05/01/2018

Temos de ser humildes

Não ponhas o teu "eu" na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão maçadora! Parece que te esqueceste que "tu" não tens nada, é tudo d'Ele. Quando ao longo do dia te sentires, talvez sem razão, humilhado; quando pensares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que a cada instante borbota o teu "eu", o teu, o teu, o teu..., convence-te de que estás a matar o tempo e que estás a precisar que "matem" o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Pertransiit benefaciendo... Que fez Jesus para derramar tanto bem, e só bem, por onde quer que passou? Os Santos Evangelhos transmitiram-nos outra biografia de Jesus, resumida em três palavras latinas, que nos dá a resposta: erat subditus illis, obedecia. Hoje, que o ambiente está cheio de desobediência, de murmuração, de desunião, havemos de estimar especialmente a obediência.

Sou muito amigo da liberdade e precisamente por isso amo tanto essa virtude cristã. Devemos sentir-nos filhos de Deus e viver com o empenho de cumprir a vontade do nosso Pai, de realizar tudo segundo o querer de Deus, porque nos dá na gana, que é a razão mais sobrenatural.


O espírito do Opus Dei, que tenho procurado praticar e ensinar desde há mais de trinta e cinco anos, fez-me compreender e amar a liberdade pessoal. Quando Deus Nosso Senhor concede a sua graça aos homens, quando os chama com uma vocação específica, é como se lhes estendesse a mão, uma mão paternal, cheia de fortaleza, repleta sobretudo de amor, porque nos busca um a um, como filhas e filhos seus, e porque conhece a nossa debilidade. O Senhor espera que façamos o esforço de agarrar a sua mão, essa mão que Ele nos estende. Deus pede-nos um esforço, prova da nossa liberdade. E para conseguirmos isso, temos de ser humildes, temos de sentir-nos filhos pequenos e amar a bendita obediência com que respondemos à bendita paternidade de Deus. (Cristo que passa, 17)

Temas para reflectir e meditar

Rectidão


Oh, que recta coisa Vos peço, meu Deus verdadeiro:

que queirais a quem não Vos quer, que abrais a quem não Vos chama, que deis saúde a quem gosta de estar doente e anda procurando a doença.


(SANTA TERESA DE JESUS, Exclamaciones, nr. 8 trad ama)



Evangelho e comentário

Tempo de Natal


Evangelho: Jo 1, 43-51

43 No dia seguinte, Jesus resolveu sair para a Galileia. Encontrou Filipe, e disse-lhe: «Segue-me!» 44 Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro. 45 Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré.» 46 Então disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem e verás!» 47 Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele: «Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.» 48 Disse-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu-lhe Jesus: «Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!» 49 Respondeu Natanael: «Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!» 50 Retorquiu-lhe Jesus: «Tu crês por Eu te ter dito: ‘Vi-te debaixo da figueira’? Hás-de ver coisas maiores do que estas!» 51 E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.»

Comentário:

A forma como o Senhor convida alguém a segui-lo parece não admitir recusa.

De facto, não conhecemos o tom de voz de Jesus:

lmperioso, amável, persuasivo?...

Penso que deveria ter todas essas características e, ainda, pelo menos mais uma:

a serenidade convincente de quem deseja verdadeiramente o que pede.

Sim, porque o Senhor dos senhores, o Rei e Dono de quanto existe, não força, não coage, não pressiona, convida!

Esta delicadeza de Quem tudo pode esmaga o nosso orgulho e auto convencimento de que somos importantes, dignos de admiração e, até talvez, inveja.


(AMA, comentário sobre Jo 1, 43-51, 2017.01.05)







Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus

CAPÍTULO I

«SEMELHANTE A NÓS EM TUDO, EXCEPTO NO PECADO»

