19/10/2018

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 83


Em Fátima, a Santíssima Virgem pediu aos Santos Pastorinhos que rezássemos pelos pecadores.

Se todos somos pecadores, então a Senhora, de certa forma, repetiu essa recomendação: que rezássemos por todos os homens. 

Não nos preocupemos em que a nossa oração tenha essa característica de universalidade porque Deus Nosso Senhor logo a aplicará onde e a quem seja mais conveniente e, talvez, urgente.

Rezamos pelos que conhecemos, os familiares, por aqueles que se nos encomendaram.
Está bem.
Mas... por exemplo, quando rezamos pela almas do Purgatório não identificamos ninguém em especial, pois não?

Quando muito, acrescentamos "por aquelas que mais precisarem".
E, isto quer dizer exactamente o quê?
Por aquelas almas de quem ninguém se lembra, que, de alguma forma, não têm quem se lembre delas.
Ora bem, este é um bom  exemplo, penso eu, da oração universal.
Não fazemos a menor ideia de quem possam ser estas almas mas, o Senhor, sabe e aplicará a nossa prece conforme Lhe parecer mais adequado. Pensemos um pouco, quantas destas almas "esquecidas" nos devem a nós a sua "libertação" do Purgatório e a sua ida, definitiva, para o Céu!

AMA, reflexões.

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR  

(Vida de São Francisco de Assis)

CAPÍTULO 3

Fundação da Ordem e aprovação da Regra

10. O servo de Deus entregou-se imediatamente à oração fervorosa e com suas humildes súplicas obteve do Senhor que lhe revelasse o que deveria falar ao Pontífice e que este sentisse em seu íntimo os efeitos da inspiração divina. Como Deus lhe havia sugerido, contou ao Pontífice a parábola de um rei muito rico que, feliz, desposara uma bela senhora pobre e dela tivera vários filhos com a mesma fisionomia do rei, pai deles, e que por isso forem educados em seu palácio. E acrescentou à guisa de explicação: “Não há nada a temer que morram de fome os filhos e herdeiros do Rei dos céus, os quais, nascidos por virtude do Espírito Santo, à imagem de Cristo Rei, de uma mãe pobre, serão gerados pelo espírito da pobreza numa religião sumamente pobre. Pois se o Rei dos céus promete a seus seguidores a posse de um reino eterno, quanto mais seguros podemos estar de que lhes dará também todas aquelas coisas que comummente não nega nem aos bons nem aos maus!”

O Vigário de Cristo ouvira com muito interesse a parábola e sua explicação; estava maravilhado e já não duvidava de que Cristo havia falado pela boca deste homem. Tivera, aliás, pouco tempo antes uma visão em que o Espírito de Deus lhe mostrara a missão a que Francisco estava destinado. De facto, vira em sonho a basílica do Latrão prestes a ruir e um homem pobrezinho, pequeno e de aspecto desprezível, a sustinha com os ombros para não cair.
E concluiu o Pontífice: “Este é, na verdade, aquele que com seu exemplo e doutrina há de sustentar a santa Igreja de Deus”.
Por essa razão anuiu benignamente ao pedido do santo, e daí em diante o teve sempre em grande estima.
Concedeu-lhe pois o que pedia, prometendo-lhe conceder muito mais para o futuro.
Aprovou também a Regra e deu-lhe a missão de ir por todo o mundo pregar a penitência.
Mandou igualmente impor tonsuras em todos os leigos companheiros de Francisco para lhes permitir pregar a palavra de Deus sem empecilhos. “

CAPITULO 4

Progresso da Ordem sob a sua direcção e confirmação da Regra aprovada anteriormente

