23/03/2017

Fátima: Centenário – Inconformidade

Imprecação à minha querida Mãe do Céu

Mãe, desculpa a minha franqueza, mas eu, por momentos, penso que o Teu Divino Filho dorme!

Estou siderado com a loucura que se está a instalar neste País do qual és Rainha.

As leis iníquas que alguns – infelizmente tantos – pretendem aprovar e que, outros, por respeito humano ou pura cobardia, estarão dispostos a ractificar:

O aborto, a eutanásia, a ideologia de género, a legalização da união de pessoas do mesmo sexo, tudo feito e imaginado por mentes doentias, sem critério nem formação, que pretendem fazer crer que fazem o que fazem por preocupação pelos direitos dos outros, por solidariedade, por “bons motivos”.

São pessoas, bem sei, e teus filhos também, não me esqueço, mas são doentes, insanos, quando não agentes de seitas ou associações que têm como único objectivo destruir a família e aviltar a dignidade da pessoa humana.

Desculpa, Mãe, mas estou sem saber o que fazer, o que posso fazer!

Então… ouvi a resposta:

‘Enganas-te, filho, o meu Divino Filho não dorme NUNCA!
 
O que podes e deves e tens a fazer:

REZA MAIS E COM MAIOR DEVOÇÂO E CONFIANÇA!’

(AMA, Reflexões, 22.03.2017)


Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Semeadores de paz e de alegria

Ris-te porque te digo que tens "vocação matrimonial"? – Pois é verdade: assim mesmo, vocação. Pede a São Rafael que te conduza castamente ao termo do caminho, como a Tobias. (Caminho, 27)


É muito importante que o sentido vocacional do matrimónio nunca falte, tanto na catequese e na pregação como na consciência daqueles a quem Deus quer levar por esse caminho, porque estão real e verdadeiramente chamados a integrar-se nos desígnios divinos da salvação de todos os homens.


Por isso, talvez não possa apresentar-se aos esposos cristãos melhor modelo que o das famílias dos tempos apostólicos: o centurião Cornélio, que foi dócil à vontade de Deus e em cuja casa se consumou a abertura da Igreja aos gentios; Áquila e Priscila, que difundiram o cristianismo em Corinto e em Éfeso, e que colaboraram no apostolado de S. Paulo; Tabita, que com a sua caridade assistiu aos necessitados de Jope... E tantos outros lares de judeus e de gentios, de gregos e de romanos, nos quais lançou raízes a pregação dos primeiros discípulos do Senhor.



Famílias que viveram de Cristo e que deram a conhecer Cristo. Pequenas comunidades cristãs que foram centros de irradiação da mensagem evangélica. Lares iguais aos outros lares daqueles tempos, mas animados de um espírito novo que contagiava aqueles que os conheciam e com eles conviviam. Assim foram os primeiros cristãos e assim havemos de ser os cristãos de hoje: semeadores de paz e de alegria, da paz e da alegria que Cristo nos trouxe. (Cristo que passa, 30)

Temas para meditar - 694

Fidelidade


Fiéis à verdade, devemos rectificar convenientemente uma notícia deformada, corrigir um silêncio calculado e manhoso, contribuir para uma meditação ponderada. 




(javier abad gómez Fidelidade Quadrante 1991 pg. 77)

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Lc 11, 14-23

Naquele tempo, Jesus estava a expulsar um demónio que era mudo. Logo que o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. Mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios». Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do céu. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa. Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós. Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança. Mas se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa».

Comentário:

Por mais absurdas que possam ser as alegações dos que manifestamente estão contra Ele, o Senhor nunca deixa de responder.
Há um claro objectivo de instruir o povo que o rodeia que, na ausência de uma resposta Sua poderia ficar a pensar se os outros não teriam razão.

É um exemplo que todos os cristãos devemos seguir, não deixar de esclarecer o erro - por mais crasso ou ridículo que possa apresentar-se - e repor a verdade tal qual é.

(ama, comentário sobre LC 11, 14-23 2016.03.03)






Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS


Vol. 2

LIVRO X

CAPÍTULO XXVI

Inconstância de Porfirio hesitando entre a confissão do verda­deiro Deus e o culto dos demó­nios.

