09/08/2018

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã - 27

Mas, não usemos palavras minhas - que são pobres e canhestras - oiçamos o próprio Jesus Cristo afirmar sem margem para dúvidas:

«Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Lc 5, 32).

Encontramos nos escritos - doutrina - de um santo dos nossos dias exactamente o mesmo conceito:

"qualquer um, independentemente da sua profissão, estado ou raça pode ser santo".

Refiro-me a São Josemaria Escrivá, cujos ensinamentos têm sido guia e suporte de muitos milhares de homens, mulheres e jovens que, um pouco por todo o mundo, acreditam e querem ser, de facto, santos.

E o seu apelo tem-se feito ouvir cada vez com mais acuidade.

As pessoas estão ávidas de objectivos sólidos, consistentes que deem propósitos concretos às suas vidas precisam de caminhos seguros que conduzam com solidez e verdade a alcançar esses mesmos objetivos.

(AMA, reflexões)

Aprendei a fazer o bem


Quando estiveres com uma pessoa, tens de ver nela uma alma: uma alma que é preciso ajudar, que é preciso compreender, com quem é preciso conviver e que é preciso salvar. (Forja, 573)


Agrada-me citar umas palavras que o Espírito Santo nos comunica pela boca do profeta Isaías: discite benefacere, aprendei a fazer o bem. (...)

A caridade para com o próximo é uma manifestação do amor a Deus. Por isso, ao esforçarmo-nos por melhorar nesta virtude, não podemos fixar nenhum limite. Com o Senhor, a única medida é amar sem medida, pois, por um lado jamais chegaremos a agradecer suficientemente o que Ele tem feito por nós e, por outro, assim se revela o mesmo amor de Deus às suas criaturas: com excesso, sem cálculo, sem fronteiras.

A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. (Amigos de Deus, 232)

Evangelho e comentário


Evangelho 

Santa Teresa Benedita da Cruz – Padroeira da Europa

Evangelho: Mt 25, 1-13

1 «O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do noivo. 2 Ora, cinco delas eram insensatas e cinco prudentes. 3 As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; 4enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias. 5 Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. 6 A meio da noite, ouviu-se um brado: ‘Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!’ 7 Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias. 8 As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se.’  9 Mas as prudentes responderam: ‘Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.’ 10 Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala das núpcias, e fechou-se a porta. 11 Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ 12 Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço.’ 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.»

Comentário:

O Senhor repete uma e outra vez o mesmo aviso:

Estar preparado.

Esta insistência vem do facto de Jesus Cristo conhecer muito bem que uma das principais "falhas" do homem é a falta de perseverança.

Não nos cansemos nós também de insistir na petição:

Senhor ajuda-me a perseverar.


(AMA, comentário sobre Mt 25, 1-13, 2015.08.28)





El reto del amor





por El Reto Del Amor

Ressurreição


Ressuscitou! – Jesus ressuscitou. Não está no sepulcro. A Vida pôde mais do que a morte. Apareceu a Sua Mãe Santíssima. – Apareceu a Maria de Magdala, que está louca de amor. – E a Pedro e aos demais Apóstolos. – E a ti e a mim, que somos Seus discípulos e mais loucos do que Madalena! Que coisas Lhe dissemos!

Que nunca morramos pelo pecado; que seja eterna a nossa ressurreição espiritual. – E, antes de terminar a dezena, beijaste as chagas dos Seus pés... e eu, mais atrevido, – por ser mais criança – pus os meus lábios no Seu lado aberto. (Santo Rosário, 1º mistério de glória)

O dia do triunfo de Nosso Senhor, da sua Ressurreição, é definitivo. Onde estão os soldados que a autoridade tinha posto? Onde estão os selos que tinham colocado sobre a pedra de sepulcro? Onde estão os que condenaram o Mestre? Onde estão os que crucificaram Jesus?... Ante a sua vitória, produz-se a grande fuga dos pobres miseráveis. Enche-te de esperança: Jesus Cristo vence sempre. (Forja, 660)

