22/07/2018

Não te assustes ao veres-te tal como és


Não necessito de milagres; bastam-me os que há na Escritura. – Pelo contrário, faz-me falta o teu cumprimento do dever, a tua correspondência à graça. (Caminho, 362)

Repitamos com a palavra e com as obras: Senhor, confio em Ti, basta-me a tua providência ordinária, a tua ajuda de cada dia. Não temos por que pedir a Deus grandes milagres. Temos de lhe suplicar, pelo contrário, que aumente a nossa fé, que ilumine a nossa inteligência, que fortaleça a nossa vontade. Jesus está sempre junto de nós e permanece fiel.
Desde o começo da minha pregação, preveni-vos contra um falso endeusamento. Não te assustes ao veres-te tal como és: assim, feito de barro. Não te preocupes. Porque, tu e eu somos filhos de Deus, – este é o endeusamento bom – escolhidos desde a eternidade, com uma vocação divina: escolheu-nos o Pai, por Jesus Cristo, antes da criação do mundo, para que sejamos santos diante dele. Nós, que somos especialmente de Deus, seus instrumentos apesar da nossa pobre miséria pessoal, seremos eficazes se não perdermos o conhecimento da nossa fraqueza. As tentações dão-nos a dimensão da nossa própria fraqueza.
Se sentimos desalento ao experimentar – talvez de um modo particularmente vivo – a nossa mesquinhez, é o momento de nos abandonarmos por completo, com docilidade, nas mãos de Deus. Conta-se que, certo dia, um mendigo saiu ao encontro de Alexandre Magno, pedindo uma esmola. Alexandre parou e ordenou que o fizessem senhor de cinco cidades. O pobre, confundido e atordoado, exclamou: eu não pedia tanto! E Alexandre respondeu: tu pediste como quem és; eu dou-te como quem sou. (Cristo que passa, 160)

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã - 9

Talvez que para melhor compreender o que é a unidade de vida seja considerar o oposto: a duplicidade.

Tal não é outra coisa que uma vida de mentira em que se age conforme se julgue mais conveniente sem outro critério que a vantagem pessoal.

Desde logo, a esta pessoa não se pode confiar seja o que for ou no que for.

Sendo assim, tal pessoa acabará por ficar sozinha, isolada, sem amigos.

(AMA, reflexões)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Mc 6, 30-34

30 Os Apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. 31 Disse-lhes, então: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer. 32 Foram, pois, no barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. 33 Ao vê-los afastar, muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades acorreram, a pé, àquele lugar, e chegaram primeiro que eles. 34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.

Comentário:

O trabalho apostólico não deve conhecer nem pausas nem descanso.
São tantos os que precisam e tão poucos os que podem satisfazê-los.

Esta situação inverter-se-ia se cada cristão cumprisse o Mandato de Cristo de evangelizar, levar o Seu Nome a todos os homens em lugares da terra.

Pensemos, cada um de nós, nesta verdade e examinemos como procedemos.

(AMA, comentário sobre Mc 6, 30-34, 04.02.2017)

Publicações em 22 de Julho


Leitura espiritual




Amigos de Deus


106
         
Recordo-vos que, se formos sinceros, se nos mostrarmos tal como somos, se nos endeusarmos com humildade, não com soberba, vós e eu manter-nos-emos sempre seguros em qualquer ambiente.
Poderemos falar sempre de vitórias e chamar-nos-emos vencedores, com essas íntimas vitórias do amor de Deus que nos trazem a serenidade, a felicidade da alma, a compreensão.

A humildade animar-nos-á a levar a cabo grandes trabalhos, com a condição de não perdermos de vista a consciência da nossa pequenez e de ir aumentando, um pouco mais cada dia, a convicção da nossa pobre indigência.
Admite sem vacilares que és um servidor obrigado a fazer um grande número de serviços.
Não te pavoneies por seres chamado filho de Deus - reconheçamos a graça, mas não esqueçamos a nossa natureza-; não te envaideças, se serviste bem, porque cumpriste o que tinhas a fazer.
O sol efectua a sua tarefa, a lua obedece; os anjos desempenham o seu papel.
O instrumento escolhido pelo Senhor para os gentios, diz: eu não mereço o nome de Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus (1 Cor XV, 9)...
Por isso, não procuremos nós ser louvados por nós mesmos, por méritos nossos, aliás sempre mesquinhos.