Quanto a mim, não sei porque é que Porfirio se sentia envergonhado entre os seus amigos teurgos. Sabia de certo modo tudo isto, mas não se sentia com liberdade para o defender contra o culto dos múltiplos deuses. Disse que havia de facto anjos que, descendo do alto, ensinavam aos teurgos as coisas divinas; e que outros, estando na Terra, anunciavam as coisas do Pai, sua sublimidade e profundidade. Será que se pode acreditar que estes anjos, cujo ofício consiste em nos anunciar a vontade do Pai, queiram ver-nos submetidos a outros que não Àquele cuja vontade nos anunciam? Por isso mesmo o platónico nos aconselha com toda a razão que, em vez de os invocarmos, devemos imitá-los. Não devemos, portanto, ter receio de ofender estes seres imortais e bem-aventurados por não lhes oferecermos sacrifícios. Porque o que eles sabem não ser devido senão ao verdadeiro Deus, cuja posse constitui a sua felicidade, sem dúvida alguma não o desejam eles para si, nem em figura, nem na sua própria realidade expressa pelos sacramentos. Esta arrogância é própria dos demónios orgulhosos e infelizes dos quais estão muito longe os piedosos servi ores Deus que não procuram a sua felicidade senão na união com Ele. Para conseguirem este bem devem eles favorecer-nos com sincera benevolência, não arrogando o direito de a eles nos sujeitarem, mas anunciando-nos Aquele sob cuia autoridade nós lhes seremos associados na paz.


Porque receias então, ó filósofo, levantar livremente a voz contra estas potências ciosas das verdadeiras virtudes e dos dons do verdadeiro Deus? Já distinguiste os anjos que anunciam a vontade do Pai, daque­les que atraídos não sei porque artimanha descem até aos teurgos. Porque continuas ainda a honrá-los ao ponto de afirmares que eles anunciam coisas divinas? Que coisas divinas podem anunciar esses anjos que não anunciam a vontade do Pai? Outros não são eles senão esses espíritos que um invejoso amarrou com os seus sortilégios para os impedir de purificarem uma alma, sem que o homem de bem que, como dizes, deseja essa purificação, possa libertá-los das suas amarras e restituir-lhes o seu poder. Duvidas ainda que sejam malignos demónios ou finges talvez ignorar, com receio de ofender os teurgos que enganaram a tua curiosidade e que te transmitiram, como um grande benefício, essa ciência perniciosa e insensata? E ousas levantar até aos Céus, acima dos ares, esta inveja que não é um poder mas uma pestilência — não uma senhora mas, como confessas, uma escrava de invejosos — atreves-te a colocá-la entre os vossos deuses sidérios ou infamar os próprios astros com semelhantes opróbrios?


CAPÍTULO XXVII

A impiedade de Porfirio ultrapassa o erro de Apuleio.

Muito mais humano e suportável foi o erro do platónico Apuleio teu correligionário; este, ao tratar do culto dos deuses, confessou, por querer ou sem querer, que apenas os demónios colocados abaixo da esfera da Lua são agitados pelas enfermidades das paixões e pelas desordens da mente. Mas os deuses supremos do Céu que residem nos espaços etéreos, quer os visíveis que brilham tão claramente aos seus olhos (como o Sol, a Lua e os outros astros), quer os invisíveis que ele via em imaginação, põe ele toda a sua argumentação em preservá-los do menor contágio dessas perturbações.