Instaurare omnia in Christo, é o lema que S. Paulo dá aos cristãos de Éfeso: dar forma a tudo segundo o espírito de Jesus; colocar Cristo na entranha de todas as coisas: Si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum: quando Eu for levantado sobre a terra, tudo atrairei a mim. Cristo, com a sua Encarnação, com a sua vida de trabalho em Nazaré, com a sua pregação e os seus milagres por terras da Judeia e da Galileia, com a sua morte na Cruz, com a sua Ressurreição, é o centro da Criação, Primogénito e Senhor de toda a criatura.
A nossa missão de cristãos é proclamar essa Realeza de Cristo; anunciá-la com a nossa palavra e com as nossas obras. O Senhor quer os seus em todas as encruzilhadas da Terra. A alguns, chama-os ao deserto, desentendidos das inquietações da sociedade humana, para recordarem aos outros homens, com o seu testemunho, que Deus existe. Encomenda a outros o ministério sacerdotal. À grande maioria, o Senhor quere-a no mundo, no meio das ocupações terrenas. Estes cristãos, portanto, devem levar Cristo a todos os ambientes em que se desenvolve o trabalho humano: à fábrica, ao laboratório, ao trabalho do campo, à oficina do artesão, às ruas das grandes cidades e às veredas da montanha.
Gosto de recordar a este propósito o episódio da conversa de Cristo com os discípulos de Emaús. Jesus caminha junto daqueles dois homens que perderam quase toda a esperança, de modo que a vida começa a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor, penetra nos seus corações, comunica-lhes algo da vida que Nele habita. Quando, ao chegar àquela aldeia, Jesus faz menção de seguir para diante, os dois discípulos retêm-No e quase O forçam a ficar com eles. Reconhecem-No depois ao partir o pão: – O Senhor, exclamam, esteve connosco! Então disseram um para o outro: Não é verdade que sentíamos abrasar-se-nos o coração dentro de nós enquanto nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras? Cada cristão deve tornar Cristo presente entre os homens; deve viver de tal maneira que todos com quem contacte sintam o bonus odor Christi, o bom odor de Cristo, deve actuar de forma que, através das acções do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre. (Cristo que passa, 105)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






08/08/2018

Caminhar sobre as águas...


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Chamas-me para ir ter contigo,
e eu vou!
Salto para a água,
e consigo caminhar,
sobre ela.

Sinto-me exultante,
vejo-me forte,
capaz de tudo.
Um orgulho gritante,
toma conta de mim,
e já não me vejo caminho,
vejo-me mais …
como um fim.

Parece que já não preciso de Ti,
para caminhar sobre as águas,
porque sou capaz,
porque o consigo fazer,
apenas e só por mim.

E de repente!

De repente,
começo a afundar,
não tenho pé,
não consigo nadar,
percebo o meu orgulho,
no fundo das águas,
sempre a puxar,
sempre a puxar.

Olho-Te nos olhos,
imploro-Te,
de mão estendida:
Perdoa-me,
Senhor,
salva-me,
com o teu amor!

Seguras-me a mão,
retiras-me da água,
levantas-me do chão,
e dizes-me com ternura:
«Homem de pouca fé,
porque duvidaste?»

E eu respondo-Te,
envergonhado:
Porque sou fraco,
Senhor,
e ainda não entendi,
que a minha vida,
é o teu amor,
que da tua entrega total,
por tua graça,
a todos e a mim foi dado!



Marinha Grande, 7 de Agosto de 2018
Joaquim Mexia Alves
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El reto del amor





por El Reto Del Amor

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã - 26

Apetece-me inserir aqui, uma lembrança de um antiquíssimo fado que se cantava em Coimbra:

"Dizem que as Mães querem mais, ao filho que mais mal faz"

E, assim, sou levado a pensar, que o Senhor - que nos ama com amor de Pai e de Mãe -, mais Se preocupará em assistir os mais fracos, renitentes, fugitivos.

