Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
05/06/2020
São José, um homem normal
Falámos hoje da vida de oração e do afã de
apostolado. Queremos porventura melhor mestre nesta matéria do que São José? Se
quereis que vos dê um conselho, dir-vos-ei – com palavras que venho a repetir
incansavelmente desde há muitos anos: Ite ad Joseph, recorrei a S. José; ele
vos mostrará caminhos concretos e meios humanos e divinos para chegar a Jesus.
E em breve ousareis, tal como ele, segurar nos braços, beijar, vestir e cuidar
deste Menino Deus que nasceu para nós. Em sinal de veneração, os Magos
ofereceram a Jesus ouro, incenso e mirra; José deu-lhe plenamente o coração
jovem, cheio de amor. (Cristo que passa,
38)
José era um artesão da Galileia, um homem como
tantos outros. E que pode esperar da vida um habitante de uma aldeia perdida,
como era Nazaré? Apenas trabalho, todos os dias, sempre com o mesmo esforço. E,
no fim da jornada, uma casa pobre e pequena, para recuperar as forças e
recomeçar o trabalho no dia seguinte.
José era efectivamente um homem corrente, em quem
Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o
Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por
isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. E, na língua
hebraica, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor
da vontade divina ; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo.
(Cristo que passa, 40)
O nosso Pai e Senhor São José é Mestre da vida
interior. – Põe-te sob o seu patrocínio e sentirás a eficácia do seu poder. (Caminho, 560)
De São José diz Santa Teresa, no livro da sua vida:
«Quem não achar Mestre que lhe ensine a orar, tome este glorioso Santo por
mestre, e não errará no caminho». – O conselho vem de uma alma experimentada.
Segue-o. (Caminho, 561)
Temas para reflectir e meditar
A beleza do perdão - 3
É de suma importância o exame prévio feito com simples objectividade até porque algumas vezes nos esquecermos dos pecados de omissão, isto é, o que deveríamos ter feito e não fizemos, ou seja as faltas de cumprimento do dever.
E não nos fiquemos por generalidades mas sim dizer concretamente: ’não fiz isto, não fiz aquilo' que era minha obrigação fazer.
Ao demónio não lhe interessa nada que
nos confessemos e usará de todas as artimanhas da vasta panóplia de que dispõe
para nos levar a desistir da Confissão Sacramental.
Uma das mais comuns talvez seja o respeito humano de não nos confessarmos com o Sacerdote habitual. Tal ocorre principalmente quando temos uma falta que nos envergonha particularmente.
Não ceder a esta tentação acrescenta aos méritos da Confissão o vencimento próprio, a humilhação, a simplicidade, o domínio do orgulho.
(cont)
(ama, reflexões,
2015.04.19)
São Pio de Petrelcina
São Pio
de Petrelcina
O grande
amor de Deus
Eu
não sou como o Senhor me fez, mas sinto que tenho de me esforçar muito mais
para cometer um acto de soberba que um acto de humildade. Isto porque a
humildade é a verdade e a verdade é que eu sou nada. Tudo o que de bom existe em mim, tudo o que possuo é de Deus.
E mesmo sabendo isso, quantas vezes desperdiçamos ou estragamos até o que o
bom Deus colocou em nós?!
(365
dias com São Pio de Petrelcina)
LEITURA ESPIRITUAL
São Marcos
Cap. XIV
1 Dali a dois dias era a Páscoa e os Ázimos; os príncipes dos
sacerdotes e os escribas andavam buscando o modo de O prender à traição, para O
matar.2 Porém, diziam: «Não convém que isto se faça no dia da festa,
para que não se levante nenhum motim entre o povo».3 Estando Jesus
em Betânia, em casa de Simão o leproso, enquanto estava à mesa, veio uma mulher
trazendo um frasco de alabastro cheio de um perfume feito de verdadeiro nardo,
de um grande valor e, quebrando o frasco, derramou-Lho sobre a cabeça.4
Alguns dos que estavam presentes indignaram-se e diziam entre si: «Para que foi
este desperdício de perfume? 5 Pois podia-se vender por mais de
trezentos denários e dá-los aos pobres». E irritavam-se contra ela. 6
Mas Jesus disse: «Deixai-a. Porque a molestais? Ela fez-Me uma boa obra, 7
porque pobres sempre os tereis convosco, e quando quiserdes, podeis fazer-lhes
bem; porém a Mim, não Me tereis sempre. 8 Ela fez o que podia: ungiu
com antecipação o Meu corpo para a sepultura. 9 Em verdade vos digo:
Onde quer que for pregado este Evangelho por todo o mundo, será também contado,
para sua memória, o que ela fez». 10 Então, Judas Iscariotes, um dos
doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11
Eles ouvindo-o, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava
ocasião oportuna para O entregar.12 No primeiro dia dos Ázimos,
quando imolavam a Páscoa, os discípulos perguntaram-Lhe: «Onde queres que vamos
preparar-Te a refeição da Páscoa?». 13 Então, Ele enviou dois dos
Seus discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade e encontrareis um homem levando uma
bilha de água; ide atrás dele, 14 e, onde entrar, dizei ao dono da
casa: “O Mestre manda dizer: Onde está a Minha sala onde hei-de comer a Páscoa
com os Meus discípulos?”. 15 E ele vos mostrará uma sala superior,
grande, mobilada e já pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 16
Os discípulos partiram e chegaram à cidade; encontraram tudo como Ele lhes
tinha dito, e prepararam a Páscoa. 17 Chegada a tarde, foi Jesus com
os doze. 18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: «Em verdade
vos digo que um de vós, que come comigo, Me há-de entregar». 19
Então começaram a entristecer-se, e a dizer-Lhe um por um: «Porventura sou
eu?». 20 Ele disse-lhes: «É um dos doze que se serve comigo do mesmo
prato. 21 O Filho do Homem vai, segundo está escrito d'Ele, mas, ai
daquele homem por quem for entregue o Filho do Homem! Melhor fora a esse homem
não ter nascido». 22 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de
pronunciada a bênção, partiu-o, deu-lho e disse: «Tomai, isto é o Meu corpo». 23
Em seguida, tendo tomado o cálice, dando graças, deu-lho, e todos beberam dele.
