17/06/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO XVI

O direito conjugal dos primeiros matrimónios foi diferente do dos posteriores matrimónios.

Depois da primeira união do homem feito de pó e da mulher tirada do lado do varão, teve o género hum ano necessidade, para se multiplicar por gerações, da conjunção de homens e de mulheres. E com o não existiam senão os homens nascidos desses dois, os varões tomaram suas irmãs por esposas. quanto mais este facto era recomendá­vel sob a pressão da necessidade, tanto mais se tornou condenável pela proibição da religião.

Uma justíssima razão de caridade levou os homens, ara quem a concórdia é útil e digna de louvor, a multiplicar os seus laços de parentesco. Um só não devia concentrar muitos em si, mas devia reparti-los por vários. Desta forma o seu grande número contribuiria para apertar com mais eficácia os laços da vida social. «Pai» e «Sogro» são, efectivamente, os nomes de dois laços de parentesco. Se cada um tiver um pai e um sogro, a caridade estender-se-á a um maior número. Adão sozinho foi obrigado a ser um e outro para os seus filhos e as suas filhas, quando irmãos e irmãs se uniam em casamento. E assim também Eva, sua esposa, foi mãe e sogra dos filhos de ambos os sexos. Se houvesse duas mulheres, mãe um a e sogra a outra, o amor social teria multiplicado os seus laços. Finalmente a irmã tornada esposa só por si ficava com duas parentelas. Se tais laços fossem repartidos por Pessoas distintas, sendo uma irmã e outra esposa, o numero de parentes aumentaria na sociedade. Mas isto não era possível quando não havia senão irmãos e irmãs nascidos daqueles dois primeiros. Mas isso tornou-se obrigatório desde que o seu número permitiu aos homens casarem-se com mulheres que já não eram suas irmãs. E não havendo já necessidade desta prática, tornou-se um crime conservá-la. E se os netos dos primeiros homens podendo já casar com primas, casassem com irmãs, já não haveria num só homem dois, mas três parentescos que deveriam, para difundir o amor por um maior número, repartir-se por várias pessoas. E que um só homem seria para os seus filhos — irmãos e irmãs casados entre si — pai, sogro e tio; e a sua mulher, para os mesmos filhos, seria mãe, tia e sogra; e por sua vez esses filhos entre si não seriam apenas irmãos e cônjuges, mas também primos porque filhos de irmãos. Mas todos estes laços de parentesco que ligavam três homens a um só, se fossem repartidos por famílias diferentes, teriam ligado nove — de maneira que um só homem teria uma com o irmã, outra com o prima, um como pai, outro com o tio, outro como sogro, uma como mãe, outra como tia e outra como sogra, e assim o vínculo social não se veria encerrado num pequeno número, mas mais difundido por numerosos parentescos.

E o que, depois do crescimento e multiplicação do género hum ano, notam os ser observado mesmo entre os ímpios, adoradores dos numerosos e falsos deuses. Embora em leis perversas sejam permitidos os casamentos entre irmãos, um melhor costume faz-lhes detestar tal desmando, e embora tenha sido permitido nos primeiros tempos do género hum ano desposar irmãs — evita-se isso como se nunca tivesse sido permitido. O costume tem de facto um grande poder para atrair ou repelir o sentimento humano. E como ele refreia os excessos da concupiscência, com razão se considera como crime violá-lo ou
corrompê-lo. Se, realmente, é injusto ultrapassar os extremos dum campo por avidez de posse, quanto mais injusto não será derrubar os marcos dos costumes pela ânsia do prazer sexual! Constatam os que, mesmo nos nossos tempos, nos casamentos entre primos, devido ao grau de parentesco próximo do de irmãos, que influência tem ocostume para fazer raras vezes o que a lei autoriza — pois nem a divina o proibiu nem o proibiu ainda a lei humana. Todavia, um acto embora lícito inspira horror devido à sua proximidade de um acto ilícito — e o que se fazia com uma prima quase parecia que se fazia com uma irmã, pois os primos, por causa da sua proximidade sanguínea, se chamam irmãos e quase que o são.