1. Com a graça de Deus e aprovação do papa, Francisco sentia-se agora confiante; e outra vez tomou O caminho pelo vale de Espoleto, onde resolveu pregar o Evangelho de Cristo e viver de acordo com ele. E confabulando pelo caminho com os seus companheiros, discutiam a maneira como observar com toda sinceridade a Regra que haviam recebido e como viveriam diante de Deus em santidade e justiça. Discutiam igualmente como se aperfeiçoariam e dariam aos outros o bom exemplo.
Já se fazia tarde e eles ainda prosseguiam o colóquio.
Estavam cansados pelo esforço contínuo do caminho e começaram a ficar com fome. Decidiram então parar num lugar solitário. Premidos por essa necessidade e não podendo de nenhum modo ir à procura de alimentos, experimentaram logo os efeitos da amorosa providência do Senhor.
Apareceu inesperadamente um homem carregando algum pão que lhes deu, desaparecendo logo a seguir, sem lhes deixar qualquer ideia de onde viera ou para onde seguira.
Os irmãos reconheceram então que a companhia do homem de Deus era para eles uma garantia da ajuda de Deus e sentiram-se saciados mais pelo dom da generosidade divina do que pelo alimento material recebido.
Ainda muito comovidos, decidiram firmemente e assumiram o compromisso irrevogável de jamais ser infiéis ao voto de pobreza, quaisquer que fossem sua escassez e trabalhos.

2. Chegaram finalmente ao vale de Espoleto, animados dessas boas disposições.
Começaram a discutir se haveriam de viver entre o povo ou procurar a solidão.
Francisco, que era um verdadeiro servo de Deus, recusou confiar apenas na sua própria opinião ou nas sugestões dos seus companheiros. Mas quis saber a vontade de Deus perseverando na oração. Depois, iluminado por uma revelação divina, sentiu que era enviado por Deus para conquistar para Cristo as almas que o demónio estava tentando roubar. Por isso resolveu viver para utilidade de todos e não apenas para si só, sentindo nisso o exemplo daquele que se dignou morrer pela salvação de todos os homens.

3. Retirou-se pois o servo de Deus com os seus companheiros para um tugúrio pobre e abandonado, perto de Assis.
Viviam aí trabalhando muito e passando penúria, de acordo com a altíssima pobreza, comprazendo-se em alimentar-se mais com o pão das lágrimas do que com a abundância e as delícias terrenas.
Entregavam-se ali a santos e piedosos exercícios; a sua oração devota e quase nunca interrompida era mais mental do que vocal, pois não dispunham de livros litúrgicos pelos quais pudessem recitar as horas canónicas do ofício divino. Mas, na falta desses, revolviam dia e noite o livro da cruz de Cristo, que sempre tinham à vista, incitados pelo exemplo e pela palavra do amantíssimo pai, que frequentemente lhes pregava com inefável doçura as glórias da cruz de Cristo. E como os irmãos lhe pedissem com insistência que os ensinasse a orar, disse-lhes:
“Quando quiserdes orar, dizei:
“Pai-nosso” e: “Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as igrejas que estão no mundo inteiro e vos bendizemos porque por vossa santa cruz remistes o mundo”. Ensinou-lhes também a louvar a Deus em todas as suas criaturas, a venerar com especial respeito os sacerdotes, a crer firmemente e confessar com simplicidade os dogmas da fé conforme crê e ensina a santa Igreja Romana.
Os discípulos seguiam fielmente a doutrina do seu santo mestre e todas as vezes que divisavam ao longe alguma igreja ou cruz, prostravam-se humildemente e adoravam-nas na forma que haviamaprendido.

