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25/03/2018

Leitura espiritual

TEMA 20 A Eucaristia (II)

A Santa Missa é sacrifício em sentido próprio e singular, porque representa (torna presente), no hoje da celebração litúrgica da Igreja, o único sacrifício da nossa redenção e porque é dele o memorial e porque aplica o seu fruto.

1. A dimensão sacrificial da Santa Missa

1.1. Em que sentido a Santa Missa é sacrifício?

A Santa Missa é sacrifício em sentido próprio e singular, e é “novo” em relação aos sacrifícios das religiões naturais e do Antigo Testamento: é sacrifício porque a Santa Missa representa (torna presente), no hoje da celebração litúrgica da Igreja, o único sacrifício da nossa redenção, porque é seu memorial e aplica o seu fruto (cf. Catecismo, 1362-1367). A Igreja cada vez que celebra a Eucaristia está chamada a acolher o dom que Cristo lhe oferece e, portanto, a participar no sacrifício do seu Senhor, oferecendo-se com Ele ao Pai pela salvação do mundo. Logo, pode-se afirmar que a Santa Missa é o sacrifício de Cristo e da Igreja. Veremos mais detalhadamente estes dois aspectos do Mistério Eucarístico.

1.2. A Eucaristia, presença sacramental do sacrifício redentor de Cristo

Como temos dito, a Santa Missa é verdadeiro e propriamente sacrifício pela sua relação directa – de identidade sacramental – com o único sacrifício, perfeito e definitivo da Cruz [i].

Esta relação foi instituída por Jesus Cristo na Última Ceia, quando entregou aos Apóstolos, sob as espécies do pão e do vinho, o seu Corpo oferecido em sacrifício e o seu Sangue derramado em remissão dos pecados, antecipando no rito memorial o que iria acontecer historicamente, pouco depois, sobre o Gólgota. Desde então, a Igreja, sob o guia e a virtude do Espírito Santo, não cessa de cumprir o mandato de reiteração que Jesus Cristo deu aos seus discípulos: «Fazei isto em Minha memória [como meu memorial]» (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 24-25). Deste modo, “anuncia” (torna presente com a palavra e o sacramento) «a morte do Senhor» (ou seja, o seu sacrifício: cf. Ef 5, 2; Heb 9, 26), «até que Ele venha» (portanto, a sua Ressurreição e Ascensão gloriosas) (cf. 1 Cor 11, 26). Este anúncio, esta proclamação sacramental do Mistério Pascal do Senhor, é de particular eficácia, pois não só se representa in signo, ou in figura, o sacrifício redentor de Cristo, mas também se torna verdadeiramente presente. O Catecismo da Igreja Católica expressa-o do seguinte modo: «A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a actualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício, na liturgia da Igreja que é o seu corpo» (Catecismo, 1362). Portanto, quando a Igreja celebra a Eucaristia, pela consagração do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, torna-se presente a mesma vítima do Gólgota, agora gloriosa; o próprio sacerdote, Jesus Cristo; o mesmo acto de oferta sacrificial (a oferta primordial da Cruz) inseparavelmente unido à presença sacramental de Cristo; oferta sempre actual em Cristo ressuscitado e glorioso [ii].

Só muda a manifestação externa desta entrega: no Calvário, mediante a paixão e morte de Cristo; na Santa Missa, através do memorial-sacramento: a dupla consagração do pão e do vinho no contexto da Oração Eucarística (imagem sacramental da imolação da Cruz) [iii].
Concluindo: a Última Ceia, o sacrifício do Calvário e a Eucaristia estão estreitamente relacionados: a Última Ceia foi a antecipação sacramental do sacrifício da Cruz; a Eucaristia, que então Jesus Cristo instituiu, perpetua (torna presente) ao longo dos tempos, ali onde se celebra sacramentalmente, o único sacrifício redentor do Senhor, para que todas as gerações possam entrar em contacto com Cristo e acolher a salvação que Ele oferece à humanidade inteira [iv].

1.3. A Eucaristia, sacrifício de Cristo e da Igreja

A Santa Missa é o sacrifício de Cristo e da Igreja, porque cada vez que se celebra o mistério eucarístico, ela, a Igreja, participa no sacrifício do seu Senhor, entrando em comunhão com Ele – com a sua oferta sacrificial ao Pai – e com os bens da redenção que Ele nos obteve. Toda a Igreja oferece e é oferecida em Cristo ao Pai pelo Espírito Santo. Assim o afirma a tradição viva da Igreja, tanto nos textos da liturgia como nos ensinamentos dos Padres e do Magistério [v].