Os antigos pais tiveram um cuidado religioso em que o parentesco, diluindo-se a pouco e pouco pelos graus das gerações, não se fosse desvirtuando e chegasse a desaparecer. Por isso, antes que se fosse afastando, reforçaram-no de novo com o vínculo do matrimónio, detendo-o, a bem dizer, na sua fuga. E por isso que, uma vez povoada a terra inteira, os homens gostavam de desposar não as suas irmãs por parte do pai ou da mãe ou de ambos os seus pais, mas mulheres da sua estirpe. Mas quem honestamente pode duvidar de que nesse tempo já eram proibidos os casamentos entre primos? E isto não só, como referimos, para multiplicar as afinidades, evitar que uma só pessoa acumule dois graus de parentesco quando duas pessoas os poderão ter e aumentar o número de parentes — mas também porque não sei que nobre e natural sentimento de pudor humano nos leva a reter, em relação àqueles que os laços de sangue nos fazem respeitar, a paixão embora geradora, de que vemos envergonhar-se a própria pudicí­cia conjugal.

A cópula do homem e da mulher, no que respeita ao género humano, é como que o viveiro da cidade. Mas a cidade terrestre apenas precisa da geração para se libertar; a celeste necessita ainda da regeneração para se libertar do castigo da geração. A história sagrada não diz se houve antes do Dilúvio um sinal corporal e visível da regeneração nem, se houve, qual teria sido, com o mais tarde foi imposta a Abraão a circuncisão. Todavia, não deixa de referir que aqueles antiquíssimos homens ofereceram sacrifícios a Deus, com o se evidencia nos dois primeiros irmãos, e lê-se que, depois do Dilúvio, Noé, ao sair da arca, ofereceu vítimas a Deus. E se os demónios, como já dissemos nos livros precedentes, arrogando-se a divindade e querendo fazer-se passar por deuses, exigem sacrifícios e se comprazem em honras deste género, é apenas porque o verdadeiro sacrifício (eles bem o sabem) só ao verdadeiro Deus é devido.

(cont)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Hoy el reto del amor es que no te avergüences de tu fe en Cristo

"EL BICHO RARO"

Ayer tuvimos garbanzos para comer. Mientras me servía no me di cuenta pero, al meterme una cucharada en la boca, ¡me había tocado el garbanzo negro! De repente me vino lo que se suele decir de "ser la oveja negra", y me vi sumergida en el evangelio de la oveja perdida, me vi apartando el garbanzo negro como si fuese la oveja que se pierde. Y recordé cómo Dios, que tiene una perspectiva mucho mayor, mira a la oveja perdida, manda a Cristo para ella, se abaja para buscarla y no para hasta que la encuentra y la salva.

Hoy puede que te sientas así, como la oveja negra, en tu familia, en tu trabajo... "el bicho raro". Te sientes rechazado, apartado por tener fe en el Dios que la sociedad rechaza hoy en día. Te preguntas qué haces ahí, en un ambiente tan hostil... incluso a veces ese ambiente te tira para abajo y hace que pierdas el Norte, que pierdas a Cristo.

El Señor viene a decirte que aproveches esa situación en la que estás y que Él permite para un bien mayor. Te puedes amargar por cada cara, por cada comentario, o puedes vivir el día de la mano del Señor y sentir cómo Él quiere que seas luz en medio de tu entorno. Hoy es el día de la Presentación de Jesús en el templo, el día de las Candelas... ¿dejarás que Él brille en ti?

Cristo no se separa de ti, Él está contigo y Él va a ir al trabajo contigo, a la compra, a la universidad... Jesús no es que pasase por un hombre muy cuerdo que digamos, Él fue rechazado en su propia ciudad, pero vino a ser la salvación de muchos. Me imagino las miradas que le echaban los fariseos y la gente que no estaba de acuerdo con Él, sin embargo, eso no hizo que dejase de anunciar el Reino de los Cielos, ni que dejase de amar. Hoy pídele su valentía.

Hoy el reto del amor es que no te avergüences de tu fe en Cristo, no te apartes, deja que Cristo vuelva a darte la fuerza para que, en medio del ruido, seas la paz, y no dejes de amar a cada persona que Él pone en tu camino, aunque no tenga la misma fe que tú. Él ama a cada uno infinitamente, pídele unos ojos nuevos para verlo.


