14/01/2020

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nunc coepi


Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós


Devoção de Natal. – Não sorrio quando te vejo fazer as montanhas de musgo do Presépio e dispor as ingénuas figuras de barro em volta da gruta. – Nunca me pareceste mais homem do que agora, que pareces uma criança. (Caminho, 557)

Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria.

Não conseguiremos jamais o verdadeiro bom humor se não imitarmos deveras Jesus, se não formos humildes como Ele. Insistirei de novo: vedes onde se oculta a grandeza de Deus? Num presépio, nuns paninhos, numa gruta. A eficácia redentora das nossas vidas só se pode dar com humildade, deixando de pensar em nós mesmos e sentindo a responsabilidade de ajudar os outros.

É corrente, às vezes até entre almas boas, criar conflitos íntimos, que chegam a produzir sérias preocupações, mas que carecem de qualquer base objectiva. A sua origem está na falta de conhecimento próprio, que conduz à soberba: o desejo de se tornarem o centro da atenção e da estima de todos, a preocupação de não ficarem mal, de não se resignarem a fazer o bem e desaparecerem, a ânsia da segurança pessoal... E assim, muitas almas que poderiam gozar de uma paz extraordinária, que poderiam saborear um imenso júbilo, por orgulho e presunção tornam-se desgraçadas e infecundas!

Cristo foi humilde de coração. Ao longo da sua vida, não quis para Si nenhuma coisa especial, nenhum privilégio. (Cristo que passa, 18)

THALITA KUM 70


THALITA KUM 70

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Destes dois homens de Emaús, só sabemos que eram discípulos de Cristo.
Quem sabe, talvez fossem dos setenta e dois enviados pelo Mestre em pregação pela Palestina; é possível que tivessem feito milagres, coisas extraordinárias, as suas palavras e os seus actos teriam convertido muitos e, no entanto, tudo isso agora era posto em causa.

A gente pasma com a "qualidade" dos homens que o Mestre escolheu para Seus discípulos, qualidade no sentido da fidelidade, da constância.

Ainda guardamos na memória a veemência das negações de Pedro na noite de Quinta-feira.
Este, que foi a primeira coluna da Igreja, os outros todos que se constituíram em pedras angulares de todo o edifício da cristandade, uns e outros que negaram, duvidaram e fugiram, converteram-se em faróis brilhantes que iluminaram o mundo pagão e hostil daquele tempo, com uma luz divina que brilha ainda hoje.

Mas, para além de iluminar, como dizia, modificaram realmente as pessoas, as sociedades, os costumes o sentido da vida e da morte do ser humano.
Não obstante tantos defeitos, ignorância, cobardia, medo e dúvidas, decidiram pôr de lado tudo isso e, cheios de confiança, aceitar plenamente o mandato explícito do Mestre:

«Ide, pois, doutrinai todas as gentes[1]

Isto leva-nos a pensar um pouco nas desculpas, ou justificações que, ao longo da vida, vamos encontrando para a nossa resistência ao trabalho apostólico, a nossa pouca vontade em envolver-nos "nessas coisas" (como dizemos por vezes):
Porque não sabemos o que dizer; porque primeiro temos de nos "converter" a nós mesmos e só depois convertermos os outros; porque somos fracos; porque não sabemos; porque...; porque...;

Outras vezes não aceitamos um convite para uma actividade em que se nos falará das coisas de Deus aduzindo razões:

É mais uma; porque já vamos a tantas;
porque não temos tempo;
porque não simpatizo com a pessoa;
porque também lá vai fulano de quem eu não gosto;
porque..., enfim... tantas razões que, sabemos bem no fundo, não são razão nenhuma.