O fundamento desta doutrina encontra-se no princípio de união e cooperação entre Cristo e os membros do seu Corpo, claramente exposto pelo Concílio Vaticano II: «Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada» [vi].

A Igreja oferece com Cristo A participação da Igreja – o Povo de Deus hierarquicamente estruturado – na oferta do sacrifício eucarístico está legitimada pelo mandato de Jesus: «fazei isto em minha memória [como meu memorial]» e reflecte-se na fórmula litúrgica «memores… offerimus… [tibi Pater]… gratias agentes… hoc sacrificium», frequentemente utilizada nas Orações Eucarísticas da Igreja Antiga [vii], e igualmente presente nas actuais Orações Eucarísticas [viii].

Como testemunham os textos da liturgia eucarística, os fiéis não são simples espectadores dum acto de culto realizado pelo sacerdote celebrante; todos podem e devem participar na oferta do sacrifício eucarístico, porque em virtude do Baptismo foram incorporados em Cristo e formam parte da «linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido em propriedade, (…) povo de Deus» (1 Pe 2, 9); ou seja, do novo Povo de Deus em Cristo, que Ele próprio continua a reunir à sua volta para que, de um confim ao outro da Terra, se ofereça ao Seu nome um sacrifício perfeito (cf. Ml 1, 10-11). Oferecem não só o culto espiritual do sacrifício das obras e da sua existência inteira, mas também – em Cristo e com Cristo – a Vítima pura, santa e imaculada. Tudo isto comporta o exercício do sacerdócio comum dos fiéis na Eucaristia. Entre a oferta da Igreja e a de Cristo não há justaposição, mas identificação. Os fiéis não oferecem um sacrifício diferente do de Cristo, pois ao unirem-se a Ele tornam possível que incorpore a oblação da Igreja à Sua, de tal modo que a oferta da Igreja é a mesma oferta de Cristo. E é Ele, Jesus Cristo, quem oferece, incorporado ao seu, o sacrifício espiritual dos fiéis. A relação entre estes dois aspectos não se pode caracterizar como justaposição nem como sucessão, mas como presença de um e de outro. A Igreja é oferecida a Cristo.

A Igreja, em união com Cristo, não só oferece o sacrifício eucarístico, mas também é oferecida n’Ele pois, como Corpo e Esposa, está inseparavelmente unida à sua Cabeça e ao seu Esposo. O ensinamento dos Padres é muito claro e este respeito. Para S. Cipriano, a Igreja oferecida (a oblação invisível dos fiéis) está simbolizada na oferta litúrgica dos dons do pão e do vinho, misturado com algumas gotas de água, como matéria do Sacrifício do Altar [ix].