107
        
Humildade e alegria

Livra-me de tudo o que há de mau e perverso no homem.

De novo o texto da Missa nos fala do bom endeusamento: faz ressaltar diante dos nossos olhos o mau barro de que somos feitos, com todas as suas malvadas inclinações.
E depois suplica emittte lucem tuam, envia a tua luz e a tua verdade, que me guiaram e trouxeram ao teu monte santo.
Não me importo de vos contar que me emocionei ao recitar estas palavras do Gradual.

Como é que nos temos de comportar para adquirir esse eudeusamento bom?

No evangelho, lemos que Jesus não queria ir à Judeia, porque os judeus o queriam matar.
Ele, que com um desejo da sua vontade poderia eliminar os seus inimigos, empregava também os meios humanos.
Ele, que era Deus e a quem bastava uma decisão sua para mudar as circunstâncias, deixou-nos uma lição encantadora: não foi à Judeia. Disseram-lhe, pois, seus parentes: Sai daqui e vai para a Judeia, a fim de que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Queriam que Ele desse espectáculo.
Vedes?
Vedes o que é uma lição de endeusamento bom e de endeusamento mau?

Endeusamento bom: esperem em Ti - canta o Ofertório - todos os que conhecem o teu nome, Senhor, porque nunca abandonas os que Te procuram.
E vem o regozijo deste barro cheio de gatos, porque não se esqueceu das orações dos pobres, dos humildes.

108
         
Não deis o mínimo crédito aos que apresentam a virtude da humildade como um amesquinhamento humano ou como uma condenação perpétua à tristeza.
Sentir-se barro, recomposto com gatos, é fonte contínua de alegria; significa reconhecer-se pouca coisa diante de Deus: criança, filho.
E haverá maior alegria do que a daquele que, sabendo-se pobre e débil, se sabe também filho de Deus?
Porque é que nós, homens, nos entristecemos?
Porque a vida na terra, não se passa como nós, pessoalmente, esperávamos e porque surgem obstáculos que impedem ou dificultam a satisfação do que pretendemos.

Nada disto acontece quando a alma vive essa realidade sobrenatural da sua filiação divina.
Se Deus é por nós, quem será contra nós.
Que estejam tristes os que se empenham em não se reconhecerem filhos de Deus, tenho eu repetido sempre.

Para terminar, descobrimos na liturgia de hoje duas petições que hão-de sair como setas, da nossa boca e do nosso coração: concede-nos, Senhor todo-poderoso, que realizando sempre os divinos mistérios mereçamos abeirar-nos dos dons celestiais.
E, pedimos-Te, Senhor, que nos deixes servir-Te constantemente segundo a tua vontade.
Servir, servir, filhos meus, é o que é próprio de nós. Sermos criados de todos, para que nos nossos dias o povo fiel aumente em mérito e número.

109
         
Olhai para Maria.
Nunca criatura alguma se entregou com mais humildade aos desígnios de Deus.
A humildade da ancilla Domini, da escrava do Senhor, é a razão que nos leva a invocá-la como causa nostrae laetitiae, causa da nossa alegria.
Eva, depois de pecar por querer, na sua loucura, igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava triste.
Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e enche-se de alegria.
Que este seu júbilo de boa Mãe se nos pegue a todos nós; que saiamos nisto a Ela - a Santa Maria - e assim nos pareceremos mais com Cristo.

110
        
Este início da Semana Santa, já tão próximo do momento em que se consumou no Calvário a Redenção de toda a humanidade, parece-me um tempo particularmente apropriado para tu e eu considerarmos por que caminhos nos salvou Jesus, Nosso Senhor; para contemplarmos esse seu amor, verdadeiramente inefável, por umas pobres criaturas formadas com barro da terra.


Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris, lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar, advertia-nos a Igreja, Nossa Mãe, no início da Quaresma, a fim de nunca esquecermos que somos muito pouca coisa, que um dia qualquer o nosso corpo - agora tão cheio de vida - se desfará como a ligeira nuvem de pó que os nossos pés levantam ao caminhar; dissipar-se-á como a névoa afugentada pelos raios do sol.

Exemplo de Cristo

Mas, depois de recordar tão cruamente a nossa insignificância pessoal, eu queria encarecer ante os vossos olhos outra estupenda realidade: a magnificência divina que nos sustenta e nos endeusa. Escutai as palavras do Apóstolo: Conheceis a liberalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico se fez pobre por vós, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza.