24 E disse-lhes: «Isto é o Meu sangue, o sangue da Aliança, que é
derramado por todos. 25 Em verdade vos digo que não beberei mais do
fruto da videira, até àquele dia em que o beberei novo no reino de Deus». 26
Cantados os salmos, foram para o monte das Oliveiras. 27 Então
Jesus, disse-lhes: «Todos vós vos escandalizareis, pois está escrito: “Ferirei
o pastor, e as ovelhas se dispersarão”. 28 Mas, depois de Eu
ressuscitar, preceder-vos-ei na Galileia». 29 Pedro, porém,
disse-Lhe: «Ainda que todos se escandalizem a Teu respeito, eu não». 30
Jesus disse-lhe: «Em verdade te digo que hoje, nesta mesma noite, antes que o
galo cante a segunda vez, Me negarás três vezes». 31 Porém, ele
insistia ainda mais: «Ainda que seja preciso morrer contigo, não Te negarei». E
todos diziam o mesmo. 32 Chegando a uma herdade, chamada Getsemani,
Jesus disse aos Seus discípulos: «Sentai-vos aqui enquanto vou orar». 33
Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a sentir pavor e angústia. 34
E disse-lhes: «A Minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai». 35
Tendo-Se adiantado um pouco, prostrou-Se por terra e pedia que, se era
possível, se afastasse d'Ele aquela hora.36 Dizia: «Abba, Pai, todas
as coisas Te são possíveis; afasta de Mim este cálice; porém, não se faça o que
Eu quero, mas o que Tu queres». 37 Depois, voltou e encontrou-os a
dormir, e disse a Pedro: «Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? 38
Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito, na verdade, está
pronto mas a carne é fraca». 39 Tendo-Se retirado novamente, pôs-Se
a orar, repetindo as mesmas palavras. 40 Voltando, encontrou-os
outra vez a dormir, porque tinham os olhos pesados pelo sono. Não sabiam que
responder-Lhe. 41 Voltou terceira vez, e disse-lhes: «Dormi agora e
descansai. Basta!, é chegada a hora; eis que o Filho do Homem vai ser entregue
nas mãos dos pecadores. 42 Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima
o que Me há-de entregar». 43 Ainda falava, quando chega Judas
Iscariotes, um dos doze, e com ele muita gente armada de espadas e varapaus,
enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos. 44
O traidor tinha-lhes dado um sinal dizendo: «Aquele a quem eu beijar, é esse;
prendei-O e levai-O com cuidado». 45 Logo que chegou, aproximando-se
imediatamente de Jesus, disse-Lhe: «Mestre!», e beijou-O. 46 Então
eles lançaram-Lhe as mãos e prenderam-n'O. 47 Um dos presentes,
tirando a espada, feriu um servo do sumo sacerdote e cortou-lhe uma orelha. 48
Jesus tomando a palavra, disse-lhes: «Como se Eu fosse um ladrão viestes
prender-Me com espadas e varapaus? 49 Todos os dias estava entre vós
ensinando no templo e não Me prendestes. Mas isto acontece para que se cumpram
as Escrituras». 50 Então, os discípulos, abandonando-O, fugiram
todos. 51 Um jovem seguia Jesus coberto somente com um lençol e
prenderam-no. 52 Mas ele, largando o lençol, escapou-se-lhes nu. 53
Levaram Jesus ao sumo sacerdote e juntaram-se todos os príncipes dos
sacerdotes, os anciãos e os escribas. 54 Pedro foi-O seguindo de
longe, até dentro do pátio do sumo sacerdote. Estava sentado ao fogo com os
criados, e aquecia-se. 55 Os príncipes dos sacerdotes e todo o
conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para O fazerem morrer, e não o
encontravam. 56 Muitos depunham falsamente contra Ele, mas não
concordavam os seus depoimentos. 57 Levantaram-se uns que depunham
falsamente contra Ele, dizendo: 58 «Nós ouvimo-l'O dizer:
“Destruirei este templo, feito pela mão do homem, e em três dias edificarei
outro, que não será feito pela mão do homem”». 59 Porém, nem estes
testemunhos eram concordes. 60 Então, levantando-se do meio da
assembleia o sumo sacerdote, interrogou Jesus, dizendo: «Não respondes nada ao
que estes depõem contra Ti?». 61 Ele, porém, estava em silêncio e
nada respondeu. Interrogou-O de novo o sumo sacerdote e disse-Lhe: «És Tu o
Cristo, o Filho de Deus bendito?». 62 Jesus respondeu: «Eu sou, e
vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, e vir sobre as
nuvens do céu». 63 Então, o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes,
disse: «Que necessidade temos de mais testemunhas? 64 Ouvistes a
blasfémia. Que vos parece?». E todos O condenaram como réu de morte. 65
Então começaram alguns a cuspir-Lhe, a cobrir-Lhe o rosto e a dar-Lhe murros,
dizendo-Lhe: «Profetiza!». Os criados receberam-n'O a bofetadas. 66
Entretanto, estando Pedro em baixo no átrio, chegou uma das criadas do sumo
sacerdote. 67 Vendo Pedro, que se aquecia, encarando-o disse: «Tu
também estavas com Jesus Nazareno». 68 Mas ele negou: «Não sei, nem
compreendo o que dizes». E saiu para fora, para a entrada do pátio, e o galo
cantou. 69 Tendo-o visto a criada, começou novamente a dizer aos que
estavam presentes: «Este é daqueles». 70 Mas ele o negou de novo.
Pouco depois, os que ali estavam presentes diziam de novo a Pedro:
«Verdadeiramente tu és um deles, porque também és galileu». 71 Ele
começou a fazer imprecações e a jurar: «Não conheço esse homem de quem falais».
