13/05/2017

Nota pessoal de António Mexia Alves sobre Fátima

As emoções de ontem e hoje foram e são tão fortes que achei por bem não escrever nada que pudesse “pecar” por excesso de emoção ou, talvez, sentimentalismo.

De facto, conheço Fátima – estou “ligado” a Fátima -, desde criança.

O meu querido Pai – que esteve presente na Cova da Iria em 13 de Outubro de 1917 – Milagre do Sol - comprou uma casa a escassos 100 metros da “Capelinha”, e, eu e os meus nove irmãos, ali passávamos todos os meses de Setembro.

Como se calculará o que tenho a dizer sobre Fátima é “muito”, algo íntimo, sem dúvida, mas que gostaria de partilhar em NUNC COEPI.

Desde o “convívio” com os Pais dos Santos Francisco e Jacinta, e da Beata Lúcia e muitos – muitíssimos – episódios que gostaria de partilhar.

Fica prometido!


António Mexia Alves


Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Jesus Cristo e a Igreja – 158

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO

…/115

Fundamento histórico doutrinal

…/11

A segunda passagem da Escritura é encontrada em 1 Coríntios 9, 5, onde São Paulo diz que também ele tem o direito de levar consigo uma mulher, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas. Muitos interpretaram a expressão “mulher” como a “esposa” dos Apóstolos, que no caso de Pedro poderia ser verdade. Mas é preciso ter-se claramente presente o facto do texto original grego não falar simplesmente de “Ginaika”, que podia perfeitamente significar também esposa.
Certamente não sem intenção, São Paulo acrescenta a palavra “adelfén”, ou seja, mulher “irmã”, o que exclui qualquer confuso mal-entendido com esposa.

(cont)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Epístolas de São Paulo – 74

2ª Carta aos Tessalonicenses - cap 2

II. A VINDA DO SENHOR (2,1-3,5)

Vinda do Senhor e seus sinais (Mt 24; Mc 13; Lc 21)

- 1Acerca da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e da nossa reunião junto dele, pedimos-vos, irmãos, 2que não percais tão depressa a presença de espírito, nem vos aterrorizeis com uma revelação profética, uma palavra ou uma carta atribuída a nós, como se o Dia do Senhor estivesse iminente. 3Ninguém, de modo algum, vos engane. Com efeito, antes deve vir a apostasia e manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, 4o adversário, aquele que se ergue contra tudo o que se chama Deus ou é objecto de culto, até a ponto de ele próprio se sentar no templo de Deus e de se ostentar a si mesmo como Deus. 5Não vos lembrais de que, quando ainda estava convosco, vos dizia estas coisas? 6E agora sabeis o que o detém para que se manifeste no momento que lhe toca. 7Com efeito, o mistério da iniquidade já está em acção; basta que seja afastado aquele que agora o detém. 8Então é que se manifestará o iníquo que o Senhor destruirá com o sopro da sua boca e aniquilará com o fulgor da sua vinda. 9A vinda do iníquo dá-se por obra de Satanás, com toda a espécie de milagres, sinais e prodígios enganadores, 10com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 11Por isso, Deus manda-lhes uma força que leva ao erro para que acreditem na mentira, 12e sejam condenados todos os que não acreditaram na verdade, mas sentiram prazer na injustiça. 13Nós, porém, devemos dar continuamente graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, pois Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação na santificação do Espírito e na fé da verdade. 14A isto Ele vos chamou por meio do nosso Evangelho: à posse da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Encorajamento


- 15Portanto, irmãos, estai firmes e conservai as tradições nas quais fostes instruídos por nós, por palavra ou por carta. 16O próprio Senhor Nosso Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, uma consolação eterna e uma boa esperança, 17consolem os vossos corações e os confirmem em toda a obra e palavra boa.

Doutrina – 298 13 Maio


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

A queda

77. Que outras consequências provoca o pecado original?


Em consequência do pecado original, a natureza humana, sem ser totalmente corrompida, fica ferida nas suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado. Tal inclinação é chamada concupiscência.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XIII
CAPÍTULO XXIV

Com o se deve entender quer o sopro de Deus pelo qual o primeiro homem foi feito em alma vivente, quer aquele que o Senhor emitiu ao dizer aos seus discípulos: Recebei o Espírito Santo.