O que nos custa admitir é que não desejamos incómodos, desassossegos, estamos bem assim, fazemos o que podemos, cumprimos os nossos deveres, o resto... o resto é para os padres e pronto!
A verdade é que não somos nem melhores nem piores que aqueles homens que Jesus escolheu, e que, como a eles, também a nós o Mestre nos manda: «Ide... a todas as gentes» [2]


(AMA, reflexões sobre o Evangelho, 2006)



[1] Mt 28, 19
[2] Cfr. Mt 28, 19

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mc 1, 21-28

21 Entraram em Cafarnaum. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. 22 E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. 23 Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24 «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» 25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» 26 Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27 Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» 28 E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Comentário:

Porque é que Jesus não deixava que os demónios falassem?

«Porque, sabiam quem Ele era».

O Senhor não consentiria que acreditassem que Ele era o Filho de Deus por revelação do demónio, mas sim pelas suas palavras e actos.

A Fé só pode vir de Deus, nunca dos homens e muito menos de Satanás.

(ama comentário sobre Mc 1, 21-28, 2016.11.01)


Leitura espiritual

Cartas Católicas

Carta de Tiago

Tg 1

Saudação –

1 Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, saúda as doze tribos da Dispersão.

Benefício das provações –

2 Meus irmãos, considerai como uma enorme alegria o estardes rodeados de provações de toda a ordem, 3 tendo em conta que a prova a que é submetida a vossa fé produz a constância. 4 Mas a constância tem de se exercitar até ao fim, de modo a serdes perfeitos e irrepreensíveis, sem falhar em nada. 5 Se algum de vós tem falta de sabedoria, que a peça a Deus, que a todos dá generosamente e sem recriminações, e ser-lhe-á dada. 6 Mas peça-a com fé e sem hesitar, porque aquele que hesita assemelha-se às ondas do mar sacudidas e agitadas pelo vento. 7 Não pense, pois, tal homem que receberá qualquer coisa do Senhor, 8 sendo de espírito indeciso e inconstante em tudo. 9 Que o irmão de condição humilde se glorie na sua exaltação, 10 e o rico na sua humilhação, pois ele passará como a flor da erva. 11 Com efeito, ao despontar o Sol com ardor, a erva seca e a sua flor cai, perdendo toda a beleza; assim murchará também o rico nos seus empreendimentos. 12 Feliz o homem que resiste à tentação, porque, depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam. 13 Ninguém diga, quando for tentado para o mal: «É Deus que me tenta.» Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém. 14 Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e seduz. 15 E a concupiscência, depois de ter concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. 16 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. 18 Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas.

Pôr em prática a Palavra –

19 Bem o sabeis, meus amados irmãos: cada um seja pronto para ouvir, lento para falar e lento para se irar, 20 pois uma pessoa irada não faz o que é justo aos olhos de Deus. 21 Rejeitai, pois, toda a imundície e todo o vestígio de malícia e recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, a qual pode salvar as vossas almas. 22 Mas tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos. 23 Porque, quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; 24 mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era. 25 Aquele, porém, que medita com atenção a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera - não como quem a ouve e logo se esquece, mas como quem a cumpre - esse encontrará a felicidade ao pô-la em prática. 26 Se alguém se considera uma pessoa piedosa, mas não refreia a sua língua, enganando assim o seu coração, a sua religião é vazia. 27 A religião pura e sem mácula diante daquele que é Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo.


Perguntas e respostas


A EUTANÁSIA

1.           Porque está mal o homicídio?
(Falamos agora do homicídio normal, não da eutanásia).

Há vários motivos para não matar um ser humano, como também não queremos que nos matem a nós:

A dignidade humana reclama um respeito especial aos homens.
No nosso interior sabemos que não devemos fazê-lo: a natureza humana pede-o e a nossa consciência capta esta exigência (lei natural).
O Criador do homem proibiu-o expressamente: "não matarás" (mandamentos).