Reparai com calma no exemplo do Mestre e compreendereis rapidamente que dispomos de tema abundante para meditar durante toda a vida, para concretizar propósitos sinceros de maior generosidade. Porque, não percais de vista esta meta que temos de alcançar, cada um de nós deve identificar-se com Cristo, que - já o ouvistes - se fez pobre por ti, por mim, e padeceu dando-nos exemplo para que sigamos os seus passos.

111
         
Nunca perguntaste a ti próprio, movido por uma santa curiosidade, de que modo levou Jesus a cabo este excesso de amor?
É, de novo, São Paulo quem nos responde: tendo a natureza de Deus (...), não obstante, aniquilou-se a si mesmo tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e reduzido à condição de homem.
Meus filhos pasmai agradecidos ante este mistério e aprendei: todo o poder, toda a formosura, toda a majestade, toda a harmonia infinita de Deus, com as suas grandes e incomensuráveis riquezas - todo um Deus - ficou escondido na Humanidade de Cristo para nos servir.
O Omnipotente apresenta-se decidido a ocultar por algum tempo a sua glória, para facilitar o encontro redentor com as suas criaturas.


Escreve o evangelista S. João: ninguém jamais viu Deus; o Filho Unigénito que está no seio do Pai é que o deu a conhecer, comparecendo ante o olhar atónito dos homens: primeiro, como um recém-nascido, em Belém; depois, como um menino igual aos outros; mais tarde, no Templo, como um adolescente, inteligente e vivo; e, por fim, com aquela figura amável e atraente do Mestre que movia os corações das multidões que o acompanhavam entusiasmadas.

112
        
Bastam algumas provas do Amor de Deus que se encarna para que a sua generosidade nos toque a alma, nos incendeie, nos mova com suavidade a uma dor contrita pelo nosso comportamento, em tantas ocasiões mesquinho e egoísta.
Jesus não tem inconveniente em rebaixar-se, para nos elevar da miséria à dignidade de filhos de Deus, de irmãos seus.
Pelo contrário, tu e eu muitas vezes enchemo-nos nesciamente de orgulho pelos dons e talentos recebidos, até ao ponto de os converter em pedestal para nos impormos aos outros, como se o mérito de algumas acções, acabadas com relativa perfeição, dependesse exclusivamente de nós: Que possuis tu que não tenhas recebido de Deus? E se o recebeste, porque te glorias como se o não tivesses recebido?

Ao considerar a entrega de Deus e o seu aniquilamento - falo para que o meditemos, pensando cada um em si mesmo-, a vanglória, a presunção do soberbo revela-se um pecado horrendo, precisamente porque coloca a pessoa no extremo oposto ao modelo que Jesus nos assinalou com a sua conduta.

Pensai nisto devagar: Ele humilhou-se, sendo Deus.
O homem, cheio do seu próprio eu, pretende enaltecer-se a todo o custo, sem reconhecer que está feito de barro e barro de má qualidade.

(cont)


El reto del amor






por El Reto Del Amor

Perguntas e respostas


A ÉTICA

B. OS PRINCÍPIOS ÉTICOS

3. Qual é o princípio fundamental da ética?

O primeiro princípio ético é: "faz o bem e evita o mal".

É algo evidente.

O bem deve fazer-se, o mal deve-se rejeitar.

Não é igual fazer o bem ou fazer o mal.

Os outros princípios e regras são consequência deste e orientam para escolher o bem ou ajudam a descobrir o mal.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

21/07/2018

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Mt 12, 14-21

14 Os fariseus, saindo dali, tiveram conselho contra Ele sobre o modo de O levarem á morte. 15 Jesus, sabendo isto, retirou-se daquele lugar. 16Muitos seguiram-no, e curou-os a todos. 17 Ordenou-lhes que não O descobrissem, para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: 18 «Eis o Meu servo, que Eu escolhi, o Meu amado, em quem a Minha alma pôs as suas complacências. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará a justiça às nações. 19 Não discutirá nem clamará, nem ouvirá alguém a Sua voz nas praças; 20 Não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar a justiça; 21 e as nações esperarão no Seu nome»

Comentário:

Quanto Jesus Cristo fez durante a Sua passagem pela terra está rigorosamente de acordo com a Escritura.

Mais se acentua a obrigação dos Doutores da Lei em reconhecerem na Sua Pessoa O Filho de Deus, o Messias Salvador e Redentor.


