18/03/2018

Reto del amor




VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Jesus está connosco!

No Santo Sacrifício do altar, o sacerdote pega no Corpo do nosso Deus e no Cálice com o seu Sangue, e levanta-os sobre todas as coisas da terra, dizendo: "Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso", pelo meu Amor!, com o meu Amor!, no meu Amor! Une-te a esse gesto. Mais ainda: incorpora essa realidade na tua vida. (Forja, 541)


Assim se entra no Canon, com a confiança filial que nos leva a chamar clementíssimo ao nosso Pai Deus. Pedimos-Lhe pela Igreja e por todos os que estão na Igreja, pelo Papa, pela nossa família, pelos nossos amigos e companheiros. E o católico, como tem coração universal, pede por todo o mundo, porque o seu zelo entusiasta nada pode excluir. E para que a petição seja acolhida, recordamos a nossa comunhão com a Santíssima Virgem e com um punhado de homens que foram os primeiros a seguir Cristo e por Ele morreram.


Quam oblationem... Aproxima-se o momento da consagração. Agora, na Santa Missa, é outra vez Cristo que actua, através do sacerdote: Isto é o meu Corpo. Este é o cálice do meu Sangue. Jesus está connosco! Com a transubstanciação, renova-se a infinita loucura divina, ditada pelo Amor. Quando hoje se repete esse momento, que saiba cada um de nós dizer ao Senhor, mesmo sem pronunciar quaisquer palavras, que nada nos poderá afastar d'Ele e que a sua disponibilidade de se deixar ficar – totalmente indefeso – nas aparências, tão frágeis, do pão e do vinho, nos converteu voluntariamente em escravos: praesta meae menti de te vivere et te illi semper dulce sapere, faz com que eu viva de Ti e saboreie sempre a doçura do teu amor.



Mais petições. Nós, homens, estamos quase sempre inclinados a pedir. Desta vez, é pelos nossos irmãos defuntos e por nós mesmos. Por isso, aqui aparecem todas as nossas infidelidades e misérias. O peso da sua carga é muito grande, mas Ele quer levá-lo por nós e connosco. O Canon vai terminar com outra invocação à Santíssima Trindade: per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso.... por Cristo, com Cristo e em Cristo, nosso Amor, a Ti, Deus Pai Todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, Te seja dada toda a honra e glória pelos séculos dos séculos. (Cristo que passa, 90)

Temas para meditar e reflectir

Transubstanciação

O milagre da transubstanciação realizou-se exclusivamente para vós. Jesus veio e habitou só para vós (...).

Nenhum intermediário, nenhum agente secundário nos comunicará a influência que a nossa alma necessita; virá Ele próprio.

Quanto deve querer-nos para fazer isto?

Que decidido deve estar a que pela Sua parte não falte nada, que não tenhamos nenhuma desculpa para rejeitar o que nos oferece, quando o traz Ele próprio!

E nós tão cegos, tão vacilantes, tão desdenhosos, tão pouco dispostos a dar-nos plenamente àquele que se dá totalmente a nós!


(R. A. KNOX, Sermões pastorais, pg. 516-517)





Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Jo 12, 20-23

20 Entre os que tinham subido a Jerusalém à Festa para a adoração, havia alguns gregos. 21 Estes foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e pediam-lhe: «Senhor, nós queremos ver Jesus!» 22 Filipe foi dizer isto a André; André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. 23 Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem.

Comentário:

Há como que uma união fraterna entre os discípulos de Jesus – principalmente entre os Doze – que os leva a não tomarem nenhuma decisão ou fazer seja o que for, sozinhos, sem o apoio de pelo menos um companheiro.

Vê-se que está em formação o “Colégio Apostólico”, como que uma ‘família mais próxima de Jesus’ que partilha com Ele todos os momentos e o que vai acontecendo ao longo dos dias.

Parece-me que deve ser assim entre os cristãos. É sempre avisado consultar antes de agir, informar-se previamente a qualquer acção.
Para isso o ideal é a direcção espiritual onde nos são dadas indicações seguras de como proceder em cada caso.


(AMA, comentário sobre Jo 12, 20-23, 07.12.2017)

Leitura espiritual

TEMA 22 A Penitência (I)

Cristo instituiu o sacramento da Penitência oferecendo-nos uma nova possibilidade de nos convertermos e de recuperarmos, depois do Baptismo, a graça da justificação.
  
1. A luta contra o pecado depois do Baptismo
1.1. Necessidade da conversão

Apesar do Baptismo apagar todo o pecado, de nos fazer filhos de Deus e dispor a pessoa para receber a dádiva divina da glória do Céu, ainda ficamos expostos nesta vida a cair no pecado; as quedas são frequentes e ninguém está dispensado de lutar contra ele. Jesus ensinou-nos a rezar no Pai Nosso: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», e isto não de vez em quando, mas todos os dias, frequentemente. O Apóstolo S. João também diz: «Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós» (1 Jo 1, 8). E aos primeiros cristãos em Corinto, S. Paulo exortava: «Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20). Assim, a chamada de Deus à conversão: «O tempo chegou ao seu termo, o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na boa-nova» (Mc 1, 15), não se dirige apenas aos que ainda não O conhecem, mas a todos os cristãos que também se devem converter e avivar a sua fé. «Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja» (Catecismo, 1428).

