28/01/2018

A correcção fraterna

A prática da correcção fraterna – que tem tradição evangélica – é uma manifestação de carinho sobrenatural e de confiança. Agradece-a quando a receberes, e não deixes de praticá-la com quem convives. (Forja, 566)


Sede prudentes e actuai sempre com simplicidade, virtude tão própria dos bons filhos de Deus. Sede naturais na vossa linguagem e na vossa actuação. Chegai ao fundo dos problemas; não fiqueis à superfície. Reparai que é preciso contar antecipadamente com o sofrimento alheio e com o nosso, se desejamos deveras cumprir santamente e com honradez as nossas obrigações de cristãos.

Não vos oculto que, quando tenho que corrigir ou tomar uma decisão que fará sofrer alguém, padeço antes, durante e depois; e não sou um sentimental. Consola-me pensar que só os animais não choram; nós, os homens, filhos de Deus, choramos. Sei que em determinados momentos, também vós tereis que sofrer, se vos esforçardes por levar a cabo fielmente o vosso dever. Não vos esqueçais de que é mais cómodo – mas é um descaminho – evitar o sofrimento a todo o custo, com o pretexto de não magoar o próximo; frequentemente o que se esconde por trás desta omissão é uma vergonhosa fuga ao sofrimento próprio, porque normalmente não é agradável fazer uma advertência séria a alguém. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas.

(...) Para curar uma ferida, primeiro limpa-se esta muito bem e inclusivamente ao seu redor, desde bastante distância. O médico sabe perfeitamente que isso dói, mas se omitir essa operação, depois doerá ainda mais. A seguir, põe-se logo o desinfectante; arde – pica, como dizemos na minha terra – mortifica, mas não há outra solução para a ferida não infectar.


Se para a saúde corporal é óbvio que se têm de tomar estas medidas, mesmo que se trate de escoriações de pouca importância, nas coisas grandes da saúde da alma – nos pontos nevrálgicos da vida do ser humano – imaginai como será preciso lavar, como será preciso cortar, como será preciso limpar, como será preciso desinfectar, como será preciso sofrer! A prudência exige-nos intervir assim e não fugir ao dever, porque não o cumprir seria uma falta de consideração e inclusivamente um atentado grave, contra a justiça e contra a fortaleza. (Amigos de Deus, nn. 160–161)

Temas para reflectir e meditar

União com Cristo


Ele é suficiente para ti; fora d’Ele nenhuma coisa o é.

Bem o sabia Filipe quando Lhe dizia:

Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta-nos.



(SANTO AGOSTINHO, Sermão 334 4)




Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 1, 21-28

21 Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. 22  E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. 23 Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24 «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» 25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» 26 Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27 Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» 28 E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Comentário:

Já o dissemos – mas voltamos a repetir – que o Senhor não podia consentir que alguém acreditasse nele devido a declarações de Satanás.

O Pai da Mentira, não merece qualquer credibilidade – nunca! – como poderia, pois, dizer algo verdadeiro acerca de Cristo?

Bom… de facto, diz a verdade, mas a sua intenção é malévola e falsa porque aos que acreditarem nele pelo que diz de Cristo há-de exigir que acreditem em tudo quanto lhes sugerir, por outras palavras, toma posse desses coitados que se deixam enganar.

(AMA, comentário sobre Mc 1, 21-28, 02.10.2017)







Leitura espiritual

CAPÍTULO V

O SUBLIME CONHECIMENTO DE CRISTO


1.       O encontro pessoal com Cristo.

…/3

Depois de termos reflectido, nos capítulos anteriores, sobre “Jesus verdadeiro Homem” e sobre “Jesus verdadeiro Deus”, vamos agora debruçar-nos sobre Jesus como “Pessoa”.
«Ensinamos – diz o concílio de Calcedónia – que Cristo deve ser reconhecido como uma Pessoa, ou hipóstase, não separado e dividido em duas pessoas, mas único e idêntico Filho unigénito, Verbo e Senhor nosso Jesus Cristo» [i].