Têm também procedido sem consideração os que, na passagem em que se lê:

Deus soprou sobre a sua face um espírito de vida e foi feito o homem numa alma vivente,[i]

são de parecer que não foi dada então ao primeiro homem a alma, mas que foi vivificada pelo Espírito Santo a que ele já tinha. Impressiona-os o facto de o Senhor Jesus, depois de ter ressuscitado dos mortos, ter soprado sobre os seus discípulos, dizendo:

Recebei o Espírito Santo.[ii]

Julgam ter acontecido agora algo semelhante ao que aconteceu então, com o se o evangelista tivesse acrescentado: «E foram feitos em almas viventes». Se ele tivesse dito isto, tal significaria, na nossa opinião, que o Espírito de Deus é, de certa maneira, a vida das almas e que, sem Ele, as almas racionais devem ser tidas por mortas, mesmo quando a sua presença parece vivificar os corpos. Mas não foi o que aconteceu quando o homem foi criado. Atestam-no suficientemente as palavras do livro deste teor:

E formou Deus o homem do pó da terra3,[iii]

— o que alguns, para maior clareza, traduzem assim: «Deus formou o homem do barro da terra», porque, mais acima, fora dito:

Uma fonte jorrava da terra e regava-lhe toda a superfície,[iv]

— o que podia designar o barro feito duma mistura de terra e de água. De facto, depois de ter sido dito isto, segue-se logo:

E formou Deus o homem do pó da terra,[v]

como vem nos códices gregos dos quais foi a Escritura traduzida para a língua latina. Não interessa para o caso que se traduza a palavra grega por criou (formavit) ou por modelou (finxit), embora «modelou» seja o termo mais apropriado. Mas para evitar equívocos, houve quem preferisse «criou» (formavit) porque prevaleceu na língua latina o costume de utilizar fingere (modelar, fingir) na composição de ficções mentirosas. É, portanto, este homem, formado do pó da terra ou de barro (isto é, de pó molhado), este homem, digo eu, «pó tirado da terra», como expressamente relata a Escritura, é que foi feito corpo animal, como o ensinou o Apóstolo, quando recebeu uma alma:

E foi feito este homem numa alma vivente,[vi]

isto é, este pó assim modelado foi dotado de alma vivente.

Ele já tinha uma alma, dirão, sem o que não se chamaria homem — porque homem não é corpo só nem alma só, mas o com posto de corpo e alma. Realmente, a verdade é que a alma não é o homem todo, mas a sua parte melhor; nem o corpo é o homem todo, mas a sua parte inferior. É ao conjunto de ambos que se dá o nome de homem; mas as partes não perdem este nome mesmo quando se fala só de cada uma. Quem é que, realmente, se coíbe de dizer, conforme certa regra da conversação de todos os dias: «Aquele homem morreu e agora está em repouso ou no sofrimento» — embora isto só da alma se possa dizer? Ou então: «Este homem foi sepultado em tal ou tal lugar» — embora isto só do corpo se possa entender? Quererão eles dizer que não é assim que a Sagrada Escritura costuma falar? Bem ao contrário — também ela nisto está de acordo connosco pois, mesmo quando as duas partes estão unidas e o homem vive ainda, dá ela a cada uma das partes o nome de homem: chama à alma «homem interior» e ao corpo «homem exterior», como se fossem dois, embora o homem seja um a e outra parte ao mesmo tempo. Mas convém compreender em que sentido se diz que o homem é a «imagem de Deus», e que é «terra e à terra voltará». A primeira expressão refere-se à alma racional dada ao homem, isto é, ao corpo do homem pelo sopro de Deus ou, se se prefere expressão mais adequada, pela inspiração de Deus; a segunda refere-se ao corpo tal qual foi formado por Deus a partir do pó, ao qual se deu a alma para dele fazer um corpo animado, isto é, um homem dotado de alma vivente.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Gen., II, 7.
[ii] Jo XX, 22.
[iii] Gen., II, 7.
[iv] Gen., II, 7-6.
V I Corint., XV, 45.
[vi] I Corint., XV, 45.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa

Nossa Senhora de Fátima

Evangelho: Lc 11, 27-28

27Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» 28Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»

Comentário:

Ser da família de Cristo – Sua Mãe, Seu irmão – não traz por si a felicidade.