1.2. A penitência interior

A conversão começa no nosso interior: a que se limita a aparências externas não é verdadeira conversão. Ninguém se pode opor ao pecado, ofensa a Deus, senão com um acto verdadeiramente bom, acto de virtude, com o qual se arrepende daquilo com que contrariou a vontade de Deus, e procura activamente eliminar essa desordem com todas as suas consequências. Nisto consiste a virtude da penitência. «A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más acções que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça» (Catecismo, 1431). A penitência não é obra exclusivamente humana, um reajustamento interior resultante dum forte domínio de si próprio, que coloca em jogo todos os impulsos do conhecimento próprio e uma série de decisões enérgicas. «A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos» (Lm 5, 21).Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo» (Catecismo, 1432).
1.3. Diversas formas de penitência na vida cristã

A conversão nasce do coração, mas não fica encerrada no interior do homem, mas frutifica em obras exteriores, pondo em jogo a pessoa inteira, corpo e alma. Entre essas, destacam-se, em primeiro lugar, as que estão incluídas na celebração da Eucaristia e as do sacramento da Penitência, que Jesus instituiu para que saíssemos vitoriosos na luta contra o pecado. Além disso, o cristão possui muitas outras formas de pôr em prática o seu desejo de conversão. «A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola (cf. Tb 12, 8; Mt 6, 1-18), que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros» (Catecismo, 1434). A essas três formas se reconduzem, dum modo ou de outro, todas as obras que nos permitem rectificar a desordem do pecado. Por jejum entende-se não só a renúncia moderada ao gosto nos alimentos, mas também tudo o que se exige ao corpo para não lhe dar prazeres, a fim de nos dedicarmos ao que Deus nos pede para o bem dos outros e de nós próprios. Como oração, podemos entender todos os esforços das nossas faculdades espirituais – inteligência, vontade, memória – para nos unirmos a Deus nosso Pai numa conversação familiar e íntima. No que se refere à esmola, não se trata apenas de dar dinheiro ou outros bens materiais aos necessitados, mas também outros tipos de donativos: compartilhar o próprio tempo, cuidar dos doentes, perdoar aos que nos ofenderam, corrigir quem necessita de rectificar, consolar quem sofre, e muitas outras manifestações de entrega aos outros. Especialmente nalguns momentos, a Igreja impulsiona-nos a realizar obras de penitência, que nos servem também para sermos mais solidários com os nossos irmãos na fé. «Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja» (Catecismo, 1438).
2. O sacramento da Penitência e Reconciliação
2.1. Cristo instituiu este sacramento

«Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja, antes de mais para aqueles que, depois do Baptismo, caíram em pecado grave e assim perderam a graça baptismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de reencontrarem a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como “a segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a perda da graça”» (Catecismo, 1446). Jesus, durante a sua vida pública, não só exortou os homens à penitência como, acolhendo os pecadores, os reconciliava com o Pai[1]. «Foi ao dar o Espírito Santo aos Apóstolos que Cristo ressuscitado lhes transmitiu o seu próprio poder divino de perdoar os pecados: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”» (Jo 20, 22-23). (Catecismo, 976). É um poder que se transmite aos bispos, sucessores dos apóstolos como pastores da Igreja, e aos presbíteros, que são sacerdotes do Novo Testamento, colaboradores dos bispos, em virtude do sacramento da Ordem. «Cristo quis que a sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua actividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico» (Catecismo, 1442). 
2.2. Nomes deste sacramento

Este sacramento tem diversos nomes conforme se acentua um ou outro aspecto. «É chamado sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador» (Catecismo, 1423). «Sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia» (Catecismo, 1424). «Sacramento da confissão, porque (…) a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento» (ibidem). «Sacramento do perdão, porque, pela absolvição sacramental do sacerdote, Deus concede ao penitente “o perdão e a paz”» (ibidem) . «Sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão» (Catecismo, 1423).
2.3. Sacramento da Reconciliação com Deus e com a Igreja

«Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência, obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão» (Lumen Gentium, 11). «Como o pecado é uma ofensa a Deus, que quebra amizade com Ele, a penitência “tem como termo o amor e o abandono no Senhor”. Assim, o pecador, movido pela graça de Deus misericordioso, inicia o seu percurso de conversão, retorna ao Pai, que “nos amou primeiro”, a Cristo que se entregou por nós e ao Espírito Santo que derramado copiosamente em nós»[2]. «”Por arcanos e misteriosos desígnios de Deus, os homens estão vinculados entre si por laços sobrenaturais, de tal maneira que o pecado de um prejudica os outros, do mesmo modo que a santidade de um beneficia os outros”. Por isso a penitência tem como consequência a reconciliação com os outros, bem como a santidade de um beneficia aqueles que o próprio pecado prejudica»[3].
2.4. A estrutura fundamental da Penitência