Para S. Agostinho, é claro que no Sacrifício do Altar toda a Igreja é oferecida com o seu Senhor, e que isto se manifesta na própria celebração sacramental: «Esta cidade plenamente redimida, ou seja, a assembleia e a sociedade dos santos, é oferecida a Deus como um sacrifício universal pelo Sumo Sacerdote que, sob a forma de escravo, se ofereceu por nós na sua Paixão, para fazer de nós o corpo de uma tão grande Cabeça… Tal é o sacrifício dos cristãos: sendo muitos, não formamos mais que “um só corpo em Cristo»” (Rm 12, 5). A Igreja celebra este mistério no sacramento do altar, bem conhecido dos fiéis, onde se mostra que, no que ela oferece, se oferece a si mesma» [x].
Para S. Gregório Magno, a celebração da Eucaristia é um estímulo para que imitemos o exemplo do Senhor, oferendo a nossa vida ao Pai como Jesus fez; deste modo, chegará até nós a salvação que provém do sacrifício da Cruz do Senhor: «É necessário que quando celebramos este sacrifício eucarístico nos ofereçamos a Deus de coração contrito, porque ao celebrarmos os mistérios da paixão do Senhor devemos imitar aquilo que fazemos. Então a hóstia ocupará o nosso lugar junto de Deus, se nos fazemos hóstias a nós mesmos» [xi].
A própria liturgia eucarística não deixa de expressar a participação da Igreja, sob o influxo do Espírito Santo, no sacrifício de Cristo: «Olhai benignamente para a oblação da vossa Igreja: vede nela a vítima que nos reconciliou convosco, e fazei que, alimentando-nos do Corpo e Sangue do vosso Filho, cheios do Espírito Santo, sejamos em Cristo um só corpo e um só espírito. O Espírito Santo faça de nós uma oferenda permanente…» [xii].
De modo semelhante se pede na Oração Eucarística IV: «Olhai, Senhor, para esta oblação que preparastes para a vossa Igreja; e concedei, por vossa bondade, a quantos vamos participar do mesmo pão e do mesmo cálice, que, reunidos pelo Espírito Santo num só corpo, sejamos em Cristo uma oferenda viva para louvor da vossa glória». A participação dos fiéis consiste antes de mais em unirem-se interiormente ao sacrifício de Cristo, tornado presente sobre o altar graças ao ministério do sacerdote celebrante. Não se pode dizer de nenhum modo que os fiéis “concelebram” com o sacerdote [xiii], já que só ele actua in persona Christi Capitis. Mas, na verdade, concorrem para a celebração do sacrifício por meio do sacerdócio comum recebido no Baptismo. Esta participação interior deve manifestar-se na participação exterior: na comunhão (estado de graça), nas respostas e nas orações que os fiéis rezam com o sacerdote; nas posições; e às vezes, também na realização de alguns ritos, como a proclamação das leituras ou a oração dos fiéis. Pelo que respeita ao Magistério contemporâneo, basta citar este texto do Catecismo da Igreja Católica: «A Eucaristia é igualmente o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa na oblação da sua Cabeça. Com Ele, ela própria é oferecida integralmente. Ela une-se à sua intercessão junto do Pai em favor de todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do seu corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração, o seu trabalho, unem-se aos de Cristo e à sua oblação total, adquirindo assim um novo valor. O sacrifício de Cristo presente sobre o altar proporciona a todas as gerações de cristãos a possibilidade de se unirem à sua oblação» (Catecismo, 1368). A doutrina enunciada tem importância fundamental para a vida cristã. Todos os fiéis estão chamados a participar na Santa Missa pondo em exercício o seu sacerdócio real, ou seja, com a intenção de oferecer a sua própria vida sem mancha de pecado ao Pai, com Cristo, Vítima imaculada, em sacrifício espiritual-existencial, restituindo-o com amor filial e em acção de graças por tudo o que d’Ele receberam. Os fiéis devem procurar que a Santa Missa seja realmente centro e raiz da sua vida interior [xiv], orientando para ela o seu dia inteiro, o trabalho e todas as suas acções. Esta é uma manifestação central da “alma sacerdotal”. Nesta linha, S. Josemaria exorta-nos: «Luta por conseguir que o Santo Sacrifício do Altar seja o centro e a raiz da tua vida interior, de maneira que toda a jornada se converta num acto de culto – prolongamento da Missa que ouviste e preparação para a seguinte –, que vai transbordando em jaculatórias, em visitas ao Santíssimo, no oferecimento do teu trabalho profissional e da tua vida familiar...» [xv].

As missas sem participação de povo, têm também carácter público e social. Os seus efeitos estendem-se a todos os tempos e lugares. Daí a grande conveniência de que os sacerdotes celebrem todos os dias, mesmo quando possa não haver participação de fiéis [xvi].

2. Fins e frutos da Santa Missa

A Santa Missa, enquanto representação sacramental do sacrifício de Cristo, tem os mesmos fins que o sacrifício da Cruz [xvii].

Esses fins são os seguintes:
- latrêutico (louvar e adorar a Deus Pai, pelo Filho, no Espírito Santo); - eucarístico (dar graças a Deus pela criação e pela redenção);
- propiciatório (desagravar a Deus pelos nossos pecados); - impetratório (pedir a Deus os seus dons e as suas graças). Isto expressa-se nas diversas orações que formam parte da celebração litúrgica da Eucaristia, especialmente no Glória, no Credo, nas diversas partes da Anáfora ou Oração Eucarística (Prefácio, Sanctus, Epíclesis, Anámnesis, Intercessões, Doxologia final), no Pai Nosso, e nas orações próprias de cada Missa: Oração Colecta, Oração sobre as oferendas, Oração depois da Comunhão. Tais frutos de santidade não se determinam identicamente em todos os que participam no sacrifício eucarístico; serão maiores ou menores segundo a inserção de cada um na celebração litúrgica e na medida da sua fé e devoção. Assim, participam de maneira diversa dos frutos da Santa Missa: toda a Igreja; o sacerdote que celebra e os que, unidos com ele, concorrem à celebração eucarística; os que, sem participar na Missa, se unem espiritualmente ao sacerdote que celebra; e aqueles por quem a Missa se aplica, que podem ser vivos ou defuntos [xviii].