72 Imediatamente cantou o galo segunda vez. Pedro lembrou-se da
palavra que Jesus tinha dito: «Antes que o galo cante duas vezes, Me negarás
três». E começou a chorar.
Comentários:
Está absolutamente
definido: para Deus, o mais importante é o AMOR. Foi e é, o Amor, que moveu e
continua movendo, Deus, como Criador, como Pai, como Dono e Senhor de quanto
existe. Ama o homem por aquilo que ele é: uma criatura fruto do Seu amor. Não
se pode amar o que não se conhece e, Deus, conhece-nos intimamente com todos
os nossos defeitos e fraquezas e, também, as nossas virtudes e boas acções. Mesmo
quando nos afastamos dele continua a amar-nos porque o Seu amor por nós não é
condicionado pelo nosso amor por Ele.
Levanta-se uma questão
a respeito deste trecho do Evangelho: “Quem não ama Deus não ama o próximo, ou,
se se ama o próximo tem de se amar a Deus?” Parece óbvio que o amor é um só: o
amor de Deus pelos homens! De facto Deus não só criou o homem por amor mas
criou-o para amar. Sendo verdade que Deus ama todos os homens e que estes são o
reflexo, a própria imagem de Deus, não será possível haver como que uma
“divisão” do amor entre o amor a Deus e o amor ao próximo. Assim, aquele que
ama o próximo, ama de facto a Deus embora, por qualquer razão, possa não O
conhecer. Por isso é tão importante o apostolado, que mais não é que um serviço
para que todos conheçam Deus.
São Marcos descreve o que ouviu de São
Pedro com a riqueza de detalhes que nos garante um relato fidedigno do que se
passou. Jesus Cristo é um "adivinho"? Não!
Jesus Cristo sendo Deus conhece o passado o actual e o futuro, aliás, para Ele, tudo é presente.
Jesus Cristo sendo Deus conhece o passado o actual e o futuro, aliás, para Ele, tudo é presente.
A prudência é uma virtude
importantíssima na vida cristã. sobretudo nas tarefas de apostolado deve ter-se
muito em conta que agir imprudentemente pode não só deitar a perder o esforço
já feito como até fazer ou dizer algo que não seja de todo conveniente. O homem
prudente é avisado, não age nem por impulso nem por entusiasmo. Prepara
convenientemente a sua acção tomando conselho apropriado de quem melhor o poderá
guiar. Nosso Senhor dá-nos, neste trecho de São Marcos, uma autêntica lição de
prudência ficando claríssimo que não se trata nem de medo ou receio mas, de
agir em conformidade com o que é aconselhável.
Jesus
Cristo quer que tudo se cumpra como está determinado nos planos da Redenção,
por isso mesmo, usa a precaução que se impõe para que não se saiba onde vai
celebrar a Páscoa com os Doze. Convém até que, um dos Doze, não saiba de
antemão, onde será. Todos os factos, episódios e acontecimentos que antecedem a
Paixão são importantes mas, neles, avulta a Última Ceia porque, justamente será
durante a mesma, que Cristo, depois da saída de Judas, instituirá o Sacerdócio
ao dar aos Seus Apóstolos a faculdade de repetirem para todo o sempre o milagre
da Consagração Eucarística. De facto, é onde O Senhor decide, com uma
generosidade e humildade que nos espanta, ficar para sempre connosco para ser o
nosso alimento, o Viático para a Vida Eterna.
Uma
vez mais, Jesus, mostra-nos como é necessária prudência nas coisas que a Ele
respeitam. Prudência que não tem que ver nem com medo ou cobardia mas, tão só,
não desprezar as medidas e atitudes que as circunstâncias aconselhem. Ao enviar
dois discípulos com instruções algo “misteriosas” para escolherem a sala onde
iriam comer a Páscoa, Jesus quer pôr a recato a possibilidade de Judas, que
sabia, o iria trair, se poder adiantar no seu torpe desígnio. Assim, ninguém
saberia, de antemão, onde Se encontraria Jesus e os Seus discípulos antes da
hora que, desde sempre, estava destinada a ser a hora da prisão, no Getzemani.
O
poder da Fé! Assim se poderia titular este trecho de São Marcos. Os exemplos
dados são propositadamente exagerados e até estranhos - ninguém mandará um
monte plantar-se no mar - para que fique bem claro que Deus pode tudo e a
oração pode obter tudo. O que pedirmos não deixará de ser atendido se o pedido
for conveniente segundo os critérios divinos.
A honestidade intelectual é algo que
muitos desdenham e, no entanto, ela é fundamental para agir com verdade e são
critério. Procurar razões onde não existem, perguntas capciosas e mal
intencionadas, isto é o que fazem muitos que se propõem a eles próprios como
mestres e guias. Mas, o pior é que haverá sempre quem os ouça e siga, iludidos
e enganados na sua busca da verdade. É a verdade é só uma: Jesus Cristo: Ele É
a Verdade!
Virtudes 7
Aquele que
perseverar até ao fim, será salvo (Mt 10, 22)
A paciência está em
estreita correspondência com a perseverança. Esta costuma ser definida como a
persistência no exercício de obras virtuosas apesar da dificuldade e do cansaço
derivado de sua demora no tempo. Mais precisamente costuma-se falar de
constância quando se trata de vencer a tentação de abandonar o esforço perante
o aparecimento de um obstáculo concreto; enquanto se fala de perseverança
quando o obstáculo é apenas o prolongar no tempo desse esforço (Cf. Ángel
Rodríguez Luño, Scelti in Cristo per essere santi III. Morale speciale, EDUSC,
Roma 2008, p. 298).