ID, (Tradução por AMA)

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




13/01/2020

Nota de AMA

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nunc coepi


Apoiar-vos-eis uns aos outros


Se souberes querer aos outros e difundir, entre todos, esse carinho – caridade de Cristo, fina, delicada –, apoiar-vos-eis uns aos outros, e o que for a cair sentir-se-á amparado – e urgido – com essa fortaleza fraterna, para ser fiel a Deus. (Forja, 148)

Chega a plenitude dos tempos e, para cumprir essa missão, não aparece um génio filosófico, como Sócrates ou Platão; não se instala na terra um conquistador poderoso, como Alexandre Magno. Nasce um Menino em Belém. É o Redentor do mundo; mas, antes de começar a falar, demonstra o seu amor com obras. Não é portador de nenhuma fórmula mágica, porque sabe que a salvação que nos traz há-de passar pelo coração do homem. As suas primeiras acções são risos e choros de criança, o sono inerme de um Deus humanado; para que fiquemos tomados de amor, para que saibamos acolhê-Lo nos nossos braços.

Uma vez mais consciencializamos que isto é que é o Cristianismo. Se o cristão não ama com obras, fracassa como cristão, o que significa fracassar também como pessoa. Não podes pensar nos outros homens como se fossem números, ou degraus para tu subires; como se fossem massa, para ser exaltada ou humilhada, adulada ou desprezada, conforme os casos. Tens de pensar nos outros – antes de mais, nos que estão ao teu lado – vendo neles o que na verdade são: filhos de Deus, com toda a dignidade que esse título maravilhoso lhes confere.

Com os filhos de Deus, temos de comportar-nos como filhos de Deus: o nosso amor há-de ser abnegado, diário, tecido de mil e um pormenores de compreensão, de sacrifício calado, de entrega silenciosa. Este é o bonus odor Christi que arrancava uma exclamação aos que conviviam com os primeiros cristãos: Vede como se amam! (Cristo que passa, 36)

THALITA KUM 69


THALITA KUM 69 

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Tal como nós, muitas vezes, em ocasiões tão diversas como, numa doença que faz sofrer, numa provação dura de aguentar, enfim... aquilo a que chamamos tragédias; ficamos também a pensar connosco mesmos:

‘E Deus? Onde está? Porque permite isto?’

Tal como a caminho de Emaús, podemos dar-nos conta que, a nosso lado, segue alguém que espera uma oportunidade para se "meter" connosco, para se introduzir na nossa vida, ajudando-nos a avaliar a dificuldade que enfrentamos, explicando-nos as razões e os motivos de tudo quanto nos acontece.
Umas vezes, entendemos perfeitamente o que nos quer dizer, outras, talvez muitas, infelizmente, nem sequer O ouvimos.

Ele é o Cristo que passa... que passa na vida de cada homem, várias vezes e de tão variadas formas.
Está ansioso por ser ouvido por nós, deseja que O convidemos a entrar na nossa alma.

Também nós devemos dizer-Lhe com frequência:

«Senhor cai o dia, não tarda a noite, fica connosco!»

Sim, muitas vezes cai o dia da nossa esperança, o dia da nossa fé; sentimo-nos desconsolados:
Aquilo que esperávamos com tanta confiança, não aconteceu; aquele amigo que estimávamos, desprezou-nos; o ente querido que tanta falta nos faz, está morrendo; esta dificuldade, que se avoluma cada dia que passa, cujo peso está ficando impossível suportar.

Outras vezes sentimos que é a noite que não tarda, a noite da nossa confusão, do nosso desânimo, da nossa frustração.
Parece que tudo se desmorona à nossa volta, que os outros é que têm razão, que o mal triunfa e o pecado compensa, que da prática do bem e do esforço por ser melhores só nos advêm problemas, angústias e dificuldades.

E então, temos de dizer-lhe:

Fica connosco Senhor, as Tuas palavras tão cheias de sabedoria abrem novos horizontes à nossa frente, vemos as coisas com outra luz, a Tua presença conforta-nos e fortalece-nos e ajuda-nos a vencer o medo.

Depois, tal como no Evangelho, os nossos olhos hão-de abrir-se e reconheceremos Jesus, junto de nós, onde sempre esteve.