A santidade da humanidade de Cristo

4. Santificados em Cristo Jesus

Existem dois meios que nos permitem, acima de tudo, alcançar a santidade de Cristo: a Fé e os Sacramentos.
A Fé é a única possibilidade que temos para entrar em contacto com Cristo.
«Alcança Cristo – diz Santo Agostinho – quem crê em Cristo» [i].
Se nos perguntarmos como pode a experiência de Deus, feita por um homem que viveu há dois mil anos num ponto limitado do tempo e do espaço, superar tempo e espaço e comunicar-se a todos os homens, tornando-se a sua experiência e a sua santidade, a resposta está na Fé.
Da parte de Cristo que comunica tal santidade, isso foi possível elo facto de que Ele é Deus e homem, é o mediador; que a salvação por Ele operada aconteceu dentro da humanidade, que a mesma foi pensada e desejada para todos os homens e por isso foi a eles destinada e é, em certo sentido, Sua de direito.
Mas da parte daquele ao qual tal santidade é comunicada, isto é, da parte do homem, isso só é possível através da Fé.
É pela Fé – diz S. Paulo – que Cristo habita nos nossos corações [ii].
Também os Sacramentos, sem a Fé, são válidos, mas ineficazes, são operados mas não operantes.

O segundo meio com que nos apropriamos da santidade de Cristo é constituído pelos Sacramentos, em particular pela Eucaristia.
Com a Eucaristia não entramos somente em contacto – como na audição da Palavra – com esta ou aquela doutrina de Cristo, mas com o próprio «Santo de Deus».
Na Eucaristia «Cristo derrama-se em nós e funde-se connosco, mudando-nos e transformando-nos em Si como uma gota de água num oceano infinito de unguento perfumado.
Tais são os efeitos que pode produzir este unguento naqueles que o encontram: não os torna somente perfumados e não somente os faz respirar aquele perfuma, mas transforma a sua própria substância no perfume daquele unguento e nós tornamo-nos o bom odor de Cristo» [iii].

5. «Chamados a ser santos»

Até agora, fizemos duas coisas, a respeito da santidade de Cristo: contemplámo-la e, de seguida, apropriámo-nos dela.
Resta-nos ainda fazer uma última coisa, sem a qual tudo fica em risco de ficar em suspenso no vazio e sem fruto: é imitá-la.
Agindo deste modo, nós não passamos a «outro género», isto é, da exegese à ascese, da teologia a uma pia meditação.
Este é o engano que levou a teologia para uma falsa neutralidade e ciência, pelo qual um certo estudo da teologia muitas vezes torna áridas a fé e a piedade dos jovens, em vez de a incrementar.
Para o Novo Testamento é inconcebível uma consideração sobre Cristo, a qual não termine com um apelo, com um «portanto»…
«Exorto-vos, portanto, irmãos, a oferecer os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus»: é deste modo que S. Paulo conclui a exposição do mistério de Cristo na sua carta aos Romanos [iv].
Foi dito com razão que «sob o ponto de vista cristão, tudo, mas mesmo tudo, deve ser edificante, e aquele género de representação científica que não acaba por edificar é, por isso mesmo, anticristão» [v].
Não quer dizer que a dimensão edificante deva estar presente sempre da mesma maneira e no mesmo grau de explicitação, mas é decerto necessário que ela possa ser vista como por transparência e seja, às vezes, manifestada.

Depois da contemplação da santidade de Cristo, e da sua apropriação mediante a fé chegamos então à sua imitação.
Mas o que nos falta ainda, se já fomos «santificados em Jesus Cristo»?
A resposta encontramo-la continuando a ler o que S. Paulo escreve depois destas palavras:
«Àqueles que foram santificados em Jesus Cristo, chamados a ser santos» com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo» [vi].
Os crentes são «santificados em Jesus Cristo» e, ao mesmo tempo, «chamados a ser santos».
Santificados e santificandos.
À boa nova de que somos santos, de que a santidade de Cristo também é nossa, segue-se imediatamente o apelo a tornar-nos santos:
«Como é santo Aquele que vos chamou, sede vós também santos, em toda a vossa maneira de viver, poi como está escrito: sereis santos porque Eu sou santo» [vii].

Vimos já também Jesus, ao longo da Sua vida, é santificado («Aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo») e «Se faz» santo («por eles Eu santifico-me a Mim mesmo»).
Também em Jesus houve uma santidade que Lhe foi dada e uma santidade adquirida.
Isto conduz-nos ao grande horizonte da imitação de Cristo.
«Pois que – foi escrito – a Idade Média tinha-se desviado cada vez mais ao acentuar ao lado de Cristo enquanto modelo, Lutero acentuou o outro lado, afirmando que Ele é dom e que este dom pertence à fé aceitá-lo» [viii]
Mas o mesmo autor que comentava este facto acrescentava, embora fosse também ele protestante, que agora «aquilo em que se deve insistir é no lado de Cristo como modelo», para que a doutrina sobre a Fé não se reduza a uma folha de figueira que cobre as omissões mais anti-cristãs. [ix]