Não se trata
somente de uma qualidade humana, necessária para alcançar objetivos mais ou
menos ambiciosos. A perseverança, à imitação de Cristo, que foi obediente ao
desígnio do Pai até o final (Cf. Fl. 2, 8), é necessária para a salvação, segundo as palavras evangélicas: «mas
aquele que perseverar até o fim será salvo» (Mt 10, 22). Entende-se então
a verdade da afirmação de (São Josemaria: “Começar é de todos; perseverar,
de santos” ((São Josemaria, Caminho, n. 983)
Daí o amor que este sacerdote santo revelava
pelo trabalho bem acabado, que descrevia como um saber colocar as “últimas
pedras” em cada trabalho realizado (“Gosto das últimas [pedras], que supõem o termo de um longo e paciente
esforço” ((São Josemaria, Entrevista para “El Cruzado Aragonés”, 3 de Maio
de 1969, n. 16).
“Toda a
fidelidade deve passar pela prova mais exigente: o tempo […]. É fácil ser
coerente por um dia, ou por alguns dias […]. Só pode chamar-se fidelidade a uma
coerência que dura toda uma vida” (João Paulo II, Homilia na Catedral Metropolitana, México, 26 de janeiro de
1979). Estas palavras de
São João Paulo II ajudam a compreender a perseverança sob uma luz mais
profunda, não como mero persistir, mas antes de tudo como autêntica coerência
de vida; uma fidelidade que acaba por merecer o louvor do Senhor da parábola
dos talentos, e que pode considerar-se como uma fórmula evangélica de
canonização: «Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te
confiarei muito. Vem regozijar-se com o teu senhor» (Mt 25, 23).
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
04/06/2020
Orar é falar com Deus. Mas de quê?
Escreveste-me: "Orar é falar com Deus. Mas de
quê?". De quê?! D'Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos,
ambições nobres, preocupações diárias..., fraquezas; e acções de graças e
pedidos; e Amor e desagravo. Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te –
ganhar intimidade! (Caminho, 91)
Uma oração ao Deus da minha vida. Se Deus é vida
para nós, não deve causar-nos estranheza que a nossa existência de cristãos
tenha de estar embebida de oração. Mas não penseis que a oração é um acto que
se realiza e se abandona logo a seguir. O justo encontra na lei de Iavé a sua
complacência e procura acomodar-se a essa lei durante o dia e durante a noite.
Pela manhã penso em ti; e, durante a tarde, dirige-se a ti a minha oração como
o incenso. Todo o dia pode ser tempo de oração: da noite à manhã e da manhã à
noite. Mais ainda: como nos recorda a Escritura Santa, também o sono deve ser
oração.
(...) A vida de oração tem de fundamentar-se, além
disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a estar com Deus.
São momentos de colóquio sem ruído de palavras, junto ao Sacrário sempre que
possível, para agradecer ao Senhor essa espera – tão só! – desde há vinte
séculos. A oração mental é diálogo com Deus, de coração a coração, em que
intervém a alma toda: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. Uma
meditação que contribui a dar valor sobrenatural à nossa pobre vida humana, à nossa
vida corrente e diária.
Graças a esses tempos de meditação, às orações
vocais, às jaculatórias, saberemos converter a nossa jornada, com naturalidade
e sem espectáculo, num contínuo louvor a Deus. Manter-nos-emos na sua presença,
como os que estão enamorados dirigem continuamente o seu pensamento à pessoa
que amam, e todas as nossas acções – inclusivamente as mais pequenas –
encher-se-ão de eficácia espiritual.
Por
isso, quando um cristão se lança por este caminho de intimidade ininterrupta
com o Senhor – e é um caminho para todos, não uma senda para privilegiados – a
vida interior cresce, segura e firme; e o homem empenha-se nessa luta, amável e
exigente ao mesmo tempo, por realizar até ao fim a vontade de Deus. (Cristo
que passa, 119)
Temas para reflectir e meditar
A beleza do perdão - 2
Parece descabida esta reflexão?
Talvez... mas será que nunca nos aconteceu pensar que não termos nenhum pecado para confessar?
O que fazer então?
Se depois de um exame sério não encontramos matéria para confessar digamo-lo com toda a simplicidade ao Confessor e, depois, sujeitamos à confissão todos os pecados da vida passada nomeadamente aqueles que por esquecimento involuntário ou omissão possam ter existido deixando um "lastro" que é sempre um peso e, sobretudo, um reato de pena por saldar.
A Confissão adquire assim a sua
verdadeira dimensão de perdoar os pecados e pacificar a consciência.
(ama, reflexões,
2015)
LEITURA ESPIRITUAL
São Marcos
Cap. XIII
1
Ao sair do templo, um dos discípulos disse-lhe: «Repara, Mestre, que pedras e
que construções!» 2 Jesus respondeu: «Vês estas grandiosas construções? Não
ficará delas pedra sobre pedra; tudo será destruído.» 3 E, estando sentado no
Monte das Oliveiras frente ao templo, Pedro, Tiago, João e André
perguntaram-lhe em particular: 4«Diz-nos
quando tudo isto acontecerá e qual o sinal de que tudo está para acabar.» 5 Jesus
começou a dizer-lhes: «Acautelai-vos para que ninguém vos iluda. 6 Surgirão
muitos com o meu nome, dizendo: ‘Sou eu’. E seduzirão a muitos. 7 Quando
ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerras, não vos alarmeis; é preciso
que isso aconteça, mas ainda não será o fim. 8 Há-de erguer-se povo contra povo
e reino contra reino; haverá terramotos em vários lugares, haverá fome. Isto
apenas será o princípio das dores.» 9 «Tomai cuidado convosco! Hão-de
entregar-vos aos tribunais, sereis açoitados nas sinagogas e comparecereis
diante dos governadores e dos reis por minha causa, para dar testemunho diante
deles. 10 Mas, antes disso, deve proclamar-se o Evangelho a todas as nações. 11
Quando vos levarem para serdes entregues, não vos inquieteis com o que haveis
de dizer; dizei o que vos for dado nessa hora, pois não sereis vós a falar, mas
sim o Espírito Santo. 12 O irmão entregará à morte o seu irmão, e o pai, o seu
filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. 13 E
sereis odiados por todos, por causa do meu nome; mas quem perseverar até ao fim
será salvo.» 14 «Quando virdes a abominação da desolação instalada onde não
deve estar - entenda quem lê! - então os que estiverem na Judeia fujam para os
montes; 15 quem estiver no terraço não desça nem entre a tomar coisa alguma da
sua casa. 16 E quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a capa. 17 Ai
das que estiverem grávidas e das que andarem a amamentar nesses dias! 18 Orai
para que isto não suceda no Inverno, 19 pois nesses dias a angústia será tal,
como nunca houve desde que Deus criou o mundo até agora, nem voltará a haver.
