Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
02/02/2020
A caridade é o sal do apostolado
Ama
e pratica a caridade, sem limites e sem discriminações, porque é a virtude que
caracteriza os discípulos do Mestre. Contudo essa caridade não pode levar-te –
deixaria de ser virtude – a amortecer a fé, a tirar as arestas que a definem, a
dulcificá-la até convertê-la, como alguns pretendem, em algo amorfo, que não
tem a força e o poder de Deus. (Forja, 456)
Pecaria
por ingenuidade quem imaginasse que as exigências da caridade cristã se cumprem
facilmente. É bem diferente o que nos diz a experiência, quer no âmbito das
ocupações habituais dos homens, quer, por desgraça, no âmbito da Igreja. Se o
amor não nos obrigasse a calar, cada um de nós teria muito que contar de
divisões, de ataques, de injustiças, de murmurações e de insídias. Temos de o
admitir com simplicidade, para tratar de aplicar, pela parte que nos
corresponde, o remédio oportuno, que se há-de traduzir num esforço pessoal por
não ferir, por não maltratar, por corrigir sem deixar ninguém esmagado.
(…)
Sinto-me inclinado agora a pedir ao Senhor – se quiserdes unir-vos a esta minha
oração – que não permita que na sua Igreja a falta de amor semeie joio nas
almas. A caridade é o sal do apostolado dos cristãos; se perde o sabor, como
poderemos apresentar-nos ao mundo e explicar, de cabeça erguida, que aqui está
Cristo? (Amigos
de Deus, 234)
THALITA KUM 89
(Cfr. Lc 8, 49-56)
É um
erro gravíssimo considerar a nossa fé como um dado adquirido; nada mais falso.
Devemos
habituar-nos a pedir, diariamente, a fé, como se na verdade ela não nos tivesse
sido dada ou estivéssemos em risco de a perder, porque, tanto uma coisa como
outra, podem acontecer.
Não
pedir ao Senhor, com insistência, a graça da fé, que nos ajude a
conservá-la, a crescermos nela, é correr um risco enorme.
É muito possível
que, a nossa fé, sem esses pedidos e apelos, vá esmorecendo, definhando até não
restar coisa nenhuma.
Pelo contrário,
pedir e insistir com o Senhor que nos conceda a fé e nos ajude a defendê-la, só
a robustecerá e aumentará.
«Senhor, aumenta a minha fé que eu, por mim, não sei nada de nada.
Como eu desejo uma fé forte, inteira, maciça como uma rocha, onde se
desfaçam todas as dúvidas e questões.
Uma fé que arda em fogo vivo que se comunique aos que me rodeiam. Uma fé
assim, como a de Tua Mãe, Maria Santíssima, de São José meu Pai e Senhor e de
São Josemaria». [1]
«São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste:
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida
eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a
quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me
queres, mas se me criaste é porque tens planos para mim.
(AMA, reflexões)
Evangelho e comentário
Apresentação
do Senhor
Evangelho: Lc 2, 22-40
Ao chegarem os dias da purificação,
segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O
apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho
primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício
um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em
Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a
consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo
revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao
templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para
cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em
seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa
palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa
salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às
nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam
admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua
Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em
Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma –
assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma
profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada
e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta
e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e
orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a
falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para
a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto,
enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.
Comentário:
São Josemaria Escrivá aconselhava a se lesse o
Evangelho procurando introduzir-se nas cenas relatadas como um personagem mais.
Com São Lucas não é preciso fazer nenhum
esforço para tal.
Quase sem querer, estamos presentes de corpo e
alma como que observando de perto o que se passa.
Como num filme, sentimo-nos não meros
espectadores mas personagem do mesmo de tal forma as cenas são vivas,
detalhadas, coerentes.
São Lucas não escreve um “tratado” escreve,
com rigor detalhado, uma história extraordinária: a História da Salvação da
humanidade levada a cabo por Jesus Cristo.