«Os elementos essenciais do sacramento da Reconciliação são dois: os actos realizados pelo homem que se converte sob a acção do Espírito Santo e a absolvição do sacerdote, que em Nome de Cristo concede o perdão e estabelece a modalidade da satisfação» (Compêndio, 302).
3. Os actos do penitente

São «os actos do homem que se converte sob a acção do Espírito Santo, a saber, a contrição, a confissão e a satisfação» (Catecismo, 1448).
3.1. A contrição

«Entre os actos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar. Ela é “uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro” [4]» (Catecismo, 1451). Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita «perfeita» (contrição de caridade). Uma tal contrição perdoa as faltas veniais: obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental» (Catecismo, 1452). «A contrição dita «imperfeita» (ou «atrição») é, também ela, um dom de Deus, um impulso do Espírito Santo. Nasce da consideração da fealdade do pecado ou do temor da condenação eterna e das outras penas de que o pecador está ameaçado (contrição por temor). Um tal abalo da consciência pode dar início a uma evolução interior, que será levada a bom termo sob a acção da graça, pela absolvição sacramental. No entanto, por si mesma, a contrição imperfeita não obtém o perdão dos pecados graves, mas dispõe para obtê-lo no sacramento da Penitência» (Catecismo, 1453). «É conveniente que a recepção deste sacramento seja preparada por um exame de consciência, feito à luz da Palavra de Deus. Os textos mais adaptados para este efeito devem procurar-se no Decálogo e na catequese moral dos evangelhos e das cartas dos Apóstolos: sermão da montanha e ensinamentos apostólicos» (Catecismo, 1454).
3.2. A confissão dos pecados

«A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência: “Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência, após se terem seriamente examinado, mesmo que tais pecados sejam secretíssimos e tenham sido cometidos apenas contra os dois últimos preceitos do Decálogo (cfr. Ex 20, 17; Mt 5, 28); porque, por vezes, estes pecados ferem mais gravemente a alma e são mais perigosos que os cometidos à vista de todos” [5]» (Catecismo, 1456). «A confissão individual, íntegra e a absolvição continuam a ser o único modo ordinário para que os fiéis se reconciliem com Deus e a Igreja, a menos que ocorra uma impossibilidade física ou moral que impeça este modo de confissão»[6]. A confissão das culpas nasce do verdadeiro conhecimento de si próprio perante Deus, como fruto do exame de consciência e da contrição dos seus pecados. É muito mais que um desafogo humano: «A confissão sacramental não é um diálogo humano, é um colóquio divino»[7]. Ao confessar os pecados, o cristão penitente submete-se ao juízo de Jesus Cristo, que o exercita por meio do sacerdote, o qual prescreve ao penitente as obras de penitência e o absolve dos pecados. O penitente combate o pecado com as armas da humildade e obediência.
3.3. A satisfação

«A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens causadas pelo pecado. Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a perfeita saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados: “satisfazer” de modo apropriado ou “expiar” os seus pecados. A esta satisfação também se chama “penitência”» (Catecismo, 1459). O confessor, antes de dar a absolvição, impõe a penitência, que o penitente deve aceitar e cumprir imediatamente. Essa penitência serve-lhe como satisfação pelos pecados e o seu valor provém sobretudo do sacramento: o penitente obedeceu a Cristo cumprindo o que Ele estabeleceu sobre este sacramento, e Cristo oferece ao Pai essa satisfação de um seu membro.

ANTONIO MIRALLES
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1422-1484.
Leituras recomendadas
- Ordo Paenitentiae, Praenotanda, 1-30. - S. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et Pænitentia, 2-XII-1984, 28-34. - Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum Doctrina, 1-I-1967.


Notas 

Doutrina – 410

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

188. Qual é a vocação dos fiéis leigos?


Os fiéis leigos têm como vocação própria a de procurar o reino de Deus, iluminando e ordenando as realidades temporais segundo Deus.

Correspondem assim ao chamamento à santidade e ao apostolado, dirigido a todos os baptizados.

Tratado da vida de Cristo 195

Os sacramentos em geral 

Questão 61: Da necessidade dos Sacramentos.

Art. 3 — Se depois do pecado, antes de Cristo, deviam existir sacramentos.

O terceiro discute-se assim. — Parece que depois do pecado, antes de Cristo, não deviam existir sacramentos.

1. — Pois, como se disse, pelos sacramentos a Paixão de Cristo é aplicada aos homens; e assim a Paixão de Cristo está para os sacramentos como a causa para o efeito. Ora, o efeito não precede a causa. Logo, não devia haver sacramentos antes do advento de Cristo.