20 E se o Senhor não abreviasse esses dias, nenhuma criatura se salvaria; mas,
por causa dos eleitos que escolheu, abreviou esses dias.» 21 «Então, se alguém
vos disser: ‘Aqui está o Messias’ ou: ‘Ei-lo ali’, não acrediteis; 22 pois
surgirão falsos messias e falsos profetas que farão sinais e prodígios para
enganar, se possível, até os eleitos. 23 Portanto, ficai atentos; de tudo vos
preveni.» 24 «Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e
a Lua não dará a sua claridade, 25 as estrelas cairão do céu e as forças que
estão no céu serão abaladas. 26 Então, verão o Filho do Homem vir sobre as
nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os seus anjos e reunirá os
seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.»
28 «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão
tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. 29 Assim, também,
quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. 30
Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas
aconteçam. 31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. 32
Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem
o Filho; só o Pai.» 33 «Tomai cuidado, vigiai, pois não
sabeis quando chegará esse momento. 34 É como um homem que partiu de viagem: ao
deixar a sua casa, delegou a autoridade nos seus servos, atribuiu a cada um a
sua tarefa e ordenou ao porteiro que vigiasse. 35 Vigiai, pois, porque não
sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar o
galo, se de manhãzinha; 36 não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a
dormir. 37 O que vos digo a vós, digo a todos: vigiai!»
Comentários:
O
que se tem escrito e comentado sobre a parusia e, nomeadamente, estas palavras
de Cristo! A seriedade do tema e, consequentemente, das palavras não deve ser
considerada mais que isso: o tema é sério logo, as palavras são sérias.
Dramatizar este anúncio é o que o demónio deseja para que, os fracos e
temerosos desviem a atenção do verdadeiramente importa: estar preparados para o que vier e quando
vier. Não saber nem o dia nem a hora é muito conveniente para uns e para
outros. Quer dizer, para os que gostam de deixar tudo para o fim, a última
hora, como para os que se precipitam numa ânsia de que lhes falte o tempo.
Estar atento, vigilante, prevenido é que se nos pede e o que nos convém.
Sem
dúvida que o grande mistério da morte acompanha toda a vida do homem. Parece um
paradoxo – vida e morte – mas de facto não é porque a morte não existe de
facto, a vida, sim. O corpo nasce e morre; a alma, não! Criada por Deus desde o
primeiro instante da concepção, permanecerá para sempre sem conhecer a
degradação porque não é física mas, puramente espiritual. Tendo os necessários
cuidados com o corpo, com a saúde, o que na verdade nos deve importar é cuidar
da alma e do “bom estado” em que se encontra para, em qualquer momento, se
encontrar face a face com Quem a criou.
Como estar preparado? É uma pergunta de fácil resposta porque a encontramos no Evangelho:
Fazer, em tudo, a Vontade de Deus! Mas...não é lógico e absolutamente
compreensível? A cada” novo momento” da
nossa vida existem sempre duas opções: Fazer o que nos apraz, ou o que Deus
deseja que façamos. Como somos livres, liberdade que o Criador nos concede,
podemos, de facto, eleger e, portanto, o mais seguro e conveniente, é pedirmos
insistentemente ao Senhor que nos ensine e guie a compaginar a nossa vontade
com a Sua. A Sua Graça, que nunca nos faltará, conseguiremos e, assim,
estaremos a salvo. Não se trata de abdicar da nossa vontade, nem de uma “submissão”,
bem pelo contrário, trata-se de colocar
nas Mãos Divinas a nossa vida inteira, com os nossos desejos e anseios,
decisões e obras, como, quando crianças, fazíamos o que o nosso Pai nos
indicava. E que somos nós – todos os homens – senão filhos pequenos de um Deus Imenso
e Universal?
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
03/06/2020
Não ponhas o coração em nada caduco
Não ponhas o coração em nada caduco: imita Cristo,
que se fez pobre por nós e não tinha onde reclinar a cabeça. Pede-lhe que te
conceda, no meio do mundo, um desprendimento efectivo, sem atenuantes. (Forja, 523)
Somos homens da rua, cristãos correntes, metidos na
corrente circulatória da sociedade e o Senhor quer-nos santos, apostólicos,
precisamente no nosso trabalho profissional, isto é, santificando-nos nesse
trabalho, santificando esse trabalho e ajudando os outros a santificarem-se com
esse trabalho. Convencei-vos de que Deus vos espera nesse ambiente, com
solicitude de Pai, de Amigo. Pensai que com a vossa actividade profissional
realizada com responsabilidade, além de vos sustentardes economicamente,
prestais um serviço directíssimo ao desenvolvimento da sociedade, aliviais as
cargas dos outros e ajudais a manter muitas obras assistenciais – a nível local
e universal – em prol dos indivíduos e dos povos mais desfavorecidos.
Ao comportarmo-nos com normalidade – como os nossos
semelhantes – e com sentido sobrenatural, não fazemos mais que seguir o exemplo
de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Reparai que toda a sua vida está
cheia de naturalidade. Passa trinta anos oculto, sem chamar a atenção, como
qualquer outro trabalhador e conhecem-no na sua aldeia como o filho do
carpinteiro. Ao longo da sua vida pública, também não se nota nada que destoe,
que pareça estranho ou excêntrico. Rodeava-se de amigos, como qualquer dos seus
concidadãos, e no seu porte não se diferenciava deles. De tal maneira que
Judas, para o denunciar, precisa de combinar um sinal: aquele a quem eu beijar,
é esse. Não havia em Jesus nenhum indício extravagante. A mim, emociona-me esta
norma de conduta do nosso Mestre, que passa como mais um entre os homens. (Amigos de Deus, nn. 120–121)
Perfeição
A ânsia de perfeição pode
ser má? Pode, realmente, pode.
