. 16 Mas Pedro ficou à porta, de fora. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou com a porteira e levou Pedro para dentro. 17 Disse-lhe a porteira: «Tu não és um dos discípulos desse homem?» Ele respondeu: «Não sou.» 18 Lá dentro estavam os servos e os guardas, de pé, aquecendo-se à volta de um braseiro que tinham acendido, porque fazia frio. Pedro ficou no meio deles, aquecendo-se também. 19 Então, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20 Jesus respondeu-lhe: «Eu tenho falado abertamente ao mundo; sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo. 21 Porque me interrogas? Interroga os que ouviram o que Eu lhes disse. Eles bem sabem do que Eu lhes falei.» 22 Quando Jesus disse isto, um dos guardas ali presente deu-lhe uma bofetada, dizendo: «É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?» 23 Jesus replicou: «Se falei mal, mostra onde está o mal; mas, se falei bem, porque me bates?» 24 Então, Anás mandou-o manietado ao Sumo Sacerdote Caifás. 25 Entretanto, Simão Pedro estava de pé a aquecer-se. Disseram-lhe, então: «Não és tu também um dos seus discípulos?» Ele negou, dizendo: «Não sou.» 26 Mas um dos servos do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse-lhe: «Não te vi eu no horto com Ele?» 27 Pedro negou Jesus de novo; e nesse instante cantou um galo. 28 De Caifás, levaram Jesus à sede do governador romano. Era de manhã cedo e eles não entraram no edifício para não se contaminarem e poderem celebrar a Páscoa. 29 Pilatos veio ter com eles cá fora e perguntou-lhes: «Que acusações apresentais contra este homem?» 30 Responderam-lhe: «Se Ele não fosse um malfeitor, não to entregaríamos.» 31 Retorquiu-lhes Pilatos: «Tomai-o vós e julgai-o segundo a vossa Lei.» «Não nos é permitido dar a morte a ninguém», disseram-lhe os judeus, 32 em cumprimento do que Jesus tinha dito, quando explicou de que espécie de morte havia de morrer. 33 Pilatos entrou de novo no edifício da sede, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és rei dos judeus?» 34 Respondeu-lhe Jesus: «Tu perguntas isso por ti mesmo, ou porque outros to disseram de mim?» 35 Pilatos replicou: «Serei eu, porventura, judeu? A tua gente e os sumos sacerdotes é que te entregaram a mim! Que fizeste?» 36 Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.» 37 Disse-lhe Pilatos: «Logo, Tu és rei!» Respondeu-lhe Jesus: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.» 38 Pilatos replicou-lhe: «Que é a verdade?» Dito isto, foi ter de novo com os judeus e disse-lhes: «Não vejo nele nenhum crime. 39 Mas é costume eu libertar-vos um preso na Páscoa. Quereis que vos solte o rei dos judeus?» 40 Eles puseram-se de novo a gritar, dizendo: «Esse não, mas sim Barrabás!» Ora Barrabás era um salteador.


Comentários:

         A Liturgia, muito apropriadamente, celebra a Festa de Cristo Rei porque ouvimos da boca de Jesus Cristo a confirmação dessa realidade. Um Rei é a primeira personalidade de um povo, quem governa, conduz e manda com toda a autoridade esse mesmo povo. Esta é, por assim dizer, a Sua missão, o Seu encargo. «Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.» Explica a razão do Seu nascimento, da Sua vinda ao mundo, assumindo em tudo – menos no pecado – uma personalidade humana. Mas, este Rei, que nos conduz e nos guia, É, ao mesmo tempo, o Rei de quanto existe, do tempo todo: passado, presente e futuro. Somos, quer queiramos quer não, Seus súbditos e, se escutarmos a Sua voz, viveremos na Verdade que é a Salvação Eterna.
         A realeza de Cristo é confirmada pelo Próprio sem qualquer evasiva. Como Se afirma - e É - a Verdade, parece ficar tudo dito de uma vez por todas. Temos, os homens, um Rei de Quem somos, quer queiramos quer não, súbditos. Nessa qualidade, temos umas obrigações e deveres mas, também, prerrogativas. Nestas últimas estará talvez a mais importante: temos Quem nos proteja contra qualquer inimigo. È extraordinário considerar a pertença a este Reino. Sim, é verdade, somos súbditos mas, temos como que um estatuto especial que é bem diferente dos que pertencem aos reinos deste mundo. De facto, somos AMIGOS do Rei! Ele próprio disse  claramente ao dizer que não nos chamava servos mas AMIGOS. Ter um Rei que é nosso AMIGO é um privilégio extraordinário e, ainda mais, quando esse Rei é o REI DOS REIS!
         O único comentário possível, é que devemos ler, ouvir, guardar no nosso coração, este relato da paixão do Senhor. È um relato fidedigno e absolutamente credível porque escrito por quem esteve presente, desde a primeira hora, nos vários passos da Paixão de Nosso Senhor. Não se trata de ”pintar” com cores vivas quanto aconteceu, a brutalidade e sanha com que se encarniçaram contra o Senhor, não se destina a fazer-nos sentir uma tragédia, um colapso, mas, sim conduzir-nos a uma constatação, melhor, a uma reflexão interior que cada ser humano, pode considerar no seu coração: Foi tudo Por minha causa! Para me salvar! Deus Omnipotente poderia ter escolhido outro meio para essa salvação? Seguramente sim! Ele pode tudo! Atrevo-me a pensar que o Senhor quis “escolher”, precisamente, esta forma para que nos demos bem conta da gravidade intrínseca do pecado e de outra realidade: qualquer ofensa só pode ser perdoada pelo ofendido e, o pecado, é uma ofensa a Deus… logo, só Ele o pode perdoar. Ao ensinar-nos o “Pai Nosso”, Cristo deixa isso mesmo bem claro: não pedimos que nos livre do  pecado mas, da tentação; não imploramos o perdão puro e simples mas, com o mesmo perdão que nós próprios usamos para com os que nos ofendem.