Sobre este tema existe um esplêndido tratado do Concílio Vaticano II, onde é focada a vocação universal dos baptizados à santidade.
Também o Concílio Vaticano fomenta o apelo à santidade dos cristãos na santidade de Jesus que é o «Santo de Deus».
Depois de evocar os textos bíblicos que falam da santidade de Cristo e da Igreja por Ele santificada, o texto conciliar prossegue dizendo:
«Por isso, todos na Igreja, tanto os que pertencem à hierarquia com os que são por ela pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo.
«Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» [x],[xi].
Não se trata de uma nova santidade a acrescentar à santidade recebida de Cristo, através da Fé e dos Sacramentos, mas de manter, desenvolver e manifestar, no dia-a-dia, a mesma santidade recebida de Cristo:
«Eles – prossegue ainda o mesmo texto do Concílio – devem com o auxílio divino, conservar e aperfeiçoar, vivendo-a, esta santidade que receberam» [xii]
A santidade de Cristo divide-se em mil cores diferentes quantas são os Santos na Igreja, não havendo nenhum Santo igual a outro; mas essa santidade é produzida por uma única luz.
«Ninguém adquire a santidade por si mesmo, e esta não é obra de virtude humana, poi todos a recebem de Cristo e através dele; é como se muitos espelhos fossem expostos ao sol: todos brilham e emitem raios, de tal modo que parece haver muitos sóis, quando na realidade é um único sol que brilha em todos eles» [xiii]

Este apelo à santidade é mais necessária e indispensável observância do Concílio.
Sem ele todas as outras observâncias são impossíveis ou inúteis; e, no entanto, esta observância é a que está em risco de ser mais negligenciada, já que somente Deus e a consciência no-la exigem e reclamam e não as pressões ou interesses de grupos humanos particulares da Igreja.
Por vezes tem-se a impressão de que, em certas comunidades e em certas Famílias Religiosas, depois do Concílio, se tenha dado mais importância ao «fazer os Santos», do que «fazer-se santos», isto é, ter mais empenho em levar aos altares os Fundadores das suas Congregações ou dos seus confrades que em imitar-lhes os exemplos e as virtudes.

(cont)

rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Santo Agostinho, Sermo 243,2 (PL 8,1144.
[ii] Cfr. Ef 3,17.
[iii] N. Cabasillas, Vida em Cristo, IV, 3 (PG 150,593).
[iv] Rm 12,1.
[v] S. Kierkegaard, A doença mortal, pref., in Obras, op. Cit. P. 621.
[vi] 1Cor 1,2.
[vii] 1Pd 1,15-16.
[viii] S. Kierkegaard, Diário, X, 1, A, 154.
[ix] Ibidem
[x] !Ts 4,3.
[xi] Lumen gentium, 39
[xii] Lumen gentium, 40
[xiii] N. Cabasilas, Comentário à divina liturgia, 36 (PG 150,449).

Doutrina – 390

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja é una, santa, católica e apostólica

168. Quem pertence à Igreja católica?



Todos os homens, de diferentes modos, pertencem ou estão ordenados à unidade católica do povo de Deus. Estão plenamente incorporados na Igreja católica aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, se encontram unidos a ela pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão. Os baptizados que não se encontram plenamente nesta unidade católica estão numa certa comunhão, ainda que imperfeita, com a Igreja Católica.

Perguntas e respostas

A EUTANÁSIA


7. Mas o tempo da doença costuma ser importante.


A duração de uma enfermidade exige resistência, paciência e capacidade de sacrifício que aumenta se a situação se prolonga.
Por isto, o tempo torna mais gravosa uma doença. Mas o que seja difícil de aguentar não permite a supressão da própria vida ou a dos outros.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





04/01/2018

A nossa tendência para o egoísmo não morre

Não ponhas o teu "eu" na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão maçadora! Parece que te esqueceste que "tu" não tens nada, é tudo d'Ele. Quando ao longo do dia te sentires, talvez sem razão, humilhado; quando pensares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que a cada instante borbota o teu "eu", o teu, o teu, o teu..., convence-te de que estás a matar o tempo e que estás a precisar que "matem" o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Convém deixar o Senhor meter-se nas nossas vidas e entrar confiadamente sem encontrar obstáculos nem recantos obscuros. Nós, os homens, tendemos a defender-nos, a apegar-nos ao nosso egoísmo. Sempre tentamos ser reis, ainda que seja do reino da nossa miséria. Entendei através desta consideração por que motivo temos necessidade de recorrer a Jesus: para que Ele nos torne verdadeiramente livres e, dessa forma, possamos servir a Deus e a todos os homens. Só assim perceberemos a verdade daquelas palavras de S. Paulo: Agora, porém, livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, ao passo que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo.