Como nós, cristãos, devemos estar gratos ao
Santo Evangelista que nossa deixou tão precioso legado!
(ama, comentário sobre Lc
2, 22-40, 02.02.2018)
Leitura espiritual
Cartas de São Paulo
1ª Carta a Timóteo
1Tm 1
Saudação
–
1
Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por mandato de Deus, nosso Salvador, e de
Cristo Jesus, nossa esperança, 2 a Timóteo, verdadeiro filho na fé: graça,
misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, Nosso Senhor.
As
falsas doutrinas (4,1-5;
2
Tm 2,14-18; Tt 1,10-16) –
3
Quando parti para a Macedónia, recomendei-te que ficasses em Éfeso, para
dissuadir alguns de ensinarem doutrinas estranhas 4 e de se ocuparem de fábulas
ou de genealogias intermináveis, que favorecem mais as discussões do que o desígnio
de Deus que se realiza na fé. 5 O objectivo desta recomendação é o amor que
procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. 6 Por
se terem afastado desta linha, alguns perderam-se em discursos vãos. 7 Pretendendo
serem mestres da lei, não sabem nem o que dizem, nem o que afirmam com tanta
segurança. 8 Mas nós sabemos que a lei é boa, contanto que dela se faça um uso
legítimo 9 e tendo em conta que a lei não foi feita para o justo, mas para os
maus e rebeldes, para os ímpios e pecadores, para os sacrílegos e profanadores,
para os parricidas e matricidas, homicidas, 10 impudicos, pederastas,
traficantes de escravos, mentirosos, perjuros, e tudo aquilo que está em
contradição com a sã doutrina, 11 segundo o Evangelho da glória do Deus
bem-aventurado, que me foi confiado. 12 Dou graças àquele que me confortou,
Cristo Jesus Nosso Senhor, por me ter considerado digno de confiança, pondo-me
ao seu serviço,
Acção
de graças –
13
a mim que antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei
misericórdia, porque agi por ignorância, sem ter fé ainda. 14 E a graça de
Nosso Senhor manifestou-se em mim com superabundância, juntamente com a fé e o
amor que está em Cristo Jesus. 15 Eis uma palavra digna de fé e de toda a
aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos sou o quais
eu primeiro. 16 E justamente por isso alcancei misericórdia, para que, em mim
primeiramente, Cristo Jesus mostrasse toda a sua magnanimidade, como exemplo
para aqueles que haviam de crer nele para a vida eterna. 17 Ao rei dos séculos,
ao Deus incorruptível, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos
séculos. Ámen. 18Esta é a recomendação que te confio, meu filho Timóteo, de
acordo com o que predisseram algumas profecias a teu respeito: apoiado nelas,
combate o bom combate, 19 conservando a fé e a boa consciência. Alguns, que as
rejeitaram, naufragaram na sua fé, 20 como aconteceu com Himeneu e Alexandre,
que entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar.
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
01/02/2020
Fazer da tua vida diária um testemunho de Fé
Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais,
políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da
luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural:
formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão – investigador,
literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de santificar
essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o Apóstolo –
está a gemer como que em dores de parto, esperando a libertação dos filhos de
Deus. (Sulco, 311)
Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me
insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não
se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.
Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em
algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de
engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma
espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado
dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o
resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais
correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são
operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são
engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual,
técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os
mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo
empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.
O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária
um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal,
sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a
coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que
todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno
direito, do único Povo de Deus. (Cristo
que passa, 53)
THALITA KUM 88
(Cfr. Lc 8, 49-56)
«A tua fé te salvou», «como se dissesse:
- Não sou Eu quem
te salva, mas tu própria alcanças a salvação porque acreditas em Mim!
A gente ouve constantemente falar de
fé e é lógico que assim seja porque, a fé, é única e verdadeira mola real de
toda a vida humana.
Não se compra, não se adquire, não
se negoceia, é uma graça dada por Deus, gratuitamente, aos que lha pedem. Mas
nem sempre tem a mesma intensidade, a mesma dimensão.