Esta, verdadeiramente, consiste em pôr em prática apalavra de Deus.

Parece lógico:

A Vontade de Deus é que sejamos felizes, logo, fazer a Sua Armabilíssima Vontade só nos pode tornar felizes.

(AMA, comentário sobre Lc 11, 27-28, 08.01.2017)







Bendita és tu, entre todas as mulheres!

Olha para a Virgem Santíssima, e observa como vive a virtude da lealdade: quando Isabel precisa d'Ela, diz o Evangelho que vai "cum festinatione", com pressa, com alegria. Aprende! (Sulco, 371)

Agora, menino amigo, espero que já saibas desembaraçar-te. Acompanha, alegremente, José e Santa Maria... e ficarás a par das tradições da Casa de David.

Ouvirás falar de Isabel e de Zacarias, enternecer-te-ás com o amor puríssimo de José e baterá com mais força o teu coração, cada vez que pronunciarem o nome do Menino que há-de nascer em Belém...

Caminhamos, apressadamente, em direcção às montanhas, até uma aldeia da tribo de Judá (Lc I, 39).

Chegamos. – É a casa onde vai nascer João Baptista. – Isabel aclama, agradecida, a Mãe do Redentor: Bendita és tu, entre todas as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! – A que devo eu tamanho bem, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (Lc I, 42 e 43).


O Baptista, ainda por nascer, estremece... (Lc I, 41)... A humildade de Maria verte-se no Magnificat... E tu e eu, que somos – que éramos – uns soberbos, prometemos ser humildes. (Santo Rosário, 2º mistério gozoso)

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Christina England Hale



Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.

Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.









Pequena agenda do cristão


SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





12/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Sumi Jo



Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.

Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.








Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fazei o que Ele vos disser

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

Entre tantos convidados de uma ruidosa boda rural a que vêm pessoas de muitos lugares, Maria dá pela falta de vinho. Repara nisso imediatamente – e só Ela. Que familiares se nos apresentam as cenas da vida de Cristo! Porque a grandeza de Deus convive com o humano – com o normal e corrente. Realmente, é próprio de uma mulher, de uma atenta dona de casa, reparar num descuido, estar presente nesses pequenos pormenores que tornam agradável a existência humana; e assim aconteceu com Maria.

– Fazei o que Ele vos disser (Jo 2, 5).

Implete hydrias (Jo 2, 7), – enchei as vasilhas! –, e dá-se o milagre. Assim mesmo, com toda a simplicidade. Tudo normal: eles cumpriam o seu ofício, e a água estava ao seu alcance… E foi esta a primeira manifestação da divindade do Senhor! O que há de mais vulgar converte-se em extraordinário, em sobrenatural, quando temos a boa vontade de fazer o que Deus nos pede.

Quero, Senhor, abandonar todos os meus cuidados nas Tuas mãos generosas. A nossa Mãe – a Tua Mãe! – a estas horas, como em Caná, já fez soar aos Teus ouvidos: não têm!…

Se a nossa fé é débil, recorramos a Maria. Devido ao milagre das bodas de Caná que Cristo realizou a pedido de sua Mãe, acreditaram n´Ele os discípulos (Jo 2, 11). A nossa Mãe intercede sempre diante de seu Filho para que nos atenda e se nos mostre de tal modo que possamos confessar: – Tu és o Filho de Deus.


– Dá-me, ó Jesus, essa fé que de verdade desejo! Minha Mãe e Senhora minha, Maria Santíssima, faz com que eu creia! (Santo Rosário, 2º mistério luminoso).

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa

Beata Joana de Portugal

Evangelho: Jo 14, 1-6

1 Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? 3 E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. 4 E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» 5 Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» 6 Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.