Estejamos precavidos, portanto, visto que a nossa tendência para o egoísmo não morre e a tentação pode insinuar-se de muitas maneiras. Deus exige que, ao obedecer, ponhamos em exercício a fé, porque a sua vontade não se manifesta com aparato ruidoso; às vezes o Senhor sugere o seu querer como que em voz baixa, lá no fundo da consciência; e é necessário escutar atentamente para distinguir essa voz e ser-Lhe fiel. (Cristo que passa, 17)

Temas para reflectir e meditar

O que é um mistério


Evidentemente que estando a referir-me a coisas do espírito tenho de concluir que mistério é algo que não sei explicar na sua essência.

Este facto não impede que aceite e acolha o mistério, ao contrário, deve levar-me a pedir compreensão e ciência fruto e dom do Espírito Santo.

Meditar ou discorrer sobre um mistério não é um “desafio”, mas uma atitude honesta de aprofundar para conhecer melhor e, assim, amar com amor mais esclarecido.


(AMA, reflexões,01.08.2017)

Temas para reflectir e meditar

Ânimo


Oh, valha-me Deus!

Quando Vós, Senhor, quereis dar ânimo, que pouco fazem todas as contradições!


(Santa Teresa de Jesus, Fundaciones, 3 4, trad ama)



Evangelho e comentário

Tempo de Natal


Evangelho: Jo 1, 35-42

35 No dia seguinte, João encontrava-se de novo ali com dois dos seus discípulos. 36 Então, pondo o olhar em Jesus, que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!» 37 Ouvindo-o falar desta maneira, os dois discípulos seguiram Jesus. 38 Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, perguntou-lhes: «Que pretendeis?» Eles disseram-lhe: «Rabi - que quer dizer Mestre - onde moras?» 39 Ele respondeu-lhes: «Vinde e vereis.» Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Eram as quatro da tarde. 40 André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus. 41 Encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: «Encontrámos o Messias!» - que quer dizer Cristo. 42 E levou-o até Jesus. Fixando nele o olhar, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas» - que significa Pedra.

Comentário:

De facto, a melhor forma de informar alguém é mostrar-lhe o que quer ver.

É o que faz Jesus, à pergunta responde com um convite: vinde ver.

E ao irem com Ele e ter com Ele o primeiro contacto pessoal terá sido algo tão extraordinário que jamais o esquecerão… até a hora em que aconteceu…

Sabemos, todos nós, muito bem, o que é encontrar Jesus na nossa vida, talvez O julgássemos distante, no espaço sideral e quando nos damos conta que está ali, ao nosso lado -sempre – ficamos também a saber que Ele nunca Se afasta, mas somos nós que O deixamos.

Temos uma certeza: Ele esperará por nós, pacientemente, talvez toda a nossa vida, que regressemos ao Seu convívio, à intimidade serena e confiante.

No Sacrário espera, tantas vezes completamente só, por uma visita nossa, por breve que seja como se Lhe fizéssemos um favor quando, afinal, somos nós quem recebe a Generosidade e Amor que nos quer entregar.

E, de facto, uma visita ao Santíssimo Sacramento é tão fácil, tão simples que parece inacreditável que não a façamos amiúde.