Até pode ser uma tentação. Quando
nos deixamos absorver e dominar por esse anseio ficamos como que tolhidos para
fazer o que devemos quando devemos.
Aparecem as distracções ou
falta de concentração - por exemplo - na oração o que nos incomoda
sobremaneira, um desejo quase absorvente de estabelecer prioridades, devaneios,
sonhos.
Está bem, Jesus recomendou a
luta pela perfeição e é o que devemos fazer a todo o custo porque é a única
forma de progredir na nossa vida como cristãos.
O que acontece algumas vezes
- talvez bastantes vezes é que em vez de encarar esta luta com calma e
ponderação nos "atiramos" como que num frenesim atabalhoado de numa
ilusão pateta de concluir.
Tal comportamento é -
seguramente - a cedência pura e simples à tentação do demónio, nada interessado
no nosso progresso na vida interior. Por isso, contemos que se encarniçará,
usando como principal alvo a nossa imaginação: a "louca da casa" como
lhe chamava Santa Teresa de Jesus.
Há que pedir com insistência
ao Divino Espírito Santo que nos ilumine e nos outorgue os Seus Dons,
nomeadamente, de Paciência, Entendimento e Sabedoria.
Só poderemos progredir se os
nossos passos forem determinados, seguros, por um campo recto sem desvios, com um objectivo nítido no horizonte próximo.
Sim, refiro horizonte próximo porque é o que nos deve interessar. O que está longe num futuro que não sabemos,
terá o seu tempo... se lá chegarmos.
Temos de ter claríssimo que
o que convém é o "hoje" e o "agora: - NUNC COEPI -
principalmente porque não sabemos se o amanhã chegará para nós.
Claro está que este modo de proceder envolve luta e, por
vezes, renhida já que o comodismo e a impaciência nos levam à negligência e à
precipitação.
Voltamos à pergunta com que
iniciei esta reflexão: A ânsia de perfeição pode ser má? Parece-me que sim, que
pode ser se a deixarmos dominar o nosso espírito e condicionar as nossas
acções.
LEITURA ESPIRITUAL
São Marcos
Cap. XII
1 Jesus começou a falar-lhes em
parábolas: «Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um
lagar e construiu uma torre. Depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para
longe. 2 A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles parte
do fruto da vinha. 3 Eles, porém, prenderam-no, bateram-lhe e mandaram-no
embora de mãos vazias. 4 Enviou-lhes, novamente, outro servo. Também a este
partiram a cabeça e cobriram de vexames. 5Enviou outro, e a este mataram-no;
mandou ainda muitos outros, e bateram nuns e mataram outros. 6 Já só lhe
restava um filho muito amado. Enviou-o por último, pensando: ‘Hão-de respeitar
o meu filho’. 7 Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: ‘Este é o
herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa’. 8 Apoderaram-se dele,
mataram-no e lançaram-no fora da vinha. 9 Que fará o dono da vinha? Regressará
e exterminará os vinhateiros e entregará a vinha a outros. 10 Não lestes esta
passagem da Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra
angular. 11 Tudo isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?» 12 Eles
procuravam prendê-lo, mas temiam a multidão; tinham percebido bem que a
parábola era para eles. E deixando-o, retiraram-se. 13 Em seguida, enviaram-lhe
alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma
palavra. 14 Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que
não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas,
mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou
não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?» 15 Jesus, conhecendo-lhes a
hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.»
16 Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?»
Responderam: «De César.» 17 Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a
Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele. 18 Vieram ter com Ele os
saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-no: 19«Mestre, Moisés
prescreveu-nos que se morrer o irmão de alguém, deixando a mulher e não
deixando filhos, seu irmão terá de casar com a viúva para dar descendência ao
irmão. 20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro casou e morreu sem deixar filhos.
21 O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar descendência, e o
mesmo aconteceu ao terceiro; 22 e todos os sete morreram sem deixar
descendência. Finalmente, morreu a mulher. 23 Na ressurreição, de qual deles
será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.» 24 Disse Jesus: «Não andareis
enganados por desconhecer as Escrituras e o poder de Deus? 25 Quando
ressuscitarem de entre os mortos, nem eles se casarão, nem elas serão dadas em
casamento, mas serão como anjos no Céu. 26 E acerca de os mortos ressuscitarem,
não lestes no livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou,
dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? 27 Não é
um Deus de mortos, mas de vivos. Andais muito enganados.» 28 Aproximou-se dele
um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha
respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29 Jesus
respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor;
30 amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com
todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31 O segundo é este: Amarás
o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» 32 O
escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e
não existe outro além dele; 33 e amá-lo com todo o coração, com todo o
entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais
do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» 34 Vendo que ele
respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E
ninguém mais ousava interrogá-lo. 35 Ensinando no templo, Jesus tomou a palavra
e perguntou: «Como dizem os doutores da Lei que o Messias é filho de David? 36 O
próprio David afirmou, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu
Senhor: ‘Senta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos debaixo dos
teus pés’. 37 O próprio David chama-lhe Senhor; como é Ele seu filho?» E a
numerosa multidão ouvia-o com agrado. 38 Continuando o seu ensinamento, Jesus
dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas
vestes, de ser cumprimentados nas praças, 39 de ocupar os primeiros lugares nas
sinagogas e nos banquetes; 40 eles devoram as casas das viúvas a pretexto de
longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.» 41 Estando sentado
em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos
deitavam muitas. 42 Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns
tostões. 43 Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva
pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; 44 porque todos deitaram
do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo
o seu sustento.»