Jesus está connosco!


No Santo Sacrifício do altar, o sacerdote pega no Corpo do nosso Deus e no Cálice com o seu Sangue, e levanta-os sobre todas as coisas da terra, dizendo: "Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso", pelo meu Amor!, com o meu Amor!, no meu Amor! Une-te a esse gesto. Mais ainda: incorpora essa realidade na tua vida. (Forja, 541)


Assim se entra no Canon, com a confiança filial que nos leva a chamar clementíssimo ao nosso Pai Deus. Pedimos-Lhe pela Igreja e por todos os que estão na Igreja, pelo Papa, pela nossa família, pelos nossos amigos e companheiros. E o católico, como tem coração universal, pede por todo o mundo, porque o seu zelo entusiasta nada pode excluir. E para que a petição seja acolhida, recordamos a nossa comunhão com a Santíssima Virgem e com um punhado de homens que foram os primeiros a seguir Cristo e por Ele morreram.
Quam oblationem... Aproxima-se o momento da consagração. Agora, na Santa Missa, é outra vez Cristo que actua, através do sacerdote: Isto é o meu Corpo. Este é o cálice do meu Sangue. Jesus está connosco! Com a transubstanciação, renova-se a infinita loucura divina, ditada pelo Amor. Quando hoje se repete esse momento, que saiba cada um de nós dizer ao Senhor, mesmo sem pronunciar quaisquer palavras, que nada nos poderá afastar d'Ele e que a sua disponibilidade de se deixar ficar – totalmente indefeso – nas aparências, tão frágeis, do pão e do vinho, nos converteu voluntariamente em escravos: praesta meae menti de te vivere et te illi semper dulce sapere, faz com que eu viva de Ti e saboreie sempre a doçura do teu amor.
Mais petições. Nós, homens, estamos quase sempre inclinados a pedir. Desta vez, é pelos nossos irmãos defuntos e por nós mesmos. Por isso, aqui aparecem todas as nossas infidelidades e misérias. O peso da sua carga é muito grande, mas Ele quer levá-lo por nós e connosco. O Canon vai terminar com outra invocação à Santíssima Trindade: per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso.... por Cristo, com Cristo e em Cristo, nosso Amor, a Ti, Deus Pai Todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, Te seja dada toda a honra e glória pelos séculos dos séculos. (Cristo que passa, 90)


El reto del amor

Temas para reflectir e meditar


Oração mental 1

A oração mental é uma oração sem palavras?

Isso é impossível!

Sempre são necessárias palavras porque são a nossa forma de nos exprimirmos.

Mas o que é? Em que consiste?

Digamos que é uma oração íntima em que o nosso espírito desenvolve um tema – que escolhemos livremente – sobre o qual dissertamos tentando entrosar-nos com profundidade sobre o mesmo.

(AMA, 16.10.2019)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







07/06/2020

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Festa da Santíssima Trindade

Deus está aqui


Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário...Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima: mais que no estábulo, e que em Nazaré e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A «nossa» Missa, Jesus...). (Caminho, 533)


Por vezes, talvez nos perguntemos como será possível corresponder a tanto amor de Deus e até desejaríamos, para o conseguir, que nos pusessem com toda a clareza diante dos nossos olhos um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente na Santa Missa, aprender a conviver e a ganhar intimidade com Deus na Missa, porque neste Sacrifício se encerra tudo aquilo que o Senhor quer de nós.