4. Durante o tempo em que os irmãos moravam nesse lugar, foi o santo à cidade de Assis num Sábado para no Domingo fazer o sermão costumeiro na catedral.
Enquanto passava a noite em oração, conforme seu hábito, num tugúrio situado no jardim dos cónegos, longe dos seus filhos, eis que por volta da meia-noite - alguns irmãos dormiam, outros ainda oravam - um carro de fogo de maravilhoso esplendor encimado por um globo resplandecente, semelhante ao sol, que iluminava a noite, entrou pela porta da cabana e deu três voltas.
Os que vigiavam ficaram estupefactos e os que dormiam acordaram apavorados; os seus corações iluminaram-se mais que os seus corpos, embora a essa luz admirável pudessem ler às claras a consciência de cada um; eram capazes de penetrar os sentimentos uns dos outros, e acreditavam unanimemente que era o Pai que, embora ausente de corpo, se encontrava presente em espírito, aparecendo-lhes sob essa imagem, fulgurante e abrasado de amor.
Também tinham plena certeza de que o Senhor lhes queria mostrar por esse carro de fogo resplendente que eles seguiam, como verdadeiros israelitas, o novo Elias estabelecido por Deus para ser “o carro e o condutor” (cf. 4Rs 2,12) dos homens do Espírito.
Devemos crer que Deus, pela oração de Francisco, abriu os olhos desses homens simples para que contemplassem as suas grandezas, como outrora havia aberto os olhos do servo de Eliseu para que visse “a montanha coberta de carros de fogo e de cavalos que rodeavam o profeta” (cf. 4Rs 6,17).
Ao voltar o santo homem para junto de seus irmãos, penetrou os segredos das suas consciências, reanimou-lhes a coragem falando-lhes da visão extraordinária que haviam tido e fez-lhes numerosas predições com relação aos progressos da Ordem.
Ao ouvi-lo expor assim tantas coisas fora do alcance de uma inteligência humana, compreenderam os irmãos claramente que o Espírito do Senhor estava sobre seu servo Francisco com tal plenitude que para eles a escolha mais acertada era seguir a sua vida e doutrina.

5. Depois desses acontecimentos, Francisco, pastor da pequena grei, inspirado pela graça divina, conduziu os seus doze irmãos a Santa Maria da Porciúncula, pois desejava que a Ordem dos irmãos menores crescesse e se desenvolvesse sob a protecção da Mãe de Deus, naquele lugar em que, pelos méritos dela, havia dado os primeiros passos.
Como arauto do Evangelho, percorria cidades e vilas, anunciando o reino de Deus, “não por doutas palavras da sabedoria humana, mas pela virtude do Espírito Santo” (1Cor 2,13).
Parecia um homem do outro mundo, conservando a alma e o semblante continuamente voltados para o alto e procurando erguer da terra todos os corações.
Desde então a vinha do Senhor começou a produzir rebentos perfumados, flores de suavidade, de honra e de santidade e a dar frutos abundantes.


São Boaventura

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por AMA)

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Ser cada um outro Cristo


Custou-te muito ir afastando e esquecendo as tuas preocupaçõezitas, os teus sonhos pessoais, pobres e poucos, mas enraizados. Agora, pelo contrário, estás bem seguro de que o teu entusiasmo e a tua ocupação são os teus irmãos, e só eles, porque aprendeste a descobrir Jesus Cristo no próximo. (Sulco, 765)

Se não queremos desperdiçar o tempo inutilmente – nem sequer com falsas desculpas das dificuldades exteriores do ambiente, que nunca faltaram desde o princípio do cristianismo – devemos ter muito presente que, de um modo normal, Jesus Cristo vinculou à vida interior a eficácia da nossa acção para arrastar os que nos rodeiam. Cristo pôs a santidade como condição para a eficácia da acção apostólica; corrijo-me, o esforço da nossa fidelidade, porque na terra nunca seremos santos. Parece inacreditável, mas Deus e os homens precisam que, da nossa parte, haja uma fidelidade sem condições, sem eufemismos, que chegue até às últimas consequências, sem mediocridade ou concessões, em plenitude de vocação cristã assumida e praticada com delicadeza.
Talvez entre vocês algum esteja a pensar que me refiro exclusivamente a um sector de pessoas selectas. Não se deixem enganar tão facilmente, movidos pela cobardia ou pelo comodismo. Pelo contrário, que cada um sinta a urgência divina de ser outro Cristo, ipse Christus, o próprio Cristo; em poucas palavras, a urgência de que a nossa conduta seja coerente com as normas da fé, pois a nossa santidade – a que temos de aspirar – não é uma santidade de segunda categoria, que não existe. (Amigos de Deus, 5–6)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 12, 1-7