Comentários:
Na vinha que o
Senhor nos entrega existe quanto precisamos para que trabalhando consigamos
bons e abundante frutos. Podemos utilizar-nos deles, mas não podemos esquecer
que o Senhor, que é o dono tem direito a uma parte. Também não podemos esquecer
que a vinha não nos pertence, mas nos foi entregue em confiança para que
possamos dizer com inteira verdade: O Senhor olha por mim, nada me faltará.
Quem
aduz que Jesus Cristo tinha um discurso pouco claro, enigmático, difícil de
entender tem aqui a resposta: «tinham
percebido bem que a parábola era para eles». Pouco há a acrescentar além da
confirmação - que todos os cristãos reconhecemos – que mesmo os corações
empedernidos e os espíritos preconceituosos e malévolos entendem muito bem a
mensagem de Cristo. A diferença, o mal, estão em não aceitar e proceder de
acordo com o que se entende e compreende.
O Senhor não
nos entrega uma simples vinha para que cuidemos dela. Tem todos os cuidados, um
lagar, uma torre de vigia… A única coisa que temos de fazer é tratar dela,
fazer as podas em devido tempo, vindimar na época própria. E… depois? Não é de
justiça devolver ao Dono da vinha parte do fruto colhido? Aquilo que terá sido
ajustado tem de ser cumprido porque não fomos obrigados a nada, bem ao
contrário, fizemos um acordo que, naturalmente, seria vantajoso para nós,
quando não, não o faríamos. Mas, na parábola, não há só uma falha – grave – da
confiança subjacente ao acordo feito, existem tentativas repetidas de se tomar
posse de algo que tem um dono. Infelizmente, vai sempre assim ao longo dos
tempos, os homens hão-de tentar fazer seu aquilo que Deus lhes entrega em plena
confiança.
Deus nosso
senhor confia-nos inúmeros bens para que trabalhando com eles não só os façamos
render para nosso sustento como para os valorizar e com essas mais-valias
possamos devolver ao seu legítimo dono o que lhe pertence. Infelizmente há cada
vez mais quem considere esses bens como definitivamente seus e os use
unicamente em proveito próprio. Como confiar pouco que seja a gente desta? Tarde
ou cedo terão de prestar contas. E que apertadas serão!
Para
sempre ficou esta resposta de Jesus. «Dar a César o que é de César e, a Deus
o que é de Deus». Revela uma sabedoria tal que nos espanta pela
simplicidade lógica e irrefutável. A lição a tirar é bem clara: sabermos
exactamente o que fazer – o que devemos fazer e como – em relação às nossas
obrigações e deveres como membros da sociedade humana. Falamos muito dos nossos
direitos, dos valores que dizemos nos são absolutamente próprios e
indiscutíveis, mas, talvez, em muitos casos nos esquecemos o que da nossa parte
temos de fazer para merecer esses mesmos direitos. Como poderemos exigir o que
nos é devido quando nos eximimos a cumprir o que devemos?
Eximir-se de
pagar os impostos parece ser uma prática comum e, até, para alguns, sinal de
“esperteza”. Fica claro pelas palavras de Jesus que pagar o que está legislado
que se pague é um dever que não se pode escamotear. Uma coisa é discutir ou
aclarar se o que nos querem cobrar é justo e corresponde ao que deveras
devemos, outra coisa é inventar subterfúgios ou tentar iludir a autoridade
legítima.
Julgo não haver muito a
comentar sobre este trecho de São Marcos. É por demais conhecida a resposta
lapidar de Jesus sobre o assunto. O que é devido deve pagar-se mesmo que
possamos considerar que haja engano, exagero, erro. Não pagar não é solução, esta reside em
aclarar as coisas com quem de direito, tentar perceber a razão, o motivo o
porquê. Isto, sim, é honesto e recomendável. Não pagar porque não estou de
acordo ou porque, na minha opinião, o assunto não está correcto, nem será solução
– bem ao contrário, trará inexoravelmente incómodos de toda a ordem – e não nos
é permitida tal decisão. Quem manda pode mandar mal, mas nem por isso a nossa
obrigação de obedecer – desde que não vá contra a nossa consciência – é
indeclinável. Os nossos “meios de defesa” não estão no incumprimento, mas no
esclarecimento.
É
mais frequente que o que possamos julgar haver pessoas que negam a existência
de Deus, ou se declaram ateus, emitirem opiniões sobre a Igreja, a Fé, a
Doutrina. Como é possível discorrer sobre algo que se nega? Estamos perante
verdadeiros casos de desonestidade intelectual que só encontram raiz na visão
sectária e absolutamente despropositada. Como acontece com a pergunta dos
Saduceus – patética, trocista, sem nenhum sentido – tais situações não devem
preocupar-nos e nem devemos sequer, perder tempo com elas. Livros que sabemos abordam assuntos que os
autores desconhecem em profundidade, que apenas têm como motivo levantar
suspeitas, troçar e, evidentemente, o lucro económico. Mas, dir-me-ão: como
posso discutir sobre – por exemplo – um determinado livro se não o ler
primeiro? Não discutindo, sendo claro e incisivo e corajoso: ‘Sobre esse livro
não sei absolutamente nada!’
Devemos ter bem
claro que nem todas as perguntas merecem resposta. Sobretudo se são capciosas e
desonestas, apenas destinadas a confundir ou encontrar um tema de discussão,
não devemos ceder à tentação de responder porque, na verdade, não somos nem
mestres nem sabemos tudo. Mais, responder a tais perguntas poderá fazer descair
a conversa para um nível que não nos interessa ou, pelo menos, admitir que o
assunto sobre o qual nos questionam tem razão de ser.