(AMA, reflexões)

Um grande Amor te espera no Céu


Cada vez estou mais persuadido: a felicidade do Céu é para os que sabem ser felizes na terra. (Forja, 1005)


Escrevias: "'simile est regnum caelorum', o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro... Esta passagem do Santo Evangelho caiu na minha alma lançando raízes. Tinha-a lido tantas vezes, sem captar o seu âmago, o seu sabor divino".

Tudo..., tudo há-de vender o homem prudente, para conseguir o tesouro, a pérola preciosa da Glória! (Forja, 993)


Pensa quão grato é a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também no pouco que valem as coisas da terra, que mal começam logo acabam...

Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência...! E sem enfastiar: saciar-te-á sem saciar. (Forja, 995)

Não há melhor senhorio que saber-se ao serviço: ao serviço voluntário de todas as almas!

É assim que se ganham as grandes honras: as da terra e as do Céu. (Forja, 1045)

Evangelho e comentário


Evangelho 

Evangelho: Mt 15, 21-28

21 Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22 Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» 23 Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.» 24 Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.» 25 Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26 Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27 Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» 28 Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

Comentário:

Jesus não pode deixar de fazer um elogio claríssimo àquela mulher: «grande é a tua fé
Uma lição para todos nós que nos contemos ou hesitamos perante a menor dificuldade que se levanta ao nosso objectivo de chegar perto do Senhor.

Naturalmente que, se assim procedemos nas coisas pequenas ou de escasso relevo, como podemos aspirar a vencer os grandes obstáculos que, talvez, se nos deparem?

Evidentemente, o Senhor está à nossa espera aguardando que vamos ter com Ele para Lhe pedir seja o que for, para agradecer, para expor algo que nos traz preocupados; mas não será por estar à nossa espera que teremos a “audiência” garantida mas, sim, como fruto – ou melhor – prémio – do nosso empenho e perseverança.

Cuidado com a “falsa humildade” que se insinua no nosso espírito levando-nos a não procurar Cristo considerando que não merecemos.

Não esqueçamos que o Senhor nos quer como somos e não como desejaríamos ser.


(AMA, comentário sobre Mt 15, 21-28, 07.05.2018)





Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







07/08/2018

Reto del amor





VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 25

O Senhor quando disse para sermos santos como o nosso Pai Deus é Santo (Cfr Mt 5, 48), não se referia apenas a uns quantos privilegiados, com características especiais ou fora do comum.

Não! Dirigia-se a todos os homens de todos os tempos.

Ele, que nos conhece intimamente, não diria tal coisa se fosse impossível de alcançar.

E, evidentemente, nós sabemos muito bem como fazer para cumprir tal mandato:

Trata-se de fazer, em tudo, a Vontade de Deus.

(AMA, reflexões)

A messe é grande e poucos os operários


A messe é grande e poucos os operários. – "Rogate ergo!". – Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie operários para o seu campo. A oração é o meio mais eficaz do proselitismo. (Caminho, 800)


Ainda ressoa no mundo aquele clamor divino: "Vim trazer fogo à Terra, e que quero senão que se ateie?". – E bem vês: quase tudo está apagado...

Não te animas a propagar o incêndio? (Caminho, 801)


Querias atrair ao teu apostolado aquele homem sábio, aquele poderoso, e aquele cheio de prudência e virtudes.

Pede por eles, oferece sacrifícios e prepara-os com o teu exemplo e com a tua palavra. – Não: vêm? – Não percas a paz; é que não são precisos.

Julgas que não havia contemporâneos de Pedro sábios e poderosos, e prudentes, e virtuosos, fora do apostolado dos primeiros doze? (Caminho, 802)


Corta o coração aquele clamor – sempre actual! – do Filho de Deus, que se lamenta porque a messe é grande e os operários são poucos.