Mas tu, não foi de Platão, foi de teus mestres caldeus que aprendeste a levantar os vícios humanos até às sublimidades do mundo, etéreas ou empíreas, e até aos celestes firmamentos, para que os vossos deuses pudessem anunciar aos teurgos as coisas divinas. Todavia, pela tua vida intelectual tu pões-te acima destas coisas divinas, não duvidando de que, na tua qualidade de filósofo, não tens necessidade das purificações da arte teúrgica. Todavia, impõe-nas aos outros, como que para pagares uma espécie de dívida para com os mestres, pois aos que não podem filosofar tratas de os arrastar para essas purificações que julgas inú­teis para ti, dotado de mais altas capacidades. Quer di­zer: todos os que estão afastados da virtude da filosofia, que é árdua e de poucos, na tua opinião devem buscar os teurgos para se fazerem purificar, não na sua alma intelectual, mas, o menos, na sua alma espiritual. E como aqueles que não gostam de filosofar são incomparavelmente em muito maior número, a maior parte é forçada a socorrer-se mais desses teus ilícitos segredos do que das escolas platónicas. Realmente, foi isto que te prometeram os imundos demónios, fingindo-se deuses etéreos de que te fizeste o pregador e o anjo: que as purificações pela parte teúrgica na alma espiritual não voltam com certeza ao Pai mas habitarão para lá das regiões aéreas entre os deuses etéreos.

É isto que a multidão dos homens, que Cristo veio libertar do domínio dos demónios, não ouve. E, na verdade, n ’Ele que encontram a mais misericordiosa das purificações — a da inteligência, a do espírito e a do corpo. Porque se Ele assumiu o homem todo, sem o pecado, foi para curar da peste do pecado tudo o que constitui o homem. Oxalá o tivesses tu conhecido e, para alcançares com mais segurança a salvação, te tivesses encomendado mais a Ele que à tua virtude humana, frágil
e débil, ou à tua funesta curiosidade. Realmente, não te teria enganado Aquele que os vossos oráculos, como tu mesmo escreveste, reconheceram como santo e imortal. D’Ele disse também o mais ilustre dos poetas — é certo que como poeta, pois o disse figuradamente de outra pessoa — mas que com toda a verdade referimos a Cristo:

Sob a tua chefia, se algum vestígio do nosso crime perdura,
ele será apagado e a Terra libertada do seu perpétuo terror.
[i]

Trata-se aqui do que, dada a fraqueza desta vida, pode subsistir se não de crimes, pelo menos de vestígios de crimes, mesmo entre os mais avançados na virtude da justiça e que só o Salvador designado nestes versos pode apagar. Que não fala em seu próprio nome, o próprio Vergílio o indica no quarto verso, creio eu, da sua égloga ao dizer:

Já chegou a última idade do oráculo de Cumas.[ii]

Daqui se conclui, sem receio, que quem isto disse foi a Sibila de Cumas.

Mas os teurgos, ou antes os demónios na aparência e figura de deuses, em vez de purificarem o espírito humano, sujam-no com a falsidade das suas visões e o enganoso ludíbrio das suas vãs formas. Com o poderão purificar o espírito humano eles que têm sujo o seu? Se assim não fosse não se deixariam prender por encantamentos de um homem invejoso nem reteriam, por medo, ou negariam, por uma inveja seme­lhante, aquele mesmo benefício ilusó­rio que, parecia, iam prestar. Basta que de ares a teurgia incapaz de justificar a nossa alma intelectual, isto é, a inteligência; quanto à parte espiritual, inferior à inteligência, se essa arte, como tu afirmas, a pode purificar, ela não pode — és tu quem o confessa — torná-la imortal e eterna. Cristo, porém, promete a vida eterna — e por isso o Mundo corre para Ele causando-vos indignação, sem dúvida, e também admiração e espanto.

E de que é que serve tudo isso, se não pudeste negar que os homens erraram com o ensino teúrgico e que muitos se extraviaram por causa desta doutrina cega e estulta, e que é um erro bem evidente recorrer aos principados e aos anjos com as nossas súplicas e ritos? Foi para não parecer que perdeste o teu trabalho a ensinares estas coisas que remetes os homens para os teurgos, para que, por sua intervenção, se purifique a alma espiritual dos que não vivem segundo a alma intelec­tual?


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Vergílio, Égl., IV, 13-14.
[ii] Vergílio, Égl., IV, 4.