Comentário:

O Senhor voltou para o Céu para, como diz, preparar uma morada para cada um de nós.

E que morada será?

Preparada pelo próprio Jesus Cristo, Deus e Irmão nosso, deve ser tão excelente e extraordinária que não pudemos sequer imaginar.

Como não fazer quanto estiver ao nosso alcance para conquistar o direito habitá-la?

(AMA, comentário sobre Jo 14, 1-6, Malta, 2016.04.23)





Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XIII

CAPÍTULO XXII

Depois da ressurreição os corpos dos santos serão espiritualizados, sem que a carne se transforme em espírito.

Depois da ressurreição os corpos dos justos de mais nenhuma árvore terão necessidade para não morrerem de doença ou de extrema velhice, nem de qualquer alimento corporal com que satisfaçam a necessidade de comer ou de beber. Estarão revestidos de um seguro e inviolável privilégio de imortalidade de forma que só comerão se quiserem, mas não serão a isso constrangidos. Isso também os anjos o fizeram, aparecendo sob uma forma visível e palpável — não porque tivessem fome mas porque o puderam e quiseram para se adaptarem aos homens, humanizando o seu ministério (porque não é de crer que, quando os homens lhes dispensavam hospitalidade, só na aparência é que comiam), embora tenha parecido àqueles que ignoravam a sua qualidade de anjos que eles comiam, como nós, por necessidade. Daí o que disse o anjo no livro de Tobias:

Víeis-me comer, mas era com os vossos olhos que me víeis,[i]


isto é, «julgáveis que eu tomava o alimento por necessidade de refazer o corpo como vós fazeis». Talvez para os anjos haja um a explicação mais aceitável. Mas a nossa fé cristã não duvida, acerca do Salvador, de que Ele, mesmo depois da ressurreição comeu e bebeu com os seus discípulos, em carne de certo espiritual, mas verdadeira carne. Na verdade, o que a tais corpos será tirado, não é a faculdade, mas a necessidade de beber e de comer. Segue-se disto que
eles serão espirituais, não porque deixarão de ser corpos, mas porque subsistirão graças à vida do espírito.

CAPÍTULO XXIII

Que se deve entender por corpo animal e corpo espiritual; e quais são os que morrem em Adão e os que são vivificados em Cristo.

Assim como se chama «corpos animais» aos corpos que ainda não têm o «espírito vivificante», mas têm uma «alma vivente» (sem, contudo, serem almas nos corpos) — assim também aos corpos ressuscitados se chama «corpos espirituais». Longe de nós, porém, crermos que sejam espíritos! Serão corpos com uma substância de carne, mas que não sofrerão, graças ao espírito vivificante, a menor corrupção ou o entorpecimento da carne. O homem já não será então terrestre, mas celeste, não porque o seu corpo, feito da terra, deixe de ser o mesmo, mas porque um dom celeste o tornará apto a habitar mesmo no Céu, sem mudar de natureza, mas sim de qualidade. Mas o primeiro homem terrestre, porque tirado da terra, foi criado com «alma vivente» e não com «espírito vivificante» — o que lhe estava reservado com o prémio da sua obediência. O seu corpo tinha necessidade de com ida e de bebida para não sofrer de fome e de sede. Estava garantido contra uma morte fatal, não por absoluta e indissolúvel imortalidade, mas pela árvore da vida que também o mantinha na flor da juventude; mas não há dúvida de que não era um corpo espiritual, mas animal, sem, contudo, estar destinado a morte se o homem, pecando, não tivesse incorrido na condenação de que Deus o tinha ameaçado. Sem que lhe fossem negados os alimentos fora do Paraíso, ficou, porém, privado da árvore da vida e entregue ao tempo e à velhice, para acabar os dias de uma vida que, se não tivesse pecado, podia ser perpétua no Paraíso, embora com corpo animal, até que, graças ao prémio da obediência, chegasse a ser espiritual.