Conhece-se a importância central desta verdade que fala de uma união hipostática ou pessoal entre o homem e Deus, em Cristo.
Ela é o “nó” que une a Trindade e a cristologia, Cristo é uma Pessoa e esta Pessoa não é senão a Pessoa do Verbo, a segunda Pessoa da Trindade, aqual, tendo encarnado através de Maria, começou também a existir como homem no tempo.
Divindade e humanidade, para além de serem duas naturezas, aparecem, nesta luz, como duas fazes ou dois momentos de existir de uma mesma Pessoa; primeiramente fora do tempo e depois no tempo; antes sem carne e depois na carne.
É a intuição que faz depender, no modo mais estrito que se possa pensar, a nossa salvação pela intervenção gratuita de Deus; é a que melhor reflecte, na sua mesma raiz, a natureza profunda da religião cristã, que é ser a religião da graça e do dom, mais que da conquista e das obras; e a religião da descida de Deus até nós, mais do que a nossa subida para Deus.
«Ninguém – disse Jesus no evangelho de S. João – subiu ao céu, a não ser o Filho do Homem que desceu do céu» [ii], e isto quer dizer que não se pode subir até Deus, se Deus não descer primeiro para o meio de nós; quer dizer que nenhuma cristologia que parta radicalmente “de baixo” (de Jesus “Pessoa humana”) jamais poderá conseguir “subir ao céu”, isto é, elevar-se até atingir a fé na divindade ena preexistência de Cristo.
Isto foi o que demonstrou novamente a experiência recente.

2.   «Para que eu O possa conhecer a Ele…»

Mas não é isto que me interessa relevar.
Também este dogma da única pessoa de Cristo é uma “estrutura aberta”, isto é, capaz de nos falar hoje, de responder às novas necessidades da fé, que não são as mesmas do século quinto.
Hoje em dia ninguém nega que Cristo é “uma Pessoa”.
Como já vimos atrás, há quem negue que Ele seja uma “pessoa divina”, preferindo dizer que é uma “pessoa humana”.
Mas a unidade da Pessoa de Cristo não é contestada por ninguém.
Não é por isso sobre esta vertente tradicional que deve ser procurada a actualidade deste dogma.

No plano da vida vivida, a coisa mais importante hoje, no dogma de Cristo como “uma Pessoa” é menos importante o adjectivo “uma” do que o substantivo “pessoa”.
Descobrir e proclamar que Jesus Cristo não é uma ideia, um problema histórico e nem somente uma personagem, mas sim que é uma pessoa e uma pessoa viva!
É disto que precisamos hoje e de que temos extrema necessidade, para não deixarmos que o cristianismo se reduza a ideologia ou simplesmente a teologia.
Também esta verdade faz parte daquele castelo de fadas que é a terminologia dogmática da Igreja Antiga, no qual dormem, num sono profundo, os príncipes e as mais graciosas princesas, aquém só é preciso acordar para que se levantem de um pulo em toda a sua glória.
De acordo com o programa que nos propusemos – o de revitalizar o dogma, partindo da sua base bíblica – vamos debruçar-nos agora sobre a palavra de Deus.
E visto que aqui tratamos de tornar possível aos homens de hoje um encontro pessoal com o Cristo ressuscitado, vou começar precisamente pelo texto do Novo Testamento que nos fala do mais célebre “encontro pessoal” com Jesus ressuscitado, alguma vez acontecido sobre a Terra: é o encontro do Apóstolo Paulo.
«Saulo, Saulo… quem és Tu, Senhor? Eu sou Jesus!»
Foi assim que se deu aquele encontro, do qual brotaram tantas bênçãos para a Igreja nascente [iii].