2. Demais. — Os sacramentos devem ser convenientes ao estado do género humano, como está claro em Agostinho. Ora, o estado do género humano não mudou, depois do pecado, até a reparação feita por Cristo. Logo, nem os sacramentos deviam ser mudados de modo que além dos sacramentos da lei natural, outros fossem estatuídos, na lei de Moisés.

3. Demais. — Quanto mais uma coisa está próxima à perfeição, tanto mais se lhe deve assimilar. Ora, a salvação humana, na sua perfeição, operou-a Cristo, de quem estavam mais próximos os sacramentos da lei antiga do que os existentes antes da lei. Logo, deviam ser mais semelhantes aos sacramentos de Cristo. Entretanto, o contrário resulta da predição que o sacerdócio de Cristo havia de ser segundo a ordem de Melquisedeque e não segundo a ordem de Arão, como está no Apóstolo. Logo, antes de Cristo, os sacramentos não foram dispostos convenientemente.

Mas, em contrário diz Agostinho, que os primeiros sacramentos, celebrados e observados na vigência da lei, eram os prenúncios da vinda de Cristo. Ora, era necessário à salvação humana que fosse preanunciado o advento de Cristo. Logo, era necessário que, antes de Cristo, certos sacramentos fossem instituídos.

Os sacramentos são necessários à salvação humana, enquanto uns sinais sensíveis de realidades invisíveis pelas quais o homem se santifica. Ora, ninguém pode ser santificado, depois do pecado, senão por Cristo, ao qual propôs Deus para ser vítima de propiciação pela fé no seu sangue, a fim de manifestar a sua justiça, a fim de que ele seja achado justo e justificador daquele que tem a fé de Jesus Cristo. Logo, era necessário que antes do advento de Cristo existissem certos sinais visíveis pelos quais o homem proclamasse a sua fé no futuro advento do Salvador. E esses sinais se chamam sacramentos. Donde é claro que antes do advento de Cristo era necessário que fossem instituídos certos sacramentos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A Paixão de Cristo é a causa final dos sacramentos antigos, que aliás, foram instituídos para a significar. Ora, a causa final não tem precedência no tempo, mas só na intenção do agente. Logo, não havia inconveniente em certos sacramentos terem existido antes da Paixão de Cristo.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O estado do género humano, depois do pecado e antes de Cristo, pode ser considerado a dupla luz. - Primeiro, segundo a natureza da fé. E então permaneceu sempre o mesmo, porque os homens eram justificados pela fé no advento futuro de Cristo. - A outra luz, pode ser considerado segundo a intenção e a remissão do pecado e o expresso conhecimento de Cristo. Pois no decurso dos tempos, de um lado o pecado começou a dominar cada vez mais o homem, porque obnubilando-lhe a razão, não bastavam ao homem, para viver rectamente, os preceitos da lei da natureza, mas foi necessário se determinassem preceitos na lei escrita e, com estes, certos sacramentos da fé. E também de outro lado era necessário que, no decorrer dos tempos, mais se desenvolvesse o conhecimento da fé; pois como diz Gregório, no suceder-se dos tempos teve maior incremento o conhecimento divino. E por isso também foi necessário que, na lei antiga, fossem determinados certos sacramentos da fé, que tinham no futuro advento de Cristo. Os quais estão para os sacramentos anteriores à lei, como o determinado para o indeterminado. Porque, antes da lei, não foi prefixado determinadamente ao homem de que sacramentos usasse como o foi pela lei. O que era necessário, tanto pelo entenebrecimento da lei natural como para ser mais determinada a significação da fé.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O sacramento de Melquisedeque, anterior à lei, mais se assemelhava ao sacramento da lei nova pela matéria; isto é, porque oferecia pão e vinho, como está na Escritura; assim como também o sacrifício do Novo Testamento se perfaz pelo oferecimento do pão e do vinho. Ao passo que os sacramentos da lei Mosaica mais se assemelham à realidade significada pelo sacramento, isto é, a Paixão de Cristo, como é claro no caso do cordeiro pascoal e outros semelhantes. E isto assim a fim de que se, na continuidade do tempo, permanecesse a mesma espécie de sacramentos, concluir-se-ia pela continuação do mesmo sacramento.


Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



17/03/2018

Comunhão dos Santos

Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força de não estar só. (Caminho, 545)


Há instantes, antes do lavabo, invocámos o Espírito Santo, pedindo-Lhe que abençoasse o Sacrifício oferecido ao Seu Santo Nome. Terminada a purificação, dirigimo-nos à Trindade – Suscipe, Sancta Trinitas –, para que receba o que apresentamos em memória da Vida, da Paixão, da Ressurreição e da Ascensão de Cristo, em honra de Maria, sempre Virgem, e em honra de todos os santos.


A oblação deve redundar em benefício de todos – Orate, fratres, reza o sacerdote –, porque este sacrifício é meu e vosso, de toda a Igreja Santa. Orai, irmãos, mesmo que sejam poucos os que se encontram reunidos, mesmo que se encontre materialmente presente apenas um cristão ou até só o celebrante, porque uma Missa é sempre o holocausto universal, o resgate de todas as tribos e línguas e povos e nações!