Permiti que aqui vos recorde o desenrolar das cerimónias litúrgicas, que já observámos em tantas e tantas ocasiões. Seguindo-as passo a passo é muito possível que o Senhor nos faça descobrir em que pontos devemos melhorar, que defeitos precisamos de extirpar e como há-de ser o nosso convívio, íntimo e fraterno, com todos os homens.

O sacerdote dirige-se para o altar de Deus, do Deus que alegra a nossa juventude. A Santa Missa inicia-se com um cântico de alegria, porque Deus está presente. É esta alegria que, juntamente com o reconhecimento e o amor, se manifesta no beijo que se dá na mesa do altar, símbolo de Cristo e memória dos santos, um espaço pequeno e santificado, porque nesta ara se confecciona o Sacramento de eficácia infinita. (Cristo que passa, 88)


Temas para reflectir e meditar

Formação humana e cristã

A beleza do perdão - 4

Devemos ter bem presente que ao Confessor, seja quem for, conheça-nos ou não, o que lhe revelamos na Confissão, não lhe interessa pessoalmente para nada mas tão só no plano especificamente espiritual para poder avaliar a gravidade da nossa culpa, aferir a penitência apropriada e finalmente conceder-nos a absolvição.

Mas de facto convém ter um confessor habitual porque deste modo poderá muito melhor ser director espiritual, um guia seguro para orientarmos a nossa vida espiritual como mais convém.

Ao fim de algum tempo conhecer-nos-á melhor e assim colocar a "fasquia" dos objectivos à altura mais adequada às nossas capacidades.
Isto é muito importante para que aproveitemos bem não só essas capacidades mas também e sobretudo as graças que o Senhor sempre dá juntamente com essas qualidades.

(ama, reflexões, 2015.04.19)

LEITURA ESPIRITUAL


São Marcos


Cap. XVI


1 Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para irem embalsamar Jesus. 2 Partindo no primeiro dia da semana, de manhã cedo, chegaram ao sepulcro quando o sol já era nascido. 3 Diziam entre si: «Quem nos há-de retirar a pedra da entrada do sepulcro?». 4 Mas, olhando, viram removida a pedra, que era muito grande. 5 Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido de uma túnica branca e ficaram assustadas. 6 Ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Buscais a Jesus Nazareno, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui. Eis o lugar onde O depositaram. 7 Mas ide, dizei a Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia; lá O vereis, como Ele vos disse». 8 Elas, saindo do sepulcro, fugiram, porque as tinha assaltado o temor e estavam como que fora de si. Não disseram nada a ninguém, tal era o medo que tinham. 9 Jesus, tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios. 10 Ela foi noticiá-lo aos que tinham andado com Ele, os quais estavam tristes e chorosos. 11 Tendo eles ouvido dizer que Jesus estava vivo e que fora visto por ela, não acreditaram. 12 Depois disto, mostrou-Se de outra forma a dois deles, enquanto iam para a aldeia; 13 os quais foram anunciar aos outros, que também a estes não deram crédito. 14 Finalmente, apareceu aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a sua incredulidade e dureza de coração, por não terem dado crédito aos que O tinham visto ressuscitado. 15 E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura. 16 Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado. 17 Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas, 18 pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados». 19 O Senhor, depois de assim lhes ter falado, elevou-Se ao céu e foi sentar-Se à direita do Pai. 20 Eles, tendo partido, pregaram por toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os milagres que a acompanhavam.

Comentários:

Diferem pouco os relatos dos Evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João. Este último só refere Madalena como tendo sido a única que terá visto o Ressuscitado e quem terá dado a notícia do desaparecimento do corpo de Jesus aos Apóstolos. Pouco importa, já que, como é lógico, alguém o terá comunicado a Pedro que, na sequência, corre juntamente com João até ao túmulo para confirmar a notícia. O que nos interessa sublinhar é a dedicação feminina que, em contraste com o receio dos Apóstolos recolhidos no Cenáculo, as leva a ir ao tumulo para prestar homenagem ao Senhor. A mulher assume portanto, um primeiríssimo lugar na história da Redenção  talvez porque o seu coração seja mais doce, mais terno que o coração dos homens, porque, no fim e ao cabo, o  que as leva ao sepulcro é o seu amor por Jesus Cristo.
Detendo-me um pouco nesta frase: «Eis os milagres que acompanharão os que crerem» fico a pensar na força da fé na palavra de Deus. Jesus, de facto, diz que àqueles que acreditarem serão dados poderes extraordinários. Porquê? Parece-me que Jesus quer garantir aos primeiros crentes auxílios especiais para ultrapassarem as dificuldades que, sabe, irão enfrentar. Na verdade as perseguições e ataques de toda a ordem contra os fiéis seguidores da Palavra, irão surgir logo no início da Igreja nascente.
Que felicidade teres partido para o Céu!, não me canso de pensar. Indo ficaste connosco, comigo, para sempre. Na presença viva e real na Sagrada Eucaristia que é o meu alimento, a minha força, o manancial onde bebo a água da vida eterna. Tenho-Te aqui como nenhum dos Teus Apóstolos Te teve; eles tinham a Tua companhia, gozavam da Tua presença, ouviam as Tuas palavras, viam os Teus gestos. Eu, pelo contrário, tenho isso tudo, ouço-Te no meu coração quando me falas, sinto as inspirações que constantemente sopras no meu entendimento e, finalmente, recebo-Te todo inteiro, em Corpo, Alma e Divindade tal como estás no Céu para onde subiste!
As últimas palavras de Jesus na terra são como que a "passagem de testemunho" aos Apóstolos, dando-lhes as directivas do trabalho a meter ombros, trabalho que é e será a continuidade do que Ele próprio levou a cabo: levar a todos o Reino de Deus e dar-lhes os meios e assistência necessárias para que possam ultrapassar as dificuldades e obstáculos que os esperam. A estes doze entrega a Sua Igreja porque sabe que pode confiar na sua dedicação e empenho em tão extraordinária missão que, não obstante a sua magnitude, seria levada a cabo até ao final dos tempos.
É absolutamente claro que o Baptismo é imprescindível para alcançar a salvação. É O Senhor Quem o afirma. Por isso mesmo se repete: a enorme responsabilidade dos progenitores baptizarem os seus filhos quanto antes. Adiar sem razão - e quase nunca há uma razão verdadeiramente válida -, é um risco que nenhum cristão deve correr porque «não se sabe nem o dia nem a hora».
São Marcos escreve os derradeiros versículos do “seu” Evan­gelho. Com ênfase especial nas relações dos Apóstolos com Jesus Cristo, segue, com evidente cuidado, as longas conversas com Pedro, não omitindo nem as fraquezas, dúvidas, negações e abandonos que pautaram o seu relacionamento com o Se­nhor. É bem evidente que a enorme humildade do Príncipe dos Apóstolos e a rocha sobre a qual Jesus Cristo edificou a Sua Igreja, quis que a hu­manidade ficasse a saber de fonte fide­digna que o cumprimento do mandato do Senhor não se fica a dever à capacidade de cada um e, nem mesmo, à sua en­trega devotada inteiramente à missão que lhes fora confiada – quase todos deram a vida por ela – mas à especialís­sima assistência do Espírito Santo que os converteu em pilares indes­trutíveis e inamovíveis da Igreja.
Por este trecho de São Marcos, verifica-se algo que pode, causar-nos estranheza: a falta de confiança entre os discípulos de Jesus, mesmo daqueles que mais assiduamente andavam juntos. Precisamente, o Evangelista que segue as informações e relatos de Pedro, faz constar quanto dele mesmo se apercebeu e, muito natural­mente, sob as instruções do Chefe dos Apóstolos que deseja fique bem gravado para todo o sempre as fraquezas e debilidades desses esco­lhidos, a começar, por ele próprio. Se eles si entre se amassem verdadeiramente como Jesus os amava… A confiança conquista-se com o amor e, sem ela, ele não é possível. Não importam os defeitos e “particularidades” de carácter do outro, se de facto se ama, acredita-se nele.