Quando um sacerdote recebe uma oferta para que aplique os frutos da Missa por uma intenção, fica gravemente obrigado a fazê-lo [xix].

ÁNGEL GARCÍA IBÁÑEZ
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1356-1372. - S. João Paulo II II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, nn. 11-20; 11-20. - Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, nn. 6-15; 16-29; 34-65. - Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 25-III-2004, nn. 36-47; 48-79.
Leituras recomendadas
- S. Josemaria, «A Eucaristia, Mistério de Fé e de Amor», Cristo que Passa, 83-94. - J. Ratzinger, Deus próximo de nós. A Eucaristia centro da vida, Tenacitas, Coimbra 2005, pp. 33-84. 
- J. Echevarría, Eucaristia e Vida Cristã, Diel, Lisboa 2009, pp. 59-99; 189-294. - A. García Ibáñez, «A Santa Missa, centro e raiz da vida do cristão», Romana 28 (1999), pp. 148-165 (publicado em português em www.opusdei.pt). - J. R. Villar; F. M. Arocena; L. Touze, «Eucaristia», em C. Izquierdo (dir), Dicionário de Teologia, Eunsa, Pamplona 2006, pp. 358-360.

Notas




[i] O Catecismo da Igreja Católica expressa-o assim: «O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício» (Catecismo, 1367).
[ii] Nesta linha, o Catecismo da Igreja Católica afirma: «Na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente o seu mistério pascal. Durante a sua vida terrena, Jesus anunciava pelo seu ensino e antecipava pelos seus actos o seu mistério pascal. Uma vez chegada a sua “Hora” (cfr. Jo 13, 1; 17, 1), Jesus vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-se à direita do Pai “uma vez por todas” (Rm 6, 10; Heb 7, 27; 9, 12). É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida» (Catecismo, 1085).
[iii] O signo sacramental da Eucaristia não causa de novo, não produz nem reproduz a realidade feita presente (não volve a renovar o sacrifício cruento da Cruz, pois Cristo ressuscitou e «a morte não tem mais poder sobre Ele» (Rm 6, 9), nem causa em Cristo nada que não possua já plena e definitivamente: não exige novos actos de imolação e de oferta sacrificial em Cristo glorioso). A eucaristia simplesmente torna presente uma realidade preexistente: a Pessoa de Cristo – o Verbo encarnado, que foi crucificado e ressuscitou – e, n’Ele, do acto sacrificial da nossa redenção. O signo só Lhe oferece um novo modo de presença, sacramental, permitindo, como veremos a seguir, a participação da Igreja no sacrifício do Senhor.
[iv] Neste sentido, afirma o Concílio Vaticano II: «Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”» (1 Cor 5, 7), realiza-se também a obra da nossa redenção» (Lumen Gentium, 3).
[v] Cf. Catecismo, 1368-1370.
[vi] Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7.
[vii] Cf. Oração Eucarística da Tradição Apostólica de S. Hipólito; Anáfora de Addai e Mari; Anáfora de S. Marcos.
[viii] Cf. Missal Romano, Oração Eucarística I (Unde et memores e Supra quae); Oração Eucarística III (Memores igitur; Respice quaesemus e Ipse nos tibi); expressões semelhantes encontram-se nas Orações II e IV:
[ix] Cf. S. Cipriano, Ep. 63, 13: CSEL 3, 71.
[x] S. Agostinho, De Civ. Dei, 10, 6: CCL 47, 279.
[xi] S. Gregório Magno, Dialog., 4, 61, 1: SChr 265, 202
[xii] Missal Romano, Oração Eucarística III: Respice, quaesumus e Ipse nos tibi.
[xiii] Cf. Pio XII, Carta Encíclica Mediator Dei (DS 3850); Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 42.
[xiv] Cf. S. Josemaria, Cristo que Passa, 87.
[xv] S. Josemaria, Forja, 69.
[xvi] Cf. Concílio de Trento, Doutrina sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, cap. 6: DS 1747; Concílio Vaticano II, Decreto Presbyterorum Ordinis, 13; S. João Paulo II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 31; Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 80.
[xvii] Esta identidade de fins baseia-se não só na intenção da Igreja celebrante, mas sobretudo na presença sacramental do próprio Jesus Cristo: ainda são actuais e operativos n’Ele os fins pelos quais ofereceu a sua vida ao Pai (cf. Rm 8, 34; Heb 7, 25).
[xviii] A aplicação do que acabamos de falar – trata-se de uma oração especial de intercessão – não implica nenhum automatismo na salvação; a esses fiéis, a graça não chega de modo automático, mas na medida da sua união com Deus pela fé, esperança e amor.
[xix] Cf. Código de Direito Canónico, cân. 945-958. Com esta aplicação particular, o sacerdote celebrante não exclui das bênçãos do sacrifício eucarístico os outros membros da Igreja, nem a humanidade inteira; simplesmente inclui alguns fiéis de modo especial.