Sossegados então, com a alma em paz, com as certezas todas claríssimas no nosso espírito, sabendo muito bem que o que acreditamos é verdadeiro, é belo e nos salva, prontamente, como aqueles dois de Emaús, voltamos à estrada ao encontro dos outros para lhes dar notícias importantes e que não podem esperar:

Que O Senhor ressuscitou, pelo Seu próprio poder, porque é Deus Todo-Poderoso; que, não obstante ter ido para os Céus, ficará connosco, para sempre, até ao final dos tempos.


(AMA, reflexões sobre o Evangelho, 2006)

Evangelho e comentário


TEMPO DE NATAL


Santo Hilário – Doutor da Igreja

Evangelho: Mc 1, 14-20

14 Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, 15 dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.» 16 Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 17 E disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.» 18 Deixando logo as redes, seguiram-no. 19 Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco a consertar as redes, e logo os chamou. 20 E eles deixaram no barco seu pai Zebedeu com os assalariados e partiram com Ele.

Comentário:

Quatro irmãos são os primeiros que O Senhor escolhe para O seguirem.

Como que a anunciar que pretende formar uma família espiritual à Sua volta com o objectivo de congregar todos os homens numa única família a família dos Filhos de Deus.

São homens simples disponíveis e leais habituados a trabalhar em conjunto levando a carga uns dos outros sempre que necessário.

A sua profissão de pescadores ensinou-lhes a necessidade da persistência e da perseverança a não desanimar perante ausência de resultados imediatos a fazerem o mesmo quantas vezes forem necessárias até conseguirem a pesca abundante que compensará todos os esforços.


(AMA, comentário sobre Mc 1, 14-20, 14.01.2019)


Leitura espiritual


Cartas Católicas

Carta de Tiago

A Carta de Tiago foi raramente comentada ao longo dos séculos, talvez pelo seu carácter de exortação moral e pelo seu sabor judaico: só duas vezes cita o nome de Jesus (1,1; 2,1) e propõe como modelos apenas figuras do Antigo Testamento: Abraão, Job, Raab, Elias. Mas nos nossos dias veio a merecer um interesse especial dos estudiosos, pois apresenta uma exposição viva e espontânea da mensagem no ambiente das primitivas comunidades cristãs de origem judaica e revela uma série de contrastes que despertam a atenção.

Só se percebe que é uma Carta pelo primeiro versículo, pois tem todo o aspecto de uma homilia. Mostra uma grande afinidade com os livros do AT, mormente os Sapienciais (Pr, Sb e Sir) e Proféticos (Is, Jr e Ml), e com os escritos judaicos (Pirqê Abot, Testamento dos 12 Patriarcas, etc.); mas está impregnada do espírito cristão. Nela, podem contar-se 29 dependências do Sermão da Montanha (Mt 5-7), duas alusões ao Baptismo (1,21; 2,7) e à lei da liberdade (1,25; 2,12), um desenvolvimento da relação entre a fé e as obras, problema candente no cristianismo (2,14-26), a única referência expressa do Novo Testamento à Unção dos Enfermos (5,14-15) e a insistência na perfeição (1,4.17.25; 2,22; 3,2), como em Mateus.

ESTILO E LINGUAGEM

O texto contém muitos hebraísmos: construções hebraicas (1,22; 2,12; 4,11), paralelismo, parataxe, genitivo de qualidade (1,25; 5,15). O autor exprime-se num grego de alto nível, apenas comparável ao de Hebreus; de facto, tem um vocabulário rico (63 palavras não aparecem no resto do NT, 45 encontram-se nos Setenta e 4 estão ausentes do grego helenístico) e utiliza os recursos retóricos da diatribe cínico-estóica, pequenos diálogos com um interlocutor imaginário (2,14-26), perguntas retóricas (2,4.5b.14.16; 3,11-12; 4,4-5) e interpelações incisivas (1,16.19; 4,13; 5,1), imperativos (mais de 60), paradoxos e contrastes (1,26; 2,13.26; 3,15; 4,12), bem como frequentes exemplos e comparações. Tudo isto dá à Carta uma grande vivacidade e faz pensar em escritores como Epicteto ou Séneca.