É por isso que — mesmo considerando esta morte manifesta que separa a alma do corpo como referida também nestas palavras que Deus proferiu:

No dia em que dele comerdes, é de morte que haveis de morrer,[ii]

— não deve parecer absurdo que esta separação do corpo não tenha tido lugar no próprio dia em que comeram do alimento proibido e mortífero. E certo que, desde esse dia, a sua natureza se deteriorou e ficou viciada e, pela justíssima privação da árvore da vida, surgiu neles a fatalidade da morte corporal com a qual nós nascemos. E por isso que o Apóstolo não diz «o corpo deve morrer por causa do pecado», mas diz:

Realmente, o corpo morreu por causa do pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça.[iii]

E acrescenta:

Se o Espírito daquele que ressuscitou Cristo dos mortos habita em vós, o que ressuscitou Cristo dos mortos vivificará também os vossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em vós [iv]

O corpo estará, portanto, então, com um «espírito vivificante», ao passo que agora está com uma «alma vivente»; e, todavia, o Apóstolo chama-lhe já morto porque já está sujeito à fatalidade da morte. Mas outrora estava com uma «alma vivente» sem estar com um «espírito vivificante» e, contudo, não seria correcto chamar-lhe «morto» porque só o pecado poderia sujeitá-lo à fatalidade da morte. Assim, ao dizer:

Adão, onde estás?[v]

Deus referiu-se à morte da alma — a morte que surge quando ele a abandona; e ao dizer:

És terra e voltarás à terra,[vi]

referiu-se à morte do corpo — a morte que se verifica quando a alma o deixa. Por isso é de crer que nada disse da morte «segunda», que quis que se mantivesse secreta para a anunciar no Novo Testamento, no qual ela é abertamente anunciada. Era preciso, antes de tudo, que a «primeira morte», com um a todos, fosse revelada como proveniente do pecado que se tornou a todos com um pelo facto de um só; mas a «segunda morte» não é com um a todos pois dela se exceptuam aqueles

que, segundo decisão sua, (Deus) chamou, previu e predestinou a,[vii] 

como diz o Apóstolo,

tornarem-se conformes com a imagem de seu Filho, para que este Filho fosse o primogénito de muitos irmãos.[viii]

A todos estes, preservou a graça de Deus, pelo Mediador, da segunda morte. Com o diz o Apóstolo, foi num corpo animal que o primeiro homem foi feito. Querendo, de facto, distinguir o corpo animal, que temos agora, do corpo espiritual, que teremos na ressurreição, diz:

Foi semeado na corrupção, ressuscitará na incorruptibilidade;
foi semeado na ignomínia, ressuscitará na glória
foi semeado na debilidade, ressuscitará na pujança;
foi semeado corpo animal, ressuscitará corpo espiritual.[ix]

Para o provar declara:

Se há um corpo animal, também haverá um corpo espiritual .[x]

e para mostrar o que é um corpo animal, acrescenta:

Assim está escrito: o primeiro homem Adão foi feito numa alma vivente.[xi]

Quis, portanto, mostrar desta forma o que é o corpo animal, embora do primeiro homem, chamado Adão, quando pelo sopro de Deus uma alma lhe foi criada, a Escritura não tenha dito: «Ele foi feito num corpo animal» mas

O homem foi feito numa alma vivente.[xii]

Portanto, com o que está escrito:

O homem foi feito numa alma vivente,[xiii]

quis o Apóstolo designar o corpo animal do homem. Como se há-de entender o «espiritual», declara-o, dizendo:

O novo Adão em espírito vivificante,[xiv]

designando, sem sombra de dúvida, Cristo, que, ressuscitado dos mortos, já não morrerá mais. Até que acaba por dizer:

O primeiro não é o espiritual mas o que é animal; depois é que vem o corpo espiritual.[xv]

Mostra aqui muito mais claramente que pretendeu designar o corpo animal ao falar do primeiro homem feito em alma vivente, e o corpo espiritual ao dizer:

O novo Adão em espírito vivificante.[xvi]

Em primeiro lugar há, efectivamente, o corpo animal — o do primeiro Adão — posto que não destinado a morrer, salvo se pecasse; e é também o que nós temos agora, degradado e viciado na sua natureza ao ponto de ficar sujeito, após o pecado, à fatalidade da morte. (Foi tal corpo que o próprio Cristo se dignou assumir primeiro por nós, não por imposição da fatalidade, mas por poder da vontade). Em seguida vem o corpo espiritual, como aconteceu já, primeiro em Cristo, nossa cabeça, e como continuará a acontecer nos seus membros na ressurreição derradeira dos mortos.