1 Entretanto, a multidão tinha-se reunido; eram milhares, a ponto de se pisarem uns aos outros. Jesus começou a dizer primeiramente aos seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2 Nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto que não venha a conhecer-se. 3 Porque tudo quanto tiverdes dito nas trevas há-de ouvir-se em plena luz, e o que tiverdes dito ao ouvido, em lugares retirados, será proclamado sobre os terraços. 4 Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer. 5 Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem o poder de lançar na Geena. Sim, Eu vo-lo digo, a esse é que deveis temer. 6 Não se vendem cinco pássaros por duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus. 7 Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não temais: valeis mais do que muitos pássaros.

Comentário:

Para Deus Nosso Senhor e Criador a vida humana tem um valor absoluto em primeiro lugar porque nos criou à Sua imagem e semelhança – impressa na nossa alma imortal – e, depois porque somos Seus filhos.

Daí que Jesus diga aos discípulos que não têm que temer nada a não ser o Demónio que procurará sempre a nossa perdição e desviar-nos no nosso caminhar para Deus.

Para resistirmos contamos com a assistência do Espírito Santo que nunca permitirá que sejamos tentados além das nossas forças e capacidades.

Como pedimos no Pai-Nosso, «livrai-nos da tentação» Ele nunca deixará de nos ouvir.

(AMA, comentário sobre Lc 12,1-7, 11.07.2018)




Doutrina – 455


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio


PRIMEIRA SECÇÃO
A ECONOMIA SACRAMENTAL


CAPÍTULO SEGUNDO

A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL


CELEBRAR A LITURGIA DA IGREJA

Quem celebra?


Pergunta:

234. Por quem é celebrada a liturgia celeste?


Resposta:

A liturgia celeste é celebrada pelos anjos, pelos santos da Antiga e da Nova Aliança, em particular pela Mãe de Deus, pelos Apóstolos, pelos mártires e por uma «numerosa multidão, que ninguém» pode contar, «de todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7,9).
Quando nos sacramentos celebramos o mistério da salvação, participamos nesta liturgia eterna.

18/10/2018

El reto del amor





por El Reto Del Amor

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 82

A dissertação sobre o amor aos outros não tem um "final anunciado". Nem poderia porque o tema não se esgota mesmo com um grande poder de síntese que, obviamente, não tenho.

Além do mais temos a considerar quem são "os outros" a quem devemos amar.

Se na verdade pretendemos imitar Jesus Cristo, os outros são todos os que vivem como eu neste momento, sejam, quem forem, estejam onde estiverem, sendo amigos ou desconhecidos.

Ao rezar o Pai Nosso recebemos como que a primeira lição logo no início ao dizermos Pai Nosso e não, Meu Pai.

Ou seja, englobamos na nossa oração todos os seres humanos porque consideramos - tal como dizemos - que tendo um Pai comum somos, naturalmente, irmãos.

O Pai Nosso não é uma oração estritamente pessoal mas universal, solidária, comum.

AMA, reflexões.

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR

(Vida de São Francisco de Assis)

CAPÍTULO 3

Fundação da Ordem e aprovação da Regra


4. Pouco tempo depois, o mesmo Espírito chamou outros cinco homens e o número dos irmãos subiu a seis.
O terceiro foi o nosso santo pai Egídio, homem realmente cheio de Deus e digno de ser solenemente recordado.
Pois, tendo chegado às mais sublimes virtudes, ao fim da sua vida, como Francisco havia predito, e embora iletrado e simples, alcançou os mais altos cumes da contemplação.
Pois, efectivamente, ocupado continuamente e por espaço de muito tempo na contemplação das coisas celestiais, de tal modo era arrebatado até Deus em êxtase, como eu mesmo fui testemunha ocular, que parecia levar entre os homens uma vida mais angélica do que humana.