(AMA, comentário sobre Mt 12, 14-21 18.07.2015)


Leitura espiritual




Amigos de Deus

101
         
Ouvimos falar de soberba e talvez pensemos numa atitude despótica e avassaladora, com grande barulho de vozes que aclamam o triunfador que passa, como um imperador romano, debaixo dos altos arcos, inclinando a cabeça, pois teme que a sua fronte gloriosa toque o alvo mármore...

Sejamos realistas.
Este tipo de soberba só tem lugar numa fantasia louca.
Temos de lutar contra outras formas mais subtis, mais frequentes: o orgulho de preferir a própria excelência à do próximo; a vaidade nas conversas, nos pensamentos e nos gestos; uma susceptibilidade quase doentia, que se sente ofendida com palavras ou acções que não são de forma alguma um agravo...
Tudo isto, sim, pode ser, é uma tentação corrente.
O homem considera-se a si mesmo como o sol e o centro dos que estão ao seu redor.
Tudo deve girar em torno dele.
Por isso, não raramente acontece que ele recorre, com o seu afã mórbido, à própria simulação da dor, da tristeza e da doença: para que os outros se preocupem com ele e o mimem.

A maior parte dos conflitos que se apresentam na vida interior de muitas pessoas, fabrica-os a imaginação: é que disseram isto ou aquilo, são capazes de pensar aqueloutro, não me consideram...
E essa pobre alma sofre, graças à sua triste fatuidade, com suspeitas que não são reais.
Nessa aventura desgraçada, a sua amargura é contínua e procura desassossegar os outros, porque não sabe ser humilde, porque não aprendeu a esquecer-se de si mesmo para se entregar, generosamente, ao serviço dos outros por amor de Deus.

102
         
Um burrico por trono

Recordemos de novo o Evangelho e olhemos o nosso modelo, Cristo Jesus.

Tiago e João, por intermédio de sua mãe, pediram a Cristo para se sentarem um à sua direita e outro à sua esquerda.
Os outros discípulos indignam-se.
E o que é que responde nosso Senhor?
Quem quiser ser o maior, há-de ser vosso criado; e quem de entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.
Porque também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a Sua vida para redenção de muitos.

Noutra ocasião, a caminho da Cafarnaúm, Jesus ia talvez - como noutras jornadas - à frente de todos.
E quando já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: de que vínheis vós discutindo pelo caminho?
Eles, porém, calaram-se; porque no caminho tinham discutido entre si - uma vez mais - qual deles era o maior.
Então, sentando-se, chamou os doze e disse-lhes: se alguém quer ser o primeiro, faça-se o último de todos e o servo de todos.
E, tomando um menino, pô-lo no meio deles e, depois de o abraçar, disse-lhes: Todo o que receber um destes meninos em meu nome, a mim recebe, e todo o que me receber a mim, não só me recebe a mim, mas também àquele que me enviou.

Não vos encanta este modo de proceder de Jesus?
Ensina-lhes a doutrina e, para que a entendam, dá-lhes um exemplo vivo.
Chama um menino, daqueles que estariam a correr pela casa, e estreita-o contra o seu peito.
Este silêncio eloquente de Nosso Senhor!
Já disse tudo: Ele ama os que se fazem como meninos.
Em seguida, acrescenta que o resultado desta simplicidade, desta humildade de espírito é poder abraçá-lo a Ele e ao Pai que está nos Céus.

103 
       
Quando se aproxima o momento da sua Paixão e Jesus quer mostrar de um modo gráfico a sua realeza, entra triunfalmente em Jerusalém, montado num burrico!
Estava escrito que o Messias havia de ser um rei de humildade: Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei vem a ti manso, montado sobre uma jumenta e o jumentinho, filho da que leva o jugo.

Agora, na Última Ceia, Cristo preparou tudo para se despedir dos seus discípulos, enquanto estes se envolviam pela centésima vez na disputa sobre quem seria o maior desse grupo escolhido.
Jesus levantou-se da mesa, depôs o seu manto e, pegando numa toalha, cingiu-se.
Depois lançou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a limpar-lhos com a toalha com que estava cingido.

Pregou de novo com o exemplo, com obras.

Diante dos discípulos, que discutiam por motivos de soberba e de vanglória, Jesus inclina-se e cumpre gostosamente o trabalho próprio de um servo.