Todos os cristãos, pela comunhão dos Santos, recebem as graças de cada Missa, quer se celebre diante de milhares de pessoas, quer haja apenas como único assistente um menino, possivelmente distraído, a ajudar o sacerdote. Tanto num caso como noutro, a Terra e o Céu unem-se para entoar com os Anjos do Senhor: Sanctus, Sanctus, Sanctus... (Cristo que passa, 89)

Devoción a la Virgen


Breve guía para conocer las apariciones en Garabandal y saber cuál es la posición de la Iglesia al respecto

Temas para meditar e reflectir

Juízos



Procuremos sempre ver as virtudes e coisas boas que virmos nos outros, e tapar os seus defeitos com os nossos grandes pecados.



(SANTA TERESA DE JESUS, Vida, 13, 6)





Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Jo 7, 40-53

40 Então, entre a multidão de pessoas que escutaram estas palavras, dizia-se: «Ele é realmente o Profeta.» 41 Diziam outros: «É o Messias.» Outros, porém, replicavam: «Mas pode lá ser que o Messias venha da Galileia?! 42 Não diz a Escritura que o Messias vem da descendência de David e da cidade de Belém, donde era David?» 43 Deste modo, estabeleceu-se um desacordo entre a multidão, por sua causa. 44 Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão. 45 Depois os guardas voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: «Porque é que não o trouxestes?» 46 Os guardas responderam: «Nunca nenhum homem falou assim!» 47 Replicaram-lhes os fariseus: «Será que também vós ficastes seduzidos? 48 Porventura acreditou nele algum dos chefes, ou dos fariseus? 49 Mas essa multidão, que não conhece a Lei, é gente maldita!» 50 Nicodemos, aquele que antes fora ter com Jesus e que era um deles, disse-lhes: 51 «Porventura permite a nossa Lei julgar um homem, sem antes o ouvir e sem averiguar o que ele anda a fazer?» 52 Responderam-lhe eles: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia não sairá nenhum profeta.» 53 E cada um foi para sua casa.

Comentário:

 Os chefes do povo fazem uma afirmação terrível considerando o povo comum e anónimo como ‘malditos porque não conhecem a Lei’.

É como hão-de conhecê-la com tais mestres?

Estes até podem conhecer a Lei, mas como não a praticam de pouco lhes vale.

Quem serão, pois, “os malditos”?


(AMA, comentário sobre Jo 7, 40-53, HGSA, 01.03.2017)


Leitura espiritual

TEMA 21 A Eucaristia (III)

A fé na presença real de Cristo na Eucaristia levou a Igreja a tributar culto de latria ao Santíssimo Sacramento, tanto durante a liturgia da Missa, como fora da sua celebração.
 
1. A presença real eucarística

Na celebração da Eucaristia torna-se presente a Pessoa de Cristo – o Verbo encarnado, que foi crucificado, morreu e ressuscitou pela salvação do mundo –, com uma presença misteriosa, sobrenatural e única. Encontramos o fundamento desta doutrina na própria instituição da Eucaristia, quando Jesus identificou os dons que oferecia, com o seu Corpo e com o seu Sangue («isto é o meu Corpo… este é o cálice do meu Sangue…»), ou seja, com a sua corporeidade inseparavelmente unida ao Verbo e, portanto, com a sua Pessoa total. Jesus Cristo está certamente presente, de múltiplas maneiras, na sua Igreja: na sua Palavra, na oração dos fiéis (cf. Mt 18, 20), nos pobres, doentes e prisioneiros (cf. Mt 25, 3146), nos sacramentos e especialmente na pessoa do ministro sacerdote. Mas, sobretudo, está presente sob as espécies eucarísticas (cf. Catecismo, 1373). A singularidade da presença eucarística de Cristo está no facto de que o Santíssimo Sacramento contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a Alma e a Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e Homem perfeito, o mesmo que nasceu da Virgem Maria, morreu na Cruz e agora está sentado nos céus à direita de Deus Pai. «Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (Catecismo, 1374). O termo substancial procura indicar a consistência da presença pessoal de Cristo na Eucaristia: esta não é simplesmente uma “figura”, capaz de “significar” e de estimular a mente a pensar em Cristo, realmente presente noutro lugar, no Céu; nem é um simples “sinal”, através do qual se nos oferece a “virtude salvadora” – a graça –, que provém de Cristo. A Eucaristia é, pelo contrário, presença objectiva, do ser-em-si (a substância) do Corpo e do Sangue de Cristo, ou seja, da sua inteira Humanidade – inseparavelmente unida à Divindade pela união hipostática –, embora velada sob as “espécies” ou aparências do pão e do vinho. Por conseguinte, «a presença do verdadeiro Corpo e do verdadeiro Sangue de Cristo neste sacramento, "não a apreendemos pelos sentidos, diz São Tomás, mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus"» (Catecismo, 1381). Isto o exprime muito bem a seguinte estrofe do hino Adoro te devote: «Visus, tactus, gustus in te fállitur, Sed audítu solo tuto créditur. Credo, quidquid dixit Dei Fílius: Nil hoc verbo Veritátis vérius» (A vista, o tacto, o gosto, nada sabem. Só no que o ouvido sabe se há-de crer. Creio em tudo o que o Filho de Deus veio dizer, nada mais verdadeiro pode ser do que a própria Palavra da Verdade.)