5. Manifestou Deus igualmente por esse tempo a um certo sacerdote da cidade de Assis, chamado Silvestre, homem de costumes ilibados, uma visão que não podemos deixar de referir.
Julgando as coisas de modo meramente humano, admirava-se Silvestre muito do modo de vida que haviam adoptado Francisco e os seus seguidores, e para não permanecer nos seus falsos juízos, visitou-o a graça do Senhor.
Viu então em sonhos medonho dragão rondando a cidade de Assis.
A sua extrema corpulência parecia ameaçar com um completo extermínio toda aquela comarca.
Viu depois sair da boca de Francisco uma cruz preciosíssima de ouro, cuja parte superior chegava até ao céu, e os braços pareciam estender-se até os confins da terra.
À vista dessa cruz esplendorosa, fugiu aquele horrendo e espantoso dragão.
Repetindo-se este sonho pela terceira vez, julgou ser um oráculo divino, e referiu a visão com todos os detalhes ao servo de Deus Francisco e aos seus companheiros. E abandonando pouco depois o mundo seguiu com tanta perfeição as pegadas traçadas por Cristo, que a sua vida na Ordem confirmou o carácter celestial da visão que tivera no mundo.

6. Quando Francisco ouviu esta visão, não se deixou seduzir pelos astutos enganos da vanglória; mas reconhecendo a bondade de Deus nos seus benefícios, animou-se a pelejar com maior coragem contra a perversidade e malícia do inimigo infernal e a pregar por toda parte as glórias da cruz.

Estando um dia na solidão, viu desfilar diante dos seus olhos os anos passados e chorava-os amargamente.
A alegria do Espírito Santo, porém, derramou-se sobre ele e garantiu-lhe que os seus pecados estavam plenamente perdoados.
Foi então arrebatado em êxtase e absorvido completamente numa luz maravilhosa, de modo que se iluminaram as profundezas da sua alma e viu o que o futuro lhes reservava para ele e os seus filhos.
A seguir voltou aos irmãos, outra vez, e disse-lhes:
“Tende coragem, amados filhos, alegrai-vos no Senhor; não vos entristeçais por serdes um pequeno número nem por causa de minha simplicidade ou da vossa, pois o Senhor fez-me ver com toda clareza que Deus fará de nós uma imensa multidão e, pela graça de sua bênção, nos multiplicará sempre mais”.


7. Nesse mesmo período, entrou na religião um outro varão santo, chegando então o número dos filhos benditos do homem de Deus a sete.
O bom Pai reuniu em torno de si todos os seus filhos e falou-lhes longamente do reino de Deus, do desprezo do mundo, da necessidade de renunciar à própria vontade e mortificar o próprio corpo e revelou-lhes sua intenção de enviá-los às quatro partes do mundo.
Aquela simplicidade que parecia estéril no seráfico Pai havia gerado sete filhos; mas o seu amor ardente desejava gerar a todos os homens para os rigores da penitência.

“Ide, dizia o bem-aventurado Pai a seus filhos, anunciar a paz a todos os homens; pregai-lhes a penitência para a remissão dos pecados; sede pacientes na tribulação, solícitos na oração, sofridos na adversidade, activos e constantes no trabalho; modestos nas palavras, sérios nos vossos costumes e agradecidos ao receber benefícios. Sabei que, em recompensa de tudo isso, vos está prometido um reino que não terá fim”.