Custa-nos dar-nos conta da quase impenetrável desconfiança dos Onze. Ficamos como que ofendidos porque pensamos... ‘Connosco seria muito diferente, correríamos a prostrar-nos ante Jesus, abraçando e beijando os Seus pés chorando de alegria’. É o que pensamos, exactamente porque aqueles onze nos trouxeram a novidade confirmando a Ressurreição de Cristo. Quase todos deram a própria vida para que nós conhecêssemos a ver­dade e, conhecendo-a, sejamos levados por esses nobres sentimentos de veneração, adoração e acções de graças pelo Ressuscitado que nos mereceu a Salvação.
São Marcos segue os relatos de Pedro. Este, uma vez mais, propositadamente decerto, omite o seu papel nos dias que se seguiram à morte de Jesus. Sabemos, por São, João que foi ao túmulo na madrugada de Domingo e que pode constatar os sinais da ressurreição do Senhor. É natural que os discípulos mais próximos de Jesus, nomea­damente os Doze, estivessem reunidos com Pedro a quem o Senhor tinha, iniludi­velmente, nomeado o Chefe e a Pedra onde assentaria a Sua Igreja. Pedro tem, portanto, um papel importantíssimo nestes dias. Mais é de admirar e louvar esta singeleza do Apóstolo em querer passar despercebido. Com toda a certeza que a Paixão e Morte do Senhor o teriam abalado profundamente, pensando, talvez, na sua impotên­cia para salvar o seu Mestre, depois das bravatas na noite de Quinta-feira. O Príncipe dos Apóstolos dá, uma vez mais, uma lição da sua profunda humildade.
Teríamos nós, naquelas circunstâncias, acreditado que Jesus ressusci­tara? Então porquê, no nosso íntimo, estranhamos que os Apóstolos duvi­dassem? Sim, porque, nós, agora, sabemos muitíssimo mais do que eles então sabiam, e sabemo-lo graças a eles que, tendo vencido todas as dúvi­das, foram testemunhas indómitas da Ressurreição do Senhor, defen­dendo com a própria vida essa verdade que é o fundamento da nossa Fé. Agradecidos ao Senhor que nos ganhou a VIDA mas, também, muito gratos a esses homens simples e algo rudes, que garantiram que o viéssemos a saber.
Em muitas das chamadas “igrejas” que proliferam um pouco por toda a parte, uma das práticas correntes para atrair e fidelizar prosélitos é precisamente o recurso a esses “milagres” que o Senhor promete aos que O seguem e levam a Sua Palavra aos outros. Como se sabe, tais “milagres” não passam de mistificações mais ou menos grosseiras porque ninguém tem esse poder senão aqueles a quem o Senhor o concede. Os milagres são feitos por Jesus Cristo que se serve dos homens por Si escolhidos como instrumentos para os realizar. Não é possível, pois, operar milagres sejam quais forem, em proveito próprio e, muito menos, se O Senhor está ausente ou é abusivamente evocado seja por quem for.
O segredo do êxito da pregação dos Apóstolos revela-se neste trecho do Evangelho. Os milagres, factos extraordinários que confirmarão, de certo modo, que a acção que levam a cabo está de acordo com a vontade do Se­nhor. Não dizem nada em seu nome pessoal, não prometem coisa nenhuma a não ser a Vida Eterna. O Reino de Deus, pela acção destes homens, ir-se-á espalhando pelo mundo conhecido de então e terá uma continuidade pelos séculos fora até ao final dos tempos. Não escolhem pessoas como se fossem “privilegiados” a quem é con­cedido o acesso à Palavra ou locais onde o acolhimento possa ser mais favorável. Não! O Senhor é bem claro: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura.» E, isto, não tem de espantar-nos porque, afinal, o mundo é dele e as criaturas são Suas.
«Tende confiança, Eu venci o mundo». Esta firmação de Cristo que São Marcos recolhe, deve ser, é efectiva­mente, para os homens, sobretudo os cristãos empenhados no apos­tolado - e que devem ser todos, sem excepção - uma afirmação que tranquiliza e infunde confiança. O mundo nada pode contra Cristo e embora se mostre agreste e até mesmo ameaçador, os Seus enviados, os que, afincadamente, traba­lham na Sua vinha, nada têm a temer. Jesus Cristo que prometeu a Sua assistência incondicional não falhará, quanto disse cumprir-se-á integralmente. Tenhamos confiança.  
Os apóstolos, que devemos ser todos os cristãos, não somos mais - não devemos ser - que instrumentos nas mãos de Deus. Para, sendo dóceis, fazermos o que Ele quer e como quer, e dúcteis para que deixemos que nos moldar a Seu gosto de forma a melhor fazermos o que manda. E faremos milagres! É verdade! Milagres autênticos, grandiosos, não por nossa virtude que é diminuta, ou poder que é limitado, mas porque Ele quer, através de nós, “marcar” o nosso apostolado com o selo divino para que seja evidente que não se trata do “nosso” mas do Seu apostolado.