Doutrina - 247

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
PRIMEIRA SECÇÃO: «EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

CAPÍTULO TERCEIRO: A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS

EU CREIO

28. Quais as características da fé?

A Fé, dom gratuito de Deus e acessível a quantos a pedem humildemente, é uma virtude sobrenatural necessária para a salvação. O acto de fé é um acto humano, isto é, um acto da inteligência do homem que, sob decisão da vontade movida por Deus, dá livremente o seu assentimento à verdade divina. Além disso, a fé é certa porque fundada sobre a Palavra de Deus; é operante «por meio da caridade» [1]; é em contínuo crescimento, graças, em especial, à escuta da Palavra de Deus e à oração. Ela faz-nos saborear, de antemão, a alegria celeste.







[1] Gal 5,6

Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa

1. As questões ligadas à legalização da eutanásia e do suicídio assistido estão em discussão na Assembleia da República e na sociedade. Como contributo para esse debate, que desejamos seja em diálogo sereno e humanizador, surge esta Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o que verdadeiramente está em causa[1].


(cont)

Epístolas de São Paulo – 23

1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios

II. ESCÂNDALOS NA IGREJA (5,1-6,20)

Capítulo 5

Um caso de incesto (Lv 18,8; 20,11; Dt 27,20)

1Ouve-se dizer por toda a parte que existe entre vós um caso de imoralidade, e uma imoralidade como não se encontra nem mesmo entre os pagãos: um de vós vive com a mulher de seu pai. 2E continuais cheios de orgulho, em vez de andardes de luto, a fim de que seja retirado do meio de vós o autor de tal acção.
3Quanto a mim, ausente de corpo mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu: 4em nome do Senhor Jesus e com o seu poder, por ocasião de uma assembleia onde eu estarei presente em espírito, que 5tal homem seja entregue a Satanás para mortificação da sua carne, a fim de que o seu espírito seja salvo no Dia do Senhor. 6Não é digno o vosso motivo de orgulho! Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? 7Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. 8Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade.
9Já vos escrevi na minha carta, para não vos relacionardes com os devassos. 10Não me referia, genericamente, aos devassos deste mundo, ou aos avarentos, ladrões, ou idólatras, porque, então, teríeis de sair deste mundo. 11Não. Escrevi que não devíeis associar-vos com quem, dizendo-se irmão, fosse devasso, avarento, idólatra, caluniador, beberrão ou ladrão. Com estes, nem sequer deveis comer.

12Porventura, compete-me, a mim, julgar os de fora? Não são os de dentro que tendes de julgar? 13Os de fora, Deus os julgará. Afastai o mau do meio de vós.

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






22/03/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Minha filha, o Senhor conta com a tua ajuda

– Minha filha, que formaste um lar, agrada-me recordar-te que vós, as mulheres, – bem o sabes! – tendes muita fortaleza, que sabeis envolver numa doçura especial, para que não se note. E, com essa fortaleza, podeis fazer do marido e dos filhos instrumentos de Deus ou diabos. Tu fá-los-ás sempre instrumentos de Deus: Nosso Senhor conta com a tua ajuda. (Forja, 690)


A mulher é chamada a levar à família, à sociedade civil, à Igreja, alguma coisa de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: a sua delicada ternura, a sua generosidade incansável, o seu amor ao concreto, a sua agudeza de engenho, a sua capacidade de intuição, a sua piedade profunda e simples, a sua tenacidade... A feminilidade não é autêntica se não reconhece a formosura dessa contribuição insubstituível e não a incorpora na própria vida.


Para cumprir essa missão, a mulher tem de desenvolver a sua própria personalidade, sem se deixar levar por um ingénuo espírito de imitação, que – em geral – a colocaria facilmente num plano de inferioridade e deixaria irrealizadas as suas possibilidades mais originais. Se se formar bem, com autonomia pessoal, com autenticidade, realizará eficazmente o seu trabalho, a missão para que se sente chamada, seja ela qual for. A sua vida e o seu trabalho serão realmente construtivos e fecundos, cheios de sentido, tanto se passa o dia dedicada ao marido e aos filhos, como se, tendo renunciado ao matrimónio por alguma razão nobre, se entregou plenamente a outras tarefas. Cada uma no seu próprio caminho, sendo fiel à sua vocação humana e divina, pode realizar e realiza de facto a plenitude da personalidade feminina. Não esqueçamos que Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, é não só modelo, mas também prova do valor transcendente que pode alcançar uma vida aparentemente sem relevo. (Temas Actuais do Cristianismo, 87)