Depois o Apóstolo estabelece a evidentíssima diferença entre estes dois homens ao dizer:

O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo vem do céu. Tal o terrestre, tais também os terrestres; tal o celeste, tais também os celestes. E da mesma forma que nós revestimos a imagem do terrestre, revistamos também a imagem daquele que vem do céu.[xvii]

O que o Apóstolo assim afirma é o que agora se opera em nós, conforme o sacramento da regeneração, como diz algures:

Todos vós que em Cristo fostes baptizados, de Cristo vos revestistes.[xviii]

mas a realidade terá lugar quando o que em nós há de animal ao nascermos, se torne espiritual ao ressuscitarmos. Para usarmos das suas próprias palavras,

é na esperança que somos salvos.[xix]

Vestimo-nos da imagem do homem terrestre pela transmissão da prevaricação e da morte que a geração nos proporciona. Mas revestimos a imagem do homem celeste pela graça do perdão e da vida perpétua que nos subministra a regeneração através do único Mediador de Deus e dos homens — o homem Jesus Cristo. E a Este que o Apóstolo quer designar por «homem celeste», porque veio do Céu para revestir um corpo de mortalidade terrena que revestiria de imortalidade celeste. Também chama «celestes» aos outros homens, mas é porque eles se tornam seus membros pela graça, para formarem com ele um só Cristo, com o a cabeça e o corpo. E o que ele ainda mais claramente expõe na mesma epístola:

Por um homem veio a morte e por um homem veio a ressurreição dos mortos. Assim como todos morrem em Adão, assim todos serão vivificados em Cristo.[xx]

Sê-lo-ão doravante num corpo espiritual que estará «num espírito vivificante»; não porque todos os que morrem em Adão hão-de ser membros de Cristo (realmente um grande número deles será ferido eternamente de segunda morte) — mas porque a repetição da palavra «todos» (omnes) quer dizer que, assim com o ninguém morre em seu corpo mortal senão em Adão, assim também ninguém é vivificado no corpo espiritual senão por Cristo.

Longe de nós, pois, o pensamento de que na ressurreição teremos um corpo idêntico ao do primeiro homem antes do pecado. Nem o dito:

Tal o terrestre, tais também os terrestres. [xxi]

se deve entender do estado produzido pelo pecado. Realmente, não se deve pensar que, antes do pecado, o corpo do homem era espiritual e que, devido ao pecado, se transformou em corpo animal. De facto, pensar assim seria prestar pouca atenção às palavras de tão grande mestre (doctor) que declara:

Se há um corpo animal, também haverá um corpo espiritual;[xxii]

Assim está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito numa alma vivente.[xxiii]

Porventura aconteceu isto depois do pecado, sendo para esta primeira condição do homem que o bem-aventurado Paulo apela, com o testem unho da lei, para explicar o corpo animal?

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Tobias, XII, 19.
[ii] Gén. II, 17.
[iii] Rom., VIII, 10.
[iv] Rom., VIII, 11.
[v] Gén., III, 9.
[vi] Gén., III, 19.
[vii] Rom., VIII, 28-29.
[viii] Ibid.
[ix] I Corínt., XV, 42-44.
[x] I Corínt., XV, 45.
[xi] Ibd.
[xii] Ibid.
[xiii] Ibid.
[xiv] Ibid.
[xv] I Corint., XV, 46.
[xvi] I Corínt., XV, 45.
[xvii] I Corínt., XV, 47-49.
[xviii] Gál., III, 27.
[xix] Rom., VIII, 24.
[xx] I Corínt., XV, 21-22.
[xxi] I Corínt., XV, 47-49.
[xxii] I Corínt., XV, 42-44.
[xxiii] Ibid.