Visto apressadamente e com “vistas curtas”, poderia parecer que a expansão do Evangelho se deveu a uma bem montada operação de marketing em que, para atrair e convencer as pessoas se recorre a prodígios e acções extraordinárias. Do que se trata é que os discípulos, quando fazem o que o mestre lhes manda fazer de certa forma, personificam o próprio mestre e, assim, de certa forma, estes “enviados” levam consigo os poderes com que o seu Mestre – Jesus Cristo – Se afirma como Messias. E não o fazem por um extraordinário poder ou excepcionais dons mas, apenas e unicamente, pelo poder da sua fé e inteira confiança em Jesus Cristo porque, de facto, quem opera os milagres é o Senhor. Nós nunca passamos de meros instrumentos nas Suas mãos.
É preciso que os novos crentes se destaquem nas sociedades em que vivem. A principal forma de destaque é, como muito bem sabemos, o exemplo de uma nova vida, novos costumes, novas práticas. Mas há que “atrair” outros mais cépticos ou incrédulos e, nas socieda­des de então, as faculdades ou virtudes extraordinárias são um meio muito eficaz para tal. Talvez por isso, Jesus Cristo refira estes “poderes especiais” para os que acreditarem e, de facto, como Ele próprio o afirmou por várias vezes, a quem crê tudo é possível.
É de toda a justiça que os cristãos celebrem, louvem e agradeçam a essas “colunas da Igreja” que sem olhar a dificuldades de toda a or­dem, cumpriram amorosamente, o mandato de Cristo. Sem a sua entrega, plena, total, a Igreja, embora com Cabeça – que é Cristo – não teria “corpo”. Ao longo dos tempos quantos foram os verdadeiros apóstolos da cris­tandade? Hoje em dia, quantos são? Por todo o mundo, os cristãos voltam-se para Roma, para esse homem que, não obstante a sua idade avançada, os urge com persistente ím­peto, a caminhar com perseverança e dedicação a levar Cristo a todos os lugares da terra. Em plena Páscoa – a Semana III – a Liturgia escolhe este trecho do Evangelho se São Marcos porque hoje – 25 de Abril de 2015 – se comemora o dia do Apóstolo e Evangelista. É, aliás, o “fecho” do Evangelho que escreveu baseado, como sabemos, no que ouviu directamente do Príncipe dos Apóstolos, São Pedro. Ficamos a dever a São Marcos o conhecimento das 12 pessoas que o Senhor escolheu como “colunas” da Sua Igreja, das suas características pessoais, fragilidades, e limitações bem notórias, inclusive as negações e infidelidades. Revela-se assim a profunda humildade desses homens, nomeadamente de São Pedro, que não se opõem, antes terão desejado, que tudo constasse para que nós, cristãos, possamos ver que podemos perfeitamente estar “à altura” dos Doze e sermos como eles foram fiéis até à morte a nosso Senhor Jesus Cristo.
Jesus Cristo termina a Sua missão na terra e volta para de onde veio. Redimiu e salvou a humanidade ganhando-nos o “estatuto” de “Filhos de Deus em Cristo Jesus”. Bens inestimáveis que nunca poderemos agradecer totalmente mas que, - isso sim – devemos procurar retribuir e, a única forma de o fazer com absoluta segurança, é cumprir quanto nos disse que fizéssemos fazendo em tudo a Vontade de Deus Nosso Senhor.
Acreditar em Jesus Cristo tem sempre um prémio e quem for baptizado terá um prémio ainda maior. Ao contrário de nós, humanos, que tentamos muitas vezes Deus com as chamadas “promessas” - se me fizeres isto eu faço aquilo – Jesus é muito claro e objectivo: Os simples factos de acreditar e ser baptizado trazem consigo benefícios incalculáveis e para sempre. Sobretudo, naqueles primeiros tempos, os privilégios prometidos seriam de extraordinário valor para a missão que esperava os convertidos ao Reino de Deus.
Não é possível acreditar na Ressurreição de Cristo sem a luz da Fé. Quanto mais intensa for essa luz melhor interiorizarmos esse aconte­cimento que constitui a base o fundamento da nossa santa religião. Peçamos ao Espírito Santo, Senhor que dá a Luz, que a derrame sobre nós.
O evangelista é parco nas palavras. Realmente, São Marcos - que escreve o que ouviu da boca de Pedro -  não foi testemunha directa dos acontecimentos após a Ressurreição do Senhor e, portanto, toda a emoção e choque de sentimentos que outros deixam entrever não está presente no que escreve. Mas, o deveras importante é reter as instruções e mandatos do Mestre, o que deseja que façam e como. É isso que deve interessar aos Seus seguidores que somos todos nós os baptizados.