(AMA, comentário sobre Jo 1, 35-42, 04.01.2017)







Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus

CAPÍTULO I

«SEMELHANTE A NÓS EM TUDO, EXCEPTO NO PECADO»

A santidade da humanidade de Cristo

4. Santificados em Cristo Jesus

Passemos agora a considerar aquilo que a santidade de Cristo significa para nós e exige de nós.
Noutras palavras, passemos do querigma a parénese, daquilo que está feito àquilo que se deve fazer.
Mas, antes de tudo, eis uma boa nova.
Existe de facto, uma boa notícia e uma alegre nova a propósito da santidade de Cristo, e esta alegre nova, que agora queremos receber, não é tanto porque Jesus é o Santo de Deus, ou o facto de que também nós devemos ser santos e puros, mas sim que Jesus nos comunica, nos dá a Sua santidade; que a Sua santidade é também a nossa.
Mais ainda: que Ele mesmo é a nossa santidade.
Está escrito, na verdade, que Ele mesmo Se tornou, para nós, sabedoria, santificação e redenção. [i]

Cada pai pode transmitir aos filhos aquilo que tem, mas não aquilo que é.
Se o pai for um artista, um cientista, ou até mesmo um santo, não quer dizer que os filhos nasçam também artistas, cientistas e santos.
O mais que ele pode fazer é que os filhos apreciem estas coisas, e ensinar-lhas, mas não transmitir-lhas como se de uma hereditariedade se tratasse.
Pelo contrário, no baptismo, Jesus não só nos transmite aquilo que tem, mas também aquilo que é.
Ele é santo e faz-nos santos; é Filho de Deus e faz-nos filhos de Deus.

Depois de termos contemplado a santidade e impecabilidade de Cristo, resta-nos, pois, apropriar-nos ou fazer nossa tão maravilhosa santidade; revestir-nos dela e cobrir-nos também nós «com o manto da justiça» [ii].
Foi escrito que «aquilo que é de Cristo é mais pertença nossa do que aquilo que é nosso» [iii].
De facto, como pertencemos a Cristo mais que a nós próprios, [iv] assim, reciprocamente, Cristo pertence-nos em maior grau e é-nos mais íntimo que nós próprios.
Compreende-se, então, porque é que S. Paulo desejava ser julgado, não pela sua justiça ou santidade pessoal, mas pela santidade e justiça que brota da fé em Cristo, isto é, pela santidade que procede de Deus [v].
Considerava como sua, não a própria santidade, mas a de Cristo!

Chegámos, noutras palavras, à doutrina da graça de Cristo que distingue a fé cristã de qualquer outra fé e religião conhecidas.
Para ela, Cristo não é somente um sublime modelo de santidade, ou um simples «mestre de justiça», mas é infinitamente mais.
É a causa e forma da nossa santidade.
Para se compreender a novidade desta visão, pode ajudar uma comparação com outras religiões, por exemplo com o que sucede no budismo.
A libertação budista é uma libertação individual e incomunicável.
O discípulo não tem diante de si um modelo que possa ser objecto de repetição mística ou salvífica; não possui a graça.
Ele tem de encontrar a salvação em si próprio.
Buda fornece-lhe uma doutrina, mas não o assiste de modo algum na sua realização.
Pelo contrário, Jesus diz:
«Se o Filho vos libertar sereis verdadeiramente livres» [vi].
Não existe para o cristão uma autolibertação.
Se somos livres é porque somos libertados por Cristo.

Dizer que participamos da santidade de Cristo, é o mesmo que dizer que participamos do Espírito Santo, que provém dele.
Estar ou viver «em Cristo Jesus», equivale para S. Paulo, estar ou viver no «Espírito Santo».
«Nisto – escreve por sua vez São João – se conhece que nós permanecemos nele, e Ele em nós: pois que nos deu o Seu Espírito» [vii].
Cristo permanece em nós e nós permanecemos em Cristo, graças ao Espírito Santo.
Portanto, é o Espírito Santo que nos santifica.
Não o Espírito Santo em geral, mas o Espírito Santo que esteve em Jesus de Nazaré, que santificou a Sua humanidade, que se abrigou nele como num vaso de alabastro e que, no Pentecostes, derramou sobre a Igreja.
Por isso, a santidade que há em nós não é uma santidade diferente, ainda que operada pelo mesmo Espírito, mas é a mesma santidade de Cristo.
Nós somos verdadeiramente «santificados em Cristo Jesus» [viii].

(cont)

rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] 1Cor 1,30
[ii] Is 61,10
[iii] N. Cabasillas, Vida em Cristo, IV, 6 (PG 150,613
[iv] 1Cor 6,19-20
[v] Fl 3,9
[vi] Jo 8,36
[vii] 1 Jo 4,13
[viii] 1 Cor 6,11

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?