17/03/2018

Leitura espiritual

TEMA 21 A Eucaristia (III)

A fé na presença real de Cristo na Eucaristia levou a Igreja a tributar culto de latria ao Santíssimo Sacramento, tanto durante a liturgia da Missa, como fora da sua celebração.
 
1. A presença real eucarística

Na celebração da Eucaristia torna-se presente a Pessoa de Cristo – o Verbo encarnado, que foi crucificado, morreu e ressuscitou pela salvação do mundo –, com uma presença misteriosa, sobrenatural e única. Encontramos o fundamento desta doutrina na própria instituição da Eucaristia, quando Jesus identificou os dons que oferecia, com o seu Corpo e com o seu Sangue («isto é o meu Corpo… este é o cálice do meu Sangue…»), ou seja, com a sua corporeidade inseparavelmente unida ao Verbo e, portanto, com a sua Pessoa total. Jesus Cristo está certamente presente, de múltiplas maneiras, na sua Igreja: na sua Palavra, na oração dos fiéis (cf. Mt 18, 20), nos pobres, doentes e prisioneiros (cf. Mt 25, 3146), nos sacramentos e especialmente na pessoa do ministro sacerdote. Mas, sobretudo, está presente sob as espécies eucarísticas (cf. Catecismo, 1373). A singularidade da presença eucarística de Cristo está no facto de que o Santíssimo Sacramento contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a Alma e a Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e Homem perfeito, o mesmo que nasceu da Virgem Maria, morreu na Cruz e agora está sentado nos céus à direita de Deus Pai. «Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (Catecismo, 1374). O termo substancial procura indicar a consistência da presença pessoal de Cristo na Eucaristia: esta não é simplesmente uma “figura”, capaz de “significar” e de estimular a mente a pensar em Cristo, realmente presente noutro lugar, no Céu; nem é um simples “sinal”, através do qual se nos oferece a “virtude salvadora” – a graça –, que provém de Cristo. A Eucaristia é, pelo contrário, presença objectiva, do ser-em-si (a substância) do Corpo e do Sangue de Cristo, ou seja, da sua inteira Humanidade – inseparavelmente unida à Divindade pela união hipostática –, embora velada sob as “espécies” ou aparências do pão e do vinho. Por conseguinte, «a presença do verdadeiro Corpo e do verdadeiro Sangue de Cristo neste sacramento, "não a apreendemos pelos sentidos, diz São Tomás, mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus"» (Catecismo, 1381). Isto o exprime muito bem a seguinte estrofe do hino Adoro te devote: «Visus, tactus, gustus in te fállitur, Sed audítu solo tuto créditur. Credo, quidquid dixit Dei Fílius: Nil hoc verbo Veritátis vérius» (A vista, o tacto, o gosto, nada sabem. Só no que o ouvido sabe se há-de crer. Creio em tudo o que o Filho de Deus veio dizer, nada mais verdadeiro pode ser do que a própria Palavra da Verdade.)

2. A transubstanciação

A presença verdadeira, real e substancial de Cristo na Eucaristia supõe uma conversão extraordinária, sobrenatural e única. Tal conversão tem o seu fundamento nas próprias palavras do Senhor: «Tomai e comei: Isto é o Meu Corpo… Bebei dele todos. Porque isto é o Meu Sangue, o sangue da nova Aliança» (Mt 26, 26-28). Com efeito, estas palavras tornam-se realidade só se o pão e o vinho deixam de ser pão e vinho para se converterem no Corpo e no Sangue de Cristo, porque é impossível que uma mesma coisa possa ser simultaneamente dois seres diferentes: pão e corpo de Cristo, vinho e Sangue de Cristo. Sobre este ponto, o Catecismo da Igreja Católica recorda: «O Concílio de Trento resume a fé católica declarando: “Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação”» (Catecismo, 1376). No entanto, permanecem inalteradas as aparências de pão e de vinho, ou seja “as espécies eucarísticas”. Apesar dos sentidos captarem verdadeiramente as aparências do pão e do vinho, a luz da fé dá-nos a conhecer que sob o véu das espécies eucarísticas o que realmente se contém é a substância do Corpo e do Sangue do Senhor. Graças à permanência das espécies sacramentais do pão, podemos afirmar que o Corpo de Cristo – a sua inteira Pessoa – está realmente presente no altar, na píxide ou no Sacrário.
3. Propriedades da presença eucarística