Reto del amor

Hoy el reto del amor es orar cuál es tu zona de confort 

Pequena agenda do cristão

DOMINGO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

06/06/2020

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Segui-lo-ás em tudo o que te pedir


Se de verdade desejas que o teu coração reaja de um modo seguro, aconselho-te que te metas numa Chaga de Nosso Senhor: assim terás intimidade com Ele, pegar-te-ás a Ele, sentirás palpitar o seu Coração... e segui-lo-ás em tudo o que te pedir. (Forja, 755)

Quem cultiva uma teologia incerta e uma moral relaxada, sem freios; quem pratica, a seu capricho, uma liturgia duvidosa, com uma disciplina de hippies e um governo irresponsável, não é de admirar que propague contra os que só falam de Jesus Cristo invejas, suspeitas, acusações falsas, ofensas, maus tratos, humilhações, intrigas e vexames de todo o género.
Quando admiramos e amamos deveras a Santíssima Humanidade de Jesus, descobrimos, uma a uma, as suas Chagas. E nesses tempos de expiação passiva, penosos, fortes, de lágrimas doces e amargas que procuramos esconder, sentiremos necessidade de nos meter dentro de cada uma daquelas Feridas Santíssimas: para nos purificarmos, para nos enchermos de alegria com esse Sangue redentor, para nos fortalecermos. Recorreremos a elas como as pombas que, no dizer da Escritura, se escondem nos buracos das rochas na hora da tempestade. Escondemo-nos nesse refúgio, para encontrar a intimidade de Cristo: e veremos que o seu modo de conversar é aprazível e o seu rosto formoso, porque os que sabem que a sua voz é suave e grata, são os que receberam a graça do Evangelho, que os faz dizer: Tu tens palavras de vida eterna.
Não pensemos que, nesta senda da contemplação, as paixões se calam definitivamente. Enganar-nos-íamos se supuséssemos que a ânsia de procurar Cristo, a realidade do seu encontro e do seu convívio e a doçura do seu amor nos tornavam pessoas impecáveis. Embora não lhes falte experiência disso, deixem-me, no entanto, recordá-lo. O inimigo de Deus e do homem, Satanás, não se dá por vencido, não descansa. E assedia-nos, mesmo quando a alma arde inflamada no amor de Deus. Sabe que nessa altura a queda é mais difícil, mas que – se conseguir que a criatura ofenda o seu Senhor, ainda que seja em pouco – poderá lançar naquela consciência a grave tentação do desespero. (Amigos de Deus, ns. 301–303)


LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS


São Marcos

Cap. XV


1 Logo de manhã, os sumos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os doutores da Lei e todo o Sinédrio; e, tendo manietado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos. 2 Perguntou-lhe Pilatos: «És Tu o rei dos Judeus?» Jesus respondeu-lhe: «Tu o dizes.» 3 Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas. 4 Pilatos interrogou-o de novo, dizendo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas és acusado!» 5 Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefacto. 6 Ora, em cada festa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso que eles pedissem. 7 Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos que tinham cometido um assassínio durante a revolta. 8 A multidão chegou e começou a pedir-lhe o que ele costumava conceder. 9 Pilatos, respondendo, disse: «Quereis que vos solte o rei dos judeus?» 10 Porque sabia que era por inveja que os sumos sacerdotes o tinham entregado. 11 Os sumos sacerdotes, porém, instigaram a multidão a pedir que lhes soltasse, de preferência, Barrabás. 12 Tomando novamente a palavra, Pilatos disse-lhes: «Então que quereis que faça daquele a quem chamais rei dos judeus?» 13 Eles gritaram novamente: «Crucifica-o!» 14 Pilatos insistiu: «Que fez Ele de mal?» Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-o!» 15 Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado. 16 Os soldados levaram-no para dentro do pátio, isto é, para o pretório, e convocaram toda a coorte. 17 Revestiram-no de um manto de púrpura e puseram-lhe uma coroa de espinhos, que tinham entretecido. 18 Depois, começaram a saudá-lo: «Salve! Ó rei dos judeus!» 19 Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam sobre Ele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20 Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto de púrpura e revestiram-no das suas vestes. Levaram-no, então, para o crucificar. 21 Para lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo. 22 E conduziram-no ao lugar do Gólgota, que quer dizer ‘lugar do Crânio’. 23 Queriam dar-lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não quis beber. 24 Depois, crucificaram-no e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. 25 Eram umas nove horas da manhã, quando o crucificaram. 26 Na inscrição com a condenação, lia-se: «O rei dos judeus.» 27 Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda. 28 Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi contado entre os malfeitores. 29 Os que passavam injuriavam-no e, abanando a cabeça, diziam: «Olha o que destrói o templo e o constrói em três dias! 30 Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!» 31 Da mesma forma, os sumos sacerdotes e os doutores da Lei troçavam dele entre si: «Salvou os outros mas não pode salvar-se a si mesmo! 32 O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para nós vermos e acreditarmos!» Até os que estavam crucificados com Ele o injuriavam. 33 Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, até às três da tarde. 34 E às três da tarde, Jesus exclamou em alta voz: «Eloí, Eloí, lemá sabachtáni?», que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? 35 Ao ouvi-lo, alguns que estavam ali disseram: «Está a chamar por Elias!» 36 Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre, pô-la numa cana e deu-lhe de beber, dizendo: «Esperemos, a ver se Elias vem tirá-lo dali.» 37 Mas Jesus, com um grito forte, expirou. 38 E o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. 39 O centurião que estava em frente dele, ao vê-lo expirar daquela maneira, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» 40 Também ali estavam algumas mulheres a contemplar de longe; entre elas, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé, 41 que o seguiam e serviam quando Ele estava na Galileia; e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém. 42 Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, 43 José de Arimateia, respeitável membro do Conselho que também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 44 Pilatos espantou-se por Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido há muito. 45 Informado pelo centurião, Pilatos ordenou que o corpo fosse entregue a José. 46 Este, depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro. 47 Maria de Magdala e Maria, mãe de José, observavam onde o depositaram.