Prostrados humildemente em terra os filhos em presença de tão bom Pai, receberam com alegria de espírito o mandamento da santa obediência. E disse a cada um em particular:
“Lança no Senhor os teus cuidados e ele cuidará de ti” (Sl 54,23).
Era a sua frase costumeira ao enviar um irmão às missões.
” Ele, porém, consciente de sua vocação de modelo e querendo agir antes de falar, tomou um dos seus companheiros e dirigiu-se a um dos quatro pontos cardeais, deixando para os outros irmãos os três outros pontos cardeais, como se quisesse traçar um imenso sinal-da-cruz.
Quando mais tarde quis rever os filhos bem-amados e não sabendo como fazer chegar até eles a sua voz, pediu ao Senhor que os reunisse, ele “que reúne os filhos disperses de Israel” (Sl 146,2).
E sucedeu que, sem terem sido convocados por quem quer que fosse, mas por um favor da bondade de Deus, todos, para grande admiração comum, se encontraram como Francisco havia desejado.
Outros quatro homens de bem vieram associar-se a eles, elevando-se agora o número dos irmãos a doze.

8. Vendo que o número dos irmãos aumentava gradativamente, Francisco escreveu uma regra de vida breve e simples para si e seus companheiros.
O seu fundamento inabalável era a observância dos Evangelhos, ao que ele acrescentou um número reduzido de outras prescrições, que lhe pareciam necessárias para a vida em comum.
Estava ansioso em ver aprovado pelo papa o que escrevera.
Pondo toda s sua confiança no Senhor, resolveu apresentar-se com os seus companheiros diante da Sé Apostólica.
Deus olhou propício para o seu desejo e confortou os irmãos que estavam apavorados de se verem tão simples e inexperientes, mostrando a Francisco a seguinte visão:
Parecia-lhe estar percorrendo um caminho, à beira do qual se erguia uma árvore que ele dobrou com facilidade até ao chão.
Homem cheio de Deus que era, compreendeu imediatamente que a visão era uma profecia do modo como o papa haveria de aprovar os seus planos e ficou extremamente alegre.
Falou aos irmãos e encorajou-os.
Em seguida pôs-se a caminho com eles.

9. Chegado à Cúria Romana, conduziram-no à presença do Sumo Pontífice.
O Vigário de Cristo, que se encontrava no palácio lateranense e caminhava no lugar chamado Speculum, imerso em profundos pensamentos, mandou embora com desprezo, como um importuno, o servo de Cristo.
Este humildemente retirou-se.
Na noite seguinte, porém, o Pontífice teve uma revelação de Deus.
A seus pés via uma palmeira que ia crescendo pouco a pouco até se tornar uma belíssima árvore.
Enquanto o Vigário de Cristo se perguntava, maravilhado, que poderia significar aquela visão, a luz divina gravou-lhe na mente que a palmeira representava aquele pobre que ele havia repelido na véspera.
Na manhã seguinte, o papa mandou os seus servos procurar aquele pobre em toda a cidade.
Encontraram-no na hospedaria de S. António junto ao Latrão. E fizeram-no comparecer à sua presença.
Introduzido Francisco à presença do Sumo Pontífice, manifestou-lhe os seus propósitos, pedindo-lhe com humildade e constância que se dignasse aprovar a referida Regra e forma de vida.
Ao ver o Vigário de Cristo, Inocêncio III, homem de grande sabedoria, a admirável pureza de alma do servo de Deus, a firmeza dos seus propósitos e o ardente amor que votava aos seus ideais, inclinou-se benignamente a ouvir as petições do santo.
Mas não quis aprovar logo a regra de vida proposta pelo pobrezinho, porque parecia estranha e por demais penosa às forças humanas no parecer de alguns cardeais.
Mas entre estes encontrava-se um homem venerável, o cardeal João de São Paulo, bispo de Sabina, amante das pessoas de virtude e santidade e decidido protector dos pobres de Cristo.
Tomou a palavra e inflamado do Espírito de Deus, disse ao Sumo Pontífice e a seus irmãos cardeais:
“Este pobre pede apenas que lhe seja aprovada uma forma de vida evangélica. Se portanto rejeitarmos o seu pedido como difícil em demasia e estranho, tenhamos cuidado em não ofender dessa forma o Evangelho.
De facto se alguém dissesse que na observância da perfeição evangélica e no voto de praticá-la existe algo de estranho ou de irracional, ou impossível, é réu de blasfémia contra Cristo,autor do Evangelho”.
Diante dessas razões, o sucessor de Pedro voltou-se para o pobre de Cristo e lhe disse:
“Meu filho, faz uma oração fervorosa a Cristo para que por teu intermédio nos mostre a sua vontade.
Assim que a tivermos conhecido com maior clareza, poderemos aceder com mais segurança aos teus pedidos”.