Mas ouçamos como ele mesmo descreve este encontro que dividiu em duas partes a sua vida:
«Mas aquilo que poderia ser para mim um lucro (como o de ser circuncidado, da estirpe de Israel, fariseu, irrepreensível) reputei-as como perda por Cristo. Na verdade, tudo considero uma perda, perante a sublimidade do conhecimento de Jesus Cristo meu Senhor. Por causa d’Ele perdi tudo, e tudo considero como lixo, a fim de ganhar a Cristo e ser achado n’Ele. E isso não mediante a minha justiça que deriva da lei, mas da que nasce da fé em Cristo, isto é, aquela justiça que vem de Deus, baseada na fé. E isto para que eu O possa conhecer a Ele…» [iv].

Quero lembrar também aqui o momento em que este texto se tornou “realidade activa” para mim, porque a Palavra de Deus não se conhece verdadeiramente, na sua mais profunda natureza, senão pelos frutos, isto é, por aquilo que ela uma vez produziu na vida de cada um de nós.
No estudo do cristianismo, eu tinha procedido a várias investigações sobre a origem do conceito de “pessoa” em teologia, sobre as suas definições e diversas interpretações.
Eu tinha tomado conhecimento das intermináveis discussões à volta da pessoa única ou hipóstase de Cristo durante o período bizantino, bem como dos progressos modernos sobre a dimensão psicológica da pessoa, com o consequente problema do “eu” de Cristo…
De certo modo posso dizer que eu estava a par de tudo sobre a pessoa de Cristo.
Porém, a certo momento, eis que chegou esta desconcertante descoberta: sim, eu conhecia tudo sobre a pessoa de Jesus, mas não conhecia Jesus em pessoa!
Eu conhecia a noção de pessoa, mais que a pessoa em si.

(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Denzinger, Schonmetzer, 302
[ii] Jo 3,13
[iii] Cfr. Act. 9,4-5
[iv] Fl 3,7-10

Tratado da vida de Cristo 188

Os sacramentos em geral 

Questão 60: Dos Sacramentos

Art. 4 — Se um sacramento é sempre uma realidade sensível.

O quarto discute-se assim. — Parece que um sacramento nem sempre é uma realidade sensível.

1. Porque, segundo o Filósofo, todo efeito é sinal da sua causa. Ora, como há alguns efeitos sensíveis, há também alguns inteligíveis; assim a ciência, efeito da demonstração. Logo, nem todo o sinal é sensível. Ora, para um sacramento existir basta que seja o sinal de uma coisa sagrada pela qual o homem se santifique, conforme se disse. Logo, não é necessário que um sacramento seja nenhuma realidade sensível.

2. Demais. — Os sacramentos dizem respeito ao culto ou ao reino de Deus. Ora, as coisas sensíveis não respeitam ao culto de Deus, segundo o Evangelho: Deus é espírito e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram. E o Apóstolo: O reino de Deus não é comida nem bebida. Logo, não é necessário que o sacramento seja uma realidade sensível.

3. Demais. — Agostinho diz, que as coisas sensíveis são os mínimos bens, sem os quais o homem pode viver rectamente. Ora, os sacramentos são necessários à salvação do homem como a seguir se dirá, e, portanto, não pode o homem viver bem sem eles. Logo, não é preciso que os sacramentos sejam realidades sensíveis.

Mas, em contrário, Agostinho diz: Acrescenta-se a palavra ao elemento e nasce o sacramento. E refere-se nesse lugar à água, elemento sensível. Logo, os sacramentos supõem coisas sensíveis.