Depois, quando volta para a mesa, comenta:
Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Se eu, pois, que sou o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, deveis também lavar-vos os pés uns aos outros.

A mim comove-me esta delicadeza do nosso Cristo, porque não afirma: se eu faço isto, quanto mais deveis fazer vós!
Coloca-se ao mesmo nível, não coage: fustiga amorosamente a falta de generosidade daqueles homens.

Como aos primeiros doze, o Senhor também nos pode insinuar a nós, como de facto nos insinua continuamente: exemplum dedi vobis, dei-vos exemplo de humildade.
Converti-me em servo, para que vós saibais, com coração manso e humilde, servir todos os homens.

104
        
Frutos da humildade

Quanto maior és, mais te deves humilhar em todas as coisas, e acharás graça diante de Deus.
Se formos humildes, Deus não nos abandonará nunca.
Ele humilha a altivez do soberbo, mas salva os humildes. Ele liberta o inocente, que pela pureza das suas mãos será resgatado.
A infinita misericórdia do Senhor não tarda em vir socorrer quem o chama com humildade.
E então actua como quem é: como Deus omnipotente.
Ainda que haja muitos perigos, ainda que a alma pareça acossada, ainda que se encontre cercada por todos os lados pelos inimigos da sua salvação, não perecerá.
E isto não é apenas tradição doutros tempos, pois continua a acontecer agora.

105
         
Ao ler a epístola de hoje, via Daniel metido entre aqueles leões famintos e, sem pessimismo - não posso dizer que qualquer tempo passado foi melhor, porque todos os tempos foram bons e maus - considerava que também nos momentos actuais andam muitos leões à solta e que nós temos de viver neste ambiente.
Leões que procuram a quem possam devorar: tamquam leo rugiens circuit quaerens quem devoret.

Como evitaremos essas feras?

Talvez não nos aconteça o mesmo que a Daniel.
Eu não sou milagreiro, mas amo a grandiosidade de Deus e entendo que lhe teria sido mais fácil aplacar a fome do profeta ou pôr-lhe algum alimento na sua frente.
Mas não o fez.
Preferiu que Habacuc, outro profeta, fosse transportado milagrosamente da Judeia para lhe levar a comida.
Não se importou de fazer um grande prodígio, porque Daniel não se encontrava naquele poço por mero acaso, mas por ser servidor de Deus e destruidor de ídolos, devido a uma injustiça dos sequazes do diabo.

Nós, sem manifestações espectaculares, com a normalidade da vida cristã corrente, com uma sementeira de paz e de alegria, temos também de destruir muitos ídolos: o da incompreensão, o da injustiça, o da ignorância, o da pretensa suficiência humana que volta com arrogância as costas a Deus.


Não vos assusteis nem temais nada, mesmo que as circunstâncias em que trabalheis sejam tremendas, piores que as de Daniel no fosso com aqueles animais vorazes.
As mãos de Deus continuam a ser igualmente poderosas e, se fosse necessário, fariam maravilhas.
Sede fiéis!
Com uma fidelidade amorosa, consciente, alegre, à doutrina de Cristo, persuadidos de que os anos de agora não são piores do que os dos outros séculos e de que o Senhor é o mesmo de sempre.

Conheci um sacerdote já ancião, que afirmava, sorridente, de si mesmo: eu estou sempre tranquilo, tranquilo.
E assim temos de nos encontrar sempre nós, metidos no mundo, rodeados de leões famintos, mas sem perder a paz: tranquilos!
Com amor, com fé, com esperança, sem esquecer jamais que, se for conveniente, o Senhor multiplicará os milagres.

(cont)


Publicações em 21 Julho

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã - 8

A unidade de vida, na verdade, não é um objectivo, mas, antes, uma condição para que esta tenha sentido.

Fazer o que se diz e dizer o que se faz!

Este é o princípio, a base fundamental.

Propósitos, desejos, intenções de pouco ou nada valem se não forem secundados por acções concretas.

Continuando a falar da unidade de vida temos de ter bem claro o que isso significa.

Em primeiro lugar convém pedir ao Espírito Santo os Dons que mais necessitamos para atingir tal fim.

Ser igual ao que se diz ser, seja qual for a circunstância, pode não ser tão fácil como se julgue.

Requer, antes de mais, uma estabilidade de carácter que – como já falámos – de certa forma nos protege dos acidentes - ou incidentes – que a vida diária sempre trás consigo

(AMA, reflexões)