Uma mulher com preparação adequada deve ter a possibilidade de encontrar aberto o caminho da vida pública, em todos os níveis. Neste sentido, não se podem apontar tarefas específicas da mulher. Como disse antes, o específico neste terreno não é dado tanto pela tarefa ou pelo posto, como pelo modo de realizar esta função, pelos matizes que a sua condição de mulher encontrará para a solução dos problemas com que se enfrente, e inclusivamente pela descoberta e pela formulação destes problemas. (Temas Actuais do Cristianismo, 90)

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Mt 5, 17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Comentário:

Pelas palavras de Jesus podemos concluir que, na Vida Eterna, não haverá como que uma “nivelação” de todos.
Haverá “grandes” e pequenos”, o Senhor afirma-o.

Isto tem importância?

Penso que sim, embora considere que, na Vida Eterna, o Supremo Bem é a visão beatífica da Face de Deus.

Tem a ver, sim, com a obrigação de fazermos o melhor que pudermos e não nos contentarmos com os “mínimos”, como que “ir andando”, não fazendo muitos disparates, não pecando com gravidade e… pronto!

Quem assim procede corre um perigo enorme, porque quanto mais baixo se voa maior é a possibilidade de chocar com um obstáculo que trave o “voo” e, a queda, pode ser grave.



(ama, comentário sobre Mt 5, 17-19, 2016.03.02)

Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS


Vol. 2

LIVRO X

CAPÍTULO XXIV

Único verdadeiro princípio que purifica e renova a natureza humana.

Por isso nós, quando falamos de Deus, não afirmamos dois ou três princípios, tal como não nos é permitido afirmar dois ou três deuses. É certo que, quando falamos de cada uma das pessoas divinas — do Pai, do Filho ou do Espírito Santo —, confessamos que cada um é Deus; todavia não dizemos, como os heréticos Sabelianos, que o Pai é idêntico ao Filho, que o Espírito Santo é idêntico ao Pai e ao Filho. Mas dizemos que o Pai é o Pai do Filho, que o Filho é Filho do Pai e que o Espírito Santo, sem ser nem o Pai nem o Filho, é o Espírito do Pai e do Filho. E assim se diz com verdade que o homem não é purificado senão por um princípio embora entre eles (filósofos) se fale de princípios no plural.

Porfírio, porém, dominado pelas potestades ciosas, das quais sentia vergonha, mas que tinha medo de livremente rebater, não quis reconhecer o Cristo Senhor como o Princípio por cuja encarnação somos purificados. Desprezou-o nessa carne que Cristo assumiu para ser sacrifí­cio da nossa purificação. Não compreendeu este grande sacramento devido ao orgulho que o bom, o verdadeiro mediador abateu pela sua humildade, mostrando-se aos mortais nessa mortalidade que os maléficos e enganadores mediadores não tinham; e por isso com mais arrogância se envaideceram, prometendo, como imortais a mortais, uma ilusória aos infelizes homens. Mas como bom e verdadeiro mediador mostrou que o mal é o pecado e não a substancia ou a natureza da carne; Ele pôde, pois, assumir esta carne e com ela uma alma humana, e conservá-la sem pecado, como pôde depô-la com a sua morte e transformá-la para melhor com a sua ressurreição; mostrou que nem a própria morte — castigo do pecado que Ele, embora sem pecado, sofreu por nós — pode ser evitada ao que peca, mas deve sim ser suportada, quando a ocasião surgir, como coisa justa. Não morreu porque pecou, mas morreu porque, morrendo, pôde pagar os nossos pecados.