A sabedoria divina provê a cada coisa conforme à natureza desta; por isso diz a Escritura, que dispõe tudo com suavidade. Donde a expressão do Evangelho: Deu a cada um segundo a sua capacidade. Ora, é conatural ao homem chegar, por meio das coisas sensíveis ao conhecimento das inteligíveis. Ora, o sinal é o meio de chegarmos a um conhecimento ulterior. E assim, sendo as coisas sagradas, significadas pelos salvamentos, uns bens espirituais e inteligíveis pelos quais o homem se santifica, resulta por consequência, que a significação do sacramento se manifesta completamente mediante certas coisas sensíveis. Assim também é pela semelhança das coisas sensíveis que a divina Escritura nos descreve as coisas espirituais. Por isso é que os sacramentos requerem as coisas sensíveis, como também o prova Dionísio.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Um ser é denominado e definido principalmente pelo que lhe convém primária e essencialmente e não pelo que acidentalmente lhe convém. Ora, a essência do efeito sensível, como sendo o que o homem conhece primária e essencialmente, é levá-lo a um conhecimento ulterior, pois, todo o nosso conhecimento nasce dos sentidos. Ora, nos efeitos inteligíveis não está o poderem conduzir a um conhecimento ulterior senão enquanto manifestados por outros meios, que são as realidades sensíveis. Donde vem que primária e principalmente se chamam sinais os que nos afetam os sentidos; por isso diz Agostinho que sinal é aquilo que sugere ao nosso pensamento uma realidade diferente da apreendida pelos sentidos. Ora, os efeitos inteligíveis não têm a natureza de sinal, senão enquanto manifestados por certos sinais. E também deste modo certas coisas que não são sensíveis se chamam de algum modo sacramentos, enquanto significados por meio de realidades sensíveis, do que mais adiante se tratará.

RESPOSTA À SEGUNDA. — As coisas sensíveis, consideradas em sua natureza, não concernem ao culto ou ao reino de Deus; mas só enquanto sinais das coisas espirituais, nas quais consiste o reino de Deus.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Agostinho refere-se às coisas sensíveis consideradas na natureza delas; não porém quando assumidas a significar as coisas espirituais, que são os máximos bens.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Devoción a la Virgen


Otro vínculo más entre Padre Pío y Fátima: la gran devoción de la familia de los pastorcitos por el santo de los estigmas

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

27/01/2018

Nunca actueis por medo ou por rotina

Atravessas uma etapa crítica: um certo vago temor; dificuldade em adaptares o plano de vida; um trabalho angustiante, porque não te chegam as vinte e quatro horas do dia para cumprir todas as tuas obrigações... Já experimentaste seguir o conselho do Apóstolo: "Faça-se tudo com decoro e com ordem", quer dizer, na presença de Deus, com Ele, por Ele e só para Ele? (Sulco 512)


E como é que vou conseguir – parece que me perguntas – actuar sempre com esse espírito, que me leve a concluir com perfeição o meu trabalho profissional? A resposta não é minha. Vem de S. Paulo: Trabalhai varonilmente, sede fortes. Que tudo, entre vós, se realize na caridade. Fazei tudo por Amor e livremente. Nunca actueis por medo ou por rotina: servi ao Nosso Pai Deus.

Gosto muito de repetir – porque tenho experimentado bem a sua mensagem – aqueles versos pouco artísticos, mas muito gráficos: Minha vida é toda amor / Se em amor sou entendido, / Foi pela força da dor, / Pois ninguém ama melhor / Que quem muito haja sofrido.

Ocupa-te dos teus deveres profissionais por Amor. Faz tudo por Amor – insisto – e comprovarás as maravilhas que produz o teu trabalho, precisamente porque amas, embora tenhas de saborear a amargura da incompreensão, da injustiça, da ingratidão e até do próprio fracasso humano. Frutos saborosos, sementes de eternidade!


Acontece, porém, que algumas pessoas – são boas, bondosas – afirmam por palavras que aspiram a difundir o formoso ideal da nossa fé, mas se contentam na prática com uma conduta profissional superficial e descuidada, própria de cabeças-no-ar. Se nos encontrarmos com alguns destes cristãos de fachada, temos de ajudá-los com carinho e com clareza e recorrer, quando for necessário, a esse remédio evangélico da correcção fraterna: Irmãos, se porventura alguém for surpreendido nalguma falta, vós, os espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e tu, acautela-te a ti mesmo, não venhas também a cair na tentação. Levai os fardos uns dos outros e desse modo cumprireis a lei de Cristo. (Amigos de Deus, nn. 68–69)

Temas para reflectir e meditar

Tentações no deserto

A resposta de Jesus (à tentação no deserto) é um acto de confiança na providência paternal de Deus.