VIVE DE CRISTO

Doutrina – 333

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO»

112. Qual é a importância do Mistério pascal de Jesus?


O Mistério pascal de Jesus, que compreende a sua paixão, morte, ressurreição e glorificação, está no centro da fé cristã, porque o desígnio salvífico de Deus se realizou uma vez por todas com a morte redentora do seu Filho, Jesus Cristo.

Jesus Cristo e a Igreja – 163

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO

…/120

Fundamento histórico doutrinal

…/155


O ensinamento do Antigo Testamento

…/3

Assim, aqueles que receberam a mensagem da salvação de Cristo compreenderam, já desde o início, a exigência de Mestre aos seus Apóstolos de chegar a renunciar inclusive o casamento pelo Reino dos Céus (Mt 19, 12), e que, como um discípulo em sentido rigoroso e pleno deve estar disposto deixar pai, mãe, esposa, filhos, irmão e irmã (Lc 18, 29; 14, 26). Também se entende assim as palavras de São Paulo sobre a diversa relação com Deus dos celibatários e dos casados (1 Cor 7, 32-33) e o seu significado no que diz respeito ao celibato eclesiástico.

Foi tarefa da escola, ou seja, da canonística clássica a partir do décimo segundo século em diante, descobrir, explicar e desenvolver as razões que ligam continência e sacerdócio neotestamentário. Na história do desenvolvimento científico do tema, brevemente descrito na segunda parte deste trabalho, se mencionou as dificuldades existentes então para se chegar à elaboração de uma teoria satisfatória. Embora os antigos Padres tivessem já entendido que a continência pertencia à essência do sacerdócio novo – como, por exemplo, quando Epifânio disse que o carisma do sacerdócio consiste na continência; ou Santo Ambrósio que apontava a obrigação de rezar continuamente como o mandamento da Nova Aliança –, os glossistas, no entanto, foram incapazes de construir uma teologia do celibato, talvez porque eram demasiado pouco teólogos. Em seus trabalhos sobre a disciplina celibatária no Ocidente, estiveram também muito influenciadas pela disciplina oriental, cuja legitimidade tomaram por boa ao aceitar tanto a lenda de Pafnucio como a legislação trullana.

(cont)

(revisão da versão portuguesa por ama)

Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mt 5, 33-37

33«Do mesmo modo, ouvistes o que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás diante do Senhor os teus juramentos. 34Eu, porém, digo-vos: Não jureis de maneira nenhuma: nem pelo Céu, que é o trono de Deus, 35nem pela Terra, que é o estrado dos seus pés, nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. 36Não jures pela tua cabeça, porque não tens poder de tornar um só dos teus cabelos branco ou preto. 37Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.»

Comentário:

Jesus Cristo é muito claro:
«Não jureis de maneira nenhuma»

Mas, vai mais longe:
«Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.»

Parece lógico porque, se consideramos que o Demónio é o pai da mentira, confirmar com juramento seja o que for equivale a mentir.

Quem acreditará em alguém que, para convencer outro a propósito do que for, sente a necessidade de jurar? 


(AMA, comentário sobre Mt 5, 33-37, 08.02.2017)

Deixa-o exigir-te!

Deus quer-nos infinitamente mais do que tu próprio te queres... Deixa-o, pois, exigir-te! (Forja, 813)


O Senhor conhece as nossas limitações, o nosso individualismo e a nossa ambição: a dificuldade em nos conhecermos a nós mesmos e de nos entregarmos aos outros. Sabe o que é não encontrar amor e verificar que mesmo aqueles que dizem segui-Lo o fazem só a meias. Recordai as cenas tremendas que os evangelistas nos descrevem e em que vemos os apóstolos ainda cheios de aspirações temporais e de projectos exclusivamente humanos. Mas Jesus escolheu-os, mantém-nos juntos de Si e confia-lhes a missão que recebeu do Pai.


Também a nós nos chama e nos pergunta como a Tiago e João: Potestis bibere calicem quem ego bibiturus sum?; estais dispostos a beber o cálice (este cálice da completa entrega ao cumprimento da vontade do Pai) que eu vou beber? "Possumus"!. Sim, estamos dispostos! – é a resposta de João e Tiago... Vós e eu, estamos dispostos seriamente a cumprir, em tudo, a vontade do nosso Pai, Deus? Demos ao Senhor o nosso coração inteiro ou continuamos apegados a nós mesmos, aos nossos interesses, à nossa comodidade, ao nosso amor-próprio? Há em nós alguma coisa que não corresponda à nossa condição de cristãos e que nos impeça de nos purificarmos? Hoje apresenta-se-nos a ocasião de rectificar. (Cristo que passa, 15)

Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





16/06/2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO XV

Será de crer que os homens dos primeiros tempos se tenham abstido do coito até à idade em que se refere que geraram filhos?