O modo da presença de Cristo na Eucaristia é um mistério admirável. Segundo a fé católica, Jesus está integralmente presente, com a sua corporeidade glorificada, sob cada uma das espécies eucarísticas, e está íntegro em cada uma das partes resultantes da divisão das espécies, de modo que a fracção do pão não divide Cristo (cf. Catecismo, 1377)[1]. Trata-se de uma modalidade de presença singular, porque é invisível e intangível, e além disso, é permanente, no sentido de que, uma vez realizada a consagração, dura todo o tempo que subsistam as espécies eucarísticas.
4. O culto da Eucaristia

A fé na presença real de Cristo na Eucaristia levou a Igreja a tributar culto de latria (quer dizer, de adoração), ao Santíssimo Sacramento, tanto durante a liturgia da Missa (por isso indicou que ajoelhemos ou nos inclinemos profundamente ante as espécies consagradas), como fora da celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas no Sacrário (ou Tabernáculo), apresentando-as aos fiéis para que as venerem com solenidade, levando-as em procissão, etc. (cf. Catecismo, 1378). A Sagrada Eucaristia conserva-se no sacrário[2]: - Principalmente para poder dar a Sagrada Comunhão aos doentes e a outros fiéis impossibilitados de participar na Santa Missa. - Além disso, para que a Igreja possa prestar culto de adoração a Deus Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento (de modo especial durante a Exposição da Santíssima Eucaristia, na Bênção com o Santíssimo; na Procissão com o Santíssimo Sacramento na Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, etc.).

- E para que os fiéis possam adorar sempre o Senhor com frequentes visitas. Neste sentido, afirma S. João Paulo II: «A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera por nós neste Sacramento do Amor. Não nos mostremos avaros com o nosso tempo para nos irmos encontrar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e pronta para reparar as grandes culpas e os crimes do mundo. Não cesse nunca a nossa adoração»[3]; Há duas grandes festas (solenidades) litúrgicas em que se celebra de modo especial este Sagrado Mistério: a Quinta-Feira Santa (comemora-se a instituição da Eucaristia e da Ordem Sagrada) e a solenidade do Corpo e do sangue de Cristo (destinada principalmente à adoração e à contemplação do Senhor na Eucaristia).
5. A Eucaristia, Banquete Pascal da Igreja
5.1. Porque é que a Eucaristia é o Banquete Pascal da Igreja?

«A Eucaristia é o banquete pascal, porque Cristo, pela realização sacramental da sua Páscoa [a passagem deste mundo ao Pai através da sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão gloriosa[4], nos dá o seu Corpo e o seu Sangue, oferecidos como alimento e bebida, e nos une a si e entre nós no seu sacrifício» (Compêndio, 287).
5.2. Celebração da Eucaristia e Comunhão com Cristo

«Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor. Mas a celebração do sacrifício eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo, que Se ofereceu por nós» (Catecismo, 1382). A Santa Comunhão, ordenada por Cristo («tomai e comei… bebei dele todos…», Mt 26, 26-28; cf. Mc 14, 22-24; Lc 22, 14-20; 1 Cor 11, 23-26), forma parte da estrutura fundamental da celebração da Eucaristia. Só quando Cristo é recebido pelos fiéis como alimento de vida eterna, alcança sentido pleno tornar-se alimento para os homens, e se cumpre o memorial por Ele instituído[5]. Por isso, a Igreja recomenda vivamente a comunhão sacramental a todos os que participem na celebração eucarística e possuam as devidas disposições para receber dignamente o Santíssimo Sacramento[6].