Quem O impeliu a ir para o deserto como preparação da Sua obra messiânica, ocupar-Se-á de que Jesus não desfaleça (...)

Assim, pois, Jesus, em contraste com o antigo Israel, que se impacientou perante a fome no deserto, entrega confiadamente o Seu cuidado à providência do Pai.

(Bíblia Sagrada anot. pela Fac. de Teol. da Univ. de Navarra, Comentário Mt 4 4)




Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 4, 35-41

35 Naquele dia, ao entardecer, disse: «Passemos para a outra margem.» 36 Afastando-se da multidão, levaram-no consigo, no barco onde estava; e havia outras embarcações com Ele. 37 Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, de forma que este já estava quase cheio de água. 38 Jesus, à popa, dormia sobre uma almofada. 39 Acordaram-no e disseram-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?» Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: «Cala-te, acalma-te!» O vento serenou e fez-se grande calma. 40 Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» 41 E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: «Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»

Comentário:

Quantas vezes, Senhor, me ponho a pensar que dormes, que não vês o que se passa comigo.
Sofro, tenho necessidades – julgo ter necessidades – aquela pessoa que tanto gostava morreu, desfez-se uma família a quem tanto quero, sou humilhado, tenho necessidade de justiça, parece-me que estou sozinho entregue a mim mesmo e às minhas dificuldades e problemas.
Dormes, Senhor?
Como me admiro, que Tu, que me amas – sei que me amas – adormeças assim, alheio à minha situação!
Mas, depois, vejo que o sono é meu, a dormência é minha, o alheamento sou eu que o vivo.
Percebo que Te quero como um “Deus particular”, só para mim, que me resolva os problemas e aplane as dificuldades e esqueço-me do mais importante: ter fé inquebrantável em que, Tu, sabes mais, e que tudo, absolutamente, é para bem.
Omnia in bonum!

(ama, comentário sobre Mc 4, 35-41, 02.10.2017)








Leitura espiritual

CAPÍTULO V

O SUBLIME CONHECIMENTO DE CRISTO


1.       O encontro pessoal com Cristo.

…/2

E eis como, de um encontro pessoal, nascem de repente outros encontros pessoais; e quem conheceu Jesus dá-O a conhecer aos outros.
Eis, em suma, como se transmite a boa nova.
Um daqueles dois novos discípulos era João e o outro era André, André foi logo dizer a seu irmão Simão:
«’Encontrámos O Messias’ e levou-o a Jesus. E Jesus, fixando mele o olhar disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas, que quer dizer Pedra’» [i].
Foi deste modo que nasceu para a fé o próprio chefe dois Apóstolos: através do testemunho de alguém.
No dia seguinte sucede o mesmo.
Jesus diz a Filipe: Segue-me!
Filipe encontrou Natanael e diz-lhe: «Encontrei Jesus, Aquele de quem falou Moisés» e, às objecções de Natanael, responde Filipe repetindo as palavras de Jesus:
«Vem ver» [ii].

O cristianismo – como já muitas vezes foi dito e com razão – não é primordialmente uma doutrina, mas sim uma Pessoa, Jesus Cristo; consequentemente, o anúncio desta Pessoa e a relação com Ela é a coisa mais importante, o começo de toda a verdadeira evangelização e apropria condição da sua possibilidade.
Inverter esta ordem e colocar as doutrinas e os preceitos do Evangelho antes da descoberta de Jesus, seria como colocar num comboio, aas carruagens na frente da locomotiva que as deve puxar.
A pessoa de Jesus é Quem desbrava o caminho do coração para a aceitação de todo o resto.
Quem tomou conhecimento uma vez com Jesus vivo, já não tem necessidade de ser puxado; é Ele mesmo que arde de desejo de conhecer o Seu pensamento, a Sua vontade, a Sua Palavra.
Não é pela autoridade da Igreja que se aceita Jesus, mas é pela autoridade de Jesus que se aceita e se ama a Igreja.
A primeira coisa então que a Igreja deve fazer não é apresentar-se a si mesma aos homens, mas sim, apresentar Jesus Cristo.