2. A transubstanciação

A presença verdadeira, real e substancial de Cristo na Eucaristia supõe uma conversão extraordinária, sobrenatural e única. Tal conversão tem o seu fundamento nas próprias palavras do Senhor: «Tomai e comei: Isto é o Meu Corpo… Bebei dele todos. Porque isto é o Meu Sangue, o sangue da nova Aliança» (Mt 26, 26-28). Com efeito, estas palavras tornam-se realidade só se o pão e o vinho deixam de ser pão e vinho para se converterem no Corpo e no Sangue de Cristo, porque é impossível que uma mesma coisa possa ser simultaneamente dois seres diferentes: pão e corpo de Cristo, vinho e Sangue de Cristo. Sobre este ponto, o Catecismo da Igreja Católica recorda: «O Concílio de Trento resume a fé católica declarando: “Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação”» (Catecismo, 1376). No entanto, permanecem inalteradas as aparências de pão e de vinho, ou seja “as espécies eucarísticas”. Apesar dos sentidos captarem verdadeiramente as aparências do pão e do vinho, a luz da fé dá-nos a conhecer que sob o véu das espécies eucarísticas o que realmente se contém é a substância do Corpo e do Sangue do Senhor. Graças à permanência das espécies sacramentais do pão, podemos afirmar que o Corpo de Cristo – a sua inteira Pessoa – está realmente presente no altar, na píxide ou no Sacrário.
3. Propriedades da presença eucarística

O modo da presença de Cristo na Eucaristia é um mistério admirável. Segundo a fé católica, Jesus está integralmente presente, com a sua corporeidade glorificada, sob cada uma das espécies eucarísticas, e está íntegro em cada uma das partes resultantes da divisão das espécies, de modo que a fracção do pão não divide Cristo (cf. Catecismo, 1377)[1]. Trata-se de uma modalidade de presença singular, porque é invisível e intangível, e além disso, é permanente, no sentido de que, uma vez realizada a consagração, dura todo o tempo que subsistam as espécies eucarísticas.
4. O culto da Eucaristia

A fé na presença real de Cristo na Eucaristia levou a Igreja a tributar culto de latria (quer dizer, de adoração), ao Santíssimo Sacramento, tanto durante a liturgia da Missa (por isso indicou que ajoelhemos ou nos inclinemos profundamente ante as espécies consagradas), como fora da celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas no Sacrário (ou Tabernáculo), apresentando-as aos fiéis para que as venerem com solenidade, levando-as em procissão, etc. (cf. Catecismo, 1378). A Sagrada Eucaristia conserva-se no sacrário[2]: - Principalmente para poder dar a Sagrada Comunhão aos doentes e a outros fiéis impossibilitados de participar na Santa Missa. - Além disso, para que a Igreja possa prestar culto de adoração a Deus Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento (de modo especial durante a Exposição da Santíssima Eucaristia, na Bênção com o Santíssimo; na Procissão com o Santíssimo Sacramento na Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, etc.).

- E para que os fiéis possam adorar sempre o Senhor com frequentes visitas. Neste sentido, afirma S. João Paulo II: «A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera por nós neste Sacramento do Amor. Não nos mostremos avaros com o nosso tempo para nos irmos encontrar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e pronta para reparar as grandes culpas e os crimes do mundo. Não cesse nunca a nossa adoração»[3]; Há duas grandes festas (solenidades) litúrgicas em que se celebra de modo especial este Sagrado Mistério: a Quinta-Feira Santa (comemora-se a instituição da Eucaristia e da Ordem Sagrada) e a solenidade do Corpo e do sangue de Cristo (destinada principalmente à adoração e à contemplação do Senhor na Eucaristia).
5. A Eucaristia, Banquete Pascal da Igreja
5.1. Porque é que a Eucaristia é o Banquete Pascal da Igreja?

«A Eucaristia é o banquete pascal, porque Cristo, pela realização sacramental da sua Páscoa [a passagem deste mundo ao Pai através da sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão gloriosa[4], nos dá o seu Corpo e o seu Sangue, oferecidos como alimento e bebida, e nos une a si e entre nós no seu sacrifício» (Compêndio, 287).
5.2. Celebração da Eucaristia e Comunhão com Cristo

«Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor. Mas a celebração do sacrifício eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo, que Se ofereceu por nós» (Catecismo, 1382). A Santa Comunhão, ordenada por Cristo («tomai e comei… bebei dele todos…», Mt 26, 26-28; cf. Mc 14, 22-24; Lc 22, 14-20; 1 Cor 11, 23-26), forma parte da estrutura fundamental da celebração da Eucaristia. Só quando Cristo é recebido pelos fiéis como alimento de vida eterna, alcança sentido pleno tornar-se alimento para os homens, e se cumpre o memorial por Ele instituído[5]. Por isso, a Igreja recomenda vivamente a comunhão sacramental a todos os que participem na celebração eucarística e possuam as devidas disposições para receber dignamente o Santíssimo Sacramento[6].