5.3. Necessidade da Sagrada Comunhão

Quando Jesus prometeu a Eucaristia afirmou que este alimento não só é útil, mas necessário: é uma condição de vida para os seus discípulos. «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53). Comer é uma necessidade para o homem. E, como o alimento natural mantém o homem na vida e lhe dá forças para caminhar por este mundo, de modo semelhante a Eucaristia mantém o cristão na vida de Cristo, recebida no Baptismo, e dá-lhe forças para ser fiel ao Senhor nesta terra, até à chegada à Casa do Pai. Os Padres da Igreja interpretaram o pão e a água, que o Anjo ofereceu ao Profeta Elias, como tipo da Eucaristia (cf. 1 Rs 19, 1-8): depois de receber o dom, ele que estava esgotado recupera o seu vigor e é capaz de cumprir a missão de Deus. Por conseguinte, a Comunhão não é um elemento que possa ser acrescentado arbitrariamente à vida cristã; não é necessária só para alguns fiéis especialmente comprometidos na missão da Igreja, mas é vital para todos: só pode viver em Cristo e difundir o seu Evangelho quem se nutre da própria vida de Cristo. O desejo de receber a Santa Comunhão deveria estar sempre presente nos cristãos, como permanente deve ser a vontade de alcançar o fim último da nossa vida. Este desejo de receber a Comunhão, explícito ou pelo menos implícito, é necessário para alcançar a salvação. Além disso, de facto, a recepção da Comunhão é necessária, com necessidade de preceito eclesiástico, para todos os cristãos no uso da razão: «A Igreja impõe aos fiéis a obrigação (…) de receber a Eucaristia ao menos uma vez em cada ano, se possível no tempo pascal, preparados pelo sacramento da Reconciliação» (Catecismo, 1389). Este preceito eclesiástico indica apenas o mínimo, que nunca será suficiente para desenvolver uma autêntica vida cristã. Por isso, a Igreja «recomenda vivamente aos fiéis que recebam a santa Eucaristia aos domingos e dias de festa, ou ainda mais vezes, mesmo todos os dias» (Catecismo, 1389).
5.4. Ministro da Sagrada Comunhão

O ministro ordinário da Santa Comunhão é o bispo, o presbítero e o diácono[7]. O acólito é ministro extraordinário permanente da distribuição da Comunhão[8]. Podem ser ministros extraordinários da distribuição da Comunhão outros fiéis a que o Bispo do lugar atribuiu a faculdade de distribuir a Eucaristia, quando o julgue necessário na pastoral dos fiéis e não esteja presente um sacerdote, um diácono ou um acólito[9]. «Não está permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem o cálice sagrado “por si mesmos, e muito menos que o passem entre si de mão em mão”»[10]. A propósito desta norma, é oportuno considerar que a Comunhão tem valor de signo sagrado; este signo deve manifestar que a Eucaristia é um dom de Deus ao homem; por isso, em condições normais, deve-se distinguir, na distribuição da Eucaristia, entre o ministro que dispensa o dom, oferecido pelo próprio Cristo, e o sujeito que o acolhe com gratidão, na fé e no amor.
5.5. Disposições para receber a Sagrada Comunhão

Disposições da alma. Para comungar dignamente é necessário estar na graça de Deus. «Quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente – proclama S. Paulo –, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada qual a si mesmo e então coma desse pão e beba deste cálice; pois quem come e bebe, sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1 Cor 11, 27-29). Portanto, ninguém se deve aproximar da Sagrada Comunhão com a consciência de ter cometido um pecado mortal, por muito contrito que lhe pareça estar, sem a preceder da confissão sacramental (cf. Catecismo, 1385). Para comungar frutuosamente requer-se, além de estar na graça de Deus, um sério empenho em receber o Senhor com a maior devoção possível: preparação (remota e próxima); recolhimento; actos de amor e de reparação, de adoração, de humildade, de acção de graças, etc. Disposições do corpo A reverência interior ante a Sagrada Eucaristia deve-se reflectir também nas disposições do corpo. A Igreja prescreve o jejum. Para os fiéis do rito latino o jejum consiste em se abster de qualquer alimento ou bebida (excepto água ou fármacos) uma hora antes de comungar[11].
 Também se deve cuidar a higiene corporal, o modo de vestir adequado, os gestos de veneração que manifestem respeito e amor ao Senhor, presente no Santíssimo Sacramento, etc. (cf. Catecismo, 1387). O modo tradicional de receber a Sagrada Comunhão no rito latino – fruto da fé, do amor e da piedade plurissecular da Igreja – é de joelhos e na boca. Os motivos que deram origem a este piedoso e antiquíssimo costume continuam plenamente válidos. Também se pode comungar de pé e, nalgumas dioceses do mundo, está permitido – nunca imposto – receber a comunhão na mão[12].
5.6. Idade e preparação para receber a primeira Comunhão