Comentários:


Este relato da Paixão de Cristo, que São Marcos faz, segue, de alguma forma, os Sinópticos. Nalguns detalhes difere um pouco e omite outros como, por exemplo, o diálogo entre Jesus Cristo e o ladrão crucificado à sua esquerda. Detenho-me, no entanto em numa frase que considero singular: «Pilatos espantou-se por Ele já estar morto». Deve, seguramente, ter colhido esta “informação” do próprio José de Arimateia. Mas, podemos perguntar: a que se deve o espanto de Pilatos? Talvez na sua perturbada consciência  houvesse alguma dúvida acerca da Divindade do Crucificado? Os sonhos que Cláudia – a sua mulher – lhe relatou terão, de alguma forma, levado o seu espírito a interrogações e perplexidades? Ter-se-à informado sobre Jesus e, tomando conhecimento dos Seus milagres, chegado a alguma “conclusão” sobre a verdadeira Natureza do homem que condenara? Poderia, de facto, O Homem que condenara, Ser Alguém com poderes extraordinários: curar enfermos de toda a ordem, multiplicar pães e peixes, andar sobre as águas, ressuscitar mortos? O centurião ter-lhe-à exposto a conclusão a que chegara: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!»? Mas qual Deus? O Deus dos Israelitas? O Tal Messias? O Rei dos Reis? O que lhe dissera claramente: «Sou Rei!». Quando mandou colocar aquela inscrição na Cruz «O rei dos judeus» te-lo-à feito por “ironia”, “acinte” para com os Chefes do Povo? A verdade, também, é que a propósito, dissera:«Quod scripsit secripsit»! Seria uma “teimosia” ou um prenúncio da verdade? Mas… ele, não sabia o que era a Vedade? A sua pergunta a Jesus Cristo, foi de facto uma declaração de ignorância ou, pelo contrário, uma afirmação de que, no seu entender, a verdade poderia ser diferente para alguns? A própria postura de Herodes – que a partir de então se tornou seu amigo – não revelaria uma convicção que Jesus Cristo poderia Ser O Tal Messias Salvador e Rei dos Judeus? Pilatos era um homem culto e inteligente, embora calculista, e com uma única preocupação: a sua “carreira no aparelho” do Império Romano, mas, este “espanto”, leva-me realmente a pensar… O facto é que Jesus Cristo, pendente da Cruz da Salvação, pediu ao Pai que perdoasse os responsáveis pela Sua Crucifixão porque «não sabem o que fazem» e, eu, não posso mais que concluir que, nestes, O meu Salvador, incluía Poncio Pilatos. Assim, terei “mais uma razão” para não fazer juízos nem me atrever em considerações sobre a culpabilidade do Pretor Romano. Consta na história que, caído em desgraça junto do Imperador Romano,  terá cometido suicídio pelos anos 38/39 DC. e, também constam os inúmeros atropelos contra os judeus, nomeadamente assassínios em massa dos Samaritanos. Mas, a verdade, também, estes actos não “destoam”  em muito dos praticados por outros responsáveis de governo do povos naquela época como, nas posteriores. Realmente, é muito comum que o  poder – quanto mais absoluto pior – pode corromper a consciência ao ponto de levar quem possui a cometer actos de inimaginável crueldade e desrespeito pela vida dos que governa. Pilatos foi “pior” que Hitler; ou Estaline; ou… ?