- Esse grito saiu da boca de Cristo, para que também tu o ouvisses: como lhe respondeste até agora? Rezas, pelo menos diariamente, por essa intenção? (Forja, 906)


Para seguir o Senhor, é preciso dar-se de uma vez, sem reservas e com fortaleza: queimar as naves com decisão, para que não haja possibilidades de retroceder. (Forja, 907)

Evangelho e comentário


Evangelho 

Evangelho: Mt 14, 22-36

22 Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. 23 Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. 24 O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 26 Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. 27 No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» 28 Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» 29 «Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. 30 Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31 Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 32 E, quando entraram no barco, o vento amainou. 33 Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» 34 Após a travessia, pisaram terra em Genesaré. 35 Ao reconhecerem-no, os habitantes daquele lugar espalharam a notícia por toda a região. Trouxeram-lhe todos os doentes, 36 suplicando-lhe que, ao menos, os deixasse tocar na orla do seu manto. E todos aqueles que a tocaram ficaram curados.

Comentário:

Estas cenas que São Mateus nos relata de forma tão viva e detalhada têm uma importância extraordinária na formação dos futuros apóstolos.

Jesus retira de qualquer circunstância ou acontecimento o que necessita para formar o carácter e fortalecer a fé dos O seguem mais de perto e, sobretudo, os que serão os seguidores a quem confiará a Sua Igreja.

Já estamos habituados a estas revelações da humildade daqueles homens que desejam que conste para sempre, as suas hesitações, os “altos e baixos” da sua confiança em Jesus… enfim, da sua fragilidade e medos.

Claro que, temos de pensar, também com humildade, que, no nosso caso as reacções que teríamos seriam idênticas porque, na verdade há todo um ambiente de mistério e de poder divino que ultrapassa a simples compreensão humana.

Mas, de facto, o que acontece, é que a convivência com o Senhor há-de levar estes homens simples a formarem uma fé e confiança sólidas como rocha e inabaláveis perante todas as adversidades.

Leiamos com atenção quanto os Evangelhos nos relatam e peçamos ao Espírito Santo nos ilumine o entendimento para entender e acreditar.

(AMA, comentário sobre Mt 14, 22-36, 05.05.2018)





Tratado das Virtudes


Questão 66: Da igualdade das virtudes.

Art. 5 — Se a sabedoria é a maior das virtudes intelectuais.

O quinto discute-se assim. — Parece que a sabedoria não é a maior das virtudes intelectuais.

1. — Pois, quem dirige é maior que o dirigido. Ora, parece que a prudência impera sobre a sabedoria como diz o Filósofo: esta, i. é, a política, relativa à prudência, segundo ficou dito [2], esta preordena quais as artes que devem existir no Estado, e quais e até que ponto cada um as deve estudar [3]. Ora, como a sabedoria também faz parte da ciência, resulta que a prudência é maior que ela.

2. Demais. — É da essência da virtude ordenar o homem à felicidade, pois, ela é a disposição do que é perfeito para o que é óptimo, como se disse [4]. Ora, a prudência é a razão recta dos actos, pelos quais alcançamos a felicidade; ora, a sabedoria não considera esses actos. Logo, a prudência é maior que ela.

3. Demais. — Tanto mais perfeito, tanto maior é o conhecimento. Ora, podemos ter um conhecimento mais perfeito das coisas humanas, com as quais se ocupa a ciência, do que das divinas, objecto da sabedoria, como diz Agostinho [5]; porque as coisas divinas são incompreensíveis, conforme a Escritura (Job 36, 26): Com efeito, Deus é grande, que sobreexcede a nossa ciência. Logo a ciência é maior virtude que a sabedoria.

4. Demais. — O conhecimento dos princípios é mais digno que o das conclusões. Ora, a sabedoria, como as outras ciências, conclui partindo de princípios indemonstráveis, objecto do intelecto. Logo, o intelecto é maior virtude que a sabedoria.

Mas, em contrário, o Filósofo diz, que a sabedoria é como a cabeça das virtudes intelectuais [6].