O citado platónico não soube que este é que era o Princípio pois, se o soubesse, tê-lo-ia reconhecido como purificador. Não é a carne que há n’Ele que é o princípio — nem a alma humana; é o Verbo por quem tudo foi feito. A carne não purifica, pois, por si própria, mas pelo Verbo por quem foi assumida quando

o Verbo se fe z came e habita entre nós.[i]

Também quando falava misticamente da sua carne que devia ser comida e os que o não compreenderam se retiraram ofendidos dizendo:

É dura esta palavra quem a pode ouvir? [ii]

respondeu Ele aos que ficaram:

É o espírito que vivifica, mas a came para nada serve.[iii]

O Princípio, portanto, tomando uma alma e uma carne, purifica a alma e a carne dos crentes. Por isso, aos judeus que lhe perguntavam quem era Ele, respondeu que era o Princípio. E nós — carnais, enfermos, sujeitos ao pecado, envolvidos nas trevas da ignorância — seríamostotalmente incapazes de compreender isso, se não fôssemos purificados e curados por Ele por meio do que éramos e do que não éramos. Realmente, éramos homens, mas não éramos justos e na sua encarnação Ele tinha uma natureza humana, mas justa e não pecadora. É esta a mediação pela qual foi estendida a mão aos que tinham caído e jaziam por terra; é esta a descendência preparada pelos anjos em cujas palavras se promulgava a lei que mandava prestar culto a um só Deus e prometia o mediador que havia de vir.

CAPÍTULO XXV

Todos os santos que viveram no tempo da lei e nos séculos anteriores foram justificados no ministério e na fé de Cristo.

Foi pela fé neste mistério (sacramentum) que, mesmo os antigos justos que viveram piedosamente, puderam ser purificados, não somente antes de a lei ter sido dada ao povo hebreu (porque nem Deus nem os anjos deixaram de os instruir), mas também no tempo da lei, embora, como figura de realidades espirituais, ela pareça conter promessas carnais — e por isso é que se chama Antigo Testamento. Realmente, existiam então Profetas que, como os anjos, anunciaram a mesma promessa e, entre eles, aquele de quem acima citei o pensamento tão profundo e tão divino acerca de soberano bem do homem:

Para mim estar unido a Deus é que é bom [iv].

Neste Salmo fica bem clara a distinção entre os dois Testamentos — o Antigo e o Novo. Por causa das promessas carnais e terrenas em que via abundar os ímpios, diz o Profeta que os seus pés tremeram e os seus passos estiveram prestes a fraquejar ao pensar que tinha servido a Deus em vão, pois, a felicidade que d’Ele esperava, via-a ele prosperar naqueles que O desprezavam. Querendo saber a razão porque era assim, teve muita dificuldade, diz, em explicá-lo até ao momento em que, entrando no santuário de Deus, compreendeu a sorte final dos que, no seu erro, ele julgava felizes. Reconheceu, então, que na sua elevação eles tinham sido, como diz, derrubados, tinham desaparecido e tinham perecido por causa das suas iniquidades. Este fastígio de felicidade temporal tornara-se para eles como o sonho de um homem que ao despertar se encontra de repente privado das alegrias enganosas do seu sonho. E como nesta Terra, na Cidade Terrestre, eles se imaginavam grandes, conclui:

Senhor, na tua cidade reduzirás a nada a sua imagem.[v]

Que a esta seja, porém, útil pedir mesmo os bens terrenos ao único Deus verdadeiro, em cujo poder estão todas as coisas, mostra-o bem quando diz:

Como um animal tenho estado diante de ti e estou sempre contigo .[vi]

«Como um animal», disse, isto é, como alguém que não compreende. Realmente, eu devia desejar de Ti as coisas que não podem ser comuns a mim e aos ímpios; mas quando os vi na abundância, pensei que Te servi em vão, pois que esses bens eram a parte dos que não puderam
servir-Te. Nem por isso deixarei de estar «sempre contigo» porque, mesmo em tais desejos, não recorri a outros deuses. Por isso continua:

Tomaste a minha mão direita, conduziste-me conforme a tua vontade e recebeste-me com glória,[vii]

como se ficassem à esquerda todas aquelas coisas cuja abundância viu nos ímpios e por elas esteve prestes a desfalecer:

Que há para mim no Céu e, fora de Ti, que é que quis sobre a Terra? [viii]