Constantemente a
dúvida insinua-se no nosso espírito, assim, como uma água miúda que vai
penetrando sub-repticiamente, quase sem nos darmos conta e, quando nos
apercebemos, já atingiu um volume considerável e custará bastante a erradicar.
É claro que fé e
santidade têm a ver uma com a outra, já que, só através da fé em Jesus Cristo,
aquela se pode alcançar, mas a santidade não isenta da dúvida mais ou menos
profunda e mais ou menos demorada.
Muitos santos
tiveram ao longo das suas vidas autênticas “crises” de fé, em que a escuridão
ou o embotamento do raciocínio, tapavam o seu acesso.
Ainda recentemente,
para grande espanto de muitos, a biografia de Teresa de Calcutá o revelou.
O próprio Jesus o
advertiu seriamente:
«A todo aquele que tem, há-de ser dado, mas
àquele que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado». [1]
AMA,
reflexões sobre o Evangelho, 2006)
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 4, 35-41
35 Naquele dia, ao entardecer, disse:
«Passemos para a outra margem.» 36 Afastando-se da multidão, levaram-no
consigo, no barco onde estava; e havia outras embarcações com Ele. 37 Desencadeou-se,
então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, de
forma que este já estava quase cheio de água. 38 Jesus, à popa, dormia sobre
uma almofada. 39 Acordaram-no e disseram-lhe: «Mestre, não te importas que
pereçamos?» Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar:
«Cala-te, acalma-te!» O vento serenou e fez-se grande calma. 40 Depois
disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» 41 E sentiram um
grande temor e diziam uns aos outros: «Quem é este, a quem até o vento e o mar
obedecem?»
Comentário:
É muito comum
usar este texto de São Marcos para estabelecer uma correlação com a Igreja.
De facto,
desde o início tem sido submetida a autênticas tempestades que, muitas vezes,
atingem proporções de autêntica catástrofe.
E tal como os
da barca também nós nos perguntamos:
‘Onde estás
Senhor que pareces ausente ou desinteressado da sorte dos teus filhos objecto
de violências incríveis, vítimas de furor persecutório que provoca inumeráveis
vítimas’? Sim… onde estás Senhor Tu que és a cabeça desta Igreja’?
É para nós um
mistério do qual o demónio se serve muitas vezes para abalar a nossa fé e
confiança.
Neste debate
íntimo que é lógico e naturalmente justificável, escolhamos antes rezar com
redobrada confiança pelos perseguidos e pelos que perseguem, pela paz na Igreja
e nos seus filhos.
(ama, comentário sobre Mc 4, 35-41)
Leitura espiritual
Cartas de São Paulo
1ª Carta a Timóteo
Natural de Listra, filho
de pai grego e de mãe judia, Eunice (Act 16,1), Timóteo tornou-se companheiro
de Paulo, desde que este por ali passou, no decorrer da segunda viagem
missionária (Act 15,35-18,22). Aparece associado a ele no endereço de várias
Cartas (2 Cor, Cl, 1 e 2 Ts, Flm), está ao seu lado em Atenas (Act 17,14-15),
em Corinto (Act 18,5), em Éfeso (Act 19,22) e é um dos portadores da colecta
para Jerusalém (Act 20,4). Foi encarregado por Paulo de várias missões
difíceis, para resolver situações delicadas (Rm 16,21; 1 Cor 4,17; 16,10-11; Fl
2,19-24; 1 Ts 3,2-6).
DIVISÃO E CONTEÚDO
No conteúdo teológico
desta Carta destacam-se especialmente dois conjuntos:
Saudação inicial e acção de
graças: 1,1-20.
I. A organização eclesial
(2,1-4,16).
II. Conselhos a várias
classes de pessoas (5,1-6,19).