SOLUÇÃO. — Como já dissemos [7], a grandeza específica de uma virtude depende do seu objecto. Ora; o objecto da sabedoria tem precedência sobre os objectos de todas as virtudes intelectuais, pois, é Deus, causa altíssima, como já dissemos [8]. E como pela causa julgamos do efeito, e pela causa superior, das inferiores, à sabedoria cabe julgar de todas as outras virtudes intelectuais e ordená-las a todas, e é quase arquitectónica em relação a todas.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Versando a prudência sobre as coisas humanas e a sabedoria, sobre a causa altíssima, é impossível seja a prudência maior virtude que a sabedoria, a menos que, como se disse, o homem fosse o que há de maior no mundo [9]. Donde, devemos concluir, conforme também já está dito [10] que a prudência não governa a sabedoria, mas ao inverso, pois, como diz a Escritura (1 Cor 2, 15), o espiritual julga todas as coisas, e ele não é julgado de ninguém. Assim, a prudência não deve se ocupar com as coisas altíssimas, que a sabedoria considera, mas dirige aquilo que se ordena à sabedoria, i. é, se ocupa com o modo pelo qual os homens devem chegar à sabedoria. E por aí a prudência ou política é ministra da sabedoria, pois conduz a ela, preparando-lhe a via, como o ostiário ao rei.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A prudência considera os meios pelos quais chegamos à felicidade, ao passo que a sabedoria considera o objecto mesmo da felicidade que é o inteligível altíssimo. Ora, se a sabedoria fosse perfeita no considerar o seu objecto, nesse acto consistiria a felicidade perfeita. Mas, como o acto da sabedoria nesta vida é imperfeito, em relação ao seu principal objecto que é Deus, esse acto é uma como incoação ou participação da felicidade futura. E portanto, está mais próxima da felicidade que a prudência.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Como diz o Filósofo, um conhecimento é superior a outro, ou porque tem um objecto mais nobre, ou pela sua certeza[11]. Se porém os objectos fossem iguais em bondade e nobreza, a virtude mais certa será a maior. Mas a menos certa porém, com objectos mais altos e mais importantes, é superior a mais certa, mas que tem por objecto coisas inferiores. Por isso o Filósofo diz que é grande coisa poder conhecer algo sobre as coisas celestes, mesmo por uma razão débil e local [12]. E, noutro lugar, Aristóteles diz, que é preferível conhecer um pouco dos seres mais nobres, que conhecer muito de seres inferiores [13]. Donde, a sabedoria, cujo objecto é o conhecimento de Deus, o homem, no estado da vida presente, não pode alcançá-la perfeitamente, de modo a ter-lhe a posse, o que só é próprio de Deus, como se disse [14]. Porém, mesmo esse pequeno conhecimento, que, pela sabedoria, podemos ter de Deus, é preferível a qualquer outro.

RESPOSTA À QUARTA. — A verdade e o conhecimento dos princípios indemonstráveis, depende da natureza dos termos. Assim, quem souber o que é o todo e o que é a parte, imediatamente compreenderá que o todo é maior que a parte. Ora, conhecer em que consiste o ente e o não-ente, o todo e a parte, e tudo o mais que resulta do ser e de que se constituem como termos; os princípios indemonstráveis, isso pertence à sabedoria. Pois, o ser comum é efeito próprio da causa altíssima, i. é, Deus. E portanto, a sabedoria não só se serve dos princípios indemonstráveis, que é o objecto do intelecto, para por eles chegar a conclusões, como o fazem também as outras ciências, mas também os julga e disputa contra os que os negam. Donde se conclui que a sabedoria é maior virtude que o intelecto.

(Revisão da versão portuguesa por AMA)




[1] (Supra, q. 57. a. 2. ad 2 ; VI Ethic., lect. VI).
[2] IV Ethic. (lect. VII).
[3] I Ethic. (lect. II).
[4] VII Physic. (lect. V).
[5] XII De Trinit. (cap. XIV).
[6] VI Ethic. (lect. VI).
[7] Q. 66, a. 3.
[8] Metaph. (lect. I, II).
[9] VI Ethic. (lect. VI).
[10] Ibid (lect. X, XI).
[11] I De anima (lect. I).
[12] II De caelo (lect. XVII).
[13] I De partibus animalium (cap. V).
[14] I Metaph. (lect. II).