A si próprio se repreende e tem razão para não estar satisfeito consigo próprio, porque, quando tinha no Céu tamanho bem (mais tarde o compreendeu), pediu ao seu Deus bens transitórios, frágeis e, a bem dizer, uma felicidade de lama na Terra. Diz ele:

Desfaleceu a minha carne e o meu coração, Deus do
meu coração.
[ix]

Desfalecimento feliz, com certeza, que das coisas cá de baixo leva às do alto! Por isso diz noutro salmo:

Minha alma se consome e anela pelos átrios do Senhor.[x]

E noutra passagem:

Por tua salvação desfalece a minha alma.[xi]

Todavia, depois de ter falado de um e outro desfalecimento — o do coração e o da carne —, não acrescentou «Deus do meu coração e da minha came» mas apenas «Deus da minha carne.», porque, na verdade, é o coração que purifica a came. Daí esta palavra do Senhor:

Limpa o que está dentro que o que está por fora limpo
 será.
[xii]

Diz a seguir que o seu quinhão é o próprio Deus — nada que venha d’Ele mas Ele mesmo:

Deus do meu coração, Deus meu quinhão, Deus meu para sempre.[xiii]

Fala assim porque de tudo o que se oferece à escolha dos homens, é ao próprio Deus que lhe apraz escolher. E continua:

Porque eis que os que se afastaram de ti morrerão perdeste todos os que a infidelidade afastou de ti, [xiv]

isto é, aquele que deseja ser o lupanar de uma multidão de deuses.

Segue-se, finalmente, o que motivou as outras citações deste salmo:

Para mim estar unido a Deus é que é bom,[xv]

isto é, não me afastar d ’Ele, não me entregar a tantas fornicações. E esta união só será perfeita quando se tenha libertado de tudo aquilo de que se deve libertar. Mas agora é que se realiza o que se segue:

Pôr em Deus a minha esperança,[xvi]

porque, diz o Apóstolo:

Ver o que se espera já não é esperar. Quem vê como pode esperar? Mas se esperamos o que não vemos aguardemo-lo com constância.[xvii]

Situados agora nesta esperança, ponhamos em prática o que se segue e sejamos nós também, à nossa medida, anjos de Deus, isto é, seus mensageiros, anunciando a sua vontade e louvando a sua glória e a sua graça.

Por isso, tendo dito:

Pôr em Deus a minha esperança,[xviii]

acrescenta:

Para anunciar todas as tuas glórias às portas da filha de
Sião.
[xix]

esta a gloriosíssima Cidade de Deus, aquela que conhece e adora um só Deus, aquela que nos anunciaram os santos anjos, convidando-nos a fazermos parte dela e desejando que sejamos nela seus concidadãos. Eles, de facto, não pretendem que os honremos como deuses, mas que, com eles, adoremos o seu e nosso Deus; eles não pretendem que lhes ofereçamos sacrifícios, mas que, com eles, sejamos um sacrifício oferecido a Deus.

Assim, pois, quem, posta de parte toda a maligna obstinação, considera tudo isto, não pode pôr em dúvida que todos os bem-aventurados imortais que não nos invejam (não seriam felizes se nos invejassem) mas antes nos amam para que sejamos felizes com eles, são-nos bem
mais favoráveis, ajudam-nos muito mais se com eles adorarmos o Deus único — Pai, Filho e Espírito Santo — do que se a eles lhes prestássemos culto, oferecendo-lhes sacrifícios.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Jo, 1, 14.
[ii] Jo, 6, 60.
[iii] Jo, 6, 63.
[iv] Salmo LXXII, 28.
[v] Salmo LXXII, 20.
[vi] Salmo LXXII, 23.
[vii] Salmo LXXII, 24.
[viii] Salmo LXXII, 25.
[ix] Salmo LXXII, 26.
[x] Salmo LXXX, 2.
[xi] Salmo CXVIII, 81.
[xii] Mt XXIII,26.
[xiii] Salmo LXXII, 26.
[xiv] Salmo LXXII, 27.
[xv] Salmo LXXII, 28.
[xvi] Salmo LXXII, 26.
[xvii] Rom. VIII, 24-26.
[xviii] Salmo LXXII, 26.
[xix] Salmo LXXII, 26.