Mas a sequência dos temas
é a seguinte:
Combater as falsas
doutrinas: 1,3-20;
Organização do culto:
2,1-15;
Qualidades para o
episcopado: 3,1-7;
Qualidades do diácono:
3,8-13;
Hino ao mistério da
piedade: 3,14-16;
Contra os falsos mestres:
4,1-5;
Timóteo como modelo:
4,6-16;
Instruções para vários
grupos cristãos: 5,1-6,19.
Saudação final: 6,20-21.
31/01/2020
A maior revolução de todos os tempos!
Se
nós, os cristãos, vivêssemos realmente de acordo com a nossa fé, far-se-ia a
maior revolução de todos os tempos! A eficácia da co-redenção depende também de
cada um de nós! Pensa nisto. (Forja, 945)
Sentir-te-ás
plenamente responsável quando compreenderes que, perante Deus, só tens deveres.
Ele se encarrega de te conceder direitos! (Forja, 946)
Um
pensamento te ajudará nos momentos difíceis: quanto mais aumente a minha
fidelidade, melhor contribuirei para que os outros cresçam nesta virtude. E é
tão atraente sentir-nos apoiados uns pelos outros! (Forja,
948)
Corres
o grande perigo de te conformares com viver (ou pensar que deves viver...) como
um "bom rapaz", que se hospeda numa casa arrumada, sem problemas, e
que não conhece senão a felicidade.
Isso
é uma caricatura do lar de Nazaré. Cristo, justamente porque trazia a
felicidade e a ordem ao mundo, saiu a propagar esses tesouros entre os homens e
mulheres de todos os tempos. (Forja, 952)
THALITA KUM 87
(Cfr. Lc 8, 49-56)
Ter paz é ter a
consciência tranquila, viver não em função de si mesmo, mas em função dos
outros:
«Sabes, Senhor, qual é talvez a minha maior fraqueza?
É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas,
naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e
reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros?
Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm
paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas,
que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de
esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para
que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade
que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que
recebo e, além disso, a não julgar, a não emitir
opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes os
defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.
Senhor que eu saiba ser reconhecido aos outros pelo seu interesse e orações
por mim, mantendo-me atento às suas necessidades, mesmo que as não conheça em
pormenor.
Que o meu coração, o meu pensamento, não girem à volta de mim mesmo e dos
meus problemas, mas tendo em conta, em primeiríssimo lugar, os outros.
Meu Deus, sabes bem o que pesa na minha vida o valor da amizade, dos amigos
que tenho e que não me abandonam.
Ajuda-me a ser generoso com eles, a lembrar-me nas minhas orações e na
minha solidariedade, a ser, reconhecido, numa palavra». [1]
AMA,
reflexões sobre o Evangelho, 2006)
Evangelho e comentário
Evangelho: Mc 4, 26-34
26 Dizia ainda: «O Reino de Deus é
como um homem que lançou a semente à terra. 27 Quer esteja a dormir, quer se
levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como. 28 A
terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo
perfeito na espiga. 29 E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice,
porque chegou o tempo da ceifa.» 30 Dizia também: «Com que havemos de comparar
o Reino de Deus? Ou com qual parábola o representaremos? 31 É como um grão de
mostarda que, ao ser deitado à terra, é a mais pequena de todas as sementes que
existem; 32 mas, uma vez semeado, cresce, transforma-se na maior de todas as
plantas do horto e estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar
à sua sombra.» 33 Com muitas parábolas como estas, pregava-lhes a Palavra,
conforme eram capazes de compreender. 34 Não lhes falava senão em parábolas;
mas explicava tudo aos discípulos, em particular.
Comentário:
Como
já antes comentamos as comparações que o Senhor faz com o Reino dos Céus são
tão simples e despidas de artifícios que qualquer um pode entender.
Aos
que nos dedicamos ao apostolado - que devemos ser todos os cristãos - deve
servir-nos de exemplo a seguir: a nossa preocupação deve ser que nos entendam e
compreendam o que desejamos transmitir.
Donde
que a "velha desculpa eu não tenho jeito para falar" não tem qualquer
cabimento.
(AMA, comentário sobre Mc 4, 26-34, Carvide,
17.06.2018)
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