5.3. Necessidade da Sagrada Comunhão

Quando Jesus prometeu a Eucaristia afirmou que este alimento não só é útil, mas necessário: é uma condição de vida para os seus discípulos. «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53). Comer é uma necessidade para o homem. E, como o alimento natural mantém o homem na vida e lhe dá forças para caminhar por este mundo, de modo semelhante a Eucaristia mantém o cristão na vida de Cristo, recebida no Baptismo, e dá-lhe forças para ser fiel ao Senhor nesta terra, até à chegada à Casa do Pai. Os Padres da Igreja interpretaram o pão e a água, que o Anjo ofereceu ao Profeta Elias, como tipo da Eucaristia (cf. 1 Rs 19, 1-8): depois de receber o dom, ele que estava esgotado recupera o seu vigor e é capaz de cumprir a missão de Deus. Por conseguinte, a Comunhão não é um elemento que possa ser acrescentado arbitrariamente à vida cristã; não é necessária só para alguns fiéis especialmente comprometidos na missão da Igreja, mas é vital para todos: só pode viver em Cristo e difundir o seu Evangelho quem se nutre da própria vida de Cristo. O desejo de receber a Santa Comunhão deveria estar sempre presente nos cristãos, como permanente deve ser a vontade de alcançar o fim último da nossa vida. Este desejo de receber a Comunhão, explícito ou pelo menos implícito, é necessário para alcançar a salvação. Além disso, de facto, a recepção da Comunhão é necessária, com necessidade de preceito eclesiástico, para todos os cristãos no uso da razão: «A Igreja impõe aos fiéis a obrigação (…) de receber a Eucaristia ao menos uma vez em cada ano, se possível no tempo pascal, preparados pelo sacramento da Reconciliação» (Catecismo, 1389). Este preceito eclesiástico indica apenas o mínimo, que nunca será suficiente para desenvolver uma autêntica vida cristã. Por isso, a Igreja «recomenda vivamente aos fiéis que recebam a santa Eucaristia aos domingos e dias de festa, ou ainda mais vezes, mesmo todos os dias» (Catecismo, 1389).
5.4. Ministro da Sagrada Comunhão

O ministro ordinário da Santa Comunhão é o bispo, o presbítero e o diácono[7]. O acólito é ministro extraordinário permanente da distribuição da Comunhão[8]. Podem ser ministros extraordinários da distribuição da Comunhão outros fiéis a que o Bispo do lugar atribuiu a faculdade de distribuir a Eucaristia, quando o julgue necessário na pastoral dos fiéis e não esteja presente um sacerdote, um diácono ou um acólito[9]. «Não está permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem o cálice sagrado “por si mesmos, e muito menos que o passem entre si de mão em mão”»[10]. A propósito desta norma, é oportuno considerar que a Comunhão tem valor de signo sagrado; este signo deve manifestar que a Eucaristia é um dom de Deus ao homem; por isso, em condições normais, deve-se distinguir, na distribuição da Eucaristia, entre o ministro que dispensa o dom, oferecido pelo próprio Cristo, e o sujeito que o acolhe com gratidão, na fé e no amor.
5.5. Disposições para receber a Sagrada Comunhão

Disposições da alma. Para comungar dignamente é necessário estar na graça de Deus. «Quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente – proclama S. Paulo –, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada qual a si mesmo e então coma desse pão e beba deste cálice; pois quem come e bebe, sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1 Cor 11, 27-29). Portanto, ninguém se deve aproximar da Sagrada Comunhão com a consciência de ter cometido um pecado mortal, por muito contrito que lhe pareça estar, sem a preceder da confissão sacramental (cf. Catecismo, 1385). Para comungar frutuosamente requer-se, além de estar na graça de Deus, um sério empenho em receber o Senhor com a maior devoção possível: preparação (remota e próxima); recolhimento; actos de amor e de reparação, de adoração, de humildade, de acção de graças, etc. Disposições do corpo A reverência interior ante a Sagrada Eucaristia deve-se reflectir também nas disposições do corpo. A Igreja prescreve o jejum. Para os fiéis do rito latino o jejum consiste em se abster de qualquer alimento ou bebida (excepto água ou fármacos) uma hora antes de comungar[11].
 Também se deve cuidar a higiene corporal, o modo de vestir adequado, os gestos de veneração que manifestem respeito e amor ao Senhor, presente no Santíssimo Sacramento, etc. (cf. Catecismo, 1387). O modo tradicional de receber a Sagrada Comunhão no rito latino – fruto da fé, do amor e da piedade plurissecular da Igreja – é de joelhos e na boca. Os motivos que deram origem a este piedoso e antiquíssimo costume continuam plenamente válidos. Também se pode comungar de pé e, nalgumas dioceses do mundo, está permitido – nunca imposto – receber a comunhão na mão[12].
5.6. Idade e preparação para receber a primeira Comunhão