A
pergunta sobre o que espera – na vida eterna - os casais humanos, era de facto
necessária? Sim, sem dúvida porque mereceu uma resposta de Cristo muito útil
para os que O escutavam. Útil porque esclarece, um pouco, sobre o que é a vida
futura, na eternidade. Somos, muitas vezes, levados a pensar que o ente querido
que partiu, o voltaremos a encontrar na vida eterna e é verdade mas o que o
amor e a saudade nos fazem supor de como que uma renovação da vida que tivemos
nesta terra, com o carinho, o amor, a companhia não o será exactamente assim. Evidentemente
que não sabemos como será, mas, segundo as palavras de Jesus, algo muito
diferente nos espera. De facto, se pensarmos na suprema felicidade que
viveremos por estar na contemplação do Rosto de Deus, na Sua companhia para
sempre, tudo o resto fica como que em segundo plano. O nosso amor e felicidade
ficarão totalmente preenchidos que não haverá lugar para mais nada.
Uma
boa resposta, bem fundamentada e segura, produz sempre um efeito “em cadeia”
sobre aqueles que a ouvem. Não importa a pergunta, note-se, mas a resposta
porque, se esta começa, por exemplo com as palavras - ‘eu acho - parece-me -
que’ – fica desde logo comprometida a credibilidade da mesma. Quando nos
perguntam algo esperam de nós apenas dois tipos de resposta: ‘Não sei’ ou ‘é
assim…’ (Alguém que nos pergunta que que estrada seguir para chegar a
determinado local só lhe interessa saber o que pergunta e não o que nos
parece.) Por isso, um cristão tem de estar bem informado sobre as verdades da
sua Fé, da Doutrina para poder responder com segurança e credibilidade ao que
lhe for perguntado.
Este
trecho demonstra bem o que já alguma vez dissemos. Entre os chefes do povo
havia quem acreditasse em Jesus ou, pelo menos, se dispunha a escutá-lo com boa
intenção. Nunca devemos julgar ninguém e, muito menos, considerar toda uma
classe ou grupo de pessoas pelo comportamento de alguns. Basta para tanto
pensarmos nesta verdade: Todos os homens são filhos de Deus, logo, nossos
irmãos, e, assim, "candidatos" à Vida Eterna que deseja que todos
alcancemos.
É
bem patente, neste trecho do Evangelho, o que na verdade é o Reino de Deus: O
Amor! Porque, Deus que é o Amor, não poderia ter um reino diferente. Para
pertencer ao Reino há que amar, a sério, Deus e a principal obra da Sua
Criação: os homens! Não há outro caminho! Amar, que é a capacidade que o homem
tem de se dar a si mesmo, é, pois, a única “credencial” verdadeiramente válida
para se ser, de pleno direito, súbdito desse Reino.
Como
fica bem patente neste trecho de São Marcos, nunca se deve julgar toda uma
classe de pessoas como um todo. Há sempre excepções. Como neste caso, embora a
pergunta tenha sido feita para “pôr à prova” a seriedade de Jesus e dos Seus
ensinamentos, a verdade á que o próprio Senhor aprecia elogiando o escriba pela
sua sabedoria e boa doutrina. «Não estás
longe do Reino de Deus.» É assim que Jesus Cristo termina a conversa como
que dizendo aos circunstantes: ‘neste podeis acreditar e seguir as suas
palavras’.
A
atitude deste escriba é rara nos relatos evangélicos. Quase sempre esta classe,
como os fariseus e doutores da Lei actuam sempre em confronto – aberto ou
camuflado – quando se encontram com Jesus. Mas, como já se disse, não se pode
nem deve tomar o todo pela parte e, como acabamos de ler, há gente pertencente
a estas classes que é honesta intelectualmente, não actua por sectarismo ou
“ideias feitas”, deseja conhecer a verdade tal qual é. Assim, connosco no
apostolado. Todas as pessoas sejam quem forem nos devem merecer cuidado e
atenção quando não actuaremos como aqueles cuja conduta reprovamos.
Para todo o sempre ficou esta frase
lapidar de Jesus Cristo. «Amarás
o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu
entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: Amarás o teu próximo
como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Encerra em si mesma a máxima sabedoria
e justiça mais liminar. Assim pode - e deve - constituir todo um programa de
vida para qualquer ser humano.
Todo
este capítulo doze do Evangelho escrito por São Marcos é profundamente
doutrinal. Jesus responde a perguntas – mesmo as capciosas e sem sentido –
esclarece dúvidas, ensina. Por isso mesmo «a
numerosa multidão ouvia-o com agrado» e, seguramente, não esqueceria jamais
o que tinha sido dito. Jesus Cristo é, de facto, O Mestre por excelência e
nenhum outro poderá igualar a Sua Sabedoria, bem como a forma tão simples e
acessível de abordar assuntos – por vezes controversos ou, pelo menos de
difícil compreensão – como Ele o faz. Como devemos agradecer aos Evangelistas
terem-nos deixado este legado precioso para nós, cristãos de todos os tempos,
podermos encontrar com segurança os fundamentos da nossa Fé!
Jesus serve-se
da Lei e dos Doutores da Lei como prova do que afirma: Que, Ele mesmo, é o
Filho de Deus. Os argumentos que usa são uma citação directa e indesmentível
dos que, negando a Sua Divindade, não explicam o que ensinam como sendo a
própria Lei. Não sabem… ou porque não querem? Por mim penso que, de facto não
sabem como explicar a aparente contradição exposta por Jesus. São chamados
“Doutores da Lei” mas não passam de “aplicadores” da Lei porque um verdadeiro
“Doutor da Lei”, deveria, estudando esta em pormenor e em profundidade, atingir
o conhecimento que lhes falta.
Evidentemente
que o Senhor não aconselha a que dê nos peditórios nas Igrejas tudo quanto se
possui. Não é disso que se trata mas sim de generosidade. Sabemos bem, os
cristãos, quantas Paróquias vivem com enormíssimas dificuldades quando o seu
único “provento” vem dos óbulos dos cristãos. Podemos – e devemos – rever o
nosso critério dentro do razoável e, sobretudo, do justo. O Senhor disse
clarissimamente que «nos deitarão no regaço uma medida cheia, bem calcada, a
transbordar». E nós? Temos alguma medida ou limitamo-nos a procurar no fundo
dos bolsos umas moeditas para lançar na bandeja que recolhe os óbulos?
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