A este respeito, existe um sério problema pastoral.
Tem-se vindo a verificar, proveniente dos mais variados quadrantes, o preocupante êxodo de numerosos fieis católicos para outras confissões cristãs, geralmente protestantes.
Se se quiser examinar mais de perto este fenómeno, nota-se que, em geral, esses fieis são atraídos por uma pregação mais simples e imediata, a qual faz o seu aliciamento sobre a aceitação de Jesus como Senhor e Salvador das suas vidas.
Normalmente não se trata das maiores denominações protestantes, mas sim de pequenas Igrejas de renovação e outras vezes também de grupos ou seitas que fazem o seu aliciamento com “a segunda conversão”.
O fascínio da desta pregação sobre as pessoas é notável, e não se pode dizer que se trata de um fascínio superficial e efémero, porque muitas vezes muda mesmo a vida das pessoas.

As Igrejas que possuem grande tradição dogmática e teológica e um grande aparato legislativo encontram-se por vezes em situação desvantajosa devido à sua própria riqueza e complexidade de doutrina, quando têm que enfrentar uma sociedade que, em grande parte, perdeu a própria fé cristã e que necessita, por isso, de recomeçar de novo, isto é, pela redescoberta de Jesus Cristo.
É como se faltasse ainda um instrumento adequado para esta nova situação, que se está a passar em diversos países cristãos.
Pelo nosso passado estamos mais preparados para sermos pastores do que para sermos pescadores de homens, estamos mais preparados para apascentar as pessoas que permaneceram fieis à Igreja, do que trazer para o rebanho mais pessoas ou de “repescar” as que se afastaram.
Isto de monstra a necessidade urgente que temos de uma evangelização que, embora sendo católica, isto é, aberta a toda a plenitude da verdade e da vida cristã, deve também ser simples e essencial; isso obtém-se fazendo de Jesus Cristo o ponto inicial e fulcral de todas as coisas, o pondo do qual sempre se parte e para o qual se regressa sempre.

Esta insistência de um encontro pessoal com Jesus Cristo, não é um sinal de subjectivismo ou de sentimentalismo, mas sim a tradução, no plano espiritual e pastoral, de um dogma central da nossa fé:
Que Jesus Cristo «é uma pessoa».
Nesta meditação gostaria de demonstrar como é que o dogma que proclama Cristo «ume Pessoa» não é só um enunciado metafisico que já não interessa a ninguém, ou então que interessa só a alguns teólogos, mas que, pelo contrário, é o próprio fundamento do anúncio cristão e o segredo da sua força.
DE facto, o único modo para se conhecer uma pessoa é o de entrer numa relação viva com ela.

A Igreja, nos Concílios, resumiu o essencial da sua fé em Jesus Cristo em três afirmações:
Jesus Cristo é verdadeiro homem;
Jesus Cristo é verdadeiro Deus;
Jesus Cristo é uma só Pessoa.
Trata-se de uma espécie de triângulo dogmático, em que a humanidade e a divindade representam os dois lados e em que a unidade da pessoa representa o vértice.
O que é também verdade historicamente.
Primeiro, na luta contra a heresia gnóstica foi assegurada a humanidade de Cristo.
Mais tarde, no séc. IV, na luta contra o arianismo, foi assegurada a Sua divindade.
Finalmente, no séc. V, foi assegurada a unidade da Sua pessoa.


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Jo 1,42
[ii] Cfr. Jo 1,46

Devoción a la Virgen


El milagro de la Virgen de la Leche que abría los ojos a los transeúntes que pasaban por este callejón de Roma

Hoy el reto del amor es que mires a Cristo en sus caídas y le pidas el don de levantarte

Y JESÚS CAE POR TERCERA VEZ... 