O preceito da comunhão sacramental obriga a partir do uso da razão. Convém prepará-la muito bem e não atrasar a Primeira Comunhão das crianças. «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles» (Mc 10, 14) [13]. Para se poder receber a Primeira Comunhão, exige-se que a criança tenha conhecimento, segundo a sua capacidade, dos principais mistérios da nossa fé, e que saiba distinguir o Pão eucarístico do pão vulgar. «Os pais em primeiro lugar, e os que fazem a suas vezes, assim como também o pároco, têm obrigação de procurar que as crianças, que chegaram ao uso da razão, se preparem convenientemente e se nutram, quanto antes, com prévia confissão sacramental, deste alimento divino»[14].
5.7. Efeitos da Sagrada Comunhão

O que o alimento produz no corpo para bem da vida física, assim produz na alma a Eucaristia, de modo infinitamente mais sublime, o bem da vida espiritual. Mas enquanto o alimento se converte na nossa substância corporal, ao recebermos a Sagrada Comunhão, somos nós os que nos convertemos em Cristo: «Não me converterás tu em ti, como a comida na tua carne, mas que tu te converterás em Mim»[15].
Mediante a Eucaristia a nova vida em Cristo, iniciada no crente com o Baptismo (cf. Rm 6, 3-4; Gal 3, 27-28), pode consolidar-se e desenvolver-se até alcançar a sua plenitude (cf. Ef 4, 13), permitindo ao cristão levar a bom termo o ideal enunciado por S. Paulo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20) [16].
Por conseguinte, a Eucaristia configura-nos com Cristo, faz-nos participantes do ser e da missão do Filho, identifica-nos com as suas intenções e sentimentos, dá-nos a força para amar como Cristo nos pede (cf. Jo 13, 34-35), para inflamar todos os homens e mulheres do nosso tempo com o fogo do amor divino que Ele veio trazer à Terra (cf. Lc 12, 49). Tudo isto deve manifestar-se efectivamente na nossa vida: «Se fomos renovados com a recepção do Corpo do Senhor, temos de o manifestar com obras. Que os nossos pensamentos sejam sinceros: de paz, de entrega, de serviço. Que as nossas palavras sejam verdadeiras, claras, oportunas; que saibam consolar e ajudar, que saibam sobretudo levar aos outros a luz de Deus. Que as nossas acções sejam coerentes, eficazes, acertadas: que tenham esse bonus odor Christi, o bom odor de Cristo, por recordarem o seu modo de Se comportar e de viver» [17].
Na Sagrada Comunhão, Deus aumenta a graça e as virtudes, perdoa os pecados veniais e a pena temporal, preserva dos pecados mortais e concede a perseverança no bem: numa palavra, estreita os laços de união com Ele (cf. Catecismo, 1394-1395). Mas a Eucaristia não foi instituída para o perdão dos pecados mortais; isto é próprio do Sacramento da Confissão (cf. Catecismo, 1395). A Eucaristia fomenta a unidade de todos os cristãos no Senhor, isto é, a unidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo (cf. Catecismo, 1396). A Eucaristia é penhor ou garantia da glória futura, ou seja, da ressurreição e da eterna felicidade junto de Deus, Uno e Trino, dos Anjos e de todos os Santos: «Tendo passado deste mundo para o Pai, Cristo deixou-nos na Eucaristia o penhor da glória junto d'Ele: a participação no santo sacrifício identifica-nos com o seu coração, sustenta as nossas forças ao longo da peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna e desde já nos une à Igreja do céu, à Santíssima Virgem e a todos os santos» (Catecismo, 1419).

ÁNGEL GARCÍA IBÁÑEZ
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1373-1405. . - S. João Paulo II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, 15; 21-25; 34-46. - Bento XVI, Ex. Ap. Sacramentum caritatis, 22-II-2007, 14-15; 30-32; 66-69. - Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 25-III-2004, 80-107; 129-145; 146-160.
Leituras recomendadas
- S. Josemaria, Homilia «Na Festa do Corpo de Deus», em Cristo que Passa, 150-161. - J. Ratzinger, Deus próximo de nós. A Eucaristia centro da vida, Tenacitas, Coimbra 2005, pp. 17-32; 85-132.
- J. Echevarría, Eucaristia e Vida Cristã, Diel, Lisboa 2009, pp. 21-58; 101-188. - J. R. Villar – F. M. Arocena – L. Touze, Eucaristía, en C. Izquierdo (dir.), Diccionario de Teología, Eunsa, Pamplona 2006, pp. 360-361; 366-370.


Notas 

Reto del amor




VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?