São Boaventura

(cont)

(revisão da versão portuguesa por AMA)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






Quantos comerciantes terão sido santos?


Está a ajudar-te muito, dizes-me, este pensamento: desde os primeiros cristãos, quantos comerciantes terão sido santos? E queres demonstrar que também agora isso é possível... O Senhor não te abandonará nesse empenho. (Sulco, 490)

O único objectivo do Opus Dei sempre foi este: contribuir para que, no meio do mundo, das realidades e afãs seculares, homens e mulheres de todas as raças e de todas as condições sociais procurem amar e servir a Deus e a todos os outros, no seu trabalho ordinário e através dele. (...).
Se alguma comparação se quer fazer, a maneira mais fácil de entender o Opus Dei é pensar na vida dos primeiros cristãos. Eles viviam profundamente a sua vocação cristã; procuravam muito a sério a perfeição a que eram chamados, pelo facto, ao mesmo tempo simples e sublime, do Baptismo. Não se distinguem exteriormente dos outros cidadãos. Os membros do Opus Dei são como toda a gente: realizam um trabalho corrente; vivem no meio do mundo conforme aquilo que são – cidadãos cristãos que querem responder inteiramente às exigências da sua fé. (Temas Actuais do Cristianismo, 10 e 24)

Evangelho e comentário


Tempo comum

São Lucas - Evangelista

Evangelho: Lc 10, 1-9

1 Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2 Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. 3 Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. 7 Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, 9 curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus já está próximo de vós’

Comentário:

São Lucas repete com palavras suas o episódio do envio dos setenta e dois.

Ainda bem que o faz porque se trata de uma autêntica “direcção espiritual” dada pelo Senhor aos primeiros enviados.

Diz-lhes sem evasivas como devem proceder, alerta-os para os perigos, assegura-lhes que a missão de que os encarrega é vital para que todos saibam que o Reino de Deus está próximo.

E, eles, partem, com entusiasmo e com a certeza que nenhum mal os atingirá.

(AMA, comentário sobre Lc 10, 1-9, 10.07.2018)




17/10/2018

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?









Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 82

Uma pequena história:

«Uma mulher que se encontrava grávida solicitou a um médico que a ajudasse a abortar.
O médico perguntou qual a razão e ela disse-lhe que já tinha três filhos e não tinha meios para sustentar mais um.
O médico perguntou  que idade tinha o filho mais velho ficando a saber que tinha treze anos.

Posto isto disse à mulher: 
´Vou fazer-lhe uma proposta: atendendo ao que me diz que ter um quarto filho é incomportável economicamente, traga-me o mais velho e eu dou-lhe uma injecção letal. A este deixamo-lo nascer.' E, antes que a mulher voltasse a si do espanto que tal proposta lhe provocara, explicou:
'Bem vê, quem provoca maior despesa na sua família é o seu filho mais velho, come mais, gasta mais roupa, os estudos, etc. etc.
Este pequenino, ao contrário, levará muitos anos a, digamos "gastos mínimos" porque, durante uns anos, comerá pouco, vestir-se-á com roupas já usadas pelos irmãos, etc. Não lhe parece lógico?'»

Pois... deveria parecer lógico e absolutamente correcto que, como neste caso, para evitar despesas deveria começar-se por eliminar quem mais contribui para elas.

AMA, reflexões.