Mas perguntará alguém: será de crer que um homem, capaz de gerar filhos e não tendo o propósito da continência, se abstenha de relações sexuais durante cem anos e mais ou, segundo os códices hebreus, não muito menos, ou seja, durante oitenta, setenta, sessenta anos ou, se não se absteve, não tenha podido gerar filhos? Esta questão resolve-se de duas maneiras: ou a puberdade foi proporcionalmente tanto mais tardia quanto maior era a duração da vida, ou — o que m e parece mais de crer — não se mencionam aqui os primogénitos, mas os que reclamava a ordem de sucessão até se chegar a Noé, a partir de quem vemos novamente como se chegou até Abraão, e depois até uma certa época, conforme era preciso designar, pelas gerações citadas, o curso da gloriosíssima cidade exilada neste mundo e peregrinando para a pátria do Alto.

O que, na verdade, se não pode negar é que o primeiro de todos, Caim, nasceu da união do homem e da mulher. Se este homem ao nascer não tivesse sido o primeiro a juntar-se aos outros dois, Adão não teria dito o que a seu respeito se lê ter dito:

Adquiri um homem pela graça de Deus [i].

A este seguiu-se Abel, que seu irmão mais velho matou. É ele uma prefiguração da Cidade de Deus peregrinando. Foi ele o primeiro a mostrar que ela tinha de suportar injustas perseguições por parte dos ímpios, de certo modo terrestres, isto é, que amam a sua origem terrestre e se comprazem na sua felicidade terrestre duma cidade terrestre. Mas não consta de quantos anos era Adão quando os gerou. Seguem-se então umas genealogias de Caim e outras do filho que Adão teve como sucessor daquele que o irmão m atara e a quem chamou Set dizendo, como está escrito:

Deus deu-me outro descendente para o lugar de Abel que Caim matou [ii].

Estas duas séries de genealogias, uma de Set e outra de Caim, sugerem pela sua própria distinção as duas cidades de que tratam os — um a, a celeste, peregrinando na Terra, e outra, a terrestre, ansiosa e apegada aos gozos terrestres, com o se outros não houvesse. Ao enumerar-se a descendência de Caim desde Adão até à oitava geração, a nenhum se cita com os anos que tinha quando gerou o que se lhe segue na enumeração. Na verdade, o Espírito de Deus não quis marcar as épocas anteriores ao Dilúvio pelas gerações da Cidade Terrestre, mas sim pelas da Cidade Celeste, com o se elas fossem mais dignas de memória.

Entretanto, quando Set nasceu, não se omitiram os anos de seu pai, mas este já tinha gerado outros filhos. E quem se atreveria a afirmar que Caim e Abel foram os únicos? Com efeito, se se citaram apenas estes por causa das genealogias que convinha recordar, não se segue que se deva considerá-los com o sendo então os únicos filhos de Adão. Porque, tendo-se encoberto com silêncio os nomes de todos os demais, ao ler-se que gerou filhos e filhas - quem ousará determinar o número da sua descendência se quiser evitar a censura de temeridade? Certam ente que Adão, divinamente inspirado, pôde dizer, depois de Set ter nascido:

Deus deu-me outro descendente para o lugar de Abel [iii],

porque estava destinado a repetir a santidade daquele e não porque na ordem do tempo tenha sido o primeiro a nascer depois dele. O que está escrito a seguir:

Viveu Set duzentos e cinco anos. [iv]

(ou, segundo os Hebreus, cento e cinco anos)

e gerou Enós [v]

— quem poderá, senão de ânimo leve, asseverar que ele foi o seu primogénito? Justificadamente perguntariam os admirados como é que durante tantos anos se tinha abstido do conúbio sem propósito de continência, ou, casado, não tinha tido filhos— já que do mesmo se lê:

Gerou filhos e filhas e foram de novecentos e doze anos os dias todos de Set que, a seguir, morreu [vi].