AUTOR

A teoria de esta Carta ser um escrito judaico retocado por cristãos é destituída de base sólida; toda a Carta tem um cunho cristão. A Tradição da Igreja é unânime em atribuí-la a um Apóstolo do Senhor, de nome Tiago; e, se a perfeição do grego utilizado não condiz com um Tiago palestino, isto poderia dever-se à redacção cuidada de um secretário judeo-cristão muito culto ligado àquele Apóstolo.

A hipótese de um escrito posterior pseudo-epigráfico também não oferece probabilidade, pois um estranho que se quisesse servir de um nome notável não deixaria de apelar para os títulos tão importantes de “Apóstolo” ou “Irmão do Senhor”, coisa que o autor não faz, limitando-se a apresentar-se modestamente como «servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo» (1,1).

Mas o autor também não deve ser Tiago Maior, o Apóstolo irmão de João, pois foi martirizado muito cedo (em 42 ou 44). E alguns pensam que tão-pouco é o outro Apóstolo do mesmo nome, o filho de Alfeu (ver Mc 3,18 par.), mas um terceiro Tiago, «o irmão do Senhor», homem de grande prestígio, ligado aos Apóstolos e chefe da comunidade de Jerusalém (Act 12,17; 15,13-21; 21,18-25; Gl 1,19; 2,9.12), o qual, após a Ressurreição, passou a crer em Jesus. A identificação habitual destes dois Tiagos (o Menor, «filho de Alfeu» e «o Irmão do Senhor») só se teria dado no correr dos séculos, a partir do que se diz em Gl 1,19: «Não vi nenhum outro Apóstolo, excepto Tiago, irmão do Senhor.» Trata-se de uma questão discutida, pois este texto de Gálatas pode entender-se de outra maneira, traduzindo, em vez de «excepto Tiago»: «mas somente Tiago».

DESTINATÁRIOS

Os destinatários desta Carta são «as doze tribos da Dispersão» (1,1), mas não seriam nem os judeus da emigração fora da Palestina (a Diáspora em sentido próprio; há quem pense mesmo em judeus helenizados de tendência essénia), nem os cristãos em geral, dispersos pelo mundo (a “Diáspora” em sentido figurado). Seriam os judeo-cristãos da Diáspora, embora sem excluir outros cristãos em contacto com Tiago.

DATA

A maioria dos estudiosos adopta uma das posições seguintes: trata-se do primeiro escrito cristão, dos fins da década de 40, pois tem um aspecto muito primitivo, como se vê ao chamar à comunidade cristã «sinagoga» (aqui traduzido por «assembleia»: 2,2) e parece ignorar a crise judaizante e a conversão dos pagãos. Outros pensam que foi escrita por volta do ano 60, pouco antes da morte de Tiago, irmão do Senhor, que se deu pelo ano 62, pois pensam que Tg 2,14-26 pressupõe as Cartas de Paulo aos Romanos e Gálatas, que alguns deturpavam para justificarem uma vida fácil.

Não parece ter base suficientemente sólida classificá-la como um escrito tardio: a ausência de elementos do primeiro anúncio (kerigma) não serve para estabelecer a data, mas a natureza do documento; e as semelhanças com Mateus não exigem uma redacção posterior.

CONTEÚDO TEOLÓGICO

Como escrito tipicamente didáctico e moral, a Carta não obedece a um plano doutrinal previamente elaborado. Os temas sucedem-se ao correr da pena, sempre com a preocupação dominante de apelar a que os fiéis vivam o espírito cristão em todas as circunstâncias de um modo coerente com a fé, em perfeita unidade de vida: o comportamento dos cristãos tem de ser um reflexo da sua fé. Sublinhamos os temas das principais exortações:

A atitude cristã perante as provações: 1,2-18;
Pôr em prática a Palavra: 1,19-27;
Caridade para com todos: 2,1-13;
Fé com obras: 2,14-26;
Domínio da língua: 3,1-12;
Verdadeira sabedoria: 3,13-18;
Origem das discórdias: 4,1-12;
Evitar a presunção: 4,13-17;
Advertências aos ricos: 5,1-6;
Exortações finais: 5,7-20.
Como foi dito, esta Carta é o único escrito do NT a referir expressamente o Sacramento da Unção dos Doentes (5,13-15), que não aparece como um piedoso costume, mas como um dos Sacramentos instituídos por Cristo. De facto, a unção é feita apenas pelos presbíteros da Igreja, em nome do Senhor e obtém efeitos sobrenaturais, como o perdão dos pecados.