O preceito da comunhão sacramental obriga a partir do uso da razão. Convém prepará-la muito bem e não atrasar a Primeira Comunhão das crianças. «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles» (Mc 10, 14) [13]. Para se poder receber a Primeira Comunhão, exige-se que a criança tenha conhecimento, segundo a sua capacidade, dos principais mistérios da nossa fé, e que saiba distinguir o Pão eucarístico do pão vulgar. «Os pais em primeiro lugar, e os que fazem a suas vezes, assim como também o pároco, têm obrigação de procurar que as crianças, que chegaram ao uso da razão, se preparem convenientemente e se nutram, quanto antes, com prévia confissão sacramental, deste alimento divino»[14].
5.7. Efeitos da Sagrada Comunhão

O que o alimento produz no corpo para bem da vida física, assim produz na alma a Eucaristia, de modo infinitamente mais sublime, o bem da vida espiritual. Mas enquanto o alimento se converte na nossa substância corporal, ao recebermos a Sagrada Comunhão, somos nós os que nos convertemos em Cristo: «Não me converterás tu em ti, como a comida na tua carne, mas que tu te converterás em Mim»[15].
Mediante a Eucaristia a nova vida em Cristo, iniciada no crente com o Baptismo (cf. Rm 6, 3-4; Gal 3, 27-28), pode consolidar-se e desenvolver-se até alcançar a sua plenitude (cf. Ef 4, 13), permitindo ao cristão levar a bom termo o ideal enunciado por S. Paulo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20) [16].
Por conseguinte, a Eucaristia configura-nos com Cristo, faz-nos participantes do ser e da missão do Filho, identifica-nos com as suas intenções e sentimentos, dá-nos a força para amar como Cristo nos pede (cf. Jo 13, 34-35), para inflamar todos os homens e mulheres do nosso tempo com o fogo do amor divino que Ele veio trazer à Terra (cf. Lc 12, 49). Tudo isto deve manifestar-se efectivamente na nossa vida: «Se fomos renovados com a recepção do Corpo do Senhor, temos de o manifestar com obras. Que os nossos pensamentos sejam sinceros: de paz, de entrega, de serviço. Que as nossas palavras sejam verdadeiras, claras, oportunas; que saibam consolar e ajudar, que saibam sobretudo levar aos outros a luz de Deus. Que as nossas acções sejam coerentes, eficazes, acertadas: que tenham esse bonus odor Christi, o bom odor de Cristo, por recordarem o seu modo de Se comportar e de viver» [17].
Na Sagrada Comunhão, Deus aumenta a graça e as virtudes, perdoa os pecados veniais e a pena temporal, preserva dos pecados mortais e concede a perseverança no bem: numa palavra, estreita os laços de união com Ele (cf. Catecismo, 1394-1395). Mas a Eucaristia não foi instituída para o perdão dos pecados mortais; isto é próprio do Sacramento da Confissão (cf. Catecismo, 1395). A Eucaristia fomenta a unidade de todos os cristãos no Senhor, isto é, a unidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo (cf. Catecismo, 1396). A Eucaristia é penhor ou garantia da glória futura, ou seja, da ressurreição e da eterna felicidade junto de Deus, Uno e Trino, dos Anjos e de todos os Santos: «Tendo passado deste mundo para o Pai, Cristo deixou-nos na Eucaristia o penhor da glória junto d'Ele: a participação no santo sacrifício identifica-nos com o seu coração, sustenta as nossas forças ao longo da peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna e desde já nos une à Igreja do céu, à Santíssima Virgem e a todos os santos» (Catecismo, 1419).

ÁNGEL GARCÍA IBÁÑEZ
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1373-1405. . - S. João Paulo II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, 15; 21-25; 34-46. - Bento XVI, Ex. Ap. Sacramentum caritatis, 22-II-2007, 14-15; 30-32; 66-69. - Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 25-III-2004, 80-107; 129-145; 146-160.
Leituras recomendadas
- S. Josemaria, Homilia «Na Festa do Corpo de Deus», em Cristo que Passa, 150-161. - J. Ratzinger, Deus próximo de nós. A Eucaristia centro da vida, Tenacitas, Coimbra 2005, pp. 17-32; 85-132.
- J. Echevarría, Eucaristia e Vida Cristã, Diel, Lisboa 2009, pp. 21-58; 101-188. - J. R. Villar – F. M. Arocena – L. Touze, Eucaristía, en C. Izquierdo (dir.), Diccionario de Teología, Eunsa, Pamplona 2006, pp. 360-361; 366-370.


Notas