Assim aconteceu depois com todos aqueles cujos anos se citam: não se omite que geraram filhos e filhas. Por isso de modo nenhum se evidencia que o filho nomeado seja o primogénito; mas, pelo contrário, com o não é de crer que esses antepassados tenham permanecido impúberes durante tanto tempo, sem mulher e sem posteridade, é mais de crer que os citados filhos não foram os seus primogénitos. Mas o escritor da História Sagrada, propondo-se, por uma série de gerações cuja duração anota, chegar ao nascimento e à vida de Noé (época em que surgiu o Dilúvio), assinalou, não as que foram as primeiras para os seus pais, mas as que convinham à ordem da propagação.
Vou propor, a título de exemplo com o qual isto se torne mais claro, um caso a partir do qual ninguém duvidará de que pode ter acontecido o que digo.
O evangelista Mateus, querendo transmitir à posteridade a genealogia carnal do Senhor pela linha dos seus antepassados, começando no pai Abraão e procurando chegar primeiramente a David, diz:

Abraão gerou Isaac.[vii]

Porque não diz Ismael que foi o que primeiro gerou? E continua:

Isaac gerou Jacob [viii].

Porque não diz Esaú que foi o seu primogénito? E porque por eles não podia chegar a David. Prossegue depois:

Jacob gerou Judá e seus irmãos [ix].

Será porque Judá foi o primogénito? Continua:

Judá gerou Farés e Zarat [x].

Nenhum destes gémeos foi o primogénito de Judá que antes deles tivera já três. Reteve, porém, na ordem das gerações os que lhe permitiam chegar a David e atingir assim o seu desígnio. Pelo que se pode concluir: que antes do Dilúvio não se citaram os primogénitos, mas os que tinham que conduzir por sucessivas gerações ao patriarca Noé para que não nos atormente a questão obscura e desnecessária da sua puberdade tardia.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Gen., IV, 1.
[ii] Gen., IV, 25.
[iii] Ibid.
[iv] Gen., V, 6.
[v] Ibid.
[vi] Gen., I, 7.
[vii] Mt., I, 2.
[viii] Ibid.
[ix] Ibid.
[x] Mt. I. 3.

Doutrina – 332

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

111. Como se deu a entrada messiânica em Jerusalém?

No tempo estabelecido, Jesus decide subir a Jerusalém para sofrer a sua paixão, morrer e ressuscitar.
Como Rei Messias que manifesta a vinda do reino, Ele entra na sua cidade montado num jumento.
É acolhido pelos humildes, cuja aclamação é retomada no Sanctus eucarístico: «Bendito aquele que vem no nome do Senhor! Hossana (salva-nos)» [i].
A liturgia da Igreja inicia a Semana Santa com a celebração desta entrada em Jerusalém.





[i] Mt 21, 9

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fátima: Centenário - Poemas


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

POEMAS

SANTA MARIA

Um nome existe, sol de eterno encanto,
que doira a terra e inunda o Céu de luz:
outro não há mais belo nem mais santo,
excepto o do Homem-Deus, o de JESUS.

Nome que estanca a dor e enxuga o pranto,
nome que as almas torna doce a Cruz,
nome que encerra o mais formoso canto:
a Epopeia-Redenção traduz.

Um dia, o Arcanjo que baixou da glória
profere-o, como um hino de vitória,
por sobre a terra imersa em luto e dor,

e, ao ressoar, dos orbes na harmonia,
a vez primeira, o nome de MARIA,
o mundo inteiro estremeceu de amor!

Visconde de Montelo, Paráfrase da Ladainha Lauretana, 1956 [i]