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







12/01/2020

Nota de AMA

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nunc coepi


A tarefa dos pais de família é importantíssima


Admira a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade? (Forja, 689)


Comove-me que o Apóstolo qualifique o matrimónio cristão como "sacramentum magnum", sacramento grande. Também daqui deduzo que o trabalho dos pais de família é importantíssimo.

– Participais do poder criador de Deus e, por isso, o amor humano é santo, nobre e bom: uma alegria do coração, à qual Nosso Senhor, na sua providência amorosa, quer que outros livremente renunciemos.

Cada filho que Deus vos concede é uma grande bênção divina: não tenhais medo aos filhos! (Forja, 691)

Nas minhas conversas com tantos casais, insisto em que, enquanto eles viverem e os filhos também viverem, devem ajudá-los a ser santos, sabendo que na terra ninguém será santo. Não faremos mais que lutar, lutar e lutar.

E acrescento: – Vós, mães e pais cristãos, sois um grande motor espiritual, que manda aos vossos filhos fortaleza de Deus para essa luta, para vencer, para que sejam santos. Não os defraudeis! (Forja, 692)


Não tenhas medo de querer bem às almas, por Ele; e não te importes de amar ainda mais aos teus, sempre que, querendo-lhes muito, o ames a Ele milhões de vezes mais. (Sulco, 693)


Pela tua intimidade com Cristo, estás obrigado a dar fruto: Fruto que sacie a fome das almas, quando se aproximarem de ti, no trabalho, no convívio, no ambiente familiar... (Forja, 981)

THALITA KUM 68


THALITA KUM 68

(Cfr. Lc 8, 49-56)


 Para abandonar as trevas e andar com a segurança que dá a claridade, é fundamental caminhar com Jesus Cristo, passo a passo, todos os momentos do dia.

«Andai enquanto tendes luz para que as trevas não vos dominem. Quem anda nas trevas não sabe para onde vai.» [1]

Aos poucos, como os dois de Emaús, vamos ouvindo o que nos diz e compreendendo melhor o nosso papel na vida, na sociedade.
A caminho de Emaús, (…) aqueles discípulos estão tristes. Mais que tristes: estão desanimados e desiludidos. Tinham andado, talvez longo tempo, com o Mestre, escutado os Seus discursos, presenciado os Seus milagres.
Ainda há três dias, quando da entrada triunfal em Jerusalém, tinham gritado a plenos pulmões: Hossana Filho de David!... e agora... agora…, era a dura realidade:

O Senhor morto e sepultado, os Apóstolos escondidos, toda a gente desorientada sem saber o que fazer.

E era isto que diziam um ao outro, queixando-se, lamentando talvez, tanto tempo e tantas ilusões perdidas. Na sua confusão, nem sabiam bem o que pensar:

Teriam sido enganados por um visionário que morrera vítima do seu próprio sonho?

Como é que Jesus, que tinha poderes tão extraordinários que Lhe permitiam ressuscitar mortos, curar enfermos, dar vista aos cegos e, ainda, com uns poucos de pães e alguns peixes, saciar a fome a milhares de pessoas, ficara assim, de repente, inerme, nas mãos dos Seus inimigos? (…)

Tudo isto, em turbilhão, calculamos bem, nas suas cabeças e também nos seus corações.
Estavam confusos, tristes, desiludidos.


(AMA, reflexões sobre o Evangelho, 2006)



[1] Jo 12, 35.