El otro día salíamos del coro e íbamos directas a comer, pero, al salir todas a la vez y quitarnos las capas largas, más de una suele pegarse un tropezón. Ese día una hermana tropezó delante de mí. ¿Cuál fue mi reacción primaria nada más verla? Salir corriendo a ayudarla.

Cuando caigo por mis debilidades y pobrezas, el perfeccionismo muchas veces me hace dejar de ver a Cristo a mi lado, como si Él se alejase porque he fallado, porque no he sido capaz de amar en una situación concreta, porque he contestado mal...

Puede que a ti te pase lo mismo, piensas: "Siempre me confieso de las mismas cosas", caigo una y otra vez. Te sientes indigno de acercarte a Él, y hasta puede que caigas en ese victimismo de machacarte a ti mismo.

Si a nosotros cuando se cae alguien nos sale ir a ayudarle, ¿cuánto más Cristo va a salir a nuestro encuentro cuando caemos?

Nos acercamos al momento de la Pasión de Cristo, el momento de sus caídas, cuando estaba sin fuerzas y no podía con el peso que se le venía encima. Él caía y se levantaba una y otra vez. Él vivió las caídas para redimirlas, para comprender al ser humano caído. Él no se quedó en el suelo, se volvió a levantar.

Estos días pídele al Señor que te cambie la manera de pensar que la sociedad nos ha enseñado de "cuando uno es malo, se le castiga". Por eso nos miramos a nosotros mismos cuando caemos: hemos fallado y nos merecemos un castigo; pero Cristo quiere que le mires a Él. Que mires sus caídas, que mires su forma de actuar, que mires cómo se levanta de nuevo.

Vuélvete a Él, Cristo es capaz de levantarte, de devolverte la alegría y comenzar de nuevo. Lo realmente malo no es tanto el caer, sino el quedarse caído. Lo importante no es la caída, sino el levantarse después de ella.

¿Y qué es lo segundo que sale después de ver un tropezón? Reírte. Sí, aunque te hayas hecho un poco de daño, te sale reír.

Hoy el reto del amor es que mires a Cristo en sus caídas y le pidas el don de levantarte como lo hizo Él, de reírte dejando de lado el victimismo para poder disfrutar de nuevo de Él.


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





26/01/2018

A raça dos filhos de Deus

Filhos de Deus. Portadores da única chama capaz de iluminar os caminhos terrenos das almas, do único fulgor, no qual nunca poderão dar-se escuridões, penumbras nem sombras. Nosso Senhor serve-se de nós como archotes, para que essa luz ilumine... De nós depende que muitos não permaneçam em trevas, mas que andem por sendas que levem até à vida eterna. (Forja, 1)


Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei, uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade, a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

Na terra há apenas uma raça: a raça dos filhos de Deus. Todos devemos falar a mesma língua: a que o nosso Pai que está nos Céus nos ensina; a língua dos diálogos de Jesus com seu Pai; a língua que se fala com o coração e com a cabeça; a que estais a usar agora na vossa oração. É a língua das almas contemplativas, dos homens espirituais por se terem dado conta da sua filiação divina; uma língua que se manifesta em mil moções da vontade, em luzes vivas do entendimento, em afectos do coração, em decisões de rectidão de vida, de bem-fazer, de alegria, de paz. (Cristo que passa, 13)

Temas para reflectir e meditar

Temor

O temor aos castigos que por nossos pecados merecemos dá-nos valor para tomar sobre nós os esforços diários, as renúncias as lutas sem as quais não podemos livrar-nos do pecado nem unir-nos plenamente a Deus.

Sempre temos motivos para nos sentirmos trespassados do temor de Deus à vista de muitas ocasiões de pecar, à vista da nossa fraqueza, da força dos costumes e apetências retorcidas, da inclinação da nossa natureza em deixar-se levar pelos atractivos da concupiscência e do mundo, das muitas faltas, descuidos e defeitos que cometemos todos dias.


(BENEDICKT BAUR, En La Intimidad con Dios, 153 trad AMA),