[i] Cónego Manuel Nunes Formigão
1883 - Manuel Nunes Formigão nasce em Tomar, a 1 de Janeiro. 1908 - É ordenado presbítero a 4 de Abril em Roma. 1909 - É laureado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. 1909 - No Santuário de Lourdes, compromete-se a divulgar a devoção mariana em Portugal. 1917 - Nossa Senhora aceita o seu compromisso e ele entrega-se à causa de Fátima. 1917 / 1919 - Interroga, acompanha e apoia com carinho os Pastorinhos. - Jacinta deixa-lhe uma mensagem de Nossa senhora, ao morrer. 1921 - Escreve o livro: "Os Episódios Maravilhosos de Fátima". 1922 - Integra a comissão do processo canónico de investigação às aparições. 1922 - Colabora e põe de pé o periódico "Voz de Fátima". 1924 - A sua experiência de servita de Nossa Senhora em Lurdes, leva-o a implementar idêntica actividade em Fátima. 1928 - Escreve a obra mais importante: "As Grandes Maravilhas de Fátima". 1928 - Assiste à primeira profissão religiosa da Irmã Lúcia, em Tuy. Ela comunica-lhe a devoção dos primeiros sábados e pede-lhe que a divulgue. 1930 - Escreve "Fátima, o Paraíso na Terra". 1931 - Escreve "A Pérola de Portugal". 1936 - Escreve " Fé e Pátria". 1937 - Funda a revista "Stella". 1940 - Funda o jornal "Mensageiro de Bragança". 1943 - Funda o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima. 1954 – Muda-se para Fátima a pedido do bispo de Leiria-Fátima 1956 - Escreve sonetos compilados na "Ladainha Lauretana". 1958 – Morre em Fátima. 06/01/1926 - Funda a congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima. 11/04/1949 – A congregação por ele fundada é reconhecida por direito diocesano. 22/08/1949 – Primeiras profissões canónicas das Religiosas. 16/11/2000 - A Conferência Episcopal Portuguesa concede a anuência por unanimidade, para a introdução da causa de beatificação e canonização deste apóstolo de Fátima. 15/09/2001 - Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da congregação - É oficialmente aberto o processo de canonização do padre Formigão. 16/04/2005 – É oficialmente encerrado e lacrado o processso de canonização do padre Formigão.
Fátima, 28 Jan 2017 (Ecclesia) – Decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do padre Manuel Nunes Formigão, conhecido como 'o apóstolo de Fátima, do cemitério local para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores.
A celebração de trasladação deste sacerdote e servo de Deus começou com uma concentração, rua Francisco Marto, 203, com centenas de pessoas, seguida de saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Na eucaristia inserida neste evento, na Basílica da Santíssima Trindade, do Santuário de Fátima, D. António Marto destacou uma figura que "se rendeu ao mistério e à revelação do amor de Deus, da beleza da sua santidade tal como brilhou aos pastorinhos de Fátima".
O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda o padre Manuel Formigão como alguém que "captou de uma maneira admirável para o seu tempo, a dimensão reparadora da vivência da fé tão sublinhada na mensagem de Fátima".

Nota de AMA:
Este livro de Sonetos foi por sua expressa vontade, depois da sua morte, devidamente autografado, entregue a meu Pai. Guardo o exemplar como autêntica relíquia.

Epístolas de São Paulo – 98

Carta aos Hebreus - cap 5

1Todo o Sumo Sacerdote tomado de entre os homens é constituído em favor dos homens, nas coisas respeitantes a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. 2Pode compadecer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele está cercado de fraqueza; 3por isso, deve oferecer sacrifícios, tanto pelos seus pecados, como pelos do povo. 4E ninguém tome esta honra para si mesmo, mas somente quem é chamado por Deus, tal como Aarão. 5Assim também Cristo não se atribuiu a glória de se tornar Sumo Sacerdote, mas concedeu-lha aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Eu hoje te gerei. 6E, como diz noutro passo: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec. 7Nos dias da sua vida terrena, apresentou orações e súplicas àquele que o podia salvar da morte, com grande clamor e lágrimas, e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a obediência por aquilo que sofreu 9e, tornado perfeito, tornou-se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação eterna, 10tendo sido proclamado por Deus Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec.

III. SACERDÓCIO DE JESUS CRISTO (5,11-10,18)

Normas de vida cristã


- 11Temos muitas coisas a dizer sobre isto e coisas difíceis de explicar por palavras, porque vos tornastes lentos para compreender. 12Pois, vós, que há muito tempo devíeis ser mestres, precisais ainda de alguém que vos ensine os primeiros rudimentos das palavras de Deus e tornastes-vos necessitados de leite, em vez de comida sólida. 13Ora, o que se alimenta de leite é incapaz de entender a doutrina da justiça, pois é uma criança. 14A comida sólida, porém, é para os adultos, para os que têm já exercitadas, pela prática, as faculdades de distinguir o bem do mal.